Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Sendo aquela pessoa...


A vida é uma coisa tão mágica, não é mesmo? 

A gente nasce chorando, frágil e pequeno, precisando de ajuda prá tudo, aprendendo a cada dia, mesmo sem querer, alguma coisa nova - algumas boas, outras ruins. Mas, o certo é que a gente vai embora muito diferente do que aqui chegou...

Eu tinha acabado de completar 11 anos e entrado para a 5ªsérie - que, naquele tempo, se chamava "ginásio". 

Uma mocinha. 

Uma porção de coisas começaram a acontecer naquele ano. Uma das professoras percebeu que eu era míope - muito míope, e ninguém na minha família sabia disso (eu muito menos: eu pensava que todo mundo enxergava daquele jeito...). Pela primeira vez não sentava mais na primeira carteira, próxima da lousa, e descobri que, sentando longe, não via nada do que a professora escrevia... 

Pela primeira vez também achei que já tinha idade suficiente para ir e voltar da escola por outro caminho, diferente daquele ensinado por minha mãe: justamente pelo caminho que ela me aconselhara a nunca usar, pois passava em frente a uma série de bares, frequentados por desocupados e alcoólatras - mas eu já era grande, com meu 1,50 m e meus 35 quilos de puro osso. O fato é que - sabe como é...- passava em frente à casa de um menino bonitinho que estudava na minha escola, então... 

Mesmo assim, não pensem que foi fácil: as edificações eram velhas, 3 bares em sequência, de pintura descascada pelo tempo, com cheiro de bebida curtida que atingiam a gente em cheio muito antes de se passar em frente à porta mas, afinal, eu já era grande...

Então, de dentro de um deles, surge - mesclada com outras vozes e risadas - a voz de meu pai. 

O ambiente era escuro (pois eu estava no sol...) e, atônita, fiquei ali parada, do lado de fora do bar, esperando a visão se acomodar. 

Um amigo do meu pai, que tinha o apelido de "Pintado" (pois era todo sardento), o cutuca e diz: "A tua filha.". 

Meu pai sai, todo sorridente, me pega pelo braço e me leva lá prá dentro. Me apresenta, todo amigo, aos cachaceiros e à dona do Bar. 

Dona Nena - esse era o nome dela - uma mulher bonita, portuguesa chegada muito nova ao Brasil, sorridente, me cumprimentou com educação.

Meu coração era puro ódio! Ali estava meu pai - aquele pai que estava sempre bravo e carrancudo, com um sorriso que eu nunca via em casa, pagando bebida e coxinha de galinha pros amigos... 

Ele me disse: "Escolhe um doce do balcão, Rosa!", pois o bar tinha um balcão de madeira com tampa de vidro, onde haviam paçocas, suspiros, doce de abóbora... 

Nem me lembro qual doce eu peguei - mas lembro que, por pura maldade, furtei um dadinho. Dadinho - aquele doce que parece mesmo um dado, que lembra o recheio do bombom sonho de valsa, sabe? Coube direitinho na minha mão e ninguém viu que eu peguei...

Fui embora prá casa, sem prestar nem atenção no meu novo caminho, não quis almoçar, não fiz a lição de casa, só me deitei na minha cama e cobri a cabeça. Minha mãe achou que eu ia pegar um resfriado...

Passei uma noite horrível. Aquela mulher era a culpada de tudo do mundo, com seu rosto maquiado de pó de arroz, seu sorriso emoldurado de batom... 

No dia seguinte fui à aula de corpo e alma quebrados, o coração acelerado no peito, a cabeça trovejando um temporal de pensamentos. 

Nem bem o sinal tocou, na hora do recreio, peguei minhas coisas, disse prá professora que não me sentia bem (minha cara bem que atestava isso...) e corri prá porta do bar - queria ver se meu pai já estava  ali, queria furtar outro doce e mais outro e mais outro... Aquela mulher ia pagar muito caro por todo o mal que nos fazia!

O bar havia acabado de abrir e somente dona Nena estava lá, passando um pano com álcool no balcão. Me viu e sorriu, lembrando quem eu era. 

Aquele sorriso falso era a gota d'água! 

As palavras que trovejavam dentro da minha cabeça se atropelaram todas prá sair pela boca, de uma vez só, numa avalanche de xingamentos e de acusações ... 

"Enquanto a sra. (mesmo assim eu a chamei de senhora...) faz meu pai gastar dinheiro aqui, a gente lá em casa muitas vezes passa fome!

Nem tenho como escrever tudo o que disse para aquela mulher... 

Dona Nena escutou tudo o que eu tinha prá dizer. Não sei se ela sentiu raiva de mim, se ela sentiu pena, se foi indiferente. Seu rosto era indecifrável prá mim - eu o via como o retrato da maldade do mundo. 

Quando eu acabei, bem calma, ela me disse:

-"Olha, menina... Seu nome é... Rosa, não é? Olha, Rosa. Eu não posso me dar ao luxo de espantar fregueses, meu sustento sai deste bar... Mas, olha: seu pai sempre paga bebida, pão com mortadela,  salgado para os amigos. O que você acha: todo dia, de manhã, antes de abrir o bar, vou comprar um litro de leite e uma bengala de pão e vou deixar aqui, esperando por você - é só vir buscar na saída da escola. Eu ponho na conta do seu pai".

"Acho bom mesmo!" - eu pensei. "Não faz mais do que a obrigação..."

Daquele dia em diante, todo dia (até de sábado), eu dava uma corrida até o bar prá pegar aquele pão e aquele leite, às vezes um quilo de açúcar, um pão doce - vindos da lembrança e da boa vontade dela, porque eu mesma não pedia. Tudo ia prá conta do meu pai, mas saía da bondade dela. 

Durante quase dois anos aquela mulher ajudou a minimizar a fome de um bando de crianças que ela nunca viu - e de uma ladrazinha, que lhe furtou um dadinho do balcão de doces...

Parou quando faleceu, vítima de um enfarte, ainda nova. O bar ficou fechado por quase 20 anos - virou depois uma papelaria, voltou a fechar e hoje, reformado, é uma lojinha de presentes e bijuterias...

Até hoje é meio inexplicável prá mim por que não levei o esporro que eu merecia... Por que, em troca de todo meu ódio, recebi pão e leite? Bondade dela, bondade Divina, sei lá -  ainda não entendo direito...

Aquele pão e aquele leite alimentaram mais que meu corpo. Alimentaram aquela semente de bem que Deus plantou no meu peito quando me fez e que vivia sufocada pela dureza da terra onde estava enterrada, seca de sede, morta de fome... 

Porque a vida é assim, sabe? Todos nós somos como pedrinhas num saco: rombudas, cheias de arestas, pinicando, incomodando, resvalando  umas nas outras, umas brilhando mais, outras sem brilho algum mas, nesse contato forçado umas com as outras vamos nos polindo, burilando a pedra bruta que existe dentro do nosso peito - até que ela brilhe como foi destinada a brilhar quando saiu da imaginação do Nosso Pai... Ele coloca no nosso caminho muitos e muitos artífices, soldadores, joalheiros da vida (e a maioria deles nem se dá conta de seu papel...).

Até hoje penso na Dona Nena - que, apesar de sempre ter escutado meu "obrigada" quando me passava o leite e o pão (porque, afinal de contas, eu era uma menina educada...), nunca ouviu o som do meu agradecimento verdadeiro, vindo do coração - porque eu soube muito bem despejar meu ódio sobre ela, mas fui tímida e econômica na hora de agradecer.

E, até o dia em que eu morrer, vou me lembrar dela e vou lutar prá ser uma pessoa melhor, prá ter algo  prá dar à vida ao invés de só pedir... Prá que, quando Deus me buscar, eu não tenha vergonha de mostrar nas mãos somente aquele dadinho furtado (uma coisa tão bobinha, 5 centavos de nada - que me pesa tanto na alma!) - mas que eu mostre que, também eu, soube escutar o mal e retribuir com o bem, trazendo - para a vida de alguém - um pouco mais de brilho.

Fazer a diferença...

Este é o meu desejo de  Feliz Ano Novo - prá mim, para aqueles que eu amo e prá todo mundo...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Concurso Nada Cultural

É isso mesmo: dá uma pausa na cultura! Eu bem sei que todos vocês adoram criar frases maravilhosas prá participar de concursos, mas estamos no final do ano, esperando as férias prá recarregar a pilha ,então CHEGA! de exigir tanto dos neurônios.

Meu Concurso Nada Cultural é assim: não precisa perder noite de sono pensando numa frase incrível ou criando um comentário prá me convencer que você merece ganhar.

O concurso se chama: "ADOTE UMA JANELA".

Tudo o que você tem que fazer é:
(1) ser seguidor do blog (uma chance de participar) e DEIXAR UM COMENTÁRIO DIZENDO QUAL CACHECOL QUER GANHAR (importante: se não comentar, não está participando!!!)

(2) propagandear o concurso (e o blog) nas redes sociais ou no seu blog ou site (mais uma chance de participar). Por exemplo: se for seguidora, fizer propaganda em seu próprio blog e também no facebook tem 3 chances de ganhar. Aí, deixa um comentário NESTA POSTAGEM dizendo seu nome, seu email e o link do local onde você falou do blog feijão com arroz desta quase idosa pessoa. 

O prêmio?

Lã vinho e miçangas metalizadas na mesma cor (aliás, não é belíssima a minha Lola?! Não usa batom não, a boquinha é assim linda mesmo...)
Lã branca e pérolas rosa

Lã preta e miçangão transparente

Cordão de lã rosa antigo, sem miçangas

Fita de lã cinza, sem miçangas

Lã preta e pérolas

Lã cinza e miçanga metalizada na mesma cor

Lã branca e miçangão preto

Vou sortear pelo Random.org no dia 1º de março de 2013 - assim dá tempo de quem saiu de férias participar também. Infelizmente, é só prá quem reside no Brasil (é meu primeiro concurso, tenho que ir devagarinho...). 

Então tá: esta é a última postagem do ano, estou de férias onde o Judas perdeu as meias, lutando bravamente contra carrapatos, aranhas e besouros... 

Enquanto isso, participem do concurso, visitem a janela (que aposto tem um montão de coisas que vocês ainda não viram...), deixem seus comentários e - já ia esquecendo!!!: cada uma diz a cor da lã e qual a pedrinha (se é pérola, se é miçangão, se é miçanguinha) que gostaria de ter no cachecol se fosse a ganhadora (ou ganhador - que vai dar o cachecol pro amor da sua vida...). Assim quando ganhar, vai ser do jeito que a pessoa sortuda quiser!

Então: FELIZ ANO NOVO (passem aqui que tem uma postagem programada prá essa virada de ano...), boa sorte a todos que me derem o prazer de participar, boas férias e feliz regresso!!!  

Vitral de Orelha


"Ai, lá vem a Dona Rosa com mais uma impossibilidade...".



Impossibilidade vírgula, que a maioria das coisas que a gente julga impossíveis é porque nunca fez! Um vitral prá usar na orelha, por exemplo: totalmente possível e, se não fosse feito de lacre de latinha de refrigerante, seria extremamente chique. Talvez em algumas daquelas centenas de lojinhas na 25 de março, onde a gente acha peças prá montar bijuterias, exista alguma pecinha que se possa usar prá fazer esse vitral (já pensou: um coração delicado de metal, prá ser preenchido com a miçanga vitrificada que você quiser?)...

"Mas, Dona Rosa, como que faz prás miçangas ficarem assim, presas dentro do metal, parecendo vidro?"

Cola de isopor. Já usou? Ela é assim: parece cola (quente) de silicone transparente derretida, bem molinha. Só que, diferente da cola quente, ela demora mais pra secar. E - também ao contrário da cola quente - ela continua transparente e brilhante depois de seca.

Faz assim: separa dois lacres de latinha bem bonitinhos e limpos, posiciona eles sobre um pires. 

Escolhe a miçanga de sua preferência. Com uma pinça (eu usei dois alfinetes...) você vai posicionando as miçangas dentro dos vãos do lacre e, depois que estiver tudo preenchido, joga com cuidado (prás miçangas não saírem do lugar) uma gota ou duas de cola de isopor. 

Fez isso nos dois lacres? Então cobre o pires com filme pvc e deixa por 3 a 4 dias até secar. É provável que, passado esse tempo,  tenha grudado um pouco no pires, então, com um estilete, raspa delicadamente o lacre por baixo até soltar. Se ainda estiver úmido por baixo, deixa o lacre virado ao contrário por mais um dia, terminando de secar.

Aí pega um preguinho ou uma tachinha, faz um furinho delicado e coloca o anzol de brinco. Ou então faz vários lacres vitrificados e, em cada um deles, um furinho de cada lado. Aí une um ao outro com argolinhas e faz pulseira, cinto... 

AQUI VAI UMA DICA PRÁ LÁ DE BOA: você pode usar caco de vidro!!! É assim: sabe aquela garrafa com uma cor linda - um azul profundo, um verde luminoso, que tá vazia e você tem pena de jogar fora? Pois então: enrola uma parte dela num tecido velho e grosso, um pedaço de jeans, por exemplo, e quebra com um martelo. Vê o tamanho que os cacos menores ficaram e, se você os quer mais delicados, quebra mais. 

"Mas eles ficaram muito cortantes, Dona Rosa! Vou me machucar toda!!!"

Vai não! Pega os caquinhos mais bonitinhos, que vão caber no lacre, de preferência com uma pinça e coloca eles dentro de uma garrafinha com um pouco de água e areia (dessas de construção) e chacoalha bastante. A areia vai aparar as arestas dos cacos: as bordas vão ficar macias e aí pode pegar na mão que não machuca. 

Agora quer uma dica melhor ainda? Fazer um prato decorado com cola de isopor e cacos de vidro (esse eu tirei deste site AQUI). Quebra a garrafa toda (ou quebra duas, uma verde e uma azul...) sem estilhaçar demais, deixando cacos mais ou menos do mesmo tamanho. Tira a "maldade" deles dentro de uma garrafa maior com água e areia (chacoalhando bem...) e depois cola todos num prato raso transparente. É um serviço mais demorado, tem que fazer por partes, mas você pode até fazer um prato-mosaico, lindo toda vida e totalmente pessoal, inédito. Vai fechando os buraquinhos com cola de isopor e, quando ela secar, vai incorporar no vidro. Fácil de limpar - pode até lavar - mas não pode usar nem álcool nem removedor, tá bom?

Ou faz uma luminária (já pensou?)! Olha só que lindezas:


Essas vende no Elo7, bem AQUI. Se você quisesse fazer dessas, não ia ser com cola de isopor, mas também não é difícil... Agora, faz uma bem caseira assim: compra no vidraceiro perto da sua casa quatro pedaços de vidro barato, transparente. Ajeita eles sobre um local fixo, enfeita com cacos de vidro, miçangas, strass, cola tudo com cola de isopor (mesmo se escorrer um pouco prá fora não faz mal, é só cortar com o estilete depois...). Quando tudo estiver seco, volta no vidraceiro,pede prá ele colar um vidro no outro com silicone (ou faz você mesma isso, comprando a cola própria em casa de materiais de construção) e ajeita essa luminária sobre uma base de abajur...

E já que eu comecei a falar de cacos de vidro, espia só este abajur aqui:


Veio deste blog AQUI, que até ensina como fazer. 

E este monte de vasos, porta velas, arte em vidro vindas DAQUI





Demais, né?

Pois é... Lacres de latinha, cacos de vidro... Tem gente que acha que é tudo lixo...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cursos grátis no Sesc Belenzinho

Ó, não perde: se você mora em São Paulo/Capital, tem cursos grátis maravilhosos no Sesc Belenzinho, com inscrição no estacionamento deles exclusivamente dia 03 de janeiro de 2013, às 14 horas. Espia só os cursos:


Pintura Têmpera: Origens e Usos - 4 encontros, 20 vagas;

Marchetaria - 6 encontros, 10 vagas;

Tear: Tapetes do Oriente - 14 encontros, 20 vagas;

Colar em Estilo Egípcio - 2 encontros, 20 vagas.

Todos, como eu já disse, maravilhosamente grátis e você ainda pode conhecer a Comedoria e saborear o Sagu de Café (que é quase tão bom quanto o meu) e o Sorvete de Iogurte com calda de frutas vermelhas (delicioso!!!).

Fica perto do metrô estação Belém:


Vestido grego

Bom, no site de onde eu tirei ele é chamado de "Vestido de 1 hora" - porque é o tempo que levaram prá fazê-lo. Eu - bem... - levei um pouquinho mais...

Ó, ele é muito fácil de fazer - mas tem que ser feito de malha: qualquer outro tipo de tecido vai fazer muito volume (por causa do drapeado do ombro). Se bem que viscose, bem fininha... Talvez dê certo. 

Eu fiz de liganete vermelha, gastei 1,10 de tecido. Fiz todinho ele usando o ponto elástico da minha Janome (eu não tinha linha vermelha pro overlock...). Meu único "senão" é quanto às bainhas: como eu queria que ficasse chique, fiz todas elas à mão - o que deu uma tremenda mão de obra...

Taí a receita de mãe, traduzida pro janelês: 

Tirei deste site AQUI.

Compra uma malha branquinha e faz ele prá usar no Revellion: ao invés de usar um cinto enfeitado, usa um cordão simples ou trançado feito do mesmo tecido - aí, como fica simples, você pode caprichar mais na maquiagem e nas bijus!!! 

Mas faz que é moleza - e você já começa o ano se sentindo capaz, linda e cheia de superpoderes!!!

E prá quem pensa que esse modelo só vai bem em magrinhas, espia a minha enteada - como ficou linda:


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Porta-bijuterias em madeira

É madeira mesmo, bem pesadinho, feito de pinus - aquela madeira branquinha, bem baratinho. Paguei 4 reais numa loja de artesanato em Itapetininga, interior de São Paulo, da última vez que fui pro sítio.

No lugar de passar um verniz, fiz diferente: tingi com chá mate e cera líquida. E ele, antes de ser customizado, ficou assim:

É bem fácil: você pega uma garrafinha de água ou refrigerante, pega o pó do chá que você quer (pode usar chá preto, chá verde, chá de morango - depende da cor que você quer dar à madeira...), despeja ele seco dentro da garrafa e põe um pouco de álcool. Deixa por algumas horas, coa e passa com o pincel na madeira, seca, lixada e limpa.

Quanto mais vezes você passar, mais escura vai ficar. 

Aí me lembro do livro "Grandes Esperanças", de Charles Dickens. A uma certa altura, alguém (não me lembro quem...) diz ao Pip que os homens são como a madeira: quando são maus, quanto mais verniz se passa por cima, mais se notam as falhas, os defeitos... Quer dizer, você pode se vestir bem, andar perfumado, falar corretamente e ser todo sorrisos mas, se dentro de você houver maldade, hipocrisia, falsidade, quem prestar bem atenção vai perceber tudo isso ainda melhor por causa desse "verniz" todo...

Bom, voltando à madeira: os veios ficaram bem mais evidentes, a madeira mudou de cor - mas não tem brilho. Aí chega a hora da cera. Pega uma cera líquida (eu usei Brilho Fácil amarela) e passa em pouca quantidade com o pincel, mas só depois que o chá secar bem. Quanto mais vezes você passar a cera, mais escura fica a madeira - e também mais brilhante! Legal, né?

Aí pode deixar o porta bijuterias assim mesmo ou pode customizar como eu fiz: feltro adesivo da Alecria. Amores perfeitos que eu fiz assim:
Fita de feltro adesiva com padronagem de tigre. Reparou nos desenhos?

Corta uns pedacinhos onde os desenhos se prestam mais para o que você quer fazer...

Neste caso: pétalas do amor perfeito...

Ajeita tudo bonitinho, acrescenta uns arabescos...

Cola uns botões ou pedraria prá fazer os miolos, faz o contorno de tudo com pincel liner e tinta acrílica preta, faz uns enfeites com tinta dourada e uns pinguinhos de tinta acrílica branca e TCHARAM!!!
Prá finalizar, impermeabilizei as flores com termolina leitosa, que é prá espantar o pó e facilitar a limpeza (que NUNCA pode ser feita com álcool). 

Fiiiiim!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal!!!


Não importa se vocês estão comendo peru, chester, pernil ou frango frito...

Se a sua roupa é de grife ou foi feita por você mesma, com um retalho de saldão...

Se você está rodeado de gente feliz, bebendo cerveja, festejando com a boca cheia de comida e de satisfação ou se está sozinho...

O importante é estar em paz e lembrar de quem é o aniversário; é dar pro Aniversariante o único presente que Ele quer, o maior presente de todos:

"Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo!"

Feliz Aniversário!!!


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Trégua de Natal


A incrível trégua não oficial em 25 de Dezembro de 1914.

Longe de casa, soldados de ambos os lados das trincheiras viam chegar o dia de Natal longe de suas famílias, em meio ao terror da batalha: a Primeira Guerra Mundial havia se iniciado menos de 6 meses antes, em 28 de julho.   

Para a maior parte das testemunhas que sobreviveram ao hediondo conflito - a primeira guerra mecanizada, com o uso de metralhadoras e também a primeira na qual se usou gás tóxico - e que viveram esse Natal não oficial, o mesmo foi iniciado pelas tropas alemãs estacionadas defronte às forças britânicas, onde uma distância relativamente curta separava as trincheiras ao longo da "Terra de Ninguém" – como se costumam chamar os locais que não estavam ocupados por nenhuma das tropas.

Muitos soldados alemães tinham o costume, em seus lares, de montar árvores de Natal adornadas com velas acesas; há meses longe de casa, sentiram a necessidade de transportar esse costume para as trincheiras, com a exceção de que, desta vez, as posicionaram ao longo das mesmas, no Front Oeste, em Flandres.

Inicialmente surpresos e, a seguir, desconfiados, os observadores britânicos reportaram a existência dessas árvores aos seus oficiais superiores. A ordem recebida foi de que eles não deveriam atirar, mas, em vez disso, observar cuidadosamente as ações dos alemães.

Do lado alemão começaram a surgir melodiosos cânticos de Natal, entoados em seu idioma... A seguir, os ingleses responderam, em alguns lugares, com seus próprios cânticos. 

Alguns soldados alemães, que falavam inglês, a plenos pulmões gritaram votos de “Feliz Natal!” para “Tommy” (que era o nome popular que os alemães davam para os soldados britânicos). Os ingleses, em meio a esse clima, retribuíram de seu lado das trincheiras com saudações similares, dirigidas da mesma maneira para os "Fritz".

Em algumas áreas, soldados alemães convidaram “Tommy” para avançar pela “Terra de Ninguém” e visitar os mesmos oponentes alemães que eles estavam tão absortos em matar havia poucas horas antes.

Edward Hulse, um tenente dos Scots Guards, regimento da guarda britânica, com 25 anos de idade, escreveu no diário de guerra do seu batalhão: "Nós iniciamos conversações com os alemães, que estavam ansiosos para conseguir um armistício durante o Natal. Um batedor chamado F. Murker foi ao encontro de uma patrulha alemã e recebeu uma garrafa de uísque e alguns cigarros e uma mensagem foi enviada por ele, dizendo que, se nós não atirássemos neles, eles não atirariam em nós”.

Em razão desse acordo não oficial, as armas daquele setor ficaram silenciosas aquela noite.

A notícia se espalhou.

Histórias começaram a ser contadas sobre visitas trocadas entre as forças aliadas (não apenas inglesas, mas também algumas francesas e belgas) e os inimigos alemães. Tais visitas não estavam restritas somente aos soldados rasos : em algumas ocasiões, o contato inicial havia sido feito entre oficiais, os quais definiram em conjunto os termos da trégua, acrescentando somente o quanto seus homens poderiam avançar em direção às linhas inimigas.

Estes termos permitiram o enterro das tropas de cada lado que jaziam ao longo da “Terra de Ninguém”, alguns mortos há apenas alguns dias – outros, que haviam esperado meses pela dignidade de um funeral. Sem que essa trégua surgisse, todos teriam que ser deixados onde haviam caído, pois metralhadoras cobriam o local onde eles jaziam, na desolação entre as trincheiras opostas...

Homens das equipes encarregadas dos funerais entraram em contato com os membros das equipes similares do inimigo e, face ao duro trabalho que realizavam ali, lado a lado, conversas foram entabuladas e cigarros foram trocados. Cartas foram encaminhadas para serem entregues às famílias ou amigos, tanto dos vivos quanto dos mortos, que viviam em cidades ou vilarejos ocupados.

O mais incrível de tudo foi, talvez, a história que aconteceu no dia seguinte: um soldado alemão apareceu com uma bola de futebol e, em pouco tempo, estavam formados os times e iniciada, com todo o ânimo, a partida entre o regimento inglês de Bedfordshire e as tropas alemãs.

Não eram mais os mesmos inimigos que queriam se matar há poucas horas antes: eram homens livres de vontade, partilhando na neve e na lama um animado jogo de futebol.

Ao final, os alemães venceram o jogo por 3 a 2. A diversão acabou quando a bola foi furada ao atingir um dos emaranhados de arame farpado que circundavam as trincheiras...

Em muitos setores, a trégua durou até a meia-noite do dia de Natal; em outros, prolongou-se até o primeiro dia do ano seguinte.

Antes de esses fatos ocorrerem, a Igreja Católica, através do Papa Benedito XV, havia solicitado uma interrupção temporária das hostilidades para a celebração do Natal. O Governo alemão havia indicado sua concordância, mas os aliados, rapidamente, discordaram: a guerra tinha que continuar, mesmo durante o Natal.

Quase que imediatamente à trégua, as mensagens enviadas chegaram para os familiares e amigos daqueles servindo no front, através do método usual: cartas para casa. Estas cartas foram rapidamente utilizadas por jornais locais e nacionais (incluindo alguns na Alemanha) e impressas regularmente, para que o mundo se desse conta do ocorrido.

Nessas cartas para casa, os soldados na linha de frente foram praticamente unânimes em expressar seu espanto com os eventos do Natal de 1914.

Um alemão escreveu: "aquele foi um dia de paz na guerra; é uma pena que não tenha sido a paz definitiva".

O Cabo John Ferguson contou como a trégua foi conduzida no seu setor: "Nós apertamos as mãos, desejando Feliz Natal e logo estávamos conversando, como se nos conhecêssemos há vários anos. Nós estávamos em frente às suas cercas de arame e rodeados de alemães – Fritz e eu no centro, conversando, e ele, ocasionalmente traduzindo para seus amigos o que eu estava dizendo. Nós permanecemos dentro do círculo como oradores de rua. Logo, a maioria da nossa companhia (Companhia ‘A’), ouvindo que eu e alguns outros havíamos ido, nos seguiu... Que visão! Pequenos grupos de alemães e ingleses se estendendo por quase toda a extensão de nossa frente! Tarde da noite, nós podíamos ouvir risadas e ver fósforos acesos, um alemão acendendo um cigarro para um escocês e vice-versa, trocando cigarros e souvenires. Quando eles não podiam falar a língua, eles tentavam se fazer entender através de gestos e todos pareciam se entender muito bem. Nós estávamos rindo e conversando com homens que, somente umas poucas horas antes, estávamos tentando matar!"

Bruce Bairnsfather, o autor dos famosos cartuns ‘Old Bill’, resumiu os sentimentos de muitas das tropas britânicas quando escreveu: "Todos estavam curiosos: ali estavam aqueles malditos comedores-de-salsicha, que tinham começado aquela infernal guerra europeia e, ao fazer isso, nos enfiaram no mesmo lamaçal junto com eles... Não havia um átomo de ódio em qualquer dos lados aquele dia e ainda, no nosso lado, nem por um momento havia a vontade de guerrear, somente a vontade de deixá-los relaxados".

Infelizmente, junto aos comandos da guerra, as reações foram outras, tão sérias que precauções especiais foram tomadas durante os Natais de 1915, 1916 e 1917 para evitar que acontecesse novamente. Um dos expedientes usados foi aumentar, na data natalina, os bombardeios de artilharia – matando mais e mais seres humanos nos fronts de batalha.

Os eventos do final de Dezembro de 1914 nunca mais se repetiram. Triste, não é mesmo?

Mais triste ainda é saber que, mesmo naquele aparentemente pacífico dia de Natal, a guerra não havia sido completamente esquecida; muitos dos soldados que apertaram as mãos de Tommy ou Fritz em 25 de Dezembro de 1914, trataram de observar a estrutura das defesas do inimigo, a fim de que se pudesse tirar vantagem de qualquer falha delas no dia seguinte...

Investigações foram conduzidas para determinar se a trégua não oficial foi de alguma maneira organizada de antemão; o resultado da apuração foi negativo. Aquilo havia sido um evento genuinamente espontâneo, que ocorreu em alguns setores, mas não em outros. Uma vez e somente uma vez, em meio à guerra, houve “boa vontade para todos os homens” – por um pequeno período...


Desde a primeira vez que eu soube desta história, eu chorei. Chorei pela miséria humana, pela fragilidade do homem perante a vida e chorei também pela grandeza humana, pela aptidão que nossa espécie tem de emergir da treva e da dor, pela sua incrível capacidade de amar e de perdoar e por sua força...

A alma humana anseia pela paz. O ser humano comum quer estender a mão, quer ser solidário – ser irmão. Mas nos deixamos arrastar por discussões sem sentido, distrações sem conta - a grande parte delas, no final, sem nenhum valor, pois a maioria das coisas pelas quais batalhamos tanto, deixamos prá trás, quando vamos embora daqui, quando chega ao fim nossa vida...

Que todos nós saibamos sempre “lutar o bom combate” – como dizia o Apóstolo Paulo; que saibamos dar o devido valor a tudo o que “a traça corrói e os ladrões desenterram e roubam” – diferenciando os verdadeiros tesouros da vida daqueles sem valor algum. E que saibamos sempre estender as mãos, perdoar e fazer trégua. Sempre.

Feliz Natal! 

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