Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A menina e a cabrita



O mundo era outro naquele tempo... A rua não tinha asfalto, as luzes que a iluminavam provinham de lâmpadas de sessenta velas, trocadas pelo homem da Light com uma escada bem grande - sempre um grande acontecimento na vizinhança...

A água era de poço, o esgoto ia parar num outro poço, no fundo do quintal - no qual a gente morria de medo de cair, então nem passava por perto (quanto mais subir em cima...).

A casa onde eu morava dividia parede com a casa dos meus avós - eram geminadas. Coisa de português precavido: construir uma casa só, bem grande, simétrica, daí dividir em dois e, enquanto morava em uma, alugava a outra e tinha uma renda...

Debaixo das duas casas também se alugava o porão - que era pintado de cal colorida, tinha janelas e portas... Em nada se parecia com um porão, pois as casas ficavam numa enorme descida, então tinha altura de casa mesmo.

Nesse porão morava Dona Natividade... Uma mulher muito maquiada, muito decotada, muito mini-saia, extravagante em seus rebolados e risadas... Tomava sol no fundo do quintal, só de sutiã e calcinha - um escândalo, naqueles tempos de quintais de muros baixos...

Meu pai andava com ela - como andava com muitas outras - mas, pro desgosto de minha mãe, ela morava bem ali, no nosso quintal...

Também prá desgosto de minha mãe eu era amiga de suas filhas - cada uma de um pai diferente, pois a Dona Natividade nunca havia se casado.

Eu era um bichinho naquele tempo... Não existiam chinelos de dedo, desses havaianas que são tão comuns nos dias de hoje, somente uns  (também de borracha) que possuíam umas tiras cruzadas no peito do pé e que não me adiantavam de nada: meu pezinho pequeno escorregava pela frente e eu vivia de joelho ralado e pés sujos. Preferia andar descalça mesmo...

Do lado das nossas casas e nos fundos delas tinha um terreno enorme, em formato de "L", que também pertencia a meu avô - onde criávamos galinhas, todas soltas, ciscando a terra, e plantávamos espinafre, couve, batata doce, abóbora...

Tinha um antigo banheiro de tijolos crus, construído no centro do terreno, cuja porta estava quase caindo aos pedaços. Dentro do banheiro nem vaso sanitário tinha: era um buraco no chão cercado de tijolos cimentados em círculo, em toda a volta, e a gente se agachava prá "resolver seus assuntos"...

Ninguém mais usava aquele banheiro - só eu. 

Eu brincava o tempo todo no quintal e no terreno com as duas meninas, alheia aos dramas de minha mãe, concentrada apenas em ser criança - tinha cinco prá seis anos de idade, bebê de tudo...

Usava vestidos compridos, prá baixo dos joelhos - feitos assim porque era assim naquele tempo, naquele lugar...

Um dia, lá estava minha mãe atarefada com meus irmãos menores - três, prá ser mais precisa... - e minha avó, cuidando de meu avô, que estava doente e acamado (poucos meses depois desses acontecimentos ele veio a morrer, pobrezinho...) e eu aproveitando o dia em minhas brincadeiras...

Não tinha ninguém prá cuidar de mim, prá "pegar no meu pé"...

Eu brincando com as duas amiguinhas, comendo goiaba bichada e amora caída no chão, perseguindo os pintinhos amarelinhos e veio aquela vontade de fazer xixi...

Fui até aquele banheiro perdido de outros tempos, fechei a porta escangalhada, levantei a enorme saia do vestido e me agachei, naquela postura natural, quando...

-"Menina, abre essa porta prá eu entrar! Fica quieta e me deixa entrar senão, quando você sair, eu acabo com a tua raça!"

Era o irmão mais velho das duas meninas, recém saído do Juizado de Menores - ancestral da FEBEM, prá onde iam os delinquentes e as crianças sem pais...

Eu não gostava nada dele - na verdade, ele me assustava prá caramba! Tinha uns olhos maus, um jeito de olhar que me fazia correr de perto dele...

Fiquei paralisada de medo... Fiquei muda! Na minha cabeça passou uma porção de coisas tristes, as memórias das surras que eu já tinha levado de meu pai e o pavor da surra que eu levaria se abrisse aquela porta - então não me mexi. Continuei ali, agachada e muda, tremendo do mais puro medo...

O rapaz, que tinha uns dezesseis anos, começou a chacoalhar aquela porta precária - e eu imaginando as tábuas vindo abaixo, ele "acabando com a minha raça" (o que quer que isso significasse, não era coisa boa...).

Foi quando um som me chegou aos ouvidos, alto e claro como o choro de uma criança - eu até pensei que era meu irmão Tato, pouco mais que um recém nascido, chorando pelo que ia me acontecer... 

A cabrita - última cabrita do meu avô - estava amarrada numa viga de ferro aparente, coberta de ferrugem, na parte de trás do banheiro velho... O rapaz se enervou - pois não tinha reparado que a cabrita estava ali - e começou a atacá-la a pontapés e tapas, o que só fez o animalzinho gritar mais e mais, pulando prá lá e prá cá, fugindo dele (assim eu imagino que foi, pois não vi nada e continuei ali, uma estátua agachada esculpida em medo...).

Ao escutarem os balidos da cabra apareceram tanto minha mãe quanto minha avó e, ao ouví-las gritando com o rapaz que atacava a cabrita, acordei do torpor e, abrindo a porta, saí prá luz e prá coragem e comecei a gritar: 

-"Mãe! Vó! Ele queria fazer mal prá mim! Disse que ia acabar com a minha raça!!!".

O rapaz começou a se defender, dizendo que era tudo mentira, a mãe dele apareceu (pois não trabalhava, recebia dinheiro de homens com os quais saía - incluindo meu pai...) e tentou acalmar os ânimos - mas minha avozinha, que era uma mulher muito forte, disse que ia dar queixa na polícia.

O rapaz voltou pro Juizado de Menores.

Minha avó, que era quem cuidava do aluguel, disse que ela estava convidada a se mudar dali, que prá isso tinha até o final da semana - prá nossa sorte não existiam as leis que protegem os inquilinos como existem hoje e a mulher se foi por bem.

Por mal também teria ido, pois minha avó ia fazer os filhos a enxotarem dali - tanto pelo fato dela não valer nada e andar com meu pai como por ter um filho pervertido...

Graças a Deus o rapaz, mesmo sabendo onde a gente morava, nunca voltou prá se vingar...

A cabrita, naquele final de ano, foi assada no Natal - mesmo com meus choros implorando que não. Como ela era grande e não cabia no forno do nosso fogãozinho meu pai a levou prá assar no forno da padaria...

Foi aí que comecei a deixar de comer carne. Primeiro não comia a carne de nenhum animal que eu conhecesse e criasse - só comia um pedaço dos frangos que vinham assados prontos, da padaria.

Apanhava, mas não comia.

E surra é assim: se você apanha reiteradamente, chega uma hora já nem liga mais, não obedece mesmo, pois vai apanhar de qualquer jeito, então nada mais importa...

Com o passar do tempo comecei a ver que não havia diferença entre as galinhas que tinham nome, que eu criava no fundo do quintal e aquelas desconhecidas, que chegavam crocantes e cheirosas na minha mesa - então parei de comer de vez.

Casada com o Marildo voltei a comer peixe - mas um dia largo, se Deus quiser. Me desagrada levar bichos mortos prá dentro da boca...

Aquela cabrita salvou minha vida... Não me lembro o nome dela, como também não me lembro o nome das meninas e do irmão delas.

Dona Natividade, alguns anos atrás, apareceu na porta da minha mãe "prá fazer uma visita", visitar as antigas "amizades"... Só o pó, parecia o cocô que o cavalo do bandido largou prá trás. Pura falta de vergonha na cara...

Ainda teve a coragem de perguntar por meu pai - que havia morrido a menos de um ano. Minha mãe a viu da janela e reconheceu na hora - a "arquitetura" semi-destruída ainda conservava a maioria dos traços da fisionomia... 

Minha irmã foi atender à porta, escutou o que ela tinha a dizer (imagino a cara feia que fez o tempo todo...) e, quando a mulher finalmente se calou, minha irmã disse que ela tinha dois minutos prá sair dali correndo, antes de lhe "acabar com a raça".

O que ela sabiamente fez, o mais rápido que pode... Foi esperta - minha irmã acabaria com ela mesmo, dá até medo de pensar...

Gozado... O tempo passou tão depressa mas ainda tenho, em algum lugar dentro de mim, aquela mesma menina assustada, que precisou da Intercessão Divina através de um chorinho de cabra...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Porta talheres


Pros marmiteiros de plantão - incluindo meus filhinhos...

Esse porta talheres - super fácil de fazer - foi prá Fernanda, preciosa do coração da minha Lolô. Ela adorou tanto que até achou desperdício levar talheres dentro, quer usar como necessaire - mas é prá levar talheres, viu, dona Fernanda?!

O tecido não é lindo? cheio de bichinhos...

Mede os teus talheres - altura. O tecido tem que medir uns 4 cm a mais. A largura fica a teu gosto, mas não pode ser muito estreito, que dificulta na hora de costurar.


Dois pedaços de tecido estampado de algodão medindo 8 cm por 23 - depois um deles você corta ao meio no sentido do comprimento.

Dois pedaços de feltro medindo a mesma coisa - e cortando um deles ao meio também.



Um zíper de 25 cm (maior que o comprimento do pano, nunca menor). Eu só tinha desse zíper delicado de colocar em vestido, mas serviu.

A parte que é mais difícil é a colocação do zíper. Espia embaixo como eu fiz:

Alfineta um sanduíche com o zíper no meio e de um lado o tecido de fora e do outro o forro.

Costura, desvira e fica assim.

Faz a mesma coisa do outro lado.

Depois do zíper colocado, é moleza:

Alfineta a parte que você acabou de fazer, bem esticadinha, por cima da parte que vai ficar do outro lado, direito com direito. O forro fica por fora.

Arredonda prá ficar mais fácil costurar - cantinhos, às vezes, são problema, tem que fazer piques com cuidado...Corta o excesso de zíper.

Finaliza assim: desvira pro lado certo e faz uma costura, escondendo a costura de dentro. 

Prontinho! Uma casinha pros teus talheres!

Ai, mas minhas fotos de colocação de zíper não ficaram lá muito claras, não é? Então, prá facilitar, eu fiz um dos meus mundialmente famosos desenhos no Paint - tem um deles na sala oval da Casa Branca, que é pro presidente se lembrar como aperta o botão vermelho. Eu dei uma sabotada no esquema, assim toda vez que ele aperta o botão prá destruir o mundo ele dá descarga no sanitário. Foi assim que o Bush não destruiu o mundo, por mais que tenha tentado... 

O esquema é assim:




E aí você coloca os talheres dentro, leva na bolsa e não precisa se preocupar com o garfo espetando a tua mão na hora que você vai atender o celular. 

Detalhe importante: tem que lavar os talheres depois do uso, nada de colocar eles de volta no estojo com restinho de comida, senão vai ficar podre, podre, com cheiro de azedo que Deus me livre.

Agora, você que é chique e não come de marmita, faz um estojinho prá levar teu batom Givenchy...

Porta absorventes...

Ou então faz um estojo pros filhinhos levarem os lápis de cor na mochila...

Aprendi a fazer no Armarinho da Arte, um programa que passa no canal Novo Tempo, muito bom, adoro...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Última chance!!!

De fazer uma blusa assim, crespinha e gostosa, gastando apenas 11 reais!



Não precisa voltar prá trás prá ler de novo - eu repito: 11 REAIS!!!




Blusa feita só de ponto meia de um lado, ponto tricô do outro, sem fazer barra nem arremate de forma nenhuma - que sai da agulha rapidinho porque ela é grossa, então dá pouco trabalho e num instantinho tá pronta...

A receita? Ai... Não sei onde foi parar o caderno - fiz a blusa antes de entrar de férias e não me lembro mais o que fiz com ele... Mas semana que vem, de um jeito ou de outro, eu posto.

O importante é você entrar no site da Aslan (clica no nome que vai prá lá) e comprar - paga o boleto na casa lotérica que logo chega na tua casa. Só tem uma cor sobrando: lilás clarinho. 

Ou então compra no Bazar Horizonte, que tem mais cores - mas aí você paga 4 reais o novelo. Mesmo assim vale a pena, a blusa gasta apenas 5 - fala a verdade, 20 reais é um precinho bom demais, não é?

Vale a pena, a lã é linda, fácil de trabalhar, gostosa de usar e não fabrica mais, então corre!!!!!


Boa menina... Assim que se faz.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Viradinho de quiabo


A baba do quiabo - ô coisa horrorosa! Fala a verdade: ninguém gosta. Por causa dela é que o Marildo não come mais esse legume - perdi a mão prá tirar a baba dele.

É assim mesmo a passagem do tempo: chega uma hora que a gente não lembra se tomou o remédio da pressão, esquece como andar de bicicleta e não consegue mais tirar a baba do quiabo, não importa quanto vinagre use...

Minha sogra nunca passou por isso - o quiabo dela era sempre uma delícia, crocante na medida certa, super sequinho... Aí o Marildo se esbaldava.

Prá minha sorte as crianças comem babado mesmo - mas o fato do Marildo deixar no prato sempre me deixava de cama com depressão profunda (até parece...).

Bom, mas eu resolvi o problema: Viradinho de Quiabo!

Cozinha o quiabo cortadinho em pedaços de dois centímetros em água com sal e vinagre - depois que ferve deixa cozinhando uns 5  minutos.


Escorre.




Numa panela frita cebola picada - ou usa cebola desidratada, que frita em segundos e deixa um aroma mil vezes mais gostoso... 




Joga o quiabo escorrido, dá uma refogadinha rápida e daí acrescenta queijo provolone cortado em cubinhos - uma xícara.




Refoga mais um pouco, então acrescenta farinha de milho amarela:


Eu uso desta marca aqui, tanto prá fazer virado quanto cuscuz:





Mexe, prova o sal e Tcharám! 




Diliça de quiabo! Mesmo se tava babado, não tá mais - a farinha de milho "enxugou" ele. Agora, o único puxa-puxa que tem é do queijo derretendo, não daquela baba nojenta...

O provolone dá aquele gosto queijoso, defumado, maravilhoso!!! Todo mundo adora, não sobra nada na panela!!! Um arroz integral, lentilha refogadinha, uma salada de escarola cortada bem fininha e uns ovinhos fritos - é felicidade ou não é? 

O Marildo volta pro trabalho com um baita sorriso no rosto...

Brincadeira



É esquisito falar da gente assim, com perguntas pré-definidas (normalmente o que eu falo de mim vem embutido em alguma história ou comentário...). Mas já que me convidaram prá brincar, vamos lá - ninguém nunca vai poder me acusar de não topar uma brincadeira...

1) O que você não sai de casa sem?

Papel higiênico. Nunca se sabe quando a natureza chama.

2) Qual seu animal favorito?

Todos, mas os cachorros estão num pedestal.

3) Qual seu sapato favorito?

Sandália havaiana. Fácil de por e tirar e deixa os pés confortáveis.

4) Produto de maquiagem indispensável?

Nenhum, não gosto mais. Quando eu era jovem usava lápis nos olhos e rímel, mas perdi o gosto, sou cara-lavada assumida.

5) Qual seu maior sonho?

Ver todos que eu amo felizes e com saúde, de preferência ao alcance dos meus abraços e beijos.

6) Qual seu maior defeito?

Quando estou nervosa falo o que não devo e depois me arrependo. Mas sei pedir perdão, se isso serve de alguma coisa...

7) O que te irrita nas pessoas?

Ignorância. Não a falta de estudo - tem gente inteligente,  com faculdade e pós graduação que é ignorante até dizer chega! Falar do que não conhece, ser preconceituoso - é essa ignorância que eu não suporto. 

8) Qual a sua comida favorita?

Arroz com feijão. Sempre fico feliz com um prato de arroz com feijão na minha frente.

9) Doce ou salgado?

Depende da hora. 

10) O que te deixa feliz?

Fazer feliz quem eu amo, saber que sou útil prá eles, que faço falta se eu deixar de existir.

11) Escolha cinco blogs para fazer parte dessa brincadeira:

Aí a coisa pega - escolhi amigas que me parecem mais dispostas a participar... Mas me desculpem as que não quiserem...

1) Rosangela, do blog Aprendendo e Criando;

2) Maria da Graça, do blog Crochetando... Momentos;

3) Fatinha, do blog Costurar e Renovar;

4) Mira, do blog Mir'arte;

5) Ligia, do blog Lilazes e Azuis.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Porta Agulhas de Tricô


Se você é como eu, então tem agulhas espalhadas pela casa toda: no sofá, pros outros espetarem o traseiro quando sentam, do lado da máquina de lavar - que até dá prá fazer uma carreira ou duas enquanto ela centrifuga uma leva de roupas -, na mesa da cozinha (que é prá lembrar o Marildo que você é uma maravilha de mulher prendada e que tava fazendo altos tricôs enquanto ele não estava no recinto...) e por aí vai. 

Só no sanitário é que não tem, pois ainda não descobri como "resolver assuntos de Estado" enquanto faço tricô - mas, de resto, essas maravilhosas agulhas estão por toda parte. 

Inclusive ainda não inventaram melhor coçador de costas: você enfia ela pela base do pescoço, através do decote da blusa e acerta todos aqueles cantinhos onde as mãos não alcançam.

Mas chega uma hora na vida de uma mulher na qual o desalmado Marildo e o bandi-feios que ela trouxe ao mundo dão um ultimato: chega de agulhas espalhadas pela casa - e você só tem duas opções: joga tudo fora ou arruma um estojo prá elas...

Este aqui é o meu - e eu vou ensinar a fazer:


Mas antes, espia os que eu achei na net:


Este é do blog Fitas, Fuxicos e Rococós. Muito lindo, com lugar prá agulhas de montão e super prático, pois cabem tanto as agulhas normais quanto as agulhas de fazer meias e as de cachecol. Se vocês forem no blog, tem mais fotos, mostrando com mais detalhes.

Do mesmo blog, outro estojo:


Acho lindo esse tipo de estojo, com a beiradinha dobrada prá alojar as pontas das agulhas...

Agora baba neste aqui:


Que coisinha mais linda! Tem lugar pros marcadores de carreiras, tesourinha, tudo muito fofo... Adorei. É do blog XuxuDidi... Eu quase pensei em fazer um assim, mas não gostei muito da estrela porque não sei fazer e fiquei frustrada com a minha burrice extrema...

Do blog Genisa Couto veio esse estojo abaixo, com ares campestres e românticos. Lindo:



Esse é da Bethinha, do blog Cachecóis e Sapatinhos:



Este aqui, então... Nem vou falar nada...



Bom, agora que eu já mostrei o "caviar" das outras, deixa eu ensinar a vocês como se faz "ovo frito":

Antes de mais nada: minha ideia era fazer um com a beiradinha de baixo também dobrada (igual alguns desses lindões que eu mostrei...), que era prás agulhas não escorregarem prá fora do estojo. 

Eu também queria colocar um zíper bem simpático, um forro com cheirinho gostosinho de baunilha (que sempre me acalma...) e um aplicativo que fizesse cappuccino na hora que eu ficasse pescando de sono - mas a artrose no meus polegares me impediu de fazer todos esses milagres (que eu certamente faria, se estivesse na minha melhor forma...). 

Então, já que não deu, não deu - o nome do estojo é mais ou menos "Não tem tu, vai tu mesmo".

Primeiro: um pedaço de feltro medindo 50 por 48 cm. Risca com giz de costureira usando uma régua os espaços onde você vai fazer os compartimentos prás agulhas. Eu usei a largura da régua e os riscos são feitos de um lado que mede 50 até o outro.


Pega dois pedaços de 48 cm de elástico preto de largura 2 cm - pode até ser mais largo, menos não é legal. O elástico é que vai segurar as agulhas no estojo. Coloca um alfinete no meio de cada risco quiném eu fiz.


Faz uma costura reforçada começando um pouco antes do elástico e terminando um pouco depois. Pode usar ponto reto, mas passa a costura umas duas vezes. Se pegar fiapo (e feltro é danado prá pegar fiapos...), escova...


O lindo lado de fora do estojo: eu pensava fazer usando retalhos que eu tenho (e como eu tenho!!!), mas ia dar um trabalhão (e eu ando meio prejudicada - acho que tem alguém fazendo vodu em mim - e não adianta o Picapau dizer que vodu é prá jacu, que só não anda me doendo os cabelos. É uma meléca ficar velha...). Bom, comprei esse tecido na loja, imita colcha de retalhos - fácil e prático e não custou caro... Mesma medida do forro: 50 x 48 cm.
Um pedaço de plumante do mesmo tamanho, prá costurar junto e dar fofice.


Prendi o tecido no plumante com um ponto decorado (que, no meu caso, é o ponto elástico que eu uso prá costurar as calcinhas...). Eu até pensei em fazer quilt livre que eu vi na TV, mas quem diz que eu acertei? Ficou uma porcaria, tive que desmanchar... Ficou assim mesmo e tá bom demais...


Não ficou bonitinho? Modesto, mas não faz vexame... Prendi também com zig zag bem largo do lado de fora, prá segurar ainda melhor.
Arredondei os quatro cantos usando uma caneca (de desenho animado, que ganhei dos bambinos - adoro, tenho várias... O café fica mais gostoso nelas, cientificamente comprovado por mim). Os cantos redondos tornam mais fácil aplicar o viés, já que eu não entendo nada de "canto mitrado" - parece coisa do Papa, não parece? Prá mim é um bicho de sete cabeças, então nem tento. Simples tá bom prá mim.


Agora, com tudo alfinetadinho prá não dançar eu vou passar viés em toda a volta. Podia usar viés do mesmo tecido, mas preferi em vermelho, prá dar uma vida.


Deixa uns 5 cm sem costurar e começa daí. Por uma das laterais do estojo, pelo lado do forro preto, vou pregando o viés em toda a volta, SEM ESTICAR, usando ponto reto e na largura do pezinho da máquina. Nas curvas eu dou uma ajustada, sem esticar - é fácil, pois o tecido do viés é "enviesado", se amolda à superfície arredondada. Quando tá chegando no lugar onde eu comecei eu paro de costurar, emendo o começo do viés no final bem justinho e termino.


Fica assim...


Olha o cantinho, que "binitinho"...


Vira pro lado direito e costura de uma de duas maneiras: 

À máquina, virando sempre na mesma largura, com capricho. Antes, coloque dois pedaços de elástico roliço (prá fazer o fecho). Dois pedaços de 15 cm, cada um com dois nós (um em cada ponta do elástico). 

À mão - como eu fiz, bem reforçado, aplicando os dois elásticos na pontinha da costura que vai ficar escondida quando fechar o viés. Escolhi dois locais, bem na divisão de duas cores - meça distâncias iguais de cada lado se o teu tecido não tiver essas listas.


E ficou assim o lado de dentro.



Se vocês repararem, esse não é o estojo ideal, pois as agulhas podem escorregar prá fora dele. O ideal mesmo era o tecido debaixo dar uma dobrada prá dentro e levar costuras, prá segurar as pontas finas das agulhas... 

Eu até podia fazer isso, mas não fiz pelo seguinte: primeiro ele teria que medir, no mínimo, uns dez centímetros a mais - e eu até tinha pano prá isso. MAS aí não ficava adequado prá guardar agulhas grossas, que são bem mais "cabeçudas" que as finas - as cabeças teriam que ficar todas pro mesmo lado... 

Imagina como é que ia ficar o visual do estojo: gordo de um lado e fino do outro - nada legal. Do jeito que eu fiz dá prá colocar as agulhas grossonas uma ao contrário da outra, assim, esparrama o volume pelos dois lados do estojo...

Se vocês forem fazer assim, ouçam um conselho meu: na hora de costurar o elástico, façam costuras de larguras variadas, prá acomodar também as agulhas mais finas e elas ficarem bem presinhas. Depois do estojo pronto, não dá prá fazer mais e eu só pensei nisso depois...


Agora: os elásticos precisam de algo em que se prenderem: enrola o "rocambole" de agulhas...


Deixa ele (com as agulhas dentro, prá dar volume...) bem enroladinho e decide onde vai pregar os dois botões...


Marquei com alfinetes o lugar ideal...


E preguei dois botões. Ia ficar lindo fazer dois fuxiquinhos do mesmo tecido do viés, colocar uma bolotinha de plumante em cima de cada botão e aplicar o fuxiquinho, fazendo um botão forrado caseiro, não ia? Mas o tecidinho que eu usei não tinha largura suficiente, então ficou no botão preto mesmo...


Agora: "Houston, nós temos um problema...": Se ficasse assim, quando eu fosse levar o estojo prá lá e prá cá, fatalmente algumas agulhas iriam escapar...


Então o jeito é apelar pro colchete - ou pro velcro, o que você achar melhor.


Costurei dois colchetes de cada lado prá fechar bem as aberturas...

(Não se alguém reparou, mas o par de agulhas que tá perto da tesoura, do lado das agulhas verdes, tá tão velho, mas TÃO velho, que até já perdeu a "cabecinha" de uma delas - que eu refiz com durepox... Era da minha velha...)

E pronto! Ainda cabem mais agulhas - como eu falei, tenho um montão delas perdidas nos "buracos negros" das minhas bagunças. Tem umas três em trabalhos em andamento, outras perdidas dentro de caixas, ou no sítio - mas vão caber todas, no final...


Ele ficou simpático, fofinho, prático e totalmente funcional...


E a "boquinha" dele, meio fechadinha, meio aberta, fica dizendo prá mim: "Obrigada, Dona Rosa, por me fazer tão bonitinho e útil!"

The End

"Mas, Dona Rosa, e como é que fico eu, que não entendo nada de costura, não sei nem enfiar a linha na agulha???"

Compra um pronto - achei um que não custa caro e que é super bonitinho:

No Elo 7...

Você em casa, de papo pro ar, e o estojo chega pelo Correio - custa só 65 reaizinhos... Se eu fosse milionária igual você, comprava...


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