Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

domingo, 19 de julho de 2015

Duas toucas - SEM FRONTURA!!!









Prá você fazer e dar de presente, vender e ficar milionária, usar e ficar quentinha e na moda. Tudo isso sem a necessidade de frontura - que é aquela parte que encaixa na máquina de tricô prá fazer a barra sanfonada.

Confesso que foram as primeiras que fiz, pois lá pela Idade Média, quando Sua Majestade me deu a máquina de tricô, já comprou com frontura e tudo, prá me dar completinha (talvez porque me ame, talvez porque goste de seus coletes bem caprichados, quem sabe?...). Sempre fiz as toucas usando a frontura e ficam muito boas.

Só na máquina eu aprendi a fazer a tal barra doble, mas a professora me ensinou a fazer laçando a primeira carreira com o próprio fio - que deixa a primeira carreira meio dura, perdendo a elasticidade própria do tricô. Então, depois de anos de experiências científicas, comecei a laçar com fio de cor diferente por minha própria conta - e é uma mão na roda.

A primeira touca, feita em duas cores - dois restinhos que eu tinha. A barra ficou bonitinha, ficou elástica como a barra de uma touca deve ser. Vejam o processo:

Iniciei com fio de outra cor - no caso, bege. A partir daí teci com o fio vermelho, barra doble com duas agulhas em trabalho, uma fora de trabalho.

40 carreiras na regulagem 2, uma carreira na regulagem 7 e mais 40 carreiras na regulagem 2

Acrescentei pontos à máquina: as agulhas que estavam fora de trabalho ganharam um ponto, "furtado" da carreira anterior do ponto do lado.


Daí dobrei a barra: é só pegar os pontos da primeira carreira feita em vermelho, logo acima do fio bege.

Bem assim...

Deixa o fio bege lá por enquanto que ele não atrapalha e parte prá fazer o ponto trabalhado da touca

Empurra prá frente cada 4ª agulha, deixando 3 no lugar normal. Põe o carro da máquina no H e tece 4 carreiras com o fio preto. As agulhas que estão prá frente não vão tecer o fio.

O ponto fica assim no avesso.

Cada uma dessas agulhas que estão prá frente tem 4 passadas de fio por cima dela.

Daí põe o carro de volta no "N" e tece duas carreiras no vermelho: todas as agulhas tecem normal e voltam pro lugar. Faz assim por 94 carreiras. Daí, na hora de diminuir o topo da touca você segue as instruções da receita, pegando cada 9 pontos finais num alfinete, assim:.



Do lado do ponto meia fica assim - não é lindo esse quadriculado, esse xadrez miudinho? Já pensou fazer uma blusinha assim, não ia ficar linda?

Assim ficam os "bicos" de diminuição da touca, presos em alfinetes. Depois que acaba é só costurar...

Lado avesso do ponto meia também é lindo - e tem um relevo muito bacana. 

Quando termina de tecer é só remover o fio do começo, puxando delicadamente com o próprio transportador ou com uma agulha de crochê...



Vai ficando assim...

Lado do ponto meia...

Lado avesso do ponto meia...


Por dentro da touca fica assim, depois de costurada. Prá dar um arredondado melhor, eu fiz uma costura assim:

Não consegue ver? Olha só:



Agora uma dica super importante: o ideal, na hora de fazer as diminuições, seria dividir o trabalho em 10  ou até 12 partes, e não em 4: O topo da cabeça ficaria mais arredondadinho, sem excesso de touca por dentro. A minha - como foi a primeira - ficou meio fofona no topo (mas meus filhos adoraram, especialmente o ponto. A Nana gostou mais do lado que ficou quadriculado, a Lola e o Ike preferiram o lado do avesso do ponto meia - e foi nesse que eu costurei, pois a Lolinha pediu a touca prá ela). É uma boa experiência, tanto na feitura da touca em si, como no aprendizado do ponto. Sugiro que vocês experimentem fazer conforme a minha receita e a partir dela diminuam ou aumentem pontos prá adequar ao tamanho que vocês querem - se bem que coube na Lola e no Ike, que tem tamanhos diferentes de cabeça - a do meu moleque é maior, pois ele é grandão.

Detalhe: o ponto que eu usei se assemelha um pouco ao jacar, não é mesmo? E tem a vantagem de ficar bonito dos dois lados, olha só:

Você pode usar prá fazer cachecol, que vai ficar charmoso tanto do avesso quanto do direito. Aliás ficaria lindo fazer um blazer com esse ponto, o que vocês acham?

Receitinha de mãe:



A segunda touca, na verdade, tá mais prá beanie - que tá super na moda. Meninas e meninos adoram. Ficou maravilhosa no meu garoto, mas ele não quis ser fotografado - e eu acho que é melhor assim, afinal ele é lindo demais e ninguém prestaria atenção na touca (não que a minha Lolinha não seja linda, mas este é um blog mais frequentado por mulheres e eu não quero ninguém perdidamente apaixonada por ele, ele já tem dona...).

Vejam como eu fiz: 

É feita numa peça única, começando com laçar agulhas num fio de cor diferente. Tece 110 carreiras pro corpo da blusa, 61 carreiras prá barra e mais 110 carreiras pro avesso da touca.


Reparem na barra: enquanto o corpo da touca, de ambos os lados, é barra doble 2x2 (duas agulhas em trabalho e duas fora) a barra eu fiz 3x1 (3 agulhas em trabalho e 1 fora, em regulagem menor, prá dar mais firmeza e ficar mais fechadinha...

Ao tirar a touca da máquina já se pega todos os pontos com agulha, prá fechar o topo da cabeça. Costura a touca pelo avesso, na lateral, usando esse mesmo fio.

Na ponta que iniciou o trabalho tem o fio de cor diferente


Olha a textura dos pontos - tanto da barra quanto do corpo da touca.

Aqui a touca toda costurada na lateral e no primeiro topo da cabeça, pelo avesso.

Tem que virar do lado certo prá acabar - prá retirar o fio diferente do início e fechar.

Vai retirando o fio de sobra ao mesmo tempo que vai capturando os primeiros pontos da cor certa no início do trabalho...

Na verdade você vai pegar um ponto e uma laçada larga do início...





Quando termina puxa com cuidado o fio, dando uma franzida - nada de por muita força na puxada, pois os fios são fininhos e podem arrebentar. costura bem e esconde a sobra do fio prá dentro da própria touca...

Fica assim - não parece grande coisa, eu sei, mas fica bonita na cabeça...

Vantagem dessa touca: você pode fazer usando duas cores de lã: começa com fio de sobra, tece na cor 1 até a primeira barra, muda a cor e tece no fio 2. Depois da touca costurada, uma cor fica por dentro e outra por fora - e você escolhe qual cor quer usar. É muito fácil e rápida de fazer, é elástica e macia de usar. 

"Mas por que fazer ela dupla, Dona Rosa? Não posso fazer ela simples, igual à outra?"  - alguém pode me perguntar... 

É que ela é feita totalmente em barra doble - então, se não for feita dupla, fica mole e transparente. Só ganha firmeza e cara de touca se for dupla, então nem tente ser sovina com o fio nessa hora: iria ficar uma coisa ridícula. Mas até dá prá fazer somente em ponto meia: comece pela barra doble, teça as 60 carreiras que eu coloquei na receita (não se esquecendo daquela única carreira na reg. 7 bem no meio, prá facilitar a dobra da barra...), dobre e a partir daí teça somente em ponto meia. Só que - opinião minha - fica melhor do jeito que eu fiz, pois fica parecendo sanfonada, canelada... Mas cada um faz como gosta, como acha melhor.

Receitinha de mãe (II):



Enfim, não ando tendo tempo de passar no blog de ninguém, de responder nenhum comentário. Além da minha cachorrinha doente eu também andei pelo pronto socorro esta semana: tava com uma dor nas costas terrível, fui no ortopedista, ele tirou radiografia, disse que eu não tinha nada nos ossos, mas achou duas manchinhas no meu pulmão direito. Daí me mandou pro pronto socorro - minha família apavorada, minha filha Nana assustou todo mundo porque disse que não só os fumantes tem câncer de pulmão, que eu tinha que ver isso com urgência... 

Resumo dessa ópera: tirada uma nova radiografia em outro lugar e não era absolutamente NADA, o Raio X da ortopedia tava com defeito! Uma meléca, né? Como se a vida já não fosse suficientemente complicada...

Assim que eu tiver mais tempo eu volto. Espero que as duas receitinhas que eu estou deixando sejam de serventia prá vocês que não tem frontura: não vão deixar de fazer coisas lindas por falta dela. E até vocês, que tem a máquina com todos apetrechos, tentem - ao menos - fazer o ponto. ele fica lindo, vocês vão gostar.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Bastou um real...






Era só um novelo, de uma lã perdida na gôndola da loja - nem rótulo mais tinha. A balconista - com aquela cara azeda de quem odeia o trabalho que faz (e eu me pergunto: "Porque não arruma outro trabalho, mulher de Deus?! Alguém tá te obrigando a trabalhar aqui?!!!") não soube me dizer que marca seria... Um pedaço de papel enrolado no novelo me dizia o preço: um real. Com certeza lã de bebê, pela espessura - mas eu já procurei nos catálogos on line de lãs e não achei nada nessa cor azul royal...

Bom, comecei fazendo um beanie - mas, depois de quase pronto, as meninas torceram no nariz por causa da cor - muito "cheguei" prá ficar no alto da cabeça.

Então desmanchei tudo, enrolei uma bolinha. Daquela bolinha enrolei outra bolinha, ficando com duas, bem assim:

Daí peguei no meio da linha, bem no meio das duas bolinhas e enrolei uma bola com fio duplo - fiquei de novo com apenas uma bola.

Então dividi de novo, desta vez ficando com duas bolas de fio duplo e, pegando o fio do meio, tricotei em 4 fios - parece trabalhoso, complicado, mas é até divertido (como sempre eu fiz assistindo desenho...).

Desenhando no Paint talvez fique mais explicadinho:



Resultado: 15 pontos, agulha 18, tricotei até o fio acabar e deu no que deu. Ah, eu nunca tricoto o primeiro ponto da carreira, pulo ele (por questão de estética - que a borda fica mais bonita - e por questão de economia de fio: a cada 15 carreiras eu ganho uma carreira a mais, graças ao ponto economizado em cada carreira).

Dá prá fazer um de cada cor e lucrar bem agora no tempo frio: o custo é pequeno e o tempo que se leva prá fazer a peça é irrisório, você faz assistindo TV, que é tricô ida e volta.
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