Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Do fim pro começo

Hoje elas são assim:









Na medida certa prás minhas meninas usarem... Mas, um dia, foram diferentes...

Quando meu adorado filho (vulgo o "Homem Mais Lindo do Universo", que também calha de ser o mais inteligente e cheiroso e por que não dizer que deixa o ar em volta dele cheio de fogos de artifício quando está no recinto...) era adolescente usava essas duas:



Adorava Bob Esponja - só tinha tamanho o moleque, pois já era alto como um guarda-roupa, mas crianção de tudo... As outras camisetas que ele tinha (amarela, vermelha, branca com laranja...) já reformei tempos atrás - uma tá AQUI, outra AQUI e a outra AQUI. Tirando a de hoje ainda resta uma, mas tá faltando imaginação - mas um dia ela chega, tudo tem sua hora...

A vermelha já tinha sido branca, daí eu amarrei, tingi, depois imprimi um desenho da internet e pintei o ying/yang/dragão - ficou lindo, ele adorava.

Mas tudo passa, tudo muda... Agora ele só gosta de camiseta lisa - e não dá prá desperdiçar camisetas de tão boa qualidade... 

Reformei prás meninas e elas adoraram.

Na vermelha emendei um pedaço de malha preta, porque senão perdia o desenho na hora de cortar - afinal tudo foi como fazer do zero, desmanchei as costuras e cortei como se fossem novas... Na cinza eu usei um restinho de malha verde muito lindo, que eu achei que ia combinar - e tava certa. 

Adoro usar viés em roupa de malha,  sempre fica lindo, não concordam? Uma máquina de costura comum, costurar a tira cortada (em qualquer sentido, pois estica de qualquer jeito...) com zig-zag, virar prá dentro e fazer pontinhos delicados à mão - não tem erro!

Usei de molde esta aqui, da Lola:


E a listrada - espia só como era feia:


Manga morcego, detalhe na frente - o conjunto em si era um monumento ao mau gosto. Comprada no Bazar do Bezerra de Menezes - nova, na etiqueta, doação de alguma loja, a UM REAL! Não dava prá perder, mesmo a blusa sendo horrorosa... O tecido é uma malha boa, tem brilhinhos (lurex), o sonho de toda aprendiz de perua. Não deu prá eliminar o recorte, mas esse detalhe até ficou bonito, no final...

Reformadas, plenamente aproveitadas, o remédio exato que o médico me receitou prá aumentar minha auto-estima, provando prá mim mesma, mais uma vez, que sou mesmo filha de Deus - também consigo fazer pequenos milagres com pouco...

Melhor: todo mundo ficou feliz, especialmente por não perder o dragão pintado pela mãezinha...

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O passo a passo e a receita:

A blusa:




A receita:

O passo a passo do ponto:



























A linha que eu usei: Class.

Vou dizer uma coisa: que grande perda a Aslan Trends ter parado de fabricar essa linha: algodão com viscose, o que significa mais ou menos isso: linha Anne misturada com Susi, uma combinação macia e brilhante ao mesmo tempo. Minha câmera não faz jus à beleza que ficou a peça graças a essa linha - realmente uma judiação...

Contudo, como tem gente esperta nessa vida, a Cisne criou e lançou sua própria versão: Glam:


Não comprei ainda, achei cara, sou alérgica a gastar dinheiro, só quando virar saldo é que entra na minha sacolinha. Mas é como eu já falei: vocês, milionárias, esbanjem que vale a pena... Tem dela no Bazar Horizonte e também na Lãs Formosa, ambas lojas onde eu compro na internet e confio. Ou faz com qualquer fio, com Anne, Brisa... 

Agora: não sei se repararam, mas tem uma barra sanfonada feita na frontura aparecendo nas fotos do meu pap... Era minha intenção fazer a blusa com ela, poupando-me o tempo e o esforço do crochê nos acabamentos. 

Contudo, depois de terminadas as costas e tiradas do pente - ó meléca! a barra ficou uma porcaria, a linha não presta prá trabalhar com barra feita na máquina, ficou toda folenga... Daí tive que desmanchar e começar do zero, fazendo só na máquina...

A blusa é manequim 42/44 e no acabamento tem um pulo do gato: amarre a linha, faça uma carreira de ponto baixíssimo em toda a volta da barra da blusa, das mangas e do decote, UM PONTO BAIXÍSSIMO EM CADA PONTO TRICOTADO. Daí, na segunda carreira, faça ponto caranguejo, só que sempre pule (deixe de fazer) o quarto ponto. 

Assim nenhuma barra enrola, fica tudo planinho e bem feitinho. 

Passe a ferro antes de costurar cada peça, com o maior cuidado do mundo prá não desmanchar os desfiados e, ao costurar, use linha comum e agulha fina, de mão - não use o fio com o qual a peça foi feita (é muito caro prá desperdiçar com costura...).

Bons tricótis prá vocês e espero que o pap tenha ficado claro.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Desfiada e muito chique!





Feita com a linha Class, da Aslan - que não fabrica mais. Um tempo atrás comprei um bocado de novelos na 25 de março (a 3 reais cada...), fiz uma blusa prá mim, uma prá minha mãe e uma prá minha enteada. Agora fiz esta, ainda sobrou dessa cor o suficiente prá mais uma e ainda tenho bege e lilás mesclada - quando tem saldo, se ele é bom, tem eu...

Vocês que não aproveitaram podem fazer assim: a Cisne lançou uma linha que parece ser quase a mesma - Glam. Cliquem no nome que vocês vão pro site do Bazar Horizonte, dar uma olhada na cartela de cores - mas se preparem, porque o preço tá apimentaaaado! Eu mesma tô de olho na branca, mas não compro nem que ganhar na loteria - mão-de-vaca assumida e com orgulho. Mas você, que é milionária, tem chofer, mordomo, arrumadeira e cozinheira, compra que é linda. Pesquisei e descobri: tem a mesma metragem da Class então, se você quiser fazer a mesma blusa, que eu, compre 4 novelos que dá. Só tem um porém: não sei se é tão macia quanto, pois é de marca diferente - mas, pelo preço, não deve ser porcaria...

A receita da blusa que eu fiz sai esta semana, se Deus quiser e o ponto é um dos mais simples tricôs desfiados que já fiz: usei só o transportador de pontos que tem um palitinho de um lado e dois do outro. Até a metade do balãozinho faz com o de um, igualzinho o ponto coração que eu já ensinei. Dessa metade em diante, ao invés da complicação de devolver todos os pontos de uma vez só, enrolando o fio nas agulhas, você vai devolvendo aos poucos, a cada duas carreiras, usando o transportador de dois - por isso ficam os furinhos.

Caso não tenham entendido deixem um comentário que eu faço o passo a passo, ok?

Gastei só 4 novelos - então, novamente, podem dizer: "Eita preula!!!", porque uma coisa linda dessas custou-me só 12 merrécas...

E por hoje é só, que eu tenho uma tonelada de roupas prá lavar e amanhã é dia de acordar de madrugada prá passar tudo de uma vez - que assim eu me livro logo dessa meleca de serviço que eu o-dei-o.


Ah, viram na foto o cabelo da Nana? Já deu uma boa desbotada - também, lavando todo santo dia aquela juba, não tem tinta que sobreviva... Mas ainda tá lindo, ficou quase no tom da blusa. 

Agora a mãe-pau-prá-toda-obra vai pintar de azul...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Pesadelos


Era noite escura, sem lua nem estrelas - 05:19 da madrugada. Sei disso porque olhei no relógio do carro antes de descer prá abrir o portão. Poucos minutos antes me lembro que, ao passar pelo termômetro de rua, achei graça do horário ser 05:17 e estar fazendo 17 graus - uma madrugada fresquinha, como eu gosto... Tínhamos acabado de deixar minha filha Nana do Metrô Penha, a fim de que ela fosse prá faculdade, como sempre.

Abri o portão, sempre de olho no lado de cima e no de baixo da rua, temerosa dos assaltantes que infestam minha amada Penha - e que não escolhem hora, atacam o tempo todo, em todo canto.

Em sua lentidão costumeira, face o espaço estreito da garagem para um carro tão grande - uma Ford Ranger - o "Marildo" estaciona o carro e eu, apressada, fecho o portão e passo o cadeado.

Então, como que saídos de lugar nenhum, dezenas de pessoas aparecem do nada do outro lado da rua - incluindo montes de policiais! A casa dos meus vizinhos de frente se mostra, então, toda acesa e eu, estupefata, vejo gente encostada nos muros sendo revistada, gente sendo levada prá viatura com as mãos algemadas - incluindo o casal de vizinhos, um pouco mais velhos do que eu e meu marido, cabisbaixos e com as mãos algemadas nas costas!

Meu marido se aproxima do portão, preocupado e me pergunta o que estava acontecendo e, ao ver esse quadro absurdo, fica ainda mais espantado do que eu - mas, ao invés de permanecer apenas no espanto, decide que tem que sair e ir prestar auxílio ao casal de vizinhos, que devem estar precisando...

Eu digo que é perigoso, tanta gente estranha, tantas armas! Ele me diz que acha que os vizinhos foram assaltados, reagiram e acabaram matando um dos ladrões - por isso deviam estar sendo presos.

-"Os dois filhos deles são advogados, entra!!!" - e, medrosa, vou em direção à porta. Ele pára, naquela indecisão que lhe é costumeira.

Mal eu atravesso o batente da porta sou empurrada por ele prá dentro, às pressas, aos gritos de "Fecha a porta! Fecha a porta! Eles pularam as grades, vão entrar em casa!!!"

Desesperadamente eu e ele jogamos nossos corpos contra a porta, tentando em vão fechá-la - mas são tantos, são muitos! O tempo todo eu com as chaves da casa nas mãos, tentando enfiar na fechadura e trancar a porta, mas nosso esforço é em vão, estranhas mãos passam pela abertura, arrebatando o chaveiro carregado das minhas... "Eles vão entrar!!! Estão entrando!!! Eles... Meus filhos, meu Deus!!!"...

Nesse momento, com o coração totalmente descompassado, batendo dentro dos meus ouvidos e no meu corpo inteiro, prestes a explodir no peito de tanto tormento, sou acordada por suaves e delicadas lambidinhas - minha cachorrinha me salvou do pesadelo mais real e assustador que tive nos últimos tempos - como é que ela sabia???

Enquanto olho praquele rostinho carinhoso, praqueles olhinhos doces cor de âmbar, luto prá afastar de mim as imagens tão reais daquele pesadelo - mas não consigo.

Era quinta feira da semana passada e durante todo aquele dia e o seguinte fiquei assombrada. Ao abrir as portas, de madrugada, olhei cautelosa embaixo do carro - prá ver se não tinha ninguém escondido e até recuperei meu "chaveiro de lagartixa". Eu explico: é um chaveiro de metal que ganhei há muito tempo do meu filho, que não tem um bom acabamento e tem as bordas afiadas, especialmente na cauda da bichinha - é a minha "faca ninja". O "Marildo" tira a lagartixa do molho de chaves, dá sumiço nela, diz que machuca, que é perigosa e eu sempre acho (de um jeito ou de outro) e a recoloco no lugar. Digo que, se alguém vier me atacar, me defendo com ela - e todo mundo ri, dizendo que aquilo não causa dano algum... Mas me dá mais confiança, é o que me importa...

Então chegou o sábado. As meninas saíram cedo, foram se encontrar com amigas. Um amigo do meu filho veio buscá-lo em casa - está precisando de ajuda prá estudar prá um concurso público e meu garoto é muito bom ensinando. O "Marildo" tem trabalho voluntário todo sábado e domingo, saiu de casa pouco antes das nove horas. Nove e quinze, eu fazendo o acabamento de uma blusa em crochê sentada no sofá da sala ouço tocar a campainha e me pergunto quem seria àquela hora e, olhando através da cortina da copa, vejo parado em frente à garagem, com um rosto esquisito, meu marido, parecendo muito nervoso...

-"O que aconteceu?" - eu pergunto, enquanto rodo nas mãos o molho de chaves, procurando a certa prá abrir o portão...

-"Levaram o carro. Eu estava reduzindo a velocidade prá parar, acertando o carro no meio fio e, do nada, me apareceu um cara armado, apontou a arma prá mim e me mandou descer... Levou o carro com tudo..."

-"Mas não te machucou?" - puxo ele pela mão e vistorio com desespero  o rosto tão amado, as mãos, os braços, a camisa clara de mangas arregaçadas. O abracei bem apertado e o cobri de beijos, chorando de alegria! Cheirei o perfume suave da camisa, o cheiro limpinho da sua barba, o cabelo macio recém cortado... Ele relaxou um pouco, pareceu - nessa hora - se dar conta de que estava vivo e que isso era mais importante que tudo...

-"Ele me perguntou se eu era policial, viu o meu crachá... Apontou a arma prá minha cabeça e, por milagre, não me matou, a mão dele tremia. Eu disse prá ele, o crachá é da Receita Federal... Já liguei do celular prá 190, agora tenho que ligar prá seguradora, tenho que fazer boletim de ocorrência, chama o Ike prá me ajudar, tô meio sem chão... Sabe o que é pior, benzão? Ele levou as chaves da casa e, no carro, tem umas contas prá pagar que tem nosso endereço!"

O amigo do meu filho o trouxe de volta prá casa em minutos, meu marido ainda estava no telefone com a Porto Seguro. A funcionária o orientou a fazer o BO pela internet, que tinha a mesma validade que comparecer na delegacia e perder o dia todo - e assim foi feito.

Em minutos após registrada a ocorrência ligou prá casa uma funcionária da delegacia, a fim de confirmar os dados - e, o tempo todo, eu parava o que quer que estivesse fazendo prá abraçar essa pessoa tão amada pelas costas e chorar mais um pouquinho (de felicidade...).

O chaveiro da seguradora apareceu e trocou todas as chaves da casa, incluindo as do portão - mais uma coisa boa em ter seguro. Encarece a vida, mas compensa nessas horas...

Tem mais essa: nosso seguro garante 15 dias de aluguel de carro grátis enquanto se resolva a situação - ou se acha o carro ou se compra um outro - e assim lá foram os dois homens da minha vida até o aeroporto, na Localiza, buscar o veículo.

Fiquei só de novo - mas por pouco tempo. Toca de novo a campainha e os companheiros de voluntariado de meu marido, que haviam testemunhado o assalto, apareceram prá se solidarizarem, oferecer ajuda, o que fosse.

-"Está tudo bem" - eu lhes garanti. "Ele foi com meu moleque buscar um carro lá no aeroporto..."

-"E como é que ele está?"

-"Tá mais calmo, mesmo continuando chateado... Mas tá tudo bem, foi só o carro. Não fizeram nenhum mal prá ele e isso é que importa. Carro a gente trabalha e arruma outro, não tem importância nenhuma..."

-"A senhora parece estar até alegre, que bom que isso não te abalou!" - disse uma das mulheres.

-"Ah, eu tô feliz da vida. Deus foi muito bom, cuidou do que mais importa... Acho que eu devo sofrer de algum distúrbio que me impede de ver o lado ruim da situação, só consigo enxergar a bênção que foi ele não ter sido ferido, estar são e salvo...".

Eles foram embora e o resto do dia transcorreu normal. Fiz duas pizzas bem gostosas pro almoço - não estava com muita vontade de perder tempo na cozinha. Uma de palmito e uma de chitake. Comi só um pedacinho da segunda, não tava com fome. Tudo o que me importava era - volta e meia - grudar no "Marildo" e enchê-lo de beijos, rezar baixinho agradecendo a Deus por sua imensa bondade, chorar mais um pouquinho...

Domingo de manhã fomos os dois juntinhos fazer sacolão, buscar depois os ovos de duas gemas encomendados na feira - usando o carro alugado. Ganhei um bolinho de bacalhau - mesmo chateado esse "Marildo" ainda me mima...

Fiquei de novo sozinha em casa - os filhos foram com ele fazer o serviço voluntário, como vão todo domingo.

Daí bateu uma tristeza - a primeira. Me lembrei da lixeirinha do carro - que meu marido nunca usa prá jogar lixo. Daquelas lixeirinhas pretas ofertadas pelo lava-rápido, bem fuleiras... Dentro dela, tilintando, mais de trinta reais em moedas - todos os trocados que meu marido recebe. Ficam ali, à mão, e ele as distribui um pouquinho aqui, outro ali, em cada farol e esquina que pedem - nunca falha... Me lembrei dele conversando com a policial no telefone, no dia anterior, dizendo que até sua sacolinha de moedas haviam levado... Me lembrei também que, no carro alugado - no lugar do porta copos - já haviam novas moedas, em menor quantidade, certamente com a mesma finalidade. Chorei pela bondade dele, por ficar triste - em meio a coisas maiores - por um mero saco de moedinhas...

Ao retornarem prá casa o almoço bem gostoso já os esperava - conchinhas enormes de macarrão recheadas com cottage caseiro, repletas de molho de tomate e muito queijo ralado, peixe grelhado, salada de batatas, salada de alface... Almoçaram satisfeitos e foram todos tirar um cochilo merecido - só eu permaneci acordada (senão não durmo à noite...). Me ocupei de um tricô e, lá pelas duas horas, tocou o telefone - era a polícia, avisando que o carro tinha sido encontrado. Chamei meu marido e, enquanto ele se trocava, tocou a campainha.

Quando eu atendi, mais uma boa surpresa: era um motoqueiro, funcionário da Porto Seguro - justamente aquele que havia encontrado o carro e avisado a polícia. A seguradora tem dessas: funcionários motorizados que circulam pelo bairro em busca do veículo roubado e que fazem eles mesmos o trabalho da polícia - e a gente achando que o carro tinha localizador... O outro tinha, a gente continuou pagando por isso e, desta vez, a seguradora falhou - vão ter que se explicar, segundo o "Marildo"...

O rapaz nos explicou que funciona assim: o ladrão faz parte de um grande grupo, uma gang organizada, que rouba os veículos prá vendê-los em partes, desmanchados. Como não sabem se os carros tem rastreadores, antes de levá-los para o local do desmanche, estacionam os mesmos em algum local onde não chamem atenção por estarem abandonados - normalmente próximos a grandes prédios de apartamentos, nos quais os moradores não tem tantas vagas na garagem quanto gostariam e por isso são forçados a deixarem carros na rua. Como nem todo mundo se conhece, um carro a mais parado na rua não faz diferença. Daí, por uns dois dias, eles passam nessa rua prá checar se o carro continua lá. Depois de uns dois dias, se o carro não foi resgatado, quer dizer que não tem rastreador e, por isso, é seguro levá-lo pro desmanche...

Estava estacionado a menos de um quilômetro da nossa casa - bem estacionado, sem nenhuma avaria, nenhum arranhão. Não levaram nem o som, nem o ar condicionado - até o estepe estava lá. Quer saber o maior milagre, aquele que fez meu marido sorrir bem largo, de orelha a orelha? 

A lixeirinha cheia de moedas - estava lá...

Só levou duas coisas - na verdade, três: o boné de estimação do "Marildo", uma caneta cara, folheada a ouro, com enfeite de madrepérola e o nome dele gravado, presente de uns alunos da faculdade e o nosso sossego por um dia e meio. Mais nada.

Retomado o rumo da vida, a gente parece que acorda do pesadelo - não por causa das lambidinhas da cachorrinha, mas devido à bondade divina, à sua misericórdia para conosco...

Pesadelos sempre vão haver - é consequência do próprio curso da existência. Em muitos a gente chora, noutros a gente se desespera - às vezes, chega até a perder a fé...

Sorte quando a gente consegue acordar deles e viver um novo dia, pensar na parte boa, torcer prá esquecer, a cada dia, o mal que nos acontece... No nosso caso - só teve parte boa. Só Deus sabe o porquê.

A nós, em meio a tanta tristeza e dor que corre pelo mundo, só nos cabe agradecer...


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dois jeitos...

De se usar viés - Ô coisa boa...

Porque viés é assim: tem sempre gente descobrindo um novo uso prá eles, desde que foram inventados.

Prá enfeitar roupa:

(Tô louca prá fazer um vestido preto de bolinhas brancas prá mim...)

Babados poderosos...
Babador pro seu bebê poderoso...

Coisinhas prá casa e prá cozinha - avental sempre fica bem-acabado com viés...

E não é só aí que o viés se sai bem:
Colar...

Tiara

Tic tac

Broche

Chaveirinho

Imã de geladeira

Pois é: haja utilidade... 

Esta semana eu ensinei como fazer seu próprio viés com um pedacinho de tecido, fácil e perfeitinho. Agora vou mostrar algumas maneiras de usar essa tirinha de pano prá facilitar a sua vida - especialmente se você é costureira de primeira viagem. Se já viajou bastante na costura esta postagem vai ser desnecessária, então sinta-se livre prá passear por outros lugares, mas se quiser permanecer no blog, não vai se arrepender - tem muita coisa boa nos prá trás.

O viés - como o próprio nome diz - é cortado "em viés", ou seja, enviesado. Isso garante elasticidade e bom caimento nas suas utilizações. Se cortado no sentido reto do tecido não dá prá aplicar em partes curvas, então fica com menos utilidade.

Vê só dois jeitinhos fáceis e bonitinhos de como se faz:

Um pedaço de tecido cortado em curva, imitando uma cava de blusa, mais um viés contrastante prá facilitar a visualização - embora, às vezes, colocar um viés de cor diferente seja o detalhe que torna a peça mais bonita...

Você posiciona o viés na beirada onde ele vai ser aplicado, direito com direito.

Coloca na máquina e vai costurando - a largura quem diz é a sua necessidade. Geralmente em roupas o melhor é ser um viés mais fino, costurado na beiradinha - o normal é usar como base a largura de um pé de máquina.
Como o viés é cortado na diagonal ele vai se amoldando nas curvas, daí é só seguir costurando.

Terminada a costura você corta, sempre com uma folga. Se fosse uma cava de blusa você dava a volta e, antes de acabar, media onde isso ia dar, cortava, emendava e daí o viés ficava costurado em círculo.

Terminado de costurar você vira o viés pra fora...

Se quisesse podia virar ele todinho prá dentro e deixar ele escondido...

Era só fazer uma costura bem acabadinha por dentro, com pontinhos invisíveis...

Mas eu gosto de deixar o viés aparecendo - fica bonitinho, especialmente quando é de cor diferente, dá um contraste bacana.


Você deixa 1/2 centímetro aparecendo do lado direito, dobra o restante prá dentro.

Daí dobra mais uma vez, que é prá não desfiar quando lava e ficar um acabamento perfeito.

Com uma agulha bem fina e linha da cor do tecido principal (usei vermelha só prá realçar, prá vocês verem bem...) você vai costurar com pontos invisíveis todo o contorno da parte que leva o viés.

Quando termina, fica assim do avesso - clica na foto e vê a costura (que de invisível não tem nada, mas perfeito só Deus...).

E do direito fica assim.

Agora, na outra parte do retalho preto eu vou costurar diferente, mais fácil e mais rápido - embora eu não goste desse acabamento prá roupas, só prá coisas da casa, como aventais de cozinha e jogos americanos, por exemplo.

Posicione o tecido principal com o avesso virado prá você e, sobre ele, posicione o viés TAMBÉM DO AVESSO. Assim fica avesso com direito (contrário do outro, que era direito com direito). Costure do mesmo jeito, largura do pé da máquina.

costurou...

Vira pro direito.

Faz aquela mesma dobra (que nos viés comprados prontos em rolo ou por metro já vem dobradinha de fábrica - e tem até aparelhinhos em que você enfia o viés dentro e ele sai dobrado, só faltando passar à ferro, mas aí encarece a coisa...)

Termina de dobrar - se quiser ajudar passando a ferro, no começo, é bom.

E passa uma costura, com amor e carinho, cobrindo a costura anterior, que prendeu o viés ao pano. De preferência use linha da mesma cor do viés prá fazer isso.

Faça a costura reta...

Ou use um ponto trabalhado - que ficaria muito bom se o viés fosse liso e a linha contrastante - viés estampado fez o ponto desaparecer...

E pronto: bem acabadinho e feliz.

Esta é a cava de uma blusinha que terminei prás minhas meninas, na qual usei o viés do próprio tecido prá fazer o acabamento das cavas. Ficou perfeito.

Bem delicado...


Já usei em vestidos prá mim também - aliás adoro usar. Facilita mesmo a vida: no lugar de ficar cortando aqueles arremates complicados, que gastam uma tonelada de tecido, com um trapinho de nada eu faço um viés que fica uma belezura. 



Finalizando: normalmente o melhor é usar viés do mesmo tecido da peça que você está fazendo - por exemplo: nada de usar viés de jeans em tecido leve de algodãozinho. Porém o inverso pode: colocar um viés de algodãozinho uma calça jeans fica bom. Quanto mais delicada a peça, mais fino o viés.

Na malha é que é legal: pode cortar viés de qualquer lugar, tanto na diagonal quanto na vertical ou horizontal, pois o tecido é elástico de qualquer jeito. Fica ótimo no acabamento das camisetas e pijamas, por exemplo - especialmente se você trabalha com máquina caseira.

Então tá: agora você já pode dizer - com orgulho - que sabe usar um viés...
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