Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Luzes da Cidade


Existem dois tipos de pessoas que bebem: aquelas que, quando o fazem, ficam retraídas, taciturnas, que choram todas as tristezas da vida de forma ainda mais sofrida e aquelas que se expandem - para o bem ou para o mal. 

Destas últimas, umas ficam brincalhonas, descontraídas, riem das coisas mais bobas - são engraçadas essas - enquanto outras colocam prá fora toda sua revolta, maldade e violência.

Minha mãe tinha um primo, chamado Darcy, que era do primeiro tipo: quando bebia, voltava prá casa chorando, pedia perdão sem parar prá esposa por ter feito isso, se deitava prá dormir no sofá da sala pois dizia não merecer compartilhar a cama com ela, fedendo a bebida. Era um homem muito bom, eu gostava quando ele vinha nos visitar...

Meu pai nunca perdeu um dia de trabalho - nunca me lembro dele ficar doente, nunca teve nem mesmo uma gripe. Mas no final do expediente, dava uma passada "religiosa" no bar e só então vinha prá casa - e ele era do segundo tipo. Se você olhasse prá ele, apanhava. Se falasse perto dele, apanhava. Se você respirasse, apanhava... Então, todo começo de noite, tinha alguém - ou muita gente - chorando em casa.

Quando tudo se acalmava eu saía de fininho, subia as escadas - pois minha casa era abaixo do nível da rua - me sentava no muro, apoiada na parede da casa vizinha e ficava olhando ao longe todas as luzes acesas, indicativas das centenas de casas à minha volta. 

Quem conhece o bairro da Penha sabe que ele é totalmente formado por morros e ladeiras em todos os lados então, dependendo  de onde você esteja, consegue ver muita coisa.

Eu ficava pensando que cada uma daquelas pequenas luzes que eu via à distância era uma casa, onde morava uma família, onde se estava colocando arroz e feijão nos pratos, se estava assistindo televisão, conversando, rindo... Pensava em quantas delas estaria havendo uma briga naquele momento... E também pensava que Deus estava olhando tudo o que acontecia e me perguntava por que Ele deixava certas coisas acontecerem...

Mesmo assim, eu adorava ver todas aquelas luzes - ainda hoje eu adoro. Quando saio de casa à noite, prá mim, é melhor do que assistir televisão: ver luzes atravessando cortinas, vozes e risadas, luzes nas varandas, nos postes das ruas. Acho aconchegante existir a luz prá espantar os medos da noite... Penso que é por isso que eu sempre mando email prá Prefeitura quando vejo uma luz de rua apagada - detesto lugares mal iluminados.

Ontem à noite lá estava eu na mesa da copa, costurando cuecas novas pro "Marildo" - eu já devia ter ficado esperta com essa idade que tenho: tudo o que eu faço uma vez, tenho que fazer prá sempre, porque sempre fica muito bom e ninguém mais quer comprar pronto. Nunca mais o patrão vai querer comprar cuecas... Então, lá estava eu costurando, ele assistindo na sala um filme que eu gravei prá ele, sobre a Segunda Guerra Mundial e, entre o barulho da TV e o do motor da máquina eu escutei, bem baixínho, quase inaudível, o som de alguém batendo palmas no meu portão.

Algumas horas antes (pois já eram oito e meia da noite), quando fui abrir o portão da garagem pro "Marildo", reparei que toda a rua estava escura, um breu total. Todos os postes da minha rua e os das travessas adjacentes estavam apagados - detesto isso. Fechei o portão e corri telefonar prá Prefeitura (email ia demorar demais prá sair o resultado). 

Pedi pro "Marildo" que deixasse a luz da garagem acesa, assim quem estivesse voltando do trabalho aquela hora teria ao menos a nossa luz acesa na rua...

Dei o jantar prás crianças, uma vitamina pro "colega de quarto" e fui me divertir na minha maquininha.

Daí escutei as palminhas - fraquinhas, pareciam de criança. Falei pro "Marildo" ir ver quem era, embora eu já imaginasse quem fosse.

Tem essa senhora muito pobre, que anda pelas ruas do meu bairro catando latinhas prá vender. Na maioria das vezes ela vem com duas filhas, a mais nova uns 11 anos, a mais velha pouco mais que isso. Sempre que ela bate na nossa porta, é de cortar o coração: são tão magrinhas, tem olhos enormes muito fundos, de fome mesmo. 

Eu sempre acabo chorando quando elas vão embora - existe tanta dor anônima neste mundo, dores que só Deus conhece e que, às vezes, batem na nossa porta! 

Graças a Deus casei com um homem muito bom, ele sempre ajuda. Atende ela na porta, entra todo esbaforido pedindo prá eu fazer um rapa nas roupas, nos calçados, vai na despensa buscar mantimentos...

Quando ele foi atender, mal escutava a voz da senhora e, bravo, se virou prá mim e disse que não conseguia ver nada, pois lá fora tava tudo escuro e a luz da garagem (que EU mandei deixar acesa...) atrapalhava... Que se essa luz estivesse apagada, ele conseguiria acostumar a vista com a escuridão e veria, mais ou menos, quem batia à nossa porta...

Eu disse prá ele que não precisava ver, que era aquela senhora - só ela bate palmas, tão humilde, com medo de nos atrapalhar com o som da campainha...

Ele andou prá todo lado, pegou o que tinha que pegar, foi até nossa farmacinha atrás de um xarope - pois a senhora estava com uma tosse horrível (caminhou por toda a Penha, debaixo de chuva, dias atrás, prá pegar latinhas...). Dei prá ele um pote de mel, uma cartela de Coristina e tudo mais que passei a mão em meio à minha abundância de classe média baixa, meus trocados da carteira e - mais importante - minhas preces, pedindo a Deus por suas melhoras.

Quando entrou, o "Marildo" apagou a luz da garagem - e eu, brava como sou, dei uma bronca nele.

-"Eu quase não conseguia ver nada com essa luz ofuscante na garagem! - ele disse. "Tinha mais que apagar mesmo!!!"

-"É, mas, se essa luz não estivesse acesa, essa senhorinha não tinha encontrado nossa casa...".

Ele me olhou, desfranziu o cenho, abriu novamente a porta e acendeu a luz. 

Como é bom poder acender uma luz no escuro...


(O título da postagem de hoje é igual ao daquele filme lindo de Chaplin, de 1931. Se você nunca assistiu, não sabe o que está perdendo; toda vez que um filme desses é feito, Deus lá no céu fica muito contente...) 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Amigas irmãs

Eu tenho essa amiga, de muitos anos, chamada Neusa. Nos conhecemos na Previdência Social, onde trabalhamos juntas por muitos anos - ela Assistente Social, eu uma simples Agente Administrativo.

Se tem uma pessoa da qual eu guardo muitas saudades é ela... Sabe aquelas pessoas extremamente boas, que você adora estar perto, conversar, rir e chorar? Pois ela é assim. 

Católica fervorosa, do tipo que tem sempre uma novena em andamento, que o Padre frequenta a casa, que se envolve em tudo o que é projeto da igreja - mesmo assim respeita todas as crenças, jamais diz coisas do tipo que magoam ou discriminam quem pensa diferente. Ela diz que Deus é Pai de todos, que o importante é acreditar nele, cada um do seu jeito. 

Dizemos que somos irmãs de pais diferentes - até acabamos ficando parecidas fisicamente, com o tempo - engraçado, né?

Ela me confortava a cada vez que eu retornava da licença maternidade de um dos meus filhos. Riu à beça da minha cara quando eu chorei no primeiro dia de aula da minha Lola - "Ah, Neusa... Minha Lolinha tá entrando hoje pro mundo... O que vai ser se alguém judiar dela, tratar ela mal?!!"... A Lola feliz da vida e eu perdendo o sono à toa - e a Neusa rindo de mim, desalmada...

Casou com quase quarenta anos, enviuvou poucos anos depois e, dessa união, teve um único filho - Bruno. Dá prá sentir como é que ela ama o moleque? Dá a vida por ele.

Mês de março, bem no começo, ela fez aniversário. Não telefonei bem no dia certo, minha casa e minha vida estavam meio reviradas por causa do assalto mais recente - daí liguei uns dias depois. 

Ela tá aposentada, mudou pro interior de São Paulo, passou num concurso e foi trabalhar como Assistente Social na prefeitura de lá - nasceu prá ajudar os outros até profissionalmente.

Liguei, liguei e liguei e ela não atendia - eu morta de preocupação. Daí, num final de semana, o filho dela atendeu e me contou que ela estava em São Paulo, acompanhando a mãe que estava internada. Me deu o celular dela (estranhei à beça, ela não é de mexer em computador, ter celular - achei tão bom, pensei que ela finalmente tava tomando jeito...). Liguei, deixei mensagem e, uns dias depois, toda jururu, ela me ligou de volta...

Olha como são as coisas: tá com 83 anos a mãezinha dela, fumou a vida toda. Sempre doentinha, entregue à rapadura - mas não largava o cigarro nem por ordem médica. Daí, pouco mais de um mês atrás, pegou pneumonia, bem sério mesmo. A Neusa veio, ficou com ela um mês todinho na semi-UTI. No dia da alta o médico quis fazer uma broncoscopia, só por via das dúvidas. Estava tudo bem, ia ter alta naquele dia mesmo. De volta pro quarto, toda animada, a velhinha conversava com a Neusa, dizendo o que queria comer quando chegasse em casa... Entrou uma enfermeira trazendo um comprimido prá dar prá ela e um bocado de água prá ele descer pela goela. 

Vê se eu tô errada: dar um comprimido prá alguém engolir com a garganta ainda anestesiada prá fazer um exame? Tinha que ser uma injeção... A velhinha tentou engolir, a garganta tava meio paralisada, engasgou, ficou roxa, teve duas paradas cardíacas e agora tá em coma - e tudo a Neusa do lado, desesperada, assistindo...

Ela me contava e chorava, chorava. Me disse que ela e o irmão não saíam de perto da mãe, que choravam e imploravam prá ela não morrer, prá voltar prá eles... Eu, do outro lado da linha, sem saber o que fazer...

Me perguntei o que dizer nessas horas, como confortar sem cair naquelas frases que a gente diz quando não sabe o que dizer, tipo "Manual de Consolo Básico"...

Daí, por inspiração de Deus, eu disse assim:

"Imagina que ela tá de olhos fechados, quer abrir, mas não consegue. Quer falar, mas a boca tá travada, os braços e as pernas não obedecem - mas ela tá escutando tudo o que vocês dizem. Eu nunca estive em coma, você também não, mas imagina só se, no caso dela for assim... Já pensou que desespero, ela querendo dizer que tá tudo bem, querendo consolar os filhos que ama tanto e não conseguindo? Pior ainda: já pensou ela tendo que se preocupar com a própria saúde, tentando rezar, se concentrar e vocês dois ali do lado, distraindo ela, arrumando uma preocupação à mais? Se ela tiver que sarar, demora mais. Se ela tiver que ir prá junto de Deus, vai triste, preocupada, de alma pesada...

Não. O que vocês tem que fazer é, mesmo contra a vontade de chorar do coração, é tranquilizar ela. Vai que ela tá ouvindo - então conforta ela, diz que tá tudo bem, que ela é forte, que já superou tanta coisa na vida, que vai superar mais essa... Que criou muito bem vocês dois, que vocês são pessoas equilibradas e de bem com a vida graças ao exemplo dela, que vocês estão torcendo prás suas melhoras...

Leva um livro. Leva o Evangelho e lê prá ela alguma passagem bonita a cada visita - a mulher lavando os pés de Jesus com as lágrimas, secando com os cabelos... Ele trazendo Lázaro de volta à vida... Ressuscitando o filho único de uma mulher...

Conforta ela, faz companhia..."

-"Mas Rosa... e se ela morrer? O que vai ser dela ali, debaixo da terra fria, tão sozinha...".

Eu pensei que sabia exatamente como ela se sentia... Anos atrás pensei também assim, quando meu pai morreu...

É fácil estar de fora e consolar, a dor não é nossa, não naquela proporção que os outros - principais envolvidos - sentem... Lembrei de tantas outras mortes na minha vida, todas ainda tão vivas no meu coração...

Toda fé passa por provas.

Disse prá ela assim:

-"Você ama o Bruno, não ama? Daria sua vida por ele, sem pensar duas vezes... Sabe esse amor que você tem pelo teu filho, que eu tenho pelos meus, que cada pai e cada mãe que merece realmente esse nome carrega no peito? É só uma amostra do amor maior que Nosso Pai sente por nós. 

Você ama sua mãe, mas nunca vai amá-la o mesmo tanto que Deus a ama. Você passa com ela algumas horas do dia, no horário de visita, reza por ela sempre que se lembra, em meio aos afazeres do teu dia - e o Pai passa com ela o tempo todo, pensa nela sem cessar.

Mais do que você ama, Ele ama. Ela está segura nas mãos Dele, desde o momento que ainda estava na barriga da mãe dela até bem depois de partir deste mundo, quando ninguém mais se lembrar que ela existiu..."

-"Mas, e a saudade, Rosa? O que eu vou fazer da vida sem ela?"

Recordei a mais preciosa de todas as mortes na minha vida, aquela que, passados mais de quarenta anos, ainda me assombra... 

Ainda hoje, de vez em quando, tenho o mesmo sonho: um dos meus irmãos toca a campainha todo feliz e vem me chamar prá ir na casa da minha mãe, porque minha avó voltou. Eu digo que ela não pode ter voltado, que está morta, morreu faz tempo - e o irmão (ou irmã) que fala comigo, rindo e chorando, me diz que ela estava só dormindo, que acordou, se levantou, saiu da campa e voltou prá casa - e não pára de perguntar por mim, me chamando! Eu fico tão feliz no sonho que começo a chorar de alegria e meu coração se acelera tanto que meu corpo desperta, a contragosto, e eu me vejo na cama, chorando feito criança, com meu marido do lado me consolando e perguntando se tive o mesmo sonho outra vez... 

Digo à minha amiga que, se for mesmo chegada a hora da sua mãezinha partir, não podemos fazer nada a não ser aceitar - que vai ser triste, vai ser duro, que ela talvez nunca supere de vez essa tristeza - como eu não superei muitas das minhas.

Mas digo também que nós é que realmente sofremos - os que partem voltam prá casa e são recebidos com amor pelo melhor de todos os pais.

Há uns anos atrás, quando uma das amadas tias do Marildo morreu, ele me pediu que encontrasse uns dizeres da Bíblia prá escrever no túmulo. Abrindo a Bíblia várias vezes ao acaso, busquei algo que exprimisse o que eu penso da morte em si para quem vai... "Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor!". E lá tem festa, tem alegria, tem reencontro. Os que estão de fora não entendem, sofrem - mas quem está lá, está muito bem.

Aí ela me pergunta uma coisa em que muita gente acredita: se a mãe dela, se morrer, vai ficar adormecida, esperando o Dia do Juízo...

Eu nem precisei pensar muito: na minha mente me veio nítida a imagem de três cruzes...



-"Lembra, Neusinha, quando Jesus morreu, se sentia tão só - os discípulos, com medo, fugiram quase todos... 

Ele mesmo teve a fé em crise, até questionou o Pai, perguntando por que Ele o tinha abandonado... 

Mas Deus estava lá presente - e também apareceu, na boca de um reles ladrão... 

Um de cada lado Jesus tinha, um à direita, um à esquerda. Um deles - não lembro qual - implicava com Jesus, dizendo que se ele era mesmo filho de Deus tinha que pedir ao Pai que os ajudasse naquela hora... O outro ralhou com esse, disse que eles mereciam aquela morte infamante, pois eram ladrões, mas que Jesus era inocente... 

Jesus não estava só, Deus estava ali. Também estavam ali, uma de cada lado, tanto a revolta quanto a solidariedade - cada uma fazendo, do seu jeito, companhia à Jesus na sua hora mais dura...

'Lembra-te de mim quando estiveres no teu Reino' - disse o bom ladrão...

Jesus então, mesmo repleto de dor, perto da morte, disse assim prá ele 'Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!'

Ele não disse que iriam morrer e ficar adormecidos debaixo da terra, sendo comida de vermes: disse que, naquele dia mesmo, o ladrão - apesar de sua vida de crimes - estaria do lado dele no céu! 

Não creio que Jesus tenha dito isso como um ato de preferência para com o companheiro de infortúnio - qualquer coisa desse tipo seria injusta para com todos os outros seres humanos que não dividiram essa hora com ele, bons ou nem tanto. Não. Jesus foi bem claro dizendo que o ladrão seria bem recebido em casa.

Assim foi com minha avó, assim vai ser com sua mãe quando chegar a hora, com todos nós. 

Não creio que Deus seja o tipo de pai que deixa os filhos dormindo, esperando sei lá quando, prá lhes dar um abraço de boas vindas... eu não faria isso com meus filhos, você faria com o seu?

Sua mãe é uma mulher boa. Vai dar tudo certo prá ela, se Deus quiser."

A gente se despediu e, no dia seguinte, quando liguei de novo - não fui visitar porque minha saúde não anda muito boa, estou proibida de sair de casa sozinha e estou com todos muito ocupados prá me levarem no momento... - ela estava tão mais calma! 

Disse que sempre se sente melhor quando fala comigo, que nossas conversas e cartas são um tipo de remédio prá ela - ela é muito linda, me ama mesmo...

Me disse que contou o que eu falei pro irmão e que ele também estava se sentindo melhor, mais esperançoso... Contou até pro primo, que perdeu a mãe há pouco mais de três meses e que ele também se sentiu melhor - exagerada essa minha amiga...

É assim: nós, seres humanos, temos superpoderes, todos nós. 

A gente pode ser invisível na vida, não fazer diferença nem falta, passar despercebido - só gastar os recursos do planeta. 

Pode ter superforça, a ponto de carregar fardos inimagináveis... Pode voar prá junto de quem precisa só com a força do pensamento, mandando uma oração - quando não se pode mandar mais nada...

Superpoderes às vezes desconhecidos, às vezes não utilizados, adormecidos...  

Tanto podemos usá-los para o bem, como para o mal. Nossa presença na Terra pode ser um fardo, uma benção, um misto dos dois às vezes. 

Podemos fazer da vida de um outro ser humano um verdadeiro inferno - é só olhar os maridos e pais violentos, as mães egoístas, os patrões despóticos e mesquinhos, os vizinhos sem respeito...

E podemos ser instrumentos nas mãos de Deus, nos consolando uns aos outros, oferecendo-nos mutuamente a mão prá nos levantarmos das quedas, o ombro prá chorarmos juntos... 

E fazendo sempre, antes de dormir, uma prece - prá pedir auxílio divino e agradecer a oportunidade de ouro de fazer a uma pequena diferença que seja numa outra vida, mesmo que do outro lado da linha telefônica...

Principalmente porque, volta e meia, Deus manda alguém prá fazer assim diferença na nossa.

Feliz Páscoa a todos! Até semana que vem, se Deus quiser!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Sobrinha sortuda




É sortuda mesmo, por ganhar da tia essa batinha linda. Pergunta prá mim se foi feita de sobras:

-"Dona Rosa, a senhora fez essa batinha com sobras de linha?"

Como é que vocês adivinharam??? Foi pela diferença de cor da parte de cima com a parte de baixo?  Pois então: eu tinha uma sobra de linha Anne num tom de lilás muito lindo - cor 6614 (que fiz esta blusa chinesa AQUI). 

Daí tinha essa outra sobra de linha Camila Fashion - cor 097 (que eu não me lembro mais o que fiz com ela, deve estar no blog em algum lugar...) e mais um restinho de Anne branca. 

Daí, conversa vai, conversa vem, o Natal chegando, gastos e mais gastos, meu pé de dinheiro ainda não tá frutificando (falta adubar com umas notas de cem picadas...) e o presente da Bibi foi feito assim, na base da economia com muito amor e criatividade.

Espia os detalhes e me diz se tem cara de feita com sobras:





O ponto da parte de baixo eu já ensinei a fazer nesta postagem AQUI. Espia o pap, aprende e faça bom uso. 

Receitinha de mãe:

Eu sei que você queria ela prá você, eu sei - até eu queria...

Ai, pára, Elisabeth! Nem é prá tanto...

Come chocolate - funciona comigo, Sofia...

Ah, mas então vou avisar minha cunhada prá ficar de olho na blusa enquanto não seca... Apesar de que ficaria linda em você, Audrey...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Que tal uma lasanha com muito sabor e nenhuma culpa???

Quiném esta aqui:

Pena que ainda não inventaram computador que exale cheiro e monitor que dê prá dar uma lambida, senão o que ia ter de gente dando uma de Madona:

Só tenho a dizer uma coisa: minha senhora, se comporte! Já dobrou o Cabo das Tormentas, depois que tanta água já rolou debaixo dessa sua ponte e agora vem com essa história que também faz serviço de casa, se maquia até com cílios postiços, põe correntinha na cabeça e vai lamber o box do banheiro? Tenha vergonha...

Ai, cada louco com suas manias... 

Vamos ao que realmente interessa: comida boa. Sabe do que essa lasanha é feita? Acelga. Isso mesmo, essa coisa cheia de folhonas aqui:

Amada pelos orientais - lá no bairro da Liberdade você compra uma conserva feita com ela que fede como coisa podre (chamada Kimchi) - fedor horripilante mesmo, de dar náusea... - mas que é absolutamente incrivelmente maravilhosamente deliciosa! 

O Marildo e o meu Raspinha de Tacho se esbaldavam com ela, eu e as meninas torcíamos o nariz, saíamos de perto, frescas que somos - até o dia em que nos desafiaram a provar...

As nuvens se abriram no céu, um raio mágico de sol desceu e veio iluminar a fedida acelga - e desde esse dia a bendita é disputada folhinha a folhinha...

Bom, mas vamos à Lasanha de Acelga.

Primeiro que tudo tem que fazer um molho delicioso - porque se o molho for bom, a gente come até papelão picado regado com ele. 

Pouco óleo - uma colherinha de sobremesa e nada mais. Azeite é melhor. Frita nesse óleo 3 dentes de alho cortadinhos e, quando o alho estiver frito, joga o extrato de tomate e frita mexendo sempre. Coloca água, mas deixa o molho não muito aguado (porque a acelga vai soltar água também...). Tempera esse molho maravilhoso com azeitona verde picada, orégano, pimenta (eu uso calabresa desidratada...), cheiro verde (salsinha e cebolinha) e sal a gosto (eu faço sal de alho, esmagando alho com pilão e misturando com sal...). Leva prá ferver e, quando ferver mesmo, abaixa o fogo e deixa assim por uns dez minutos.

Enquanto o molho ferve pega a acelga, lava folha a folha e retira a parte grossa e dura do centro, separando a folha em três partes, assim:


Essa parte dura você guarda lavadinha e seca e, no outro dia, pica miudinho e refoga com cebola, alho, tomate, etc e fica uma delícia - não perde nada. Come com arroz e feijão, um ovinho frito e pronto.

Terminou o molho você monta a lasanha: põe um pouco de molho na assadeira, cobre com as folhas de acelga cortadas e cruas. Põe o teu recheio favorito - eu coloquei tofu cortado bem fino (por causa do &%#¢£§ colesterol!), olha só:



Fiz uma ÚNICA camada de fatias de mussarela - que ninguém é de ferro. Vai alternando camadas de folhas, de molho, de recheio - tem que ser uma assadeira funda, pois as folhas fazem muito volume e, depois de assadas, murcham. Não se preocupe se achar que tem molho de menos: como eu falei, a acelga solta água e tudo vai ficar mergulhado em molho com o passar do tempo. Última camada molho, põe um queijinho ralado por cima. 

Agora uma dica extra de sabor: o melhor queijo prá ralar nessa hora é o provolone, pois dá aquela requipimpada no gostinho gostoso. Mas tem uma opção mais saudável e tão saborosa quanto: ricota defumada com pimenta. Muitos supermercados tem, a maioria dos mercados municipais e casas que vendem frios. É própria prá ralar e tem um sabor fantástico e menos criminoso que os outros queijos.

Leva pro forno prá gratinar - o que é rapidinho. 

Tem que comer sentada na mesa - não dá prá comer na frente da televisão, no sofá, com o prato na mão (coisa feia minha família é, fazemos isso o tempo todo...). Motivo: é difícil de cortar. Massa de lasanha a gente consegue cortar até com o garfo, mas essa tem que usar faca mesmo, tem muita fibra. 

Nota do prato, de zero a 10: 15. Fica fantástica. Até o Marildo, que gosta de tudo muito gorduroso e queijoso adorou, deitou o cabelo nela.

Gente, as propriedades nutricionais da acelga estão todas aí, pois ela não foi fervida e jogada a água fora - tá tudo esperando prá ser aproveitada no molhinho! Zero carbo-hidrato, só um tiquinho de óleo no molho, sabor saindo pelo ladrão - quer mais o quê, "prima"?

Não tem acelga? Ferve um repolho inteiro, separa as folhas e faz do mesmo jeito. 

Pois é: como Presidenta Fundadora dos C.A. (Comidólatras Anônimos) considero esta reunião encerrada!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"Caramba!!!"

A gente sempre gosta de pensar que é única no mundo, uma criatura sem igual que Deus fez e jogou a receita fora - mas não é que eu me achei na net? 

Tenho que receber royalties pelo uso da minha imagem...

Sou extremamente dedicada ao que amo...

Mesmo que, às vezes, a inspiração me fuja.

Mas, mesmo ela fugindo, tenho sempre esperança que volte - então tudo tem espaço reservado no(s) meu(s) baú(s) de projetos.

Eu sou tão dedicada, que às vezes beiro a obsessão - enquanto a coisa não sai, não sossego...

E rende frutos: tem horas que tô tão inspirada que até me espanto em como sou genial (e aí "alguém" - não vou dizer o nome, mas sou casada com ele... - me diz o que foi que esqueci...)

Eu sei que não sou perfeita - também erro... E quando eu erro, fico me sentindo o "cocô no casco do cavalo do bandido", mais abaixo que o nível do mar...

E, nessas horas, um pequeno incentivo não custa nada - e cai tão bem! Até porque, mesmo falhando, sempre me prometo que vou acertar da próxima vez - aquelas promessas que a gente se faz...

O tempo passa e eu não tô ficando mais nova - pelo contrário - mas quem está? Se eu esqueço as coisas, tem que ter paciência, afinal de contas, eu tenho paciência , não tenho? Então, não me tira do sério!!!
 
Não que eu seja uma mulher violenta - pelo contrário... Mas todo mundo tem seu limite...
Não admito desrespeito com as minhas coisas, sejam meus projetos ou meus bens preciosos - fico até perigosa, de vez em quando...

Não tem tempo ruim prá mim - pelo contrário: um dia de chuva prá ficar em casa, costurando, até parece uma praia ensolarada... Sou ou não sou uma pessoa fácil de se conviver?

Meu maior defeito - eu sei - é ser bagunceira e espaçosa: onde eu me aconchegar prá fazer minhas coisas, não sobra espaço prá mais ninguém... Por mais que incomode, penso que é injusto - todo mundo devia dar graças a Deus por eu existir e bagunçar o mundo, só que ninguém me entende e aprecia como deveria...

Sou radical nas minhas crenças, nas minhas preferências - mas quem não é?

Já mencionei que ando meio esquecida? Então tá...

Distraída...

O tempo anda fugindo de mim, por mais que eu queira ser amiga dele... Às vezes eu até acho que tem alguém conspirando contra mim...

Por exemplo: o que custa me fazer feliz? Tô pedindo anel de diamante? Viagem prás Bahamas? Cirurgia plástica? Não!!! Tudo o que eu quero é só aquilo que me faz feliz e o que me faz feliz é fazer o que eu quero - fácil de entender, não é???

"Tá proibida de comprar mais o que quer que seja na internet até gastar o montão de caixas que estão entulhadas naquele teu quarto de bagunças!" - crueldade, isso é que é... E os saldões? Como ficam? Estão me forçando a tomar medidas drásticas...

Depois, quando eu radicalizar de vez, todo mundo vai ver o que é bom prá tosse...

Uma hora dessas como é que vai ficar se eu disser que tudo o que eu quero é um tempo só prá mim, hein???

E acabar recorrendo à vingança? Muita vingança...

Me aguarde - ainda faço cueca de florzinhas, de estampa de tigrinho, de ursinho de pelúcia...

Porque, afinal de contas, linda, talentosa e muito modesta (um tesouro de mulher!) tem que ser respeitada, amada e muito paparicada - e tem que trazer quentinha prá mim sempre que eu quiser, sem reclamar, sem dizer que eu cozinho melhor - porque prá mim comida boa é a que não me dá trabalho nem prá preparar nem prá lavar a louça depois, sobrando tempo prá eu fazer minhas artes...

Tem que elogiar, dizer sempre que eu fico linda e jamais dizer que uma roupa me engorda...

Tem que ser assim mesmo: valorizar o que eu tenho de bom!

Aprovar minhas decisões, mesmo se não concordar com elas - é mais ou menos como diz no desenho: "até quando eu estou errada, eu estou certa!"

Elogiar sempre meus bem-intencionados esforços...

Dizer o quanto aprecia estar casado comigo - mas dizer MESMO, pois eu não leio pensamentos... Gostar de estar comigo por quem eu sou - meio baixinha, um tanto acima do peso, já meio passada do prazo de validade, cheia de imaginação e excelente companhia...

Liberar o cartão de crédito (Uhuuuu!!!)!

Fazer a sua parte - que eu faço a minha!

Jamais reclamar de uma alfinetada aqui, uma bronca justa e merecida ali...

Das minhas econômicas (e sempre plenamente justificadas)comprinhas...

Porque, afinal de contas, em tudo o que faço, dou sempre o meu melhor - Ô mulher maravilhosa que eu sou!



Observação: Se for tímido demais prá concordar por escrito, faça que sim balançando a cabeça e eu tiro a mordaça e as algemas, libero os cachorros pro quintal, vou buscar mertiolate e a gente põe uma pedra em cima disso. Ah, prá selar este acordo, basta trazer pizza marguerita prá mim no jantar de hoje...

(Tirei essas tirinhas DAQUI - são a minha cara... Vai lá que tem muitos mais de onde esses vieram...)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...