Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Projeto Fada Madrinha



Quando eu era menina, durante algum tempo, eu sofria de desmaios. Era uma coisa maluca: cheiros fortes, medo, nervoso e eu Puff! Apagava. Foi no começo da adolescência, eu tinha onze anos. Comecei a fazer educação física no ginásio e volta e meia eu desmaiava. Na aula aconteceu uma vez, aconteceu também na padaria do meu tio. Outra vez eu fui levar um sapato prá colocar sola nova no sapateiro perto de casa e desmaiei lá dentro (já pensou hoje em dia, onde tem um pedófilo em cada esquina? Sorte minha que o sapateiro era um velhinho bonzinho, foi prá porta, gritou prá alguém chamar minha mãe, ficou me abanando...).

Então a diretora da escola, dona Janes (assim mesmo, com "s" no final) chamou minha mãe e falou prá ela me levar no médico.

Com essa idade eu parei de comer carne (prá irritar meu pai - se fosse hoje em dia eu faria tatuagens e colocaria piercings, mas naquele tempo esse era o instrumento de revolta que eu tinha em mãos...) então minha mãe achava que eu estava anêmica demais e por isso desmaiava. Ela e meu pai queriam me dar fígado cru batido no liquidificador, mas não conseguiam me fazer beber (sem que eu desmaiasse do nervoso...) então me levaram no médico do sindicato dos metalúrgicos, lá perto da Praça da Sé. Ele então me encaminhou prá uma psiquiatra - talvez tenha achado que eu era depressiva, pois eu era muito tímida.

Bom, a tal psiquiatra me atendeu por três vezes seguidas. Eu chegava lá, ela me fazia um montão de perguntas, conversava bastante comigo. Me dava um montão de livros prá eu resolver enigmas, olhar figuras e dizer qual era o negativo delas, onde estavam as diferenças. Parecia mais uma brincadeira - eu até gostava.

No final da terceira vez ela disse prá minha mãe que queria conversar com ela e também com meu pai - e marcou uma sessão prá semana seguinte. Meu pai veio com a gente - como sempre eu vomitei o caminho todo, quando eu era pequena ficava enjoada quando andava de ônibus...

Ela disse pros meus pais que eu era muito inteligente (quantificou meu QI com um número, o qual não vou dizer pois acho esse história de quantificar as coisas uma tremenda baboseira...) e que se eles investissem em mim, eu daria muito orgulho prá eles. Que eu podia ser médica, engenheira, cientista...

Meus pais ficaram cheios de si e perguntaram que tipo de investimento tinham que fazer.

Ela disse que eu tinha que ter um quarto só meu, com respeito à minha individualidade, com uma boa mesa de estudos, livros à vontade, alimentação de qualidade, paz e sossego (pois eu havia contado prá ela das surras, das brigas, da pobreza...).

Meus pais ficaram meio bobos, sem saber o que dizer - e eu é que abri a boca.

-"Olha, doutora, eu acho que a senhora não tá entendendo como é que a coisa funciona lá em casa: eu tenho cinco irmãos menores, somos muito pobres e, na maioria das vezes, se a gente almoça, não sabe se vai ter janta. E mesmo se meus pais pudessem se sacrificar prá me dar essas coisas aí que a senhora tá falando eu nunquinha que ia querer ter coisas melhores que os meus irmãos! Vamos embora, mãe, que isso aqui foi só perda de tempo. Vomitei todas essas vezes à toa..."

E a gente foi embora. Meu pai, revoltado, me deu um tapão na orelha quando a gente chegou lá fora, prá eu parar de ser tão tagarela. Daí pegou minha mãe pela mão e, arrastando ela pro meio da rua, falou que nós três íamos morrer juntos naquela hora, atropelados, que essa vida miserável não valia mesmo ser vivida...

Mas não era as hora de nenhum de nós três, graças a Deus. Nossas vidas continuaram.

Eu nunca tive um quarto só prá mim, sempre fiz minhas lições de casa na mesa da cozinha, escutando brigas intermináveis e os livros à minha disposição eram os da Biblioteca pública mesmo - e posso dizer que me saí muito bem, apesar de tudo.

Só prá vocês terem uma ideia: quando entrei na sétima série e fui aprender inglês pela primeira vez foi um pesadelo. Eu morria de medo do professor, que me parecia um homem mal, grosseiro e não conseguia aprender. Tirava notas baixas, corria o risco de ser reprovada...

Tomei a decisão de aprender de qualquer jeito: fui na Biblioteca da Penha, peguei dicionário de inglês/português emprestado, peguei livros totalmente em inglês e passava minhas tardes traduzindo os livros, entendendo a mecânica da língua, por conta própria. Minhas notas ficaram ótimas e hoje, embora eu não seja fluente na conversação (principalmente porque tenho vergonha do meu sotaque chinfrinzinho) posso assistir qualquer filme, qualquer noticiário em inglês que entendo tudo.

A mesma coisa quando tive dificuldade em matemática no ensino médio, em física - me virei sozinha, com livros da Biblioteca.

Mas às vezes eu me pergunto como teria sido a minha vida se ela tivesse sido diferente - se um dos meus tios, por exemplo, notando a sobrinha cheia de vontade de aprender, tivesse dado uma mãozinha, um estímulo.

Não que eu me queixe: acho que qualquer mudança na minha vida em qualquer ponto lá atrás teria me dado um futuro diferente, no qual eu seria outra pessoa, talvez teria outro marido, outros filhos - e eu adoro do jeito como as coisas são...

Às vezes as dificuldades nos moldam melhor... Fazem aflorar coisas boas, por incrível que pareça.

Essa história de Projeto Fada Madrinha tem me acompanhado por toda a vida - não é coisa que eu inventei prá mim mesma só agora. Já fiz esse tipo de coisa antes e posso dizer que, se Deus permitir, só vou parar depois de morta. Mas não vou aqui cansar vocês com histórias passadas, de coisas grandes e coisinhas triviais que estenderiam essa postagem cansativamente.

Vou dizer só o que fiz desta vez.

Minha Lola tem essa amiga que é a mais querida que ela já teve - são almas gêmeas, poderiam até ser irmãs, não se largam. Aliás: a Fernanda bem poderia ser minha filha, de tanto que se parece comigo, na índole, nos gostos... Só que é diferente de mim em uma coisa: ela é doce e meiga, eu sou mais do tipo triste e cansada (eu me vejo por dentro como ninguém me vê, então se eu digo que sou triste e cansada, acreditem, é a pura verdade).

E vendo ela assim, tanto potencial, tantas esperanças, tantos sonhos, senti no meu coração uma urgência enorme de ajudar, de dar um empurrãozinho prá todo esse potencial se desenvolver.

Ela está desempregada já há um bom tempo. Falou prá Lola me pedir prá fazer umas eco-bags de algodão cru prá ela poder pintar e vender, prá não ficar sem dinheiro - e ela tem um talento assombroso, desenha e pinta como uma verdadeira artista.

E a Lola me contou que ela costura à mão, devagarinho e com a maior paciência - e que o sonho dela, desde pequena, era ter uma máquina de costura.

Eu tinha conversado com o "Marildo" e ele me havia dito que, chegando o aumento de salário dele, eu ia poder dar a máquina de costura prá ela ("já que eu queria tanto e já que eu achava que ela tinha esse merecimento" - como ele disse) de prestação, no começo do ano que vem.

Ano que vem? E a urgência do meu coração, batendo descompassado, apressado, querendo prá ontem???

Então, sem contar nem pro meu marido nem pro meu filho (que, graças a Deus, não leem o blog...) e com o incentivo das minhas filhas (minhas confidentes...) e a ajuda da minha amiga Áurea e da irmã dela eu fiz de tudo: avental de cozinha, panos de copa, bolsas térmicas, ecobags, bolsas comuns, carteiras, guirlandas de Natal e fui vendendo. A princípio foi difícil - eu colocava preços similares aos que eu via no Elo7 e ninguém comprava. Então decidi que o sonho valia a pena o sacrifício e abaixei os preços - e as vendas deslancharam a ponto de eu não ter sossego.

O ruim foi costurar escondido, nas horas que o marido e o filho não estavam em casa. Ruim ter que esconder, mentir... Mas foi por uma boa causa, Deus me perdoa. (E um dia, Ike meu filhinho, quando por acaso você ler esta postagem e descobrir o que a mamãe fez, pensa assim: você se preocupa com a saúde do meu corpo; eu prefiro me preocupar com o sossego do meu espírito. Quando eu cismo que quero fazer uma coisa, aquilo me atormenta, não me deixa nem dormir direito... Eu tinha que ajudar a Fernanda...).

Mandei a Lola dar o dinheiro que eu consegui (quando atingiu o preço da máquina que eu queria comprar, Janome 2008 P) pro meu filho, dizendo que o dinheiro era da Fernanda, prá ele comprar a máquina pela internet. Meu filho é tão bom nessas coisas que ainda comprou um pouco mais barato do que tava no site, graças a cupons de desconto e ainda conseguiu frete grátis.

Quando meu marido viu que a menina havia "comprado" a máquina que ele planejava dar o ano que vem ele me falou prá ir com ela no Brás comprar tecidos e aviamentos, prá incentivar ela a já começar a costurar - bom, né?

Então, segunda feira passada, véspera do feriado de 15 de novembro, chamei a Fernanda prá sair comigo, dizendo que precisava da companhia dela prá escolher coisas no Brás - ela não sabia que ia ganhar a máquina.

A Nana não tinha plantão no hospital durante o dia - mas ia pegar plantão das 7 da noite às 7 da manhã do feriado - e se dispôs a levar a gente de carro (mordomia total!).

Fiz uma lista de materiais básicos que eu não tinha prá dar prá ela (alguns eu tinha em casa e dividi com ela, fiz meu próprio kit "Dona Rosa" de costura básico numa embalagem de Ferrero Rocher...).

Quando chegamos na minha casa contamos prá ela que ela tava ganhando uma máquina de costura novinha em folha e tecidos e aviamentos prá começar - e ela chorou. Baixinho, igual um camundonguinho - coisa tão linda, tão delicada...

A Lola ficou fazendo bullying na tadinha, chamando ela de chorona e eu mandei ela parar, que chorar de felicidade é bom demais. Tão poucas vezes na vida a gente tem essa oportunidade que, quando acontece, a gente tem que chorar mesmo...

Daí a Naninha se dispôs a levar a máquina até a casa da Fernanda, lá na Cidade Tiradentes. Arrumamos as coisas e fomos, com as bênçãos de Deus e do Santo GPS das Localidades Distantes.

A mãe dela também chorou - eu vi. Disse que faz tempo que queria dar uma máquina de costura prá filha, mas que o dinheiro ainda não tinha dado... Eu disse a ela que ainda bem que ela não tinha comprado, que assim eu pude ter essa felicidade prá mim - prá ela sobrava agora a felicidade de montar o ateliê da filha... "Além do mais" eu disse - "faço isso por puro interesse. Com certeza, no futuro, vou precisar de um par de mãos a mais prá me trocar as fraldas...".

Voltamos prá casa em cima da hora da Naninha ir pro plantão. Passou o dia todo sendo nossa chofer, nem almoçou - comemos tranqueiras no carro, suco, salgadinhos... Meu marido ficou uma fera, mas a Naninha me garantiu que o sacrifício valia a pena, tava feliz com tudo - filhas maravilhosas eu tenho...

Vou dizer prá vocês: tive muitas felicidades na vida, muitas mesmo. Que ninguém pense que porque conto coisas sofridas eu tive uma vida miserável - a vida tem sido muito boa prá mim. Realmente teve sonhos que eu não realizei, como acontece com todo mundo - mas a vida me deu coisas maravilhosas com as quais eu nem me atrevi a sonhar, então mais que compensou tudo.

Mas realizar o sonho de outra pessoa, poder assumir o papel de Fada madrinha e ver alguém ser feliz, chorar de alegria - isso é uma das melhores coisas que a vida me deu. Poder me esforçar, trabalhar, planejar e realizar o sonho de alguém é algo que não tem preço.

Eu disse pros pais da Fernanda - que estavam em casa quando a gente foi levar a máquina, pois já estão aposentados: as pessoas que dizem que dinheiro não compra felicidade estão redondamente enganadas. Dinheiro compra SIM, felicidade, quando você faz coisas boas com ele...

Não paro de agradecer a Deus pela oportunidade, pela inspiração e pela força em completar meus planos. Enquanto eu viver nessa vida sempre vou me sentir feliz.

E olha como são as coisas: meu irmão foi comprar um pedaço de tecido prá mim na loja, prá uma das minhas encomendas (que eu liguei prá ele me fazer esse favor...) e ele sem querer contou prá mim que o colchão da minha mãe tá cansado de guerra, precisando ser trocado e eu falei (antes mesmo de comprar a máquina da Fernanda):

-"Não conta prá mais ninguém, Tato, que eu é que vou comprar um colchão novo prá ela"...

E comecei a fazer um "Caixa 2" pro colchão da minha velha.

Eu sei o que meu marido diria prá mim, se eu dissesse que queria dar o colchão: "Sua mãe não tem só você de filha, a gente já paga o convênio, um dos teus irmãos que ajude..." e ele até não estaria errado, pela visão dele...

Só que na minha visão é assim: se a gente vê uma necessidade, não tem que se perguntar "quem mais além de nós pode satisfazer essa necessidade", "sobre quem essa obrigação pode ser imputada"...

A gente arregaça as mangas e diz: esse prazer vai ser meu.

Egoísmo puro. Vontade de ser feliz fazendo alguém feliz.

Então, prá encerrar essa postagem que foi uma verdadeira tsunami de palavras eu vou dizer o seguinte - um conselho, como pode ser chamado:

-"Façam alguém feliz. Invistam na felicidade de alguém além da vossa própria. Eu sei que é muito bom comprar prá gente as coisas que a gente quer, fazer viagens legais, ter um dinheirinho guardado prá um dia chuvoso. Mas olha: tudo o que a gente compra um dia se estraga, se perde, alguém rouba... As viagens a gente curte e depois só restam fotos e lembranças, que o tempo apaga... E dias chuvosos... bem... eles podem chegar ou não... todos nós, a bem da verdade, estamos com os dias contados (duro de se dizer, até mesmo rude, mas é a pura verdade. Nenhum de nós está aqui prá ficar...). Cedo ou tarde a gente morre e caixão não tem gaveta.

A alegria de fazer a diferença no mundo, fazendo dele um lugar melhor, um pouquinho que seja, trazendo esperança, felicidade, aliviando o fardo pesado de alguém não tem comparação com nada no mundo...".

Ah, e com a permissão da Fernanda, aqui está ela com a máquina:



Melhor que a minha, tem mais pontos. Tem também o estojinho de Ferrero Rocher com as coisinhas que dividi com ela e um pote de vedaprem que eu dei prá ela guardar os tecidos (provavelmente ela vai customizar, igual eu planejo fazer com os meus - um dia).

Felicidade...

Que trabalho e dinheiro compraram...

Prá mim e prá ela.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Como fazer seu próprio pé de quilt reto


Esse é um dos apetrechos mais desejados das costureiras de patch: o danadinho usado prá fazer costuras paralelas, regulando a largura através daquele ferrinho lateral. Custa em torno de 90 reais - mas você pode fazer algo que funciona bem parecido, com coisinhas simples e baratinhas que você provavelmente tem em casa.

Isso mesmo: você mesma faz e usa super bem (pois funciona que é uma maravilha) e gasta praticamente nada - só precisa de um clipe de papel e de um pedaço de borracha escolar.



Bom, como eu ando fazendo umas costurinhas prá vender e realizar meu sonho "de realizar o sonho de outra pessoa", tenho quiltado muito. E aquela coisa de fazer as linhas usando fita crepe (que era meu método anterior e que quem acompanha o blog (nesta postagem AQUI, na qual fiz uma lixeirinha prá carro...) já sabia...) não se provou muito prática (nem barata) prá uma produção maior. 

Daí pedi pro Marildo o famoso pé de quilt reto e ele disse que ia me dar no meu aniversário (que é só em dezembro...). 

Então, cansada de gastar fita crepe e mais cansada ainda de riscar com giz de costureira (que eu não tenho as tais canetinhas que apagam com o ferro, aqui perto de casa custam quase 30 reais e dinheiro não é capim) eu botei o cabeção prá funcionar e olhando o tal "walking foot" baixou em mim o espírito do McGiver e eu fiz o meu.

Foi assim:

Pega um clip de papel e um pedaço de borracha escolar (das brancas, que são mais molinhas). 


O clip você abre quase todo e corta dois toquinhos da borracha. Faz um furo nas borrachas com alguma agulha grossa, bem no meio. O clip você tem que deixar com um lado bem comprido e o mais retinho possível, usando um martelo ou um alicate.

(este buraquinho é de suma importância prá Segurança Nacional...)

Daí você enfia um dos dois pedaços de borracha no clip (esse pedaço vai ficar sempre aí). 



Insere o cabo longo do clip no furinho que tem na haste onde o pé calcador normal da máquina fica preso, com amor e carinho - toquinho de borracha que você não tira fica lá, esperando.... 



Daí você escolhe que tamanho vai ter o teu matelassado reto (2 cm, 3, 5, o tamanho que quiser...) e prende o segundo pedaço de borracha escolar no cabo longo do clip: fica um pedaço de borracha de um lado, um pedaço do outro, bem agarradinhos na haste da máquina - pronto!




Ao deslocar as borrachas de lugar você escolhe o tamanho do teu quilt - genial, né? Já resolvi: vou doar meu cérebro prá ciência! Depois de transformar nabos em alimentos comestíveis - façanha que só eu consegui fazer com sucesso no mundo inteiro  - e de criar um pé de quilt reto tão genial e baratinho acho que mereço uma medalha (pelo menos...).

Então você pega o teu trabalho, risca com giz a primeira linha, costura ela e, a partir dela e usando o clip, vai costurando paralelo à primeira costura, fazendo o clip seguir aquela primeira costura reta - fácil, né?

Agora: você tem amiga costureira? Compartilhe essa dica. Não é todo mundo que tem dinheiro sobrando prá gastar 90 contos com um pezinho calcador, não é mesmo?



Agora a minha nova cachorrinha: teve eleição prá escolher o nome dela (aqui em casa vivemos MESMO  numa democracia. Aliás, isso às vezes dá uns rolos!!! Se eu fosse uma ditadora penso que certas coisas seriam bem melhores...). 

Teve três turnos: cada pessoa sugeriu todos os nomes nos quais pode pensar (eu sugeri Drima, que apesar de ser nome de linha de costura, me veio à mente por ter a pronúncia parecida com a palavra "sonhadora" em inglês - Dreamer - e que também é uma das músicas que eu mais gosto do Ozzy Osborne, mas todo mundo odiou...). 

Também sugeri Pipoca e Paçoca, mas eu já era voto vencido antes mesmo das eleições começarem - suspeito que houve marmelada. Meus três filhos se uniram, meu marido foi voto em branco - ou seja, fiquei no vácuo. Imaginem a situação: os três queriam nomes de personagens de vídeo games que eles jogam ou de mangás que leram ou animes que assistiram - assim  surgiram nomes absurdos como Bunta (da revistinha "Groo"...), Funfa (que parece palavrão, mas é uma heroína de um dos RPGs que eles jogaram - e eles me garantiram que era uma princesa linda e heróica, que se sacrificou por todos no final da saga - mas convenhamos, ninguém merece um nome desses, PelamordeDeus!!! - exceto políticos, com certeza...). Eu fui totalmente anarquista: se ganhasse um nome vergonhoso, eu disse que não ia chamar a pobrezinha com ele - ia chamar de cachorrinha e pronto. Acabou que ganhou o nome Tentem, personagem de Naruto... 

Pobre criaturinha... Tentem o quê? Tentem fome, tentem dor de barriga, tentem...



Tentem tem jabuticaba que caiu do pé prá brincar...

O jeito é pensar assim: melhor "Tentem" que chegar no veterinário prá passar em consulta e ter que dar explicação do nome "Funfa"...

Já se aclimatou na casa - parece que nasceu nela. Se tornou amigona da Bulma (que, aliás, deve seu nome a uma personagem de Dragon Ball...). Brincam o tempo todo, graças a Deus. Já cresceu - chegou não faz nem dez dias e já tá latindo toda feroz, guardando a casa... 

Quanto ao Farruscão: ainda não operou a perna. Meu marido tem ido na casa conversar com o dono dele um dia sim, outro não. Amanhã tem retorno no veterinário prá fazer exames de sangue, etc e a cirurgia tá marcada prá 3 de novembro - mas foi uma saga! Primeiro que a veterinária na qual meu marido levou o bichinho garantiu pro dono que a gente ia custear a cirurgia, a internação e tudo o mais - falou prá ele que a gente era "rico", gente de "muitas posses" e que os quatro mil reais da cirurgia eram bagatela prá gente - pode uma coisa dessas? Gente assim, mercenária e mentirosa, me dá nojo.

No hospital veterinário gratuito também não foi fácil: o pobre do moço chegou lá às quatro da manhã, saiu de lá às 3 da tarde sem que nada fosse feito além de aumentar a medicação de dor do pobre bichinho - e o veterinário lhe deu o cartão do seu consultório particular, onde o cachorrinho seria operado por apenas 1000 reais! Quando eu soube disso quase tive um troço - pensei: "Deus do céu! Amor pelos animais = zero! Essa gente estuda veterinária só prá ganhar dinheiro!!!" - mas meu marido o orientou prá dizer que ia chamar reportagem e dar parte na polícia e acabou conseguindo marcar a operação.

E é isso. Até uma outra hora que acontece o seguinte: consegui vender 4 jogos americanos e três galinhas puxa-saco - e o dinheirinho tá entrando. Que Deus ajude, pois eu até perco o sono de felicidade, só imaginando a cara da pessoa que vai ganhar meu presente, sem ser Natal nem nada - tô chamando de "Projeto Fada-Madrinha". Quando acontecer, garanto que vai ser uma postagem linda, com direito a lágrimas de alegria (o melhor tipo de lágrimas...). 

domingo, 16 de outubro de 2016

Os três cachorros


Eu já devo ter contado prá vocês de uma família que morava na minha vizinhança quando eu mudei prá cá. Minhas crianças eram pequenas, a Lola em idade pré escolar, o Herkinho praticamente um bebê. 

Loucos prá arranjar amiguinhos prá brincar...

Sabem como essas coisas funcionam com criança, não sabem? Duas começam a brincar, uma terceira ouve as vozes, as risadas, vai se chegando... Quando a gente vai ver tem uma porção delas, fazendo alarido igual passarinhos em dia de sol... Pois foi assim: meus três filhinhos começaram a brincar, duas meninas chegaram no portão, começaram a conversar... Daí a Naninha entrou correndo, toda animada, pedindo prá eu abrir o portão prás meninas entrarem!

Foi um dia lindo, minhas crianças foram dormir cedo, cansadas e felizes... No dia seguinte, mal cheguei do trabalho, antes mesmo de almoçar, fiz um bolo de chocolate com calda e uma jarrona de laranjada e meus bebês ficaram na garagem, ansiosos, esperando as meninas voltarem... Eu, atarefada com o serviço da casa, fui deixando o tempo passar e numa certa hora, vendo a carinha triste dos meus filhos, olhei prás meninas brincando sozinhas do outro lado da rua...

-"Mãe, elas disseram que não podem brincar com a gente!" - uma das minhas meninas disse e eu chamei as outras duas crianças, do outro lado da rua, prá saber porquê... "Eu fiz bolo de chocolate e laranjada prá vocês, entrem!" e então, sem papas na língua (como geralmente são as crianças...) a menina mais velha disse: "Minha mãe disse que é prá eu não brincar com seus filhos, porque a senhora é uma metida nojenta!".

Meus filhos cresceram sem amizades na nossa rua, só amiguinhos na escola...

Essa tal menina cresceu nos virando a cara, igualzinho à mãe - que eu nunca conheci, nem sei o nome. Só sei que era uma mulher bem sofrida, o marido sempre foi beberrão, batia muito nela e nos filhos. Bastou os filhos crescerem e se mandaram da casa - e a mãe foi morar com a mais velha, que (segundo me contaram...) a trata pior que lixo, a faz de empregada. O velho beberrão tá um caco, parece até que apodreceu em vida. Mora sozinho na casa, aluga os fundos prá alguém a cada seis meses. Tem uma cachorra labradora preta já velha, a qual ele não alimenta nem com os restos: minha vizinha do lado atravessa a rua e leva comida prá bichinha duas vezes por dia...

A atual inquilina da casa dos fundos do velho é uma mulher horrível. Tem dois filhos - um menino de uns sete anos (malcriado que só a peste, toda vez que me vê abrindo o portão grita: "Ô! Ô!Ô!" e, quando eu olho, arremata: "Otária!" e cai na risada... A mãe descasca ele de surra igual mixirica... E tem uma nenenzinha de menos de dois anos, que nos dias frios e chuvosos que andou fazendo (enquanto a mãe lavava a calçada toda agazalhada, de botas de borracha)se sentava só de fraldinha, sem camiseta nem nada, na calçada molhada...

Um dia assisti chocada a cachorra lambendo a pitoquinha da menina, que havia arrancado a fralda cheia de cocô! Nem acho que a cachorra tava com tanta fome assim, prá comer aquela a sujeira toda, limpando a menininha - e depois ainda se deliciar com a fralda... Todas as mulheres da vizinhança lhe levam sobras, mas acho que é porque é uma cachorra muito grande e tava esperando filhote: a inquilina solta a cachorra na rua, prá não ter que lavar o quintal, e todos os cachorros da Penha pegaram ela...

Nasceram três bichinhos enormes, pretos como a mãe. Minha vizinha colocou no Facebook as fotos, prá arrumar dono prá eles... durante um bom tempo foi uma choradeira só dos bichinhos, pois a mulher continuou soltando a mãe prá rua e depois, com o portão fechado, a pobrezinha não conseguia voltar prá alimentar os filhos... Por sorte sempre tem uma pessoa prá escutar a choradeira e colocar ela prá dentro.

Fiz meu marido se comprometer a dar um saco de 25 quilos de ração todo mês prá ajudar a vizinha de bom coração, porque ela já tem os próprios cachorros e gatos prá viverem das sobras...

Com dois meses já adotaram todos os filhotes e a filha da minha vizinha já arrumou um veterinário prá castrar a bichinha de graça - ela tá velha demais prá continuar tendo filhos. O problema é que, exatamente por estar velha, a castração é de risco.

Me corta o coração a tristeza que ela ficou, os peitos cheios de leite e nenhum filhinho mais prá mamar...

Daí lá estou, parada no meu portão nesta sexta feira que passou, olhando penalizada prá cachorra sentada triste na porta - sete e meia da manhã. Um sol lindo no céu, todo azul, passarinhos cantando aos montes, prometendo um dia quente e luminoso. Minha rua quase deserta, eu esperando meu marido e meu filho terminarem de se trocar prá abrir o portão, regando as árvores da calçada.

Atravessando a rua devagarinho um cachorro que anda pela vizinhança há uns 3 anos - que eu chamo de Farruscão, pois é um viralata comprido de pelagem cinza mesclado de branco parecendo cobertor velho, daqueles que os mendigos usam. Escuto um barulho e vejo um daqueles caminhões de entrega descendo minha rua bem lentamente. Nem me preocupo - o cachorro vai conseguir atravessar e o motorista está vendo ele, afinal de contas...

Mas não! O homem passou com o caminhão em cima do cachorro como se ele fosse uma lombada, uma pedra! Não buzinou prá ele sair da frente, não brecou, com a rua tão larga e tão vazia ele nem se deu o trabalho de mexer no volante e desviar do bichinho - e foi aquele estrondo!

Continuou descendo devagar a rua, como se nada tivesse acontecido!

Eu caminhei até o meio da rua e comecei a gritar, a plenos pulmões:

-"Seu filho da p*! Desgraçado! Você atropelou o cachorro de propósito! Maldito!"

Ele me olhou pelo retrovisor e nem me deu bola, continuou descendo vagarosamente a rua, no seu ritmo...

Eu surtei! continuei gritando e gritando!

Meu filho saiu correndo sem sapatos, só de meias... Meu marido abriu a janela do quarto e me perguntou o que tinha acontecido e eu, gritando, expliquei... Meu filho foi pro meu lado, até o meio da rua e começou a descer a rua, prá brigar, ao que meu marido impediu (graças a Deus!). Imbecil que sou nem me preocupei de checar o cãozinho - que julguei morto - até que reparei nele mancando, virando a esquina e sumindo da minha vista...

Minhas vizinhas acordaram todas - foi o festival do pijama e da camisola. As que me conhecem por nome começaram a perguntar o que tinha acontecido e eu respondia chorando:

-"Aquele canalha desalmado atropelou o cachorrinho de propósito!!!"

Minha vizinha do final da quadra, que estava na hora de sair pro trabalho, saiu e foi tirar satisfação com o caminhoneiro. discutiu com ele alguns minutos e ele foi tranquilamente embora, como se fosse só um bando de mulheres loucas fazendo barulho por nada...

Subiu a rua até onde eu estava, rodeada pelas outras velhas - que me diziam palavras de consolo - acompanhada da mãe, também transtornada... 

A senhora me falou que a filha dela até rogou praga no caminhoneiro. Disse: "Hoje mesmo a vida vai te cobrar por essa maldade, prá não te dar tempo de esquecer o que você fez!".

Minha Lola saiu e foi junto da moça correr a vizinhança toda, atrás de encontrar o bichinho prá socorrer... Não encontraram.

Eu - revoltada do jeito que tava... - acabei abrindo um tantinho a porta do monstro trancado no porão... Falei que um crápula daqueles não podia ser um ser humano, de jeito nenhum... "Com certeza escapou do inferno e rastejou prá dentro do traseiro da coitada que pensa que é mãe dele..." - ao que minhas vizinhas desataram a rir, sem eu entender na hora o porquê...

Meu marido saiu, arrumado finalmente pro trabalho e me disse, baixinho só prá eu ouvir (e aí eu fui entender...):

-"Saiba se comportar, Rosa. Para de fazer escândalo na rua! Por sua causa nosso filho podia ter se metido em encrenca, brigando com o motorista! Sabe lá se ele anda armado...".

Tem horas que eu não devia mesmo abrir a boca, prá não dizer besteira (eu fiquei pensando, em meio ao meu chorinho, agora mais calmo...).

No entanto meus filhos, olhando prá ele, acabaram lhe dando a maior bronca:

-"Que falta de empatia, pai! A mamãe tá chocada de ter visto algo tão triste e você aí, preocupado com aparências! Você deveria estar preocupado com ela, com a pressão arterial dela, com o fato dela poder ter um derrame, um infarto!...".

Depois ele disse que tava preocupado comigo, mas que eu não posso surtar só porque um cachorro foi atropelado...

No meu coração eu pensei que se chegar o dia em que eu encare uma crueldade ou uma injustiça como algo banal e corriqueiro e tenha uma reação morninha, sem sangue nas veias, eu não quero mais estar viva mesmo.

Aliás: nas horas de crueldade e injustiça eu realmente me questiono se quero continuar vivendo num mundo onde tais coisas acontecem...

Minha Lola obrigou o pai a dar voltas pelo bairro até achar o cachorro.

Voltaram prá casa, pegaram um lençol prá enrolar o bichinho e levar no veterinário - mas ele ameaçava morder. 

Meu marido foi até a veterinária e trouxe um taxi-dog prá levar prá clínica, onde ele recebeu analgésico, fez raio x e passou por consulta (aliás nunca mais voltaremos nessa veterinária: além dela nos cobrar 3 vezes mais caro as vacinas das nossas bichinhas, não deu nem 10 reais de desconto, mesmo sabendo que meu filho estava socorrendo o cachorrinho por caridade - foram quase 500 reais. Quando meu filho reclamou eu disse prá ele algo que aprendi numa de minhas novelinhas coreanas: dinheiro é como esterco - se a gente amontoa, não serve prá nada, só fica fedendo; mas se a gente espalha, dá muita flor e muito fruto... Deus vai devolver prá ele em felicidade muito mais que esses quinhentos reais...)

Enquanto o bichinho estava sendo medicado, meu marido e meu filho foram correr atrás de informações, prá saber se ele não tinha dono mesmo - e um senhor se apresentou. Disse que o bichinho era de rua, mas que ele alimentou e foi ficando - mas que pede prá sair e ele solta. Se comprometeu a madrugar na segunda feira num dos hospitais veterinários gratuitos prá operar a perninha do cachorro - que (pasmem!) parece ter sido o único dano no bichinho. Esfarelou os ossos de uma única perninha, graças a Deus não explodiu nenhum órgão interno (como era o meu medo...).

Finalmente meu marido e meu filho foram trabalhar (com horas de atraso...) e minha Lola foi acompanhar a Fernanda no médico, pois ela está muito doentinha, infelizmente.

Fiquei sozinha e chorei o dia todo. Todo o peso do tempo caiu sobre mim - não apenas os quase cinquenta e cinco anos que constam nos meus documentos, mas os anos a mais que a vida me acrescentou, pois que sou mais ou menos como os cachorros que eu tanto amo: tem anos que eu vivi que valeram por dois, outros parecem ter me envelhecido uns dez... Me olhei no espelho com cara de mil anos e me perguntei que múmia era aquela, com olhos grandes e vermelhos de chorar...

Mas me lembrei da bondade de Deus e me sustentei pelo dia: se eu não estivesse no portão naquela exata hora não teria visto o que vi: o homem teria atropelado o cãozinho e seguido a vida normalmente (como meu marido alega que fez, apesar do meu estardalhaço inútil...), o bichinho ia se sentar numa calçada e talvez morrer sem socorro.

Garanto uma coisa: aquele motorista vai se recordar prá sempre da minha vizinhança, da velha descontrolada gritando no meio da rua...

Naquela noite minha Naninha não veio prá casa - tinha plantão de varar a noite. Não mandei prá ela nenhuma mensagem contando o ocorrido, prá não preocupá-la.

Ela chegou em casa eram mais de oito da manhã do sábado. Meu marido tinha marcado revisão no carro dela e também no dele - troca de óleo, pastilha de freio, essas coisas - e ela tinha uma consulta de ginecologista marcada há muito tempo, que não podia ser desmarcada.

Fui com ela de ônibus - sem a pobrezinha ter dormido nada, cansada... Eu, de bengala, meu joelho esquerdo tá cada dia pior e só tenho consulta em 9 de novembro...

Chegamos no Hospital Nipo Brasileiro faltando 5 minutos prá hora marcada. Na porta da Clínica da mulher tinha uma cachorrinha rondando, prá lá e prá cá e a Naninha fez carinho nela. 

Passada a consulta, quando estamos saindo na porta, a cachorrinha nos esperava - e nos seguiu. Fomos andando até a Clínica de Acupuntura, prá eu levar prá minha médica uma garrafa de licor de jabuticaba que eu fiz prá ela... Na porta, a cachorrinha continuava nos esperando. Aproveitou alguém entrando e entrou junto - indo nos procurar lá dentro!

Descobrimos que ela não tem dono e por ali todo mundo a conhece. Uma viralatinha dócil e carinhosa, a quem todo mundo dá um trequinho prá comer e que dorme na rua.

A Naninha fazendo carinho, se desmanchando com a bichinha, dizendo que - se estivesse com o carro dela - ia levar a cachorrinha prá casa, prá fazer companhia prá Bulma.

Nessa hora meu celular toca e meu marido diz que já buscou o carro e que vai vir pegar a gente. Feliz eu digo prá Naninha que a gente vai levar a bichinha prá casa...

-"Mas e o papai, mãe? Ele não vai brigar?"

-"Vai. Mas ele tá me devendo..." - eu respondi baixinho, só prá ela ouvir (e ela entendeu meu recado, pois durante o trajeto de ônibus ela tinha se inteirado de toda a história do dia anterior...).

Na clínica todo mundo ficou feliz, tanto a doutora quanto as recepcionistas, a enfermeira, os pacientes regulares - que já viram várias vezes a bichinha por ali.

"Deus abençoe!" "Finalmente alguém vai adotar ela!"

Ela veio no colo da Nana. Está com sarna, com vermes, mas não está desnutrida. Meu marido reclamou - mas ele não é mal, pelo contrário. Só tá ficando velho, rabugento e talvez um tanto preconceituoso... Prá isso que ele precisa de mim, mais do que da minha comida ou do meu cuidado: eu sou ótima dando chacoalhões nele.

Vai aceitar a cachorrinha SIM. Fiz ele comprar remédio prá sarna, sabão prá dar banho nela - e meus filhinhos, todos felizes, deram um banho morninho de chuveiro nela logo que ela entrou em casa (incluindo a Naninha, tão cansadinha, mais de 24 horas sem dormir...).

Esta noite ela chorou várias vezes, estranhando o novo lar. Normal, logo passa.

Ainda não demos nome e assim que eu achar o recarregador de bateria da minha câmera eu tiro foto prá mostrar a nova integrante da família.

Ainda fico triste, mas não estou chorando mais. Só vou ficar olhando prá fora do portão, aguardando os dias pro Farruscão vir dar umas bandas pela minha vizinhança novamente...
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