Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Dulce



Quer nome mais meigo, que mais que todos evoca doçura? 

Pois é: assim mesmo ela era. 

Evangélica, sempre a vestir saias bem abaixo dos joelhos, lenço amarrado na cabeça - não importando a ocasião - um jeitinho tímido de falar, sorriso discreto...

Mas não se diz por aí que não se pode julgar o livro pela capa? Que as aparências enganam? Pois eu já devia estar escolada - afinal já havia trabalhado com uma moça de mesmo nome, que de doce não tinha nada...

Dulce começou a trabalhar na minha casa no estilo "prá ontem", pois uma outra empregada havia sido mandada embora (depois de me afanar uma porção de coisas...) e lá estava eu toda atrapalhada, filhos pequenos que ainda não frequentavam a escola, afazeres de casa se amontoando uns por cima dos outros, trabalhando fora... 

O Marildo a trouxe encomendada por um amigo dele, "Joe" - apelido americano prá um jardineiro demais de brasileiro, boa pessoa - mas sossegado demais prá se dar bem na vida no que quer que fosse. Mas, como eu disse, boa pessoa - isso é que importava. 

Dulce se provou ser uma excelente doméstica, extremamente eficiente: ao chegar em casa por volta das treze horas tudo estava brilhando, cheirando limpeza, agradável demais da conta. Daí ela ia pro tanque ou pro ferro de passar roupas - que nunca mais se acumularam...

Umas duas semanas depois que começou ela me veio com um pedido: sua filha (sua única...), que tinha a idade regulada com as minhas, estava de favor na casa de uma vizinha - que agora não podia mais tomar conta dela, pois arranjara emprego...

Me pediu - com a cara mais humilde do mundo - se podia trazer a menina junto pro trabalho, até arrumar quem ficasse com ela...

Eu - inocente que eu era naquele tempo, só não amarrava cachorro com linguiça, mas de resto... - deixei, falei que podia! Pensei que seria bom meus filhinhos terem uma companhia prás brincadeiras - na nossa vizinhança tinham sido frustradas as tentativas de fazer amizade, uma criança até me disse na cara que sua mãe não queria que ela brincasse na minha casa porque eu era "nojenta"...

E assim foi: quando a Dulce chegava, por volta das oito da manhã, eu já estava no trabalho desde as sete horas. Ela era recebida pelo Marildo, preparava café da manhã prá ela e prá filha (os meus eu mesma alimentava antes de sair de casa, como sempre foi e será, se Deus quiser...) e fazia o serviço pelo qual a pagávamos.

Pouco mais de um mês depois que ela começou cheguei mais cedo em casa, pois havia passado mal no trabalho, com febre. Ao girar a chave na fechadura do portão me aparecem dois dos mais lindos rostinhos na janela - a Nana e a Lola - agoniadas, desesperadas, falando: "Mamãe, mamãe! Solta a gente! A Nana quer fazer xixi!!!"

Quando entrei na casa - apressada - já a encontrei brilhando, o chão encerado e lustrado, o cheirinho de pinho sol a vir do banheiro e, sentadinha no sofá comendo biscoitos estava a filha da Dulce, assistindo desenhos. Do lado de fora do meu quarto a chave enfiada na fechadura, deixando lá dentro trancados meus filhos...

Quando abri a porta a Lola me abraçou, feliz - a Nana correu pro banheiro. O Ike, ainda tão pequeno, com apenas três aninhos, estava triste, a carinha lavada de choro.

-"Cadê tua mãe?" - perguntei prá menina, que, com cara azeda, não me respondeu nada, continuando a lamber o recheio da bolacha...

-"Oi, Dona Rosa! chegou cedo...".

-"Dulce, porque meus filhos estavam trancados no quarto?"

-"Ah, foi só enquanto eu encerava a sala, não queria eles escorregando na cera...".

Minha Lola, firme como uma mocinha, sempre muito bem articulada desde que aprendeu a falar, me disse assim:

-"É mentira, mamãe. Todo dia ela tranca a gente, mesmo quando não encera. Só quem pode ver desenho é a filha dela. Nem biscoito ela dá prá gente...".

-"Mentira, Dona Rosa! A menina tá inventando! Imagina se eu ia fazer isso com as crianças, é que elas não sabem se comportar, ficam andando em cima da cera molhada, iam acabar manchando o sofá!".

Mas eu bem sabia os filhos que havia criado... 

Perguntei prás minhas filhas - pois agora a Naninha já tinha voltado:

-"Todo dia ela tranca vocês no quarto?"

-"Todo dia, mamãe, desde antes de trazer a filha dela. Ela até disse uma vez que odeia criança, que só gosta de trabalhar em casa vazia!"

-"Vocês nunca brincaram com a filha dela?"

-"Ela até empurrou o Ike, chamou ele de branquelo azedo, mamãe!"

-"E por que vocês não me contaram nada?!"

Os pobrezinhos olharam uns pros outros e daí a Lola falou assim:

-"É que ela disse que, se a gente contasse, ela ia acabar com a nossa raça..."

O rosto que antes me parecia tão doce da Dulce se transmutou numa caratonha de raiva! Foi como se tirasse uma máscara, parecia até outra pessoa, saída de um filme de terror!

-"Menina mentirosa! Eu não falei nada disso! Essa menina tá merecendo umas palmadas, Dona Rosa, prá deixar de inventar esses absurdos!".

O sangue me subiu na cabeça, o coração me batia nos ouvidos. Me lembro de duas vezes na vida nos quais perdi totalmente a compostura, a noção de ser filha de Deus e de ter que me comportar de modo condizente com isso - essa foi uma delas. Virei um bicho, uma leoa: se eu tivesse dentes pontudos, teria pulado na jugular daquela mulher!

-"Pega tuas coisas e some da minha casa, sua *&¨%$$#@! Nunca mais me apareça pela frente, senão eu é que vou acabar com a tua raça!"

Falei todos os palavrões que eu sabia, apanhei a vassoura prá ameaçá-la e fui - com a vassoura - enxotando ela e a menina até o portão da rua. Deu prá ver medo nos olhos delas, eu devia estar assustadora!

Ao abrir o portão eu ainda disse: "Nem se atreva a aparecer aqui prá receber o que eu te devo: meu marido vai te levar lá onde você mora. Nunca mais quero ver a tua cara na minha vida!"

E assim foi feito. Quando o Marildo chegou contamos prá ele o ocorrido e ele, chamando o Joe, mandou por ele o dinheiro que devíamos prá moça. 

Meus filhinhos, como era de se esperar, ficaram muito orgulhosos de mim pelo modo violento como me comportei - de vez em quando, ter calma e ter classe é um comportamento totalmente descabido. Às vezes, na vida, a gente tem que reagir à altura - até Jesus, que era Jesus, derrubou mesas e expulsou os vendilhões do Templo...

Dulce foi a última empregada que tive, a última das minhas decepções. Antes dela houve um desfile de outras, preguiçosas, desmazeladas, mal intencionadas criaturas que se infiltraram na minha vida me trazendo mais dores de cabeça do que sossego nas tarefas do lar.

E agora, aqui dentro de casa (até mesmo Tia Joanita, com seus telefonemas...), essa campanha prá me fazer voltar a viver situações que rejeito com todas as minhas forças: não me importa o cansaço, as dores no corpo. 

Sei que todos se preocupam comigo, querem o meu bem, querem me poupar... 

Mas não me interessa ter mais tempo prá mim mesma, pros meus artesanatos, se eu corro o risco de trazer prá dentro da minha casa uma pessoa e seus problemas.

Em primeiro lugar está minha paz de espírito. 

Que Deus me dê forças prá não passar por situações assim nunca mais...

segunda-feira, 2 de março de 2015

E assim foi a semana:

Tumultuada - prá dizer o mínimo. Mas antes, algo bonito prá inspirar vocês (e impedir de irem embora, pensando que hoje é dia de queixas...):




Linda, não é mesmo? E uma raridade: feita a partir de linhas que não fabricam mais. Numa das minhas passeadas pela loja Alvorada, na rua Padre João, elas gritaram meu nome na gôndola dos saldos: um novelo de linha Ibiza laranja e dois novelos de linha Jolie, uma laranja e outra amarela. Sempre me pergunto: porque diacho a pessoa que comprou os últimos novelos não levou todos? Porque deixou um coitadinho prá trás, assim, abandonado? Eu sempre acho o que fazer com as sobras... 

Comprei cada novelinho por meros 3 reais - e, como eu disse, foram três - juntei com uma sobra que eu tinha (muito antiga, já amareladinha...) de linha Brisa verão branca (usada dupla, prá acompanhar a espessura das outras linhas...) e TCHARÁM! Uma regatinha linda, com brilhinhos - que o Marildo disse ser a mais linda blusa que eu já fiz (o que não é pouca coisa, pois ele é demasiado econômico nos elogios...).

O ponto é o mesmo desta blusa AQUI

Prá dar uma ideia de como foi feita a blusa eu tirei umas fotos das partes antes de costurar: 



Qualquer boa crocheteira, só de olhar, consegue ver quantas carreiras tem, quais as diminuições necessárias e, a partir daí, fazer a blusa.

Aposto que você, que não sabia o que fazer com suas sobras, ficou inspirada - não ficou? 

E daqui a pouco o inverno taí - uma blusa de frio, feita de sobras e usando esse ponto, com mangas compridas, vai ficar um espetáculo (e ninguém vai achar que foi feita de restos, pois parece intencional toda essa belezura. Você diria que a minha foi feita assim???).

Agora a semana. Até daria prá ter sido assim:


Mas tem várias diferenças: apesar de ter banheira em casa, não a uso há anos! Comprada a muito (muito mesmo!) sacrifício há mais de vinte anos, prá que eu tomasse banhos de imersão com arnica (por causa das dores do reumatismo) jaz abandonada no banheiro dos fundos, esquecida e sem nenhuma utilidade... Não que não tenha mais dores - paciência é que me falta, de perder tempo precioso fazendo nada. Descanso mesmo assistindo desenho e ocupando as mãos, que essa coisa de ficar cozinhando dentro da água não é mais prá mim... Além do mais, quando preciso desabafar, tenho linha direta prá falar com Deus mesmo, é prá ele que eu choro as pitangas...

Semana de andar com a mãezinha pelo médico, arrastando comigo o mundo: uma bolsa enorme com lanchinho, suquinho, papel higiênico, lencinho umedecido, chocolate, água, crochê (levei a blusa de cima da postagem e fui dando o acabamento no decote, na barra...). Tudo andando de transporte público - peguei aquele toró da semana passada - mas protegi a velhinha. Cheguei em casa encharcada, molhada de água de valeta até na alma...

E isso tudo meio adoentada eu mesma, mas sem contar prá ninguém senão não me deixavam andar com minha mãe, iam dizer: "Mãe, você não tá boa! Fala prá um dos teus irmãos ir no teu lugar!". Mas, aí é que tá: primeiro é meu privilégio acompanhar a velhinha - ela não é eterna e, enquanto está aqui, merece toda a atenção do mundo. Não quero carregar arrependimentos, é uma bagagem pesada demais prá uma vida... Segundo: eu sou dona de casa, me viro e arrumo tempo.

A pior parte da semana foi o ultimato: o Marildo e os filhos querem porque querem contratar empregada - então eu estou tentando provar que ainda consigo levar a casa sozinha, sem ajuda. Não quero - de jeito nenhum! - uma pessoa prá fazer o serviço de qualquer jeito, quebrar minhas coisas, afanar o que puder e ainda ser paga por isso. Minhas últimas experiências com empregadas não foram nada boas, não quero repeteco na minha vida. Então: "dá-lhe" analgésico e lavação de azulejo, que enquanto eu puder resistir e dizer não, vou fazer isso.

Me desculpem a falta de respostas nos comentários, a falta de visita nos blogs... Prioridades, sabe como é... Se eu dormir menos do que já durmo vou virar turnos...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ponto lindo!



Que eu fui meio que inventando enquanto fazia, fotografando tiquinho por tiquinho - prá não esquecer o que havia feito... - e assim já tenho as costas de uma blusa. 

Mas como ela vai demorar um pouquinho prá ficar pronta e como eu tava louca de vontade de postar algo novo e lindo, aqui vai o pap do ponto:

Eu o chamei de Losangos e Ilhas.

Os losangos são os rendados, os que tem furinhos. Começa com 15 agulhas em trabalho e duas fora do trabalho - repete na extensão total da blusa. Como não dá prá centralizar os 15, centralizei as duas agulhas que não trabalham  no número "0" (esses espaços formam os desfiados entre os losangos e as ilhas). 

Usei linha Anne Brilho branco/prata na regulagem 10 na minha máquina (Elgin 840).

Eis os losangos:


E as ilhas:


Agora espia como é que faz:

Centralizando no "0" tire duas agulhas fora da posição de trabalho. Deixe 15 agulhas em trabalho de cada lado, mais duas fora e assim por diante. As duas agulhas fora do trabalho serão os desfiados e cada grupo de 15 vai formar um losango.

Lace essas agulhas fazendo um "e" com a linha em volta de cada uma delas, começando da esquerda prá direita. Enfie a linha no carro da máquina e teça duas carreiras. Repare que onde as agulhas estão fora do trabalho o fio não foi tecido, ficou reto. Isso vai formar o desfiado.

Comece a fazer o rendado, transportando os pontos conforme indicado nas flechas amarelinhas. As agulhas de onde você tirou os pontos sempre continuam em trabalho quando você quer fazer o rendado, assim quando passar o carro elas vão tecer - e como estavam vazias fica um buraquinho que forma esse rendado.

Veja como ficou: as agulhas que estavam vazias e em posição de trabalho voltaram a ficar cheias, mas logo abaixo delas ficaram os buraquinhos. Faz isso de novo, igualzinho antes.

Continua tudo igual: 15 agulhas em trabalho em cada losango, duas agulhas fora da posição formando desfiado e algumas agulhas vazias prá fazer o rendado. Teça mais duas carreiras.

Agora vamos começar a formar o losango, afunilando ele. Passe o ponto de cada extremidade do losango prá agulha mais próxima do lado de dentro, como indicam as flechas amarelas.

Ao mesmo tempo que afunilou o losango, faça o rendado que fica na beirada dele: passe o ponto mais próximo da beirada também para ela - ficam 3 pontos em cada agulha da ponta do losango. Ao mesmo tempo, agora, cada desfiado é composto por 4 agulhas fora do trabalho...

Mais uma vez: os pontos da beirada vão prá dentro, estreitando o losango. Temos agora 6 agulhas vazias no desfiado.

E não esqueça de fazer o rendadinho da beirada - cada agulha externa do losango fica com 3 pontos.

Só que, antes de tecer, vamos começar a fazer a "ilha". No meio daquelas 6 agulhas fora do trabalho puxe as duas centrais bem prá frente, como mostra a foto.

Passe o carro da máquina da direita prá esquerda e veja o que acontece: aquelas duas agulhas solitárias querem voltar a tecer por causa da posição em que você colocou elas - só que, como elas estavam vazias, o fio apenas ficou sobre elas, não teceu coisa alguma...

Prá tecer mesmo você tem que envolver cada agulha com o fio, dando uma torcida nele. 

Faz um "e" com o transportador de 1 ponto e coloca esse "e" na agulha. 

Olha só como fica...

Empurra essas agulhas que tem os "e"s prá frente, senão o carro não tece elas...

Depois que teceu olha como a ilha começa a se formar - parece bigodinho de gato... Continua afunilando o losango do começo, mudando os pontos da beirada prá dentro, criando o furinho (sempre deixando as agulhas da extremidade com 3 pontos...) e tirando uma agulha fora do trabalho de cada lado. AO MESMO TEMPO faça crescer a ilha, puxando de volta prá posição de trabalho mais duas agulhas, uma de cada lado..

Novamente ficam agulhas onde o fio somente se deitou sobre elas e não teceu...

Faça os "e"s com o transportador...

Empurre essas agulhas prá frente...

e teça.

E esse trabalho continua: afunila o losango, continua fazendo os furinhos rendados, continua aumentando 1 ponto de cada lado da ilha.

Enrolando o fio nas agulhas...

E tecendo - moleza, né?

Diminui uma coisa, aumenta outra, põe agulha prá frente.

Duas coisas que acho lindas demais nesse ponto: repararam que os desfiados não ficam retos quando a gente tá aumentando  pontos? É por causa dos "e"s, dos fios torcidos nas agulhas. Fica meio uns vértices, acho muito lindo. Também adoro esse vão enorme que fica embaixo da ilha...

Tá quase acabando o losango: só falta um furinho do rendado, uma diminuição de cada lado - ele termina quando tiver apenas 3 pontos, 3 agulhas em posição de trabalho.

Faça o furinho central do losango, aumente mais dois pontos - um de cada lado de cada ilha.

Teça duas carreiras - agora o losango inicial, que tinha 15 pontos, ficou só com 3. A ilha, que antes não existia e que começou com 2 pontos puxados prá frente, agora tem 10 pontos.

Teça mais quatro carreiras sem mexer em nada - sem aumentar nem diminuir. Isso prá prá dar um pouco mais de "terra" à nossa ilha recém surgida do oceano de desfiados...

Agora é fazer o caminho inverso: afunilar a ilha e fazer ressurgir o losango. Diminua um ponto de cada lado da ilha, passando ele prá dentro e tirando as agulhas prá fora da posição de trabalho e traga prá frente um ponto de cada lado dos 3 do losango. 

Losango = 5 pontos, Ilha = 8 pontos.

Continue aumentando, diminuindo, fazendo "e"s...


Losango =  7, Ilha = 6

Losango =  9, Ilha =  4.

Nesse tempo todo repare que as canaletas permaneceram sendo feitas com apenas 2 agulhas fora da posição de trabalho  EXCETO naquela hora em que a gente tava diminuindo o losango no início, prá formar a ilha. Nessa hora o desfiado passa de 2 para 4 e depois para 6...

Losango = 11, Ilha = 2. Tá quase na hora de afundar essa ilha...

Não tá ficando lindo? Olha que desfiados mais zig-zag... Tece 4 carreiras, prá fazer o losango que tá na metade ficar mais compridinho.

Nessa hora o desfiado vai dar uma momentânea diminuída: aumenta mais um ponto em cada extremidade do losango, sem mexer ainda na ilha. Losango = 13, Ilha = 2, Desfiado = 1. Tece duas carreiras.

Agora afunda de vez a ilha: passa os dois últimos pontos dela, um prá cada losango do lado, deixando duas agulhas vazias e fora da posição de trabalho entre esses losangos.

Tece duas carreiras - agora cada losango voltou à formação original de 15 agulhas em trabalho com espaço de duas vazias nos meios.

Agora é só voltar lá pro começo e fazer tudo de novo - os dois buraquinhos de cada lado do losango (duas vezes, que assim ficam quatro buraquinhos de cada lado...), depois vai afunilando os losangos, então faz surgirem as ilhas...
Parece complicado, mas não é. Só precisa de duas coisas: paciência e atenção. Não é o tipo de trabalho que sai num instantinho da máquina, como aqueles feitos com cartelas - aliás eu nem sei se em máquina doméstica dá prá fazer isso com cartela (acho que não, por causa dos pontos que a gente tem que criar a partir das agulhas que não estavam trabalhando...). Mas é um trabalho que fica lindo, delicado, uma renda mesmo. Um ponto maravilhoso prá se esbanjar numa blusa, numa saída de praia esvoaçante - até num xale...

Vai lá: pega um tantinho de fio, imprime o pap e mãos à obra! Vai fazer renda!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...