Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cuidando do que realmente importa...


Há mais ou menos três semanas atrás, mais precisamente dia 5 de maio - uma terça feira - o Marildo voltou do barbeiro se queixando de fortes dores nas costas. 

Toda terça feira ele frequenta o mesmo barbeiro, mas somente desta vez voltou se queixando de dores. Dei prá ele um relaxante muscular dos que eu uso, prometi fazer uma almofada prá ele levar no carro prá se acomodar melhor na cadeira quando fosse cuidar do cabelo e da barba (belamente esculpida, por sinal...) e fomos dormir - pelo menos eu fui...

O pobrezinho passou a noite acordado, tentando achar um jeito de se acomodar na cama, atormentado de dor... Dei umas gotas de novalgina mas só lá pelas quatro da madrugada é que ele conseguiu dar uma cochilada.

Quando me levantei - às 04:40 da madrugada, como é meu costume prá cuidar do café da manhã da Naninha e levá-la até o metrô - ele se levantou junto, tomou um banho rápido e disse que, após deixarmos nossa filha na Estação Penha, ele iria pro Pronto Socorro do Hospital Nipo Brasileiro.

Agarrei uma sacola com um tricô e fui junto - por companhia e por preocupação.

Pegamos uma senha pro Clínico Geral e uma pro Ortopedista - ele achando que era muscular, eu querendo investigar se não seriam pedras nos rins novamente (pois ele já havia feito duas litotripsias, tempos atrás...).

Ele não me deixou entrar em nenhuma das duas consultas - disse que não era criança e que não precisava de assessoramento. Saiu do clínico com absolutamente nenhuma providência - o médico não fez um exame de urina prá detectar sangue ou infecção, nenhum exame de sangue, nada! Disse que era caso de ortopedista - e lá foi ele, se consultar com o outro médico - que, sem pedir sequer uma radiografia, prescreveu relaxante muscular e anti-inflamatório, disse que a dor ia passar com os dias... 

Ah, passou uma ressonância magnética, a ser autorizada no convênio e ser feita futuramente...

E foi assim: ele tomando os remédios nas horas certas, usando bolsa de água quente, passando pomada - e nada da dor passar (muito pelo contrário - só aumentava...).

Ele não dormia - e por tabela eu também não... - mas não perdia um dia sequer de trabalho...

Quando se acabou o tempo dos medicamentos, ele começou a urinar rosado: era claro que não era muscular e então lá fomos nós de novo ao Pronto Socorro - de madrugada mais uma vez, já que depois das sete horas da manhã aquilo vira um formigueiro!

Estava sendo atendida a senha 30 - e a nossa era 69 (ia demorar à beça...). Arrumamos um lugar prá sentar, eu deixei com ele minha sacola de tricô e fui na enfermeira (ele ficou bravo comigo, mas eu estava doida de preocupação...).

-"Moça, meu marido não dorme há uma semana de dor e tá urinando com sangue, não tem jeito de apressar o atendimento dele?"

A moça - muito cortesmente - me disse que já, já meu marido seria atendido, que eu aguardasse a minha vez (muito obrigada por nada...).

Sentado do lado do meu marido um rapaz se ofereceu prá trocar de senha com a gente - acho que de ver minha preocupação (esse mundo tem gente boa, tem mesmo!).

Quando foi chamado o novo número (o pobre do rapaz perdeu 20 lugares!!!) meu marido ME MANDOU ficar sentadinha no meu lugar, que ele não era criança, sabia conversar com a enfermeira sozinho! Eu esperei ele entrar, se sentar, me esgueirei devagarinho e fiquei atrás da porta, escutando...

-"Então, o que o senhor está sentindo? Está com dor?"

-"Estou com um pouco de dor e..."

"Um pouco de dor!" - eu pensei - "Ah, esses homens e seu orgulho em admitir fraqueza...". Apareci na frente deles e disse:

-"Um pouco de dor nada! Ele não dorme faz uma semana! Só ontem à noite tomou 2 Tilatil e 3 Cetoprofeno, dava prá derrubar um cavalo! E ainda tá fazendo xixi com sangue!"

Ele me olhou tão feio, mas tãããõ feio!!! Pelo olhar era prá eu ter saído de perto, fugido prás montanhas, mas corajosamente (pois eu sou muito corajosa - diga-se de passagem) eu permaneci no meu posto de esposa intrometida, bem ali do lado dele. 

A enfermeira mediu a pressão (que tava altíssima! - coisa totalmente nova, pois ele tem a pressão normal), mediu a temperatura (e ele estava com um pouco de febre) e falou prá ele se sentar e aguardar o chamado da moça que faz a ficha.

Fomos nos sentar e ele ficou implicando comigo, dizendo que eu fiz errado, que ele é um homem adulto e não precisava que eu me intrometesse...

A atendente chamou prá fazer a ficha e ele disse: "Fica aí quietinha, nada de vir atrás de mim, ouviu?!" - irritadinho (mas eu perdoei, pois sei bem como é chato estar sem dormir e cheio de dor...). Obviamente não obedeci.

Lá estava ele fazendo a ficha, entregando documento e carteirinha do convênio e eu surgi do nada (de novo!) e falei prá moça que tinha que atender logo meu marido, pois ele estava com dores e urinando sangue. 

Ele me matou e enterrou com os olhos, a moça disse que a enfermeira já tinha priorizado o atendimento dele e eu voltei prá cadeira junto com ele, levando bronca bem baixinho (as mais perigosas das broncas, as feitas rilhando os dentes - ô homem mau, marido desnaturado!).

O "coisa ruim" foi chamado pelo médico quase de imediato - e não me deixou entrar junto. Falou até pro segurança que "a esposa dele não precisava entrar, ela vai ficar sentada na recepção fazendo tricô"...

Magoei. Tentei fazer tricô, não consegui, tentei prestar atenção no telejornal matutino da Globo, também não consegui...

Ele apareceu e me disse que o médico suspeitava que era pedra nos rins (coisa que eu suspeitei antes, prá variar...), pediu exame de sangue, urina e até tomografia de urgência! A dor que ele sentia era tanta que deram injeção de analgésico e não funcionou - as orelhas dele estavam até roxas!

O exame de sangue deu muito anormal, ele tava com infecção. Tinha açúcar na urina numa quantidade absurda, como se ele fosse diabético; tinha sódio como se ele tivesse comido um quilo de sal! Creatinina nas alturas, os rins dele não estavam filtrando o sangue, não estavam trabalhando...

Na tomografia foram detectadas duas pedras, do tamanho de ervilhas, bloqueando dois lugares dos rins - uma delas no caminho da bexiga...

Resumindo - que eu já cansei vocês com detalhes: cirurgia de emergência, mas não tinha vaga no hospital, todos os leitos estavam ocupados. 

Saí de lá às 10 horas da noite (tendo chegado de madrugada daquele mesmo dia!) deixando ele sentado numa cadeira, tomando soro, aguardando uma vaga. Meu filho nos levou prá casa - eu e as meninas, pois estávamos todos no hospital, desesperados. Cada um deles, quando soube, abandonou estudo e trabalho prá ficar com a gente... 

Meu moleque voltou pro hospital prá ficar com o pai e a vaga havia surgido - graças à Deus!

Foi uma briga - nós quatro queríamos ficar com ele no hospital. Eu porque sou a esposa, a Nana porque tá fazendo Medicina, a Lola porque só estuda e podia fazer isso tranquilamente no hospital e o Herkins porque é o mais alto e forte e podia ser de maior ajuda. Ganhou ele. 

Eu, em casa, não conseguia dormir à noite. O quarto parecia escuro e frio, a cama era enorme e gelada. Até os roncos dele me fizeram falta... A Nana faltou na faculdade  - primeira falta em 4 anos!

Acordei, dei o café da manhã das meninas, fiz bem cedo o almoço, fiz marmita pro meu filho (que engana a gente: diz que tá se alimentando, come só um pão de queijo e deixa por isso mesmo...) e fomos de ônibus pro hospital, aguardar a hora da cirurgia.

Burlamos a vigilância do hospital e ficamos os cinco juntinhos - só podia um acompanhante e quatro visitas, um ia ter que ficar de fora...

A cirurgia, que deveria levar uma hora e meia, levou quase 6. Rezamos o tempo todo - meu filho até disse que encarrilhava um Pai Nosso no outro, a ponto de não ter mais nenhum pensamento... Mas deu tudo certo, como Deus quis.

Ele se recuperando no hospital, eu em casa sem dormir de noite, tendo que ir de ônibus pro hospital... Se não era comigo, ele não se alimentava: vinha o café da manhã, ele bebia apenas um gole de suco, não tocava no pãozinho, na bolacha... Eu dava prá ele o almoço na boca, de colheradas, igual criancinha - comigo ele comia...

Como são frágeis os homens! Tenho certeza de que, por isso, Deus nos escolheu prá carregar os filhos no ventre: eles podem ter a força física e os músculos, mas o sexo forte somos nós!

Cuidei dele, cuidei de todos - não faltaram roupas limpas e passadas, comidinha de mãe, mesmo com as noites sem dormir. Mesmo com minhas próprias dores...

Ele em casa, se recuperando de licença, encarrapichado em mim, andando devagarinho pela casa à minha procura o dia todo - no tanque, na pia da cozinha, passando roupa... Dizendo que não sabe o que faria da vida sem mim...

De almoço pedindo um pratão de batata frita com queijo ralado, igual criança...

Meu "filho mais velho", o que me dá mais trabalho...

Assim que der volto no ritmo. Assim que tudo o que realmente importa na vida estiver novamente em seus eixos.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

No Fundo do Poço



Minha irmã Cida tinha acabado de fazer 4 anos dia 31 de dezembro - no mesmo mês, no dia 3, eu tinha feito 5... Era dia 14 de janeiro.

Minha avó - que era quem cuidava da gente, fazendo comida, lavando toneladas de fraldas... - estava fora de casa desde o Ano Novo: sua irmã mais nova, Maria, estava doente demais, todo mundo dizia que ela tava morrendo... Minha avó estava na casa da irmã, prá tomar conta dela.

Essa era minha avó: quem quer que precisasse dela, podia contar como certo que ela ia ajudar. Justamente essa irmã, que havia tratado minha avó com tanto desprezo por toda a vida (pelo fato de minha avó não ser casada com meu avô - coisa que, naquele tempo, era certeza de ser mal-falada na família e em toda parte e praticamente uma sentença de eternidade no inferno depois da morte...) agora ali estava, dependendo totalmente dela...

Sim, porque mesmo tendo sido muito rica, agora minha tia-avó Maria se encontrava abandonada pelos filhos... Relegada à menor de suas casinhas, num buraco obscuro da Zona Leste, sem asfalto, meio do mato mesmo...

Acamada, abandonada - só não estava sozinha porque minha avó estava com ela, dando banho na cama, comida na boca...

Mas minha avó também não tinha boa saúde, já estava com quase oitenta anos - fazia o que podia...

Foi então que minha mãe, naquele 14 de janeiro, pegou eu e minha irmã Cida e disse que a gente ia passear - de manhã, bem cedo, ainda nem sete horas eram... Deixou com nossa vizinha Dona Elídia minha irmã Fátima, de 3 anos, e meu irmão Tato, bebêzinho de berço. Dona Elídia era uma santa, adorava criança, sempre engravidava e perdia - custou muito prá conseguir um filhinho... Cuidou dos meus dois irmãos com toda a boa vontade...

Pegamos ônibus - e ficamos enjoadas o caminho todo... 

A pior parte foi passar debaixo da linha do trem, lá na Celso Garcia: tinha o Cruzeiro, onde as pessoas viviam acendendo velas (e as paredes ficavam bem pretas por causa disso...), deixando imagens de santos, flores (minha mãe dizia que era em homenagem aos que morriam atropelados pelo trem - e isso me dava pesadelos...).

Chegamos na casa da tia Maria por volta das 8 da manhã e a melhor parte foi rever minha avó - que saudades!!! Parecia que faziam anos que eu não a via, até doía o peito... Prá minha mãe também, foi tanto abraço e beijo!

Minha mãe foi prá lá prá ajudar minha avó: tinha muita coisa prá fazer... Deixou eu e a Cida brincando no quintal e foi pro tanque lavar toneladas de lençóis sujos, cobertas... Lavou banheiro, esfregou o chão da casa... Comemos pão com ovo, brincamos mais um pouco, cochilamos numa coberta estendida no chão...

Anoiteceu e chegou a hora da gente voltar prá casa - tia Maria deitada na cama, tão pálida e tão fraquinha, os cabelos branquinhos ressecados igual cabelo de boneca velha, que muito foi penteada... 

Beijamos minha avózinha amada e saímos prá noite, cada uma levada por uma mão da minha mãe - que estava no começo de mais uma gravidez, a do meu irmão Leonardo...

Como já era muito tarde minha mãe resolveu cortar caminho por um terreno abandonado, que nem cerca tinha. Mato alto, pinicando minhas perninhas de vestido na altura dos joelhos. 

De longe, pouco mais da distância de uma quadra, uma casa tinha muitas luzes acesas e se ouvia burburinho de vozes e música - alguém fazia uma festa...

Um inseto começou a andar na perna da Cida e ela largou da mão da minha mãe prá espantá-lo e então...

Não sei como foi, só sei que foi esquisito demais: o chão desapareceu de onde devia estar. Não tinha mais chão no chão... Acho que eu caí primeiro, porque eu tava mais embaixo. Apertada na minha estava a mão da minha mãe que eu não parei de segurar - mesmo com os matinhos me pinicando na caminhada (e essa foi a minha sorte!).

O buraco parecia sem fundo, minha mãe segurando na borda dele, desesperada gritando pela Cida, eu me balançando mais embaixo e batendo o corpinho nas paredes ásperas daquele negócio...

-"Cida! Filha! Vai prá algum lugar que tenha luz, pede socorro, pelo amor de Deus!!! Vai naquela luz que tem música, vai pedir ajuda na festa!" - disse minha mãe, a voz escondendo o medo que era meu...

O tempo que passou foi eterno. Escuro. Apavorante.

Mas teve fim, como tudo tem fim no mundo. Mãos salvadoras ergueram minha mãe do buraco - e eu subi junto, pois ela jamais largou da minha! Fomos levadas por várias pessoas até a tal festa, onde nos cercaram preocupados e um monte de gente falava coisas como: "Já deviam ter fechado esse poço!" "Quase que aconteceu uma tragédia!" "Que sorte uma das meninas não ter caído, foi a salvação delas!!!"...

Pois é: que sorte... Porque se minha irmã também tivesse caído, minha mãe não tinha conseguido salvar as duas... 

O poço - pois era esse o caso do buraco, um antigo poço de água abandonado de outros tempos... - tinha mais de treze metros de fundura. 

Minha irmã Cida demonstrou um sangue frio e uma presença de espírito enorme prá uma menininha de apenas quatro anos: rua sem iluminação, chegou na casa seguindo apenas as luzes da casa em festa - ou talvez tenha sido guiada por um anjo, vai saber...

Minha mãe mais uma vez me deu a vida, me segurando na boca de um poço - mãe quando é boa, é boa mesmo...

Mas - diga-se de passagem - Deus esteve presente o tempo todo... 

Não duvido que foi Ele quem mandou aquele bendito inseto pinicar as pernas da Cida... 

Foi Dele que veio a coragem da minha irmã em ir buscar ajuda, se embrenhando no meio do mato...

Também foi Dele a força nas mãos da minha mãe e até mesmo a minha calma - apesar do medo. Lá, no fundo do poço, eu fiquei quietinha, sem gritar nem chorar, prá não preocupar ainda mais minha mãezinha...

As coisas que acontecem na vida da gente... O mato era alto, a gente ia sumir do mundo e ninguém nunca ia saber o que tinha acontecido - já pensou? No dia em que alguém decidisse construir naquele terreno talvez nem achasse o que havia sobrado da gente: iam jogar terra e entulho dentro, prá tampar o buraco e seguir com a vida...

Uma coisa é certa: a gente sempre pode contar com as pessoas que nos amam prá sair do fundo do poço...

terça-feira, 28 de abril de 2015

Fácil demais!!!




Esse tecido foi comprado no Varejão Chaves, prá fazer mais uma camisa levinha prás minhas filhas. Paguei 2 reais, era apenas um retalho...

Mais caro acabou sendo o forro: como "no meio do caminho" a Lola disse que achava ele lindo prá fazer uma saia de Pin Up, não dava prá fazer saia dele sem forrar - pois era transparente... Daí, na loja de tecidos ModaModa, do lado do Shopping Penha, comprei o tecido de forro mais baratinho que tinha - 5 reais... - e no armarinho comprei um pedaço de entretela das antigas, não colante e bem grossinha.

Cortei o tecido ao meio (de ourela a ourela), ficando com 2 panos. Usei um pano e meio prá fazer o rodado da saia, um pano apenas prá fazer o forro (menos rodado, senão achei que a saia ia ficar um paraquedas...) e, do outro meio pano de bolinhas, fiz o cós. 

Super simples de fazer, só unindo em círculo o tecido principal e o forro, franzindo ambos os tecidos separadamente na largura que estabeleci para o cós da cintura, alinhavei os dois juntos e preguei no cós.

Fiz bainha à máquina bem fininha no forro e à mão do lado de fora, bem caprichadinha como minha mãe me ensinou. O forro eu fiz 3 cm mais curto que a saia de fora e pronto! Uma saia linda de Pin Up!

Essa que tá usando a saia na foto é a Naninha, que pediu emprestada a saia da irmã prá ir dançar com o namorado - e falou que ficou o máximo, pois a saia rodava, levinha, acompanhando os movimentos dela... 

Se você quer fazer uma igual prá você ou prá bambina ou prá freguesa, saiba que é um ótimo projeto prá uma iniciante: algo que você não se mata tentando fazer, que dá um bom resultado, que não precisa ser fera no Corte e Costura prá arrasar e se sentir orgulhosa de seus talentos.

Ah, e eu achei um vídeo ótimo explicando como faz:



E - só prá arrematar - espiem o cabelo verde da minha Nana... Não ficou lindo? Adorei essa cor, já saiu mais da metade da tinta e ainda tá lindo demais. 

Acredita que um professor da faculdade veio implicar com ela? Disse que tinha que conversar com ela sobre "esse cabelo verde" e os de outras cores que ela vive pintando (azul, rosa...), que (como ela tem que ir toda semana estudar casos no Hospital Psiquiátrico...) os pacientes não podiam ver esse tipo de cabelo pois podiam surtar! Que - além disso - os pacientes do hospital regular onde ela vai no outro dia também acabariam duvidando da seriedade dela como profissional da medicina por causa dessas cores de cabelo... 

Ela ficou chateada, achando que no final da aula o professor ia intimá-la a cortar as pontas ou tingir... Mas aí, no decorrer da aula, ela (invocada) respondia todas as questões que ele propunha prá classe (ainda mais que nos dias normais, só por causa da invocação...), tudo certinho... Ele então disse: "Olha, acho que esse teu cabelo até que é uma boa... Talvez mais gente devesse pintar o cabelo assim também...".

He, he, he... Como se cor de cabelo fosse indicativo de inteligência... 

sábado, 25 de abril de 2015

Recém chegados!

Mais comprinhas maravilhosas feitas no AliExpress!!!

Mas quase todas foram compradas tipo de última hora, mediante ofertas recebidas por email - porque quando você compra, faz um cadastro, coloca teu email e daí eles ficam mandando ofertas de última hora, ofertas de feriado, de final de semana. 

Você clica e vai prá página especial das ofertas, dá uma checada e compra coisas pela metade do preço normal - às vezes até mais barato que isso. E como lá praticamente tudo é barato, fica absurdo de tãããão barato...




Vestido - de renda que estica, forrado, super macio... Só tinha dessa cor, só tinha um tamanho, por isso tava de oferta. Sorte que era o meu tamanho, então eu comprei prá mim - mas já destinei prá Naninha, pois ela ficou maravilhosa com ele - mas vou encurtar, ela tem pernas fenomenais prá ficarem escondidas... Paguei apenas 3 dólares, o que não chegou a dar nem 10 reais!!!

Óculos novos prá mim - que os meus estão pedindo arrêgo, a lente tá toda riscada, tem uns 8 anos de uso, já caiu do rosto... Paguei 3 dólares, também numa oferta de feriado... 



Ficou lindão na Lola, eu até ia dar prá ela - se ela quisesse... - mas ela disse que o enfeite dourado na lateral é coisa de "velhinha", então vai ser meu mesmo...


Pior que eu comprei porque achei lindo na atriz que faz a Hermione... 


Bolsa: custou menos de 5 dólares, não lembro quanto deu em reais. O material é surpreendentemente de boa qualidade, tem muitas divisórias, adorei - devia ter comprado duas, uma preta também...


E esses marcadores de carreiras de tricô, paguei apenas cinquenta centavos de dólar...

Adoro. Acabei de comprar toneladas de botões, não vejo a hora de chegar. Foi tipo 200 botões por 2 dólares, de diversos modelos e cores, mais outro saquinho de botões pequenos pretos, que sempre fazem um jeito, e também uns botões em formato de rosinhas, prá eu fazer uma blusa prá minha velha (que adora essas delicadezas...). 

É viciante comprar dos chineses, você começa a xeretar no site e não para mais... Bom demais, especialmente porque pode comprar com boleto, é muito mais seguro... 

Se gostaram dos produtos que eu comprei, aí vão os links: big-ofertas pro Brasil, meu vestido rendado, armação de óculos, bolsas (não achei mais a oferta da minha bolsa, mas tá cheio de bolsas lindas nesse link) e marcador de carreiras. Só prá vocês terem uma ideia, no Bazar Horizonte vocês acham uns clips prá marcar carreira a R$6,50 o pacote, mas vem com apenas 21 unidades e você paga uns 10 reais de taxa de entrega prá São Paulo - se for de outro Estado ainda é mais caro. Na China vem em torno de 100 marcadores por menos de 2 dólares, sem taxa de entrega...

Se eu fosse vocês, fazia o tal cadastro e sempre abria o email de ofertas: vocês vão se surpreender com as pechinchas mágicas!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Um retalhinho de nada!

Que estava no balcão de retalhos no Varejão Chaves, prá quem a maioria das pessoas torcia o nariz...

Ah, mas primeiro vejam o que fiz com ele:



Linda, né? Copiado o tamanho de uma outra regatinha das minhas filhas, costurada num instantinho na overloque nos ombros e dos lados, bainha feita na máquina Janome 2008 com ponto elástico e decote e acabamento dos braços feitos em viés pregado depois à mão, viradinho prá dentro, com pontinhos invisíveis. Fácil, fácil e super baratinha: 4 reais!

Malha fria custa em torno de 15 reais o metro aqui perto de casa - no Varejão de Guarulhos, quando tem, é 7 reais o metro (pouquíssimas estampas, infelizmente). Essa, de fundo escuro com florzinhas, é linda - mas cheguei tarde prá comprar por metro... Lá é assim: quando chega, some. O povo compra mesmo... Sobrou esse pedacinho irrisório que eu comprei no balcão dos refugos, pois tinha um grande defeito:


Um belo dum rasgo no meio. Uma outra mulher tava com ele na mão, quando eu cheguei, daí viu o rasgo e largou, decepcionada... Também era pequenininho, media 80 cm apenas... Se fosse fazer prá mim não dava, tinha que ter mais comprimento ou uma largura maior - ou não ter rasgo... Prá piorar ainda tinha uma mancha branca, que antes de comprar eu esfreguei um pedaço no outro e descobri sair fácil no seco mesmo - alguma goma, eu acho...

Comprei, lavei, fiz a blusinha. Palmas prá mim, que ficou linda...

Já ensinei a costurar malha AQUI. Também ensinei a tirar molde fácil, fácil - vai lá se duvida...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Vida e coragem


Ainda não eram oito e meia da noite, em pleno meio da semana. Sentada no sofá lá estava eu, fazendo acabamento de crochê em uma blusa - ainda tinha muitas horas pela frente, mesmo cansada e com sono...

Meus filhos estavam na parte de cima da casa, a Lola e o Ike jogando vídeo game, a Nana no telefone com uma amiga, eu sozinha na sala assistindo desenho. Como eu estava cansada... Tinha sido dia de passar roupas, minhas pernas doíam mais que o normal...

De repente ouço a buzina do carro, me levanto e, movendo de lugar a cortina da porta da copa, vejo meu marido parado de frente prá garagem. "Que alegria!" - eu pensei... Por algum motivo ele havia chegado bem mais cedo do que o esperado - naquele dia, como nos outros também, dava aula na faculdade até as onze da noite, eu só o estava esperando lá prás onze e meia, quinze prá meia noite. 

"Que bom! que bom, que bom!!!" fui repetindo baixinho prá mim mesma, pensando que ia dar prá dormir mais cedo, andando feliz da vida - até me esqueci da dor nas pernas enquanto me dirigia prá porta...

A porta - ainda bem que a gente se desfez dela... 

A porta daquele tempo era assim: de ferro fundido, com grades trabalhadas no meio pelo lado de fora e, pelo lado de dentro, um vitrô que se abria prá deixar entrar o ar... Era bonita, mas já tinha dado o que tinha que dar... Numa tentativa de assalto um ladrão já a tinha amassado toda, o serralheiro tinha feito umas remendadas meia-boca - até nem tava feia, mas eu tava cansada dela. Contudo o maior defeito da porta nem era sua aparência cansada: o trinco só ficava fechado se a gente passasse a chave. Se deixasse a porta encostada, ela abria sozinha - tinha que estar sempre trancada. 

Assim sendo, toda vez que alguém atravessava a porta - mesmo que prá pegar uma simples carta na caixinha do correio... tinha que fechar com chave (especialmente por causa da nossa cachorrinha, que era só escutar alguém abrindo a porta e já corria prá xeretar - e podia ser atropelada pelo carro entrando na garagem...).

Lá fui eu - fechei à chave atrás de mim a porta, fui até o portão da garagem, abri a fechadura, abri o cadeado de segurança, olhei pro "Marildo" com um sorrisão de felicidade e ele fazendo gestos enormes por trás do vidro - que era prá eu fechar o mais rápido possível o portão...

Daí que eu reparei um rapaz subindo nossa rua: alto, com um blusão de moletom bonito em cujos bolsos mantinha suas mãos escondidas, de boa aparência - até lembrava um pouco meu menino. Prá baixo dele, numa distância de uns cinquenta metros, dois outros homens, meio esquisitos, também com blusões de moletom, mas com o capuz escondendo os rostos - deles é que eu pensei que o "Marildo" tava falando...

Com toda a pressa que minha condição física permitia eu fui fechando as duas partes do portão da garagem e, enquanto eu fazia isso, atravessou correndo do outro lado da rua, tirando as mãos do bolso, o rapaz que vinha na frente - do qual a gente não desconfiava... Numa das mãos uma arma enorme, reluzente de nova, tremendo ameaçadora na direção da minha cabeça...

-"Abre esse portão, sua v@c@! Abre senão eu te arrebento a cabeça!!!" - a ponta da arma atravessando o vão da grade do portão, mirada no meio da minha cara!

Se ele não estivesse tão nervoso teria reparado que eu não tinha passado o trinco - era só empurrar o portão que ele abria... Olhei pro rosto dele - um menino bonito, com idade prá ser meu filho, e pensei:

-"Então é assim que eu vou morrer? Eu ainda queria fazer tanta coisa..."

O rapaz continuou gritando e, enquanto eu olhava assustada seus olhos, fui movendo o trinco... Os outros homens que vinham mais embaixo foram se aproximando de nós - todos parte do mesmo grupo. 

-"Abre essa porta, eu tô mandando! Quer morrer, sua velha?"

Eu só conseguia pensar nos meus filhos... Os três dentro de casa, tão tranquilos, tão bons... Se aqueles três entrassem, só Deus sabe o que podia acontecer - uma desgraça, uma tragédia... Meu marido, dentro do carro, nem se mexia... Me disse depois que teve medo de assustar o rapaz e ele disparar a arma...

Eu, boba, disse assim prá ele:

-"Moço, não faz isso... eu tenho idade prá ser sua mãe... Pelo amor de Deus..." - e ele disse palavrões horríveis se referindo à própria mãe...

Parada ali, perante três homens mal intencionados, enfrentando a morte, eu pensei:

-"Será que vou ver a bala entrando? Será que morrer dói muito? Meus filhos vão chorar, vão ficar  tão tristes..."

Mas a tristeza deles era o de menos - eles TINHAM que ficar vivos, eu não podia, eu não IA deixar ninguém entrar na minha casa...

Quando o rapaz gritou comigo pela terceira vez, tremendo a arma na mão a menos de meio metro de mim, já os outros dois ensaiavam escalar o portão  e eu disse pro rapaz:

-"Me desculpa, mas vocês não vão entrar na minha casa... Meus filhinhos estão lá dentro, eu não vou deixar vocês fazerem mal prá eles..."

Vocês conhecem alguém que pede desculpa prá ladrão? Eu - prá ser tonta tenho que melhorar muito... Mas, mesmo tonta, eu estava decidida a morrer ali, na porta de casa -  por mim viva eles não iam passar. 

Nessa hora acho que meu marido se deu conta de que ia me perder, que dali eu não ia sair - não é só o medo que paralisa a gente, a coragem (às vezes) também faz isso... Abrindo o vidro do carro eu escutei ele gritando: "Corre prá dentro, mulher!"

E em um lapso de segundo eu pensei que - já que eu ia morrer mesmo... - bem que eu podia arriscar a sorte e tentar fugir prá dentro de casa (uma chance em mil...) e - quem sabe? -conseguir continuar vivendo...

Dei as costas e comecei a correr - imaginando se eu ia levar um tiro na nuca, ou bem no meio das costas... Continuei correndo - parecia câmera lenta de filme, seria até cômico não fosse a situação...

Quando cheguei na metade do caminho consegui ver meus filhos através do vitrô escancarado da porta, a cortina aberta de tudo, seus rostos desesperados, todos falando ao mesmo tempo - trancados dentro de casa por mim! Naquele tempo tínhamos apenas duas cópias da chave da casa - uma meu marido levava com ele, a outra estava comigo e eu a havia usado prá trancar a porta por fora e proteger nossa cachorrinha... 

Justo nessa metade do caminho aconteceu a coisa mais estranha do mundo: me faltaram totalmente as forças nas pernas. Foi como se, de repente, eu não as tivesse mais - ficaram mortas de tudo. Parecia até que alguém as tinha desligado! Caí de joelhos no chão com toda a força e, desse ponto em diante, só minha força de vontade me fez eu me arrastar até a porta, com o molho de chaves tremendo na mão!

Ouvi um dos homens gritar: "O cara pegou a arma no porta luvas do carro!!!" - porque meu marido deve ter se mexido - e não me virei prá trás, prá ver o que aconteceu depois...

Só sei que consegui - não me perguntem como - enfiar a chave na fechadura, rodei e nem precisei abrir - porque a bendita da porta se escancarou, um pouco sozinha e muito pelas mãos dos meus amados filhos, que me levantaram e me arrastaram prá dentro (pois minhas pernas estavam frias e moles, parecendo pernas de uma boneca de pano gigante...).

Meu marido entrou, fechou a porta atrás dele, ligou prá polícia - que não pôde fazer nada, pois os canalhas já tinham se perdido no mundo...

Nunca na vida fui tão beijada, tão abraçada, tão amassada... Meus filhos diziam que eu era uma heroína, meu marido me dizia que eu devia ter fugido prá dentro logo de cara, que eu me expus a um perigo desnecessário - fácil falar...

A gente até fantasia - eu, pelo menos, faço isso - sobre que atitude teria numa hora dessas... Eu me imagino dando uma voadora ninja num desgraçado desses, defendendo minha família com unhas e dentes... Às vezes - pode acreditar, que é verdade! - eu escondo uma tesourinha de bordado no sutiã quando vou abrir a porta, uma agulha fina de crochê... Toda madrugada - quando eu levo a Naninha no metrô - levo comigo meu guarda-chuva gigante, que é prá "sentar na cabeça de uns e outros" se for necessário (e minha família inteira ri de mim por causa dessas coisas, dizem que eu tô velhinha, que eu tô devagar, que antes mesmo de eu esboçar uma reação um bandido me acaba - ô, crueldade da vida, ninguém faz fé em mim...).

Daí, quando eu fico mesmo passada, de saco cheio de tanto preconceito com a minha pessoa, eu falo assim:

-"É, eu tô velha... Mas não se esqueçam de quem foi que enfrentou a morte olhando prá arma e não deixou o mal entrar dentro desta casa...".

E todo mundo cala a boca muito bem calada - porque tem memória, graças a Deus.

Agora olha como a vida é engraçada: menos de um mês depois disso acontecer na nossa vida - eu ainda tremia as pernas cada vez que tinha que abrir o portão de noite (mas não deixava ninguém abrir no meu lugar - não, senhora)! - lá estou eu, pleno sábado de manhã, comprando castanhas do pará no mercadão municipal da Penha, quando entram dois rapazes pela porta lateral do mercado (bem do lado do estande em que eu estava fazendo compra) e eu reconheci o rapaz da arma. Gelou meu sangue, eu fiquei parada olhando prá ele - e ele me reconheceu também! Pegou no braço do outro rapaz, gritou: "Sujou!" e ambos saíram correndo dali pela rua Gabriela Mistral... Só aí, mediante o alvoroço que foi - pois empurraram gente prá fugir, já que o mercado tava cheio... - o Marildo se tocou, me perguntou o que tava acontecendo e saiu correndo atrás deles - mas sumiram, gatunos ágeis que eram...

Trocamos a bendita porta e meus filhos exigiram uma cópia da chave prá cada um deles, prá nunca mais ficarem trancados dentro de casa quando o mundo acontece lá fora...

Meus joelhos ficaram duas bolas roxas, feios de fazer dó. Fiquei um tempão sem usar vestido, pois chamava atenção as pernonas brancas com os hematomas aparecendo...

Não vi minha vida passar pela minha frente - pois não era ainda a minha hora. 

Aliás, duvido que isso realmente aconteça... Porque - se acontecesse... - a gente não ficava sabendo: como é que uma pessoa que morreu, que viu a vida inteira passar como num filme, volta depois prá contar isso pros vivos?

Acho que, quando chega a hora, ninguém na verdade sabe. A gente simplesmente vai embora, fecha os olhos prá uma realidade, acorda em outra, deixando prá trás um montão de coisas que não deu tempo de fazer, roupas prá lavar e passar, tricôs pela metade, palavras que não disse, abraços e beijos que não deu, amores que não declarou,  perdões que esqueceu de pedir...

Os tricôs que se danem, alguém que os desenrole e dê destino ao fio. Outra pessoa que se encarregue das roupas sujas, porque meus abraços e beijos, meus amores e os perdões estão sempre em dia - graças a Deus.

Se fosse a minha hora mesmo, a única coisa que ia me incomodar era deixar gente triste prá trás. Fazê-los sofrer, mesmo que indiretamente, mesmo sem ser culpa minha.

Mas aqui estou eu - firme e forte, cada vez mais rabugenta...

É bem como dizem: vaso ruim não quebra.


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