Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Par de vasos

Pesados como porcelana, lindos como porcelana mas... são feitos de canudos de papelão, folhas de revista e feijões!
Totalmente reciclados!!!


Feitos prá serem dados de presente prá alguém, no próximo Natal - mais provavelmente minha enteada, que adora decoração - mas minha família amou tanto que me proibiu de dar (querem que fique com a gente mesmo...)

Começou assim: dois canudos de papelão monstruosos, grossos e pesados, que vieram envoltos em filme PVC. Desses você não acha prá comprar em super mercado: cansada de comprar aqueles mixurucas, que só tem trinta metros - e cobiçando aquele que tem na padaria perto de casa... - pedi pro Marildo conversar com o dono do lugar, ver se ele vendia algum prá gente. Desde aquele dia só usamos desse, dura quase um ano, nem sei quantos metros tem o danado, mas vale super a pena (e ainda fico com os canudos...):

Enquanto eu usava o PVC ficava bizoiando os canudos, imaginando o que fazer com eles quando acabasse...


Pensei que era um canudo só, mas os dois vieram colados no meio, um no outro - adorei, deu prá fazer o par de vasos que eu queria!


Revista comprada a um real no sebo, especificamente prá essa finalidade: veio três revistas numa só, sem os moldes... Peguei um palito de churrasco, arranquei com jeitinho as capas e todas as folhas...



Os canudos eu aprendi a fazer neste vídeo abaixo, mas usei a folha inteira, enquanto a mulher usa apenas pedaços dela...



Enrolei os canudos e, de cada um deles, fui fazendo os caracóis...


Escolhi sempre pro lado de fora onde a folha tinha mais estampa, mais cor - assim os caracóis ficam mais bonitos...


O caracol faz assim: Depois que ele tá seco, começa por uma das pontinhas a enrolar.


Quando tá quase no fim, dá uma paradinha, esmaga com o dedo o pedacinho que falta, prá ficar plano...


Põe uma gotinha de nada de cola branca...


Espalha bem com o dedo...

E cola, segurando por alguns segundos prá não soltar. Colei todos nos vasos com cola quente - cola branca leva a vida toda prá secar, fica escorregando da superfície...


Colei no vaso todo e, nas bordas, fiz caracóis com metade da folha, prá ficarem menorzinhos.


Espia só que cores lindas! E, nos buracos, colei feijão! Se tivesse colado feijões pretos, até que ficava lindo só no verniz...


O patrão queria que ficasse só assim, pois adorou as cores...


Alguém pode culpá-lo? Mas não, tinha que pintar, prá dar o ar de porcelana - tem gente que até acha bonitinho ser feito de papel, mas - no fundo, no fundo - acha coisa de pobre, coisa vagabunda, não dá o menor valor. Infelizmente é assim, fazer o quê...


Peguei uma tinta spray que eu tinha em casa - já vencida e entupida... - de quando a Lola fez um trabalho na faculdade. Não tive coragem de jogar fora, sempre pensei em dar um uso prá ela...


Meu garoto desentupiu e me ajudou a pintar - ele é meu anjinho da guarda, meu amado ajudante. Quase tudo o que se conserta ou faz nesta casa tem nossos dedinhos juntos, pois o Marildo não leva jeito prá consertos. Tem até boa vontade, mas acaba sempre se machucando. Não pode nem cortar uma maçã no meio, é um perigo quando mexe em faca...


Aqui os dois bem pintadinhos e secando na garagem...


Por dentro também pintei - só que demorou uma eternidade prá secar. Acho que por causa da tinta estar vencida só secou ao toque depois de uma semana!


Olha o novo canudo de PVC - gigante, né? Um dia vai virar outro vaso - acho que azul escuro com branco e prata, da próxima vez...


Aí eu decidi dar uma incrementada no vaso - ele só no vermelhão ficou muito "cheguei" pro meu gosto. Novamente o Marildo foi contra - achou que ficou lindo demais assim, tomatado...


Com um pincel de cerdas duras eu pintei tudo de preto. "Mas Dona Rosa do Céu!!! Danou tudo!! Que diacho é isso?!!" Calma. Eu fui pintando por partes...


Daí fui passando um trapinho molhado por cima, prá deixar o preto só nas reentrâncias...


Bem assim, ó...


E então, prá dar uma emperuada nos vasos, nada como um pouco de ouro - tinta acrílica dourada, passada assim: numa bandejinha de isopor coloquei uma espremidinha de tinta, espalhei com o pincel, daí peguei uma esponja de lavar louça bem sequinha, pressionei sobre a tinta espalhada e fui carimbando de leve todo o vaso, somente sugerindo o dourado...


Por cima também...


E aqui os vasos quase prontos...

Em alguns buracos eu coloquei caracoizinhos pequenos, prá não ficar só nos feijões...



Depois, bastou uma demão de verniz semi-brilho e ficou do jeitinho que eu mostrei no início da postagem...

Mas não fica triste se você não tem uns canudos desses prá você fazer: usa garrafa pet que vai ficar lindo também - e ainda pode colocar água dentro, com flor de verdade... 



Agora, você que adora reciclagem como eu, vai na Maria Amora no You tube (é só clicar no nome dela que vai prá lá. A mulher é uma sumidade, expert, doutorada e phD em utilização de coisas que normalmente iriam pro lixo e que ela transforma em pura arte...



Um dia serei assim...

Detalhe: a cada etapa desse processo eu fiquei imensamente feliz. Tudo que eu faço me deixa feliz, seja tricô, costura, etc - mas reciclar algo que ia pro lixo e deixar no lugar algo tão lindo é demais da conta de bom. Dá um orgulho, um sentido de capacidade... 

Recomendo a todos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O brilho do sol


Quando se tem pouco na vida, cada pequena coisa tem importância...

Seja a goiaba cheia de bichinhos que nasce na goiabeira do quintal, doce como algumas lembranças que a gente guarda, seja a luz do sol num dia longo de verão - quando a noite traz de volta prá casa o pai da gente, sempre bravo, que sabe usar uma cinta como ninguém...

Uma das lembranças bonitas da minha infância - porque eu ainda me considerava uma menina, mesmo com quatorze anos... - foi a única vez que me pediram em namoro...

Ele era um menino tão lindo! Tinha os cabelos com caracóis enormes, castanhos, que brilhavam dourados devido ao sol, parecendo ouro de alta quilatagem, envelhecido... Os olhos, castanhos bem clarinhos, meio verdes, brilhavam luminosos no meio do rosto bronzeado, brigando pela atenção da gente com o sorriso enorme, de dentes muito certos e brancos...

Eu e as outras meninas nos sentávamos em alguma sombra de árvore e ficávamos a assistir os garotos jogando futebol na rua e esquecíamos os problemas, a pobreza - especialmente eu.

As outras meninas já namoravam - ou tinham namorado - alguns dos meninos jogando bola, mas eu não. Acontece que eu não era nenhuma beleza, era magrela demais, branquela demais, não sabia fazer charmes e dengos - era uma menina triste e cheia de pensamentos na cabeça. Mas quando o assistia jogando bola...

A vida parecia mais bonita, dá prá entender? Ele era tão alegre, tão cheio de vida! Nem olhava prá mim, mas eu não me importava - quem visita o Louvre e aprecia a Monalisa não fica triste de não poder levá-la prá casa, se contenta apenas em poder apreciá-la...

Ele era tão pobre quanto eu - talvez mais. Meu pai e o dele eram amigos, saiam prá caçar e pescar juntos volta e meia, eram chegados demais em bebida alcóolica, tratavam muito mal suas esposas e filhos - uma família era quase a cópia da outra. Ele também tinha cinco irmãos, como eu...

O pai dele morreu afogado, numa das pescarias que fez com meu pai - tava tão bêbado que caiu do barco, no meio da noite, custaram a encontrar o corpo...

De certa forma eu tinha mais sorte do que ele: minha mãe tinha mais prendas prá se virar e sustentar a família. Costurava, bordava, fazia tricô e crochê, fazia coxinhas prá vender nos bares, vendia livros... Cortava cabelos, fazia pé e mão - qualquer coisa honesta minha mãe fazia prá sobreviver... Já a mãe dele só sabia fazer uma coisa: docinhos. Fazia brigadeiros, pães de mel, ovos de páscoa... Era gigantescamente gorda, parecia o personagem "Mama Bruscheta" que passa no programa de televisão... Acabou morrendo cedo, nem cinquenta anos tinha.

Moravam numa travessa da minha rua, numa casa que pertence à família deles até hoje, mas está alugada...

Entrei nessa casa apenas uma vez na vida, entregando uma costura a pedido da minha mãe, cheia de vergonha dos garotos (dele e de seus irmãos mais velhos)... Entrei muda e saí calada...

Em frente dessa casa tinha uma mansão, de uma costureira de luxo prá quem minha mãe prestava serviço quando faltava freguesa - chamava a si mesma de "estilista". Era uma casa muito grande, toda coberta de pastilhas azuis e dentro parecia casa de novela. Tinha os móveis mais lindos que já vi, lustres de cristal, piano, quadros à óleo espalhados pelas paredes, pintados pela própria dona da casa. 

Ali vivia a menina mais mimada do lugar, com direito a escola particular (o Colégio São Vicente de Paula) - coisa que ninguém no pedaço nem sequer sonhava. O uniforme dela era lindo, azul marinho com camisa branca e até gravata tinha, parecia um sonho. O nome dela era Laura e ela era a namoradinha dele.

Faziam um casal lindo, ela toda branquinha e delicada, como uma princesa; ele, dourado do sol da rua...

A mãe dela era contra, achava um desaforo a filha, criada com todo luxo e mimo, namorar um pobretão como ele, um maloqueiro que não ligava prá estudo, que vivia na rua jogando bola... Eles desmanchavam e voltavam, desmanchavam e voltavam. A mãe ameaçava colocar a menina num colégio interno.

Um dia, numa das desmanchadas que eles tiveram, lá foi minha mãe entregar ela mesma a costura e, quando voltou disse, sorridente, que o André tinha pedido prá me namorar e que tinha vindo junto dela até o portão.

Espiei pela cortina e lá estava ele, parado encostado no muro, os cabelos brilhando no sol...

Um monte de coisas passou pela minha cabeça...

Eu poderia ter uma chance de fazer ele me conhecer e gostar de mim, esquecer da outra menina... Mas, mesmo não entendendo nada de amor, não me pareceu que fosse possível fazer alguém amar você, por melhor que você fosse...


Eu não estava apaixonada por ele, só o achava bonito - será que valia a pena namorar alguém só por esse motivo? A maioria das minhas amigas responderia que sim, mas eu...

Pensei também que ele só estava fazendo isso prá causar ciúmes na menina que ele realmente gostava, que eu ia ser usada como uma coisa e jogada fora depois. 

Mesmo assim achei bom ele ter me escolhido prá isso - já depunha em meu favor, eu pensei... Tendo um monte de garotas prá escolher prá isso, ele tinha escolhido EU...

Por fim, achei absurdo ele me pedir em namoro através da minha mãe - pensei: "Que diacho! Em que século estamos vivendo??? Será que eu sou assustadora, que dá medo conversar comigo?". 

Tornei a espiar a janela pela renda da cortina, vendo ele ali tão lindo, esperando uma resposta minha, me virei prá minha mãe - tão ansiosa, eternamente romântica, aguardando o primeiro namoro da filha... - e disse prá ela ir lá fora dizer que eu não tava em casa, que tinha ido fazer um trabalho na biblioteca.

Ela foi, a contragosto...

Fiquei muitos dias pensando nisso. Achei que, se ele realmente gostasse de mim, daria um jeito de vir falar comigo - mas nunca veio. 

Reatou e desmanchou o namoro com a menina rica mais um montão de vezes.

Um dia, voltando de uma noitada com amigos, de algum bar no centro da cidade, ele salvou a vida de um homem. Era uma tecelagem que tinha na Amador Bueno, pegou fogo no meio da madrugada e o segurança tava desmaiado lá dentro, quase sufocado pela fumaça. Ele entrou sozinho e resgatou o homem, se machucou feio num braço, até saiu no jornal.

Ele nunca terminou os estudos. Sempre trabalhou no que aparecesse: ajudante de pedreiro, vigia noturno, vendedor de queijos numa perua, de porta em porta... Casou, teve filhos, separou. Virou um alcóolatra...

Um bocado de anos atrás, quando meus filhos ainda eram pequenos, eu e o Marildo voltávamos à pé do cinema e entramos na padaria perto de casa, prá comprar uns pães de queijo prás crianças. Lá estava ele, bebendo no balcão - ficou me encarando sem parar, causou até ciúmes no Marildo... Já não estava bem, parecia tão mais velho do que eu!

Mais recentemente ele voltou a morar ali no pedaço - vê só como são as coisas: inquilino da antiga namorada. Ela internou a mãe num asilo, no interior de São Paulo e nunca mais a viu na vida - morreu por lá, pobre da mulher. Dona de todos os bens, todas as casas, vive de receber os aluguéis dos imóveis, incluindo duas mini-casinhas que ficam no porão da casa em que vive, quarto-cozinha-banheiro de tamanho irrisório. Bem pertinho da casa da minha mãe, então passei a vê-lo sentado na porta, na calçada, quando estou de passagem.

Ele, envergonhado, abaixava os olhos pro chão todas as vezes.

Velho como se tivesse vinte anos a mais, magro como um farrapo, quase nenhum dente na boca. Os irmãos abriram mão do convívio com ele, esqueceram que ele existe. Mandavam entregar prá ele parte do aluguel da casa, que ele usava mais prá beber do que prá comer, se acabando um dia depois do outro...

Eu - romanticamente, confesso - imaginava que até tinha certa beleza poética no fato dele morar no porão da casa dela. Afinal, apesar do abandono da família dele, apesar dos destinos tão separados que os dois tiveram desde a juventude, ela o estava amparando na velhice (coisa que muitos cônjuges não fazem, não é mesmo?). Eu pensava que ela o deixava ficar ali de graça, em lembrança por outros tempos... 

Mas não: ela cobrava dele duzentos reais pela moradia, o tratava como um estranho. Casou-se diversas vezes, cada filho de um pai diferente e eu me pergunto: será que a vida de ambos teria sido outra? Será que o amor deles lhes teria dado uma vida diferente? 

Sinceramente: acredito que não. Sou cética a respeito desse tipo de coisa. Mesmo casados acho que ele acharia um motivo prá beber, acabariam se separando - de um jeito ou de outro. 

Acho que algumas pessoas, por mais boas que sejam - e ele era um rapaz muito bom - tem o coração de vidro (e não apenas no que diz respeito a decepções amorosas). Fazem determinadas escolhas, daí as dificuldades da vida os quebram e depois, mesmo colados os caquinhos, nunca mais é a mesma coisa prá eles...

Semana passada, passando por onde ele morava, notei a placa de "Aluga-se" na porta da casinha. Me perguntei, triste, se ele havia morrido...

-"Foi internado" - minha mãe disse. Tava semi-morto de tanta bebida e os irmãos o mandaram prá um asilo, sabe lá Deus onde. Dizem que não volta mais...


Confesso que chorei - sou uma boba, eu sei... É que, na minha cabeça, a cada ser humano que conquista uma vitória, cada médico que realiza com sucesso uma cirurgia, cada artista que pinta um lindo quadro ou escreve uma linda história, a humanidade como um todo avança mais um passo em direção ao seu potencial divino - e o contrário também é verdadeiro prá mim. Cada pessoa que sucumbe ao peso da adversidade, cada um que é derrotado pelo destino, é uma perda prá todos nós. Parte da minha infância se perdeu, deu errado, por causa disso.


Gostaria de tê-lo visto envelhecer com dignidade, de ter presenciado um outro desfecho, mesmo que numa comum e corriqueira história.

Nunca mais o sol brilhou daquele jeito, nem prá mim, nem prá ele. Prá ninguém. Como é linda a esperança, o caminho que se tem pela frente quando se viveu pouco e não se sabe quase nada da vida - e tudo pode acontecer! 

E aí, um dia depois do outro, vem a chuva, vem a noite, um sonho que não dá certo, outro que se realiza mas não valeu tanto assim a pena - a gente teima em pegar um atalho quando devia seguir em frente e assim se vai moldando o futuro... 

Hoje, olhando prá trás, agradeço aquele "quase" pedido de namoro - fez eu me sentir um pouquinho bonita, por um pouquinho de tempo... 

Agradeço mentalmente a ele, ao garoto que ele um dia foi, por ter tornado os dias de sol da minha infância um pouco mais bonitos...

Principalmente, agradeço a Deus pelo que Ele me negou e pelo que Ele me deu - apesar dos tombos, meu caminho tem valido muito a pena.

E peço a Deus que olhe por aquele menino tão bonito - Ele, que é Pai de todos nós, pelo menos Ele, deve amá-lo muito, com certeza... 

Que pena, não é mesmo?... Nem todas as histórias tem final feliz...

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Charme




Esse casaco tava quase pronto, feito de pura magia: o tecido era pouco, fiz malabarismos prá que ele existisse. Por sorte a largura do pano era de dois metros, então...
Bom, vamos por partes: o molde.
Peguei este casaco de tricô aqui:
Feito a máquina, com receita nesta postagem AQUI. Apoiei na mesa e copiei as formas - de um casaco de tricô à máquina ia sair um casaco de moletom. Só que tive que fazer uns ajustes - tricô estica bem mais que moletom do grosso. Então cortei tudo com 2 cm a mais em toda a volta (que se sobrasse dava prá consertar, se faltasse tava tudo perdido...).
Cortei sem dar atenção ao fio do tecido - onde tinha pano, fosse no comprimento, fosse na largura, eu cortava o pedaço - emendava o arremate da frente, fazia o que desse pro negócio vingar.
Daí cheguei num mato sem cachorro: o casaco idealizado era mais comprido e não dava na largura - então fiz umas emendas horrorosas na barra, prá dar o evasé (que é aquela largurinha charmosa que faz a gente mais elegante).
Me dei mal - ficou uma bela *&%$#@. Quase todo pronto e eu olhava o resultado e ficava desacorçoada - melhor esconder o bicho das minhas vistas, senão cada vez que eu olhava prá ele ficava triste.
Daí minha mãezinha (que enxerga tão pouquinho...) veio me ver no domingo retrasado e eu falei que tava com um casaco de moletom empacado, me deixando triste, querendo dar sumiço nele...
-"Mas por quê, filha!? Mostra prá mãe ver..."
E lá fui eu pedir colinho... Ela olhou com aqueles olhinhos lindos, que já não tem mais a luz que tinham e iluminou meu dia e minhas ideias... Falou prá eu fazer "assim, assado, cozido e frito" que dava certo - e deu.
Casaco pronto eis que me deparo com a gola - minúscula, nada atraente ("Por que cargas d'água eu não cortei a gola maior, caramba??? Ah, é, faltava pano...")...


Me lembrei de umas Talhatinos que comprei de saldo, a 5 reais o novelo no Bazar Horizonte (ainda tem algumas prá vender, se eu fosse você não perdia a oportunidade porque tá de graça e não fabrica mais...).

Um par de horas da minha vida, apenas um novelo de lã, cinco reaizinhos muitissimamente bem gastos e um casaco de puro glamour prás minhas deusas, minhas divas!




Fala a verdade: todas nós merecemos um casaco assim, com um pelo gostoso em volta do pescoço, macio ao extremo, brilhante, sedoso e totalmente livre de crueldade animal.

E você pode usar essa ideia prá customizar qualquer casaco, desde um feito em crochê somente em pontos altos, um tricotado só em ponto bem básico, um casaco de jeans, couro, moletom...

A gola fica pronta em apenas algumas horas e depois você prega no casaco com agulha de mão e linha da mesma cor, que não fica aparecendo...

Cara nova pro casaco e um pouco de fantasia na tua vida - vai receber o Oscar de melhor figurino que você merece!
Ah, receitinha de mãe:



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Água

Como é preciosa - e quão pouco valor damos a ela...

Assisto na minha vizinhança às lavações das calçadas, a preguiça no uso da vassoura...



Eu tive uma vez uma empregada, muito caprichosa - diga-se passagem... - que tinha o feio hábito de lavar a louça com a torneira aberta o tempo todo: de copo em copo, prato em prato, talher em talher, lá ia embora a água limpinha pelo ralo, chó-ló-ló-ló... Eu trabalhava e não sabia disso, então um dia cheguei em casa mais cedo, devido a uma consulta médica, abri a porta e escutei a água escorrendo aos borbotões! Fechei a torneira, fui procurar a moça - que estava na  área de serviço, pendurando as roupas torcidas pela máquina. Quando reclamei da torneira aberta ela disse que tava lavando louça, só tinha dado uma pausa prá pendurar as roupas e que sempre deixava a torneira aberta prá escorrerem embora os restinhos de comida... 

-"É que assim nunca entope a pia!" - disse ela, com cara de que "Tô te ensinando essa, patroa...".

-"Se você raspar com a colher o que sobrou nos pratos e puser pro cachorro, também não entope a pia e é mais barato..."

Eu falei que não era prá deixar a torneira aberta, que água custava dinheiro e ela, me olhando feio, disse que eu tava chorando miséria, que eu era "rica" e podia pagar pela  água...

A gente escuta cada absurdo nessa vida... Mas foi o último dia dela na minha casa, foi desperdiçar água na Casa do Chapéu!

Bom, não tem que desperdiçar nada - muito menos água - e tem que beber bastante, porque nosso corpinho precisa.

Essa bolsinha fiz prá minha Naninha carregar sempre perto dela, presa na bolsa, do lado de fora, sua garrafinha de água:


E se faz assim:

 
O círculo foi cortado usando um coador Melita de molde, mas mede 11 cm. Quiltei ele todo, na largura do pé da máquina, usando ponto reto e a manta acrílica por baixo - quiltei só no círculo que vai por fora, o de dentro não precisa.

Quiltei também a parte lateral de fora - não são lindas as girafinhas?

Tudo é cortado duas vezes, mas a parte de dentro é 1 cm maior na altura - já explico por quê...

Fiz duas alcinhas assim: 31 cm de comprimento por quatro de largura. Dobra 1 cm prá dentro de cada lado (fica com 2 cm de largura). Daí dobra um lado em cima do outro e costura - ficam duas alcinhas de 31 cm por 1 de largura.



Prendi com uns pontinhos as alcinhas na parte da frente. Não usei alfinete porque a parte de dentro vai por cima e eu podia acabar quebrando a agulha costurando ele.



Parte de fora e parte de dentro, direito com direito com as alcinhas no meio e uma costura reta prá prender tudo - só aonde ficam as alças...

Nessa hora, se você quer fazer uma só alça comprida, prá usar em diagonal  no seu corpinho enquanto faz caminhada (igual maleta de carteiro...) sinta-se a vontade. 

Daí, quando vira, aquele centímetro a mais que o lado de dentro tinha fica parecendo viés - já dá o acabamento na peça. Mas eu deixei dobrado assim só prá mostrar como vai ficar no fim, por enquanto deixa os dois lados separados.

A fechachão da bolsinha: não adianta por zíper, que a boca é muito pequena. Deixar aberto também não dá, fica escancarada demais. Optei por elástico, que fecha direitinho e dá prá tirar a garrafa de água de dentro sem drama. Usei elástico bico de pato, de fazer calcinha mesmo - não sei onde diacho está o meu rolo de elástico chato! Mas vai ficar escondido mesmo, então não tem problema. Você usa o elástico que quiser ou tiver.

Preguei o elástico em linha reta numa distância de quatro centímetros da borda da costura do lado que vai ficar prá fora e em cinco centímetros da borda do lado de dentro, prá elas se encontrarem no mesmo lugar.

Usei ponto zig zag, linha branca - devia ter usado linha escura do lado de dentro, mas agora já foi, não vai aparecer mesmo.

Agora é costurar toda a lateral antes de por o fundo. Alfinete direitinho, encontrando a costura que divide dentro/fora, deixando uma beiradinha sem costurar - é por onde vai desvirar a bolsinha quando estiver pronta.

Não dá prá ver muito bem, então clique na foto e você vai ver o pedaço sem costurar que vai ficar no avesso.


Agora alinhave os fundos (não alfinete, ALINHAVE, sem preguiça!). Costure e faça uns piques porque é redondo e precisa, senão fica feio.

Alinhave também o lado de dentro.

Corte os excessos de manta, depois de costurado e faça piques prá assentar melhor.

Agora, pelo pedacinho que ficou sem costurar, desvire tudo devagarinho e com delicadeza - você não quer romper os pontos e ter que fazer nada de novo.

Eu sei, parece um parto. A coisa custa a sair por um buraco tão pequeno...

Mas sai: depois de tudo desvirado fica assim, uma linguiça de pano. Costura à mão, com pontinhos bem pequenos, o buraco do lado de dentro. 

Empurra prá dentro o forro... Passa uma costurinha na beirada, onde parece viés, prá garantir um melhor acabamento e também prá segurar o forro lá dentro e empinando as alças prá cima. 



Na minha eu passei uma demão de Termolina Leitosa em tudo, com pincel macio - só do lado de fora. Como o tecido estampado é clarinho, é imã de sujeira. A termolina dá uma impermeabilizada, garante vida mais longa à peça. Também ajuda a não desbotarem as girafinhas...

E pronto! Minha filha pode levar água na garrafa - cabe até uma garrafinha térmica com chá gelado, se ela quiser. Ela pendura na lateral da bolsa usando um gancho de chaveiro e a garrafinha fica protegida e sempre à mão - e se você usar manta térmica, que vende por metro em vários lugares, a água se mantém fresquinha!



Faz uma prá você!
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