Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

E foi assim:






Eu chego no sítio, desempacoto um saco de linhas Fênix comprado pela internet nas Lãs Formosa -, cinza com prata metalizado. Lin-do.

O pacote veio fechado com durex pela própria loja e, dentro dele, 4 novelos - cada um deles em seu próprio saquinho plástico. Antes de começar o trabalho dou uma checada nas partidas de cada novelo, só prá ver se a loja não se enganou e mandou novelos diferentes e - meléca! - mandou sim: um dos novelos era de partida diferente!

Tarde demais prá devolver - nem tinha como, bem no meio do mato, onde Judas perdeu as botas! Resolvi apelar prá sorte e fazer assim: a blusa inteira fazer com os três novelos iguais e as mangas com o novelo diferente.

E assim fui indo, tricotando com agulha 6 - e a linha não deu nem prá uma regata...

Pedi prá Fernanda - melhor amiga da minha Lola - procurar na internet mais alguns novelos, comprar prá mim (eu não queria perder a linha, era tão linda!!!

Mas não tinha mais em lugar nenhum prá vender - então o jeito foi desmanchar tudo o que eu tinha feito e começar de novo, do zero, com agulha mais grossa (prá ver se rendia...). 

E deu super certo: fiz a barra na agulha 6, o corpo da blusa com a agulha 9, usei o ponto desta outra blusa AQUI (que é um ponto tijolinho diferente, que tem uns furinhos na última carreira) e ainda sobrou metade daquele novelo renegado.

Ah, mas a história não para por aí...

O final foi duplamente feliz: além de eu conseguir fazer uma blusa linda, ainda tive uma sorte danada: justamente esse novelo sem par veio com o interior do rótulo PREMIADO!!! Eu nunca olho dentro do novelo - já joguei tanto fora... - mas desta vez, por causa do desassossego de não saber o que fazer com a linha, fiquei rolando o novelo na mão, mexe prá cá, mexe prá lá e daí reparei que tinha coisa escrita por dentro do papel!!!

Ganhei um ferro a vapor (Britânia) da Purafibra, a ser resgatado no local em que comprei a linha.

No meio das férias tive que voltar prá São Paulo em caráter emergencial (em Itapetininga não tem médicos que atendem o meu convênio e adoeceu todo mundo, menos eu: pneumonia o patrão, bronco-pneumonia a Nana e o Ike e uma gripe virulenta na minha Lola... - neste ponto eu digo: aquela que ninguém deixa sair de casa sozinha, que ficam todos super-protegendo, é a mais forte e é a que cuida de todos...), daí aproveitei e fui na loja resgatar o prêmio (a Nana, mesmo doente, insistiu em ir junto e acabei comprando um montão de roupas lá, que tava de liquidação, coisas lindas super-baratinho...).

Fala a verdade: até quando tá ruim, tá bom demais...

E agora, sem mais blá,blá,blá taí a receitinha de mãe:



Se acharem essa linha no armarinho perto de casa, comprem que vale a pena: parece que pinica, mas não pinica. Fica linda, um luxo. O cinza com o fio prateado parece que você tá usando uma joia... 

Ah, sabe do que mais? Nem bem cheguei em São Paulo ainda achei um restinho dela na Novelândia e voltou a aparecer na Lãs Formosa, que (como por magia!) ainda tem um bocado no estoque: compra pela internet, paga o boleto na lotérica e (quem sabe...) você também não ganha um prêmio, hein?! Bege com ouro também é fantástica...

Fiz essa cinza, fiz uma preta e -  e ainda comprei prá fazer mais duas blusas. "Gostei" é assim: faço mais de uma, esgoto todas as possibilidades...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Falta de respeito!

Olha só isso:

Mais de perto:


São os óculos da minha Lola, que (apesar de linda e perfeita) tem miopia e astigmatismo, como a mãe  (diga-se de passagem...).

Essas bolhas que ficam na "ponte" dos óculos não são gotículas de água geladinhas, como as que a gente vê nas garrafas de cerveja dos comerciais: são bolhas de derretimento do material de que os mesmos foram feitos.

Não! - minha filha não colocou os óculos no microondas ou no forno do fogão. 

Também não ficou espatifada no sol com eles...

Necessitada de seu  uso constante - sem os quais não consegue ler, nem pegar ônibus ou mesmo transitar pela rua - só os tira de seu rostinho quando toma banho ou quando dorme. 

Óculos comprados ano passado e que, após apenas pouquíssimo tempo de uso, apresentaram essa deformidade.

Procuramos exaustivamente a nota fiscal da compra do produto - efetuada na Fotótica do Shopping Penha - mas ela se perdeu. Tivemos a casa assaltada, sabe-se lá onde essa nota foi parar...

Procuramos a Fotótica prá resolver o problema e o funcionário (vestindo a camisa do patrão, óbviamente...) nos disse que nada podia ser feito sem a nota fiscal.

Ora, se eu precisasse de uma segunda via da nota fiscal eles teriam que me fornecer - em caso de, por exemplo, eu precisar dela para obter ressarcimento de parte do gasto com os óculos junto ao convênio. 

Não está explícito na lei, mas faz parte dela devido à reiteradas decisões judiciais - e Jurisprudência é lei! Faltou nota fiscal: o consumo pode ser comprovado pela fatura do cartão de crédito ou até mesmo por testemunhas!!! 

Bom, um belo dia minha Lola - passeando em outro Shopping que não o Penha - foi se informar em outra unidade da Fotótica. Esse outro funcionário disse que a emissão de segunda via da Nota Fiscal poderia ser feita, era só buscar no sistema deles. 

Retornamos então onde os óculos foram comprados, onde o funcionário nos disse que tinha ordens da gerência dele para jamais fornecer segunda via nesses casos (de reclamação quanto à qualidade do produto), mas, mediante nossa insistência, procurou no tal "sistema" e nos informou que, infelizmente, já havia passado o tempo máximo da garantia

Beleza! Graças à enrolação deles esgotou o tempo!

Reclamei então no site da Fotótica e hoje (agora à pouco prá ser mais precisa), recebi a ligação de uma mocinha da Fotótica que perdeu meu tempo e o dela prá me dizer a mesmíssima coisa: a Fotótica não fornece segunda via de Nota fiscal e, mesmo que fornecesse, já passou do prazo.

Maravilhoso - é o que tenho a dizer quanto a isso. 

Posso comprar outro par de óculos prá minha Lola? 

Felizmente posso. 

Será na Fotótica? 

Jamais. Nunca nunquinha de forma alguma eu volto a comprar o que quer que seja nessa biboca empresa. E olha que são cinco pessoas na minha casa, todas usando óculos - só eu uso dois, um prá perto e outro prá longe.

Mas não apenas minha família não vai comprar mais nada lá: nenhum dos meus irmãos, irmãs, cunhados e cunhadas, sobrinhos e sobrinhas - nem mesmo minha mãe (e essa coisa de usar óculos é genética na minha família, raros são os que escapam...); nenhuma das minhas poucas amigas jamais vai comprar nada lá - isso eu garanto. 

Porque se eu tenho uma característica nessa vida é ser incansável na defesa daquilo que acredito - e eu acredito em ser bem tratada e ter meus direitos assegurados.

A Fotótica não merece mais constar na minha agenda - vende produto de qualidade inferior. 

A Fotótica não merece nem mesmo uma passada dos meus olhos em suas vitrines, prá eu não correr o risco de ouvir de um de seus atendentes a célebre frase: "Posso ajudar em alguma coisa?" pois eu sei que isso seria uma deslavada mentira: quando realmente podem ajudar, pulam fora.

Se eu fosse você, comprava óculos - até os de sol - em outro lugar. Desrespeito faz mal prá gente - fez subir minha pressão por diversas vezes, a cada ocasião em que esse assunto veio à tona na minha família, apesar de tomar meu anti-hipertensivo logo cedo.

Chega.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Parece que eu nunca fui...


Não são assim mesmo as férias? Logo na chegada a gente encara os dias que vem pela frente com a maior alegria, cheia de tempo pela frente... Acorda tarde (7 e meia...), dorme na rede, joga conversa fora...

Daí os dias vão passando e a contagem regressiva do retorno começa, dando aquele aperto no estômago - porque onde quer que estejamos, se estamos bem, queremos ficar... 

Então a gente volta - parecendo que nem foi -, se encaixa no mesmo lugar onde costuma se sentar no sofá, volta a dormir no mesmo colchão, escutar os mesmos barulhos rotineiros da vizinhança - o motor mal calibrado do carro do vizinho, os cachorros latindo pela noite afora, a molecada empinando pipa...

Mas a gente traz na mala a saudade do que viveu! Que pena que nossos olhos não tiram fotos pois, na grande maioria das coisas mágicas... - a gente esquece a câmera!

Só que - desta vez - graças a uma janela de banheiro, a magia da vida passou de raspão por mim (e eu fotografei!). 

Foi assim: no primeiro banho que tomei logo que cheguei, ao abrir a janela prá espantar o vapor, lá estava um casal de rolinhas - que voaram assustadas com o meu gesto brusco, fugindo do ninho trançado na primavera rosa que fica bem ali, do lado de fora...

Eu, então, fui espiar - só prá ver se tinha ovos no ninho...



Haviam três - pequeninos e delicados, pintadinhos, do tamanho das unhas do meu dedo indicador... 

A cada visita minha os pais fugiam, assustados - então eu só ia xeretar uma vez ao dia...

Haviam tantos ninhos de pássaros! Quem pensa que a vida somente se renova na primavera não se dá conta que vivemos no Brasil: aqui a vida tá sempre se renovando, tá sempre borbulhando em tudo que é canto!

Espia esse troço pendurado no limoeiro - mais parece um lixinho que foi parar ali com o vento, se enroscou nos espinhos e não quer sair mais:




É praticamente um apartamento, muito bem construído, tendo até um pequeno teto sobre a portinha prá proteger da chuva...

Na laranjeira (que nasceu de um caroço cuspido), bem na beira da casa, tinha mais este:


E este:


Cada pilar do telhado da varanda também tinha o seu:


Todos cheios - mas as fotos não saíam boas: nem todos os pássaros fugiam, alguns vinham prá cima de mim, tão corajosos!

Não me pergunte de que espécie de pássaros são: perguntei pros caseiros e eles não souberam me dizer. Não entendo a desatenção de certas pessoas com o que passa à sua volta! Nascidos e criados ali e não fazem a menor ideia da maioria das coisas, das plantas, dos bichos - parecem só entender daqueles que podem ser comidos...

Eu - se ali morasse... - conheceria cada bicho, cada flor, cada inseto pelo nome, conheceria seus hábitos... Parece que curiosidade também é um atributo que não é distribuído pela natureza de forma muito abundante, penso eu...

Bom, no dia em que vim embora fui lá fotografar o ninho de rolinhas e olha só:




Dois dos ovos haviam se partido e, de dentro, sem penas, de olhinhos fechados, frágeis e tremelentos, dois passarinhos pequenos como a almofada do meu dedo polegar!

Bendita seja a oportunidade de viver, não é mesmo? Logo estarão voando, comendo insetinhos, aproveitando o sol, fugindo da chuva e, em pouco tempo (pois suas vidas são breves...) todos eles (com sorte...) também farão seus ninhos, porão seus ovos, ajudando o Criador a povoar os céus!

Digo uma coisa: se todo ser humano vivesse consciente da vida à sua volta a julgaria mais preciosa. Infelizmente, como eu disse, mesmo entre os que vivem cercados  pela natureza poucos são os que prestam atenção verdadeiramente ao que acontece: a maioria de nós acorda, se move, trabalha, consome, suja, limpa e, no final do dia, vai dormir prá começar tudo de novo - mecanicamente, alheio aos pequenos e até mesmo aos grandes milagres da vida...

É uma pena.

Um terço da vida dormindo e a maioria do tempo acordado percebendo bem pouco do que acontece...

Que tal acordar, tomar uma gostosa xícara de café e partir prá luta diária, de olhos bem abertos - garanto que vai valer muito a pena!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O Pote de Fiapos


Este é um pote que ganhei da minha filha Nana, comprado no bazar de caridade da faculdade onde ela estuda. Custou cinquenta centavos, pois é usado - foi doação de alguém que se cansou dele...

Volta e meia ela me traz alguma coisa de lá: já me trouxe uma blusa linda, que serviu de molde prá uma outra, um vasinho prá colocar pequenas flores secas, um anel de prata com abalone que custou apenas um real e é lindo até dizer chega, olha só:


O Marildo odeia essas compras de coisas usadas - tem preconceito. Meu filho diz que o anel foi arrancado de um dedo de morto (menino mau...). Mas ela faz assim porque saiu a mim - não tem frescuras  (e também porque tem bom coração: tudo o que é vendido ali reverte prá uma instituição que cuida de crianças com câncer).

Esse potinho tão bonito, feito artesanalmente trançando-se fios e mais fios coloridos, que eu nem sei que finalidade tinha antes de ser descartado, nas minhas mãos ganhou a inusitada finalidade de ser um "pote de fiapos".


Algo muito prático e que - me arrisco dizer - só eu tenho no mundo (acho eu...) - até agora...

Quando eu era pequena minha mãe punha comida na minha boca e nas dos meus irmãos sendo principalmente costureira. A máquina era uma Singer mecânica, de pedalar, bem velhinha, herdada de minha avó. Só tinha dois pontos: reto e zig zag - e mesmo assim ela fazia coisas lindas: muitas noivas se casaram com vestidos cheios de bordados de richilieu, dignos de uma princesa...

Hoje eu compro tubos de linha prá costurar com 1500 metros, baratinho perto de casa ou na 25 de março mas, na minha infância, minha mãezinha querida penava com retrozes de linha de apenas 90 metros, comprados com muito sacrifício e utilizados com muita sabedoria por ela. 

Por exemplo: linha de alinhavo era retirada cuidadosamente e enrolada novamente num retrós vazio, prá ser usada de novo... A mesma coisa as linhas dos franzidos... 

Tudo tinha que ser assim, tratado com o maior respeito e economia, pois tudo era fruto de muito trabalho e suor... 

Desta forma, acabei adquirindo certos hábitos que acho impossíveis de abandonar, pois fazem parte de mim: não desperdiço. Guardo as linhas dos alinhavos e franzidos - e os utilizo de novo... Qualquer pessoa que se atrever a mexer nas minhas bagunças vai encontrar retrozes anteriormente vazios enrolados com fios de diversas cores, saquinhos de papel ou plásticos cheios desses mesmos fios, todos esmarafunhados (porque eu sou uma bagunceira...).

E com a máquina de overloque que ganhei de presente do Marildo meus "fios de sobra" aumentaram prodigiosamente: a cada começo e fim de costura tem sempre um pedação de fio trançado, que durante o trabalho acaba sendo cortado e descartado (pela maioria das costureiras, mas não pela sovina Rosa...).

Não passo pelas privações que minha mãezinha passou - graças a Deus! - mas, nem por isso, esqueço aquela história de vida. Seria um desrespeito para com ela se eu tratasse esses meros fiozinhos como lixo! 

Cada um deles que eu corto e guardo é um tesouro irrisório que não tem valor prá ninguém - só prá mim. Faço isso por minha mãe, por minha avó, por meus filhos (que alguma lição hão de tirar disso...) e em homenagem a cada costureira anônima de poucos recursos, que neste exato momento (assim como ontem e também amanhã) executa suas peças em uma máquina comprada a muito custo, cujas linhas ajudam a prender tecidos uns nos outros gerando renda, abastecendo a despensa e - por que não? - criando sonhos...

Mas aí, enquanto estou costurando mais um presente de Natal com toda pressa (desta vez dei uma parada em duas blusas que estou fazendo prá minha irmã Fátima prá fazer esta postagem programada prá virada do ano...) me peguei pensando que todos nós somos "colecionadores de fiapos" nesta vida...

Cada pessoa que a gente encontra pelo caminho e que "esbarra" na gente (e não precisa ser uma esbarrada literal, pode ser apenas uma conversa...) deixa prá trás uma impressão, mais forte ou mais fraca, um fiapo da sua existência na nossa vida.

Cada acontecimento do qual a gente participa ou apenas testemunha, cada sonho que a gente batalha prá conquistar ou abandona, cada sacrifício e cada desperdício de tempo e recurso larga em nós um fiapo...

Cabe a nós saber selecionar o que levar adiante, na nossa coleção.. 

Amor nunca é demais, então leva tudo o que puder, sejam fiapos, tiras ou a peça toda, mesmo se estiver remendada... 

Descarta ódio e mágoa, pois nenhum de nós fica mais sábio nem mais feliz carregando um fiapo sequer que seja deles... 

Aprenda a conviver com as diferenças, sejam ideológicas, políticas, religiosas... 

Pessoalmente eu acho que conviver com as diferenças é um grande promotor do crescimento pessoal: se você só conviver com quem pensa como você vai acabar conversando sozinho, com o espelho, cedo ou tarde. 

É através da troca de experiências (diferentes) que a gente expande nossa visão do mundo. É por meio da tolerância para com as diferenças que nos mostramos filhos de Deus, pois conviver somente com os iguais é muito fácil, mas não é nada cristão...

E, ao tocar nesse assunto de tolerância, me lembro que, neste ano, muitas pessoas deixaram de me visitar, meramente por não concordarem com meus pontos de vista políticos. 

A culpa foi toda minha - eu sei. 

Idiota que fui de achar que, como o blog é uma extensão da minha casa e da minha vida eu aqui tinha todo o direito de me expressar, de ser sincera sobre o que penso e sinto!

Bom, parece que eu sou um fiapo que muita gente não vai levar prá 2015 - fazer o quê, não é mesmo?... 

Que assim seja. Que cada um colecione o que mais lhe agrade e que lhe faça feliz. Eu aqui vou continuar colecionando meus preciosos fiapos , levando comigo o que talvez não tenha valor prá mais ninguém, só prá mim.

Que todos vocês - os que ainda apreciam me visitar e os que aqui nunca mais vão voltar - consigam levar adiante boas coisas, bons sentimentos, boas experiências, que os façam crescer como seres humanos e como filhos do Criador. 

Que cada acontecimento seja pleno de significado em suas vidas, especialmente como fonte de aprendizado, para trazer-lhes paz e felicidade, um dia depois do outro, com a graça de Deus.

E, assim que as férias acabarem, eu volto a postar coisas novas e velhas, tiradas do meu coração e dos meus potes de fiapos... 

Feliz Ano Novo!

(Esta é uma postagem programada. A estas alturas, se for dia, estou tricotando na varanda, escutando cigarras cantando feito doidas. Se for noite, os grilos e corujas estão fazendo serenata prá eu dormir...)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Natal em Setembro


Eu tinha nove anos de idade quando minha mãe adoeceu gravemente. Não que ela alguma vez na vida tivesse sido saudável: quase morreu de tuberculose aos 14 anos, teve um aborto atrás do outro até eu nascer e todos os filhos que teve foram prematuros e retirados dela à fórceps - inclusive eu... Sofreu de pressão alta em cada uma das gestações e só teve 13 filhos porque era a vontade de Deus e sua sina...

Depois do meu irmão mais novo ela ainda engravidou algumas vezes, mas esses filhos não eram prá ser deste mundo, assim como os sete antes de mim... Quando começou a ter hemorragias que não paravam mais foi diagnosticada com um tumor e encaminhada prá cirurgia, lá no Hospital Leonor Mendes de Barros, no Tatuapé - o mesmo hospital onde eu e meus irmãos nascemos. 

Nunca teve muita instrução - parou de estudar na 6ª série e foi fazer Corte e Costura. Assim sendo, ela mesma não sabia direito o que tinha de errado com a saúde dela - só sabia que era grave. Dessa forma, fez o melhor que pôde prá se despedir da gente sem fazer drama, pois - no fundo, no fundo... - achava que ia morrer. 

Nas semanas que antecederam sua internação trabalhou feito uma desesperada, pegou costuras e mais costuras em oficinas, fez faxina, lavou e passou roupa prá fora, fez pé e mão de uma freguesa ou outra e, com o dinheiro, abasteceu como pôde o armário com comida... Meu pai estava desempregado, só fazendo bicos (ou "biscates", como se chamava naquele tempo...).

Mas ela não pensou apenas nas nossas barrigas: no dia anterior ao que ia partir minha mãe nos entregou brinquedos - adiantados, pelo Natal no qual ela pensava que não estaria mais entre nós. Uma boneca Susi pra mim e uma prá cada uma das minhas irmãs: a minha tinha cabelos castanhos, a da Cida tinha cabelos loiros e a da Fátima os tinha quase brancos, platinados como eu nunca tinha visto - essa era a que eu queria, mas a minha irmã pegou primeiro...

Meus irmãos eram muito pequenos - dois deles ainda usavam fraldas - então ganharam carrinhos e uma bola de capotão, prá jogarem juntos quando estivesses maiorzinhos...

Me lembro que minha mãe foi embora levando uma pequena sacola com os poucos pertences que tinha e nenhum dos irmãos dela teve no coração a caridade de levá-la de carro - pegou ônibus sozinha, ali na Avenida Amador...

Me lembro que chorei como se o mundo tivesse acabado... Minha avó - mulher forte - consolava a mim e às minhas irmãs, disfarçando corajosamente a tristeza que certamente sentia pela partida de sua única filha mulher... 

Quando perguntei a ela se minha mãe ia morrer ela não soube o que responder - então não disse nada. 

Questionada se a gente podia fazer alguma coisa prá ajudar ela me disse prá rezar... Eu disse que já estava rezando fazia tempo, mas que parecia que eu não estava fazendo nada... Então ela me disse - talvez por pena - que eu podia fazer uma promessa.

-"O que é uma promessa, vó?"

-"É uma coisa que você diz prá Deus que vai fazer em troca de algo que você pede prá Ele. Você pode prometer não brigar mais com uma pessoa, não comer nunca mais um tipo de comida... Alguma coisa que seja difícil de fazer e que exija esforço e determinação da tua parte... Um sacrifício."

Eu pensei, pensei... então combinei com minhas irmãs que, por três anos, nenhuma de nós ia cortar o cabelo se Deus fizesse nossa mãe voltar prá casa curada... 

Minha avó disse que estava bem, que na Bíblia se dizia que Deus gostava dos cabelos compridos nas mulheres e assim nós prometemos. 

Em seu coração minha avó deve ter prometido não chorar, pois não a vi fazer isso nem uma vez sequer, embora seus olhos estivessem sempre vermelhos...

Era mês de julho e minha mãe ficou internada por 45 dias. Quem conhece hospital público sabe como é difícil ficar internado neles tanto tempo - e assim dá prá se fazer uma ideia da gravidade da sua condição...

Minha avó não pôde visitá-la nenhuma vez - pois nem meu pai se propunha a cuidar algumas horas dos filhos prá que ela pudesse fazê-lo e nenhum dos meus tios sequer pensou em trazer a esposa prá essa finalidade. Hoje, eu mesma mãe já madura e pensativa, imagino a dor e a saudade que minha mãe e minha avó devem ter sentido, distantes uma da outra tanto tempo...

Meu pai foi visitá-la uma única vez, prá pedir prá ela voltar prá casa. Disse que minha avó não estava aguentando cuidar da casa e de tantas crianças, que nenhum dinheiro estava entrando em casa pois lhe faltavam serviços e que todos estávamos passando fome...

Minha mãe então mentiu pro médico: disse que estava melhor, que já estava conseguindo se alimentar e fazer suas necessidades sem o auxílio das sondas e, assim, teve alta.

Dizem que os seres humanos não podem voar, pois não tem asas - mas quem diz isso não se dá conta dos voos que nossas almas são capazes de dar: ao ver minha mãe descer as escadas da nossa casa eu juro que voei de felicidade dentro do meu peito, da mesma forma que fazem os passarinhos quando o céu está bem azul e o dia está lindo!

Minha mãe e minha avó se abraçaram e choraram juntas - choramos todos, prá falar a verdade, até mesmo os pequenos, que pouco entendiam do que estava acontecendo...

Com minha mãe voltaram o sol, as risadas, as toneladas de fraldas estendidas no varal - por um dia apenas.

No dia seguinte, ardendo de febre e com a barriga enorme e dura ela voltou pro hospital - sua bexiga ainda não estava funcionando direito, tinha retido urina por aquele tempo todo...

Em setembro, finalmente, ela voltou em definitivo prá casa. Não tinha mais o útero - então as hemorragias acabaram. Não tinha mais o tumor - graças a Deus! - e continuou levando a mesma vida, de trabalho e sacrifício...

Em 25 de dezembro o Natal não nos trouxe nada - pois meu pai continuava desempregado. Nossas bonecas estavam descabeladas - como ficam todas as bonecas que brincam sem parar nas mãos das meninas... - faltavam-lhes sapatos, as roupas nem eram mais as mesmas (substituídas por modelos exclusivos feitos com trapos...). A bola de capotão dos meus irmãos foi furtada do quintal - pois há quem não respeite a pobreza e furte o pouquinho que pertence a ela... Os carrinhos deles nem rodinhas mais tinham...

Sentada na calçada apreciando as caixas de brinquedos exibidas do lado de fora das casas vizinhas eu pensei em como eu era feliz: meu Natal tinha sido em setembro e meu presente não tinha caixa prá jogar fora...

Essa não era bem a história que eu queria contar a respeito do Natal - tenho uma outra história, guardada no meu baú de tesouros da memória... Mas acho que muita gente ia achar triste - talvez eu fizesse alguém cansar de ler minhas histórias...

Então, por agora, deixo vocês com essa lembrança antiga de um final feliz e desejo a todos um Maravilhoso Natal, cercados de pessoas amadas - porque, cedo ou tarde, não apenas os pacotes, mas também os próprios presentes, vão todos parar no lixo. 

Só o que importa é o amor - dado e recebido...

Já estou de férias - então as postagens vão parar por um tempo. Mesmo esta foi programada prá estar aqui muitos dias atrás... Final de ano é corrido aqui em casa, são tantos presentes prá fazer, a casa fica de pernas pro ar, meu coração fica tão acelerado que nem preciso de café...

Assim sendo, quero desejar a todos que me visitam aqui no blog (mesmo os que não comentam, por falta de tempo...) um Natal cheio da presença de Deus: aproveitem bem as festas de fim de ano, comam muito panetone, bebam champanhe sem álcool (que álcool mata as células do cérebro, prá quem não sabe - e elas não nascem de novo...) e um 2015 cheio de saúde e de paz prá todos nós...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Duas de uma só vez...

Prá duas irmãs - duas sobrinhas...





Feitas ambas em peça única (manequim 40/42), sem costura nos ombros - você já tira a blusa pronta prá fechar dos lados e fazer os acabamentos. Cada uma delas usou menos de um cone de linha Brisa Verão (ou seja, cada um desses presentes de Natal lindos me custaram algumas horas de trabalho prazeroso e meros 11 reais...)

Detalhes da blusa vinho:





Prá uma amante da série "Crepúsculo", uma blusa cor de sangue com chatons negros aplicados aqui e ali - o trabalho são meios-corações, que já expliquei como faz neste meu vídeo (indicado ao Oscar) aqui:



Os acabamentos foram feitos assim: uma carreira de pontos baixíssimos (um em cada ponto tricô de base). Na segunda carreira faz isso de novo, só que pula um em cada cinco pontos de base. Na terceira carreira faz dois pontos baixíssimos, um picô e pula um ponto de base - que assim fica plana, sem enrolar. Mas depende muito do ponto da pessoa, da firmeza de sua mão, então teste como fica melhor prá você...

Receitinha de mãe:



Detalhes da blusa creme:




Romântica, coraçõezinhos de vários tamanhos em vários lugares, sendo que cada um deles recebeu a aplicação de um strass, costurado à mão.

Acabamentos em crochê, uma carreira de pontos baixíssimos, um ponto em cada tricô de base. Na próxima carreira fiz ponto caranguejo, pulando cada quarto ponto de base.

Receitinha de mãe:



O coraçãozinho ajurado foi feito com o transportador também, seguindo um gráfico e mudando as agulhas de lugar e dentro dele costurei 3 pedrinhas. Gráfico:



Feitas com amor, únicas no mundo - até agora. Podem copiar - é prá isso que o blog existe, afinal de contas. 

Fico feliz demais quando alguém faz uma receita que eu inventei...

Agora: o cabelo da Nana. Tava assim ontem, quando fotografei de manhã:



À noite ela foi dar uma cortada na cabeleireira (acredita que ela queria cortar na altura dos ombros??? Sacrilégio!!! Blasfêmia!!! Horror!!! Eu e a Lola conseguimos convencê-la a não cometer esse crime! Ela deu só uma aparadinha...). Chegou em casa 8 da noite e adivinha o que ela trouxe? Um kit de escova progressiva, prá mãe dela "pau-prá-toda-obra" fazer AQUELA HORA, pois hoje (sexta-feira) ela ia passear com o namorado, também estudante de Medicina, que está de férias (como ela...). Fim de semana ela tem outras coisas prá fazer, então tinham que passear hoje. 

Resultado: fiz a escova, ficou um arraso, mas não fotografei ainda - muitos tricôs e costuras prá fazer. Mas na próxima foto vocês verão como fica cabelo descolorido com progressiva, feito com amor pela mãezinha (e como se economiza 300 reais aqui no subúrbio - he, he, he...).

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Custo Zero!!!!!







Pois é: nem tudo de bom na vida custa os olhos da cara - tem coisas maravilhosas que são totalmente de graça. Beijar os pés do meu filho, por exemplo: não pago nada pelo privilégio. Apesar de ser alto como um guarda-roupa e cheio de barbas na cara, apesar de ter a voz grossa e calçar 41 tem os pés com a pele de um recém nascido (as mãos também...). Nunca vi uma pele igual, tão macia, tão limpinha, tão cheirosa... Está em Brasília, só volta dia 20 - e eu tô contando cada segundo, só não tô definhando porque sei que ele tá bem e que logo volta prá casa... Daí vou beijar os pés até cansar...

Mas o "custo Zero" da postagem de hoje é dessa blusa, que levei sábado de presente de Natal prá Tia Joanita (tia do Marildo que peguei prá mim...).

Não gastei nada prá fazer a blusa - eram sobras de linha Cléa 1000 que eu tinha nos meus guardados... Caprichei nas listras - que assim some totalmente a cara de sobra, parece que foi proposital o design... 

Chegamos lá carregando um ventilador novo, bem silencioso - pois o dela tava agonizando, pobrezinho... Ela adorou, mas parecia que estava faltando alguma coisa - daí eu entreguei a blusa, ela abriu o pacote e disse: "Ah, agora sim!!! Agora eu tô feliz!!!". Pensou que eu não tinha dispendido meu tempo com ela, então o ventilador era bom - mas nem tanto...

Toda semana ela liga pro Marildo, umas duas vezes pelo menos, prá dizer prá ele me mimar, cuidar de mim, que me adora e que eu valho ouro e que ele é sortudo pois casou com a melhor mulher do mundo (Ah, como é bom ser amada!!!).

Daí, enquanto a gente fazia a visita - e depois dela experimentar (toda vaidosa) a blusa nova, ela entrou na cozinha, trouxe um pote de plástico com um negócio que havia feito prá mim: caroços de abacate picados, descansados duas semanas no álcool, prá eu passar nos cantos que me doem... Mas não ficou só na entrega: enquanto eu estava ali, sentada no sofá, ela se agachou e foi esfregando o líquido marrom escuro nos meus joelhos e pés, que era prá eu melhorar logo!!! E eu falando: "Não tia, deixa que eu passo!!!" - mas quem diz que ela me deu trégua?!! Tão velhinha e se preocupando comigo - eu dei muita sorte com as tias que herdei quando eu casei, não dei? Todas me amaram infinito...

Bom, as listras da blusa você faz assim:

Depois que você teceu um pedaço, traz prá frente toda quarta agulha - deixa três no lugar e a quarta empurra bem prá fora.

Não precisa cartela - embora exista. Você vai colocar no carro da tua máquina a alavanca de retenção de pontos na posição "H" - com isso todas as agulhas que estão prá frente não vão tecer, a linha vai passar por cima delas... Ah, não reparem o pó no meu carro: tô fazendo tanto tricô que as linhas soltam fiapos - e eu tô sem tempo de ficar espanando toda hora, o máximo dos máximos é espirrar silicone na coitada...

Espia só: teci duas carreiras com o salmão e as agulhas permaneceram paradinhas, bem quietinhas descansando do trabalho...

Na verdade, prá fazer o visual desse ponto, teci as três carreiras iniciais de cada cor com a alavanca no "H". Na quarta carreira eu coloquei a alavanca no "N" - daí todas as agulhas foram tecidas - vê aí embaixo como ficou:

Não fica lindo? Parece quase uma florzinha... Já usei esse ponto em uma cor só, nesta blusa AQUI...

Fica assim o lado do tricô - eu acho mais bonito. Mas todo mundo aqui em casa falou prá fazer a blusa do outro lado, porque a Tia Joanita é velhinha e ia se confundir - e acabar vestindo a blusa do avesso...

E esse é o lado do ponto meia - o lado que eu usei. Reparem que o ponto que ficou retido fica alongado, formando um efeito bonitinho também...

Bem de perto...

Receitinha de mãe (para manequim 46/48):



Essa receita é uma mina de ouro: primeiro porque é super econômica - mesmo se você não usar sobras, como eu usei... A linha Cléa é baratinha, tem cores lindas que você pode combinar e criar uma diferente da outra... Segundo: é 100 % algodão, então não irrita a pele de ninguém. Terceiro: usada dupla, na regulagem 10 - fica pronta rapidinho. 

Tem gente que tem dificuldade em usar essa linha na máquina, falam de usar parafina... Na minha máquina ela vai super bem - mas acho que é porque eu tenho enrolador elétrico e nele tem uma velinha de parafina por onde a linha passa enquanto eu enrolo, então acho que deve ser por isso... Mas você pode fazer assim: pega uma vela normal e, com a ajuda de uma outra pessoa, vai passando a linha na vela enquanto enrola...

Dinheiro certo no Natal - faz que vende, colega! E presentes lindos e de baixo custo - mas ninguém precisa ficar sabendo, é segredo nosso...

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