Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Reformando cadeiras



É isso que nosso mundo é: um lugar onde a grande porcentagem dos habitantes descarta de qualquer jeito aquilo que não lhes agrada mais ou não tem mais serventia... 

Contando que não esteja visível aos olhos deles, não lhes incomode, tá tudo bem - é só deixar que o lixeiro leva pro mundo mágico do descarte. 

E assim vão se amontoando coisas que demoram séculos para se reintegrarem à natureza, emporcalhando a paisagem, ocupando espaços, poluindo...

Não eu.

Eu reciclo: separo papel, vidro, plástico, metal - e deixo nos dias certos, na minha porta, prá quem vai retornar aquela matéria prá produção de um montão de coisas úteis, enquanto ganha o sagrado pão de cada dia honestamente...

Agora vejam esta cadeira:

Temos duas delas aqui em casa, com aproximadamente cinco anos de uso. Usadas nos computadores, pelos meus filhos, cobertas com forros feitos por mim quando foram compradas, prá proteger e evitar que o corino rachasse - como dá prá se ver, não adiantou nada. Nunca foram usadas assim diretamente, sempre cobertas pelos forros - que já estavam até bem cansados, desbotados, mas inteiros - as cadeiras, ao contrário...


Petição de miséria - e essa é a melhorzinha. Agora com a reforma meu marido falou prá eu por as duas na rua, pro lixeiro levar...

Prá todo mundo aqui em casa, eram um caso perdido - mas as estruturas estavam intactas, sem ferrugem, sem desgaste... Somente a espuma (que era de péssima qualidade...) é que estava murchinha e o corino que foi prá casa de chapéu...

Esperei não ter ninguém em casa e reformei as duas (uma de manhã, outra de tarde) - no dia em que seriam jogadas na rua pro lixeiro levar, à noite, usando o meu mais novo e favorito brinquedo: o grampeador de tapeceiro!

E quatro travesseiros velhos - que eu escondo nos maleiros dos guarda-roupas quando todos pensam que eu joguei fora - velha lixarenta de primeira!

Desmontei as cadeiras - soltando os braços, o encosto se separa do assento...


Prendi com fita adesiva um dos travesseiros no assento, amoldando bem...

Daí emborquei o assento no chão em cima de um pedaço de jacar muito lindo que eu comprei na loja de tecidos ao lado do Shopping Penha...

E fui grampeando - o segredo é apertar bem o grampeador prá baixo, que assim quando você dispara o gatilho o grampo entra bem fundo.

Se eu tivesse um pedaço de tactel preto agora era hora de fazer um forrinho prá parte de baixo, prá esconder o tecido grampeado, mas como não tem e como ninguém vai se agachar no chão prá olhar ali, fica assim mesmo...

A foto ficou torta, mas dá prá ver que ficou mais confortável do que antes?

Agora o encosto da cadeira: prendi com fita adesiva o travesseiro ortopédico - melhor prás costas - que é o travesseiro que eu uso, pois só durmo com esse mais firminho, senão dá dor de cabeça...

Vou puxando o tecido e vou grampeando, fazendo as dobras prá arredondar os contornos - e dá-lhe grampo!

Cortando os excessos de pano depois de grampeados...

e fazendo sempre duas fileiras de grampos, que é prá não soltar quando a gente se senta na cadeira...

Daí eu cortei um retângulo do pano do tamanho das costas do encosto da cadeira...

E fui dobrando e grampeando, até ficar bem bonitinho e esticado...

e o encosto ficou assim, lisinho. Parece exageradamente gordo, mas é só ilusão da foto - ficou perfeito, vocês vão ver...

Daí desparafusei os descansos dos braços, todos rasgadinhos...

cortei 3 tiras de plumante do tamanho que eu queria, uma tira do tecido, posicionei tudo desse jeitinho e fui grampeando prá dentro, assim:


Então foi só parafusar a parte metálica do braço de volta no descanso.

Com a ajuda da ponta da tesoura eu cacei os buracos dos parafusos...


E montei a cadeira de novo, agora confortável e novinha em folha!


E a outra eu reformei usando retalhos de corino, comprados baratinho em tapeceiro - eram sobras. Não ficou nada que se diga: "Nossa! Dignas de se vender na Tok &  Stok!" mas é o seguinte: ficaram mais confortáveis do que quando vieram da loja (meus filhos sempre tiveram que usar futons prá sentarem mais confortáveis nelas...) e estão limpinhas. Iam pro lixo, enferrujar ao ar livre, emporcalhar o mundo - e não vão mais!

Agora parti prá reformar a mesinha - que era uma antiga mesa de overloque comprada num bazar de caridade a 30 reais, com os habituais furos - e eu descasquei a fórmica feia e velha usando faca de cozinha e paciência:



Tampei os buracos com papel machê que tenho guardado num saquinho na geladeira - uso prá consertar até buraco na parede, acredita?

O corpo metálico da mesa tava coberto de ferrugem...

Lixei e pintei de preto.

Os buracos ficaram ótimos - afinal, papel é madeira em outra forma, não é mesmo? Minha ideia era misturar serragem com cola e aplicar nos buracos, mas ninguém foi no marceneiro buscar serragem prá mim...

Só faltava terminar de descascar - essas partinhas aí são muito duras, alguém danou cola demais nelas... Meu filho chegou e terminou prá mim.

E é assim que eu fico: cheia de hematomas e pequenos cortes nas mãos e nos braços - que eu só reparo bem depois, pois na hora que eu tô mexendo nessas coisas eu me machuco e nem sinto. 

Outra noite meu filho teve um pesadelo e acordou todo preocupado comigo. Disse que sonhou que tinha uma coisa que eu queria consertar, mas que minhas mãos não cabiam dentro e então eu as cortei fora. Daí ele chegou, me encontrou sem as mãos e começou a chorar enquanto as costurava de volta nos meus punhos, e no sonho eu só dizia prá ele assim: "Mas filho, minhas mãos tavam me atrapalhando!"...



Meus filhos dizem que eu sou uma eterna fonte de preocupação prá eles, pois vivo com o bicho carpinteiro, não paro quieta, tô sempre me machucando... Mas eles bem que arregalaram os olhos de felicidade quando chegaram em casa e encontraram as cadeiras reformadas...

Bom, quando a mesa secou, colei um papel pardo no avesso dela, parte que vai ficar por baixo e ninguém vai ver, só prá escorar os meus remendos...

Depois eu mostro como a mesa ficou - ainda falta colar fórmica branquinha nova por cima e fita de fórmica na lateral da tampa dela...

Então, continuando: sábado fui no Bom Retiro com as meninas e comprei 210 reais em retalhos de moletom (aquela mochilinha de minion foi um dos meus presentes do Dia das Mães, onde guardo meus tricôs e crochês em andamento, meu ebook, meu creminho de mão - prá tudo ficar organizado e bem à mão. Meu marido diz que eu sou a única velha do mundo que tem malinha de minion...

Aí estão os retalhos de moletom...

e um pedacinho de viscolycra prá fazer uma blusinha florida prá mim...

E com os retalhos cortei 16 calças prá família - num custo de 13 reais por calça (bom demais, super quentinhas, de moletom grosso e flanelado...).



Agora presentes: Hoje de manhã o correio me trouxe dois presentinhos da amiga Marilda, do blog Mara - Crochê por amor...


Uma toalha Arco íris, que tem pap no blog dela (bem aqui) - olha só, Mara querida: já tá enfeitando a minha mesa!


E ela ainda me mandou essas pantufas de crochê super quentinhas!!! E nem é meu aniversário nem nada!!!

Daí olha só: eu tinha essas sapatinhas moleca bem velhinhas e cansadas, escondidas da minha família (que as queriam jogar fora, pois estavam bem roídas por dentro (embora o solado esteja em muito bom estado...)

Cortei fora a parte estragadinha (e o sapatinho de borracha cor de vinho que eu tô usando comprei lá na loja Fix 10 no Bom Retiro, a 10 reais o par - comprei 5 pares, são deliciosas e tem num montão de cores... Não machucam os pés e são lindas, parecem feitas de crochê...)

Calcei as pantufas que a Mara me deu, posicionei o pé no solado antigo e requenguela da minha sapatinha...

E fui costurando...

Costurando...

Fiz uma correntinha grossa de lã...

e costurei prá esconder a parte que ficou feia...


E agora posso usar as pantufas o tempo todo, sem medo de escorregar! Ah, eu tô subindo a barra da calça prá vocês poderem ver o detalhe lindo da dobradura da pantufa que a Mara me fez - não pensem que Dona Rosa anda caçando rãs em casa...



Mara querida, pensa só: toda vez que estiver fazendo frio, eu vou estar com os pézinhos bem quentinhos e confortáveis, graças a Você! Que Deus te abençoe pela bondade e pelo carinho...


Viram só quanta coisa a gente consegue fazer quando quer de verdade? Tá aí parada por quê mesmo? Se você olhar à sua volta, vai ver que tem um cantinho precisando de uma passadinha de tinta, uma porta que precisa de uma demão de verniz, uma cadeira que tá gritando prá ser reformada...

Quando a gente se ocupa, o tempo passa de forma mais prazerosa e, quando a gente voltar prá casa, o Pai do Céu não fica triste com a gente porque desperdiçamos os tesouros do tempo...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...