Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Vida e coragem


Ainda não eram oito e meia da noite, em pleno meio da semana. Sentada no sofá lá estava eu, fazendo acabamento de crochê em uma blusa - ainda tinha muitas horas pela frente, mesmo cansada e com sono...

Meus filhos estavam na parte de cima da casa, a Lola e o Ike jogando vídeo game, a Nana no telefone com uma amiga, eu sozinha na sala assistindo desenho. Como eu estava cansada... Tinha sido dia de passar roupas, minhas pernas doíam mais que o normal...

De repente ouço a buzina do carro, me levanto e, movendo de lugar a cortina da porta da copa, vejo meu marido parado de frente prá garagem. "Que alegria!" - eu pensei... Por algum motivo ele havia chegado bem mais cedo do que o esperado - naquele dia, como nos outros também, dava aula na faculdade até as onze da noite, eu só o estava esperando lá prás onze e meia, quinze prá meia noite. 

"Que bom! que bom, que bom!!!" fui repetindo baixinho prá mim mesma, pensando que ia dar prá dormir mais cedo, andando feliz da vida - até me esqueci da dor nas pernas enquanto me dirigia prá porta...

A porta - ainda bem que a gente se desfez dela... 

A porta daquele tempo era assim: de ferro fundido, com grades trabalhadas no meio pelo lado de fora e, pelo lado de dentro, um vitrô que se abria prá deixar entrar o ar... Era bonita, mas já tinha dado o que tinha que dar... Numa tentativa de assalto um ladrão já a tinha amassado toda, o serralheiro tinha feito umas remendadas meia-boca - até nem tava feia, mas eu tava cansada dela. Contudo o maior defeito da porta nem era sua aparência cansada: o trinco só ficava fechado se a gente passasse a chave. Se deixasse a porta encostada, ela abria sozinha - tinha que estar sempre trancada. 

Assim sendo, toda vez que alguém atravessava a porta - mesmo que prá pegar uma simples carta na caixinha do correio... tinha que fechar com chave (especialmente por causa da nossa cachorrinha, que era só escutar alguém abrindo a porta e já corria prá xeretar - e podia ser atropelada pelo carro entrando na garagem...).

Lá fui eu - fechei à chave atrás de mim a porta, fui até o portão da garagem, abri a fechadura, abri o cadeado de segurança, olhei pro "Marildo" com um sorrisão de felicidade e ele fazendo gestos enormes por trás do vidro - que era prá eu fechar o mais rápido possível o portão...

Daí que eu reparei um rapaz subindo nossa rua: alto, com um blusão de moletom bonito em cujos bolsos mantinha suas mãos escondidas, de boa aparência - até lembrava um pouco meu menino. Prá baixo dele, numa distância de uns cinquenta metros, dois outros homens, meio esquisitos, também com blusões de moletom, mas com o capuz escondendo os rostos - deles é que eu pensei que o "Marildo" tava falando...

Com toda a pressa que minha condição física permitia eu fui fechando as duas partes do portão da garagem e, enquanto eu fazia isso, atravessou correndo do outro lado da rua, tirando as mãos do bolso, o rapaz que vinha na frente - do qual a gente não desconfiava... Numa das mãos uma arma enorme, reluzente de nova, tremendo ameaçadora na direção da minha cabeça...

-"Abre esse portão, sua v@c@! Abre senão eu te arrebento a cabeça!!!" - a ponta da arma atravessando o vão da grade do portão, mirada no meio da minha cara!

Se ele não estivesse tão nervoso teria reparado que eu não tinha passado o trinco - era só empurrar o portão que ele abria... Olhei pro rosto dele - um menino bonito, com idade prá ser meu filho, e pensei:

-"Então é assim que eu vou morrer? Eu ainda queria fazer tanta coisa..."

O rapaz continuou gritando e, enquanto eu olhava assustada seus olhos, fui movendo o trinco... Os outros homens que vinham mais embaixo foram se aproximando de nós - todos parte do mesmo grupo. 

-"Abre essa porta, eu tô mandando! Quer morrer, sua velha?"

Eu só conseguia pensar nos meus filhos... Os três dentro de casa, tão tranquilos, tão bons... Se aqueles três entrassem, só Deus sabe o que podia acontecer - uma desgraça, uma tragédia... Meu marido, dentro do carro, nem se mexia... Me disse depois que teve medo de assustar o rapaz e ele disparar a arma...

Eu, boba, disse assim prá ele:

-"Moço, não faz isso... eu tenho idade prá ser sua mãe... Pelo amor de Deus..." - e ele disse palavrões horríveis se referindo à própria mãe...

Parada ali, perante três homens mal intencionados, enfrentando a morte, eu pensei:

-"Será que vou ver a bala entrando? Será que morrer dói muito? Meus filhos vão chorar, vão ficar  tão tristes..."

Mas a tristeza deles era o de menos - eles TINHAM que ficar vivos, eu não podia, eu não IA deixar ninguém entrar na minha casa...

Quando o rapaz gritou comigo pela terceira vez, tremendo a arma na mão a menos de meio metro de mim, já os outros dois ensaiavam escalar o portão  e eu disse pro rapaz:

-"Me desculpa, mas vocês não vão entrar na minha casa... Meus filhinhos estão lá dentro, eu não vou deixar vocês fazerem mal prá eles..."

Vocês conhecem alguém que pede desculpa prá ladrão? Eu - prá ser tonta tenho que melhorar muito... Mas, mesmo tonta, eu estava decidida a morrer ali, na porta de casa -  por mim viva eles não iam passar. 

Nessa hora acho que meu marido se deu conta de que ia me perder, que dali eu não ia sair - não é só o medo que paralisa a gente, a coragem (às vezes) também faz isso... Abrindo o vidro do carro eu escutei ele gritando: "Corre prá dentro, mulher!"

E em um lapso de segundo eu pensei que - já que eu ia morrer mesmo... - bem que eu podia arriscar a sorte e tentar fugir prá dentro de casa (uma chance em mil...) e - quem sabe? -conseguir continuar vivendo...

Dei as costas e comecei a correr - imaginando se eu ia levar um tiro na nuca, ou bem no meio das costas... Continuei correndo - parecia câmera lenta de filme, seria até cômico não fosse a situação...

Quando cheguei na metade do caminho consegui ver meus filhos através do vitrô escancarado da porta, a cortina aberta de tudo, seus rostos desesperados, todos falando ao mesmo tempo - trancados dentro de casa por mim! Naquele tempo tínhamos apenas duas cópias da chave da casa - uma meu marido levava com ele, a outra estava comigo e eu a havia usado prá trancar a porta por fora e proteger nossa cachorrinha... 

Justo nessa metade do caminho aconteceu a coisa mais estranha do mundo: me faltaram totalmente as forças nas pernas. Foi como se, de repente, eu não as tivesse mais - ficaram mortas de tudo. Parecia até que alguém as tinha desligado! Caí de joelhos no chão com toda a força e, desse ponto em diante, só minha força de vontade me fez eu me arrastar até a porta, com o molho de chaves tremendo na mão!

Ouvi um dos homens gritar: "O cara pegou a arma no porta luvas do carro!!!" - porque meu marido deve ter se mexido - e não me virei prá trás, prá ver o que aconteceu depois...

Só sei que consegui - não me perguntem como - enfiar a chave na fechadura, rodei e nem precisei abrir - porque a bendita da porta se escancarou, um pouco sozinha e muito pelas mãos dos meus amados filhos, que me levantaram e me arrastaram prá dentro (pois minhas pernas estavam frias e moles, parecendo pernas de uma boneca de pano gigante...).

Meu marido entrou, fechou a porta atrás dele, ligou prá polícia - que não pôde fazer nada, pois os canalhas já tinham se perdido no mundo...

Nunca na vida fui tão beijada, tão abraçada, tão amassada... Meus filhos diziam que eu era uma heroína, meu marido me dizia que eu devia ter fugido prá dentro logo de cara, que eu me expus a um perigo desnecessário - fácil falar...

A gente até fantasia - eu, pelo menos, faço isso - sobre que atitude teria numa hora dessas... Eu me imagino dando uma voadora ninja num desgraçado desses, defendendo minha família com unhas e dentes... Às vezes - pode acreditar, que é verdade! - eu escondo uma tesourinha de bordado no sutiã quando vou abrir a porta, uma agulha fina de crochê... Toda madrugada - quando eu levo a Naninha no metrô - levo comigo meu guarda-chuva gigante, que é prá "sentar na cabeça de uns e outros" se for necessário (e minha família inteira ri de mim por causa dessas coisas, dizem que eu tô velhinha, que eu tô devagar, que antes mesmo de eu esboçar uma reação um bandido me acaba - ô, crueldade da vida, ninguém faz fé em mim...).

Daí, quando eu fico mesmo passada, de saco cheio de tanto preconceito com a minha pessoa, eu falo assim:

-"É, eu tô velha... Mas não se esqueçam de quem foi que enfrentou a morte olhando prá arma e não deixou o mal entrar dentro desta casa...".

E todo mundo cala a boca muito bem calada - porque tem memória, graças a Deus.

Agora olha como a vida é engraçada: menos de um mês depois disso acontecer na nossa vida - eu ainda tremia as pernas cada vez que tinha que abrir o portão de noite (mas não deixava ninguém abrir no meu lugar - não, senhora)! - lá estou eu, pleno sábado de manhã, comprando castanhas do pará no mercadão municipal da Penha, quando entram dois rapazes pela porta lateral do mercado (bem do lado do estande em que eu estava fazendo compra) e eu reconheci o rapaz da arma. Gelou meu sangue, eu fiquei parada olhando prá ele - e ele me reconheceu também! Pegou no braço do outro rapaz, gritou: "Sujou!" e ambos saíram correndo dali pela rua Gabriela Mistral... Só aí, mediante o alvoroço que foi - pois empurraram gente prá fugir, já que o mercado tava cheio... - o Marildo se tocou, me perguntou o que tava acontecendo e saiu correndo atrás deles - mas sumiram, gatunos ágeis que eram...

Trocamos a bendita porta e meus filhos exigiram uma cópia da chave prá cada um deles, prá nunca mais ficarem trancados dentro de casa quando o mundo acontece lá fora...

Meus joelhos ficaram duas bolas roxas, feios de fazer dó. Fiquei um tempão sem usar vestido, pois chamava atenção as pernonas brancas com os hematomas aparecendo...

Não vi minha vida passar pela minha frente - pois não era ainda a minha hora. 

Aliás, duvido que isso realmente aconteça... Porque - se acontecesse... - a gente não ficava sabendo: como é que uma pessoa que morreu, que viu a vida inteira passar como num filme, volta depois prá contar isso pros vivos?

Acho que, quando chega a hora, ninguém na verdade sabe. A gente simplesmente vai embora, fecha os olhos prá uma realidade, acorda em outra, deixando prá trás um montão de coisas que não deu tempo de fazer, roupas prá lavar e passar, tricôs pela metade, palavras que não disse, abraços e beijos que não deu, amores que não declarou,  perdões que esqueceu de pedir...

Os tricôs que se danem, alguém que os desenrole e dê destino ao fio. Outra pessoa que se encarregue das roupas sujas, porque meus abraços e beijos, meus amores e os perdões estão sempre em dia - graças a Deus.

Se fosse a minha hora mesmo, a única coisa que ia me incomodar era deixar gente triste prá trás. Fazê-los sofrer, mesmo que indiretamente, mesmo sem ser culpa minha.

Mas aqui estou eu - firme e forte, cada vez mais rabugenta...

É bem como dizem: vaso ruim não quebra.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Pulover masculino básico

Pro meu filhinho usar no trabalho, agora que o frio tá chegando. É básico, é leve - mas esquenta - e combina com a roupa social.
 




Nas Lojas Pernambucanas você encontra um parecido, por 70 reais. Nesse eu comprei meio quilo de lã industrial 2/28 (na qual paguei R$20,70), enrolada dupla e gastei só 2/3 dela. Ou seja: menos de 20 reais por uma blusa... A foto não saiu boa: ficou uma malha bem fechadinha - fiz na regulagem 5 - e muito gostosa ao toque.

Quero fazer de outras cores - pelo menos uma azul marinho e uma cinza escuro - mas meu moleque diz que só uma tá bom (me ama e não gosta de me dar trabalho, é o melhor filhinho do mundo... Por isso que, quando eu olho prá ele, vejo estrelinhas e meu coração quer sair do peito e correr prá junto dele...).

Bom, essa receitinha - eu acredito... - vai ser uma mão-na-roda prá muita gente. Jeito fácil de ganhar dinheiro: no site da Lãs Formosa a lã 2/28 tá custando em torno de 37 reais o quilo, com um cone dá quase prá fazer 3 blusas!!! E o modelo é fácil, não leva ponto trabalhado, sai rapidinho da máquina...

E com a lã que sobra você ainda faz meias - não perde nada, é lucro na certa!

Agora - o tamanho: meu moleque tem 1,83 cm de altura e usa camisas tamanho 2 da Dorinhos. Reparem que a blusa não fica apertada, que é prá caber a camisa social dentro sem amassar.

Receitinha de mãe (clica nela prá ver em tamanho maior):


quarta-feira, 15 de abril de 2015

Grãos e Legumes...

Não é difícil viver sem carne - e se alimentar de coisas muito gostosas. Hoje eu trago prá vocês duas sugestões fáceis e muito nutritivas.

Primeiro: Picles.

Lave, seque e corte em fatias finas os legumes que você quiser: cenouras, pepinos, nabos, rabanetes... disponha-os em uma grande travessa e tempere com um pouco de sal, um dentinho de alho socado, pedaços de cebola, folha de louro, tomilho, pimenta dedo-de-moça. Mexa bem prá misturar os temperos, acondicione tudo em vidros e cubra com vinagre. Deixe curtir na geladeira por uma semana - no mínimo. O vinagre cozinha os legumes, que ficam deliciosos, mais temperadinhos que os picles comprados prontos. MAS tem que ser legume fatiado, não podem ser pedaços grandes. Se quiser fazer em pedaços grandes asse-os antes e tempere ainda quentes - que assim eles absorvem os temperos...

Olha os meus: gloriosos!!!









Daí você faz Hamburguers 100 % vegetarianos, usando grão de bico ou lentilhas: 

Deixe de molho (grão de bico, lentilha, grão de soja...) em água da noite pro dia, escorra e passe por um processador ou liquidificador (usando a tecla PULSAR), juntamente com uma cebola cortada em pedaços, sal, pimenta, alho, suco de limão ou vinagre - até ficar bem moidinho. Então dê liga com farinha de rosca ou pão de forma esmigalhado. 

Dê formato de hamburguer (grande, prá por no pão, ou como os meus, do tamanho de biscoito recheado) e grelhe, frite ou asse - do jeito que você achar melhor. 

A massa fica assim: não leva ovo, nem leite...


Você leva prá fritar...


Os de grão de bico ficam os mais gostosos - os favoritos aqui de casa:



Crocantinhos por fora, macios por dentro. Lembra um pouco a textura do acarajé, só que mais temperadinho...

E os de lentilha também fazem sucesso...


Hoje esse é que foi o almoço...

Comecei a passar roupas não eram nem cinco e meia da madrugada, daí só tive tempo de por um arroz no fogo, processar as lentilhas e ir fritando. Isso mais o picles e umas batatinhas pretas que sobraram de ontem:


Um copo de Coca-cola (que eu não sou de ferro...) e eu tô feliz da vida, mesmo podre de cansada...

Todo mundo sabe que vegetais fazem bem prá saúde - e a grande maioria de nós também gosta de comê-los.

Menos a empregada da Tia Joanita. Um sábado destes eu fui na casa dela, levei umas bolinhas de mussarela que tinha acabado de fazer (com queijo fresco que eu trouxe do sítio) e como a Eliane (a empregada) estava lá, ofereci prá ela provar, já que ela não conhecia.

Ela provou, fez cara de nariz torcido (pela qual eu a teria mandado prá guilhotina na minha encarnação passada, na qual governei a França...) e disse que tava bom, mas que gostava mesmo é de carne. Daí, pronto! Tia Joanita aproveitou a deixa e foi reclamando, na cara dela, sobre o quanto ela era fresca e que não comia nada a não ser carne: no lugar de marmita, sempre que vinha trabalhar trazia bifes crus, que fritava prá si mesma na hora do almoço - comendo sempre 4 de uma vez.

Eu perguntei se era verdade e ela disse que sim, que há anos não põe uma folha de verdura na boca, não come uma cenoura, abobrinha, vagem... Também não gosta de feijão ou qualquer grão que seja, exceto arroz - de vez em quando.

Eu disse que ela ingeria proteína em excesso, que isso era uma sobrecarga enorme pros rins dela - os rins trabalham dobrado quando a gente ingere muita proteína - e que prejudicava também o intestino, pois - pela falta de fibras - o trânsito do alimento dentro dela era muito lento, aumentando a reabsorção das toxinas produzidas pela carne conforme ela vai sendo metabolizada dentro dela...

Ainda falei assim: "Você já viu como é que fica a carne, fora da geladeira, numa temperatura quente, num dia de 30 graus? Apodrece rapidinho, cheira mal... Agora imagina essa carne num calor maior, de quase 37 graus, sendo atacada por ácidos, fermentando enquanto atravessa o teu corpo? Aquele cheiro ruim fica preso dentro de você, mas tá lá...".

Mas ela torcia mais ainda o nariz, olhando prá mim de cima a baixo como se eu fosse uma E.T. repetindo que sabia de tudo isso, mas que só gostava de carne.

Isso porque eu nem falei da parte - digamos - espiritual de se comer carne... Porque  -provavelmente - todo animal ao ser morto sofre, sente medo, tenta escapar e eu acredito que isso não seja algo muito bom... 

A ciência já provou que emoções afetam nossa saúde - a gente pode até morrer de um susto, não pode? E se os corpos dos animaizinhos, no desespero de sentirem a morte se aproximando, produzirem substâncias que fiquem impregnadas em seus corpos - a pessoa que os come ingere tudo isso, sem perceber...

Meus filhos nunca provaram carne - de nenhum tipo. Quando eram bebês eu fazia fresquinha, toda madrugada, a comidinha deles, usando legumes, verduras e grãos dos mais variados tipos. Nunca tiveram anemia, sempre foram saudáveis, inteligentes, calmos - na natureza os animais herbívoros são os mais calmos mesmo...

Quando entraram prá escola eu conversei sério com eles, dizendo que, se sentissem vontade de comer alguma coisa da cantina, podiam comer, pois tinham direito de escolha - mas nunca quiseram nem provar. Até hoje se sentem mais seguros comendo a comida da velha, pois sabem que não tem caldo de carne, bacon, etc...

Não critico quem come carne - sei até que muita gente diz que os animais foram criados prá nos servirem de alimento. E - na verdade - durante a maior parte da história humana no planeta, isso é a mais pura verdade. 

Mas assim como já não se precisa mais exterminar as baleias prá se obter fixador de perfume - um pecado matar um animal tão lindo pro ser humano cheirar melhor... - também não é mais necessário que a gente tire a vida deles prá seguir vivendo...



São também criaturas de Deus, que apreciam sentir um dia de sol, caminhar no chão, voar no céu, beber água fresca, se alimentar, se relacionar com os outros seres, experimentando o dom da vida.

Gozado... Eu comecei a parar de comer carne aos 11 anos de idade, simplesmente prá irritar meu pai. Ele ficava bravo, me batia - mas, cedo ou tarde, surra não adianta mais nada. A gente faz o que quer fazer.

Casei com o "Marildo", ele parou de comer quase todo tipo de carne - só não conseguiu parar de comer frutos do mar. Volta e meia eu como peixe - mas sempre sinto um certo desconforto, como se estivesse traindo uma ideia bonita, sabotando a mim mesma de alguma forma.

Um dia eu vou evoluir e ser como meus filhos, se Deus quiser - e é por eles que eu sempre arranjo um jeito de fazer algo gostoso, cheio de vida...

Nas palavras de um homem muito inteligente:


E nas de um dos homens mais bondosos que já habitou o planeta:


É um dia depois do outro...


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lixeirinha prá carro



Ou - no caso do Marildo... - porta-moedas (prá ele entregar prá quem pede nos faróis...).

Vamos direto pros finalmentes:

Dois pedaços de tecido medindo 52 cm por 21 cm. Podem ser diferentes, podem ser duas peças formadas por retalhos que você mesma emendou. Um pedaço de manta acrílica medindo a mesma coisa, prá ficar dentro dos dois retalhos de tecido. Reparem que eu dei uma arredondada em uma das pontas - é a parte que vai servir de alça prá lixeirinha.

Dei uma matelassada na peça, prá unir todas as partes que estavam em sanduiche (tecido-manta-tecido).  Uni as três peças, alfinetei em vários lugares e, com a velha fita crepe, fiz a guia das costuras. Quando fui chegando perto dos alfinetes eu movia eles de lugar.

Matelassei de um lado, matelassei do outro. Ou "quiltei", como se diz hoje em dia...

Tudo matelassado, tirei as rebarbas que ficam dos lados, prá ficar tudo limpinho. Diminui quase 1 cm no comprimento e na largura - faz parte. Se a manta fosse adesivada isso não acontecia....

Agora o acabamento da "boca" da lixeirinha. Na parte que eu não arredondei eu passei um viés (comprado pronto)  com uma costura no avesso da peça.

Virei pro lado certo...

e passei uma costura, assentando o acabamento.

Fica assim - bonitinho.

Agora vem a parte de abrir o buraco que serve de alça prá lixeirinha - que a gente enfia no câmbio do carro. Cortei no olhômetro, dobrando a parte arredondada ao meio. 

Ficou assim a abertura.

Pelo centro dela, na parte de baixo, eu começo a aplicar novamente o viés, começando uns 5 cm depois do começo do viés. Vou costurando devagarinho, seguindo a linha arredondada do canto. Melhor é alinhavar - mas eu fiz meio na pressa, a outra lixeirinha se perdeu na revisão do carro...

Quando tava chegando perto de onde começou eu parei, medi mais-ou-menos onde as duas partes iam se encaixar e cortei.

Costurei, dando uma emendada básica... Nessa hora, prá caprichar MESMO, corte e emende na diagonal que fica mais bonito, não aparece a emenda...

Virei pro lado certo e rebati a costura.

Tá quase acabando: resta fechar a lixeirinha. Dobrei a parte que serve de "boca" da lixeira prá cima.

Aí que eu me dei conta: fiz uma burrice!!! Meu tecido tinha, em um dos lados, um "talho" feito com tesoura quando fiz uma roupa com o mesmo, tempos atrás... Com ele fiz uma camisa e um vestido - estão em postagens bem antigas do blog... Eu tinha dado uma cerzida meia-boca e pretendia que essa deslizada ficasse no avesso - mas acabei pregando o viés do jeito errado - meléca! A pressa é mesmo inimiga da perfeição...

Improvisando: preguei 3 botõezinhos bonitinhos prá esconder o cerzido - e acabou dando um charme...

Não ficou uma gracinha? Parece até proposital...

Dei uma fechadinha de leve com zig-zag na largura 3 nas duas laterais...

E apliquei viés no avesso, começando na base da lixeira. Deixei 1 cm de sobra, prá depois dobrar prá dentro.

Costurei em toda a volta, acompanhando o contorno.

Virei pro lado do direito, dobrei a sobra de 1 cm...

Acomodei o viés... Rebati a costura...

E está pronta a lixeirinha!!! O Marildo adorou, já encheu de moedas dentro...



Você pode usar essa técnica prá fazer maior e usar como sacolinha de compras - ainda mais agora que os super-mercados pretendem voltar a cobrar pelas sacolinhas plásticas...

Fácil de fazer, econômica, um jeito de aproveitar retalhos e ganhar um dinheirinho - quem tem carro vai adorar ter uma (leva no trabalho e vende prás colegas, oferece prás vizinhas, prás parentas!!!), prá manter o caos sob controle.

Ó, vamos dar uma calculada: 1,50m x 0,50 de manta custa em torno de 10 reais (adesivada, no Bazar Horizonte), mais 2 m de tecido - dependendo do lugar (como no Varejão Chaves...) você consegue comprar na banca de retalhos por até 5 reais... Em cada lixeirinha você usa 40 cm x 52 cm (se o tecido tiver 90 cm de largura, dá prá fazer 4 lixeirinhas com cada metro - com 2 você faz 8 delas...). Mais o viés que é baratinho: se você cobrar 10 reais cada lixeirinha, vai tá lucrando que é uma beleza...

Tá esperando o quê prá mandar brasa nas lixeirinhas neste final de semana? Segunda feira você pode começar a semana com o pé direito, ganhando dindin...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A mais linda!!!

Modéstia à parte, acho que essa foi a blusa mais linda que eu já fiz - e olha que eu já fiz uma porção delas...

É que - sabe como é... - branco é outra coisa... Não é prá menos que as noivas se casam com essa cor, ela é linda, vocês não acham? Até eu, que não me casei de noiva como manda o figurino, me casei de roupa branca...

Bom, a linha é baratinha: Anne brilho, apenas dois novelinhos (dos quais um sobrou 1/3...). Os brilhinhos é que dão o charme: à noite, na luz artificial, essa blusa fica uma preciosidade...

Manequim 46 (mas a Naninha, que é manequim 42) ficou linda nela. Espia as fotos que eu tirei:








Fiz prá mim, mas já mudei de ideia (na hora que a Nana experimentou eu disse: "Ai, filha, acho que essa blusa tem que ficar prá você, ficou tão linda!!!" e daí ela disse: "Assim não vale, mãe... Tudo você diz que fica lindo em mim e daí acaba me dando tudo o que faz e fica com nada prá você... Não quero, é tua. Um dia você me empresta...").

Bom, já ensinei a fazer este ponto AQUI.

E a receita da blusa eu usei esta mesma AQUI.

Usei regulagem 10, pois queria a trama leve e aberta, prá economizar linha (pois só tinha 2 novelos, como já disse...).

Acabamento em crochê, que de complicada já basta a vida: você se espatifa no sofá assistindo desenho, faz uma carreira de pontos baixíssimos em volta de tudo (barra da blusa, da manga e decote) e, na segunda carreira, 3 pontos baixíssimos, cinco correntinhas e prende com um ponto baixíssimo, sempre pulando - no meio dos três pontos baixíssimos - um ponto de base, que é prá barra não virar prá fora. 

É fácil de fazer, apesar de parecer complicada - toda feita transportando pontos com o transportador e deixando espaços vazios. 

Um jeito fácil de fazer render o dinheirinho suado, criando beleza ao mesmo tempo...


E por falar em beleza, espia o olhão da minha Nana: nada de cílios postiços, é só uma passadinha de rímel (que sou eu que passo nela, prá variar...). 

Ai, como é bom ser jovem - eu já fui assim... Tinha cílios até dizer chega!... Ai, ai... Ainda bem que eu não preciso piscar prá conquistar ninguém igual nos desenhos animados, senão tava perdida...

Essa é a filha que se parece mais comigo - mas, engraçado... Nenhum dos meus filhos nasceu de olhos claros, puxando o pai e a mãe... Puxaram os olhos castanhos escuros da avó - minha velha... Adoro, acho demais de lindo, vocês não?
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