Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Blusa ou saída de praia?





Você que escolhe, "amô" - se a blusa é tua, usa como gosta que ninguém tem nada a ver com isso... 

Minha Nana vai usar como blusa - assim como tá na foto, com uma blusinha de alça por baixo. A minha Lolinha disse que só usa na praia - achou muito cavada. "Tem certeza que é blusa, mãe? É muito aberta!"

Tenho. Principalmente depois de ver as russas usando:



Até fica linda com manga comprida - mas eu gostei mais da minha. Um retângulo bem simples, sem cavas nem decote - amei minha simplicidade (prá que complicar mais a vida, não é mesmo?...).

O ponto é muito simples: correntinhas e pontos altos - e um ocasional ponto baixo na hora de fazer umas uniões. A parte mais complicada é fazer o ponto alto bem comprido - porque de um lado, prá subir o losango, são feitas 11 correntinhas e do outro é feito um ponto alto com 8 laçadas. Parece complicado esse ponto alto "comprido", mas não é: quando a gente faz ponto alto a gente não dá uma laçada, passa por baixo de duas, dá outra laçada e passa por baixo das outras duas, terminando o ponto e ficando com uma correntinha na agulha? Pois antes de fazer esse ponto alto, ao invés de dar apenas uma laçada, dá oito - enfia a agulha no ponto de baixo, dá uma laçada, puxa ela por dentro de duas, dá outra laçada, puxa por dentro de duas e vai fazendo isso - dando laçada e puxando por dentro de duas - até acabarem todas as laçadas. 

Achei este vídeo no Youtube que ensina a fazer ponto alto quádruplo - com quatro laçadas:



É só fazer desse jeito, mas com 8 laçadas - moleza, né?

Receita da minha blusa:

9 novelos de linha Mambo, da Aslan;
Agulha de crochê nº 4;
Agulha de tapeçaria prá costurar.

Gráfico:



Fazer 120 correntinhas mais 3 prá virar. Fazer 120 pontos altos e seguir o gráfico (formam-se 12 metades de losangos sobre a barra)  por 60 cm - fica um retângulo de crochê cheio de losangos dentro. Fazer outro retângulo igual.

Montagem: costurar 23 cm de cada lado, para os ombros (acompanhando o desenho e unindo os bicos dos losangos - fica parecendo que foi tecido numa peça só) e costurar as laterais deixando 20 cm pros braços. Fazer uma carreira de pontos altos na abertura dos braços e, no pescoço, unir os losangos com uma carreira de correntinhas e fazer, sobre ela, uma carreira de pontos altos. 

O fio é lindo, espia o brilho (clica na foto!):



Pena que parou de fabricar, mas você ainda acha prá comprar na Aslan por 3 reais o novelo - branco não tem mais, nem preto (snif!) mas tem umas mesclas lindas de marrom e bege - comprei as duas - tem vermelho (que é um espetáculo, mas solta tinta, então lave com cuidado) e tem um verde maravilhoso... Ah, e tem um cinza clarinho que parece fio de prata - quanto luxo, hein?! 

Fica pronta num instante (uma das que eu fiz nas férias, no sítio...) porque é muito aberta, é bem diferente e prá lá de linda. 

Faz, faz, faaaaaaaz!


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Prioridades


Pela terceira vez consecutiva ligaram desmarcando a consulta da minha mãe no AMA. 

Desta vez, felizmente, ligaram um dia antes - as duas outras ligaram NO DIA da consulta - estão muito ocupados prá ligarem com antecedência...

Em uma das vezes a ligação chegou quando minha mãe já estava quase chegando no Posto - quem atendeu foi minha irmã e ficou uma fera, pois minha velhinha já tinha saído de casa há tempos e pagou táxi prá chegar lá. Na outra, por sorte, a consulta era à tarde e a ligação foi feita pela manhã. Mesmo assim, o estrago já estava feito: sempre que tem consulta no dia seguinte, ela não dorme de ansiedade - medo de perder a hora, medo do médico que for atendê-la a tratar como um pedaço de carne velha...

As desculpas são sempre uma piada: o médico parou de trabalhar ali, o médico teve um imprevisto, tá num congresso, ficou doente, viajou prá lua...

Tá difícil ficar doente no Brasil - daqui a pouco vamos ter que voltar no tempo e procurar benzedeiras...

Daí meu filho chega e comenta: 

"Mãe, sabia que o Haddad (prá quem não sabe é o ilustríssimo prefeito da cidade de São Paulo) tá querendo criar "salas seguras" pro consumo de crack, imitando o que já acontece na Holanda? E lá o drogado vai poder consumir droga de primeira, sem adição de nada que seja prejudicial à saúde, com acompanhamento de médico...".

Beleza! Tá decidido: minha velhinha tem que começar a usar crack. 

Primeiro porque tá mais do que na hora dela ter alguma felicidade na vida, enquanto ainda pode - pelo menos acho que é prá isso que as drogas servem, prá fornecer felicidade instantânea... Oitenta anos de vida, trabalhando feito um burro de carga, nunca viajou de férias na vida - há não ser pro sítio da filha: tá mais que na hora de fazer uma "viagem", vocês não acham? Mesmo que seja daquelas em que a pessoa não sai do lugar - mais barato, impossível! Não precisa se preocupar com passagens, hospedagem, malas, refeição... 

Segundo e mais importante que tudo: ela vai conseguir ser atendida por um médico! E não é um médico qualquer: é um médico que vai trabalhar seguindo os moldes de um país de primeiro mundo - Holanda!

Os motivos do Haddad são até louváveis - não, eu não fiquei louca e também meu coração não é de pedra. Esse tipo de abordagem do vício em drogas realmente deve funcionar, trazendo o usuário prá junto do Poder Público, garantindo a ele acesso a tratamento médico, drogas que passarão por um controle de qualidade, assegurando que não sejam "batizadas" por substâncias tóxicas (?); aqueles que quiserem abandonar o vício terão toda a Assistência - e quem quiser usar seguramente, pelo resto da vida, também pode. Vai diminuir a criminalidade associada às drogas - como furtos e roubos - e vai deixar a cidade menos perigosa e mais limpa: o uso delas vai continuar sendo proibido nas ruas, mas permitido nas salas. 

Lindo, maravilhoso, necessário prá assegurar uma condição mais humana aos drogados - que também são filhos de Deus. Acho difícil alguma família não ter passado - mesmo que raspando - nesse problema. Tenho um sobrinho que trabalhava, foi demitido por causa disso, recebeu três mil e quinhentos reais da empresa e se hospedou num hotel, curtindo esse doideira por quase uma semana. Não avisou ninguém, a mãe e a avó ficaram feito loucas procurando em hospitais, IML, etc... Só apareceu em casa quando o dinheiro acabou.

Temos sim que pensar nos drogados. 

Mas, antes de tudo, temos que pensar nessa nossa população, que trabalha, pega condução lotada - parecendo sardinhas numa lata - que paga seus impostos, faz prestação nas Casas Bahia e que, quando adoece, não tem a quem recorrer - somente filas sem fim prá um atendimento meia-boca numa consulta que demora - às vezes - um ano prá acontecer. 

Pior que isso? Emergência - vá você sofrer um acidente prá ver o que é bom! 

Tenho um irmão que é pedreiro. Quando estava cortando um piso no trabalho, usando aquela máquina chamada maquita, ela escorregou e quase decepou a mão dele: ficou durante 3 dias no PS do Tatuapé (que é da Prefeitura) sentado numa cadeira - porque não tinha nem cama, nem mesmo uma maca pro coitado ficar deitado!!! Depois da cirurgia, ficou na enfermaria e não tinha lençol prá cama - tinha que trazer de casa!!! O sanitário do quarto não tinha nem assento nem porta - você "resolve seus assuntos" sentando na louça gelada e com platéia...

Vão fornecer drogas de primeira qualidade pros drogados? Maravilha - mas e os remédios de pressão e tireóide que nunca tem no Posto e que são de uso contínuo da minha velha?

Tá na hora de priorizar as coisas. 

Ninguém obriga ninguém a se drogar - a pessoa é que escolhe experimentar e fica presa. Tem que ajudar? Tem.

Mas que tal primeiro ajudar aqueles que não escolheram ficar doentes? Fazer as cirurgias necessárias prá lhes restaurar a saúde, prá que voltem a trabalhar e contribuir pro crescimento do país pagando impostos; assegurar-lhes a dignidade que merecem com um atendimento humano nos AMAs, Postos de Saúde e Prontos-Socorros?

Senão fica uma coisa meio assim, "prá inglês ver" - "Olha como o Brasil tá evoluído! Tem sala de crack pros drogados, igualzinho na Holanda!"

Aposto que, muito antes de existirem na Holanda essas salas, ninguém lá tinha sua consulta remarcada três vezes e o atendimento médico não era o lixo que é aqui - duvido que alguém tenha ficado "internado" numa cadeira...


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Prestígio




Prestígio é bom e todo mundo gosta - especialmente se for bem "coquento", macio, que dê uma desmanchada na boca mas também dê trabalho aos dentes - e tenha um chocolate generoso por cima, que é prá dar aquela levantada no nosso ânimo.

É impressão minha ou o chocolate Prestígio era muito mais gostoso na infância da gente? O "Marildo" diz que não, que nossas papilas gustativas, na infância, eram limpinhas e novas - sentiam melhor os sabores. Depois de tantos anos, tantas comidas e pimentas, elas estão cansadas e já não sentem tão bem os sabores como antes...

Bom, eu falo por mim: minhas tais papilas estão tinindo - o dito cujo chocolate é que não é mais o mesmo. Tá seco/esturricado, um arremedo do que foi um dia... 

Aliás, tanta coisa mudou prá pior: o extrato Elefante - por exemplo: tá aguado; os azeites vem sendo falsificados, os macarrões andam vindo com caruncho - até um simples miojo! Se você faz compra no mercado Sonda, do Shopping Penha, já deve ter percebido isso - o produto tá longe de perder a validade e vem com bichinho. Aí dá um trabalhão ir lá no mercado devolver tudo...

Bom, vamos aos meus "Prestiginhos"...

* Três pacotes de coco ralado (usei Sococo, o que não vem adoçado);

* 1 vidro de leite de côco (pode usar leite ou até mesmo água - 200 ml);

(Se você quiser usar coco fresco, não use o leite de coco - use umas 4 colheres (sopa) de água);

* 2 xícaras de leite em pó = 16 colheres (sopa)

* 1 xícara de açúcar branco = 11* colheres (sopa)

Levar ao fogo, em panela anti aderente (quanto mais larga a base da panela, mais rápido fica pronto o doce) e mexer com colher de pau até ficar bem sequinho, como massa de brigadeiro. 

Na verdade, é praticamente uma cocada. Mas a maioria das cocadas é só coco e açúcar - muito açúcar. São tão carregadas no açúcar que até lixa os dentes na hora que a gente morde, dá até agonia. Essa minha cocada fica cremosa e macia.

Despeje o doce ainda quente em uma travessa untada com margarina ou óleo, espalhe bem com as costas de uma colher e derrube por cima chocolate picado - meio amargo é melhor, eu só tinha ao leite. Eu usei 3 tijolinhos de chocolate - daqueles que a gente quebra de uma barra grande, picados com a faca (deve dar umas 150, 200 g, não pesei...). Com o calor do doce de coco o chocolate derrete em 2 minutinhos, daí é só espalhar com outra colher, esperar esfriar, levar por umas duas horas prá geladeira coberta com filme plástico e depois cortar.

Me pergunta se eu esperei tudo isso? 

Nááááááá!!! Fui cortando ainda quente - pois toda hora eu ia dar uma espiada, uma cobiçada naquela "coquice" toda, ela ficava me chamando pelo nome com tanta doçura...

Daí cortei e eles foram ficando meio deformados, meio tortos, deliciosamente feios. Enfiei um na boca de cada integrante da família - me deixei pro final, que sou gente muito boa - e fiquei apreciando eles fechando os olhos no primeiro momento em que sentiam o sabor...

E então eu disse assim pro "Marildo": acho que as tuas papilas gustativas acabaram de ser remoçadas, pois desse docinho elas - com certeza - sentiram bem o sabor.

Ele nem teve como me responder - não fala de boca cheia...


Prá vocês que gostam das minhas comidinhas eu ofereço esse "Prestiginho" que tá mais na beirada, quase caindo do prato - pena que vocês não estão aqui prá comer (mas ele não será desperdiçado, eu vou corajosamente me sacrificar comendo mais esse...).

(Remendo de postagem: a quantidade certa de colheres de açúcar é 11 colheres - anotei errado, pois misturei a quantidade de ingredientes de uma receita com duas - que fiz no Natal...)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Respeito e opinião


Quando eu era menina morava na minha rua uma velhinha chamada dona Isaura. Ela era apenas alguns anos mais nova que minha avó e residia duas casas prá cima da minha, num quarto/sala e cozinha bem pequenos, com uma varandinha coberta na frente. Minha mãe e minha avó não eram amigas dela, apenas se cumprimentavam cordialmente - havia uma rixa bem antiga entre integrantes de nossas famílias. 

Essa velhinha, por sua vez, não fazia questão da amizade de ninguém - vivia no mundinho dela. Diferente da minha mãe e da minha avó ela não frequentava a igreja regularmente, não participava das novenas... Nunca perguntei, mas desconfio que ela não acreditava em Deus. Às vezes acontece isso: a pessoa lê demais, é mais inteligente que a grande maioria e acaba questionando além da conta a vida e as coisas ao redor e acaba concluindo - erradamente... - que estamos sós no mundo. 

Ela era casada com o homem mais odioso que eu conheci - grosseiro, brigão, sem nada que eu me lembre que depusesse a favor dele... 

Um dia, eu - que era uma "rueira", empinando pipa, jogando pião e bolinha de gude (sempre brincadeiras de meninos, porque brincar de casinha era muito chato) - reparei na dona Isaura rindo sozinha, sentada na cadeira de balanço da varanda, com um livro nas mãos. 

-"O que que a senhora tá lendo?" - eu perguntei.

-"Ah, não é prá você, não é prá menina da sua idade...".

-"Tem figuras?"

-"Não... Os melhores livros, na maioria das vezes, não tem figuras..."

Como eu fiquei empacada ali, na porta dela, ela achou por bem me convidar prá entrar na sala, onde me mostrou uma estante repleta de livros - uns sobre os outros, amontoados precariamente, parecidos mais com tijolos numa demolição. Como ela era bem velha, a casa não tinha esse asseio todo, tinha bastante pó - e ela não parecia se importar muito com isso. Estendeu a mão e pegou o livro "Viagem ao Centro da Terra", de Júlio Verne e, passando-o prá mim, perguntou: "Já leu?"

Ler? Eu só lia mesmo eram revistinhas do Tio Patinhas, do Zé Carioca, da Mônica... Mas, não querendo parecer uma bobona, respondi: "Já conheço a história. Assisti na televisão..."

Ela me mediu, deu um sorriso e disse:

-"Nenhuma televisão tem as imagens, as cores e os sons que tem aqui dentro..." - e apontou prá própria cabeça. 

Então, me olhando nos olhos, ela me disse:

-"Leva o livro. Não tem figuras, mas é muito bom... Lê e, se você gostar, te empresto outro...".

Esse foi o primeiro de um número sem conta de livros que eu li - primeiro todos os que ela me emprestou, depois todos os que eu pegava na Biblioteca da Penha, comprava em sebos...

Um dia, quando eu entrava pela porta da sala - sempre aberta - da casa dela, prá devolver um livro, a encontrei fazendo um bolo, na cozinha. Na minha casa, quando se fazia um bolo, não se raspava toda a massa da tigela prá por na assadeira: sempre sobrava um "creminho", prá gente passar o dedo e lamber... Ela não: raspava com paciência cada tiquinho de massa, com um cabo quebrado de uma colher velha... Estranhando meu olhar ela me disse: "Sabe porque eu raspo toda a massa, até o finzinho? Porque uma colheradinha que seja já é uma mordida a mais de bolo. Massa crua não é tão gostosa quanto um bolo fofinho, não é mesmo?"

Até hoje eu raspo toda a tigela - não deixo nem um tiquinho de massa. Quando assisto programa de culinária na televisão me dá até "um troço" quando vejo o tanto que eles desperdiçam...

Minha mãe e minha avó não gostavam dessa nossa amizade - mas respeitavam. E, graças a isso, quantas coisas aprendi com essa senhora esquisita, solitária, inteligente e bem humorada! 

Acho respeito muito importante na vida: sem ele não sobrevive nem o amor, nem a amizade.

Momento-chave em uma amizade verdadeira é quando ela sobrevive às divergências de opinião: se surgir antagonismo de ideias ou de diretrizes na vida e a amizade se abalar ou ruir de vez é porque nunca existiu de fato. 

Aliás, não se diz que "da discussão surge a luz?" Eu gosto de amarelo, fulana gosta de azul - que tal discutir e criar um mosaico em tons de amarelo, azul e umas pitadas de verde?

Não sei a quem pertencia o site "Aprendendo Artesanato", não sei se ali havia má-fé ou oportunismo. Na minha opinião me parece que não... Eu mesma, procurando receitas, muitas vezes me vali daquele site e achei bom ter tantos artesanatos reunidos... E, como já disse na postagem anterior, recebi visitas ao meu blog através deles. Dizem agora que o fato do site ter sido retirado da internet é uma admissão de culpa... Pode ser... Mas, será que não poderia ser o básico e simples receio de confusão?

Bom, se tem uma coisa que a vida me ensinou é que eu não sou dona da verdade - nem mesmo de um pedacinho dela. Sou somente dona das minhas opiniões, erguidas a custo de minha própria observação e senso crítico. Contudo, como passo pouco tempo na internet, tenho o blog há muito menos tempo do que a maioria e sou apenas uma simples dona de casa posso até estar enganada a respeito dessa situação toda...

Acho que, no fundo, eu só desejaria que as coisas fossem sempre resolvidas na paz, na conversa, na boa vontade... Infelizmente a vida não é sempre assim, não é mesmo?

Às amigas que se mobilizaram contra o fato do site "Aprendendo Artesanato" utilizar suas postagens eu quero dizer que respeito completamente suas opiniões, seu "levantar de bandeiras" pelo que acham justo. A atitude de vocês é, inclusive, louvável: achando-se prejudicadas, poderiam muito bem ter mandado um email pro site exigindo a retirada somente do blog de vocês e deixar o resto prá lá - mas não, preocuparam-se com todas as outras blogueiras. Foram corajosas e solidárias, pensando no bem de todas. Desejo a vocês todo o sucesso do mundo - que continuem a ter seus trabalhos sempre apreciados e bem protegidos e que continuem a fazer o que acham certo...

A quem quer que seja que era dono do site "Aprendendo Artesanato" quero dizer o seguinte: quem estuda Direito aprende uma regra de ouro, usada nos tribunais de justiça de quase todo o mundo civilizado - "in dubio pro reo". Significa mais ou menos que, na hora de emitir um julgamento, caso não hajam provas irrefutáveis de culpa, deve-se sempre decidir a favor do acusado, do réu. Princípio lindo, não é mesmo? Sem ele, bastaria uma acusação prá alguém ser condenado, fosse ela verdadeira ou falsa... Assim sendo, como não tenho em mãos as tais provas irrefutáveis - não tenho, por exemplo, o extrato bancário dessa pessoa prá saber se estava lucrando às custas do prejuízo alheio - continuo optando por acreditar na sua boa vontade. Desejo, de coração, um novo começo - se é mesmo verdade que o site deixou de existir -, desta vez com mais discernimento, com o aval de todos que quiserem participar de sua empreitada...

E a mim mesma desejo coragem, prá manter minha capacidade de observação sempre afiada, meu livre arbítrio sempre atuante e meu julgamento justo.

Um dia, quando eu estiver bem mais velha e esclerosada, posso bem sair correndo de casa, vestindo camisola, perseguindo um cachorro que não é meu... Vão me levar pela mão prá onde eu não quero ir, me vestir com o que eu não escolhi, me dar de comer o que eu não gosto - não vou mais ser dona de nada, nem da minha própria opinião. 

Mas enquanto minha cabeça pensar e meu coração for capaz de ponderar prós e contras, continuarei abrindo minha boca sempre que achar necessário e agradecendo a Deus a bênção e a responsabilidade de fazer o que acho certo - e rezando a Ele prá não atropelar a opinião e o direito de ninguém nem ferir a suscetibilidade de quem quer que seja com isso...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O plágio


Eu entendo assim: plágio é quando alguém copia o que é de outra pessoa, levando todo o crédito pelo trabalho alheio. 

Por exemplo: Se uma pessoa pegasse uma foto de uma de minhas peças, salvasse; salvasse em seu computador também a receita e a publicasse em seu blog como tendo sido feita por ela ou se essa pessoa publicasse um livro com minhas histórias ou minhas comidinhas - dizendo serem todas de sua autoria - isso seria plágio.

Anda por aí um compartilhamento contra o "plágio" efetuado pelo site "Aprendendo Artesanato". 

Eu já tinha percebido faz tempo que eles haviam linkado meu blog no site deles (não somente eles, um tal de "Vila Mulher" também) e sabe como foi que eu descobri? Eu checo as estatísticas do meu blog prá ver quantas visualizações eu tenho e de onde elas estão vindo! Geralmente minhas visitas me chegam procedentes dos emails que eu mando aos meus grupos do Yahoo e do Google (convidando prá virem me ver...) ou do Facebook e também de algumas amigas generosas que colocam meu blog entre os favoritos da barra lateral dos blogs delas... Então, um dia, comecei a ver que tinha gente me visitando que vinha desse tal de "Aprendendo Artesanato". 

Perguntei pros meus filhos se isso era ruim (geração entende tudo) e eles me explicaram que o Aprendendo Artesanato era como o site "Buscapé": do mesmo jeito que esse site junta os sites de um monte de lojas prá gente pesquisar preços de produtos, o Aprendendo Artesanato junta sites e blogs de artesanato. Eles não fazem plágio - está lá o nome do meu blog, direitinho, prá quem quiser me visitar e conhecer. 

Quando alguém entra no site deles e pesquisa, por exemplo, a palavra "crochê", vão aparecer uma porção de blogs (que não estão armazenados ali, apenas tem o link prá levar até eles...). Se a pessoa clicar na imagem de uma de minhas peças, o servidor do site direciona pro meu blog e eu ganho automaticamente uma visita (eles também ganham e aí é que tá a malandragem: eles também lucram, pelo Google/AdSense - sem terem feito nada, há não ser servir de intermediários entre a pessoa que estava pesquisando e o meu blog. A vida é assim mesmo, fazer o quê? Existem intermediários na hora de transportar as verduras e os ovos da fazenda até o mercado, não existem? A TV e as revistas estão cheias de propaganda prá venderem as coisas, não estão? Nem todo mundo ganha dinheiro produzindo, tem gente que ganha sendo intermediário, fazendo propaganda, o que seja...).

Nenhum blog leva prejuízo com isso: se a pessoa clicar numa postagem tua dentro do site Aprendendo Artesanato, você recebe no seu blog a visita, o comentário - pode até ganhar um seguidor novo com isso. 

O seu Google/AdSense continua ganhando seus tostões. O Aprendendo Artesanato também ganha com isso? Ganha. Se você não quer que isso aconteça, manda um email prá eles e pede prá tirarem o teu blog de lá e pronto. 

O meu eu vou deixar - se me vierem visitas através deles, beleza prá mim. Meu blog não é famoso, não tenho tantas visitas assim, quanto mais vierem, melhor. Eu gosto de ensinar o que sei, de falar minhas bobagens, compartilhar minhas ideias... Até gostava de ganhar um tutuzinho com o Google/AdSense - mas quem sou eu, prima...

Aliás, prás amigas que tem blogs no início eu acho que estarem linkados no Aprendendo Artesanato é muito bom - o site tem boa visualização e esses blogs podem passar a ser conhecidos com muito mais facilidade do que serem achados, por pura sorte, numa pesquisa do Google.

Só fiquei triste por ver tanta gente apavorada e não ser nada assim tããão grave... 


"Era uma vez uma linha...







... abandonada em uma caixa de sapatos, no meio dos "mafuás" de D. Rosa - e olha que ela é especialista mundial, phD em "mafuás". Na verdade, nem uma linha era: eram três. Três fios - um de algodão, dois acrílicos - da mesma cor, enrolados juntos prá fazer uma blusa na máquina de tricô. Mas eram muito malvados e independentes - não caminhavam juntos pelo porta-fio e, quando chegavam nas agulhas, cada um queria seguir em separado seu caminho, ora se enroscando, ora gerando nós, travando a máquina e, fatalmente, um deles se partia. D. Rosa se desesperava, pensava em fazer uma massaroca com eles e atear fogo - mas olhava a cor, o brilho e seu coração se comovia. 

Tentou fazer à mão - daí começava com um certo número de correntinhas e, a cada ponto que escolhia, a peça ia encolhendo, encolhendo (provavelmente, no final, serviria na cachorrinha, com sorte...).

Dona Rosa meteu as bolas de linha numa caixa de sapatos, fechou com um durex prá não entrar pó (mas ele entrou do mesmo jeito - diacho!!!) e, passados muitos anos (ela não se lembra quantos...) ela resolveu levar as bolas pro sítio e destruir de uma vez esse entrave, arrancar de vez o espinho da patinha, o cisco do olho - porque, afinal de contas, sempre que passava pelo dito "mafuá" as bolas de linha riam dela, sem um pinguinho de dó...

Enfim, a blusa saiu, as meninas da D. Rosa a amaram muito - sem saber toda a dor de cabeça que ficou impregnada no fio... - e, mediante o resultado, D. Rosa foi feliz para sempre. The End e Fim."

E foi assim mesmo - sem tirar nem por uma vírgula ou pingo de "i". 

Vocês podem fazer com Anne - que é linda, de algodão, tá cheinha de cores... As linhas que eu usei foram compradas por quilo, um tantinho de cada - quase tão fininhas quanto linha de costurar. 

A blusa é feita numa peça só e apesar de ser muito linda e parecer complexa, não é. Não tem cavas nem acabamentos na barra nem nas mangas - somente um biquinho no decote. 





Baseei-me nesta blusa linda aqui:


Só que a minha, ao invés de ser dois quadrados de crochê costurados deixando espaço pros braços e pescoço, eu quis fazer decote e mangas - e achei que ficou super chique. Uma belezura - fala a verdade...

Bom, vocês vão ganhar as duas receitas: a da revista - que vem com saia (bom demais!) e a minha - que é só um tiquinho mais trabalhosa (mas vale a pena).

Só não vou fazer gráfico desta vez - ia ser mais complicado que a explicação. Quanto à linha Anne (ou dois fios de Cléa juntos) eu não sei a quantidade exata - experimentem comprar 3 novelos (se sobrar, faça bicos em panos de prato...). Usei agulha de crochê nº 3.

Blusa Rendada Creme - manequim 42

Comece pelo alto das COSTAS: 169 correntinhas mais 4 correntinhas para virar. Fazer 14 motivos. Segue crochetando até embaixo: ao invés de contar carreiras, conte motivos completos. Do começo das costas até o final, na barra, são 23 fileiras de motivos completos. A última fileira de motivos é o próprio acabamento. 

FRENTE: emende o fio onde havia começado as costas (na beirada) e faça 4 motivos para o ombro de uma das frentes. Siga reto, fazendo 3 fileiras de 4 motivos. Após essas 3 fileiras comece a aumentar, no meio do decote, 1/2 motivo a cada fileira completa por 4 vezes e pare. Amarre o fio do outro lado, desta vez perto do centro do decote) e faça como do outro lado (4 motivos, 3 fileiras sem aumentos e então aumente meio motivo a cada fileira por 4 vezes). Nesse ponto una as duas metades, fazendo correntinhas suficientes para encaixar dois motivos no centro. Siga reto até a frente ter o mesmo tamanho que as costas e pare.

MANGAS:  Elas são feitas emendando o fio na peça que já está pronta (frente e costas unidas pelos ombros). Amarre o fio na sétima fileira das costas, contada de cima prá baixo a partir de onde começou a fazer a peça. Faça 12 motivos, sendo 6 para a frente e 6 para as costas. Continue crochetando diminuindo 1/2 motivo a cada fileira por duas vezes - assim, de 12 motivos, ficam apenas 10. Total de fileiras da manga: 4. Faça a outra manga igual.

MONTAGEM: costure a lateral da blusa, fechando da ponta da manga até a ponta da barra. Emende o fio nas costas do decote e faça uma carreira de ponto baixíssimo e, a seguir, uma carreira de um ponto alto, um picô - pulando um ponto baixíssimo de base, em toda a volta do decote.

Observação: Se o fio for de algodão, antes de costurar a blusa passe-a a ferro, com cuidado, pelo avesso da peça, para abrir bem o rendado. Se usar linha Brisa também pode passar que fica lindo, mas sempre do avesso e diminua a temperatura do ferro.

Enfim - bom final de semana e muitos bons crochétis prá vocês!


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Pão, pão, pão, pãããão!!!


O pão de cada dia - nada resume com maior precisão o alimento necessário prá seguir vivendo a vida. Está até na Bíblia, na oração diária: "o pão nosso, de cada dia, nos dai hoje...". E se você visitar qualquer país do mundo vai encontrar, em cada cultura, um jeito de fazer esse alimento tão precioso: ele vai ser assado, frito, grelhado, cozido no vapor... Pão é a base de tudo: tem lugares onde não se come de colher nem garfo: são feitos pães bem fininhos, que são dispostos na mesa de refeição e os comensais os partem com as mãos e mergulham esses pedaços na comida, levando-a assim à boca.

Prá mim existem três coisas que lembram muito um lar: passar em frente a uma casa e sentir o aroma de um cafezinho recém-coado (Hummm!), o chiado de uma panela de pressão cozinhando o feijão (porque, aqui no Brasil, o arroz com feijão é sagrado...) e o cheirinho de um pão assando no forno.

Já vi em vários filmes que, nos Estados Unidos, quando os corretores colocam uma casa à venda, assam cookies no forno e deixam a casa ficar impregnada com seu doce aroma - ajuda a vender. As pessoas associam esse cheiro com lar - mas não ia funcionar comigo. Prá mim, lar é café, pão e arroz com feijão.

Aliás, mudando de assunto - que a cabeça pensa um montão de coisas duma vez e tudo fica brigando prá sair primeiro - arroz com feijão é assim: quanto mais novo é o feijão, mais cremoso é seu caldo; o feijão, quando vai ficando velho, demora mais prá cozinhar e gera um caldo ralo e escuro. Então, na hora de comprar, veja a data em que o mesmo foi embalado (escrita na embalagem). O arroz, pelo contrário, se for novo, fica empapado. O grão ainda tem umidade no seu interior então, quando você usa aquela medida mágica de duas xícaras de água prá uma medida de arroz acaba não dando certo. Mesmo que você reduzir a quantidade de água, como você não sabe o grau de umidade do grão, fica difícil fazer arroz soltinho. De fato, é até bem lógico, se você parar prá pensar: feijão novo ainda tem umidade própria, então cozinha mais depressa, desmancha mais fácil e faz caldo cremoso; arroz velho já desidratou bastante, o grão é mais sequinho por dentro, ficando soltinho e lindo no prato. Aprendi essas dicas no sítio, com os vizinhos que plantam - nada como aprender direto da fonte.

Agora, voltando ao pão: farinha, água e fermento são a base - só com isso você já pode fazer pão. Mas acrescentando outros ingredientes você faz maravilhas com algo tão básico. Por exemplo: esse meu Pão de Cenoura e Soja.

Meio litro de água (podia ser leite) quase fervendo. No liquidificador eu coloquei duas cenouras grandes, descascadas e cortadas em rodelas, uma xícara de soja moída (que sobrou de fazer o leite) e 1/2 xícara de chá de azeite. Como a cenoura e a soja estavam geladas eu usei a água bem quente - depois de batido no liquidificador ficou tudo morninho.

Enquanto batia esses ingredientes no liquidificador eu misturei numa bacia grande um envelope de fermento de pão seco (prefiro esse fermento do que o fresco - dura mais e não necessita refrigeração) a 3/4 de um pacote de farinha de trigo branca - podia ser integral também. Coloquei uma colher de chá de sal e uma xícara de queijo ralado. 

Joguei a mistura morna que bati no liquidificador, misturei com uma colher de pau até agregar tudo. Cobri com um pano e deixei crescer por meia hora. Pra massa crescer bem eu faço assim: ligo o forno por cinco minutos e desligo. Coloco a bacia em cima de uma assadeira e deixo no forno, que tá morninho e aconchegante - a massa cresce que é uma beleza.

Enquanto a massa tá crescendo eu faço um molho de tomate - pode ser com tomates frescos e bem vermelhos, batidos no liquidificador ou pode ser de tomate em lata ou até extrato (vale o que você tem em casa). Frito alho, pimenta calabresa desidratada, jogo os tomates, refogo bem e tempero: cheiro verde, orégano, azeitona picada, sal... Depois que cozinhou por uns quinze minutos eu coloco a panela prá esfriar o molho - não pode aplicar ele no pão enquanto está muito quente. Fatio o queijo e reservo.

Numa assadeira grande eu derrubo azeite - generosamente. Espalho com os dedos e deito metade da massa - que é meio mole, é pão de preguiçosa (nada de ficar sovando, sujando mesa, bancada, nada disso: o pão vai da bacia prá assadeira). Unto as mãos com azeite e espalho a massa na assadeira até cobrí-la toda. 

Espalho o molho com uma colher, arrumo as fatias de queijo por cima - e aí você pode fazer uma loucura total: depois do molho espalha um vidro de requeijão, daí põe umas fatias de provolone, queijo prato, mussarela, etc. (só toma cuidado prá baba não cair no pão enquanto tá fazendo, hein?). Por cima das fatias de queijo jogue a outra metade da massa, só que, desta vez, faça aos bocados, pois agora vai ser difícil apertar a massa sobre a assadeira - pode escapar o recheio pelas beiradas. Leva de novo pro forno quentinho pré-aquecido e desligado, deixa crescer mais uns quinze minutos. 

Então chega a hora de assar: liga o forno (dessa vez de verdade) e deixa aquecer bem por uns quinze minutos, na temperatura média. Pão não se assa na temperatura alta - tem que dar tempo pro fermento agir, se a temperatura for muito alta o pão não cresce direito e corre o risco de queimar. 

Asse por meia hora, quarenta minutos - depende do teu forno. 

O jeito de saber que o pão está pronto é assim: tira a assadeira do forno (mas o mantenha aceso, por via das dúvidas...) e vire ele sobre um pano de prato limpo em cima da mesa. Veja a cor que está no fundo - tem que estar dourado. A prova final é: com os nós dos dedos dê umas pancadinhas no fundo do pão: se o som for "oco", o pão tá pronto. Significa que tá aerado e com a umidade certa, nem demais (cru), nem de menos (secão). Com o tempo você acostuma e não precisa mais fazer isso - vai saber exatamente quando ele fica pronto e é só colocar o celular prá despertar perto da hora.

Ficou pronto? Com o pão na assadeira espalhe uma colher (sopa) de manteiga da boa (que vai derreter que é uma beleza) e polvilhe queijo ralado. Leve ao forno mais uns minutinhos e sirva quentinho, prá todo mundo se deliciar.

Espia o queijo escapando:


E você pode variar sempre o sabor do pão: bater beterraba crua - ou adicionar abobrinha ralada. Batata ou mandioca (só cozidas). Milho verde debulhado com a faca ou uma cebola inteira descascada. Pão de espinafre...

Quer fazer doce? Mesma receita, menos sal, um pouco de açúcar. Bate maçã, ou banana, pera... Usa coco ralado, leite de coco, recheia com ameixa deixada de molho na água e mais coco ralado... Faz pão doce de milho com recheio de goiabada...

Repararam que eu não usei ovo? Foi porque usei soja. Substitua por ovo se quiser - ao gosto da freguesa.

Mas encha a casa com esse cheirinho delicioso, que remete a carinho e cuidado - o amor é um tempero e tanto na comida.

E se você tem máquina de fazer pão, nem me conte - vou morrer de inveja e ainda tenho muitos anos pela frente...


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