Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Tricô à máquina

Especial prá vocês que tem a máquina mas não sabem nem por onde começar: Wilma Pizza, uma das mais preciosas pessoas nessa internet...

O blog dela é cheio de dicas maravilhosas sobre tricô à máquina - arte que ela entende como ninguém. Imaginem só: ela ensina a usar fio Passion (cheio de pelos toda vida!!!) com passo a passo detalhado, fotos maravilhosas, explicações!

Agora - o Pulo do Gato: prá você que não sabe nem laçar as agulhas prá iniciar um trabalho, ela tem até uma Apostila - GRÁTIS, porque ela é muito generosa. 



Então, passem lá no blog, virem fãs de carteirinha (como eu) e se inspirem no talento dela.

Bom final de semana!

Faltando pedaço...

Sua Majestade olhava pela janela do hospital, aproveitando a vista do quarto andar do prédio, ao mesmo tempo que escutava e se intrometia na discussão acalorada dos nossos filhos.

"Sou eu que vou dormir aqui com a mamãe - eu é que vou tomar conta dela. Além do mais, no sofá só cabe um...".

"Eu não me importo de dormir nesta cadeira reclinável aqui, ela é super confortável. Podem ficar dois de nós com a mamãe...).

"Tem que revezar comigo, então! Eu também quero ficar com ela!"

"E quem diz que tem que ser vocês a ficar? Desta vez é a vez do papai...

Absorta em pensamentos, lá estava eu - cirurgia de novo... 

Entra a funcionária do hospital encarregada dos últimos detalhes antes da internação - saber minhas preferências alimentares, alergias, cirurgias anteriores.

"Há exatos dois anos eu fiz, aqui neste hospital mesmo, a retirada do útero, das trompas e dos ovários" - respondi, quando questionada.

"Ah, então a senhora está 'vazia'? Pode ser então que, desta vez, seu marido dê sorte e deixe aqui o que resta da senhora e leve uma mulher inteira prá casa...". 

Maldade gratuita, dita com um sorriso de desdém no rosto, num tom de voz somente para ser ouvido por mim, por uma linda menina loira com idade para ser minha filha...

Os olhos dela, já há algum tempo, apreciavam as conversas da minha pequena família, enquanto eu respondia as perguntas que ela me fazia. Seu comentário - tão cruel e, ao mesmo tempo, tão casado com o que eu pensava de mim mesma, caiu na minha cabeça como um monte de escombros num desabamento. 

Incrível como família é - na mesma hora, mesmo sem ter ouvido uma palavra do que a moça dissera, os quatro pararam de conversar e olharam prá mim... A moça, pensando ter sido ouvida, rapidamente pegou sua pasta e saiu fazendo barulho com seus saltos altos. Sua Majestade pergunta: "Tá tudo bem? O que aconteceu?" E meus filhos: "O que foi, mamãe? Tá se sentindo bem?"

Não, eu não estava. Finalmente alguém tinha colocado em poucas e cruéis palavras um resumo de dois anos de minha vida...

Fiz todo tipo de tratamento: florais, chás, acupuntura - isso tudo além de todos os remédios da medicina convencional prescritos pelo ginecologista... 

No começo, as hemorragias eram só de uns 15 dias, que se tornaram 4 semanas, depois dois meses e, por fim, 10 meses ininterruptos, sem trégua. Subir os poucos degraus de escada da minha casa me deixavam cansada. Até me virar na cama, enquanto dormia, me deixava cansada...

Acordava no meio da noite, com cólicas horríveis e descia as escadas, sujando tudo pelo caminho - mesmo usando fralda geriátrica (a que ponto eu havia chegado, meu Deus!)... Não podia sair prá fazer compras, fazer uma visita, ir ao cinema, passear...

Por fim, após uma curetagem de emergência, o médico me disse, mesmo antes do resultado da biópsia, que eu tinha que fazer uma histerectomia total.

Chorei tanto quando estava sozinha! Procurei uma segunda opinião, uma terceira...

Fiz a cirurgia, voltei prá casa e fui me recuperando - com uma menopausa antes da hora prá administrar...

Durante um ano e meio fiz reposição hormonal - o que me acarretou calcificações nos seios, pedras na vesícula e transformou meus rins em esponjas (partes de mim que sempre foram absolutamente saudáveis antes disso, por toda minha vida...). Cada vez precisava de mais médicos prá me tratar... 

Fui ficando fisicamente fragilizada - mas, por dentro, a situação era muito pior. Eu me sentia uma mulher incompleta, aleijada, escutando o tic-tac do relógio da vida esgotando sua bateria... "Uma hora dessas Sua Majestade vai cansar de estar com uma velha, uma mulher pela metade, e vai me trocar por um modelo novo, com todos os itens de fábrica" - eu pensava, como se eu fosse uma coisa, um carro, uma máquina de lavar, que a gente troca por outro quando acha alguma coisa melhor, mais satisfatória...

"Está tudo bem? Você está bem?" - repetia Sua Majestade. "O que aquela moça falou prá você, mamãe?"

"Deixa prá lá. Não foi nada."

"Desembucha."

Meus filhos e ele sabem ser insistentes e, finalmente, contei prá eles o que a moça tinha dito. Me arrependi na mesma hora - disse: "Deixa prá lá, ela é uma menina ainda, tem muito o que aprender na vida, nem deve ter falado por mal, é só inexperiência e falta de tato dela...".

Meus filhos queriam sair prá brigar com a moça, fazer com que ela fosse despedida! 

Sua Majestade, mordendo a língua por dentro da boca (coisa que ele sempre faz quando está nervoso demais...) pediu um minuto às nossas crianças, falou prá que esperassem no corredor - sem ir reclamar com ninguém - que ele queria ter uma palavrinha comigo.

Mal as crianças saíram ele chegou prá mim e disse: "Por que você fez aquela cara tão triste? Por causa de um comentário tão besta quanto esse? Por acaso você pensa como essa moça?"

Eu comecei a chorar, baixinho - toda cheia de peninha de mim... 

Ele se agachou do meu lado - o tempo todo ele estivera de pé, me forçando a olhar prá cima - me olhou nos olhos e disse:

"Deus do céu! E eu aqui pensando, há tanto tempo, que tinha me casado com uma mulher inteligente...

Rosa, pára de chorar feito criança e fecha os olhos.

Pensa: Se você fosse dormir e, durante o sono, alguém tivesse retirado teu útero, teus ovários, sem te contar e se, quando você tivesse finalmente acordado, já estivesse restabelecida, você saberia que não tem mais eles? 

Pensa bem, mulher: você sente a falta deles, quando mentaliza teu corpo? Sente um lugar oco, um aleijão? Porque não é uma mão, que te faz falta prá pegar as coisas, não é uma perna, que te faz falta prá andar, um olho que te foi tirado e sem o qual você não enxerga mais tão bem, não é mesmo? E os seres humanos que perdem essas partes de si mesmos superam as dificuldades, se adaptam, seguem vivendo! Você não se acha capaz de fazer isso? Você se sente assim tão dodói, tão destruída e diferente?"

"Eu... Eu sinto os calorões e vou ficar velha mais depressa agora..."

"Mas deixa de ser boba! Calorão? Prá que existe ventilador? Ar condicionado? Anda pelada pela casa se te der vontade - a casa é tua, não é? A menopausa ia chegar, cedo ou tarde - não ia? E ficar velho todo mundo tá ficando, eu tô ficando, nossos filhos, aquela moça idiota que te falou esse monte de bobagens tá ficando! Olha, se você quiser eu vou lá, na direção do hospital, fazer essa moça ir parar no olho da rua - mas antes, deixa eu te dizer uma coisa: Se eu te conhecesse agora, se a gente tivesse se casado ontem, eu jamais saberia que você não tem mais útero nem ovários - só se você me contasse. Você - prá mim - ainda é a mesma. Podia emagrecer uns quilinhos, é verdadepodia ser menos geniosa... Mas ainda é a mesma. Larga a mão de ser besta e de chorar por bobagem, que deixa todo mundo preocupado..."

E não é que ele estava certo? Pensei:

"Caramba!!! Eu é que tinha que ter chegado a essa conclusão sozinha!!! Tanto tempo carregando esse fardo desnecessário e sem sentido! Se eu tivesse conversado antes - não teriam sido dois anos tão tristes, eu não teria sentido, esse tempo todo, tanta pena de mim!!!

E foi assim, que da boca de um homem - do meu Capitão, Sua Majestade, meu colega de quarto, "O Dono Verde do Mar"... - saiu o remédio que há dois anos meu coração precisava tanto!

Fui pra cirurgia otimista, renovada e fazendo todos me prometerem que nada fariam à tal moça. Das duas (da cirurgia e da moça...)  me recuperei como Deus permite, seguindo com a vida num ritmo diferente - ninguém permanece jovem prá sempre mesmo, uma hora a gente tem que aceitar isso... 

O interessante é que, há pouco tempo, reencontrei a mesma moça, que ainda trabalha no mesmo hospital (ainda bem que minha família cumpriu o que me prometeu e não atrapalharam a vida dela...)- só que agora na Clínica de Cardiologia, abrindo as fichas dos pacientes. Está mais velha (bem mais velha do que os anos que passaram, com um rosto meio macilento, estranho...). O mais incrível é que ela me chamou pelo nome, prá abrir minha ficha, me reconheceu e, arrumando uma desculpa, passou minhas coisas prá outra funcionária, me olhando com o mesmo olhar de desdém - nesse ponto, parece que o tempo ainda não passou prá ela... Fazer o quê, não é mesmo? Cada um aprende com a vida de um jeito, uns mais cedo, outros mais tarde.

Eu aprendi que um anjo, mesmo de asas quebradas, continua sendo um anjo - e nós, mulheres (mães, filhas, esposas...) também somos, de certa forma, anjos - cuidamos de nossas família com nosso maior zelo, com todo nosso amor, não é mesmo?

Aprendi que as partes que me faltam - não me fazem, assim, tanta falta...


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Antes que o inverno chegue ao fim...



Uma blusa prá Tia Joanita - que, na verdade, é tia do "Marildo", mas da qual me apropriei sem um pingo de vergonha na cara... - usando uma receita antiga, de uma blusa do Dia das Mães...

Essa tia é assim: a única que ainda está viva, relíquia de família. Graças a Deus cuida da saúde - não tem diabetes, nem colesterol alto (tá melhor do que eu...). É uma mulher durona, aço forjado no calor da luta pela sobrevivência - e sobreviveu com maestria. De tudo o que era honesto fez um pouco - faxina, vender material de escritório, bijuterias, joias - e se saiu muito bem: conseguiu ter três imóveis próprios, uma considerável poupança, convênio médico...

No velório da tia Maria José - irmã dela, falecida há alguns anos atrás... - eu fiquei acabada. Chorei mais que todo mundo junto e mais um pouco (mas é porque eu sou assim mesmo, muito chorona quando tô feliz ou tô triste...). Ela ficou do meu lado, me deu força, forte como uma árvore antiga de raízes bem fundas na terra, que o vendaval desfolha - mas não derruba. 

Um dia ela me disse assim: "Sabe, Dona Rosa (ela me chama assim mesmo...), dá gosto ver o teu casamento. Passam os anos e a gente vê que ele dura, que meu sobrinho teve muita sorte em ter casado com você. Eu já dizia isso prá Cissa (minha sogra), que ele era o mais esperto dos filhos dela, o que soube escolher melhor...". 

Eu respondi: "É, tia... Acho que de mim ele não larga nunca - não enquanto gostar da minha comida do jeito que ele gosta...".

"Mas você é besta?" - ela me respondeu, brava como só ela - "Ele é um homem culto, inteligente, bem posicionado na vida! Comida boa tá cheio de restaurante que tem! E se ele quisesse uma mulher mais nova, ele estalava os dedos e aparecia de dúzia! Esteja consciente, Dona Rosa, de que ele está com a senhora porque nunca encontrou nem vai encontrar mulher nenhuma que lhe supere, está ouvindo?"

Essa é a Tia Joanita - me ama! É bom demais ser amado neste mundo, não é? Ter quem ache a gente bonita, inteligente, especial...

A gente se fala por telefone toda semana, contando segredos e fofocando da família toda (Ô coisa boa! Ela sempre sabe tudo o que acontece!!!); me liga prá contar dos exames médicos que fez, me lê os resultados deles prá eu dizer o que eu penso - sempre me achando inteligente, se importando com minha opinião...

Que Deus lhe dê 100 anos de vida, cheia de saúde! Amém.

E a blusa - ela adorou... Como adorou também essa bolsa que eu fiz no Natal passado. Mas, não vejo vantagem nisso: afinal, ela gosta de tudo o que eu faço - o amor é parcial assim mesmo...

E aqui tá - de novo - a receitinha da blusa, prá quem quiser fazer essa beleza clássica:


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Queijo Cottage


Delícia de queijinho - vocês gostam? Aqueles grãos suaves de leite coagulado, o creminho que os envolve... Sou fã. 

Sabe aquela salada de tomate que a gente faz, cortando o tomate em cubinhos, temperando com um pouco de cebola, um cheirinho de alho socado com sal prá temperar, regada com azeite virgem e vinagre? Pois, na hora de comer, joga uma colher de cottage junto - você vai ver o que é bom...

Mas acho caro demais...

E olhando no Youtube os vídeos de fazer queijos lá estava um ensinando a fazer queijo cottage caseiro - não por algum culinarista famoso, nem por alguém especialista em queijos... Por dois rapazes que praticam musculação, comem proteínas - e tem aquele melodioso sotaque nordestino que eu adoro. Chamam-se "Marombas na Cozinha" - criativo, não é?

Assistam o vídeo clicando AQUI e aprendam com eles a fazer esse delicioso queijo - mas calma!!! Leiam a postagem até o fim e vejam como eu fiz:

QUEIJO COTTAGE CASEIRO

2 litros de água

20 colheres (sopa) de leite em pó (usei Ninho integral, mas pode ser qualquer um)

14 colheres (sopa) de vinagre

1 colher (chá) cheia de sal

1 caixinha tetra-pak de creme de leite leve

Misture bem o leite e a água até ficar homogêneo e leve prá ferver. Quando isso acontecer, vá despejando, uma a uma - sem mexer - as colheres de vinagre. Vai começar a talhar, aglutinando a parte branca do leite e separando-a do soro. Salgue. Diminua o fogo e deixe borbulhar por uns 2 a 3 minutos, mexendo de ve em quando. 

Deixe escorrer bem numa peneira, passe para uma travessa definitiva, misture o creme de leite leve e prove o sal - se gostar mais salgadinho, é à sua vontade...

Caso quiser pode comer sem o creme de leite, também fica bom.

Pode dar uma temperada com azeite extra virgem, azeitonas picadas, cebolinha verde - Hummm!

Eles não usaram leite em pó como eu - mas era o único leite que eu tinha, tentei fazer com apenas um copo - e ficou tão bom que eu fiz logo com dois litros!

Gostoso e saudável - além de bem mais em conta e fresquinho do que o comprado pronto...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Fácil!!!

(Minha Lola Monalisa...)

(Carinha de sono da mamãe...)


Não sei o nome da lã - sei que era da Coats Corrente (cisne), comprada de saldo, muitos e muitos anos atrás - 2 novelos. Na verdade 3, um deles eu fiz este chapéu coco AQUI (o da primeira foto) - não eram da mesma cor.

Perdi a conta de quantas receitas eu tentei fazer com essa lã - nenhuma do meu agrado, então eu desmanchava, enrolava uma bolona, deixava de molho por uns meses (ou anos...) e tentava de novo. 

Até que saiu!

A receita é simples: usando agulha de tricô 18, 15 pontos - meia do direito, tricô do avesso (lembrando sempre de pular o primeiro ponto de cada carreira sem fazer - fica mais bonita a borda do trabalho e economia lã...). Quando deu 36 carreiras mudei pro ponto segredo em tricô: *1 ponto em tricô, dois pontos juntos em tricô, laçada*, repete isso até o final da carreira e acaba com um ponto em tricô. No avesso faz a mesma coisa. Depois de tecer no ponto segredo o mesmo tamanho que foi tecido na parte lisa, arrematar e costurar em círculo, usando a mesma lã.

Lindo, dá prá usar solto ou enrolado em volta do pescoço, bem quentinho!

Detalhe do ponto:




Então? Vai se arriscar a fazer um? Fica pronto em menos de duas horas - prá ganhar dinheiro, prá tecer um presente de última hora...

E - se tiver lã de sobra... - tece o chapéu coco também, de conjuntinho, prá esquentar as orelhas...

Bons tricótis!!!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

As feridas que o tempo cura...

Eu me lembro quando ela chegou: era Natal e o dono da padaria perto de casa, "seu" Alcides, deu ela prá gente. Era bem assim... As fotos que eu tinha, num vazamento que teve antes da gente trocar todo o telhado de casa, se perderam numa infiltração, junto com a cômoda onde ficavam guardadas...

Se chamava Quel - de Raquel Welch, nome que o "Marildo" resolveu dar (porque ela era mais linda que todas as Bond Girls juntas...). A gente chamava de Quel mesmo, porque assim ninguém ia achar ruim dela ter nome de gente...

Ficou enorme - seu latido parecia um trovão, ninguém chegava nem perto da nossa porta. Mas era um doce... 

Um dia o gato da vizinha, pirraçando as minhas três cachorras no quintal (como só os gatos sabem pirraçar...) se desequilibrou e caiu no meu jardim... Eu tinha uma cocker que era feroz - teria estraçalhado o bichinho - mas a Quel tocou o gato prá dentro da casa dela (que era enorme, feita de tijolos e telhas de verdade... )- e ficou na frente, protegendo, defendendo ela das outras duas. A vizinha, tendo testemunhado a queda do gato e escutando a barulheira, veio até meu portão, correndo, apavorada e ficou de boca aberta ao ver a atitude da minha linda Quel... 

Era uma mãezona prás outras cachorras, nunca brigando por nada - mesmo sendo maior e podendo ficar com tudo prá ela, sempre era a última a comer, calma e sossegada com seu tamanhão todo...

Uma vez eu adotei uma viralatinha doente, que achei quando fui visitar minha sogra no cemitério: uma coisinha raquítica, cheia de feridas, urinando pus, os olhos fechados cheios de crostas, semi-morta. Foi tratada, mas nunca foi muito sadia. Ficou cega e tinha convulsões de tempos em tempos... Quando uma crise se aproximava ela ficava inquieta, andando a esmo pelo quintal e a Quel sabia - e me chamava, de um jeito que eu não sei explicar como era, pois o latido parecia ter o meu nome embutido no som... Quando eu ia ver lá estava a Quel, debruçada sobre a pobrezinha, segurando firme com as patas até a convulsão acabar - pois, se fosse deixada solta, começava a correr sem enxergar e batia a cabeça no muro!

Quando eu estava triste - a Quel sabia! Me chamava e lá ia eu, quase chorando com as ideias tristes na cabeça, pensando que ela estava com fome ou algo assim, levava algo na mão prá dar prá ela e ela empurrava com o focinho, deixava cair no chão, pousava a cabeça na minha mão e me olhava, com aqueles olhos de âmbar - que pareciam ler a minha alma e dizer que tudo ia ficar bem...

Jamais no mundo vai existir um animal assim, igual à minha Quel... 

Quase nove anos atrás teve câncer de mama, que se desenvolveu de modo assustador e não respondeu a tratamento. Durante o pior período ela roía com os dentes a tinta e a argamassa de uma das paredes do quintal - nenhum veterinário soube me explicar porquê... Devia sofrer tanto... Não gemia, não incomodava ninguém, só definhou em silêncio com seus lindos e enormes olhos tristes...

Até hoje a parede, naquele canto, está do mesmo jeito - eu não deixo cobrir, nem pintar. Eu gosto de lembrar e chorar, de vez em quando, a saudades da minha querida - acho que sofrer também faz parte de amar.

Foi enterrada no meu jardim, debaixo de um hibisco vermelho cor-de-sangue que eu tinha - e que também morreu, talvez de tristeza...

Eu adoeci. Um pedaço do coração da gente fica faltando, nada mais é do mesmo jeito...

Prometi prá mim mesma que nunca mais ia me apegar daquele jeito, que nunca mais ia ter um bichinho do meu lado, prá amar e perder daquela maneira absurda.

Uma noite, sonhei que meu marido me trazia um rato - já que eu me negava a ter outro cachorro. De repente ele me acorda - era domingo, ele acorda bem cedo porque faz serviço voluntário, e sai sozinho de casa - e me mostra, na palma de sua mão, a cachorrinha mais pequenininha que eu já tinha visto! Parecia um camundongo, zoiuda e orelhuda... As crianças já estavam todas alvoroçadas, malucas com a bichinha, mas eu - rabugenta e escaldada - falei que não queria, que levasse de volta (malvada toda vida...).

Mas, vivemos numa democracia e meu voto foi vencido pelo da maioria - e Bendito Seja Deus que fez acontecer assim!

Me olha bem nos olhos - dizem que cachorros não gostam de fazer isso... - e também, como minha Quel, os tem lindos e cor de âmbar...

Precisa de mim, como uma filhinha querida...

Presta atenção em tudo o que se fala...

Está sempre pronta a fazer companhia...

Sorri...

Não tem tempo ruim...

Quando brinca de morder, só faz cosquinha...

É dengosa como um gato...

Se esparrama no chão, quando tá sol, como "batatinha quando nasce"...

É também uma chantagista emocional - quando apronta, sabe fazer as poses mais sedutoras do mundo!

Adora roupa nova - pensa que é gente...

É minha bebê caçula...

Tem uma mania: adora ficar dentro da roupa da gente... Essa barriga onde ela tá deitada é minha: ela sobe no colo e dá patadinhas na roupa da gente e só sossega quando a gente levanta a blusa e ela entra dentro (acho que ela pensa que é filhote de canguru...). E nessas horas, às vezes, ela faz pum e eu me pergunto "Como é que um bichinho desse tamanhinho consegue produzir uma nuvem tóxica dessa magnitude?!"!!!

É amorosa, viciada em beijos... Prá dormir precisa de uma pessoa prá ela se aconchegar...

O tempo curou a saudade da minha Quel? Claro que não... Curou a ferida, mas sobrou a cicatriz, que ainda dói na mudança de tempo, na mudança da lua, do virar da folhinha... Mesmo agora, tantos anos depois, eu ainda choro quando lembro - chorei enquanto escrevi esta postagem.

Mas sempre me lembro de agradecer a Deus a oportunidade de ter tido essa companheira maravilhosa, cujo lugar em meu coração nunca será preenchido.

E eu acho que o coração da gente é feito prá ser assim: um território sem cerca nem delimitação de espécie alguma, que aumenta de tamanho a cada acréscimo da misericórdia divina em nossa vida, se ampliando ao infinito.

É por isso que vale a pena viver - por mais que a dor aconteça, por pior que uma situação fique, nada dura prá sempre e sempre tem o dia de amanhã, e a semana que vem, e o passar dos anos... Vale a pena esperar o que vai vir e se surpreender.

E eu tenho uma teoria: os anjos do céu estavam precisando de um cão guia, prá quando forem no purgatório resgatar algumas almas - Deus jamais ia desperdiçar uma criaturinha tão boa quanto minha Quel...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Com apenas um novelo...

Duas peças numa cor linda, numa lã com a qual eu adorei trabalhar - Merino, da Cisne. Sinceramente, se eu estivesse "montada na bufunfa" ia comprar uns cinquenta novelos de cada cor, só prá ter dessa maravilha prá tricotar pelo resto da minha vida. É tão macia, tem um brilho suave, rende bem... Amei.

Mas o preço eu não amei: R$16,00 o novelo - fazer uma blusa com ele encarece muito o trabalho. Mas, com certeza, compensa - é muito mais linda que a Sedificada, tem o fio mais estruturado, então valoriza o ponto que você usar na peça.

Como eu disse, um novelo só deu prá fazer a touca e a golinha (ou mini-cachecol). 


A touca eu fiz na agulha 3 1/2 inteirinha - mas se tivesse feito nessa agulha somente a barra e o restante na agulha 5 1/2, ao invés de touca eu teria uma boina. O bom do ponto que eu usei é que, apesar de ser feito em agulha comum, parece ter sido feito com agulha circular, por causa do ponto tricô sozinho que fica em uma das bordas. Na hora de costurar não parece ter costura...

Uma dica na gola: eu passei a ferro mas, se vocês não passarem, vai ficar mais rente ao pescoço - esquenta mais. Me arrependi de ter passado...

Receitinha de mãe:

Achem essa lã e comprem, nem que for um novelinho só, prá fazer uma peça assim básica, mas inesquecível...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Mussarelando II - com queijo comprado pronto!

Pois é: não é que o esquecimento de uma mente caminhando para a decrepitude pode, afinal, ter suas compensações?

Este queijo, comprado no mercado e esquecido na geladeira além de seu prazo de validade (e que, certamente, em outras mãos, iria para o lixo...) foi usado em uma experiência científica na qual, apesar da genialidade da cientista, não se transformou em penicilina MAS em deliciosas bolinhas de mussarela!

Prá quem torceu o nariz... - saibam que o próprio queijo em si é fruto do esquecimento de alguém: ordenharam o leite, deixaram ele dentro do vasilhame e o esqueceram lá, daí devem ter fervido (prá matar os micróbios...), ele talhou e virou uma coisa nova e muito gostosa.

E prá quem torceu mais ainda o nariz quanto ao prazo de validade saibam que, quando eu era pequena, a gente comprava as coisas na vendinha perto de casa, tudo a granel, e nunca sabia o prazo de validade de nada - coisas da modernidade, que eu levo muito a sério (de vez em quando...).

Vocês já viram as fábricas de queijo nos documentários dos canais educativos, como o Discovery? Prateleiras e prateleiras de queijos cabeludos, esverdeados, quase criando perninhas e andando pelo mundo. Minha irmã uma vez foi prá França (porque ela realmente é uma cientista, estava lá num simpósio de alguma coisa prá apresentar um novo medicamento desenvolvido por ela...) e, na recepção, ela sentiu um cheiro ruim da preula - até que localizou um queijo enorme, no meio da mesa toda enfeitada, com 10 centímetros de mofo!!! Verdade verdadeira!

Você não sabe de nada! Adoro gorgonzola, prá mim é o rei dos queijos e é puro mofo...

Bom, chega de papo e vamos ao queijo...

Como eu ia dizendo - antes de ser interrompida por mim mesma - esse queijo comprado no mercado foi esquecido na geladeira. Estava já meio molenga, cheio de soro que foi se soltando dele com o tempo.

Fervi bastante água com sal, cortei ele em pedaços numa panela e fui despejando conchas da água salgada quente.

Na primeira leva de água quente salgada os cubos começam a ficar assim - a água fica esbranquiçada:



Joga fora esse negócio aguado branco e parte prá segunda leva de água - já tá aglutinando... Vê como um pedaço começa a grudar no outro? Sinal de que vai dar certo - Iupiii!

Terceira leva - já virou uma massa única!


Quarta leva - totalmente puxa-puxa, como tem que ser!!! Quando tá assim, subindo derretido, tá no ponto: 

Despeja um pouco da água quente fora, põe água fria (o suficiente prá você poder manusear o queijo sem queimar as mãos) e começa a fazer as bolas:

A mão tá velha, mas tá limpinha e NÃO, os 101 dálmatas não são meus parentes distantes.

Vai fazendo elas e jogando na água com gelo:

Depois escorre todas...

Serve assim ou tempera - à sua vontade!

Gostaram? Eu gostei, com muita pimenta calabresa em pó e azeite extra virgem - Hummmmm!

Então, não se esqueçam: comprem o queijo, deixem ele abandonado por uns dias na geladeira e, quando ele estiver mais molengo, tá na hora da mussarela! Agora ninguém tem mais desculpa prá não fazer essa receita...

É dos meus...

Quando a minha Nana mandou prá mim, por email, disse que era a minha cara - "tem que fazer uma tradução e pintar nas costas de uma camiseta da mamãe", ela disse pros irmãos...


Que mentira, Naninha! Eu nunca fui presa!!!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...