Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Hoje



No dia de hoje, a exatos 29 anos atrás, às 10:30 hs. de uma terça feira eu me casei - e dizer que parece que foi ontem é chover no molhado (quem é que não diz isso?...).

Um sonho realizado - como o é a grande maioria dos casamentos...

Ele me pediu em casamento do lado de fora da Igreja da Penha - local onde a gente se abrigava de uma chuva repentina... Eu usava uma mini saia de jeans e uma blusa de renda vermelha (feita por minha mãe com sobras de um vestido feito prá uma freguesa de costura). Eu ficava muito bonitinha, era tão magrinha, nem quarenta quilos eu pesava naquele tempo...

Ele segurou minha mão, afastou uma mecha de cabelo molhado que havia se colado em meu rosto e me disse:

-"Acho que a gente devia se casar...".

Nada de romantismo de novela ou de filme da sessão da tarde, nada de ajoelhar perante a minha pessoa prá me fazer "o grande pedido" da minha vida: simplesmente ele constatou o óbvio, que a gente deveria se casar...

Na mesma hora - como eu já mencionei antes, em outra postagem - eu respondi que não. Que a gente podia morar juntos, que eu não me importava com essas convenções, que achava tudo besteira...

Ele - estudante de Direito do primeiro ano, como eu... - disse que a gente futuramente teria filhos e que queria que tudo fosse feito de conformidade com a lei, para o bem deles e também para o nosso...

Caminhamos até o Cartório da Penha - era um sábado - e nos informamos sobre como devíamos proceder. Pagamos uma taxa ínfima (acho que de 10 cruzeiros...) e perguntamos em que dia a gente podia se casar - nada de escolher uma data especial, nada de planos: qual era o primeiro dia em que a gente podia comparecer no cartório e assinar a papelada. 

Esse dia calhou de ser 16 de setembro de 1986...

Cheguei em casa, chamei minha mãe e falei prá ela: "Vou me casar dia 16, mãe..." - e ela entrou em choque! -"Mas como, filha?! Não dá tempo de eu te fazer um vestido de noiva! Já marcou a igreja? A gente tem que mandar convites pros parentes!!! Ai, meu Deus do Céu, como é que você me apronta uma coisa dessas, minha filha?!!!"

E eu dei a ela a notícia que ela não esperava: "Eu não vou me casar na igreja, mãezinha. Não vou me casar de noiva. Nunca sonhei com isso...".

E ela não me entendeu - ficou magoada, se sentiu traída... 

Menos de um ano antes minha prima Solange havia se casado e tinha exigido de presente de minha mãe um vestido de noiva enorme, com cauda longa, inteiramente bordado de richilieu (trabalho no qual minha mãe era especialista, fazia rendas magníficas, dignas de uma princesa...) branco com rosas cor-de-rosa, em cada miolinho um strass colado com superbonder (por mim...). 

Se fosse feito por um figurinista o tal vestido não teria preço - minha mãe levou quase dois meses para bordá-lo... 

Eu jamais faria ninguém trabalhar assim prá mim, mesmo esse alguém me amando muito... 

Minha mãe fez dezenas de vestidos de noiva na vida dela - muitos deles eu ajudei a alinhavar, a pregar pérolas... Muitos deles eu vesti prá que ela pudesse fazer ajustes na altura, alinhavar a barra... 

Sempre achei um desperdício de tempo e de dinheiro: sempre imaginei que, se eu tivesse dinheiro prá comprar um vestido de noiva, iria preferir comprar mantimentos prá casa... Eu, na verdade, sou uma pessoa muito prática... Também me doeria até na alma dar gasto prá minha mãe, aumentar as despesas, as dívidas que ela faria prá eu me casar - jamais!

Além do mais, tem uma coisa que iria me desagradar mais que tudo em entrar vestida de noiva numa igreja: eu iria ser o centro das atenções, todos iriam estar ali olhando prá mim (e eu não nasci prá isso...). Eu gosto de paz e sossego - sempre gostei - gosto de passar despercebida, de me sentar num canto tranquilo enquanto as coisas acontecem no mundo à minha volta.

Me desculpem as moças que sonham em se casar de noiva, que sonham com seu "grande dia": acho lindo, respeito essa delicadeza de sentimento, essa fantasia romântica e inocente, sempre choro em casamentos (pois me emociono muito) mas eu não nasci prá isso. Eu me sentiria representando um papel numa peça, nada disso seria natural prá mim...

Assim sendo, com muito amor e muito abraço, expliquei prá minha mãezinha os meus motivos e ela finalmente aceitou: fez prá mim uma saia de linho branca, um top de cetim e uma blusa de musselina - tudo branquinho. Os botões da blusa eram de um vestido guardado de recordação da minha avó - que eu pedi e minha mãe me deu (assim como as alianças que usamos nos dedos até hoje, que pertenceram também aos meus avós e que minha mãe guardava como relíquia familiar...). 

Eu mesma lavei e sequei meus cabelos, só usei um batonzinho rosa nos lábios, um brinco de bijuteria emprestado de minha irmã Cida e até comprei uma calcinha nova - azul - prá dar sorte...

Ninguém da família dele foi ao cartório, assistir nosso casamento - nenhum dos irmãos ou irmãs, nem pai e nem mãe... Nunca soube porque, ninguém nunca me disse. O irmão mais velho dele - até hoje - não gosta de mim.

Da minha parte foram meu pai e minha mãe e meu irmão Leonardo, meu tio Antonio e sua esposa, minha tia Joana (que foram os padrinhos). Meu pai chorou e agradeceu porque eu mantive seu sobrenome (e eu nunca lhe contei que o fiz por insistência do meu marido, que o achava bonito - por mim eu teria simplificado a minha assinatura...).

Meu irmão Tato, que sempre me amou muito, ficou de mal de mim até o dia em que a Lola nasceu - coisa que me fez chorar muito... quando ela nasceu ele disse que me "perdoou" por eu ter me casado...

Um rapaz da loja de fotografia ao lado bateu uma porção de fotos e nos entregou seu cartão - mas demoramos demais para ter dinheiro a fim de resgatá-las: o cartório mudou de endereço um tempo depois, a fotografia fechou e fim...

Meu tio Antonio nos deu dois presentes: dinheiro prá eu comprar uma panelinha de pressão e a chave emprestada do apartamento dele na Praia Grande, onde passamos o final de semana de Lua de Mel: naquele tempo meu marido teve direito a 3 dias de licença por casamento e eu tive direito a apenas um - trabalhei até sexta feira, como se a vida continuasse igual, como se o mundo fosse o mesmo que era uma semana antes...

Eu acordava no meio da noite, assustada por dormir numa cama diferente e me pegava olhando ele dormindo do meu lado: era quase como se eu não fosse mais eu e o mundo fosse totalmente outro, dá prá entender?

Tive um cobertor, um jogo de lençóis e uma panelinha de pressão de enxoval - e hoje as pessoas fazem listas enormes de presentes caros, despejando nas outras pessoas a obrigação de lhes mobiliar a casa (ao menos em alguns casos é isso o que me parece...).

Sabe o que é engraçado? Me casei no mesmo dia - 29 anos depois - mesmo dia em que minha mãe e meu pai se casaram. Me casei com o mesmo juiz, de nome Ariel, que oficializou o casamento deles - estranho, não é? Nem meus pais se deram conta disso, estando lá presentes: eu é que reparei, tempos depois, quando houve mudança no convênio no meu trabalho e eu precisei da Certidão do Casamento deles prá enviar e mantê-los como beneficiários - aí eu vi a data, o nome...

Se eu fosse supersticiosa...

É isso: nenhum glamour, nenhum detalhe que seja digno de nota, num mundo onde as pessoas se esforçam tanto, planejam tanto, economizam tanto prá tornar especial uma única data.  

Um dia qualquer, um dia como hoje...

Dia de se batalhar pelo pão de cada dia, de acordar e cumprir obrigações - mas iniciado agradecendo a Deus pela oportunidade de vivê-lo e certamente terminado com cansaço, com preocupações e especialmente com fé...

As fotos que eu nunca pude buscar, hoje estariam amareladas pelo tempo: acabou até sendo uma vantagem não ter dinheiro prá buscá-las, pois na minha memória tudo está muito vivo, como se realmente tivesse acontecido ontem...

Meu casamento foi simplesmente perfeito - faria tudo de novo, igualzinho, igualzinho...

(Só me resta acrescentar que já comprei a flanela da camisa que vou ensinar vocês a fazer - agora só o que me falta é tempo. Neste exato momento vou tomar banho, que tenho consulta com Mastologista daqui a pouco... Assim que der uma folga, eu volto e visito todo mundo, se Deus quiser...)

12 comentários:

  1. Bela postagem e meu desejo é que e sinta bem FELIZ!!! BJ

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  2. Rosa

    Parabéns pelos 29 anos de casamento. Como é bom comemorar, relembrar datas especiais e a de casamento é o marco inicial de uma nova história, uma nova família. Muitas felicidades e bençãos divinas para vocês.

    Ah...mas quem participou da cerimônia, teve o privilégio único de testemunhar a oficialização do amor de vocês...quem não foi...perdeu.

    Mas o que importa de verdade? o que não pode faltar de forma alguma? é o amor e a cumplicidade entre vocês todos os dias, em todos os momentos. Portanto, comemorem o amor, a união. Sempre! sempre! sempre! agora com os filhos junto a vocês.

    Parabéns ao casal.

    Bjs

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  3. O que importa é que para vc tudo foi e continua sendo perfeito...
    Que DEUS continue a proteger e abençoar esta união que rendeu frutos maravilhosos.
    Beijo.

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  4. Parabéns, Rosa, que muitos anos felizes ainda venham por aí... muitas histórias, lembranças e boas recordações. É na simplicidade que vive a verdadeira felicidade.
    Bjs

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  5. Que fofo, Rosa!!!
    Minha história é um pouco parecida com a sua!!! Só que nem no cartório me casei!!!
    Juntamos as escovas de dente há 27 anos!!! E somos felizes assim mesmo!!! Eu tb não gosto de ficar em evidência!!! Prefiro o anonimato!!! Rsrsrs!!!
    Detalhe: Nos juntamos no dia do meu aniversário de 27 anos!!! Meu marido costuma dizer que "ele" foi o meu presente!!!
    Parabéns a vc e esposo, por essa data especial!!! Felicidades!!!
    Bjos!!!

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  6. Que história bonita, Rosa! Parabéns pelo aniversário de casamento!!!
    Na verdade, acredito que os casamentos sem festança não são raros... Apenas são menos visíveis, o que pode dar a impressão de que são raros.
    Eu também me casei sem festa, sem igreja e até sem cartório. Também por convicções muito parecidas com as suas. Por questões burocráticas (convênio de saúde e afins), fizemos uma declaração de união estável no cartório (nos pareceu mais simples e rápido que o casamento).
    Casamos num feriado de Porto Alegre (02 de fevereiro) porque era o dia que tínhamos disponível para a mudança. Foi uma mudança com muitos livros e poucos móveis... Sem lua de mel porque estávamos numa fase de muito trabalho e estudo e de pouca grana. Curiosamente, anos depois, nos mudamos para Indaiatuba-SP em que 02 de fevereiro também é feriado! Aí, sempre temos uma folguinha no calendário para comemorar o aniversário...
    Na época, me lembro que contei para uma colega de faculdade que iria me casar, mas não na igreja e nem no cartório e ela me disse: "Isso é ótimo, aí você faz um test drive antes". Achei tão estranho esse comentário dela... Curioso como tantos valores se invertem, como a sociedade "coisifica" o amor, o carinho, o companheirismo...
    Graças a Deus vivemos numa época em que é possível escolher. Hoje é possível decidir quais rituais são importantes para nossa vida. :)
    Beijos,

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  7. Parabéns, Rosinha! Entendi cada palavrinha e, sabe o que mais? Assino por baixo.
    Vivam os noivos.
    Beijinhos da Nina

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  8. Querida Rosa!
    Parabéns pelo aniversário de casamento!
    Pois é....a 32 anos eu também me casei,só que no dia 18 de setembro!
    Desejo a você e seu amado marido toda felicidade do mundo e que Deus lhes dê sempre saúde e muitas bençãos assim como tem dado a mim e ao meu"grande amor dos olhos claros como o dia".!
    Lindo dia prá você!
    Beijos com carinho!
    Cristina Peres RJ

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  9. Felicidades sempre Rosa com teu amor, hoje num mundo que as pessoas não acreditam mais que este vínculo de união possa existir, vendo você, eu que já tenho 30 de casada e tantas amigas sabemos que o casamento é ainda o arranjo mais lindo ´que Deus abençoa essa união quando à respeito e o amor . Então amiga abraços ao casal e felicidades a todos da família.

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  10. que historia linda, eu me casei de branco, mais um vestido simples e barato, para mim luxo, glamour nao eram prioridade assim como uma festa gigantesca, e minhas condiçoes nem dariam, e jamais entraria em divida por causa de um dia, mais mesmo assim nao deixou de ser lindo, e mesmo que eu tivesse muito dinheiro, nao o faria.
    bjs e otimo final de semana.

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  11. Rosa, cheguei atrasada, mas Parabéns! Uma linda união vocês construíram, que assim seja por muitos anos mais!
    Linda sua história...me lembrei de meu casamento também.
    Meu vestido de noiva foi feito por mim e por minha mãe, eu o bordei todinho, eu e meu marido não tínhamos um tostão, então fizemos somente o casamento no civil e religioso, sem festa. Tiramos muitas fotos para guardar de lembrança. Já faz 22 anos...
    Fomos morar num apartamento minúsculo e só tínhamos a cama, o fogão e a geladeira, nada mais. E como éramos felizes! Fomos lutando, dando muitos plantões, muitas noites e finais de semana trabalhando, e aos poucos a casa ficou mobiliada. Depois foi outra luta para comprar a casa própria, mas essa história deixo para outra vez.
    Hoje olhamos um para o outro com tanta ternura, é como se nossa história de tantas dificuldades tivesse nos unido ainda mais.
    Já estou com lágrimas nos olhos...
    Bjs querida e ótimo final de semana

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  12. Que saudades da Sra Bela Rosa rs...qt tempo!
    Amei a historia linda...sabe...as coisas mais simples que desejamos viver com simplicidade nos torna livre. Assim como lembra Jesus viveu na terra, não era atraido com suas belezas ou vestimentos ou coisas materiais.. mas o que mais chamou atenção da multidão foi a sabedoria e os ensinamentos, além do mais demonstrou o amor. Poucos poderia perceber isso. como diz a palavra: Quem tem ouvidos, que ouça! Ouvir sábias palavras de um Mestre, é perceber que está aprendendo a pratica-las com amor.
    Resumindo que a sua história que procurou e tomou a decisão com sabedoria, e negou aos caprichos inuteis que não dura como dura o amor de vcs. Creio que a Sra ouviu a sabedoria de Deus pra ter a historia como tornou hoje. A Senhora é incrivelmente abençoada!
    Que Deus abençoe mais um ano de casados! bjs flor

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