Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Parece que eu nunca fui...


Não são assim mesmo as férias? Logo na chegada a gente encara os dias que vem pela frente com a maior alegria, cheia de tempo pela frente... Acorda tarde (7 e meia...), dorme na rede, joga conversa fora...

Daí os dias vão passando e a contagem regressiva do retorno começa, dando aquele aperto no estômago - porque onde quer que estejamos, se estamos bem, queremos ficar... 

Então a gente volta - parecendo que nem foi -, se encaixa no mesmo lugar onde costuma se sentar no sofá, volta a dormir no mesmo colchão, escutar os mesmos barulhos rotineiros da vizinhança - o motor mal calibrado do carro do vizinho, os cachorros latindo pela noite afora, a molecada empinando pipa...

Mas a gente traz na mala a saudade do que viveu! Que pena que nossos olhos não tiram fotos pois, na grande maioria das coisas mágicas... - a gente esquece a câmera!

Só que - desta vez - graças a uma janela de banheiro, a magia da vida passou de raspão por mim (e eu fotografei!). 

Foi assim: no primeiro banho que tomei logo que cheguei, ao abrir a janela prá espantar o vapor, lá estava um casal de rolinhas - que voaram assustadas com o meu gesto brusco, fugindo do ninho trançado na primavera rosa que fica bem ali, do lado de fora...

Eu, então, fui espiar - só prá ver se tinha ovos no ninho...



Haviam três - pequeninos e delicados, pintadinhos, do tamanho das unhas do meu dedo indicador... 

A cada visita minha os pais fugiam, assustados - então eu só ia xeretar uma vez ao dia...

Haviam tantos ninhos de pássaros! Quem pensa que a vida somente se renova na primavera não se dá conta que vivemos no Brasil: aqui a vida tá sempre se renovando, tá sempre borbulhando em tudo que é canto!

Espia esse troço pendurado no limoeiro - mais parece um lixinho que foi parar ali com o vento, se enroscou nos espinhos e não quer sair mais:




É praticamente um apartamento, muito bem construído, tendo até um pequeno teto sobre a portinha prá proteger da chuva...

Na laranjeira (que nasceu de um caroço cuspido), bem na beira da casa, tinha mais este:


E este:


Cada pilar do telhado da varanda também tinha o seu:


Todos cheios - mas as fotos não saíam boas: nem todos os pássaros fugiam, alguns vinham prá cima de mim, tão corajosos!

Não me pergunte de que espécie de pássaros são: perguntei pros caseiros e eles não souberam me dizer. Não entendo a desatenção de certas pessoas com o que passa à sua volta! Nascidos e criados ali e não fazem a menor ideia da maioria das coisas, das plantas, dos bichos - parecem só entender daqueles que podem ser comidos...

Eu - se ali morasse... - conheceria cada bicho, cada flor, cada inseto pelo nome, conheceria seus hábitos... Parece que curiosidade também é um atributo que não é distribuído pela natureza de forma muito abundante, penso eu...

Bom, no dia em que vim embora fui lá fotografar o ninho de rolinhas e olha só:




Dois dos ovos haviam se partido e, de dentro, sem penas, de olhinhos fechados, frágeis e tremelentos, dois passarinhos pequenos como a almofada do meu dedo polegar!

Bendita seja a oportunidade de viver, não é mesmo? Logo estarão voando, comendo insetinhos, aproveitando o sol, fugindo da chuva e, em pouco tempo (pois suas vidas são breves...) todos eles (com sorte...) também farão seus ninhos, porão seus ovos, ajudando o Criador a povoar os céus!

Digo uma coisa: se todo ser humano vivesse consciente da vida à sua volta a julgaria mais preciosa. Infelizmente, como eu disse, mesmo entre os que vivem cercados  pela natureza poucos são os que prestam atenção verdadeiramente ao que acontece: a maioria de nós acorda, se move, trabalha, consome, suja, limpa e, no final do dia, vai dormir prá começar tudo de novo - mecanicamente, alheio aos pequenos e até mesmo aos grandes milagres da vida...

É uma pena.

Um terço da vida dormindo e a maioria do tempo acordado percebendo bem pouco do que acontece...

Que tal acordar, tomar uma gostosa xícara de café e partir prá luta diária, de olhos bem abertos - garanto que vai valer muito a pena!

18 comentários:

  1. Rosinha! Saudades!!!!
    Que bom que regressou feliz e carregada de lembranças maravilhosas!
    Bem vinda!
    Beijo

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  2. Amiga querida, seja bem-vinda de volta à vida maluca!! Que saudade! Senti sua falta, mas foi por uma excelente causa, as suas merecidas férias. Amei a sua história e sensibilidade. Assim como você, eu também observo a natureza, ao contrário de muita gente que passa pela vida e não vê e descobre nada. A vida, nossa e dos animais, é maravilhosa! Devemos agradecer ao Senhor todos os dias por podermos abrir os olhos e ver quanta coisa linda existe, em detrimento das desgraças. Que bom você estar por perto novamente. Abraços carinhosos.

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    1. Muito obrigada, querida Ligia. é sempre um prazer voltar. Beijos!

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  3. que bom que vc voltou senti tanta falta.bjs

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  4. Rosa

    Bom retorno à cidade!
    Os passarinhos fez-me lembrar passagens da minha infância.
    Entre a casa de meus pais e os vizinhos não haviam muros, tudo se intercomunicava. Tinhamos um vizinho que vivia colocando arapucas para pegar passarinhos (haviam muitos) e eu detestava vê-los presos, sempre gostei de pássaros soltos pelas árvores de nossa casa.
    Então, quando eu percebia que havia arapuca armada, escondidinha, enquanto o vizinho não estava na casa dele, eu ia lá na arapuca e eu só tinha que tomar 2 decisões que executava bem rápido para não ser notada. Se tinha passarinho preso, eu soltava. Se estava vazia, desarmava. Nem sempre conseguia e o vizinho algumas vezes conseguiu chegar 1º que eu que ficava triste pela alegria dele ter conseguido prender o passaro que antes era livre. Ele soltava apenas os pardais e dizia que era pássaro malandro. Quando lembro fico com raiva dele pois passaro não tem malandragem, malandro era ele.

    Enfim, Rosa, como é realmente bonito ver ninhos, na casa de meus pais via muito disso e matei saudades vendo suas fotos.

    Ah!! sobre o sorvete de abacate...faz e me chama, tá bom? rsrsrs adoro abacate!! se fizer de manga, me chama também!!

    Bjs e ótimo 2015 para todos aí

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    1. Eu não suporto ver pássaros em gaiolas. Apesar deles estarem protegidos de predadores, não podem voar, acho isso desumano...

      Ai, tinha tanto abacate lá no sítio, mas estavam todos verdes, que pena...

      Beijos, Fatinha querida!

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  5. Bela história, Você descreveu um cotidiano que muitos vivem mas poucos percebem, de uma forma muito poética. Você deve ser uma pessoa fantástica. Deus te abençoe!
    Paz & Luz!

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    1. Obrigada, Rosangela querida, que Deus te abençoe também... Beijos!

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  6. OI Rosa querida, que saudades!
    LIndo seu post, um estímulo para deixarmos de passar pela vida como sonâmbulos. Estou voltando de férias agora, colocando as coisas em dia, na semana que vem o blog volta à ativa, mas não resisti e vim te fazer uma visitinha.
    Que esse ano seja maravilhoso!
    Bjs

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    1. Prá você também, Doutora querida! Prá todos nós, com muita chuva, menos calor...

      Beijos!

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  7. Bem Rosa...quanta emoção!
    Adorei a ideia de connosco partilhar estas belas vivências!
    Bj amigo

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    1. Adorei compartilhar, Maria da Graça querida! Beijos!

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  8. "Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
    E eu me sinto completamente feliz.
    Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
    que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
    outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
    finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim." Cecília Meireles. Sim, Rosa, é preciso aprender a olhar para poder vê-las assim! Lindo texto. Que 2015 seja um ano muito bom para você, sua família e para essas criaturinhas que vivem na natureza, mas que apenas alguns conseguem vê-las e senti-las!
    Feliz regresso.
    Beijos

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    1. Linda essa poesia - e veio mesmo a calhar, palavra por palavra, Helena querida. Muito obrigada por compartilhar...

      Beijos e um 2015 maravilhoso prá você!

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  9. Que encanto, Rosa!! E que bom que você esta de volta, também para nos mostrar tudo o que esses seus lindos e curiosos olhos verdes viram de bonito nesses dias de férias!! beijoss

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    1. Obrigada, Luci querida! Espero ter trazido coisas boas...

      Beijos!

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