Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Perucas, perucas, perucas!!!

Peruca 1

Daqui a alguns anos eu vou jogar a toalha: vou parar de pintar o cabelo - atividade que, a cada dia, me parece mais contra-producente: uma semana depois e a risca branca brilha luminosa no alto da cabeça, lembrando o Pepe Le Gambá, personagem do Pernalonga...


Se me deixassem, fazia isso agora - mas uma filha diz: "Se você fizer isso, mãe, vou me vingar pondo piercing no umbigo!"; a outra diz que vai por mais um na orelha e outro na língua! O patrão diz que não tá na hora ainda, que eu tenho que continuar pintando e que ele me avisa. Só o meu moleque me entende, diz: "Deixa a mamãe fazer o que ela quer! O cabelo é dela! Deixa branco se você quiser, velhinha linda...". 

Ai, ai... 

Daí, fuçando na AliExpress - que vende no mundo todo, inclusive no Brasil, um montão de coisas legais e a maioria com frete grátis - eu achei essas perucas lindas demais, a cinco dólares cada; quero todas:


Vou fazer assim: quando eu aposentar as chuteiras definitivamente, raspo a cabeça careca e, enquanto o cabelo branco cresce livre, eu tampo o ovo cozido com elas (cada dia com uma). Os netos vão achar o máximo, vão pensar que eu sou a avó mais incrível do planeta. Se bobear ainda compro uma coroa de rainha...

Peruca 2

Um dia meu pai tava vindo prá casa almoçar - trabalhava em uma metalúrgica que ficava a 3 quadras de casa. Escutou um garotinho gritando, chorando desesperado, dentro de uma casa - e uma mulher pedindo "Filho! Vai buscar ajuda!". Meu pai pulou o muro e, no fundo do quintal, um garotinho de uns quatro anos estava em prantos, do lado de um enorme buraco - um poço antigo havia cedido e a mãe dele estava lá dentro, toda machucada... Meu pai salvou a mulher e, agradecida, ela disse que ia lhe dar um dos cachorrinhos que ela criava, era só escolher qual queria. 

Ele veio prá casa e contou aquilo prá gente... Eu não dei sossego prá ele, chorei, implorei, até ele me levar lá prá escolher o bichinho. Eram poodles, recém nascidos, mamando na mãe. Um deles - pretinho, miúdo e muito cabeludo - ficava prá trás na hora da mamada (os outros, maiores, eram mais violentos e espertos...).

Eu quis aquele. A mulher ainda disse que era mirradinho, que não ia vingar - mas eu quis porque quis aquele mesmo. Coloquei ele no alto da minha cabeça e falei: "Ó, pai! Parece uma peruca!" E o nome ficou: Piruca (com "i" mesmo...). Viveu quase dezoito anos, adorava gomos de mexerica... Cachorro manso, doce e lindo. Saudade.

Um dia, quando eu já trabalhava no INSS, já era mãe de três e o Piruca já havia morrido há algum tempo, me apareceu o tal menino pela frente - adulto, levando a mãe numa cadeira de rodas, devido a um derrame. Cuidei do benefício dela, não deixei pegarem filas... No fim, o rapaz me agradeceu, perguntou quanto que era pela minha gentileza, que ele sabia que tinha que ter pegado fila e que eu havia facilitado prá ele... Respondi que a mãe dele já tinha me pagado adiantado, com um cachorrinho, quando ele tinha quatro anos - ele não entendeu nada - não lembrava... E eu nunca esqueci.

Peruca 3

Espia como foi que eu fiz a peruca do leãozinho do meu neto:




Que lindinho ele também ficava carequinha, não ficava? Já pensou fazer umas "manchinhas" crochetando círculos e costurando nele? Não ficava uma oncinha linda? Ou então listras e ele virava um tigrinho?

Ah, e se você fizer as franjas grandes, igual de cachecol, dá prá fazer peruca de boneca, com direito a rabo de cavalo, trancinha... Mesmo se a boneca for de pano.


20 comentários:

  1. Bom dia, minha amiga querida!
    Meu cabelo é castanho claro e fiz reflexo durante muitos anos. Depois que nasceu a Juliana e de minha vida dar um giro de 360° com a morte de meu marido resolvi não fazer mais. Agora começaram a aparecer os brancos, mas estão a se misturar com os pretos. Até agora não tem me incomodado, quem sabe quando ficar mais cheio de brancos eu me incomode e resolva pintar... acho meio difícil. Minhas filhas gostam deles assim e não querem que eu pinte. Vejo tantas mulheres que assumem seus brancos, particularmente acho lindo. Enfim, gosto é gosto e não se discute.
    Linda semana para todos aí.
    Beijo.

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    1. Eu não gosto da trabalheira, de ser algo que tem que ficar fazendo sempre. No meu caso, a cabeça tá quase toda branca, então eu realmente fico parecendo muito mais velha sem pintar - é por isso que a família não gosta, acho que não querem que o tempo passe prá mim.

      Beijos, Rosangela querida. Obrigada pela opinião sempre tão carinhosa.

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  2. Tenho 41 anos e já tenho cabelos brancos. Não muitos, pois só de perto que se vê. Mas um dia me perdi em pensamentos resolvendo o que fazer quando começasse a me incomodar. Resolvi: jamais pintarei. Seria uma escravidão pra mim. Sou muito prática e detesto me prender. Seja a cosméticos ou à opinião alheia.

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    1. Você está bem certa - é uma escravidão mesmo. Se eu nunca tivesse pintado, se soubesse a trabalheira que dá, também não pintaria nunca.

      Beijos!

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  3. Rosinha, querida, se queres mesmo assumir o cabelinho branco, fala no grey power, um movimento de mulheres emancipadas aqui na Europa que, simplesmente decidiram parar de pintar o cabelo.
    Pela minha parte, não adiro, não gosto! Antes dos 80, nem pensar! Envelhece muito! A tua ideia da peruca por 5 Reais(?), só para rir muito!
    Sou muito esquisitinha com tintas e faço alergia a todas. Por isso, as minhas madeixas loiras salvam a honra da pátria. Felizmente não sou dada a cabelo branco. Coisa de família. Por isso, cada 2 meses, lá estou eu retocando as ditas.
    Rosinha, tem uma semana feliz.
    Beijinhos

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    1. Ah, mas as perucas prá usar em casa, prá brincar com os netos?! Nem assim?

      Beijos, Nina querida. vou continuar sonhando com as perucas coloridas...

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  4. Querida Rosinha, você é uma fofa, achei uma piada, eu já parei de
    pintar o cabelo, mas o marido não gostou muito, voltei a pintar,
    boa semana e beijos

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    1. É, a gente tem que agradar o companheiro, não tem? Não custa tanto assim, afinal de contas...

      Beijos, Mira querida!

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  5. Rosa, adorei as suas histórias de perucas!
    Menina, faça o que te der na telha, um cabelo branco bem cuidado fica charmoso, tem uma classe…
    Bjs querida e ótima semana

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    1. Pior que eu levei bronca das filhas com a história das perucas coloridas... Acharam um absurdo, nem acreditaram que eu fiz postagem a respeito...

      Ora! Eu sempre quis ter cabelo de boneca quando era menina - que melhor hora do que quando ficar velhinha?

      Beijos, doutora querida!

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  6. Oi Rosa! Adorei essa história, mas nem sei a cor natural de meus cabelos. Pinto de 20 em 20 dias. Não me vejo de cabelos totalmente brancos. Ahhh amiga adorei o blog que vc me passou. Eu nunca trabalhei com trapilho. Aqui as minhas clientes querem aquele fio, dura muito e elas usam até para ir as festas. Se desejar fazer, usa fio de polipropileno, ok?
    Tenho uma amiga que faz tapetes com trapilho, por ser mais grosso fica ótimo, pesa e não escorrega.
    Beijos amiga.

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    1. Suas clientes tem razão - o fio que você usa é muito chique e lindo. Trapilho é mais limitado, embora se façam coisas lindíssimas com ele. A bolsa eu achei linda demais...

      Beijos, Carla querida!

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  7. Olá,Rosa!
    Adorei as histórias e as perucas,assim como gosto muito de tudo que você escreve!Com sinceridade...não sei mais que cor está meu cabelo,pois de 15 em 15 dias bato ponto no salão para não aparecer aquele ziper no alto da cabeça!kkkkk.
    Sabe...vou tentar fazer o leãozinho...............
    Com carinho......beijo no coração.......Cristina Peres RJ

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    1. O meu cabelo tem que tingir a cada dez dias, cresce muito depressa... É uma meléca, uma perda de tempo - mas não consigo me ver livre disso...

      Brijos, Cristina querida!

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  8. gostei das historias, acho que esse assunto da cor dos cabelos bem pessoal eu particularmente não gosto em mim cabelos brancos, já começaram a aparecer os primeiros fios ,mas como já pinto os cabelos faz uns 18 anos, já mudei de cor varias vezes, ainda não me incomoda ter que tingir sempre.minha mãe não tinge eu acho que deveria, eu acho que envelhece muito, já não bastam as rugas rssrs( que são mais difíceis de disfarçar)mas tem pessoas que ficam bem, vai de gosto ne? bjs.

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    1. Eu não tenho rugas, apesar da idade - tenho pele oleosa demais, não enruga fácil... Mas a cabeça tá quase toda branquinha, e como eu sou muito branquela, fico parecendo um fantasma...

      No calor, o meu gosto mesmo era cortar careca - pena que não tá na moda.

      Beijos, Elisabete querida!

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  9. Essa saga dos cabelos é mesmo um barato. Adorei o seu post! Os meus cabelos, coitados, já perderam a identidade faz tempo: não sabem mais se são castanhos, ruivos ou loiros..hahahahaha... Acho um barato fazer esses experimentos...por enquanto só não quero deixar os brancos aparecerem, até porque ficaria parecendo um mico-leão! hahaha A propósito desse tema queria divulgar um blog chamado: www.doecabelos.blogspot.com.br, que é conduzido por Isa Velasque de Brasília. Esse blog faz uma linda campanha arrecadando doações de cabelos para confeccionar perucas para pessoas que estão em tratamento contra o câncer. É tudo de bom! Então, para quem deseja fazer um corte radical nas madeixas, eis uma boa oportunidade de ajudar às pessoas que necessitam revigorar a auto-estima. Um beijo pra vc!

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    1. Vou procurar uma trança que eu tenho prá doar - obrigada pela dica!

      Beijos, Ildete querida!

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  10. uso tinta de cada 20, 25 dias mais ou menos, os brancos acharam de aparecer só na frente, então apelar a santa tinta com certeza.

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    1. É uma droga, não é? Ô desperdício de dinheiro, de tempo... Tinha que ter um comprimido que escurecesse cabelo, não era mais fácil?

      Beijos, minha querida.

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