Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

domingo, 13 de maio de 2012

Mãe

Mãe que se preza é assim: um mistério. Um enigma. Eu, por exemplo, por mais que me esforce, acho que nunca vou entender minha mãe...

Ela sempre acorda mais cedo que todo mundo e, magicamente, faz aparecer do nada um café da manhã delicioso, do qual eu, com certeza, vou me lembrar pro resto da vida. 

Enquanto não chegou todo mundo em casa ela fica lá, sentada, esperando - até parece que não sente sono... Ela pensa que eu não vejo seus lábios se mexendo, cochichando baixinho, com um tricô nas mãos, fingindo contar pontos - mas rezando, uma prece atrás da outra... Quantas vezes - ainda hoje - me socorro de suas preces, ligo prá casa, desabafo e peço: "Mãe, reza prá mim..." e, incansável, pagando o preço do seu sossego, a sua fé remove a montanha de obstáculos do meu caminho...

Na hora do almoço, nem bem a gente chega - antes mesmo que se atravesse a porta - já dá prá sentir o cheirinho do que quer que ela tenha feito pro almoço (e aposto como, na vizinhança, todos morrem de inveja de mim e dos meus irmãos por causa disso...).

Aliás, esse é um dos grandes mistérios: ela poderia estar cozinhando prá reis, presidentes, astros de rock e, no entanto, prefere fazer um ovo frito prá mim!

Ela podia trabalhar no telejornal fazendo a previsão do tempo, já que sempre sabe se vai chover, esfriar, fazer calor...

Tenho certeza de que, se ela quisesse, podia descobrir a cura de qualquer doença: qualquer machucado meu sempre ficou melhor (cientificamente comprovado) depois de um beijinho dela. Aliás, é um mistério da ciência como minha mãe sempre soube quando eu estava doente ou com febre, simplesmente beijando minha testa...


Tem uma incansável sede por aprender - é um computador altamente eficiente e autoprogramável. Quando um pedreiro, um eletricista, um encanador, vai efetuar um reparo, ela oferece um café, fica por perto e, como uma esponja, absorve todo aquele conhecimento (afinal, como ela mesma diz, "o saber não ocupa espaço") e, de uma outra vez, ela mesma sempre efetua o reparo, com aquelas mãos calejadas de tanque, de vassoura, de argamassa e graxa, que também bordam richilieu e tricotam rendas como ninguém...

Ela sabe consertar tudo: colocar o braço ou a cabeça da boneca no lugar, a roda do carrinho, o rasgo na blusa, o arroz queimado, o sal demais no molho, a mancha de caneta na camisa. Mesmo quando o meu coração estava partido, devagar, com paciência - e com a ajuda do tempo, diz ela - sempre fez um remendo bonito, somente por estar ali, presente em minha vida...

É expert em matéria de jóias: sabe apreciar, como ninguém, um belíssimo colar de macarrão...

De economia ninguém entende como ela: recicla o arroz de ontem no bolinho de hoje, transforma a calça que rasgou no joelho em uma bermuda, estica o dinheiro do mercado.

Podia ficar rica escrevendo as histórias que viveu, as me conta ainda hoje ou gravando um Cd com as músicas que canta enquanto lava roupa...

Sabe quando estou mentindo, sabe tirar a verdade de mim apenas com um brilho molhado nos olhos.

Me perdoa quando erro, comemora como ninguém os meus acertos... 

Sonha os meus sonhos, me abraça forte até meus pesadelos passarem.

Aos olhos dela, sou a melhor filha do mundo, a mais linda, a mais inteligente, a mais talentosa (e, nesse ponto, me pergunto: como pode uma mulher tão inteligente ser, às vezes, tão cega!). 

Mais uma coisa que é muito boa na minha mãe: ela é melhor que hidratante, botox, cirurgia plástica. Nada me faz sentir tão jovem quanto estar perto dela: é que, aos olhos dela, eu nunca cresço, não totalmente. Ela sempre me olha com os mesmos olhos que me viram nascer, engatinhar e depois correr pro mundo: prá ela, eu sempre vou ser uma criança - a Rosinha dela...






Ela tem super-poderes (e que os americanos não descubram, senão vão querer ela prá eles, talvez até façam filmes sobre ela...).





Consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo, voa prá todo lado fazendo tudo o que precisa ser feito, mesmo judiada pela artrite. Quando algo dá errado, sobe pelas paredes, mesmo que por meros cinco minutos... Tem uma armadura mais poderosa que ferro, tecida puramente de amor, a qual ela usa prá proteger aqueles que lhe são caros. 




É também a mulher mais bonita que já existiu no planeta e, apesar disso, modestamente, nunca quis participar de nenhum concurso de beleza (neste assunto, até que eu a entendo um pouquinho: acho que é prá não magoar as outras moças, que não iriam ter chance nenhuma contra ela. Ai, como é bondosa a minha mãe...). 

Dos bilhões de pessoas que existem no planeta, ela nem precisa parar e pensar prá responder quais ela ama mais...

Acho que, no fundo, Deus é que me ama muito, prá ter me feito nascer daquela barriga...

Feliz Dia das Mães, velhinha linda...



2 comentários:

  1. Rosa,
    Feliz dia das mães p/ vc tb!
    Obrigada por existir.
    Bjs, ninna

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    Respostas
    1. Obrigada, Ninna. Prá você também. Beijos.

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