Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"Como Estrelas na Terra"

"Toda Criança é Especial" 

Se tiverem oportunidade de alugar esse filme indiano, façam isso. É um dos mais bonitos que já assisti, girando em torno de uma criança que sofre de dislexia, incompreendida no próprio lar e na escola... É, ao mesmo tempo, triste, alegre e lindo. 



Nesse filme, um dos personagens conta a curiosa história (não se sabe se fictícia ou verdadeira) acerca da forma como os nativos das ilhas Salomão derrubam árvores para aumentar a área para plantio: durante dias e dias eles se reúnem ao redor delas e gritam xingamentos horríveis, com muito ódio. Assim, "matam" o espírito da árvore, ela seca e é facilmente derrubada e removida.



Talvez essa história seja apenas uma lenda, um conto para crianças, inventado (com boa intenção, sem dúvida) com a finalidade de abrir os olhos delas para a importância das palavras ditas.



Quem de nós nunca ficou magoado com algo que ouviu? Quem nunca se arrependeu de algo que disse impensadamente, que daria tudo prá voltar no tempo e por um zíper na boca? Eu levantei a mão duas vezes...



Vou contar prá vocês uma história triste: quando minhas meninas faziam cursinho, tinham uma amiga muito querida e tão dedicada a entrar na faculdade quanto elas. Uma vez,  elas se reuniram na casa dessa amiga e passaram o sábado inteiro estudando e também descontraindo - que ninguém é de ferro. Até aí nada de anormal... A garota era filha única, morava com a mãe, a avó e um tio solteiro. O pai não era muito presente, praticamente só contribuía com a pensão estabelecida por lei. A mãe passava todo o tempo livre em chats pela internet, tentando conhecer um novo homem prá sua vida - total direito dela. Mas parece que ela não tinha muita sorte, não sabia escolher direito, sei lá... Sei que naquele sábado ela bebeu um pouco além da conta, entrou no quarto da filha e, desprezando a presença das minhas meninas, disse que a pobrezinha era culpada da ruína que era sua vida, que se ela não tivesse nascido ela seria feliz, que ela estava cheia de estrias por culpa dela - e por aí vai.


Minhas filhas se sentiram tão sem jeito... Constrangidas... A amiga chorou, disse que era raro o dia em que a mãe, mesmo sóbria, não dizia prá ela esse tipo de coisa e que, às vezes, ela desejava nunca ter nascido, assim a mãe dela seria feliz. 

Minhas filhas conversaram muito com ela - e minhas bambinas têm uma cabeça fantástica - dizendo que aquela infelicidade era inerente ao tipo de pessoa que a mãe dela escolhia ser. Que ela depositava (o que ela achava ser) sua única chance de felicidade, em encontrar um homem perfeito, colocando nos outros (e especialmente na filha) a culpa por suas más escolhas e suas consequências., etc,etc.

A questão é: quanta dor despejada sobre uma criança... Os traumas que a mãe causou com suas palavras vão ser carregados por toda a vida! 

Atualmente ela está terminando faculdade de Biomedicina no interior de São Paulo e não pretende mais voltar a morar com a mãe. Mas arrasta diversos namoros com rapazes abusivos e más escolhas, tem pouquíssima auto-estima - e é uma garota tão boa...

Antes da história dessa menina cruzar a história das minhas, desde antes mesmo que meus filhos nascessem,  eu prometi a mim mesma que eles seriam muito amados, muito apreciados - e saberiam disso o tempo todo, porque eu não ia nunca cansar de lhes dizer isso. 

Ainda bebês, mesmo antes de aprenderem a falar e a andar, eu conversava com eles e dizia o quanto os amava, o quanto era feliz por Deus ter escolhido a mim para ser mãe deles. O quanto os achava perfeitos, bons, lindos, inteligentes. Chegava ao extremo de sussurrar isso em seus ouvidos quando pegavam no sono! Tudo isso eu dizia de coração, pois até hoje eles me deixam em completo estado de deslumbramento. 

Não sei se isso influenciou alguma coisa ou se eles já vieram prontos do céu, assim como são, mas nunca me deram trabalho: sempre foram crianças risonhas, obedientes, felizes. Nunca precisei dar um tapinha que fosse - sempre foram receptivos a conversas. Nas reuniões da escola, as professoras só tinham elogios... Quando eles precisavam ir comigo ao trabalho, sempre se comportavam direitinho, eram educados. Até hoje se dão muito bem uns com os outros, dividem tudo, compartilham tudo, se preocupam uns com os outros.

Essa é a reflexão que eu quero passar a vocês... As palavras podem não parecer muita coisa, quando ditas, mas podemos construir muita coisa boa com elas. Ou destruir... Com uma calúnia podemos, por exemplo, arruinar uma vida, não é mesmo? Com uma palavra de consolo podemos tirar alguém do desespero, ajudar alguém a passar por uma crise!

Vou cansar vocês dando somente mais um exemplo: semana passada eu e a minha filha Nana saímos prá comprar uma bolsa nova prá ela. Na saída do shopping pegamos um ônibus em direção ao metrô Penha, pois íamos até o Sesc Belenzinho participar de uma oficina. Ao descermos do ônibus, na estação de metrô, ambas falamos em voz alta: "Obrigada, motorista! Obrigada, cobrador!". 

Fomos as únicas. 

O motorista respondeu, gritando: "Obrigada eu! Boa tarde!". Minha Naninha disse assim: "Sabe, mãe, só vejo nós duas fazendo isso, de agradecer quando desce do ônibus... Eu me sinto bem fazendo, aprendi com você e isso já me ajudou muito...". Quando perguntei como, ela disse que sempre pega o mesmo ônibus prá faculdade e que o motorista e a cobradora ficaram muito amigos dela: já a acordaram muitas vezes quando ela cochilou (sai de casa às 05:15 da madrugada!) e até já impediram que ela tivesse a bolsa furtada, pois a cobradora fica de olho nela... 

Comecei com isso nem me lembro quando, mas foi porque imaginei que a profissão de motorista devia ser muito cansativa, repetitiva... Imaginei como devia ser difícil fazer o mesmo caminho várias vezes, o dia todo, um dia após o outro. Anônimo, como se fizesse parte do ônibus, carregando tanta gente prá lá e prá cá e ninguém se lembra de agradecer... 

Mesmo se o motorista é mal humorado, "ponho um pano quente em cima", "dou um desconto" e agradeço sempre que desço em segurança graças a ele, que me levou até ali...

Estou muito longe de ser perfeita - também fico nervosa, falo o que penso, me arrependo, tento consertar... Mais tropeço que acerto o passo. Mas graças a Deus, em relação aos meus filhos, nunca dei uma escorregada sequer - acho que porque os amo muitíssimo. Até hoje eles ouvem um dicionário de amor da minha boca, recebem mensagens no celular, emails... Quando estão por perto são muito abraçados, beijados, mimados... Bilhetinhos junto com a marmita, prá nunca esquecerem que tem alguém amando muito eles lá em casa... Digo a eles - de coração - que eu teria estrias até no rosto, se esse fosse o preço a pagar para tê-los (exageros de mãe apaixonada, mas totalmente verdadeiros!). Mais dores de parto, menos horas de sono, menos dinheiro no bolso... 

O mundo vai ser um lugar muito melhor quando as pessoas se derem conta do poder que Deus colocou em suas mãos (ou em suas línguas...) - poder de mudar o mundo, o destino de alguém, a própria vida - simplesmente com agradecimentos, perdões, pequenos e grandes elogios... Palavras...

Afinal, foi com elas que Deus criou o mundo, não foi?

10 comentários:

  1. Obrigada Rosa....

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    1. Que bom que você gostou, Denise... Eu é que agradeço. Beijo.

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  2. Obrigada Rosa! Deus te abençõe sempre!

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    1. Que Deus te abençoe sempre também, querida Ivonete! Beijos.

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  3. Tia Rosa, muito obrigada por sua mensagem... pode ter certeza que vc é um exemplo de dedicação. Sabe eu tenho uma filha que vai completar 3 aninhos amanhã, por causa do meu trabalho ela quase não fica comigo, mas sabe eu amo muito ela e quero que quando ela crescer que seja feliz ( o que na verdade a maioria das mães querem não é?) quando estou com ela eu não vejo mais ninguem. somos só nós sabe. é dificil mas é muito gratificante. Bom ver uma mensagem desta me dá mais animo para continuar a batalhar para que ela tenha o melhor futuro que eu possa construir pra ela, então novamente, muito obrigada!

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    1. Agora viajei no tempo,querida Clicia... Lembrei dos meus bebês aos 3 aninhos! Que idade linda... Aproveita bem cada minuto: o que conta não é a quantidade deles, mas a qualidade de cada um deles. Tudo o que a gente faz por amor a eles fica marcado prá sempre: quando a gente se sente amado, adquire forças prá enfrentar os obstáculos que a vida, porventura, coloque em nosso caminho. Tenho certeza que sua princesa vai crescer forte e feliz. Beijo.

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  4. Rosa eu tb sou Rosa e lamento que não tenho criado meus filhos com esse carinho todo,muitas vezes fui dura com eles como haviam sido comigo,sei que não justifica, mas hoje tenho outra visão,mas muitos estragos foram feitos,mas mesmo assim tenho filhos maravilhosos.

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    1. Que bom, querida Rosa... Sabe, enquanto a gente está caminhando na vida, nada é irremediável. Sempre existe um jeito de consertar, abrindo o coração, conversando franco. Tenho certeza que seus filhos são bons porque, no fundo, sentiam que a sua dureza refletia o amor imenso que você sentia por eles - era o seu jeito naquela época. Agora cabe a você mostrar que não precisa mais ser dura prá mostrar que ama - o tempo vai amolecendo o coração da gente, não é? Um grande abraço e fica com Deus.

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  5. Muito obrigado por essa postagem. Me fez chorar e repensar muitas coisas. Tenho filhos adultos do primeiro casamento. Eu era uma criança - tinha 14 anos quando "me casaram". O tempo passou, o casamento acabou, os filhos cresceram e eu recomecei do zero. Casei-me novamente, mudei de país, e aos 42 anos, em 2007, fizemos um tratamento e tivemos Jack. 2 anos depois, repetimos e tivemos Melissa. Sei que não fui a mãe que meus filhos mais velhos mereciam, mas fiz o que pude, com o pouco que tinha. Embora tenha mãe viva, fui praticamente uma orfã. Não há sequer uma única boa lembrança da minha infância, e às vezes me pergunto se um dia eu fui criança. Hoje, com meus filhos adultos (o mais velho com 32 anos e o mais novo com 25) tenho uma relação muito aberta, muito boa, tenho muito orgulho das pessoas que consegui formar apesar de tudo. Mas carrego a mágoa de não ter feito mais. Creio que Deus me deu uma nova chance com estes anjos de 5 e 3 anos que hoje tenho. E faço tudo que posso e mais um pouco para ser uma boa mãe, para demosntrar como são importantes em minha vida, como o meu amor é grande, e que eu sempre estarei com eles e para eles. Tornei-me uma especialista em barbies, em carrinhos e peões. Canto, danço, pulo com eles, agradeço ao Pai do céu por cada segundo. Em realidade, eles são a minha vida, o meu norte, o que me faz querer ser uma pessoa melhor todo dia. Tudo que peço à Deus, é que eu tenha forças nos braços para carregá-los e saúde para encaminhá-los nesta vida. Seu texto tocou fundo em meu coração e traduziu o que sinto, o que penso. Vi nos exemplos um pouco da minha história, e sei o quanto a falta de amor, de carinho, de incentivo, de interesse e respeito pode fazer à uma criança, em como sua vida pode ser afetada negativamente para sempre por isso. Assim foi comigo. É uma dor sem fim, como uma marca do tempo, que desloca o incurável de lugar para dar espaço à outras coisas, mas é uma dor que sempre vai ser presente. A intensidade dela é o que tento controlar, e pensar que ter filho é muito diferente de ser mãe. Vou guardar seu texto com muito carinho, mesmo.
    Um abraço afetuoso.
    Rosangela

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    1. Querida Rosangela: seu comentário me emocionou muito... Você se expôs de modo admirável, demonstrando um amor imenso por trás das tristezas. A vida é um mistério, não é mesmo? Muitos de nós carregam traumas na vida - que são como cicatrizes de acidentes. No entanto, o espírito humano é maravilhoso, graças a Deus: a grande maioria de nós sai mais forte desses "acidentes", eles ampliam nossa visão que que é e do que pode ser esta vida. Tenho certeza de que nada é por acaso: a forma como você foi mãe das primeiras vezes, foi a forma como podia e devia ser: não se cobre tanto. A prova de que Deus estava a par de tudo é que tudo deu certo, não é mesmo? Pense na seguinte frase (que vi no filme "Deus é brasileiro"): tudo acaba bem; se não acabou bem, é que ainda não acabou... Tudo vai dar certo, querida, Deus tá tomando conta, tenha fé nele e encha seu coração de alegria pela oportunidade mágica de cada dia. Ame muito e não se esqueça de proclamar em alto e bom som esse amor de que seu coração está cheio: tanto os filhos já adultos quanto os pequenos continuam crescendo no mundo - e seu amor falado e demonstrado é um poderoso alimento. Fique com Deus, minha linda. Beijo.

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