Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Beleza, a Vulgaridade e o Tédio


Há muito tempo atrás, longe do mundo dos homens, a Beleza exercia seu fascínio no mundo dos seres mitológicos. Entretanto, havia aqueles que a odiavam por ela ser exatamente o que era...

A Vulgaridade e o Tédio, cheios de inveja, traçaram um plano para matar a Beleza. Avisada a tempo por um de seus admiradores, a Beleza, até então privilégio dos deuses, fugiu para o mundo dos homens - e iniciou-se uma feroz caçada.

O Tédio e a Vulgaridade - certos de que, com seus atributos,  podiam acabar com a Beleza - iniciaram sua maligna jornada pelo mundo, atrás dela...

Encontrando um lavrador, perguntaram a ele se havia visto a Beleza.

"- Ah, se vi" - respondeu ele - "ainda agora a pouco estive com ela..." - disse o lavrador, repousando a enxada e olhando para longe, com olhos sonhadores...

"- E como ela é?" - perguntaram juntos a Vulgaridade e o Tédio, pensando que sua presa (com certeza) estaria viajando disfarçada...

"- Ela é morena, queimada de sol, tem longos cabelos negros, os grossos lábios vermelhos que se abrem num sorriso lindo quando estão comigo...".

"- Nos diga onde ela está!"

Chegando ao local que o lavrador indicara, encontraram apenas uma jovem mulher, a beira de um riacho, lavando roupas. Pensando que a Beleza havia se antecipado e fugido, pararam um homem no caminho e lhe perguntaram a mesma coisa.

"- Ah, a Beleza? Faz tempo que não a vejo... Casou-se, foi embora para o outro lado do oceano...".

Lá foram a Vulgaridade e o Tédio, incansáveis em sua busca. Sempre parecia que a perdiam por pouco - a Beleza era sempre mais esperta que eles e fugia. E se disfarçava...

Aqui diziam ser loura, com a pele clara e olhos da cor do céu; mais adiante, apresentava a sedosa pele negra, olhos da cor da noite... 

Nem bem chegavam, ficavam sabendo que a Beleza havia se mudado para a China e agora tinha longos e lisos cabelos negros, olhos como duas pequenas fendas... Ora era magra, ora mais cheinha de corpo... Nariz de um jeito, queixo de outro - como sabia se disfarçar a Beleza!

Até hoje a Vulgaridade e o Tédio continuam tentando matar a Beleza. Mas esta - inteligente além de bela - sabe se esconder em toda parte, sob as mais distintas formas... Quando encontrada, esconde-se melhor ainda, a vista de todos, bem nos olhos de quem a vê...

(mais uma do Malba Tahan - adaptação minha)

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