Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Um gato e alguns passarinhos

Primeiro que tudo - o gato:


É um saco de dormir prá bebê, pro meu netinho Fernando que vai nascer em março. Eu não pude ir no chá de bebê dele, não estava boa prá ir em festa (e foi maravilhosa, tantos docinhos, um bolo lindo, muita Coca Cola... Eu teria me esbaldado, "deitado o cabelo" nas guloseimas, mas minha família disse que eu não estava em condições, então me rendi ao inevitável. Você sabe que a coisa tá feia quando não te deixam ir a uma festa - se bem que eu me conheço, eu ia até melhorar no meio de tantas delícias... Mas, fazer o quê, né?...). Daí eu liguei prá ela, dizendo que não podia ir, que eles iam levar o presente que ela pediu - fraldas GG de montão - mas que eu queria fazer algo especial e tava pensando em fazer um saco de dormir, pois eu nem sabia que os tais existiam, tinha descoberto uns lindos no Pinterest e queria fazer... Ela então me pediu prá fazer grandão, pois já tinha ganhado um pequenininho de presente adiantado de uma prima e quando o inverno chegasse não iria servir mais.

Fiz esse de brim branco - ia fazer de soft ou de plush, tecidos mais macios, mas não são tecidos naturais, algodão é que é bom prás criancinhas - e brim é 100% algodão. 

Fiz ele bem grande, recheado com manta R2, todo matelassado. 

Comprei um travesseiro bem fofo, tirei ele do forro original, fiz um forro novo, oval, prá se acomodar no formato do gatinho. Depois do formato do gato ter sido dado, recheei as perninhas, bracinhos  e orelhas com manta acrílica e costurei um pedaço de tecido redondo, do tamanho de cada abertura, por dentro, fechando essas partes, pro enchimento não escapar - pois seria muito ruim fazer o forro também com orelhas, braços e pernas. Essas partes ficam fixas. Isso porque eu o fiz lavável - e só dava prá fazer desse jeito com a intenção de retirar o travesseiro de dentro.

Vejam que ele tem um zíper atrás:


É só abrir o tal zíper, remover o travesseiro, colocar na máquina prá deixar bem lavadinho, secar no sol e rechear com o travesseiro de novo.


E o zíper da frente é prá abrir e colocar o bebê dentro - o travesseiro de dentro é bem fofinho, afunda bem macio e vai caber o bebê confortavelmente lá dentro - e ele vai dormir quentinho e quietinho, sem se descobrir a toda hora.

Tem uma carinha simpática... Bordei com pedacinhos de feltro e linha de crochê.


Depois, quando não está sendo usado, pode servir prá enfeitar o bercinho, que ficou um gatinho bem engraçadinho - copiei de um gatinho que eu vi vendendo no Etsy, mas esse era pequeno, prá criança brincar...

Quando meu netinho crescer e não couber mais dentro o gato pode ser usado como almofada ou como porta pijama em cima da cama...

Agora vou ter que fazer um do Pikachu pro meu netinho mais velho, mas prá ele vou fazer menor, prá ele dormir abraçado - pois ele dorme abraçado num travesseiro... Acho que esse eu vou fazer de plush ou soft, pois acho que não tem mais perigo de dar alergia, ele já tem 4 anos de idade...

E então? Gostaram?

Agora vamos aos passarinhos...

Ano passado minha mãe me ligou no final de uma tarde chuvosa, toda alegre, me dizendo:

-"Ai, Rosa, você nem sabe... Tô toda ensopada..."

-"Por quê, mãezinha? A senhora saiu na rua num tempo feio desses?"

-"Não, filha... Eu tava lá fora segurando o guarda-chuva no ninho da passarinha... Ainda bem que teus irmãos chegaram e amarraram o guarda-chuva em cima do ninho, prá proteger os ovinhos..."

Essa minha mãezinha... Tá ficando cega, sofre de mácula degenerativa. Lê a Bíblia usando uma poderosa lente de aumento, pois os óculos estão praticamente obsoletos pros olhinhos cansados dela... Mas graças aos meus irmãos ela soube onde uma rolinha tava fazendo ninho: numa árvore violeteira que fica do lado da escada de entrada da casa... Então, estando sozinha em casa quando o temporal começou, ela imediatamente pegou o guarda-chuva e foi proteger o ninho da rolinha e se ensopou toda!

-"Mas mãe? E o teu reumatismo?"

-"Ah, filha... Deus protege! Tô tão feliz que nem me lembro das dores..."

Daí meus irmãos, prá isso não se repetir, pegaram uns arames e prenderam o guarda-chuva permanentemente protegendo o ninho, de forma que o mesmo não saísse voando com o vento. A passarinha parece ter entendido que estava sendo protegida, pois se deixou ser fotografada e até filmada pelo meu irmão... Eu peço prá ele me mandar as fotos pelo zap, prá eu poder postar - e ele, apesar de ter aprendido (comigo) a mexer, sempre esquece...

O guarda-chuva ali permaneceu enquanto os ovos eram chocados. Os filhotinhos nasceram, ela os alimentou - e o guarda-chuva lá, fazendo sombra e protegendo da chuva. Minha mãe acompanhou todo o processo, até os filhotinhos aprenderem a voar e todos eles abandonarem o ninho, seguindo suas vidas pelos céus afora da nossa Penha.

Minha mãe garante que a passarinha aparece volta e meia na janela prá visitá-la.

Então, duas semanas atrás, logo depois de uma chuva, um filhote de passarinho que não sabia ainda voar caiu do ninho bem no meio do jardim da minha mãe - que está ficando cega, sim, mas escuta que é uma maravilha e tem a cabeça afiada, melhor que a minha...

Ela escutou os pios do coitadinho e foi procurar, no meio das plantinhas... 

Ele fugia andando, com as perninhas fininhas igual palitinhos, e se escondia no meio das plantas. 

Meu irmão Tato havia comprado uma casa de passarinhos, sonhando que aquela passarinha do guarda-chuva e seus filhinhos quisessem permanecer no jardim prá sempre - ficou tão triste que isso não aconteceu! 

Ah, se vocês conhecessem meu irmão Tato! Ele é tão lindo!!! É alto, muito forte, tem a pele bem bronzeada, pois sempre trabalhou de pedreiro, dois olhos verdes que parecem faróis, brilhando no rosto... Mas só começou a falar papai e mamãe com 7 anos, tem a mentalidade de um menino de 12 - e as mulheres que o veem o acham lindo, paqueram, convidam prá sair - e ele fica todo vermelho, envergonhado... 

Acorda todo dia antes das 6 da manhã prá rezar o terço prá Nossa Senhora, de joelhos, e fica falando assim: "Cuida da minha Rosa, Nossa Senhora! Cuida da minha Cida, da minha Fátima..." e vai desfiando os nomes de todo mundo na família - nunca reza prá si mesmo...

Pois eu aqui divagando, falando do meu Tatinho... Ele foi lá pegar aquela casinha de passarinho, que ele havia guardado todo triste, colocou ela apoiada na terra do jardim e ficou espiando da janela da sala - até ficar todo satisfeito que o passarinho tava se escondendo lá dentro, quando ameaçava chuva...

Durante 6 dias o passarinho viveu na casinha sobre a terra. Comeu dos bichinhos do jardim - e lá tem muitos, pois minha mãe e ele fazem compostagem com todos os restos de verduras e de frutas e adubam a terra - e era visitado por outros passarinhos - talvez os pais, quem sabe. 

Daí ele aprendeu a voar e se foi - livre como os passarinhos devem ser. Se os passarinhos das gaiolas pudessem sonhar, sonhariam ser ele, eu acho...

Então ontem, no final da tarde, minha mãezinha me liga.

-"Ô, filha, você tá bem? Não falo com você desde ontem de manhã!"...

E eu peço milhões de desculpas, pois realmente pisei na bola. Fui na dentista, cheguei em casa cheia de coisas prá fazer, uma correria doida essa minha vida, acordei e montanhas de coisas prá fazer e, no vai-prá-lá e vem-prá-cá me esqueci de ligar prá ela. 

Depois de muita desculpa e muitos "eu te amo, mãezinha" ela começa a me contar de mais uma aventura entre passarinhos.

-"Sabe, filha, um passarinho cismou de fazer ninho naquela minha roseira maior - e, pobrezinho, ficou todo enroscado!"...

-"Mas, enroscado como, mãezinha?"

-"É que eles usam de tudo prá fazer ninho - galhos fininhos, folhas secas, fiapos de vassoura... Esse usou fios de linha - que sei lá onde arrumou... Eu sei que ele tava tecendo o ninho e deve ter vindo um vento, os fios começaram a se enrodilhar nas perninhas dele e, de tanto se debater, acabou ainda mais preso. Eu escutei a barulheira vindo do jardim e, quando fui ver, o pobrezinho estava pendurado de ponta cabeça pelas perninhas! Que dó..."

-"E daí, mãe? Me conta o que aconteceu com o pobrezinho?"

-"Ah, teu irmão Paulo chegou bem nessa hora - eu tava até com medo de pegar no passarinho e machucar ainda mais ele, medo de lhe quebrar as perninhas, ou as asinhas quando ele se debatia... Teu irmão pegou uma tesoura e separou o passarinho da roseira, levou ele prá dentro de casa e, sentado na mesa da cozinha, onde bate bastante luz, pegou uma gilete e com todo cuidado do mundo, foi cortando fiozinho por fiozinho que prendia as perninhas dele. Parecia que ele sabia que a gente tava ajudando ele: ficou tão quietinho, não bicou teu irmão! Bom, quando o Paulo cortou o último fio o passarinho voou todo satisfeito pela janela!"...

A voz da minha mãe tava toda feliz, toda remoçada. Minha salvadora de passarinhos, minha menina sonhadora, tão velhinha, com cabelinhos branquinhos e fininhos como os de uma criança!

Como gosto de vê-la feliz - ela, por incrível que pareça, é como eu: se contenta com pouco, um passarinho voando livre já lhe arranca um sorriso e um suspiro...

Eu sei que, às vezes, passo outra impressão - especialmente depois da postagem sobre a tristeza. Não posso fazer nada - cada um é como é. Podemos culpar alguém que nasceu diabético, ou surdo, ou cego, por ser do jeito que é? Eu sei que eu sou privilegiada, muito amada, muito cuidada, tenho uma família linda... Se eu vivesse com os olhos apenas voltados prá minha vida, tudo seriam risos - mas não é assim que vivemos, não é mesmo? O meu mal é ser muito consciente do mundo à minha volta - não consigo ser alienada, cabecinha fresca (bem que eu gostaria...). Jesus já dizia: a boca fala do que está cheio o coração e o meu tem uma quantidade de tristeza bem acima da média... E como poderia ser diferente, gente do céu? A gente liga a televisão e vê tudo o que acontece no mundo - e nem precisa ir tão longe no planeta, viram o caos que está no Espírito Santo? A filha vem e conta prá gente todas as maldades que falaram na morte da mulher do Lula (gente sem cristandade nenhuma, por mais que alguém errasse comigo eu não falaria os absurdos que falaram, eu jamais desejaria o mal assim - nem pro Hitler, como é que pode ter gente de coração tão duro nesse mundo, Deus do céu?!)... Isso tudo machuca meu coração: maldade, ignorância, preconceito, falta de fé. Mas foi Deus quem me fez assim... 

No entanto eu prometo me policiar, falar de coisas amenas, flores e passarinhos - o mais que der. Afinal eu não quero que este blog tenha uma trilha sonora ao som de violinos tristes.

Eu gosto muito de ouvir aquela música boba dos minions, sabe qual é?

"Because I'm happy!"...

Porque eu sou - feliz, de verdade.

Mesmo tendo um coração meio triste...

Até.
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