Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lixeirinha prá carro



Ou - no caso do Marildo... - porta-moedas (prá ele entregar prá quem pede nos faróis...).

Vamos direto pros finalmentes:

Dois pedaços de tecido medindo 52 cm por 21 cm. Podem ser diferentes, podem ser duas peças formadas por retalhos que você mesma emendou. Um pedaço de manta acrílica medindo a mesma coisa, prá ficar dentro dos dois retalhos de tecido. Reparem que eu dei uma arredondada em uma das pontas - é a parte que vai servir de alça prá lixeirinha.

Dei uma matelassada na peça, prá unir todas as partes que estavam em sanduiche (tecido-manta-tecido).  Uni as três peças, alfinetei em vários lugares e, com a velha fita crepe, fiz a guia das costuras. Quando fui chegando perto dos alfinetes eu movia eles de lugar.

Matelassei de um lado, matelassei do outro. Ou "quiltei", como se diz hoje em dia...

Tudo matelassado, tirei as rebarbas que ficam dos lados, prá ficar tudo limpinho. Diminui quase 1 cm no comprimento e na largura - faz parte. Se a manta fosse adesivada isso não acontecia....

Agora o acabamento da "boca" da lixeirinha. Na parte que eu não arredondei eu passei um viés (comprado pronto)  com uma costura no avesso da peça.

Virei pro lado certo...

e passei uma costura, assentando o acabamento.

Fica assim - bonitinho.

Agora vem a parte de abrir o buraco que serve de alça prá lixeirinha - que a gente enfia no câmbio do carro. Cortei no olhômetro, dobrando a parte arredondada ao meio. 

Ficou assim a abertura.

Pelo centro dela, na parte de baixo, eu começo a aplicar novamente o viés, começando uns 5 cm depois do começo do viés. Vou costurando devagarinho, seguindo a linha arredondada do canto. Melhor é alinhavar - mas eu fiz meio na pressa, a outra lixeirinha se perdeu na revisão do carro...

Quando tava chegando perto de onde começou eu parei, medi mais-ou-menos onde as duas partes iam se encaixar e cortei.

Costurei, dando uma emendada básica... Nessa hora, prá caprichar MESMO, corte e emende na diagonal que fica mais bonito, não aparece a emenda...

Virei pro lado certo e rebati a costura.

Tá quase acabando: resta fechar a lixeirinha. Dobrei a parte que serve de "boca" da lixeira prá cima.

Aí que eu me dei conta: fiz uma burrice!!! Meu tecido tinha, em um dos lados, um "talho" feito com tesoura quando fiz uma roupa com o mesmo, tempos atrás... Com ele fiz uma camisa e um vestido - estão em postagens bem antigas do blog... Eu tinha dado uma cerzida meia-boca e pretendia que essa deslizada ficasse no avesso - mas acabei pregando o viés do jeito errado - meléca! A pressa é mesmo inimiga da perfeição...

Improvisando: preguei 3 botõezinhos bonitinhos prá esconder o cerzido - e acabou dando um charme...

Não ficou uma gracinha? Parece até proposital...

Dei uma fechadinha de leve com zig-zag na largura 3 nas duas laterais...

E apliquei viés no avesso, começando na base da lixeira. Deixei 1 cm de sobra, prá depois dobrar prá dentro.

Costurei em toda a volta, acompanhando o contorno.

Virei pro lado do direito, dobrei a sobra de 1 cm...

Acomodei o viés... Rebati a costura...

E está pronta a lixeirinha!!! O Marildo adorou, já encheu de moedas dentro...



Você pode usar essa técnica prá fazer maior e usar como sacolinha de compras - ainda mais agora que os super-mercados pretendem voltar a cobrar pelas sacolinhas plásticas...

Fácil de fazer, econômica, um jeito de aproveitar retalhos e ganhar um dinheirinho - quem tem carro vai adorar ter uma (leva no trabalho e vende prás colegas, oferece prás vizinhas, prás parentas!!!), prá manter o caos sob controle.

Ó, vamos dar uma calculada: 1,50m x 0,50 de manta custa em torno de 10 reais (adesivada, no Bazar Horizonte), mais 2 m de tecido - dependendo do lugar (como no Varejão Chaves...) você consegue comprar na banca de retalhos por até 5 reais... Em cada lixeirinha você usa 40 cm x 52 cm (se o tecido tiver 90 cm de largura, dá prá fazer 4 lixeirinhas com cada metro - com 2 você faz 8 delas...). Mais o viés que é baratinho: se você cobrar 10 reais cada lixeirinha, vai tá lucrando que é uma beleza...

Tá esperando o quê prá mandar brasa nas lixeirinhas neste final de semana? Segunda feira você pode começar a semana com o pé direito, ganhando dindin...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A mais linda!!!

Modéstia à parte, acho que essa foi a blusa mais linda que eu já fiz - e olha que eu já fiz uma porção delas...

É que - sabe como é... - branco é outra coisa... Não é prá menos que as noivas se casam com essa cor, ela é linda, vocês não acham? Até eu, que não me casei de noiva como manda o figurino, me casei de roupa branca...

Bom, a linha é baratinha: Anne brilho, apenas dois novelinhos (dos quais um sobrou 1/3...). Os brilhinhos é que dão o charme: à noite, na luz artificial, essa blusa fica uma preciosidade...

Manequim 46 (mas a Naninha, que é manequim 42) ficou linda nela. Espia as fotos que eu tirei:








Fiz prá mim, mas já mudei de ideia (na hora que a Nana experimentou eu disse: "Ai, filha, acho que essa blusa tem que ficar prá você, ficou tão linda!!!" e daí ela disse: "Assim não vale, mãe... Tudo você diz que fica lindo em mim e daí acaba me dando tudo o que faz e fica com nada prá você... Não quero, é tua. Um dia você me empresta...").

Bom, já ensinei a fazer este ponto AQUI.

E a receita da blusa eu usei esta mesma AQUI.

Usei regulagem 10, pois queria a trama leve e aberta, prá economizar linha (pois só tinha 2 novelos, como já disse...).

Acabamento em crochê, que de complicada já basta a vida: você se espatifa no sofá assistindo desenho, faz uma carreira de pontos baixíssimos em volta de tudo (barra da blusa, da manga e decote) e, na segunda carreira, 3 pontos baixíssimos, cinco correntinhas e prende com um ponto baixíssimo, sempre pulando - no meio dos três pontos baixíssimos - um ponto de base, que é prá barra não virar prá fora. 

É fácil de fazer, apesar de parecer complicada - toda feita transportando pontos com o transportador e deixando espaços vazios. 

Um jeito fácil de fazer render o dinheirinho suado, criando beleza ao mesmo tempo...


E por falar em beleza, espia o olhão da minha Nana: nada de cílios postiços, é só uma passadinha de rímel (que sou eu que passo nela, prá variar...). 

Ai, como é bom ser jovem - eu já fui assim... Tinha cílios até dizer chega!... Ai, ai... Ainda bem que eu não preciso piscar prá conquistar ninguém igual nos desenhos animados, senão tava perdida...

Essa é a filha que se parece mais comigo - mas, engraçado... Nenhum dos meus filhos nasceu de olhos claros, puxando o pai e a mãe... Puxaram os olhos castanhos escuros da avó - minha velha... Adoro, acho demais de lindo, vocês não?

terça-feira, 7 de abril de 2015

Matelassada...




De um jeito fácil e que custa pouquinho...

Primeiro: sou uma negação em matéria de patchwork... O máximo de emendação de retalhos que eu faço é o velho emenda-quadradinhos, tudo feito no olhômetro... Quando eu era pequena todas as roupas velhas eram aproveitadas prá se fazer cobertas de retalhos emendados - e só quando a roupa já não tinha serventia (por não caber mais no tamanho ou por estar com partes roídas de tão gastas...). 

Mas fico com os olhos brilhando quando vejo as artes da Ana Cosentino, por exemplo... Outro dia, no Blog da Helena (Minha Primeira Costura) ela comentava que tava sem empregada prá fazer as faxinas e sugeria que bem poderia trocar aulas de costura pelo serviço... 

Aproveitando essa ideia, se a Ana Cosentino morasse perto de casa... Eu bem que ia sugerir se ela não queria fazer umas trocas de bolsas por serviço, ou por tricô, ou por meus mundialmente famosos dotes culinários... Ai, ai...

Mas me virei bem de novo - mesmo sem ter todo o talento dela. Não uni retalhos, mas dei uma matelassada básica na última bolsa que fiz prá minha Naninha...



Fiz maior que esta última AQUI, que foi feita de corino. 



Desta vez usei três tipos de tecido: Jacquard de decoração (usado prá fazer cortinas e almofadas) preto prá ser o pano base da bolsa, brim preto pro forro e um pedaço de popeline estampada prá fazer o detalhe do bolso.

Do lado de fora eu matelassei tudinho - prá grudar os tecidos na manta acrílica e, além de ficar bonitinho, dar mais resistência à peça.

Prá fazer é bem fácil - espia só num outro tipo de tecido:


Você usa nossa velha amiga: fita crepe.

Eu sei que existe pé de máquina prá fazer esse tipo de trabalho - mas eu não tenho. Toda vez que eu saio de casa eu me prometo passar na loja de máquinas prá comprar, mas sempre acabo sofrendo de amnésia quando atravesso a porta - um horror ficar velha... Mas eu não me desespero - me viro! E você, que também sempre esquece de comprar o tal pesinho, vai se virar também:

Vai colando pedaços da fita por sobre toda a parte que vai ser matelassada, com uma distância de uns 3 mm entre cada fita - e passa uma costura nesse meinho. Depois que matelassou tudo num sentido, arranca com cuidado as fitas e cola no outro sentido, prá fazer os losangos - a cola dura umas quatro coladas...

Fiz isso no jacquard preto e na popeline, daí montei a bolsa como ensina a Paula Piai no blog Juju Teteia - só que esta segunda bolsa eu fiz maior do que ela ensina, prá caber mais coisas.

A Naninha adorou e as amigas também queriam uma - pena que a mãezinha dela não aguenta nem com a própria carcaça prá poder pegar encomendas...




Fiz bolsos internos - um com zíper de um lado e três que ficam somente abertos, prá encaixar celular, carteira, etc. 

Prá dar sustentação na bolsa eu fiz um fundo removível - e não negando jamais meu título mundial de "Rainha do Improviso" eu usei uma capa de caderno velha e a parte reta de uma embalagem plástica de desinfetante:




Ficou bem firme, ninguém jamais vai saber da minha "gambiarra"...

Do lado de fora, além do bolso ter zíper, coloquei um enfeite de flor que eu pintei com esmalte de unha:




E - por falar em esmalte e inspirada pela Nina, do blog O Meu Pensamento Viaja - dei uma resgatada na vaidade perdida e pintei as unhas:



Não é lindinho esse esmalte? E o nome combina comigo: "Amor de Mãe"...


Mesmo o ato de pintar as unhas tem que ser divertido, igual brincar - eu, pelo menos, me divirto sempre que posso...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Crime por omissão



Ontem foi dia de bater perna - coisas prá comprar de última hora antes de ir pro Sítio, resolver uns probleminhas do celular novo dos filhos na loja da Vivo...

Minha Lola me levou prá conhecer o Shopping Metrô Itaquera, no qual eu nunca tinha ido. Até no Shopping JK, totalmente de rico, eu já tinha ido e nesse, em minha amada zona Leste, eu nunca tinha pisado... Já fui várias vezes no PoupaTempo de lá mas, no shopping, nada...

Enorme como qualquer grande shopping, as mesmas lojas de sempre, os mesmos quiosques de comidinhas... Minha Lola diz que esse shopping não é muito famoso - e eu, inocente, disse que se um rico fosse levado de olhos vendados e largado ali no meio não saberia em que Shopping estava, mas minha filha argumentou que eu estava errada: ele é notoriamente conhecido como "shopping de pobre", pois além de ficar nos fundões da Zona Leste, também não tem muita decoração chique. O ser humano nunca deixa de me espantar, acho que eu nunca deixei de ser criança no fundo do meu coração...

Bom, fui ao sanitário várias vezes enquanto estivemos por lá (remédio prá pressão alta é assim, muita sede e muitas idas ao banheiro...) e era muito limpinho - é o que importa, não é? O supermercado Extra era gigantesco, com produtos que não tem nos dois que ficam perto da minha casa - até comprei mais um ovo de páscoa da "Hora da Aventura" - prá ganhar o bonequinho... - e uma cueca boxer pro meu moleque - prá servir de modelo prá eu fazer outras...

Daí a gente foi na loja da Vivo resolver os assuntos das crianças referente ao chip 4G dos celulares novos que o Herks comprou prá ele e prás irmãs. Loja lotada, esperei quase 10 minutos prá ter lugar prá eu sentar. 

Lá estou eu, apreciando o movimento, a morosidade absurda no atendimento (até comentei assim com a Lola: "Será que os problemas das pessoas são realmente tão enroscados, prá essa demora toda, ou os atendentes é que são devagar-quase-parando?" ...) quando, de repente, entra pela grande abertura da loja um senhor com o qual cruzei mais de uma vez enquanto caminhava no shopping e pega uma senha no aparelhinho.

Era um homem em torno dos sessenta anos, com mais de 1,90 m de altura, de pele negra e roupas bem humildes. 

Até aí nada de anormal, eu mesma não estava vestida como se fosse à cerimônia do Oscar - mas não era somente pela estatura que ele chamava atenção: seu peso devia ser próximo dos duzentos quilos, o pobrezinho sofria de obesidade mórbida... Devido a esse fator e também à sua idade e altura o homem se locomovia com extrema dificuldade, usando uma bengala - ele praticamente arrastava os pés pelo chão. 

Pelo contorno da sua calça de moletom cinza notava-se os joelhos enormes e redondos, sinal de inflamação. Os pés, de sandália havaiana, pareciam duas bolas inchadas.

Ele aguentou de pé por uns 4 ou 5 minutos e então se dirigiu vagarosamente para se sentar entre duas pessoas que se acomodavam num banco de madeira do lado de fora da loja - não dei meu lugar prá ele porque as cadeiras eram diminutas, de plástico transparente, muito frágeis mesmo.

Nessa hora me vi chocada com a falta de acessibilidade da loja: pessoas na condição dele - que mais precisam se sentar prá esperar! - não tem sequer uma cadeira própria!

Falei prá minha Lola que, quando chegasse em casa, eu ia reclamar disso no site da Vivo e no da Anatel e onde mais eu achasse que precisava, mas pedi prá ela ir falar com o gerente da loja e reclamar também pessoalmente - só não fui eu por dois motivos: gente jovem e bonita sempre obtém mais atenção quando abre a boca e, prá falar a verdade, depois de tanta "bateção" de perna, eu também estava "entregue à rapadura"...

Demorou prá minha filha conseguir ser atendida - tinha duas pessoas na frente... - e, quando foi ouvida - pasmem! - foi questionada se era parente do tal homem prá estar reclamando por ele!!! 

O absurdo do mundo em que vivemos: só se encara de modo natural a luta pelos direitos de outro se tivermos ligação com ele...

A gerente trouxe de uma sala lá dentro uma outra cadeira - a qual não serviria prá acomodar nem metade do quadril do homem - e, devido ao fato dele se sentir mais seguro no banco do lado de fora, ali ele continuou a esperar atendimento. O máximo que foi obtido com a reclamação foi que uma funcionária fosse destacada prá resolver o problema do homem indo ela mesma até o banco, sem ele precisar se levantar...

Na saída minha Lola disse que se orgulhava de mim porque eu não deixava nada "passar batido" e eu pensei como eu é que me orgulhava dela, pelo seu modo de conversar e expor o que achava certo de modo firme e coerente... Também pensei: "Isso não é o que deveria ser feito por qualquer ser humano?"...

Domingo passado eu tive um sonho... Eu e o Marildo estávamos dirigindo por um lugar desconhecido seguindo uma procissão de gente que ia pro mesmo lugar que nós. Me lembro de sentir uma preocupação infinita e desesperadora de chegar logo no destino e pegar meus filhos - eu, que ia sentada no maior conforto dentro do carro - enquanto passava, em relativa velocidade, por milhares de pessoas a pé, carregando crianças no colo e os mais variados pertences. 

A cada quilômetro do caminho as condições do mesmo iam piorando: a chuvinha fina que caía ia se tornando mais e mais forte, a lama do chão ia se tornando uma tremenda enxurrada. Partes do trajeto tinham deslizamento de terra, crateras enormes iam surgindo do nada...

Em determinado ponto à nossa frente tudo havia ruído: tudo o que se via era um mar de lama revolto, pessoas se debatendo e afundando entre gritos de desespero...

Em nenhum momento no sonho eu pensei em descer prá ajudar quem quer que fosse. Gritei nervosa pro meu marido fazer a volta e, mais apressados ainda, retornamos por onde viemos, em busca de um caminho diferente... 

Me lembro de olhar pros rostos dos que por mim passavam e saber que todos se dirigiam prá morte certa - e não abri o vidro prá avisar ninguém, preocupada somente com os meus problemas...

Acordei enojada comigo mesma, sem aguentar nem mesmo me olhar no espelho por todo aquele dia...

Eu - que sempre me considero tão consciente do mundo à minha volta!

Eu - que sempre abro a boca quando encaro uma injustiça, que não deixo uma lâmpada ou semáforo continuar apagado nas ruas por onde passo (e sempre reclamo na Prefeitura, por telefone ou internet...)...

Eu, infelizmente, sofro do mesmo mal que acomete a grande maioria das pessoas: só enxergo a ponta do meu próprio nariz, mesmo que em sonho. 

Porque - se eu sonhei - eu tenho isso, em maior ou menor grau, dentro de mim - e ter consciência disso me choca...

Sou - afinal - como todo mundo: humana. 

Egocêntrica, cheia de falhas, imperfeita,..

Uma obra em andamento que se arrasta indefinidamente...

Mas uma obra que tem conserto, cujas falhas não podem (nem devem) ser permanentes...

Mediante observação do mundo à minha volta eu sempre posso tomar atitudes prá melhorá-lo - e acabar me melhorando, por consequência natural dessas mesmas atitudes...

No Código Penal brasileiro está tipificado o "Crime por Omissão", aquele no qual uma pessoa vê um outro crime acontecer, vê uma pessoa em situação de perigo E NÃO FAZ NADA... 

É crime, embora eu não me lembre de ter jamais ouvido falar de alguém que tenha ido prá cadeia por ser omisso...

E a Lei Divina - aquela na qual não precisa existir testemunha do delito prá que ele exista - é muito mais perfeita, atuante em 100% dos casos...

Imaginem como vai ser o mundo quando a dor de um for a dor de todos... 

Quando - ao olhar prá um irmão caído ou em necessidade - enxergarmos a nós mesmos naquela condição ou situação, num grau que ultrapasse a empatia e alcance verdadeiramente o "Amar ao próximo como a si mesmo"?...

A fome do outro vai doer no meu estômago, a tristeza e a dor do outro vai tirar o meu sono...

Nós - cristãos - acreditamos que Jesus morreu e renasceu na Páscoa, não é mesmo?

E no que tange a nós mesmos sempre é tempo de renascimento da nossa alma - e  a Páscoa é uma boa hora prá se lembrar disso: de ressurgir por detrás da pedra rolada da sepultura do nosso egoísmo como uma versão mais iluminada de nós mesmos, prontos prá mais um passo da jornada...

Feliz Páscoa e até mais, se Deus quiser!


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Um retalho

E o "retalho do retalho"...

No meu aniversário do ano passado minhas filhas me levaram no Bom Retiro e me compraram retalhos por quilo. Um deles foi este tecido verde lindo, uma malha encorpada super macia, que - como sempre acontece nesses retalhos... - vinha cheia de defeitos:


Defeitos como furinhos e emendas feitas em overloque. As tecelagens compõem as peças assim, às vezes: no meio do rolo vem essas "surpresas" que, quando localizadas na loja, são cortadas fora da peça e colocadas à venda mais barato, geralmente no balcão de retalhos. Vinte reais o quilo foi o quanto eu paguei nessa loja e, como o tecido era pesadinho, só esse pedaço deu quase 8 reais. 

Com ele eu fiz essa calça pro bambino - super macia e gostosa:



Daí sobrou uma lateral meio "prejudicada", quase-QUASE da largura de uma blusa prás meninas - que dó... Eu tinha até essa palinha bordada, comprada a 4 reais (pela qual me apaixonei assim que vi e que planejava colocar num vestido prá mim, uma hora dessas...).

Eu tenho muito isso, às vezes me acho quase uma artista: assim como os grandes mestres escultores olham pro mármore e enxergam a estátua dentro dele eu olho pros paninhos e enxergo uma blusa, um vestidinho, por mais que dali pareça que não vai sair nada...

Mas dos "trapos-dos-trapos" saiu esta blusinha aqui:





Da parte que tinha mais pano eu tirei a frente da blusinha - no osso, mal tinha espaço prá costura - e, das sobras-das-sobras eu tirei, em duas partes e em sentidos contrários da malha, as costas, divididas ao meio (cliquem na foto que vocês vão ver a costura...). 

Fiz a blusinha, costurei a palinha e, naquela costura feia das costas, preguei um elástico - como se fosse proposital, mas totalmente quebra-galho.

Deu certo, ficou linda, o namorado da Naninha a achou muito linda com ela - e a danada ainda contou "Minha mãe fez esta blusinha ontem, de um retalho de uma calça que fez pro meu irmão...".

Assim que eu gosto: nada de bancar posuda, a gente tem que ser orgulhosa da própria simplicidade - porque isso, esse tipo de orgulho, tá longe de ser pecado...

Duas peças lindas, gostosas, práticas - com apenas 8 reais...

E tem muito mais coisas feitas de retalho vindo por aí - mas haja tempo prá postar...
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