Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A mais linda!!!

Modéstia à parte, acho que essa foi a blusa mais linda que eu já fiz - e olha que eu já fiz uma porção delas...

É que - sabe como é... - branco é outra coisa... Não é prá menos que as noivas se casam com essa cor, ela é linda, vocês não acham? Até eu, que não me casei de noiva como manda o figurino, me casei de roupa branca...

Bom, a linha é baratinha: Anne brilho, apenas dois novelinhos (dos quais um sobrou 1/3...). Os brilhinhos é que dão o charme: à noite, na luz artificial, essa blusa fica uma preciosidade...

Manequim 46 (mas a Naninha, que é manequim 42) ficou linda nela. Espia as fotos que eu tirei:








Fiz prá mim, mas já mudei de ideia (na hora que a Nana experimentou eu disse: "Ai, filha, acho que essa blusa tem que ficar prá você, ficou tão linda!!!" e daí ela disse: "Assim não vale, mãe... Tudo você diz que fica lindo em mim e daí acaba me dando tudo o que faz e fica com nada prá você... Não quero, é tua. Um dia você me empresta...").

Bom, já ensinei a fazer este ponto AQUI.

E a receita da blusa eu usei esta mesma AQUI.

Usei regulagem 10, pois queria a trama leve e aberta, prá economizar linha (pois só tinha 2 novelos, como já disse...).

Acabamento em crochê, que de complicada já basta a vida: você se espatifa no sofá assistindo desenho, faz uma carreira de pontos baixíssimos em volta de tudo (barra da blusa, da manga e decote) e, na segunda carreira, 3 pontos baixíssimos, cinco correntinhas e prende com um ponto baixíssimo, sempre pulando - no meio dos três pontos baixíssimos - um ponto de base, que é prá barra não virar prá fora. 

É fácil de fazer, apesar de parecer complicada - toda feita transportando pontos com o transportador e deixando espaços vazios. 

Um jeito fácil de fazer render o dinheirinho suado, criando beleza ao mesmo tempo...


E por falar em beleza, espia o olhão da minha Nana: nada de cílios postiços, é só uma passadinha de rímel (que sou eu que passo nela, prá variar...). 

Ai, como é bom ser jovem - eu já fui assim... Tinha cílios até dizer chega!... Ai, ai... Ainda bem que eu não preciso piscar prá conquistar ninguém igual nos desenhos animados, senão tava perdida...

Essa é a filha que se parece mais comigo - mas, engraçado... Nenhum dos meus filhos nasceu de olhos claros, puxando o pai e a mãe... Puxaram os olhos castanhos escuros da avó - minha velha... Adoro, acho demais de lindo, vocês não?

terça-feira, 7 de abril de 2015

Matelassada...




De um jeito fácil e que custa pouquinho...

Primeiro: sou uma negação em matéria de patchwork... O máximo de emendação de retalhos que eu faço é o velho emenda-quadradinhos, tudo feito no olhômetro... Quando eu era pequena todas as roupas velhas eram aproveitadas prá se fazer cobertas de retalhos emendados - e só quando a roupa já não tinha serventia (por não caber mais no tamanho ou por estar com partes roídas de tão gastas...). 

Mas fico com os olhos brilhando quando vejo as artes da Ana Cosentino, por exemplo... Outro dia, no Blog da Helena (Minha Primeira Costura) ela comentava que tava sem empregada prá fazer as faxinas e sugeria que bem poderia trocar aulas de costura pelo serviço... 

Aproveitando essa ideia, se a Ana Cosentino morasse perto de casa... Eu bem que ia sugerir se ela não queria fazer umas trocas de bolsas por serviço, ou por tricô, ou por meus mundialmente famosos dotes culinários... Ai, ai...

Mas me virei bem de novo - mesmo sem ter todo o talento dela. Não uni retalhos, mas dei uma matelassada básica na última bolsa que fiz prá minha Naninha...



Fiz maior que esta última AQUI, que foi feita de corino. 



Desta vez usei três tipos de tecido: Jacquard de decoração (usado prá fazer cortinas e almofadas) preto prá ser o pano base da bolsa, brim preto pro forro e um pedaço de popeline estampada prá fazer o detalhe do bolso.

Do lado de fora eu matelassei tudinho - prá grudar os tecidos na manta acrílica e, além de ficar bonitinho, dar mais resistência à peça.

Prá fazer é bem fácil - espia só num outro tipo de tecido:


Você usa nossa velha amiga: fita crepe.

Eu sei que existe pé de máquina prá fazer esse tipo de trabalho - mas eu não tenho. Toda vez que eu saio de casa eu me prometo passar na loja de máquinas prá comprar, mas sempre acabo sofrendo de amnésia quando atravesso a porta - um horror ficar velha... Mas eu não me desespero - me viro! E você, que também sempre esquece de comprar o tal pesinho, vai se virar também:

Vai colando pedaços da fita por sobre toda a parte que vai ser matelassada, com uma distância de uns 3 mm entre cada fita - e passa uma costura nesse meinho. Depois que matelassou tudo num sentido, arranca com cuidado as fitas e cola no outro sentido, prá fazer os losangos - a cola dura umas quatro coladas...

Fiz isso no jacquard preto e na popeline, daí montei a bolsa como ensina a Paula Piai no blog Juju Teteia - só que esta segunda bolsa eu fiz maior do que ela ensina, prá caber mais coisas.

A Naninha adorou e as amigas também queriam uma - pena que a mãezinha dela não aguenta nem com a própria carcaça prá poder pegar encomendas...




Fiz bolsos internos - um com zíper de um lado e três que ficam somente abertos, prá encaixar celular, carteira, etc. 

Prá dar sustentação na bolsa eu fiz um fundo removível - e não negando jamais meu título mundial de "Rainha do Improviso" eu usei uma capa de caderno velha e a parte reta de uma embalagem plástica de desinfetante:




Ficou bem firme, ninguém jamais vai saber da minha "gambiarra"...

Do lado de fora, além do bolso ter zíper, coloquei um enfeite de flor que eu pintei com esmalte de unha:




E - por falar em esmalte e inspirada pela Nina, do blog O Meu Pensamento Viaja - dei uma resgatada na vaidade perdida e pintei as unhas:



Não é lindinho esse esmalte? E o nome combina comigo: "Amor de Mãe"...


Mesmo o ato de pintar as unhas tem que ser divertido, igual brincar - eu, pelo menos, me divirto sempre que posso...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Crime por omissão



Ontem foi dia de bater perna - coisas prá comprar de última hora antes de ir pro Sítio, resolver uns probleminhas do celular novo dos filhos na loja da Vivo...

Minha Lola me levou prá conhecer o Shopping Metrô Itaquera, no qual eu nunca tinha ido. Até no Shopping JK, totalmente de rico, eu já tinha ido e nesse, em minha amada zona Leste, eu nunca tinha pisado... Já fui várias vezes no PoupaTempo de lá mas, no shopping, nada...

Enorme como qualquer grande shopping, as mesmas lojas de sempre, os mesmos quiosques de comidinhas... Minha Lola diz que esse shopping não é muito famoso - e eu, inocente, disse que se um rico fosse levado de olhos vendados e largado ali no meio não saberia em que Shopping estava, mas minha filha argumentou que eu estava errada: ele é notoriamente conhecido como "shopping de pobre", pois além de ficar nos fundões da Zona Leste, também não tem muita decoração chique. O ser humano nunca deixa de me espantar, acho que eu nunca deixei de ser criança no fundo do meu coração...

Bom, fui ao sanitário várias vezes enquanto estivemos por lá (remédio prá pressão alta é assim, muita sede e muitas idas ao banheiro...) e era muito limpinho - é o que importa, não é? O supermercado Extra era gigantesco, com produtos que não tem nos dois que ficam perto da minha casa - até comprei mais um ovo de páscoa da "Hora da Aventura" - prá ganhar o bonequinho... - e uma cueca boxer pro meu moleque - prá servir de modelo prá eu fazer outras...

Daí a gente foi na loja da Vivo resolver os assuntos das crianças referente ao chip 4G dos celulares novos que o Herks comprou prá ele e prás irmãs. Loja lotada, esperei quase 10 minutos prá ter lugar prá eu sentar. 

Lá estou eu, apreciando o movimento, a morosidade absurda no atendimento (até comentei assim com a Lola: "Será que os problemas das pessoas são realmente tão enroscados, prá essa demora toda, ou os atendentes é que são devagar-quase-parando?" ...) quando, de repente, entra pela grande abertura da loja um senhor com o qual cruzei mais de uma vez enquanto caminhava no shopping e pega uma senha no aparelhinho.

Era um homem em torno dos sessenta anos, com mais de 1,90 m de altura, de pele negra e roupas bem humildes. 

Até aí nada de anormal, eu mesma não estava vestida como se fosse à cerimônia do Oscar - mas não era somente pela estatura que ele chamava atenção: seu peso devia ser próximo dos duzentos quilos, o pobrezinho sofria de obesidade mórbida... Devido a esse fator e também à sua idade e altura o homem se locomovia com extrema dificuldade, usando uma bengala - ele praticamente arrastava os pés pelo chão. 

Pelo contorno da sua calça de moletom cinza notava-se os joelhos enormes e redondos, sinal de inflamação. Os pés, de sandália havaiana, pareciam duas bolas inchadas.

Ele aguentou de pé por uns 4 ou 5 minutos e então se dirigiu vagarosamente para se sentar entre duas pessoas que se acomodavam num banco de madeira do lado de fora da loja - não dei meu lugar prá ele porque as cadeiras eram diminutas, de plástico transparente, muito frágeis mesmo.

Nessa hora me vi chocada com a falta de acessibilidade da loja: pessoas na condição dele - que mais precisam se sentar prá esperar! - não tem sequer uma cadeira própria!

Falei prá minha Lola que, quando chegasse em casa, eu ia reclamar disso no site da Vivo e no da Anatel e onde mais eu achasse que precisava, mas pedi prá ela ir falar com o gerente da loja e reclamar também pessoalmente - só não fui eu por dois motivos: gente jovem e bonita sempre obtém mais atenção quando abre a boca e, prá falar a verdade, depois de tanta "bateção" de perna, eu também estava "entregue à rapadura"...

Demorou prá minha filha conseguir ser atendida - tinha duas pessoas na frente... - e, quando foi ouvida - pasmem! - foi questionada se era parente do tal homem prá estar reclamando por ele!!! 

O absurdo do mundo em que vivemos: só se encara de modo natural a luta pelos direitos de outro se tivermos ligação com ele...

A gerente trouxe de uma sala lá dentro uma outra cadeira - a qual não serviria prá acomodar nem metade do quadril do homem - e, devido ao fato dele se sentir mais seguro no banco do lado de fora, ali ele continuou a esperar atendimento. O máximo que foi obtido com a reclamação foi que uma funcionária fosse destacada prá resolver o problema do homem indo ela mesma até o banco, sem ele precisar se levantar...

Na saída minha Lola disse que se orgulhava de mim porque eu não deixava nada "passar batido" e eu pensei como eu é que me orgulhava dela, pelo seu modo de conversar e expor o que achava certo de modo firme e coerente... Também pensei: "Isso não é o que deveria ser feito por qualquer ser humano?"...

Domingo passado eu tive um sonho... Eu e o Marildo estávamos dirigindo por um lugar desconhecido seguindo uma procissão de gente que ia pro mesmo lugar que nós. Me lembro de sentir uma preocupação infinita e desesperadora de chegar logo no destino e pegar meus filhos - eu, que ia sentada no maior conforto dentro do carro - enquanto passava, em relativa velocidade, por milhares de pessoas a pé, carregando crianças no colo e os mais variados pertences. 

A cada quilômetro do caminho as condições do mesmo iam piorando: a chuvinha fina que caía ia se tornando mais e mais forte, a lama do chão ia se tornando uma tremenda enxurrada. Partes do trajeto tinham deslizamento de terra, crateras enormes iam surgindo do nada...

Em determinado ponto à nossa frente tudo havia ruído: tudo o que se via era um mar de lama revolto, pessoas se debatendo e afundando entre gritos de desespero...

Em nenhum momento no sonho eu pensei em descer prá ajudar quem quer que fosse. Gritei nervosa pro meu marido fazer a volta e, mais apressados ainda, retornamos por onde viemos, em busca de um caminho diferente... 

Me lembro de olhar pros rostos dos que por mim passavam e saber que todos se dirigiam prá morte certa - e não abri o vidro prá avisar ninguém, preocupada somente com os meus problemas...

Acordei enojada comigo mesma, sem aguentar nem mesmo me olhar no espelho por todo aquele dia...

Eu - que sempre me considero tão consciente do mundo à minha volta!

Eu - que sempre abro a boca quando encaro uma injustiça, que não deixo uma lâmpada ou semáforo continuar apagado nas ruas por onde passo (e sempre reclamo na Prefeitura, por telefone ou internet...)...

Eu, infelizmente, sofro do mesmo mal que acomete a grande maioria das pessoas: só enxergo a ponta do meu próprio nariz, mesmo que em sonho. 

Porque - se eu sonhei - eu tenho isso, em maior ou menor grau, dentro de mim - e ter consciência disso me choca...

Sou - afinal - como todo mundo: humana. 

Egocêntrica, cheia de falhas, imperfeita,..

Uma obra em andamento que se arrasta indefinidamente...

Mas uma obra que tem conserto, cujas falhas não podem (nem devem) ser permanentes...

Mediante observação do mundo à minha volta eu sempre posso tomar atitudes prá melhorá-lo - e acabar me melhorando, por consequência natural dessas mesmas atitudes...

No Código Penal brasileiro está tipificado o "Crime por Omissão", aquele no qual uma pessoa vê um outro crime acontecer, vê uma pessoa em situação de perigo E NÃO FAZ NADA... 

É crime, embora eu não me lembre de ter jamais ouvido falar de alguém que tenha ido prá cadeia por ser omisso...

E a Lei Divina - aquela na qual não precisa existir testemunha do delito prá que ele exista - é muito mais perfeita, atuante em 100% dos casos...

Imaginem como vai ser o mundo quando a dor de um for a dor de todos... 

Quando - ao olhar prá um irmão caído ou em necessidade - enxergarmos a nós mesmos naquela condição ou situação, num grau que ultrapasse a empatia e alcance verdadeiramente o "Amar ao próximo como a si mesmo"?...

A fome do outro vai doer no meu estômago, a tristeza e a dor do outro vai tirar o meu sono...

Nós - cristãos - acreditamos que Jesus morreu e renasceu na Páscoa, não é mesmo?

E no que tange a nós mesmos sempre é tempo de renascimento da nossa alma - e  a Páscoa é uma boa hora prá se lembrar disso: de ressurgir por detrás da pedra rolada da sepultura do nosso egoísmo como uma versão mais iluminada de nós mesmos, prontos prá mais um passo da jornada...

Feliz Páscoa e até mais, se Deus quiser!


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Um retalho

E o "retalho do retalho"...

No meu aniversário do ano passado minhas filhas me levaram no Bom Retiro e me compraram retalhos por quilo. Um deles foi este tecido verde lindo, uma malha encorpada super macia, que - como sempre acontece nesses retalhos... - vinha cheia de defeitos:


Defeitos como furinhos e emendas feitas em overloque. As tecelagens compõem as peças assim, às vezes: no meio do rolo vem essas "surpresas" que, quando localizadas na loja, são cortadas fora da peça e colocadas à venda mais barato, geralmente no balcão de retalhos. Vinte reais o quilo foi o quanto eu paguei nessa loja e, como o tecido era pesadinho, só esse pedaço deu quase 8 reais. 

Com ele eu fiz essa calça pro bambino - super macia e gostosa:



Daí sobrou uma lateral meio "prejudicada", quase-QUASE da largura de uma blusa prás meninas - que dó... Eu tinha até essa palinha bordada, comprada a 4 reais (pela qual me apaixonei assim que vi e que planejava colocar num vestido prá mim, uma hora dessas...).

Eu tenho muito isso, às vezes me acho quase uma artista: assim como os grandes mestres escultores olham pro mármore e enxergam a estátua dentro dele eu olho pros paninhos e enxergo uma blusa, um vestidinho, por mais que dali pareça que não vai sair nada...

Mas dos "trapos-dos-trapos" saiu esta blusinha aqui:





Da parte que tinha mais pano eu tirei a frente da blusinha - no osso, mal tinha espaço prá costura - e, das sobras-das-sobras eu tirei, em duas partes e em sentidos contrários da malha, as costas, divididas ao meio (cliquem na foto que vocês vão ver a costura...). 

Fiz a blusinha, costurei a palinha e, naquela costura feia das costas, preguei um elástico - como se fosse proposital, mas totalmente quebra-galho.

Deu certo, ficou linda, o namorado da Naninha a achou muito linda com ela - e a danada ainda contou "Minha mãe fez esta blusinha ontem, de um retalho de uma calça que fez pro meu irmão...".

Assim que eu gosto: nada de bancar posuda, a gente tem que ser orgulhosa da própria simplicidade - porque isso, esse tipo de orgulho, tá longe de ser pecado...

Duas peças lindas, gostosas, práticas - com apenas 8 reais...

E tem muito mais coisas feitas de retalho vindo por aí - mas haja tempo prá postar...

quinta-feira, 26 de março de 2015

Criação


Eu abria a porta da frente da casa, saía secando as mãos molhadas no avental e dizia:

-"Tá na hora, pessoal! Vamos entrando que a comida tá pronta!"

Eles - porque tava muito bom... - continuavam brincando juntinhos, três crianças maravilhosas que nunca brigavam, nunca se batiam nem se ofendiam... Ainda pergunto prá Deus porque nasceram assim, tão calmos e bonzinhos...

Então eu dizia:

-"Um... Dois..."

E eles obedeciam - entravam rindo, conversando, carregando os brinquedos...

Um dia Dona Gemma, minha vizinha de frente, me perguntou assim:

-"O que é que acontece se você chegar no 'Três'?"

-"Não sei... Nunca cheguei..."

Nunca. Nunca precisei bater, puxar orelhas, deixar de castigo... Sempre os tratei como seres inteligentes, capazes de entender a razão e o porquê das coisas através de conversas, desde pequenininhos. Sempre conversei muito com eles, sempre contei histórias... Sempre ajudei nas lições, estudar prás provas, fazer trabalhos escolares. Puro prazer, nunca obrigação - como devem ser as coisas que a gente faz prá quem a gente ama.

Eu tinha uma colega no trabalho que teve filhos nas mesmas épocas que eu, diferença de um, dois meses. Um dia peguei ônibus com ela e seus filhos e fiquei até atordoada. O mais velho se deitou no chão, esperneava e gritava porque ela não tinha comprado algo que ele queria, a chamava de nomes horríveis!  A pequena (que era trazida no colo...) lhe dava tapas no rosto...

No dia seguinte ela veio conversar comigo enquanto eu preparava o chá do dia, meio que se desculpando pela cena do dia anterior. Disse que eu tinha sorte, pois meus filhos eram calminhos como eu, que os dela tinham sangue quente como o dela... Me perguntou o que eu fazia prá mantê-los sempre tão obedientes e eu não soube que fórmula dar prá ela, a não ser conversar muito, dar amor, contar histórias... Ela me respondeu que não tinha paciência prá essas coisas...

Imagino que tipo de adultos serão hoje aquelas crianças...

Pouco depois dessa época - meus filhos já frequentavam a escola - veio um convite inesperado prá um aniversário. Não dava tempo de preparar um presente eu mesma - como gosto de fazer, por questão de capricho e também economia - então fui atrás de comprar alguma coisa.

Por sorte tinha na rua da minha mãe uma moça, artesã muito competente, que vendia diversos itens muito bonitos. Levei meus filhos até lá prá escolher - ela tinha meio que uma "loja" improvisada na sua sala de estar, na qual expunha suas peças na estante. Coisas muito bonitas, especialmente bonecas e itens de decoração e, com a opinião dos meus filhos, comprei uma linda boneca. Me lembro que enquanto estive lá reparei em seu filho, uns dois anos mais velho que minha Lola, a brincar no quintal com um amiguinho, gritando muito e usando palavrões pesados como palavras corriqueiras (e a mãe achando aquilo a coisa mais normal do mundo...).

Fomos embora, conversei com meus filhos sobre o uso daquelas palavras, dei a eles o jantar, contei histórias... Fomos ao aniversário no dia seguinte, seguimos com a vida.

Alguns anos atrás soube por minha mãe que essa moça havia contratado os serviços de advogado do meu irmão Leonardo para defender seu filho, que havia sido preso.

Veja como são as coisas: família bem de vida, marido empresário. Querendo dar emprego pro filho mais velho  - aquele menino dos palavrões, já um jovem adulto - mas o rapaz não queria trabalhar com o pai e a mãe deu o maior apoio. O moleque foi trabalhar como motoboy, entregando pizzas.

Até aí tudo normal, tudo bom demais - mostrou iniciativa, querendo fazer o próprio caminho...

Foi preso por praticar assaltos e demonstrou uma burrice fora do comum, assaltando as próprias casas onde estava acostumado a entregar pizzas!!!

A mãe queria que meu irmão o livrasse da cadeia - e achava que, como meu irmão era conhecido da família, faria o serviço de graça...

O pai do rapaz veio então conversar com meu irmão, dizendo agradecer muito ele ter perdido seu tempo, pagou pela visita, mas não queria que o filho fosse tirado da enrascada. Ele que enfrentasse as consequências dos seus atos...

O casamento acabou, a família se mudou, tudo deu prá trás...

A sogra dessa mulher, mãe do tal empresário, ficou devastada, mas disse que isso já era de se esperar. Contou prá minha mãe que achava que o neto estava envolvido com algo ruim, que já havia conversado com a nora a respeito e havia sido destratada por ela. 

-"Olha, meu filho me traz 'limpinho' 2 mil reais toda semana, me dá na mão! Não quero nem saber o que ele faz prá ganhar essa grana, prá mim o que importa é que meu filho sabe ganhar dinheiro, melhor que muito rapaz que perdeu a vida estudando..." - foi a resposta que a sogra obteve dela...

A gente nasce sem saber fazer nada na vida, só chorar e sujar fralda. O resto tem que ter alguém prá ensinar a gente a fazer: comer, se limpar, andar, falar... Aprender a diferenciar o certo do errado, seja através de conversas, histórias e também (e principalmente) exemplos de vida. 

Não sou uma pessoa obtusa a ponto de culpar os pais por todo crime e transgressão, pois - afinal - sempre existe o livre arbítrio. Os pais ensinam, mas tem criança que não aprende... 

Mas, se a gente for usar isso como desculpa, se a gente deixar a cargo do mundo ensinar as coisas mais importantes aos nossos filhos, melhor então seria abandoná-los na areia da praia, igual fazem as tartarugas...

Os meus eu levo pela mão até hoje e enquanto estiver viva. Sempre tenho tempo prá eles, mesmo se estiver doente, se estiver atarefada, se estiver cansada. Paro tudo, interrompo a rotação do meu mundo prá escutar o que eles tem prá me falar, abro os braços e o coração...

Se eu não fizer isso por eles, que serventia eu tenho, meu Deus?...

(Semana meio difícil, adoentada... Tempo de contar uma história, prá não deixar o blog entregue ao pó...)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Balõezinhos

Fiz esta blusa de presente de aniversário prá Fernanda -   ficou linda... Mas antes de eu mostrar a blusa, espiem o ponto:


É muito simples, muito fácil de fazer e a blusa fica um charme, espia só:








Bom, quando ela e a Lola saem juntas é até covardia: muita beleza junta... Essas fotos são de celular, tiradas pela minha Lola no Shopping Anália Franco... 

Mas, belezuras à parte, vamos à blusa (fotografada na Naninha por mim, para mais detalhamento do ponto...):






Dei ao ponto o nome de balõezinhos - porque parece. Olha só:


Não fica bonitinho? Também fica uma peça leve, delicada como renda e muito econômica: gastei 3/4 de um cone de lã Cristal, da Pingouin.

Sem demoras, o Passo a Passo do ponto:

Selecione as agulhas prá começar o ponto: serão tecidos grupos de 1 agulha e de 5 agulhas, intercalados sempre por 2 agulhas fora da posição de trabalho.


Centralize o desenho da peça, seja ela a frente, as costas ou mangas. Do lado esquerdo do zero coloque uma agulha prá frente, de cada lado dela deixe duas agulhas fora do trabalho; a seguir dois grupos de 5 agulhas, um de cada lado e assim por diante, até obter a quantidade de agulhas necessárias prá fazer essa parte.

Lace com a lã as agulhas, começando do lado esquerdo e fazendo uma letra "e" em volta de cada agulha que vai trabalhar, sem apertar muito o fio.

Teça 6 carreiras

Agora vamos transformar o desenho, aumentando e diminuindo os grupos: pegue as agulhas externas do grupo de 5 agulhas e passe para a agulha mais próximas - agora você tem grupos de 3 agulhas onde antes tinha cinco. Ficaram 3 agulhas fora de trabalho, mas isso já vai mudar.

Ao redor daquela agulha que estava sozinha nas 6 carreiras anteriores você traz prá frente uma agulha de cada lado.

Teça uma carreira e fica assim: Grupos de 3 agulhas intercalados por 2 agulhas fora do trabalho. Mas aquelas duas agulhas que você acabou de acrescentar não teceram: o fio ficou apenas deitado sobre elas. Se ficar assim, não vão tecer o fio, então...

com o transportador de 1 ponto pegue esse fio deitado sobre a agulha e afaste-o um pouco da máquina - só um pouco...

Dê uma torcida...

Com o buraquinho do transportador e estando com o fio torcido nele agarre a agulha onde o fio estava deitado.

E deposite o novo ponto na agulha.

Faça esse "e" em volta de todas as agulhas onde o fio está apenas deitado.

Antes de voltar a tecer empurre prá frente todas as agulhas nas quais você acabou de enrolar o fio, senão elas não tecem. Precisam da tua ajuda nessa hora...

Viu só? Teceu direitinho!

Teça novamente um total de 6 carreiras com essa nova configuração de ponto.

Após tecer essas 6 carreiras vamos mudar o ponto de novo:

Prestando bastante atenção ao desenho que você está formando pegue as agulhas laterais do grupo de 3 (o grupo que antes doi de 5 agulhas) e passe seus pontos prá agulha central, ficando com um grupo de um.

e o grupo de 3 agulhas (que no comecinho só tinha 1) você faz ficar com 5 agulhas em trabalho, empurrando uma de cada lado prá frente.

Ficam de novo grupos de 1 e de 5 agulhas, intercalados por 2 agulhas fora do trabalho (como no começo, só que invertido). Teça uma carreira, lace as agulhas fazendo "e"...

Assim...

Teça novamente 6 carreiras


Viram só? é só repetir sempre essa mecânica, transformando um grupo de agulhas de 5 em 3 e em 1 e o grupo de uma agulha em 3 e em 5, sempre tecendo 6 carreiras em cada mudança.
Antes de passar à ferro:




Depois de passar à ferro:



Tem que passar à ferro, prá abrir o desenho.

É importante também ressaltar que, prá fazer ponto desfiado, tem que ter pelo menos 3 agulhas nas extremidades, prá facilitar na hora de costurar as partes da blusa. Também tem que devolver agulhas prá posição de trabalho duas carreiras antes de fazer diminuições, como decote e cavas, senão as diminuições ficam franzidas e deformadas.

Receitinha de mãe:





Ah, se você fizer 4 carreiras a cada troca de desenho vai ficar parecendo trevos de quatro folhas...

Desculpem eu não estar tendo tempo de responder comentários... Saibam que eu aprecio muito a visita de todas vocês, me faz imensamente feliz poder passar adiante o pouco que eu sei e receber tanta gentileza em troca...


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