Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quarta-feira, 18 de março de 2015

A bolsa que eu falei...

Que eu fiz prá minha Nanam levar os livros prá faculdade:



Aprendi a fazer neste vídeo aqui:



E tem as medidas das partes no site da artesã Paula Piai, Juju Tetéia. O vídeo é super explicado, facílimo de entender. Se vocês quiserem se aventurar a fazer uma primeira bolsa, que seja fácil e que, ao mesmo tempo, fique linda, tentem essa.

Minhas modificações:

Primeiro eu não fiz de tecido - usei corino. Achei que assim ficaria mais forte prá aguentar o peso dos livros e apostilas pesadões que minha Nana leva todo dia... O corino eu comprei um retalho no tapeceiro perto de casa -o mesmo onde o Marildo comprou o retalhão prá fazer a pet-escada... Só que, enquanto ele cobrou um preço ótimo pro Marildo,  me achou com cara de rica e quis me fazer de boba - pode uma coisa dessas? O retalho que eu comprei era 1/5 do tamanho do bege, media 1 metro por 46 cm e ele queria me cobrar 20 reais!!! Eu fingi me interessar por outras coisas, fui perguntando preço aqui e ali, dizendo que achava que valia mais a pena comprar tecido mesmo e, no final, ele foi abaixando o preço até chegar em 10 reais - o que também achei caro, mas me apaixonei pelo corino, então levei.

Segundo: eu não achei meus botões imantados prá por no bolso da frente, igual a Paula Piai ensina, então, como eu tinha zíper de sobra, abusei deles...

Terceiro: dentro da bolsa eu fiz compartimentos prá guardar coisas como celular, carteira, necessaire...

Vamos lá ver minhas modificações:



O centro da parte da frente eu cortei quatro pedaços de tecido: dois quadrados de corino de 24 x 20 cm - para o centro da bolsa, onde vai o zíper e dois retângulos de  11 x 39 cm para as laterais. Cortei um pedaço de brim preto de 24 por 20 prá parte de baixo do bolso, a parte que realmente é utilizável. Preguei o zíper igual sanduiche na parte de baixo de um dos lados do zíper, rebati a costura e depois preguei na parte de cima, também rebatendo a costura.

Feita a parte central da frente foi só pregar as duas laterais e também rebater a costura. Segui fazendo frente e costas da bolsa como a Paula ensina, pregando a manta acrílica com zig zag em toda a volta delas.

Na hora de pregar as alças - que foram feitas de brim preto com a alça de cadarço de 4 cm de largura por dentro, prá dar corpo - eu costurei duas vezes, que é prá alça não descosturar. 

Dentro da bolsa: numa das partes eu fiz um bolso com zíper, medindo 25 x 22 cm. O zíper foi de 18 cm.

Medi e marquei o tamanho do zíper (só a parte que abre) e costurei a primeira parte do bolso, contornando o risco do tamanho do zíper.

Cortei uma abertura, dando piques nos cantos. Ah, tudo isso foi feito do direito, da parte que vai ficar prá fora, aparecendo o zíper. Daí a gente aproveita a abertura e põe o bolso prá dentro.

Virada a parte do bolso prá dentro eu dei uma passada à ferro e encaixei o zíper - viram como ficou bonitinho?

Alinhavei, costurei...

Fica assim do avesso - feio, né? Mas não vai aparecer, vai ficar escondido. Hora de juntar o forro do bolsinho...

Juntei a outra parte, alinhavei...


Daí é só costurar todo o contorno e depois fazer zig zag, sem esquentar muito com a aparência pois vai ficar por centro.

Testando, testando... Abriu!

Fiz igual minha mãe fazia bolso embutido em calça - me lembro de espiar ela fazendo quando eu era pequena e achar mágico...



Depois, no outro lado do forro, peguei um pedaço de 39 x 45 cm (do exato tamanho da bolsa), dobrei no meio, prendi com alfinetes, prendi no forro com zig zag e fiz duas costuras prá dividir compartimentos: mais 3 bolsinhos internos, bem funcionais. Costurei nas marcações feitas com giz usando zig zag bem miudinho.

De resto foi só seguir a montagem do vídeo - Ah, como eu fiz a bolsa misturando corino com brim preto eu achei de inventar um enfeitinho, então prendi duas tiras do lado de fora, uma acima e outra abaixo do zíper e enfeitei com pequenos spikes prá dar um charme...


Dentro da bolsa ficou assim:

Conselho de quem sabe: costurar corino em máquina doméstica usando junto forro de brim e manta acrílica é só prá quem tem máquina topa-tudo como a Janome 2008 (que aguenta até 9 camadas de jeans), usando agulha 14 ou 16, muita paciência e muita coragem, porque é difícil!

Gastei: 3 zíperes - nos quais paguei 5 reais nos três (dois grandes prá fora e um pequeno prá dentro), 1 m de manta acrílica (7 reais - mas não gastei toda), o pedaço de corino (10 reais), 3 m de cadarço de algodão de 4 cm de largura (4,50 reais) e quase um metro de brim preto (6,50 reais). E linha preta, obviamente. 

Menos de 35 reais pela bolsa - bom demais, né?

Na sua primeira tentativa faz de pano, assim você não desanima.

Já tenho outra planejada, encaminhada dentro da minha cabeça - só falta arrumar tempo...

segunda-feira, 16 de março de 2015

Assoviando e chupando cana!

Você não falou prá eu continuar fazendo isso e não parar com o blog, Luci querida? Pois olha só: eu assovio, chupo cana e ainda dou umas "esticadas" no tempo - só assim prá explicar tudo o que eu consigo fazer.

Primeiro: fui "convocada" pela Rose Mary a mostrar três coisas feitas por mim em uma semana - que tal num dia? Aproveitando os retalhos de corino que sobraram da escadinha que fiz prá minha Lillo subir na cama olha só o que fiz:

Recortei pedaços de jornal que coubessem na lateral, daí uma tira grande que desse a volta começando na frente da máquina e indo até o fundo. Então foi só unir os retalhos do corino...

Alcinha feita com um tiquinho de nada... Ah, olha minha caixinha de música de maquina de costura no fundo: tem uma gavetinha que, quando a gente abre, toca musiquinha...

As bolsinhas: ainda sobraram retalhinhos bem pequenos, que um dia terão seu destino...


O viés vermelho não foi apenas recurso de embelezamento: ele uniu e escondeu emendas... 

Minha amada máquina de costura bem que estava precisando de uma capa prá ficar protegida do pó - acreditem se quiser, eu a cobria com uma fronha velha (vergonhoso, eu sei...). Agora ela tem roupinha (bem merecida, aliás - é com ela que faço roupinhas prá todo mundo e ela nunca ganhava nada: injustiça remediada...).

Fiz duas bolsinhas prá carregar garrafa de água - uma prá minha Naninha e outra prá Fernanda, melhor amiga do Universo da minha Lola. 

Como eu já disse anteriormente: as coisas que mais gosto de fazer, as que me dão mais satisfação, são as que faço gastando NADA, aproveitando materiais que a maioria das pessoas jogaria no lixo.

Viva eu!

Mas não parou por aí: nesta semana passada fiz uma blusa linda prá dar prá Fernanda, que esta semana é aniversário dela (em tricô desfiado, super delicada e linda). Mostro assim que for possível, se Deus quiser - com receitinha e passo a passo do ponto.

E ainda fiz uma bolsa prá minha Nana carregar os livros prá faculdade, que aprendi a fazer com a Paula Piai num vídeo do Youtube, gastando bem pouquinho - e também vou mostrar como ficou "do meu jeitinho".

Tempo prá internet  (disputada com a família fazendo imposto de renda, estudando - que sempre vem em primeiro lugar) pode não ser muita coisa - pois também tem as correrias da vida doméstica, me arrastando em seu turbilhão... - mas eu não consigo descansar quietinha: olha prá mim e lá tô eu, com alguma agulha na mão, criando, sendo feliz do meu jeitinho...

E então, Rose Mary: gostou das minhas 3 coisas?

sexta-feira, 13 de março de 2015

Prá não me abandonarem...

Tá tão difícil manter o blog e fazer tudo o que é exigido de mim prá não contratar empregada!!! Na verdade eu acho que estou brincando de cabo de guerra comigo mesma, querendo me forçar a desistir por exaustão - ô crueldade, devo ser masoquista, no mínimo!!!

Mas vamos lá: algumas inspirações prá vocês, das coisas que andei fazendo aos pouquinhos no último mês...

Primeiro: prá enfeitar a mesa. Meu adorado filhão me comprou mesa nova prá cozinha, com vidro em cima, muito linda. Eu quis recepcionar a mesa com toalhinhas novas - daí, como eu tinha ganhado de brinde da Novelândia um novelo da linha Cores, da Purafibra, em azul, olha a coisinha que eu fiz:

Uma mixaria, eu sei - nem centro de mesa é, nem passadeira, eu é que generosamente a chamo de toalhinha... Até minha mãe desprezou a coitadinha: chegou em casa e falou: "Que tapetinho lindo! Mas por que é tão pequeno e por que tá em cima da mesa?". Judiação... 

Daí, como eu gostei da espessura da linha, comprei uns novelos brancos e fiz uma toalha grande, na cor branca, repetindo um motivo só, de flor - e olha no que deu:


Dessa vez quem não gostou fui eu... É que o fio, na verdade, é um cordão tricotado a partir de um fio mais fino (gerando o fio mais grosso...) e, por isso, ele tem uma certa elasticidade advinda do tricô. Conclusão: embabada. Não adianta passar à ferro, não fica plana a bendita toalha... Dinheiro jogado fora, na minha opinião...

Fiquei tão triste que daí pedi ao Marildo prá me levar na loja de tintas que tem na Amador Bueno comprar toalhinhas de plástico que imitam toalhas de tecido e crochê e comprei estas:







São lindas e um dia serão descartáveis, mas sem drama: são vendidas por metro, baratinho. Fáceis de limpar - o que é ainda melhor. Cobri tudo com plástico transparente - coisa de pobre, eu sei, mas gosto de proteger a mesa e as toalhinhas. 

Então, como eu estava na loja, vi uns plásticos decorados muito bonitos e perguntei pro moço se eram prá cobrir mesa também e ele me disse que não, que eram prá decorar vidro. As pessoas compram prá simular vidro jateado no box do banheiro - não é genial? Eu logo comprei um pedaço e espia o que eu fiz na janela do meu quarto de tricô e costura:



Eu sempre tinha que ficar com a cortina fechada, prá ninguém ficar me espiando da rua (mesmo tendo jardim na frente...) - agora não, privacidade total! 

Apliquei também na janela da copa:


E os retalhinhos aproveitei na porta de entrada da casa - assim posso deixar essas cortinas abertas também, o dia todo (mais luz dentro de casa, prá mim e prás minhas plantinhas de água).

(Se você clicar na foto consegue ver as emendas... Não desperdiço na-da...)

E por falar em plantinhas de água olha só: meu vasinho craquelado - não é lindinho? Comprado faz um tempão em loja de 1,99...


Bom, por fim o rapaz da loja de tintas foi bonzinho e me perguntou assim: "Senhora, quer um tapetinho grátis? é que ele chegou prá gente um pouco manchado de tinta, mas é novo. As moças aqui da loja prá quem eu ofereci o tapetinho não quiseram por causa da mancha, a senhora se importa?..."

E eu fiquei com ele. Uso de capacho na porta de entrada e, com o que sobrou, fiz uma "caminha" prá minha Janome 2008, assim ela para de trepidar quando eu atinjo velocidades acima da luz...


O plástico de grudar nos vidros é minha sugestão prá vocês que tem janelas que dão vista prá rua: parece contact, mas não é. 

Aderem ao vidro por eletrostática, sem cola de nenhum tipo, bastando apenas o vidro estar bem limpo. Você recorta com a tesoura no formato que você quer, tira o celofane que protege a película e aplica, levantando e abaixando até retirar as bolhas de ar. Podem ser brancas - como a minha - ou até colorida, imitando vitral. 

Comprei na loja de tintas Santa Rosa, na Avenida Amador Bueno da Veiga, 1066, telefone: 2679-3000, mas deve vender na maioria das casas de material de construção e decoração, como a C&C, TelhaNorte e Leroy Merlin. O site, prá vocês olharem os tipos que tem, é este AQUI.

Olha alguns dos tipos lindos que tem:

Estas são no estilo da que eu comprei, imitando vidro jateado...




Estas imitam floreiras do lado de fora da janela - maravilhosas!





Estas são prá você ter seu próprio vitral em casa...

E tem também películas de várias cores, caso você queira janelas de vidros azuis, verdes, amarelos ou de tudo que é cor!

Bom final de semana a todos que continuam me visitando!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Três aninhos...


É quanto o netinho fez semana passada - como o tempo voa! Tá tagarela, só quer saber de passear no shopping Penha, ir no parquinho, fazer bonecos feios e tortos com massinha... 

Falei prá minha enteada aproveitar ao máximo, porque passa depressa...

Além dos brinquedos que a gente comprou eu resolvi fazer roupinhas - como sempre. Acho que faz parte do papel de avó fazer lembrancinhas, prá ele se sentir querido não apenas pela ida à loja - devemos nos fazer presentes nas vidas dos que amamos principalmente pelas pequenas coisas.


Coisas como este modesto agasalho de moletom, feito de retalhos. Sobras de calças que fiz pros meus filhos e que, bem emendadas, renderam uma roupinha "de guerra", prá ele poder sentar no chão, brincar de carrinho, se sujar de terra e estar protegido do frio enquanto faz isso... 

Não custou nada e, mesmo sabendo disso, minha enteada adorou (eu bem sei que não chegam aos pés das roupas que ela compra prá ele, mas tem serventia, não tem? Coube nele direitinho...). Sabe, as coisas que eu mais me orgulho de fazer são essas, que faço aproveitando retalhos e sobras que muita gente não daria valor... Aprendi com minha mãe e minha avó, os retalhos que as freguesas de costura deixavam prá trás sempre renderam roupinhas lindas prá mim e pros meus irmãos...

E dando uma passada pela loja de tecidos da Penha comprei 3 metros (porque tem só 90 cm de largura...) de flanela de bichinhos - olha que estampa fofa:


Pegando molde no site da Marlene Mukai eu imprimi:


Recortei no jornal, mas dei meu toque pessoal: nada de gola nem bolso - muito menos punho -, que é prá dormir e não tem necessidade de complicação... 


O molde da calça eu fiz no olhômetro (como foi feito também o agasalho de moletom do começo do post...).


E TCHARÁM! Dois lindos pijaminhas prontos prá uso, porque antes de cortar eu lavei o pano - flanela tem que molhar, porque dá uma encolhida, mas eu achei melhor lavar mesmo (afinal, a gente não sabe que caminho o tecido fez até chegar na loja, então...). 




Ele adorou os bichinhos, minha enteada amou o que chama de "delicadeza da minha parte"... Afinal, foi um extra, os presentes caros o avô e os tios é que deram, eu só fiz o meu tantinho...

Quero pedir desculpas por andar sumida, não tendo tempo nem de responder os comentários - que sempre gostei de responder. Mas ando trabalhando tanto, tanto...

Ainda bem que Deus inventou os analgésicos e os anti-inflamatórios, senão eu não sei o que seria de mim...


domingo, 8 de março de 2015

Seres Humanos


Em novembro de 1906 Marie Curie dá sua aula inaugural na Universidade de Sourbonne, assumindo a turma de seu amado marido, falecido meses antes num acidente de carro. Começou exatamente de onde ele parou, numa total sincronia de pensamentos...

Um jornalista ironizou:

-"Imaginem! a partir do momento em que uma mulher é autorizada a dar aulas de ensino superior aos estudantes dos dois sexos, como ficará a superioridade do homem? Eu lhes digo: em breve as mulheres se tornarão seres humanos!".

Em pleno século 21 ainda lutamos para nos tornarmos seres humanos aos olhos de boa parte do mundo. 

Ainda recebemos salários menores, ainda somos consideradas menos inteligentes e menos capazes... 

Ainda somos consideradas culpadas e provocadoras dos estupros e da violência doméstica que sofremos...

Mas, aos poucos, as coisas vão mudando...

A todas nós que somos capacitadas pela natureza a gerar vida em nossos corpos, a transformar sangue em alimento, beijos em remédios, abraços em consolos...

A todas nós que conseguimos mudar o mundo enquanto ensinamos a andar e a falar, enquanto contamos histórias e ajudamos na lição de casa...

Àquelas de nós que fazem a diferença no ambiente de trabalho, seja passando um pano na mesa para tirar o pó ou desenvolvendo uma teoria ou um medicamento...

Feliz Dia Internacional da Mulher!


quarta-feira, 4 de março de 2015

Dulce



Quer nome mais meigo, que mais que todos evoca doçura? 

Pois é: assim mesmo ela era. 

Evangélica, sempre a vestir saias bem abaixo dos joelhos, lenço amarrado na cabeça - não importando a ocasião - um jeitinho tímido de falar, sorriso discreto...

Mas não se diz por aí que não se pode julgar o livro pela capa? Que as aparências enganam? Pois eu já devia estar escolada - afinal já havia trabalhado com uma moça de mesmo nome, que de doce não tinha nada...

Dulce começou a trabalhar na minha casa no estilo "prá ontem", pois uma outra empregada havia sido mandada embora (depois de me afanar uma porção de coisas...) e lá estava eu toda atrapalhada, filhos pequenos que ainda não frequentavam a escola, afazeres de casa se amontoando uns por cima dos outros, trabalhando fora... 

O Marildo a trouxe encomendada por um amigo dele, "Joe" - apelido americano prá um jardineiro demais de brasileiro, boa pessoa - mas sossegado demais prá se dar bem na vida no que quer que fosse. Mas, como eu disse, boa pessoa - isso é que importava. 

Dulce se provou ser uma excelente doméstica, extremamente eficiente: ao chegar em casa por volta das treze horas tudo estava brilhando, cheirando limpeza, agradável demais da conta. Daí ela ia pro tanque ou pro ferro de passar roupas - que nunca mais se acumularam...

Umas duas semanas depois que começou ela me veio com um pedido: sua filha (sua única...), que tinha a idade regulada com as minhas, estava de favor na casa de uma vizinha - que agora não podia mais tomar conta dela, pois arranjara emprego...

Me pediu - com a cara mais humilde do mundo - se podia trazer a menina junto pro trabalho, até arrumar quem ficasse com ela...

Eu - inocente que eu era naquele tempo, só não amarrava cachorro com linguiça, mas de resto... - deixei, falei que podia! Pensei que seria bom meus filhinhos terem uma companhia prás brincadeiras - na nossa vizinhança tinham sido frustradas as tentativas de fazer amizade, uma criança até me disse na cara que sua mãe não queria que ela brincasse na minha casa porque eu era "nojenta"...

E assim foi: quando a Dulce chegava, por volta das oito da manhã, eu já estava no trabalho desde as sete horas. Ela era recebida pelo Marildo, preparava café da manhã prá ela e prá filha (os meus eu mesma alimentava antes de sair de casa, como sempre foi e será, se Deus quiser...) e fazia o serviço pelo qual a pagávamos.

Pouco mais de um mês depois que ela começou cheguei mais cedo em casa, pois havia passado mal no trabalho, com febre. Ao girar a chave na fechadura do portão me aparecem dois dos mais lindos rostinhos na janela - a Nana e a Lola - agoniadas, desesperadas, falando: "Mamãe, mamãe! Solta a gente! A Nana quer fazer xixi!!!"

Quando entrei na casa - apressada - já a encontrei brilhando, o chão encerado e lustrado, o cheirinho de pinho sol a vir do banheiro e, sentadinha no sofá comendo biscoitos estava a filha da Dulce, assistindo desenhos. Do lado de fora do meu quarto a chave enfiada na fechadura, deixando lá dentro trancados meus filhos...

Quando abri a porta a Lola me abraçou, feliz - a Nana correu pro banheiro. O Ike, ainda tão pequeno, com apenas três aninhos, estava triste, a carinha lavada de choro.

-"Cadê tua mãe?" - perguntei prá menina, que, com cara azeda, não me respondeu nada, continuando a lamber o recheio da bolacha...

-"Oi, Dona Rosa! chegou cedo...".

-"Dulce, porque meus filhos estavam trancados no quarto?"

-"Ah, foi só enquanto eu encerava a sala, não queria eles escorregando na cera...".

Minha Lola, firme como uma mocinha, sempre muito bem articulada desde que aprendeu a falar, me disse assim:

-"É mentira, mamãe. Todo dia ela tranca a gente, mesmo quando não encera. Só quem pode ver desenho é a filha dela. Nem biscoito ela dá prá gente...".

-"Mentira, Dona Rosa! A menina tá inventando! Imagina se eu ia fazer isso com as crianças, é que elas não sabem se comportar, ficam andando em cima da cera molhada, iam acabar manchando o sofá!".

Mas eu bem sabia os filhos que havia criado... 

Perguntei prás minhas filhas - pois agora a Naninha já tinha voltado:

-"Todo dia ela tranca vocês no quarto?"

-"Todo dia, mamãe, desde antes de trazer a filha dela. Ela até disse uma vez que odeia criança, que só gosta de trabalhar em casa vazia!"

-"Vocês nunca brincaram com a filha dela?"

-"Ela até empurrou o Ike, chamou ele de branquelo azedo, mamãe!"

-"E por que vocês não me contaram nada?!"

Os pobrezinhos olharam uns pros outros e daí a Lola falou assim:

-"É que ela disse que, se a gente contasse, ela ia acabar com a nossa raça..."

O rosto que antes me parecia tão doce da Dulce se transmutou numa caratonha de raiva! Foi como se tirasse uma máscara, parecia até outra pessoa, saída de um filme de terror!

-"Menina mentirosa! Eu não falei nada disso! Essa menina tá merecendo umas palmadas, Dona Rosa, prá deixar de inventar esses absurdos!".

O sangue me subiu na cabeça, o coração me batia nos ouvidos. Me lembro de duas vezes na vida nos quais perdi totalmente a compostura, a noção de ser filha de Deus e de ter que me comportar de modo condizente com isso - essa foi uma delas. Virei um bicho, uma leoa: se eu tivesse dentes pontudos, teria pulado na jugular daquela mulher!

-"Pega tuas coisas e some da minha casa, sua *&¨%$$#@! Nunca mais me apareça pela frente, senão eu é que vou acabar com a tua raça!"

Falei todos os palavrões que eu sabia, apanhei a vassoura prá ameaçá-la e fui - com a vassoura - enxotando ela e a menina até o portão da rua. Deu prá ver medo nos olhos delas, eu devia estar assustadora!

Ao abrir o portão eu ainda disse: "Nem se atreva a aparecer aqui prá receber o que eu te devo: meu marido vai te levar lá onde você mora. Nunca mais quero ver a tua cara na minha vida!"

E assim foi feito. Quando o Marildo chegou contamos prá ele o ocorrido e ele, chamando o Joe, mandou por ele o dinheiro que devíamos prá moça. 

Meus filhinhos, como era de se esperar, ficaram muito orgulhosos de mim pelo modo violento como me comportei - de vez em quando, ter calma e ter classe é um comportamento totalmente descabido. Às vezes, na vida, a gente tem que reagir à altura - até Jesus, que era Jesus, derrubou mesas e expulsou os vendilhões do Templo...

Dulce foi a última empregada que tive, a última das minhas decepções. Antes dela houve um desfile de outras, preguiçosas, desmazeladas, mal intencionadas criaturas que se infiltraram na minha vida me trazendo mais dores de cabeça do que sossego nas tarefas do lar.

E agora, aqui dentro de casa (até mesmo Tia Joanita, com seus telefonemas...), essa campanha prá me fazer voltar a viver situações que rejeito com todas as minhas forças: não me importa o cansaço, as dores no corpo. 

Sei que todos se preocupam comigo, querem o meu bem, querem me poupar... 

Mas não me interessa ter mais tempo prá mim mesma, pros meus artesanatos, se eu corro o risco de trazer prá dentro da minha casa uma pessoa e seus problemas.

Em primeiro lugar está minha paz de espírito. 

Que Deus me dê forças prá não passar por situações assim nunca mais...

segunda-feira, 2 de março de 2015

E assim foi a semana:

Tumultuada - prá dizer o mínimo. Mas antes, algo bonito prá inspirar vocês (e impedir de irem embora, pensando que hoje é dia de queixas...):




Linda, não é mesmo? E uma raridade: feita a partir de linhas que não fabricam mais. Numa das minhas passeadas pela loja Alvorada, na rua Padre João, elas gritaram meu nome na gôndola dos saldos: um novelo de linha Ibiza laranja e dois novelos de linha Jolie, uma laranja e outra amarela. Sempre me pergunto: porque diacho a pessoa que comprou os últimos novelos não levou todos? Porque deixou um coitadinho prá trás, assim, abandonado? Eu sempre acho o que fazer com as sobras... 

Comprei cada novelinho por meros 3 reais - e, como eu disse, foram três - juntei com uma sobra que eu tinha (muito antiga, já amareladinha...) de linha Brisa verão branca (usada dupla, prá acompanhar a espessura das outras linhas...) e TCHARÁM! Uma regatinha linda, com brilhinhos - que o Marildo disse ser a mais linda blusa que eu já fiz (o que não é pouca coisa, pois ele é demasiado econômico nos elogios...).

O ponto é o mesmo desta blusa AQUI

Prá dar uma ideia de como foi feita a blusa eu tirei umas fotos das partes antes de costurar: 



Qualquer boa crocheteira, só de olhar, consegue ver quantas carreiras tem, quais as diminuições necessárias e, a partir daí, fazer a blusa.

Aposto que você, que não sabia o que fazer com suas sobras, ficou inspirada - não ficou? 

E daqui a pouco o inverno taí - uma blusa de frio, feita de sobras e usando esse ponto, com mangas compridas, vai ficar um espetáculo (e ninguém vai achar que foi feita de restos, pois parece intencional toda essa belezura. Você diria que a minha foi feita assim???).

Agora a semana. Até daria prá ter sido assim:


Mas tem várias diferenças: apesar de ter banheira em casa, não a uso há anos! Comprada a muito (muito mesmo!) sacrifício há mais de vinte anos, prá que eu tomasse banhos de imersão com arnica (por causa das dores do reumatismo) jaz abandonada no banheiro dos fundos, esquecida e sem nenhuma utilidade... Não que não tenha mais dores - paciência é que me falta, de perder tempo precioso fazendo nada. Descanso mesmo assistindo desenho e ocupando as mãos, que essa coisa de ficar cozinhando dentro da água não é mais prá mim... Além do mais, quando preciso desabafar, tenho linha direta prá falar com Deus mesmo, é prá ele que eu choro as pitangas...

Semana de andar com a mãezinha pelo médico, arrastando comigo o mundo: uma bolsa enorme com lanchinho, suquinho, papel higiênico, lencinho umedecido, chocolate, água, crochê (levei a blusa de cima da postagem e fui dando o acabamento no decote, na barra...). Tudo andando de transporte público - peguei aquele toró da semana passada - mas protegi a velhinha. Cheguei em casa encharcada, molhada de água de valeta até na alma...

E isso tudo meio adoentada eu mesma, mas sem contar prá ninguém senão não me deixavam andar com minha mãe, iam dizer: "Mãe, você não tá boa! Fala prá um dos teus irmãos ir no teu lugar!". Mas, aí é que tá: primeiro é meu privilégio acompanhar a velhinha - ela não é eterna e, enquanto está aqui, merece toda a atenção do mundo. Não quero carregar arrependimentos, é uma bagagem pesada demais prá uma vida... Segundo: eu sou dona de casa, me viro e arrumo tempo.

A pior parte da semana foi o ultimato: o Marildo e os filhos querem porque querem contratar empregada - então eu estou tentando provar que ainda consigo levar a casa sozinha, sem ajuda. Não quero - de jeito nenhum! - uma pessoa prá fazer o serviço de qualquer jeito, quebrar minhas coisas, afanar o que puder e ainda ser paga por isso. Minhas últimas experiências com empregadas não foram nada boas, não quero repeteco na minha vida. Então: "dá-lhe" analgésico e lavação de azulejo, que enquanto eu puder resistir e dizer não, vou fazer isso.

Me desculpem a falta de respostas nos comentários, a falta de visita nos blogs... Prioridades, sabe como é... Se eu dormir menos do que já durmo vou virar turnos...

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