Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sábado e domingo passado...


Enquanto vocês curtiam um cineminha com seus "marildos", torravam seus corpinhos na praia ou seus milhões no shopping, esquiavam em Bariloche ou almoçavam com seus bambinos, lá estava eu, "tirando água de pedra" - ou, mais precisamente, construindo uma escada!

Chegaram as camas novas que meu filhão comprou prá gente - daquelas camas box (com espaço de sobra prá gente guardar tranqueiras, fazer sumir da nossa frente aquela trouxa de roupa que a gente não quer passar tão cedo, esconder as linhas que a gente comprou de saldão e não quer que ninguém veja...) super gigantes, ultra fofas e confortáveis...

Um gasto absurdo, feito com o primeiro salário dele, tudo por amor à família - quer todo mundo dormindo nas nuvens, esse meu lindo rapaz...

Mas aí veio o problema: como é que nossa cachorrinha ia agora subir nas camas na hora de dormir? 

Era óbvio que precisávamos de uma escada - uma pet-escada, como chamam por aí. Pesquisei preços na internet e, de cara, fiquei decepcionada: a mais barata que eu achei custava em torno de 130 reais, mas o tamanho não servia. Todas elas tinham uma altura que era pequena demais prá alcançar a altura da cama - a cachorrinha ia precisar, no último degrau, dar um salto enorme e, medrosa do jeito que ela é, aí residia o maior problema.

Contatado um dos locais que fazem as tais escadas, descobri que, prá que ela fosse feita na medida que eu queria, ficaria mais de 300 reais...

Sábado, então, eu fiz assim: fui ao sacolão comprar frutas e verduras e solicitei que as mesmas fossem acondicionadas em caixas de papelão vazias. 

Na saída de lá fomos até um tapeceiro (desses que reformam sofás) e compramos um retalho de corino (medindo 3m x 1,20m - paguei 30 reais). 


Primeiro passo: testei de que forma a escada devia ficar, quantos degraus devia ter. Resolvi que uma caixa deitada e outra de pé, fechadas com a tampa, serviriam como base e parede - e uma caixa de linhas compradas pela internet seria o degrau do meio. Colei tudo com cola branca e dei uma segurada com fita crepe, pois a cola fica escorregando enquanto está úmida.

Ficaram alguns desníveis - principalmente no que diz respeito à tampa das caixas de fruta, mas não era prá colocar numa vitrine mesmo, então não me preocupei com essas ninharias...


Tudo acertado, reforço 2: jornal picado e cola branca diluída 1/2 a 1/2 com água. Papel-maché é mesmo uma técnica mágica prá gente fazer uma porção de coisas gastando pouco, pois cola branca é barata e jornal velho iria pro lixo mesmo...

Só fiz uma camada de jornal, prá solidificar as caixas entre si. Se minha cachorrinha fosse maior ou mais gordinha o ideal era fazer umas três ou quatro camadas, o que iria conferir peso e firmeza de madeira à escada - mas, como ela é levinha, uma camada só bastou.

Esperei secar - e lá se foi o sábado...


Domingo à tarde e lá fui eu por de novo à mão na massa - as crianças saíram de casa, o Marildo tava tirando um cochilo e eu fui atacar o retalho de corino...

Deitei uma lateral da caixa e copiei seu contorno.

Fiz a mesma coisa do outro lado...


Cortei com 4 cm a mais em todo o contorno lateral. Passei cola na peça, apliquei o corino, dei uma fixada provisória, bem meia-boca mesmo, com alfinetes de costura.


Prá fixar melhor eu comecei usando pedaços de feltro auto-adesivo, que tem uma cola bem forte: desisti. É um troço caro e que pode ter utilidades melhores do que ficar escondido colando uma escadinha... Usei e abusei da fita crepe, que é barata e eu tinha de sobra.

Fiz a mesma coisa do outro lado...

Daí peguei aquela parte cortada à mais, enchi de cola na escada...

E muita fita crepe!


Ficaram assim as laterais da escada. Quando a cola seca, fica beleza. Mas, se querem uma dica, usem dois tipos de cola: a branca prá fazer a papietagem com jornal e a de isopor prá fixar o corino, é bem mais resistente. 

A lateral não ficou bonita? Bem certinha, eu achei...


Medi toda a parte superior da escada, prá cortar uma faixa única - assim não teriam emenda nos degraus. Prá minha sorte o retalho era bem comprido... Passei bastante cola, dobrei uma beirada de cada lado prá dentro e fui colando, fixando bem por fora com mais fita crepe.

Ficou assim - e as tiras de fita crepe permaneceram aí por um dia inteiro...

Como eu passei bastante cola em cada degrau tive que colocar uns livros prá fazer peso e grudar o corino no jornal, senão ia ficar com ar dentro e, a cada vez que a cachorrinha subisse, ia ser estranho, o ar ia escapar igual bexiga furada...

Tiradas as fitas crepe eu dei uma segurança na forração com taxinhas que a Lola me trouxe. Embaixo colei uma tira medindo 30 por 70 cm - com um restinho de cola de isopor que eu tinha em casa. Foi aí que eu percebi que essa cola teria sido ideal, fixou o corino que foi uma beleza...
 



Espia ela no pé da cama: testada e aprovada pela Trubufu, que agora pode subir e descer sem se machucar.

Ah, por favor não reparem no lençol: agora que a cama é queen size eles ficaram pequenos, uma hora dessas vou ter que fazer novos...

Assim eu fiz a minha escada, na qual eu gastei: 30 reais de corino (se você forrar com tecido sai mais barato...), 1 kg de cola branca (que tava com a data vencida, perdida e esquecida no meu armário  de bagunças artesanais e que você paga 16 reais na Kalunga...), 1/2 rolo de fita crepe (no qual paguei 4 reais) e as taxinhas bonitinhas (10 reais - achei caro, dá prá comprar mais barato em lojas de ferramentas, aquelas que não são esmaltadas...). Menos de 60 reais na minha escadinha!

Dá prá fazer e vender? Eu não, de jeito nenhum. As compradas prontas são mais bonitinhas, vem forradas de pelúcia, tem medidas certas, armação interna de madeira... A minha tá estilo gambiarra, mas até que ficou charmosa...

Agora surge o problema: vou ter que fazer mais três, prá colocar junto às camas dos filhos... É que a nossa pequena é nômade, uma beleza itinerante - não sossega, tem que ficar vagueando à noite pela casa, dividindo a gostosura dela com todo mundo.

Haja caixa de fruta!...




As dimensões finais da minha escada foram estas:


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Quem cuida da família



(Ou "Os presentes de Natal II"...)

Sabe aquelas coisas de antigamente, que o tempo nos fez perder e das quais a gente sente muita falta? 

Médico da família.

Aquela sensação boa de que você não é só um pedaço de carne, é uma pessoa, com nome, sentimento...

Bom, quando eu era pequena (mesmo a gente sendo extremamente pobre...) tínhamos um médico especial, que cuidava da minha avó (porque meus tios, de vez em quando, pagavam a consulta...) e que operou de apendicite minha mãe, eu e minha irmã Cida (minha mãe costurou à beça prá pagar...). 

O nome dele era "Doutor Pires", um velhinho careca e gordinho, super bonzinho, que atendia no Hospital da Penha... Operava primeiro, sem se preocupar em cobrar pelo serviço: sabia que minha mãe era honesta e ia toda semana levar um dinheirinho prá ele, até quitar o débito...

Quando ele morreu, no enterro, o que teve de gente chorando! Só aí a viúva se deu conta do bem que o marido fazia no mundo: enterro lotado de gente grata pela gentileza, pelas consultas, as amostras de remédios, as cirurgias - pois naquele tempo não tinha AMA, não tinha SUS... Mas tinha esse anjo de Deus na terra...

Depois dele, nunca mais...

Pelo menos até eu encontrar essa médica, que atende todo mundo da minha casa, por quem a gente tem o maior carinho e respeito. 

Aniversário, Páscoa e especialmente Natal são sagrados: a gente nunca esquece dos agradinhos. E sempre que eu vou no Nipo, em consulta marcada, acabo levando um vidro de geleia ou cottage caseiro, um pão fresquinho, um bolinho...

Prá ela eu fiz esta camiseta - com tecido comprado por quilo na José Paulino:

Malha canelada, super macia...

O retalho era gigantesco, tinha mais de 3 metros de comprimento. Tava no retalho porque tinha furos, alguém no transporte apoiou a peça em algum lugar onde enganchou e, na hora de puxar, abriu uns rasguinhos nela...

Mas foi só saber de onde cortar as partes e tudo deu certo...

E o arremate do pescoço, como eu sempre digo: viés. Costura rente no pescoço, dando uma leve esticadinha (só no viés...) e, no fim, vira prá dentro, dobra e costura à mão, com pontinhos invisíveis, como eu já ensinei mais de uma vez...

Ela adorou, serviu como uma luva - e ela até pensou que era comprada pronta, por causa do overloque. Custou acreditar que fui eu que fiz, pois tava profissional demais... Ficou: "Ai, Dona Rosa! Sério mesmo que foi a senhora que fez? Que delícia de blusa, adorei!!!". Gente, custou R$1,50 fazer os olhos dela brilharem de alegria - pode uma coisa dessas?

Mas não foi só essa camisetinha - também fiz uma blusinha de lã super fofinha prá ela, numa cor que ela adora: cinza azulado, que mais parece azul... 



Receitinha dessa postagem AQUI (só que comecei o decote "V" na mesma altura da cava, prá ficar mais aberta...).

O desenho desfiado eu fiz assim: Deixa 5 agulhas em trabalho, tira a 6ª agulha e passa prá direita. Tece duas carreiras - como a agulha continua na posição de trabalho essa agulha vazia volta a tecer e fica um buraquinho. Daí pega novamente essa 6ª agulha, tira o ponto dela prá esquerda, tira ela do trabalho (empurrando ela prá trás, prá posição de descanso), e tece 10 carreiras. Pega a agulha que tava descansando, trás de novo prá frente e coloca um ponto nela (o ponto da carreira anterior da agulha do lado) e tece duas carreiras - pronto! Agora todas as agulhas tem ponto. Então escolhe o ponto do meio de cada desenho anterior e faz a mesma coisa, alternando os furinhos e os desfiados.

Antes de passar a ferro:


Depois de passar:


Percebeu a diferença? Abre o desenho, mostra a beleza do desfiado delicado.

Além de lindo, o desfiado é econômico: gasta menos fio enquanto tece. Daí, com apenas um cone de lã Cristal (no qual paguei 11 reais) você faz uma simpática blusinha, assim fofa, largadinha, prá você se sentir aconchegada quando o tempo começar a esfriar...



Acabamentos: uma carreira de pontos baixíssimos, uma de ponto caranguejo - que dá o ar de "nózinhos" na beirada. 

Os botões são pirâmides brancas - achei bonito o contraste de cor: se os botões fossem da cor da blusa, ficava comum, apagadinha. Tem que saber a hora de combinar e a de descombinar, não acham?

Preciso dizer que ela amou? Ainda ganhou bombons, pois merece.

Ah, com o tecido da camiseta azul marinho canelada eu ainda fiz duas regatas prás minhas meninas, olha a Lola usando uma delas:


Fiz duas iguais - então não carece fotografar duas vezes, né? E ainda deu pano prá fazer 4 cuecas pro meu irmão - boxer, primeira vez que fiz, usando um molde que minha mãe trouxe prá mim (copiou de uma cueca que ele tem). 

Não fotografei, fiz no tapa e no sufoco da correria de Natal, nem me lembrei de que podia postar no blog... Ainda faço mais, pro futuro, se Deus quiser... 

Tudo lindo, baratinho, perfeito! Bom, pelo menos prá mim, que sou modesta, não tenho fortunas prá esbanjar... Mas quem ganha aprecia, porque sai tudo bem feitinho, no capricho e no amor...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Que tal hoje?


Porque não dá trabalho (1), você faz num instantinho (2), não precisa esperar crescer (3), a casa fica com um cheirinho delicioso (4) e faz a família feliz (5)!

Cinco bons motivos prá fazer pão...

Principalmente porque pão é bom demais: o "pão nosso de cada dia" - tá até em nossas orações! A gente conversa com Deus todo dia pedindo prá ele não faltar na nossa mesa...

Em qualquer canto do mundo que você for as pessoas tem sua versão desse alimento básico e tão delicioso.

Fala a verdade: tem coisa melhor do que um pão quentinho, daí você dá uma passada de manteiga e espia ela derretendo... Hummm! Quem mora perto de padaria sabe a tentação que é aquele cheirinho - e, na casa da gente, dá o verdadeiro cheiro de um lar.

Eu sou uma excelente padeira - modéstia à parte. Faço pão de qualquer coisa e todos ficam ótimos, melhores que os comprados prontos.

Mas este que eu vou ensinar hoje é o mais fácil de todos, só prá vocês perderem o medo do fogão:



Pão de milho de minuto:

16 colheres (sopa) cheias de farinha de trigo;

8 colheres (sopa) cheias de fubá ou farinha de milho amarela;

1 colher (chá) cheia de sal;

2 colheres (sopa) rasas de fermento em pó (Royal, Dona Benta ou o que você tiver: é fermento de bolo, não de pão...);

1 colher (chá) rasa de bicarbonato de sódio;

1 xícara (chá) de manteiga ou margarina, se preferir. Não serve Becel.

1/2 xícara (chá) de azeite de oliva;

1/2 xícara (chá) de leite;

1 ovo pequeno.

2 pacotes de queijo ralado (50 g. cada).

Junte numa travessa todos os ingredientes secos (menos o queijo) e misture bem. Acrescente a margarina ou manteiga gelada e o azeite e então esfarele com as mãos, até parecer farofa grossa. Junte o ovo batido e o leite - mas vá devagar com o leite, pois a massa não pode ficar líquida, tem que ficar parecendo massa de empada. Desgruda fácil das mãos por causa das partes oleosas... Ponha por último o queijo ralado.

Unte uma assadeira com manteiga ou margarina, enfarinhe. Pegue uma colherada generosa da massa de cada vez e disponha na assadeira, com uma distância de 1,5 cm entre cada bolota. Leve prá assar no forno médio pré aquecido e asse por 20 minutos a meia hora - dependendo do seu forno.

Fica fantástico quentinho - os meus eu recheei com cottage caseiro, que ensinei a fazer AQUI. Mas, enquanto tá quente, pode colocar um pedacinho de mussarela dentro que derrete que é uma maravilha...

Apesar de ser um pãozinho mais calórico (por causa da manteiga e do azeite) não deixa de ser sadio (por causa da farinha de milho, fonte de fibras...), se apreciado com moderação. Afinal, você não vai comer a assadeira inteira sozinha, não é mesmo? Faz quando sabe que a casa vai tá cheia de gente, que assim todo mundo divide a gostosura.

Fiz prás meninas levarem na apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso de um dos amigos da minha Lola, pois elas não iam ter tempo de almoçar direito. Esses da foto foram os que sobraram, prá mim, pro Marildo e pro Herkins. 

Com um cafézinho, numa tarde chuvosa - fala a verdade, deu ou não deu água na boca?

A receita rende de 16 a 20 pãezinhos do tamanho de um ovo de galinha e ficam prontos (de quando você põe a mão na massa até eles saírem do forno...) em mais ou menos uma hora.

Nos meus eu usei provolone - que eu mesma ralei, "mal e porcamente" porque a artrose nos dedos tá judiando de mim ultimamente... Por isso ele ficou parecendo que tem uns pedaços laranja no meio - é queijo mal-ralado... Mas até deu um charme...

Ficam "cascudinhos" (por causa da farinha de milho...), esfarelentos (por causa das gorduras, lembra um pouco massa de empada - e até pode ser usado como massa de torta, se quiser...), super-saborosos (por causa do sabor do queijo, da manteiga e do azeite)...

E aí? Se animou?


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Blusas lindas!

Facílimas de fazer - cada uma tomou menos de duas horas, de cortar a deixar pronta. Minto: levou um pouquinho de tempo a mais, por causa do viés do pescoço, que é pregado na máquina e depois terminado com pontinhos invisíveis à mão - mas como isso eu faço espatifada no sofá assistindo desenho eu não vejo o tempo passar, então não conto...

Primeiro lugar: minha irmã Fátima. Manequim 52. Difícil achar algo que fique bem, que deixe bonita, sem parecer "capa de máquina de lavar roupa". Pedi pro meu irmão "afanar" uma camiseta dela, sem ela saber, copiei o molde e fiz estas duas blusinhas:


A primeira: 


Tecido comprado no Varejão Chaves a 5 reais o metro - gastei um metro prá fazer. Não ficou linda? - quer dizer, tirei a foto na pressa, nem tive tempo de passar a ferro... 

Parece um desenho oriental, daqueles de fazer quimono... O tecido é uma malha mista de algodão com alguma coisa artificial, mas eu gostei - pelo precinho e pela belezura...

Esta outra também foi prá ela:



Malha fria com florzinhas miúdas muito fofas, comprado a R$13,90 o metro do lado do Shopping Penha, na ModaModa. Mesmo molde.

E esta lindeza toda branquinha foi prá minha velha:




Fiz baseada numa blusa minha, que eu e minha mãezinha temos praticamente o mesmo manequim. Comprei o tecido por quilo, lá na rua José Paulino, no Bom Retiro. Paguei 20 reais o quilo da malha - foi meu presente de aniversário no ano passado, minhas filhas foram comigo e me compraram todos os "trapos" nos quais eu preguei os olhos... Amanhã mostro mais coisas lindas que fiz com meus trapinhos (todas prá dar de presente - não fiz nada prá mim ainda porque sempre que pego no pano a inspiração vem prá outra pessoa...)

Mas olha só que meléca: dei as blusas de presente de Natal, prá minha mãe e prá minha irmã. Prá Cida, minha outra irmã, comprei uma blusa na Besni, pois não tive tempo de fazer, o Natal foi uma correria danada porque viajei dia 20 de dezembro - então tive que antecipar as presentadas todas... 

Quando voltei do sítio minha mãe me pediu desculpas, pois pegou a blusa branquinha que fiz com todo amor prá ela e ... deu prá Cida! Tava sem tempo de ir comprar uma prá ela, tava meio doentinha prá ir bater perna e então deu a linda blusinha branca prá filha - e eu posso reclamar? Também sou mãe, também abro mão das coisas pelos meus bebês.

Conclusão: comprei uma blusa de tricô prá ela não ficar sem nada - e a proibi terminantemente de dar essa blusa, senão eu ia ficar triste...

Essas mães...

Agora: reparou na economia? Presentes lindos e que custaram bem pouquinho: onde é que você compra uma blusa linda por 5 contos?  14 reais a outra? A branquinha, então? Pelo peso custou 2 reais!!!

Então: você não precisa ser costureira diplomada prá fazer, basta ter uma mesa plana e grande prá estender o papel prá tirar o molde de uma roupa que você já tenha. Aliás, nem isso: dá prá fazer no chão (eu faço isso às vezes, quando é vestido, pois minha mesa não é muito grande e daí eu tiro os moldes no chão da sala...). Estica o tecido sem rugas, apoia o molde, calcula uma margem de 1 cm prás costuras e corta sem medo. 

Aprende como faz nesta postagem AQUI.

Alinhava sempre antes de costurar, prá não ter medo de fazer besteira - alinhavar dá segurança prá gente... 

Malha é o melhor tecido prá começar - eu acho. Tecidos mais encorpados e sem elasticidade mostram mais fácil as besteiras que a gente comete nas primeiras tentativas, já o caimento da malha dá uma bela disfarçada. 

Não precisa overloque: usa ponto elástico da máquina ou mesmo o zig zag. Jamais estique o tecido enquanto costura, prá não deformar a peça. 

Use e abuse de viés nos acabamentos, pois são fáceis de usar e sempre ficam bonitos - aprende a usar AQUI..

E seja feliz por ser quem você é: uma corajosa costureira paraquedista, igual eu!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Eles eram pequenos...


Mas nunca foram dormir sem ouvir histórias... 

Bom, quando a Lolinha era muito pequenininha e logo em seguida veio a Nana, eu só cantava prá elas dormirem, ainda não dava prá entenderem histórias... 

Nesse tempo - porque eu tinha lido numa revista da Seicho-no-ie que a gente tinha que dizer coisas boas pros filhos - eu fazia assim: esperava cada uma delas dormir, me deitava toda aconchegada do lado de cada uma, ficava segurando as mãozinhas, acariciando os pezinhos, beijando suavemente os rostinhos, e dizendo numa voz quase inaudível, num sussurro mesmo:

"-Você é linda, inteligente, um presente maravilhoso que a vida me deu... Você é boazinha, tranquila, me faz a mais feliz das mães... Eu te amo tanto! Você é minha vida, me enche de orgulho e de alegria... De todas as mulheres do mundo prá quem Deus podia ter te mandado, eu fui a sortuda e sempre vou ser grata a Ele por isso..."

Assim, virou costume: história (muitas vezes até quatro, cinco delas numa noite!) e declarações de amor... Porque eu acho assim: é bom quando o amor está implícito em tudo o que você faz por eles - é mais que bom, é necessário! - mas o amor também tem que ser declarado, colocado em palavras diariamente... A gente não pode pensar que eles sabem o quanto são amados - tem que dizer sempre prá eles!

Eu podia estar cansada, ter lavado toneladas de fraldas sem máquina de lavar - a qual só pude comprar quando eles pararam de usar... - ter que acordar de madrugada prá deixar o almoço deles pronto (coisa que sempre fiz, mesmo quando morava com a sogra...), mas nunca falhei em contar histórias e sussurrar meu amor pros três... Acho que isso os tornou mais inteligentes, alimentou a imaginação deles, lhes deu confiança - fé na vida...

E, dos sussurros na hora de dormir, passei pro dia todo: como eu disse, eu sempre falo esse tipo de coisa prá eles, declarações de amor sem hora prá acontecer. Não me canso de fazer isso porque é verdade: eu os amo infinitamente, me fazem feliz numa escala inimaginável... O peito chega a doer, mas uma dor muito boa, se é que isso existe...

E quando eles eram pequenos...

A vida era corrida: eu trabalhava fora, chegava em casa, esquentava o almoço deles, ia pro tanque, cuidava da limpeza e, no final de tudo, antes do pai deles chegar em casa, eu lhes dava banho: juntava os três no banheiro - os três duma só vez, que o tempo era curto! - ligava o chuveiro e fazia uma bagunça terrível! Era shampoo prá todo lado, condicionador, o banheiro virava uma lagoa: "Lola, esfrega as costas dos teus irmãos! Naninha, não deixa cair shampoo nos olhos do Ike!"...

Quando acabava enxugava todo mundo, vestia, secava os cabelinhos com o secador e, quando estavam prontos, eu sentava esgotada no sofá e dizia: "Deixa eu espiar vocês, se ficaram bonitos...".

Eles chegavam perto de mim, os rostos mais lindos que meus olhos poderiam ver, os sorrisinhos tranquilos e contentes, fresquinhos e cheirosos e daí eu dizia:

"- Ai, meu Deus!!! O que que é isso que tá me acontecendo? Meus olhos... Meu cérebro... Nunca na vida eu vi nada tão lindo, é uma sobrecarga grande demais prá mim, eu acho que não vou aguentar e... Ah, Choque de beleza! Choque de beleza!" - fingindo ter "um troço" eu fazia uns ruídos com a boca, revirava um bocado os olhos, dava uns trimiliques e fingia que escorregava, desmaiada, no sofá.

Eles faziam silêncio, imaginando se eu tava fingindo ou se era verdade que eu tava desmaiada, ficavam se espremendo à minha volta - eu ouvia suas respirações, seus cochichos...

Daí... devagarinho... eu fingia que ia recobrando a consciência e ia falando (ainda de olhos fechados):

"- Nossa... O que será que aconteceu comigo?... Eu tô tonta... Parece que eu vi algo demais de lindo e meu cérebro não aguentou... Será que foi o tal Choque de beleza de que eu já ouvi falar? Mas... Não pode ser verdade, já vi tanta coisa linda na vida, beleza nunca me fez desmaiar... Acho que não tem perigo eu abrir os olhos, não tem nada lindo perto de mim..."

E, quando eu abria os olhos, as três mais lindas e perversas criaturas estavam com seus rostinhos colados no meu, exibindo a belezura prá eu ter outro piripaque - tão malvados!!!

E eles cresceram... 

Mas enquanto isso aconteceu eles sempre foram calmos, bons, tranquilos (como eu sussurrava em seus ouvidos...). As professoras sempre vinham falar comigo, me dar os parabéns por crianças tão queridas, tão boas...

Acho que eu podia tornar o mundo um lugar melhor só tendo filhos, um atrás do outro - me arrependo muito de ter operado quando o Ike nasceu... Desde que eles surgiram na minha vida, me tornei outra pessoa, melhor, mais inteligente, mais forte... Ser mãe é a melhor coisa do mundo - pelo menos prá mim...

Tem uma coisa: não se passou um único dia na minha vida desde que eles chegaram em que não houve momentos - inúmeros - nos quais eu quis parar o tempo, congelar um acontecimento precioso para vivê-lo prá sempre! Queria segurar prá sempre comigo o primeiro dentinho, as primeiras palavras, os sorrisos, os soninhos derretidos... As palavras faladas errado, as letrinhas imperfeitas dos primeiros dias na escola, os primeiros amigos...

Que pena que o tempo passa...

E que bom que o tempo passa: veio uma alegria depois da outra - e continua vindo...

A Lola entrou na faculdade: eu fui com ela, fazer os trajetos, em vários caminhos, até ela ficar craque (afinal, tava acostumada a ser sempre levada de carro, se virar sozinha era um desafio - mas nada impediu que a mãezinha estivesse junto nos primeiros passos como foi lá no comecinho, depois da engatinhada...).

Mesma coisa o Ike, mesma coisa a Nana.

A primeira barba do meu moleque fui eu que fiz, ensinando o sentido de passar o aparelho prá não ferir a pele... Raspei a cabeça dele careca quando passou na faculdade...

Ensinei as duas a depilaram as pernas, passar batom... 

Sabe uma brincadeira que tem, um desenho de um livro infantil, chamado "Ache o Waldo (ou Wally)"?, um embaralhado de figuras que você tem que ficar olhando, olhando, até achar uma pessoa (Waldo) que sempre se repete em todas elas?
  


Pois acho que eu sou o "Waldo" deles, apareço em praticamente todos os acontecimentos: espia a vida dos meus filhos e lá estou eu, num cantinho, escondidinha, fazendo figuração na cena...

Nada deles é prá mim trabalho, nada é obrigação: é meu privilégio lavar e passar, cozinhar, estar ali prá tudo... 

Assisti todos os desenhos que eles assistiram, ouvi todas as músicas que eles ouviram, eu que os ensinei a jogar vídeo game, a mexer no computador, li todos os livros que eles leram...

Eles sempre se socorrem de mim, como se eu tivesse solução prá tudo - engraçada essa posição de mãe: a gente envelhece, mas não perde os poderes...

Um tempinho atrás eu não estava muito boa e meu moleque - alto como um guarda-roupa, barbudo, com a fala grossa que em nada lembra o meu bebêzinho tão doce de antigamente, que me chamava de "Coraçãozinho" em lugar de mãe e que hoje me chama de "Velha" (porque o mundo faz dessas coisas com os homens, às vezes... eles tem que esconder a doçura numa crosta carregada de espinhos...) - estava tão preocupado, me cercando, me comprando coisas prá me fazer feliz e eu disse:

"- Sabe, filho, acho que eu nunca vou morrer... Se algum dia eu estiver deitada numa cama de hospital, um fiapo de velha sumindo do mundo, e qualquer um de vocês chegar e disser assim: 'Mãe, levanta daí, que eu preciso de você prá fazer uma coisa, prá ir num lugar ..."- mesmo que for nos quintos dos infernos, eu vou criar forças, me levantar e vou fazer o que mais gosto de fazer na vida: ajudar vocês... 

- Ou então vocês três chegam, de mansinho, me dão um Choque de Beleza, que eu dou uma desmaiadinha e daí acordo...".

Ele riu de mim - como que me achando boba por lembrar de algo tão distante no tempo (que prá mim foi ontem, mas ele não acredita...)".

Porque ser mãe é o melhor emprego do mundo: apesar da gente nunca ter férias, nunca se aposentar, de salário a gente receber mais preocupação do que qualquer outra coisa, mesmo assim a gente adora cada minuto do dia, porque faz o que gosta, práqueles que a gente mais ama na vida... 

Alguém conhece emprego melhor?

(Agora: a imagem do início da postagem é de uma foto dos três tomando banho juntos, naqueles bons tempos, quando eles eram pequenos... Não postei a foto em si - que é linda...- porque me proibiram... Aliás, se meu garoto vê essa imagem, corro "risco de vida"... Se eu nunca mais aparecer por aqui, já sabem o que me aconteceu...).
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