Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Que tal hoje?


Porque não dá trabalho (1), você faz num instantinho (2), não precisa esperar crescer (3), a casa fica com um cheirinho delicioso (4) e faz a família feliz (5)!

Cinco bons motivos prá fazer pão...

Principalmente porque pão é bom demais: o "pão nosso de cada dia" - tá até em nossas orações! A gente conversa com Deus todo dia pedindo prá ele não faltar na nossa mesa...

Em qualquer canto do mundo que você for as pessoas tem sua versão desse alimento básico e tão delicioso.

Fala a verdade: tem coisa melhor do que um pão quentinho, daí você dá uma passada de manteiga e espia ela derretendo... Hummm! Quem mora perto de padaria sabe a tentação que é aquele cheirinho - e, na casa da gente, dá o verdadeiro cheiro de um lar.

Eu sou uma excelente padeira - modéstia à parte. Faço pão de qualquer coisa e todos ficam ótimos, melhores que os comprados prontos.

Mas este que eu vou ensinar hoje é o mais fácil de todos, só prá vocês perderem o medo do fogão:



Pão de milho de minuto:

16 colheres (sopa) cheias de farinha de trigo;

8 colheres (sopa) cheias de fubá ou farinha de milho amarela;

1 colher (chá) cheia de sal;

2 colheres (sopa) rasas de fermento em pó (Royal, Dona Benta ou o que você tiver: é fermento de bolo, não de pão...);

1 colher (chá) rasa de bicarbonato de sódio;

1 xícara (chá) de manteiga ou margarina, se preferir. Não serve Becel.

1/2 xícara (chá) de azeite de oliva;

1/2 xícara (chá) de leite;

1 ovo pequeno.

2 pacotes de queijo ralado (50 g. cada).

Junte numa travessa todos os ingredientes secos (menos o queijo) e misture bem. Acrescente a margarina ou manteiga gelada e o azeite e então esfarele com as mãos, até parecer farofa grossa. Junte o ovo batido e o leite - mas vá devagar com o leite, pois a massa não pode ficar líquida, tem que ficar parecendo massa de empada. Desgruda fácil das mãos por causa das partes oleosas... Ponha por último o queijo ralado.

Unte uma assadeira com manteiga ou margarina, enfarinhe. Pegue uma colherada generosa da massa de cada vez e disponha na assadeira, com uma distância de 1,5 cm entre cada bolota. Leve prá assar no forno médio pré aquecido e asse por 20 minutos a meia hora - dependendo do seu forno.

Fica fantástico quentinho - os meus eu recheei com cottage caseiro, que ensinei a fazer AQUI. Mas, enquanto tá quente, pode colocar um pedacinho de mussarela dentro que derrete que é uma maravilha...

Apesar de ser um pãozinho mais calórico (por causa da manteiga e do azeite) não deixa de ser sadio (por causa da farinha de milho, fonte de fibras...), se apreciado com moderação. Afinal, você não vai comer a assadeira inteira sozinha, não é mesmo? Faz quando sabe que a casa vai tá cheia de gente, que assim todo mundo divide a gostosura.

Fiz prás meninas levarem na apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso de um dos amigos da minha Lola, pois elas não iam ter tempo de almoçar direito. Esses da foto foram os que sobraram, prá mim, pro Marildo e pro Herkins. 

Com um cafézinho, numa tarde chuvosa - fala a verdade, deu ou não deu água na boca?

A receita rende de 16 a 20 pãezinhos do tamanho de um ovo de galinha e ficam prontos (de quando você põe a mão na massa até eles saírem do forno...) em mais ou menos uma hora.

Nos meus eu usei provolone - que eu mesma ralei, "mal e porcamente" porque a artrose nos dedos tá judiando de mim ultimamente... Por isso ele ficou parecendo que tem uns pedaços laranja no meio - é queijo mal-ralado... Mas até deu um charme...

Ficam "cascudinhos" (por causa da farinha de milho...), esfarelentos (por causa das gorduras, lembra um pouco massa de empada - e até pode ser usado como massa de torta, se quiser...), super-saborosos (por causa do sabor do queijo, da manteiga e do azeite)...

E aí? Se animou?


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Blusas lindas!

Facílimas de fazer - cada uma tomou menos de duas horas, de cortar a deixar pronta. Minto: levou um pouquinho de tempo a mais, por causa do viés do pescoço, que é pregado na máquina e depois terminado com pontinhos invisíveis à mão - mas como isso eu faço espatifada no sofá assistindo desenho eu não vejo o tempo passar, então não conto...

Primeiro lugar: minha irmã Fátima. Manequim 52. Difícil achar algo que fique bem, que deixe bonita, sem parecer "capa de máquina de lavar roupa". Pedi pro meu irmão "afanar" uma camiseta dela, sem ela saber, copiei o molde e fiz estas duas blusinhas:


A primeira: 


Tecido comprado no Varejão Chaves a 5 reais o metro - gastei um metro prá fazer. Não ficou linda? - quer dizer, tirei a foto na pressa, nem tive tempo de passar a ferro... 

Parece um desenho oriental, daqueles de fazer quimono... O tecido é uma malha mista de algodão com alguma coisa artificial, mas eu gostei - pelo precinho e pela belezura...

Esta outra também foi prá ela:



Malha fria com florzinhas miúdas muito fofas, comprado a R$13,90 o metro do lado do Shopping Penha, na ModaModa. Mesmo molde.

E esta lindeza toda branquinha foi prá minha velha:




Fiz baseada numa blusa minha, que eu e minha mãezinha temos praticamente o mesmo manequim. Comprei o tecido por quilo, lá na rua José Paulino, no Bom Retiro. Paguei 20 reais o quilo da malha - foi meu presente de aniversário no ano passado, minhas filhas foram comigo e me compraram todos os "trapos" nos quais eu preguei os olhos... Amanhã mostro mais coisas lindas que fiz com meus trapinhos (todas prá dar de presente - não fiz nada prá mim ainda porque sempre que pego no pano a inspiração vem prá outra pessoa...)

Mas olha só que meléca: dei as blusas de presente de Natal, prá minha mãe e prá minha irmã. Prá Cida, minha outra irmã, comprei uma blusa na Besni, pois não tive tempo de fazer, o Natal foi uma correria danada porque viajei dia 20 de dezembro - então tive que antecipar as presentadas todas... 

Quando voltei do sítio minha mãe me pediu desculpas, pois pegou a blusa branquinha que fiz com todo amor prá ela e ... deu prá Cida! Tava sem tempo de ir comprar uma prá ela, tava meio doentinha prá ir bater perna e então deu a linda blusinha branca prá filha - e eu posso reclamar? Também sou mãe, também abro mão das coisas pelos meus bebês.

Conclusão: comprei uma blusa de tricô prá ela não ficar sem nada - e a proibi terminantemente de dar essa blusa, senão eu ia ficar triste...

Essas mães...

Agora: reparou na economia? Presentes lindos e que custaram bem pouquinho: onde é que você compra uma blusa linda por 5 contos?  14 reais a outra? A branquinha, então? Pelo peso custou 2 reais!!!

Então: você não precisa ser costureira diplomada prá fazer, basta ter uma mesa plana e grande prá estender o papel prá tirar o molde de uma roupa que você já tenha. Aliás, nem isso: dá prá fazer no chão (eu faço isso às vezes, quando é vestido, pois minha mesa não é muito grande e daí eu tiro os moldes no chão da sala...). Estica o tecido sem rugas, apoia o molde, calcula uma margem de 1 cm prás costuras e corta sem medo. 

Aprende como faz nesta postagem AQUI.

Alinhava sempre antes de costurar, prá não ter medo de fazer besteira - alinhavar dá segurança prá gente... 

Malha é o melhor tecido prá começar - eu acho. Tecidos mais encorpados e sem elasticidade mostram mais fácil as besteiras que a gente comete nas primeiras tentativas, já o caimento da malha dá uma bela disfarçada. 

Não precisa overloque: usa ponto elástico da máquina ou mesmo o zig zag. Jamais estique o tecido enquanto costura, prá não deformar a peça. 

Use e abuse de viés nos acabamentos, pois são fáceis de usar e sempre ficam bonitos - aprende a usar AQUI..

E seja feliz por ser quem você é: uma corajosa costureira paraquedista, igual eu!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Eles eram pequenos...


Mas nunca foram dormir sem ouvir histórias... 

Bom, quando a Lolinha era muito pequenininha e logo em seguida veio a Nana, eu só cantava prá elas dormirem, ainda não dava prá entenderem histórias... 

Nesse tempo - porque eu tinha lido numa revista da Seicho-no-ie que a gente tinha que dizer coisas boas pros filhos - eu fazia assim: esperava cada uma delas dormir, me deitava toda aconchegada do lado de cada uma, ficava segurando as mãozinhas, acariciando os pezinhos, beijando suavemente os rostinhos, e dizendo numa voz quase inaudível, num sussurro mesmo:

"-Você é linda, inteligente, um presente maravilhoso que a vida me deu... Você é boazinha, tranquila, me faz a mais feliz das mães... Eu te amo tanto! Você é minha vida, me enche de orgulho e de alegria... De todas as mulheres do mundo prá quem Deus podia ter te mandado, eu fui a sortuda e sempre vou ser grata a Ele por isso..."

Assim, virou costume: história (muitas vezes até quatro, cinco delas numa noite!) e declarações de amor... Porque eu acho assim: é bom quando o amor está implícito em tudo o que você faz por eles - é mais que bom, é necessário! - mas o amor também tem que ser declarado, colocado em palavras diariamente... A gente não pode pensar que eles sabem o quanto são amados - tem que dizer sempre prá eles!

Eu podia estar cansada, ter lavado toneladas de fraldas sem máquina de lavar - a qual só pude comprar quando eles pararam de usar... - ter que acordar de madrugada prá deixar o almoço deles pronto (coisa que sempre fiz, mesmo quando morava com a sogra...), mas nunca falhei em contar histórias e sussurrar meu amor pros três... Acho que isso os tornou mais inteligentes, alimentou a imaginação deles, lhes deu confiança - fé na vida...

E, dos sussurros na hora de dormir, passei pro dia todo: como eu disse, eu sempre falo esse tipo de coisa prá eles, declarações de amor sem hora prá acontecer. Não me canso de fazer isso porque é verdade: eu os amo infinitamente, me fazem feliz numa escala inimaginável... O peito chega a doer, mas uma dor muito boa, se é que isso existe...

E quando eles eram pequenos...

A vida era corrida: eu trabalhava fora, chegava em casa, esquentava o almoço deles, ia pro tanque, cuidava da limpeza e, no final de tudo, antes do pai deles chegar em casa, eu lhes dava banho: juntava os três no banheiro - os três duma só vez, que o tempo era curto! - ligava o chuveiro e fazia uma bagunça terrível! Era shampoo prá todo lado, condicionador, o banheiro virava uma lagoa: "Lola, esfrega as costas dos teus irmãos! Naninha, não deixa cair shampoo nos olhos do Ike!"...

Quando acabava enxugava todo mundo, vestia, secava os cabelinhos com o secador e, quando estavam prontos, eu sentava esgotada no sofá e dizia: "Deixa eu espiar vocês, se ficaram bonitos...".

Eles chegavam perto de mim, os rostos mais lindos que meus olhos poderiam ver, os sorrisinhos tranquilos e contentes, fresquinhos e cheirosos e daí eu dizia:

"- Ai, meu Deus!!! O que que é isso que tá me acontecendo? Meus olhos... Meu cérebro... Nunca na vida eu vi nada tão lindo, é uma sobrecarga grande demais prá mim, eu acho que não vou aguentar e... Ah, Choque de beleza! Choque de beleza!" - fingindo ter "um troço" eu fazia uns ruídos com a boca, revirava um bocado os olhos, dava uns trimiliques e fingia que escorregava, desmaiada, no sofá.

Eles faziam silêncio, imaginando se eu tava fingindo ou se era verdade que eu tava desmaiada, ficavam se espremendo à minha volta - eu ouvia suas respirações, seus cochichos...

Daí... devagarinho... eu fingia que ia recobrando a consciência e ia falando (ainda de olhos fechados):

"- Nossa... O que será que aconteceu comigo?... Eu tô tonta... Parece que eu vi algo demais de lindo e meu cérebro não aguentou... Será que foi o tal Choque de beleza de que eu já ouvi falar? Mas... Não pode ser verdade, já vi tanta coisa linda na vida, beleza nunca me fez desmaiar... Acho que não tem perigo eu abrir os olhos, não tem nada lindo perto de mim..."

E, quando eu abria os olhos, as três mais lindas e perversas criaturas estavam com seus rostinhos colados no meu, exibindo a belezura prá eu ter outro piripaque - tão malvados!!!

E eles cresceram... 

Mas enquanto isso aconteceu eles sempre foram calmos, bons, tranquilos (como eu sussurrava em seus ouvidos...). As professoras sempre vinham falar comigo, me dar os parabéns por crianças tão queridas, tão boas...

Acho que eu podia tornar o mundo um lugar melhor só tendo filhos, um atrás do outro - me arrependo muito de ter operado quando o Ike nasceu... Desde que eles surgiram na minha vida, me tornei outra pessoa, melhor, mais inteligente, mais forte... Ser mãe é a melhor coisa do mundo - pelo menos prá mim...

Tem uma coisa: não se passou um único dia na minha vida desde que eles chegaram em que não houve momentos - inúmeros - nos quais eu quis parar o tempo, congelar um acontecimento precioso para vivê-lo prá sempre! Queria segurar prá sempre comigo o primeiro dentinho, as primeiras palavras, os sorrisos, os soninhos derretidos... As palavras faladas errado, as letrinhas imperfeitas dos primeiros dias na escola, os primeiros amigos...

Que pena que o tempo passa...

E que bom que o tempo passa: veio uma alegria depois da outra - e continua vindo...

A Lola entrou na faculdade: eu fui com ela, fazer os trajetos, em vários caminhos, até ela ficar craque (afinal, tava acostumada a ser sempre levada de carro, se virar sozinha era um desafio - mas nada impediu que a mãezinha estivesse junto nos primeiros passos como foi lá no comecinho, depois da engatinhada...).

Mesma coisa o Ike, mesma coisa a Nana.

A primeira barba do meu moleque fui eu que fiz, ensinando o sentido de passar o aparelho prá não ferir a pele... Raspei a cabeça dele careca quando passou na faculdade...

Ensinei as duas a depilaram as pernas, passar batom... 

Sabe uma brincadeira que tem, um desenho de um livro infantil, chamado "Ache o Waldo (ou Wally)"?, um embaralhado de figuras que você tem que ficar olhando, olhando, até achar uma pessoa (Waldo) que sempre se repete em todas elas?
  


Pois acho que eu sou o "Waldo" deles, apareço em praticamente todos os acontecimentos: espia a vida dos meus filhos e lá estou eu, num cantinho, escondidinha, fazendo figuração na cena...

Nada deles é prá mim trabalho, nada é obrigação: é meu privilégio lavar e passar, cozinhar, estar ali prá tudo... 

Assisti todos os desenhos que eles assistiram, ouvi todas as músicas que eles ouviram, eu que os ensinei a jogar vídeo game, a mexer no computador, li todos os livros que eles leram...

Eles sempre se socorrem de mim, como se eu tivesse solução prá tudo - engraçada essa posição de mãe: a gente envelhece, mas não perde os poderes...

Um tempinho atrás eu não estava muito boa e meu moleque - alto como um guarda-roupa, barbudo, com a fala grossa que em nada lembra o meu bebêzinho tão doce de antigamente, que me chamava de "Coraçãozinho" em lugar de mãe e que hoje me chama de "Velha" (porque o mundo faz dessas coisas com os homens, às vezes... eles tem que esconder a doçura numa crosta carregada de espinhos...) - estava tão preocupado, me cercando, me comprando coisas prá me fazer feliz e eu disse:

"- Sabe, filho, acho que eu nunca vou morrer... Se algum dia eu estiver deitada numa cama de hospital, um fiapo de velha sumindo do mundo, e qualquer um de vocês chegar e disser assim: 'Mãe, levanta daí, que eu preciso de você prá fazer uma coisa, prá ir num lugar ..."- mesmo que for nos quintos dos infernos, eu vou criar forças, me levantar e vou fazer o que mais gosto de fazer na vida: ajudar vocês... 

- Ou então vocês três chegam, de mansinho, me dão um Choque de Beleza, que eu dou uma desmaiadinha e daí acordo...".

Ele riu de mim - como que me achando boba por lembrar de algo tão distante no tempo (que prá mim foi ontem, mas ele não acredita...)".

Porque ser mãe é o melhor emprego do mundo: apesar da gente nunca ter férias, nunca se aposentar, de salário a gente receber mais preocupação do que qualquer outra coisa, mesmo assim a gente adora cada minuto do dia, porque faz o que gosta, práqueles que a gente mais ama na vida... 

Alguém conhece emprego melhor?

(Agora: a imagem do início da postagem é de uma foto dos três tomando banho juntos, naqueles bons tempos, quando eles eram pequenos... Não postei a foto em si - que é linda...- porque me proibiram... Aliás, se meu garoto vê essa imagem, corro "risco de vida"... Se eu nunca mais aparecer por aqui, já sabem o que me aconteceu...).

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

E foi assim:






Eu chego no sítio, desempacoto um saco de linhas Fênix comprado pela internet nas Lãs Formosa -, cinza com prata metalizado. Lin-do.

O pacote veio fechado com durex pela própria loja e, dentro dele, 4 novelos - cada um deles em seu próprio saquinho plástico. Antes de começar o trabalho dou uma checada nas partidas de cada novelo, só prá ver se a loja não se enganou e mandou novelos diferentes e - meléca! - mandou sim: um dos novelos era de partida diferente!

Tarde demais prá devolver - nem tinha como, bem no meio do mato, onde Judas perdeu as botas! Resolvi apelar prá sorte e fazer assim: a blusa inteira fazer com os três novelos iguais e as mangas com o novelo diferente.

E assim fui indo, tricotando com agulha 6 - e a linha não deu nem prá uma regata...

Pedi prá Fernanda - melhor amiga da minha Lola - procurar na internet mais alguns novelos, comprar prá mim (eu não queria perder a linha, era tão linda!!!

Mas não tinha mais em lugar nenhum prá vender - então o jeito foi desmanchar tudo o que eu tinha feito e começar de novo, do zero, com agulha mais grossa (prá ver se rendia...). 

E deu super certo: fiz a barra na agulha 6, o corpo da blusa com a agulha 9, usei o ponto desta outra blusa AQUI (que é um ponto tijolinho diferente, que tem uns furinhos na última carreira) e ainda sobrou metade daquele novelo renegado.

Ah, mas a história não para por aí...

O final foi duplamente feliz: além de eu conseguir fazer uma blusa linda, ainda tive uma sorte danada: justamente esse novelo sem par veio com o interior do rótulo PREMIADO!!! Eu nunca olho dentro do novelo - já joguei tanto fora... - mas desta vez, por causa do desassossego de não saber o que fazer com a linha, fiquei rolando o novelo na mão, mexe prá cá, mexe prá lá e daí reparei que tinha coisa escrita por dentro do papel!!!

Ganhei um ferro a vapor (Britânia) da Purafibra, a ser resgatado no local em que comprei a linha.

No meio das férias tive que voltar prá São Paulo em caráter emergencial (em Itapetininga não tem médicos que atendem o meu convênio e adoeceu todo mundo, menos eu: pneumonia o patrão, bronco-pneumonia a Nana e o Ike e uma gripe virulenta na minha Lola... - neste ponto eu digo: aquela que ninguém deixa sair de casa sozinha, que ficam todos super-protegendo, é a mais forte e é a que cuida de todos...), daí aproveitei e fui na loja resgatar o prêmio (a Nana, mesmo doente, insistiu em ir junto e acabei comprando um montão de roupas lá, que tava de liquidação, coisas lindas super-baratinho...).

Fala a verdade: até quando tá ruim, tá bom demais...

E agora, sem mais blá,blá,blá taí a receitinha de mãe:



Se acharem essa linha no armarinho perto de casa, comprem que vale a pena: parece que pinica, mas não pinica. Fica linda, um luxo. O cinza com o fio prateado parece que você tá usando uma joia... 

Ah, sabe do que mais? Nem bem cheguei em São Paulo ainda achei um restinho dela na Novelândia e voltou a aparecer na Lãs Formosa, que (como por magia!) ainda tem um bocado no estoque: compra pela internet, paga o boleto na lotérica e (quem sabe...) você também não ganha um prêmio, hein?! Bege com ouro também é fantástica...

Fiz essa cinza, fiz uma preta e -  e ainda comprei prá fazer mais duas blusas. "Gostei" é assim: faço mais de uma, esgoto todas as possibilidades...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Falta de respeito!

Olha só isso:

Mais de perto:


São os óculos da minha Lola, que (apesar de linda e perfeita) tem miopia e astigmatismo, como a mãe  (diga-se de passagem...).

Essas bolhas que ficam na "ponte" dos óculos não são gotículas de água geladinhas, como as que a gente vê nas garrafas de cerveja dos comerciais: são bolhas de derretimento do material de que os mesmos foram feitos.

Não! - minha filha não colocou os óculos no microondas ou no forno do fogão. 

Também não ficou espatifada no sol com eles...

Necessitada de seu  uso constante - sem os quais não consegue ler, nem pegar ônibus ou mesmo transitar pela rua - só os tira de seu rostinho quando toma banho ou quando dorme. 

Óculos comprados ano passado e que, após apenas pouquíssimo tempo de uso, apresentaram essa deformidade.

Procuramos exaustivamente a nota fiscal da compra do produto - efetuada na Fotótica do Shopping Penha - mas ela se perdeu. Tivemos a casa assaltada, sabe-se lá onde essa nota foi parar...

Procuramos a Fotótica prá resolver o problema e o funcionário (vestindo a camisa do patrão, óbviamente...) nos disse que nada podia ser feito sem a nota fiscal.

Ora, se eu precisasse de uma segunda via da nota fiscal eles teriam que me fornecer - em caso de, por exemplo, eu precisar dela para obter ressarcimento de parte do gasto com os óculos junto ao convênio. 

Não está explícito na lei, mas faz parte dela devido à reiteradas decisões judiciais - e Jurisprudência é lei! Faltou nota fiscal: o consumo pode ser comprovado pela fatura do cartão de crédito ou até mesmo por testemunhas!!! 

Bom, um belo dia minha Lola - passeando em outro Shopping que não o Penha - foi se informar em outra unidade da Fotótica. Esse outro funcionário disse que a emissão de segunda via da Nota Fiscal poderia ser feita, era só buscar no sistema deles. 

Retornamos então onde os óculos foram comprados, onde o funcionário nos disse que tinha ordens da gerência dele para jamais fornecer segunda via nesses casos (de reclamação quanto à qualidade do produto), mas, mediante nossa insistência, procurou no tal "sistema" e nos informou que, infelizmente, já havia passado o tempo máximo da garantia

Beleza! Graças à enrolação deles esgotou o tempo!

Reclamei então no site da Fotótica e hoje (agora à pouco prá ser mais precisa), recebi a ligação de uma mocinha da Fotótica que perdeu meu tempo e o dela prá me dizer a mesmíssima coisa: a Fotótica não fornece segunda via de Nota fiscal e, mesmo que fornecesse, já passou do prazo.

Maravilhoso - é o que tenho a dizer quanto a isso. 

Posso comprar outro par de óculos prá minha Lola? 

Felizmente posso. 

Será na Fotótica? 

Jamais. Nunca nunquinha de forma alguma eu volto a comprar o que quer que seja nessa biboca empresa. E olha que são cinco pessoas na minha casa, todas usando óculos - só eu uso dois, um prá perto e outro prá longe.

Mas não apenas minha família não vai comprar mais nada lá: nenhum dos meus irmãos, irmãs, cunhados e cunhadas, sobrinhos e sobrinhas - nem mesmo minha mãe (e essa coisa de usar óculos é genética na minha família, raros são os que escapam...); nenhuma das minhas poucas amigas jamais vai comprar nada lá - isso eu garanto. 

Porque se eu tenho uma característica nessa vida é ser incansável na defesa daquilo que acredito - e eu acredito em ser bem tratada e ter meus direitos assegurados.

A Fotótica não merece mais constar na minha agenda - vende produto de qualidade inferior. 

A Fotótica não merece nem mesmo uma passada dos meus olhos em suas vitrines, prá eu não correr o risco de ouvir de um de seus atendentes a célebre frase: "Posso ajudar em alguma coisa?" pois eu sei que isso seria uma deslavada mentira: quando realmente podem ajudar, pulam fora.

Se eu fosse você, comprava óculos - até os de sol - em outro lugar. Desrespeito faz mal prá gente - fez subir minha pressão por diversas vezes, a cada ocasião em que esse assunto veio à tona na minha família, apesar de tomar meu anti-hipertensivo logo cedo.

Chega.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Parece que eu nunca fui...


Não são assim mesmo as férias? Logo na chegada a gente encara os dias que vem pela frente com a maior alegria, cheia de tempo pela frente... Acorda tarde (7 e meia...), dorme na rede, joga conversa fora...

Daí os dias vão passando e a contagem regressiva do retorno começa, dando aquele aperto no estômago - porque onde quer que estejamos, se estamos bem, queremos ficar... 

Então a gente volta - parecendo que nem foi -, se encaixa no mesmo lugar onde costuma se sentar no sofá, volta a dormir no mesmo colchão, escutar os mesmos barulhos rotineiros da vizinhança - o motor mal calibrado do carro do vizinho, os cachorros latindo pela noite afora, a molecada empinando pipa...

Mas a gente traz na mala a saudade do que viveu! Que pena que nossos olhos não tiram fotos pois, na grande maioria das coisas mágicas... - a gente esquece a câmera!

Só que - desta vez - graças a uma janela de banheiro, a magia da vida passou de raspão por mim (e eu fotografei!). 

Foi assim: no primeiro banho que tomei logo que cheguei, ao abrir a janela prá espantar o vapor, lá estava um casal de rolinhas - que voaram assustadas com o meu gesto brusco, fugindo do ninho trançado na primavera rosa que fica bem ali, do lado de fora...

Eu, então, fui espiar - só prá ver se tinha ovos no ninho...



Haviam três - pequeninos e delicados, pintadinhos, do tamanho das unhas do meu dedo indicador... 

A cada visita minha os pais fugiam, assustados - então eu só ia xeretar uma vez ao dia...

Haviam tantos ninhos de pássaros! Quem pensa que a vida somente se renova na primavera não se dá conta que vivemos no Brasil: aqui a vida tá sempre se renovando, tá sempre borbulhando em tudo que é canto!

Espia esse troço pendurado no limoeiro - mais parece um lixinho que foi parar ali com o vento, se enroscou nos espinhos e não quer sair mais:




É praticamente um apartamento, muito bem construído, tendo até um pequeno teto sobre a portinha prá proteger da chuva...

Na laranjeira (que nasceu de um caroço cuspido), bem na beira da casa, tinha mais este:


E este:


Cada pilar do telhado da varanda também tinha o seu:


Todos cheios - mas as fotos não saíam boas: nem todos os pássaros fugiam, alguns vinham prá cima de mim, tão corajosos!

Não me pergunte de que espécie de pássaros são: perguntei pros caseiros e eles não souberam me dizer. Não entendo a desatenção de certas pessoas com o que passa à sua volta! Nascidos e criados ali e não fazem a menor ideia da maioria das coisas, das plantas, dos bichos - parecem só entender daqueles que podem ser comidos...

Eu - se ali morasse... - conheceria cada bicho, cada flor, cada inseto pelo nome, conheceria seus hábitos... Parece que curiosidade também é um atributo que não é distribuído pela natureza de forma muito abundante, penso eu...

Bom, no dia em que vim embora fui lá fotografar o ninho de rolinhas e olha só:




Dois dos ovos haviam se partido e, de dentro, sem penas, de olhinhos fechados, frágeis e tremelentos, dois passarinhos pequenos como a almofada do meu dedo polegar!

Bendita seja a oportunidade de viver, não é mesmo? Logo estarão voando, comendo insetinhos, aproveitando o sol, fugindo da chuva e, em pouco tempo (pois suas vidas são breves...) todos eles (com sorte...) também farão seus ninhos, porão seus ovos, ajudando o Criador a povoar os céus!

Digo uma coisa: se todo ser humano vivesse consciente da vida à sua volta a julgaria mais preciosa. Infelizmente, como eu disse, mesmo entre os que vivem cercados  pela natureza poucos são os que prestam atenção verdadeiramente ao que acontece: a maioria de nós acorda, se move, trabalha, consome, suja, limpa e, no final do dia, vai dormir prá começar tudo de novo - mecanicamente, alheio aos pequenos e até mesmo aos grandes milagres da vida...

É uma pena.

Um terço da vida dormindo e a maioria do tempo acordado percebendo bem pouco do que acontece...

Que tal acordar, tomar uma gostosa xícara de café e partir prá luta diária, de olhos bem abertos - garanto que vai valer muito a pena!

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