Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dois jeitos...

De se usar viés - Ô coisa boa...

Porque viés é assim: tem sempre gente descobrindo um novo uso prá eles, desde que foram inventados.

Prá enfeitar roupa:

(Tô louca prá fazer um vestido preto de bolinhas brancas prá mim...)

Babados poderosos...
Babador pro seu bebê poderoso...

Coisinhas prá casa e prá cozinha - avental sempre fica bem-acabado com viés...

E não é só aí que o viés se sai bem:
Colar...

Tiara

Tic tac

Broche

Chaveirinho

Imã de geladeira

Pois é: haja utilidade... 

Esta semana eu ensinei como fazer seu próprio viés com um pedacinho de tecido, fácil e perfeitinho. Agora vou mostrar algumas maneiras de usar essa tirinha de pano prá facilitar a sua vida - especialmente se você é costureira de primeira viagem. Se já viajou bastante na costura esta postagem vai ser desnecessária, então sinta-se livre prá passear por outros lugares, mas se quiser permanecer no blog, não vai se arrepender - tem muita coisa boa nos prá trás.

O viés - como o próprio nome diz - é cortado "em viés", ou seja, enviesado. Isso garante elasticidade e bom caimento nas suas utilizações. Se cortado no sentido reto do tecido não dá prá aplicar em partes curvas, então fica com menos utilidade.

Vê só dois jeitinhos fáceis e bonitinhos de como se faz:

Um pedaço de tecido cortado em curva, imitando uma cava de blusa, mais um viés contrastante prá facilitar a visualização - embora, às vezes, colocar um viés de cor diferente seja o detalhe que torna a peça mais bonita...

Você posiciona o viés na beirada onde ele vai ser aplicado, direito com direito.

Coloca na máquina e vai costurando - a largura quem diz é a sua necessidade. Geralmente em roupas o melhor é ser um viés mais fino, costurado na beiradinha - o normal é usar como base a largura de um pé de máquina.
Como o viés é cortado na diagonal ele vai se amoldando nas curvas, daí é só seguir costurando.

Terminada a costura você corta, sempre com uma folga. Se fosse uma cava de blusa você dava a volta e, antes de acabar, media onde isso ia dar, cortava, emendava e daí o viés ficava costurado em círculo.

Terminado de costurar você vira o viés pra fora...

Se quisesse podia virar ele todinho prá dentro e deixar ele escondido...

Era só fazer uma costura bem acabadinha por dentro, com pontinhos invisíveis...

Mas eu gosto de deixar o viés aparecendo - fica bonitinho, especialmente quando é de cor diferente, dá um contraste bacana.


Você deixa 1/2 centímetro aparecendo do lado direito, dobra o restante prá dentro.

Daí dobra mais uma vez, que é prá não desfiar quando lava e ficar um acabamento perfeito.

Com uma agulha bem fina e linha da cor do tecido principal (usei vermelha só prá realçar, prá vocês verem bem...) você vai costurar com pontos invisíveis todo o contorno da parte que leva o viés.

Quando termina, fica assim do avesso - clica na foto e vê a costura (que de invisível não tem nada, mas perfeito só Deus...).

E do direito fica assim.

Agora, na outra parte do retalho preto eu vou costurar diferente, mais fácil e mais rápido - embora eu não goste desse acabamento prá roupas, só prá coisas da casa, como aventais de cozinha e jogos americanos, por exemplo.

Posicione o tecido principal com o avesso virado prá você e, sobre ele, posicione o viés TAMBÉM DO AVESSO. Assim fica avesso com direito (contrário do outro, que era direito com direito). Costure do mesmo jeito, largura do pé da máquina.

costurou...

Vira pro direito.

Faz aquela mesma dobra (que nos viés comprados prontos em rolo ou por metro já vem dobradinha de fábrica - e tem até aparelhinhos em que você enfia o viés dentro e ele sai dobrado, só faltando passar à ferro, mas aí encarece a coisa...)

Termina de dobrar - se quiser ajudar passando a ferro, no começo, é bom.

E passa uma costura, com amor e carinho, cobrindo a costura anterior, que prendeu o viés ao pano. De preferência use linha da mesma cor do viés prá fazer isso.

Faça a costura reta...

Ou use um ponto trabalhado - que ficaria muito bom se o viés fosse liso e a linha contrastante - viés estampado fez o ponto desaparecer...

E pronto: bem acabadinho e feliz.

Esta é a cava de uma blusinha que terminei prás minhas meninas, na qual usei o viés do próprio tecido prá fazer o acabamento das cavas. Ficou perfeito.

Bem delicado...


Já usei em vestidos prá mim também - aliás adoro usar. Facilita mesmo a vida: no lugar de ficar cortando aqueles arremates complicados, que gastam uma tonelada de tecido, com um trapinho de nada eu faço um viés que fica uma belezura. 



Finalizando: normalmente o melhor é usar viés do mesmo tecido da peça que você está fazendo - por exemplo: nada de usar viés de jeans em tecido leve de algodãozinho. Porém o inverso pode: colocar um viés de algodãozinho uma calça jeans fica bom. Quanto mais delicada a peça, mais fino o viés.

Na malha é que é legal: pode cortar viés de qualquer lugar, tanto na diagonal quanto na vertical ou horizontal, pois o tecido é elástico de qualquer jeito. Fica ótimo no acabamento das camisetas e pijamas, por exemplo - especialmente se você trabalha com máquina caseira.

Então tá: agora você já pode dizer - com orgulho - que sabe usar um viés...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Um buraquinho aqui, outro ali...


Na verdade um montão de buraquinhos... Inspirada nessa onda de tricô destroyed fiz essa blusinha prás meninas, cheinha de buraquinhos. 

Buraquinhos muito fáceis de fazer: 6 pontos arrematados com 22 pontos de distância entre eles. A cada 20 carreiras troca o lugar dos buracos, intercalando... 

Ela ficou assim:


Achei meio sem graça, mesmo com a Lola recheando a peça. Faltava alguma coisa - pensei logo em spikes. Mas quantos colocar? Onde?

Daí a Lola fotografou e mandou prá Fernanda, melhor amiga do Universo dela, que tem um bom gosto danado, uma visão estética excelente, super criativa. E, graças às pitadinhas dela, o pulôver esburacado sem graça ficou assim, temperadinho...




Dobradas as mangas (que já eram 3/4) meros 7 cm prá fora, prendi bem no centro com 3 spikes-mini, prateados. Do lado de dentro da manga levou mais um spike, que garante que a dobradura da manga não escorrega.


E pela frente da blusa (e também nas mangas) um spike aqui, outro acolá, sem pecar nem pelo exagero nem pela falta. 



Nada de spikes nas costas, que é prá não machucar quando encosta no sofá ou cadeira. 

Menos de um cone de lã Cristal, mesma receita de qualquer pulôver básico, mas com apenas 90 carreiras de manga - mais fácil que isso, só comprando pronto.

Acabamentos: uma carreira de ponto baixíssimo, um em cada ponto tricô da blusa, pulando um a cada cinco (o ponto tricô que a gente pula garante que a peça não vai ficar enroladinha...).

E agora que eu já inspirei vocês, vou cuidar da vida, que tá cheio de gente que depende de mim.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Aproveitando um retalhinho...

Prá fazer viés, enfeitar roupa, avental de cozinha, o que der na telha...

Sem muitas palavras, que as fotos já tem algumas:



Tem que ser um retângulo de tecido, não pode ser medida torta. Tecido quadrado também dá prá fazer, mas dá mais trabalho... Não precisa medir igual ao meu, pode ser retalho maior ou menor, tanto faz - porque dá certo.

Risca o triângulo lateral depois da dobra e recorta.
















Às amigas que aqui passam deixando comentários - me perdoem por não estar tendo tempo de responder... Primeiro: estou muito doente, com uma artrose no quadril que tá me matando! Daí, porque Deus nunca me deixa sem uma compensação, meu filhinho passou num concurso maravilhoso e começou a trabalhar - então agora tenho mais afazeres, mais roupas sociais prá lavar e passar - tudo isso me arrastando pela casa... 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Nossa verdadeira natureza


Quando a Kelly decidiu que era hora de arrumar um emprego em empresa - e deixar de trabalhar prá mim como doméstica... - saiu daqui da minha casa muito triste. Ambas choramos, pois até hoje nos gostamos muito, nos visitamos - mas ela queria convênio médico, coisa que a empresa dava...

Antes de ir embora arrumou uma substituta, vizinha dela lá na favela do Pirajuçara.

-"A Fernanda é de confiança, dona Rosa. É uma moça nova, mas muito trabalhadora e tá muito precisada do emprego..."

Eu eu tava "precisada" de empregada, então aceitei antes mesmo de conhecer, mediante o aval da Kelly.

Daí ela apareceu no sábado, já prá trabalhar logo cedo e, quando eu fui abrir o portão, senti uma imensa e irracional vontade de dar as costas e entrar correndo prá dentro de casa, como se não tivesse ninguém ali, fosse um engano, igual criança (eu, uma mulher de 30 e poucos anos - com medo...).

Mas intimida, não intimida - uma mulher assim, bonita?:



Essa atriz é cara dela, só que ela tinha a pele mais escura, quase negra. 

Vinte e dois anos de pura beleza sem nenhum trato, com roupinhas muito simples e muita timidez.

Diacho!!! Tinha que ser tão bonita? "Imagina se eu vou ter uma empregada assim linda dentro de casa!" - eu pensei - acho que por ciúmes, inveja, sei lá... 

Perto dela eu parecia um troço (eu, apenas uma mulher normal, enfeiada quase que automaticamente!). Fiquei espiando enquanto ela limpava, lavava, passava pano... Remoendo minhas ideias, decidindo se mandava ela embora no mesmo dia ou se esperava uma semana até achar outra...

Daí, na segunda feira à tarde, quando cheguei do trabalho, notei ela andando pela casa escondendo o rosto, andando meio de lado e, burlando a vontade dela, a surpreendi com dois enormes olhos roxos e inchados!

A pobrezinha começou a chorar e me contou que tinha apanhado do marido. Que isso era quase todo dia, por qualquer motivo ou por nenhum... Me implorou prá não mandá-la embora, que tinha um filho pequeno, da idade do meu Ike (que tinha 3 anos...), que o marido não parava em emprego e que era muito ciumento. Tinha ciúme se ela ficava em casa, tinha ciúme se ela trabalhava...

Me doeu tanto vê-la chorar... Lembrei da minha mãe, sofrendo abusos similares... Lembrei de mim mesma, assistindo as surras - e levando as minhas também!

Prometi que não ia despedí-la, acabei pedindo a carteira de trabalho dela e a registrei eu mesma, naquela hora (sempre era o Marildo quem registrava, mas eu quis essa prerrogativa prá mim daquela vez...).

Daquele dia em diante eu deixava ela trazer o menino junto quando ela quisesse, dava leite prá ela levar prá casa, mantimentos... Fazia roupinhas pro menino dela na máquina de tricô, igualzinhas as que eu fazia pro meu moleque...

Ela me contou que tava pensando em se separar dele, que já tinha ido ver um cômodo em cima de um bar prá alugar, eu a aconselhava a voltar aos estudos prá um dia poder ter um emprego melhor...

Foi indo assim até que, dois meses depois de começar a trabalhar prá mim, ela faltou um dia. 

Dois. 

No terceiro dia mandei o Marildo  na casa dela, achando que tinha acontecido uma desgraça - mas ela apareceu, toda sorridente, prá atender a porta. Disse que ia parar de trabalhar, que tinha feito as pazes com o marido...Pagamos os direitos dela, férias proporcionais aos dois meses de trabalho, pegamos recibo; o Marildo pediu prá ela trazer a carteira prá dar baixa... 

Ela disse que ia mandar uma amiga prá substituí-la e saiu da nossa vida - ou assim a gente pensou por pouco mais de dois meses...

Toca a campainha da minha casa, a nova moça já tava trabalhando e atendeu. Voltou dizendo que tinha um Oficial de Justiça querendo falar comigo e eu fui (coisa esquisita que nunca tinha acontecido na minha vida...). Acabei recebendo e assinando uma intimação do Ministério do Trabalho, junto com uma cópia do processo trabalhista que a tal moça, que se chamava Fernanda, tava movendo contra mim por tê-la mandado embora ao descobrir que ela tava grávida!!!

"Como é que é???" - eu pensei...

Como aquilo me entristeceu... Como doem as punhaladas, especialmente aquelas que a gente nem sente chegando e que nos acertam em cheio, bem nas costas!!! Então ela já estava grávida, quando começou a trabalhar prá mim...

Pior: o registro tava no meu nome, eu é que ia ter que comparecer no tribunal...

O Marildo nem podia me acompanhar - trabalhava de dia, dava aulas à noite... 

Meu irmão, que é advogado, disse que tava com uns processos difíceis e que não ia poder me ajudar - falou que eu podia me defender sozinha, que no âmbito trabalhista a gente pode fazer isso (como se eu já não soubesse - mas querer é outra coisa! Eu nunca tinha pisado num tribunal na vida!!!). A vida tem dessas coisas: às vezes, quando a gente mais precisa, não arruma uma alma que nos ajude...

Bom, tive que me virar. O Marildo me arrumou uns CD's de leis, eu pesquisei nos livros, peguei cópias de processos, de petições, de recursos. Estudei decisões de juízes em outros casos similares e, baseada em tudo isso, compus minha defesa.

Arrumei duas testemunhas: a própria Kelly, que me havia indicado a moça (e que não parava de me pedir perdão pelo problema...) e que era vizinha dela e um outro vizinho deles, chamado Joe, que volta e meia trabalhava na minha casa como jardineiro.

Inclusive o Joe, que era amigo de longa data do Marildo, havia ouvido uma conversa de bar do tal marido da Fernanda, onde ele "movido a álcool" ria muito da minha cara, dizendo que ia depenar todo o meu dinheiro... Que eu era uma trouxa, uma branquela idiota...

O salário mínimo daquele tempo era de 100 reais - ela ganhava 250. Pleiteava os salários dos sete meses restantes da gestação, mais quatro salários de auxílio maternidade, mais dois salários referentes a sessenta dias de estabilidade no emprego, mais férias integrais e férias proporcionais, incluindo décimo terceiro. Quase ia me esquecendo: também queria o vale transporte do período todo em que estaria trabalhando "se eu não a tivesse despedido"...  Não havia esquecido uma agulha, queria chupar todinho o meu sangue, até a última gota... Tudo isso totalizava mais de 4 mil reais - e o ano era 1995... Se fosse hoje e ela ganhasse 2,5 salários mínimos, minha enrascada alcançava os 30.000 reais!!! E tudo isso era realmente devido, estava de acordo com a legislação trabalhista da época - caso eu realmente a tivesse mandado embora sabendo que estava grávida. 

Era a minha palavra contra a dela, como é que eu ia provar que não sabia???

Redigi o melhor que pude a minha defesa, anexei os testemunhos a meu favor e, no dia do julgamento, faltei no trabalho, recebi em casa as minhas duas testemunhas (pessoas muito pobres...), dei-lhes almoço e, em seguida, fomos de transporte público (porque eu não sei dirigir carro...) até o Tribunal do Trabalho.

Eu estava tão nervosa... Sinceramente eu já me dava por vencida, pois no meu trabalho todos me disseram que era causa ganha prá ela... Que os juízes sempre escolhiam a favor das empregadas - e, no Direito Trabalhista, existe mesmo um princípio chamado "in dubio pro misero", que significa que, se o juiz tiver alguma dúvida, deve decidir sempre em prol do mais pobre...

Chegando lá me informei, pegamos o elevador e fomos até a sala onde o julgamento ia ser realizado. Sentada com uma menininha no colo - que já tinha nascido - estava a Fernanda. A imagem perfeita da boa mãe, a embalar a nenenzinha com suas roupinhas rosas. Uma pintura - é o que eram... De pé, andando ameaçadoramente, o marido da tal moça. Parecia aquele lutador Mike Tyson, forte como um touro, destilando ódio por todos os poros. Imaginei aquele troglodita esmurrando a coitada - a vida dela não era fácil... Mas parei de divagar, tentei dar uma endurecida no coração e me sentei onde me indicaram.

Pouco tempo depois apareceu um homem, chamou a mim e a minhas testemunhas pra um canto da sala.

-"Quem é seu advogado, senhora?"

-"Ninguém, eu mesma estou me defendendo..."

-"Quem foi que redigiu seu recurso?"

-"Eu mesma, tenho bacharelado em Direito, mas nunca tirei a OAB..."

Ele parou um pouco, olhando os papéis nas mãos, olhou prá mim e disse:

-"Está muito bem redigido, um dos melhores que já vi. A senhora me permite utilizá-lo na faculdade, eu dou aula de Direito?..."

Sinceramente eu nem me importava, ele podia até rasgar e tacar fogo no meu recurso, tudo o que eu queria era sair logo dali - ia acabar fazendo um furo na minha língua de tanto morder ela... Mas respondi que ele podia usar meu recurso como quisesse.

Daí ele chegou no ponto. Conversou com a Kelly e com o Joe, que confirmaram seus depoimentos. O juiz (pois que esse era um dos três juízes que estavam encarregados do caso...) disse que o ganho de causa era meu. 

Eu nem acreditei!!! 

Perguntei se então eu podia ir embora, se tudo já estava acabado...

Ele me respondeu que aquela era uma audiência conciliatória - prá fazer um acordo entre as partes sem a necessidade de julgamento. Disse que o ganho de causa seria meu se a moça também concordasse - e que, obviamente, ela não concordaria. Muito provavelmente, segundo ele, a moça ia querer julgamento, prá tentar convencer o juiz... Naquele momento, conversando com ela, estava o outro juiz, representante dos empregados, tentando arranjar o acordo e alertando a moça que, caso fosse mesmo a julgamento, eu sairia vencedora - porque meu recurso estava bem alicerçado na lei e porque eu tinha testemunhas que calhavam de serem vizinhos dela (e não meus...).

Então o meu juiz (que era o juiz representante dos empregadores) me disse prá fazer assim: dar prá ela somente um mês de salário, prá ela não sair de mãos abanando e ter como pagar o advogado que ela havia contratado...

O monstrinho no porão me disse prá dar uma banana prá ela, que ela arrumou advogado porque quis, que a intenção dela foi me fazer mal e que eu não devia dar nada!!!

Mas, nessa hora, a menininha começou a choramingar... Senti pena da criança, filha de pais assim, desonestos...

Falei pro juiz que tudo bem, que eu dava os 250 reais prá ela.

Assinamos um montão de papelada, assinei um cheque - o advogado dela com cara de sonso, decepcionado por não levar a gorda fatia que imaginava do meu suado dinheirinho...

Quando acabamos de assinar eu perguntei pro juiz:

-"Tá tudo certo? Não devo nada?"

-"Tá tudo certo, a senhora tá liberada."

-"O senhor me permite dar uma palavrinha com a moça?"

-"À vontade."

Aproveitando que tinha seguranças no recinto - e que o marido dela não podia pular na minha jugular (como parecia querer fazer a todo momento...) eu cheguei perto dela, parei, olhei prá menina e disse:

-"Muito bonita a tua filha... Como se chama?"

Ela nem levantava os olhos, continuou sentada, parecia se encolher com a minha proximidade. Com a voz fraca, quase falhando, respondeu:

-"Mariana."

-"Se você tivesse continuado a trabalhar na minha casa, tua filha ia me chamar de tia. Todo o enxovalzinho dela teria sido feito por mim, com o maior carinho. Nunca eu ia deixar faltar nada prá ela - nem pro teu outro filho...".

Agradeci ao juiz, chamei a Kelly e o Joe e voltamos prá Penha...

                 *   *   *

No mundo tá cheio de gente assim, não tá? Me lembra uma historinha que eu li prá minha avó quando eu era pequena: 

Um homem tava andando na neve e encontrou uma cobra congelada, quase morta. 

Teve pena dela, a agarrou e enfiou dentro do casaco, junto do calor do seu corpo. 

Nem bem a cobra se recuperou, mordeu o homem. 

Enquanto morria, o homem perguntou: 

"- Por quê? Eu te ajudei!!!"... 

E a cobra respondeu: 

"- Desculpe, é a minha natureza...".

Cedo ou tarde a verdadeira natureza aparece...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Negócio da China!!!

Não é assim que a gente fala quando a coisa é boa? Pois então: Você pode ter essa blusa - e pagar quase nada por ela!!!





"O quê??? Dona Rosa vai começar a vender baratinho suas peças???

Nem baratinho nem carinho - pois só faço prá família. Mas ou você faz a blusa você mesma (que eu ensino como), gastando somente um cone de lã Cristal (uns doze reais...) ou compra direto da China, que foi de onde veio a ideia:

O site se chama AliExpress, já comprei uma tonelada de coisas de lá e chega direitinho na casa da gente - e a maioria tem frete GRÁTIS pro Brasil!!! 



Linda, né? E custa menos de 11 dólares!!! Mas tem que ter cartão de crédito internacional... Clica no nome em amarelo lá em cima que vai pro link, onde vocês vão ver as cores que tem prá vender.

"Ah, mas Dona Rosa... Eu não confio em comprar em site chinês... Como é que eu faço prá ter uma belezura dessas?"

Simples. Também tem um site no Brasil que importa ela prá você: Airu. Clica no nome que vai direto prá página da blusa - mas já aviso, pode levar uma vida prá chegar... Custa 43 reais e parcela no cartão (coisa boa!!!).

Então, já que eu resolvi o problema de metade de vocês - da metade que não tem máquina de tricô ou não sabe usar as duas agulhinhas mágicas... - agora vou resolver o problema das tricoteiras: receitinha de mãe...

Primeiro: repararam que o ponto é praticamente o mesmo da blusa roxa passada (esta AQUI)? Então: são as duas metades do coração bem separadas e, prá fazer um charme, tem uns furinhos decorando os espaços vazios. Se você não sabe como faz o ponto é só clicar na palavra em amarelinho e ir prá lá assistir meu vídeo ensinando. 

As partes da receita estão aqui:

Eu ia fazer o decote sanfonado, igual na blusa original, mas a Nana não quis, prefere assim - diz que fica mais levinha. Se vocês forem fazer, comecem o decote bem antes, lá pela carreira 24 após a cava, façam o sanfonado à parte e depois preguem na blusa.

Mas até foi bom que fiz sem ela, pois assim quem só tem máquina, sem pente, consegue fazer uma blusinha super linda sem ficar triste!
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