Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Felicidade rima com simplicidade...

É do tamanho de um bairro, de tão grande - mas a casinha é modesta. A gente chega na porteira (sempre aberta) e sobe um caminho de terra que mede uns 200 metros, rodeado de pinheiros e lá está ela, no topo desse morrinho:




Escondidos do sol da tarde - apesar de ser pleno inverno - em meio à cerca viva se escondem os patos - tão mansos e lindos!


Aí a gente grita: "Ó de casa!!!" e ela aparece, sorridente, abraçando apertado a gente, com a alegria estampada no rosto - é tão bom ser bem vinda!


Tem mais de oitenta anos - não sei a idade ao certo... - tá meio surdinha (por causa de uma gripe mal curada, tinha que operar o ouvido mas o médico não recomenda...). Na foto ela está toda feliz usando um cachecol e uma boina que eu fiz prá ela... Seu nome é Gessy, dona Gessy, minha amigona.

É a "Rainha das Novenas", tá sempre rezando uma na casa de alguém ou na igrejinha... 

Emprestou o galpão da fazenda prá um casamento evangélico, da filha dos meus caseiros e foi uma das madrinhas (toda orgulhosa...). 

Casamento como não se vê na cidade: fartura, fartura, fartura... 

Nada daqueles salões com lugares marcados nas mesas, com dezenas de garçons e garçonetes trazendo um tico de comida como se fosse grande coisa: o cozinheiro é o melhor churrasqueiro da região, assou um boi inteiro, três porcos, sei lá quantas galinhas. 

Arroz grego de monte, maionese, refrigerante e bolo - precisa mais? 

Foi num sábado que começou - almoço depois do casamento no civil, no cartório da cidade. 

Oito da noite o casamento religioso, no galpão com um altar de treliça plástica, cadeiras e mesinhas também de plástico, tudo enfeitado com babados de cetim vermelho. Tudo aberto, cheirinho de mato, de noite cheia de estrelas...

O pastor, em sua melhor roupa, nem falava o português correto - nunca vi tantos erros gramaticais ao se rezar um Pai Nosso. Mas o que importa é a intenção, eu acho...

Jantar prá todo mundo que apareceu - não precisava convite. Presentes? Tinha duas opções: dar cinquenta reais prá ajudar com os gastos da festa ou trazer o que pudesse - jogo de copos, jarra de suco, panela, vaso de flor, toalhas... Tudo orgulhosamente arrumado numa mesa (plástica) no canto do galpão...

Sentada junto às filhas e noras da dona Gessy - as que eu conheço e as que eu nunca tinha visto - rindo e brincando e elas me dizendo o quanto a mãe delas gosta de mim.  Me disseram que ela liga prá contar que eu cheguei, que vim visitá-la - não é linda? Super e genuinamente carinhosa...

O casamento foi lindo, o noivo chorava! Eram católicos e não lhes era permitido casar (pois ele era divorciado), apesar de viverem juntos há mais de seis anos. Se converteram à Congregação Cristã do Brasil recentemente e resolveram receber as bençãos prá união - estavam felizes da vida, graças a Deus.

A festa não foi até a madrugada - meia noite tudo já estava quieto, pois todos trabalham também no domingo (as vacas não sabem que é domingo e precisam ser ordenhadas, as verduras tem que ser regadas, as galinhas precisam comer...).

Mas no domingo a festa continuou, pois ainda tinha comida de sobra e todos eram bem vindos pro almoço!

Na casinha da Dona Gessy a calmaria de uma casa de viúva:



O fogão de gás que serve apenas prá posicionar o aquário...


Comida mesmo é feita no capricho no fogão de lenha...


As galinhas são criadas soltas no quintal...


Coelhos nos viveiros...


Duas galinhas em uma casinha num galho de árvore, chocando - cliquem na foto que vão ver uma coisa linda: uma delas tem uma peruquinha!


Esta é uma das noras da dona Gessy: Claudicéia. Já falei dela nesta postagem AQUI. É a mulher mais inteligente do planeta, não tenho dúvidas disso. 

Se um dia o mundo acabar, Deus vai chamar ela prá ajudar a reconstruir... Sabe como ela estudou? Toda madrugada acordava, andava quase cinco quilômetros à pé até chegar à escola. Se estivesse chovendo ia descalça, carregando o sapato na sacola. Chegando lá ela lavava os pés e se calçava - pois só tinha um par de sapatos, não podia danar ele na lama... Na volta mais cinco quilômetros à pé, almoçava e trabalhava na roça até anoitecer - só aí fazia lição de casa e ia dormir. E fez o segundo grau completinho, muito bem feito - só não fez mais porque os pais precisavam dela na roça...

É ela quem ordenha todas as vacas (que não são poucas), quem decide o que vai ser plantado, o que vai ser vendido... Que cor vai ser pintada a igreja... Se tivesse estudo seria cirurgiã de cérebros, astronauta, engenheira, artesã - tudo ao mesmo tempo.

Nessa foto ela tá gritando: "Chiquinha!Vem Chi-chi-chiquinha!" - que é o nome que ela deu prá uma ovelha rejeitada pela mãe, que teve duas - isso acontece, às vezes. E é ela que dá de mamar aos enjeitadinhos...


Ela e o filho, Daniel. Puxou a inteligência da mãe, a índole boa e carinhosa da avó. Toda vez que eu venho visitar a avó ele pára o que estiver fazendo prá sentar junto e me escutar falar, contar as coisas de São Paulo - é super curioso. Tem só treze anos e é ele é quem cria os coelhos, os patos, gansos, cachorros...


Esse aí embaixo é o Faísca - apaixonado pela minha Lillo. É amor platônico, nunca ia dar certo - ela já é uma senhora de meia idade, ele ainda é um menino... Lindinho, né?


Voltando ao Daniel: esse menino é tão lindo, tão bonzinho, vocês nem imaginam... Ele vende as galinhas e, com o dinheiro, compra coisas pros outros - nunca prá ele. Meias pro pai, um rosário novo prá avó, brinco prá irmã (que estuda num internato rural, prá onde ele vai em 2015...), panela nova prá mãe. Adoro conversar com ele e ele adora conversar comigo... Me dá dicas de como tratar os bichinhos, entende de tudo!


Não é um amor?


Capturei momentos preciosos dele num balanço numa das árvores do quintal da avó - ele mora no mesmo quintal, mas diz que é dela...




Cerejeira japonesa carregadinha de flor, apesar da estiagem:



E o curioso caso de amor entre uma galinha e um pato: juro que é verdade verdadeira! Aonde essa galinha vai esse pato vai junto, não quer saber das patas branquinhas! Apaixonou-se por essa galinha de angola e Deus é quem sabe no que isso vai dar...


Sabe quando eu reclamo de ir pro sítio, que depois que a gente comprou ele eu nunca mais fui prá lugar nenhum? Pois é... Assim como se supõe que os bebês devem ser fofos e os adolescentes rebeldes, supõe-se também que, com a idade, vamos ficando meio rabugentos - não posso fugir muito da regra...


Mas estando aqui em São Paulo, onde tudo é asfalto, onde os pássaros que cantam são os corajosos bem-te-vis sobreviventes ou as maritacas fugitivas, onde as estrelas se escondem atrás das luzes da cidade e da poluição, não posso deixar de suspirar de saudades de um fim de tarde cheiroso, com sinfonia de grilos e rolinhas que se ajeitam nos ninhos e de um amanhecer no qual o despertador são os galos...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A Gorda Gostosa

Me perdoem pelo título assim, meio pornô, mas ela é isso mesmo, não se pode fazer nada a respeito, pobrezinha - tão desrespeitada...
 
Não acredita? Então dá uma espiada:
 
 
Eu tava mentindo? Não, né?...Explode que eu deixo...
 
Foi amor à primeira garfada: lá estávamos nós no meio do caminho de alguma cidadezinha no Ceará - bons tempos, a gente viajava de avião, alugava lá um carrinho modesto e se embrenhava pelas quebradas - quanto mais perdido no oco do mundo era o lugar, mais a gente se divertia... Numa estradinha de terra entre uma cidadezinha e outra tinha uma casinha de tijolo sem reboque, com uma barraquinha de madeira à guisa de varanda e lojinha, umas mesinhas e cadeirinhas de plástico e uma placa escrita "Tapioca" - "magina" se a "Barriga de Sete Almoços" aqui não ia querer comer...
 
O "Marildo" torcendo o nariz, fresco e desconfiado com a higiene do lugar e eu dizendo "Só porque o lugar é simples, não quer dizer que é sujo...".
 
A moça muito simples mandou a gente sentar nas cadeirinhas e, em alguns minutos, trouxe de lá de dentro da casa uma bandeja com quatro pratinhos - prá mim e prás crianças) de umas tapiocas que eu nunca tinha visto na vida: eram redondinhas, bem certinhas, com pedacinhos de queijo de coalho no meio da massa, que era gordinha, com quase 2 cm de altura. Trouxe também um bule de alumínio com nata fresca (eu nem sabia o que era...).
 
Deus do céu, que coisa mais deliciosa!!! Prá comer de joelhos, agradecendo ao Pai por ter te dado sensibilidade prá sabores na língua - eu podia comer uma dúzia, sair de lá rolando...
 
Fomos embora, nunca mais voltamos e, embora eu tenha visitado outros estados do Nordeste brasileiro, jamais encontrei outra igual.
 
Pesquisei na internet e não achei como fazia - triste, né?
 
Daí, como eu já fazia há um tempo a tapioca com polvilho azedo, tentei fazer desse jeito e não gostei. Polvilho doce também não deu certo.
 
Então, como eu vivia aguada pela tal tapioca e não conseguia desistir de tentar fazer resolvi comprar a tapioca da Yoki - que eu não tinha me acertado muito bem, prá mim só o polvilho azedo é que dava o gostinho que eu amo.
 
E com a tapioca eu achei o Caminho das Índias, descobri a roda, inventei o fogo - totalmente exagerada... A que eu uso é esta aqui:
 
 
Vou ensinar a fazer uma - se você quiser fazer de montão, multiplica a receita, mas eu acho melhor sempre fazer a massinha uma de cada vez - por questões de absorção de líquidos da tapioca em si.
 
Ingredientes:
 
5 colheres (sopa) bem cheias de Tapioca da Yoki;
1 colher (sopa) de açúcar;
5 colheres (sopa) de coco ralado;
4 a 5 colheres (sopa) de leite de coco (pode substituir por leite ou água, mas leite de coco faz ficar sublime).
 
Aquece a frigideira antiaderente, posiciona nela um aro de metal (daqueles de fritar ovo bonitinho - custa uns quatro, cinco reais em loja que vende panelas).
 
 
Mistura os ingredientes da tapioca - fica uma massa grossa, parecendo cimento que pedreiro usa prá assentar tijolo, só que branquinha. Amassa com a colher prá ficar encaixadinha na forma e bem lisinha em cima.
 
Daí explora a gostosura da coisa: com as pontas dos dedos pega um punhado de açúcar e polvilha por cima. Deixa em fogo baixo - se der  dá uma tampada, que é prá cozinhar bem por dentro.
 
Com uma faquinha dá uma soltada nas bordas da forminha, depois de uns 2 ou 3 minutos de cozida e levanta a forminha. O formato se mantém e agora, com uma espátula, você vira a tapioca. Polvilha açúcar nesse lado também - assim dá uma caramelada e sela a tapioca.
 
 
Resultado: ela fica crocantinha por fora, ultra macia por dentro, coquenta (que quer dizer cheinha de coco)...
 
Cortei em quatro prá vocês verem como fica por dentro:
 
 
 
Sabe cocada? Não gosto, acho doce demais, com coco duro e sem graça. Mesmo a melhor cocada eu acho meio enjoada... Essa tapioca fica maravilhosa, úmida, doce na medida certa - e você pode comer com nata também, que vende pote na maioria dos mercados.
 
Pode substituir o coco pelos pedacinhos de queijo coalho e usar sal em lugar do açúcar - também fica uma delícia, sabor do sertão nordestino.
 
Outro dia fiz uma assim, salgada, só que numa frigideira grande, prá dividir em pedaços e servir com um chazinho à tarde:

 
E com requeijão em cima:
 
 
Tapiocas feitas de puro amor...
 
 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Ta-ta-tapioca! Ta-ta-tapioca!

"Maria tá peneirando..."
 
 

E a perua passa na rua e a tua boca já enche de água, não é? Já comprou dessa van que passa na rua ou só comeu no quiosque do shopping? É bom demais, né? Tem tantos sabores, tantos recheios... É a cara do Brasil - e ninguém pode discordar de mim: com um cafezinho: Hummmmm!
 
E a ideia de fazer uma postagem sobre tapioca aconteceu assim: nem bem voltei do sítio lá fui eu no Supermercado Sonda, comprar umas besteirinhas que tavam faltando. Daí, no corredor de refrigerados (onde fui atrás de manteiga - as margarinas que me perdoem, mas natural é sempre melhor em sabor e saúde) e lá estava minha enteada e, de costas, a mãe dela. Eu brinquei: "Trouxe a sua irmã prá fazer compras?" - porque ela tava linda, botinha de salto alto, calça jeans destroyed, camiseta preta bem justinha e cabelo de escova. Ai, pensar que eu tive tanto ciúmes dela, por ser mais bonita, mais nova, mais endinheirada... Por ter sido o primeiro amor do meu "Marildo"... A gente sabe nada quando é jovem, só vivendo é que a gente aprende...
 
Ela escutou a brincadeira, sorriu e veio me abraçar e beijar, toda feliz - sabe que o elogio não é da boca prá fora, gosto dela mesmo...
 
Quase três anos atrás ela sofreu muito. O marido dela teve câncer na próstata, que passou pro fígado, depois pros ossos... Foi um sofrimento que ninguém no mundo merece, uma coisa absurda - e ela não arredou o pé do lado dele. Eu assisti de longe, imaginando um pouco o sofrimento. Ele faleceu e minha enteada estava grávida, dois meses depois nasceu o bebê. Lá estávamos nós três no Hospital, prá assistir o parto: ela (a avó materna), a sogra da minha enteada e eu (a avó penetra). Foi lindo, chorei feito criança... E ela tava tão abatida, tão acabadinha... A pele toda manchada e ressecada, os cabelos parecendo de boneca velha, com umas quatro cores, sem vida nem brilho. Vestida de qualquer jeito...
 
Parecia sabe o quê? Aquelas esposas de faraó, que eram enterradas vivas junto com o marido quando ele morria...
 
Eu nem sabia o que falar - vai que eu tento ajudar e pioro as coisas? Podia se ofender e, além do mais, cada um tem que superar suas dores no seu tempo...
 
Daí, no almoço de Natal, lá estava ela toda arrumada, maquiada, bem vestida! Remoçada. Conversando comigo minha enteada me contou que o sofrimento do padrasto era tanto, mas tanto, que nem morfina resolvia. Só o que aliviava um pouco era ela abraçar as pernas dele, daí ele conseguia dormir um pouco... Ela ficou do lado dele, em casa e depois no Hospital do Câncer, dia e noite. Nem banho tomava, não se alimentava direito...
 
Daí ela mesma me contou que uma "amiga" zombou dela, de como estava acabada e foi assim que ela reagiu - "amiga da onça", mas que acabou lhe fazendo um favor...
 
Tá namorando um homem dez anos mais jovem, todo marombado, fica mostrando fotos dele tiradas no celular prás minhas filhas, agindo feito adolescente de novo - bom prá ela. A gente tem que ser feliz, não é mesmo? Ainda mais uma mulher de valor como ela, que fez direitinho a sua parte na hora do aperto...
 
Bom, e lá estava ela no supermercado e veio me pedir prá ensinar a fazer tapioca - que a filha dela disse que as minhas são as melhores...
 
Ali mesmo ensinei rapidinho - que é muito fácil. E olha só que curioso: uma amiga também pediu prá eu ensinar a fazer tapioca, através do facebook...
 
Então: tem de vários tipos - eu faço de dois: a salgada, com recheio de mussarela (mas você pode rechear do que quiser...) e a doce (que eu faço de coco). Na postagem de hoje vou ensinar a salgada, amanhã ensino a doce - senão a postagem fica grande demais.
 
Você vai precisar de:
 
Polvilho azedo (daqueles de fazer pão de queijo); água; sal; manteiga derretida; fatias de mussarela. Uma frigideira com anti aderente e uma espátula.
 
O polvilho tem que ser hidratado com água e tem uma proporção: quatro partes de polvilho prá uma e meia de água - mas isso não é exato, pois depende do polvilho que você vai usar. O polvilho que eu uso é este aqui:
 
Coloque numa vasilha grande o polvilho (quatro xícaras) e salgue um pouco (uma colher de chá de sal). Se for fazer tapioca doce coloque umas três colheres (sopa) de açúcar e umas gotinhas de baunilha prá ficar supimpa. Mexa bem e jogue uma xícara de água. Se for fazer doce pode substituir parte da água por leite ou leite de coco. Mexa bem (com as mãos), desmanchando os caroços que ficam.
 
Vai jogando o restinho da água que falta aos poucos: não pode ficar muito molhado, senão vira uma maçaroca e também não pode ficar seco, senão não dá liga...
 
Daí tem que peneirar - senão os caroços não desmancham e a pessoa que vai comer come bolotas de pó...
Fica uma farinha granulada desse jeito, cada bolotinha bem pequenininha. Você pode guardar essa farinha num pote, na geladeira, por até uma semana e ir fazendo tapiocas todo dia.
 
Daí apronta tudo o que você vai precisar: a farinha granulada, a manteiga derretida e a mussarela fatiada.
 
Esquenta a frigideira antiaderente  - sem untar com nada, a frigideira sequinha. Vai jogando a farinha com a colher, espalhando pelo fundo uma camada homogênea. Numa frigideira de 20 cm de diâmetro eu coloco de quatro a cinco colheres de sopa. Pode colocar mais, se quiser a tapioca mais gordinha, mas eu e todo mundo aqui em casa preferimos mais fininha. Fogo baixo.
 
Todo o fundo tá coberto e o calor da chama tá fazendo as bolotinhas se fundirem umas nas outras, se abraçando e formando um tipo de crepe, como uma panqueca sequinha.
 
Joga uma colher de manteiga derretida de um dos lados da tapioca - assim ela fica mais úmida e saborosa.
 
Por cima da manteiga coloca o queijo.
 
Agora repara numa coisa: as beiradinhas tão se levantando - sinal que a massa tá quase cozida (você não quer comer tapioca crua, né?)
 
Então, já que as beirinhas já levantaram, pega uma espátula e dobra a tapioca. Pode enrolar quiném panqueca, faz do jeito que você mais gostar, a tapioca é tua.
 
 
Reparou nos farelinhos que ficam na frigideira? Depois que acaba de fazer cada tapioca, passa a espátula na frigideira e joga eles fora, senão eles acabam fazendo parte da próxima que você vai fazer e eles ficam duros como grãos de areia, horríveis de se morder...
 
Vira a tapioca do outro lado, prá terminar de derreter o queijo bem e ficar bem cozidinha.
 
Vai amontoando elas no prato - nesse dia o lanchinho foi tapioca, cinco prá cada, meus filhos e o Marildo "deitaram o cabelo" nelas... Pelo Marildo teria cinco quilos de queijo dentro de cada uma, mas as crianças gostam assim - e não se brinca com o colesterol na idade da gente...
 
Por dentro ficam assim: molinhas, queijosinhas, gostinho suave que lembra pão de queijo.
 
Ficaram fininhas demais pro teu gosto? Faz gordonas! Recheia com queijo e presunto, com frango, sei lá, inventa um recheio!
 



 
Faz doce, com recheio de coco fresco, doce de leite, pêssego em calda fatiado e chocolate branco...
 
Achou difícil? É não.
 
Faz assim: experimenta fazer uma só: cinco colheres de sopa de polvilho azedo, uma colher e meia de água, uma pitada de sal. Peneira com aquela peneirinha de coar chá. Faz só uma prá pegar o jeito, perder o receio...
 
Garanto que você vai querer ter essa farinha num pote na geladeira prá fazer uma na hora do café, fresquinha e quentinha... Prá oferecer prás Migas quando vem te visitar... Pros filhotes quando voltam da escola... Pros netinhos.
 
Ah, não presta fazer e guardar prá depois: fica ruim, perde a maciez. Tem que fazer na hora e comer quentinha, tá bom?
 
E amanhã eu ensino outra, tão gostosa quanto, que é doce e gordinha, lembra uma cocada, feita com tapioca mesmo...
 
Mas tenham consciência de uma coisa: uma vez que você faz a primeira, tua família vai querer sempre - ainda mais quando a perua passar na tua porta tocando a musiquinha... Daí vocês estarão condenadas a fazer, prá sempre e sempre, pois ficam deliciosas...
 
Cozinhar bem é uma bênção - e uma maldição...
 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

O primeiro da tua vida

Ou o milionésimo quinto - depende...
 

(Lola, minha Deusa do Olimpo, como é que algo tão belo  assim saiu a minha barriga? Não usa batom, maquiagem zero, quem pintou essa boquinha foi Deus mesmo...)
 Se você nunca fez um cachecol (ou uma gola) na vida, esse vai ser um bom começo - porque é fácil, fica pronto rapidinho e é um charme...
 
Um novelo de lã de 100 g Pluma, da Linea Itália (cor Ametista, que você compra a R$7,50 no Bazar Horizonte); um par de agulhas de tricô n. 12; agulha grossa prá costurar.
 
Monta 11 pontos na agulha com o fio duplo (usa o fio de fora e o fio do miolo do novelo...). Três carreiras em tricô, tanto no avesso quanto no direito. Na quarta carreira faz: dois pontos juntos em tricô, laçada - repete até o final e termina com um ponto em tricô.
 
Repete essas quatro carreiras até acabar a lã, costura o começo no final e usa enrolado no pescoço, sem deixar pontas soltas.
 
Em menos de uma hora tá pronto - dá prá fazer uma porção num dia, levar no trabalho, vender prás Migas, ficar milionária, ir morar nas Bahamas.
 
Ou fazer como eu, continuar morando anonimamente nos cafundós da Penha, prá fugir dos paparazzi...

(Ah, devagar tô respondendo todos os comentários...)

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Antes de mais nada...

Muito obrigada a quem não esqueceu de mim nas férias - sei como é difícil aparecer por aqui com tanta coisa linda dando sopa por aí, tantas obrigações na vida de cada um... 

Obrigada prá quem veio me visitar, mesmo eu estando longe.


A todas as amigas que deixaram comentários quero dizer que logo, logo eu respondo - ando meio sem tempo, um zilhão de coisas prá fazer. 

Sabe como é, sempre que eu viajo alguém entra sorrateiramente na minha casa e enche todos os cantinhos de pó - então tô trabalhando feito uma escrava. 

Roupas prá lavar e passar, comidinhas prá fazer, compras, médico - tinha que ter três Rosas (no mínimo...) prá dar conta de tudo como se deve...

Mas prá ninguém pensar que eu deixei quem aprecia meu cantinho sem a atenção que merece eu trouxe uma receita que achei na net e fiz prá Fernanda, amiga do coração da minha Lola:


Linda, feita na máquina - mas a minha fiz à mão, com amor e carinho, e foi muito bem apreciada pela destinatária. 

Vejam como ficou linda nas fotos:




E a receitinha de mãe, prá quem quiser se aventurar:

Mas uma vez obrigada e EU VOLTO! - se Deus quiser...
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