Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tá na moda




Tá nas vitrines dos shoppings - a Lola disse...

Lembra ontem quando eu falei que fiz tricô à máquina enquanto o Marildo e os bambinos assistiam ao primeiro jogo do Brasil? Pois eu fiz num instantinho as partes dessa blusa - frente, costas e mangas. Acabado  o jogo, sentei na sala ao lado do Marildo e costurei ela todinha. 

No dia seguinte, enquanto acompanhava minha velha nos médicos, com minha sacolinha de crochê, fiz os acabamentos em ponto baixíssimo e ponto caranguejo. 

As meninas nem faziam ideia do que eu tava fazendo - elas não são muito curiosas, veem sempre a mãe com um trabalho nas mãos, então fica meio invisível prá elas - do mesmo jeito que elas não reparam que tem dois buracos no meu nariz ou uma marquinha de catapora na minha testa... 

Quando, no fim do dia, cheguei em casa, passei a blusa a ferro e coloquei os spikes - dez deles, comprados a dez centavos cada - elas começaram a reparar... 

Depois de pronta, exibida no cabide, ficaram as duas a dizer "É minha!" "Que linda!" - mas, como tudo o que faço prá elas, é feito com amor prá ser dividido e compartilhado, como boas irmãs que são (nunca me decepcionaram nesse ponto - aliás, em nada, nunca-jamais me decepcionaram as minhas princesas...).

A linha? Isabela, da Círculo - que não fabrica mais - comprada em saldo no Bazar Horizonte a 3 reais o novelo (gastei quatro); um misto de algodão e linho, que garante ao mesmo tempo maciez e rusticidade ao fio - muito lindo... 

Mas não é prá ficar triste: você pode fazer com a linha Ursa, da Purafibra, que tá custando a mesma coisa e é ainda mais macia, pois tem viscose com algodão - é linha prá bebê, mas se você não contar prá ninguém, eu também não conto... 

Compra também no Bazar Horizonte, neste link AQUI - só não sei quantos novelos precisa, compra seis por via das dúvidas... Tem praticamente a mesma espessura.

Assim sendo, sem mais delongas, mais uma blusa linda por R$13,00 - contando o preço dos spikes... Na M Officer tem uma blusa parecida a duzentos reais - e não se compara com a minha, modéstia à parte.

Receitinha de mãe (prá ser feita na máquina de tricô... tamanho 42/44):


terça-feira, 17 de junho de 2014

Que triste...


No dia do primeiro jogo do Brasil na Copa meu irmão apareceu pela manhã na minha casa.... Perguntei prá ele se ia assistir o jogo - coisa que a gente geralmente pergunta prá um homem, pois é senso comum que os homens apreciam o esporte...

Ele, mal humorado, me respondeu que ia torcer pro Brasil perder - ele e meu outro irmão iam fazer isso. 

-" Eita! Mas porque isso?" - eu bobamente perguntei...

-"Ah, porque sim, porque não tinha que ter m* de Copa nenhuma..."

-"Não, Tato, não tem que pensar assim... A gente tem sempre que desejar que coisas boas aconteçam! Quanto mais coisas boas acontecem, melhor o mundo fica..."

Mas eu até entendi o jeito de pensar deles: o Brasil com tanta coisa faltando - saúde, educação, segurança... - e todo esse lero-lero com a Copa... 

No entanto, o dinheiro que foi usado prá construir os estádios é particular - tão particular que até o presidente americano queria investir aqui, alguém se lembra? Barack Obama veio ao Brasil, acompanhado de ricos empresários americanos, querendo participar da abundância econômica que viria do investimento que fariam - se a Dilma tivesse deixado...

Ela foi gentil e tudo, mas despachou eles de volta pro hemisfério norte - e os ricos empresários brasileiros é que fizeram os investimentos. 

Na verdade, examinada sem preconceito, a Copa vai até ter um saldo positivo pro Brasil: dos milhares de trabalhadores empregados prá construir ou reformar os estádios de futebol, os que vão trabalhar neles, os outros tantos que arranjaram empregos nos hotéis, nos bares e restaurantes... Os artesãos e artesãs que vão vender suas peças inspiradas nessa ocasião...

As praças perto da minha casa estão mais bem cuidadas, as ruas estão recapeadas - e estavam com buracos havia tempos, mesmo eu mandando email atrás de email prá prefeitura... 

Eu penso assim: se a casa da gente tá precisando de reforma e reformam ela por causa das visitas, benditas sejam as visitas!

"-Ah, mas essa história de atendimento médico estilo Copa do Mundo prá turista, enquanto o povo continua na fila das UBS's!"

Concordo. Mas a culpa não é da Copa e o dinheiro que realmente tá sendo gasto é irrisório prá fazer todas as mudanças que o Brasil precisa. Todos esses problemas tem uma complexidade muito maior, não dá prá culpar a Copa por tudo o que vem se arrastando a tantos e tantos anos...   

Na manhã do jogo eu assisti uma reportagem assim: nas cercanias do Estádio de Itaquera as pessoas da vizinhança (que com certeza não tinham dinheiro prá comprar ingresso e ir assistir lá dentro...) haviam fechado a rua, pintado festivamente o asfalto, enchido tudo de bandeirinhas e iam se reunir todos, numa churrascada, assistindo o jogo ao ar livre, do lado de fora daquela festa toda. Homens e mulheres que ganharam de presente um feriado, vestindo camisetas amarelas e sorrisos de satisfação - mesmo em meio à pobreza da periferia paulista...

Eu disse pro meu irmão que pensasse em quantas e quantas pessoas acordam toda madrugada, pegam condução lotada, amassados, pendurados, prá enfrentar um dia exaustivo de trabalho. Voltam prá casa à noite em condições sub-humanas de transporte... Trabalham demais, tem muitas contas prá pagar, quando adoecem não tem convênio médico, tem problemas de sobra... Mas numa hora dessas, na hora do jogo do Brasil, tiram das goelas o dinheiro de uma camiseta, compram umas cervejas, umas linguiças, compram uns fogos, uma vuvuzela (prá atormentar a vizinhança com o barulho infernal, é verdade...) se reúnem, torcem, gritam e comemoram os gols - esquecendo a dureza da vida que levam...

Eu disse prá ele torcer pro Brasil, prá esse monte de gente ser feliz, pelo menos nessas horas.

Ele foi embora sem dizer nada.

De tarde, quando o Marildo chegou, foi assistir o jogo com a minha Lola e o moleque, enquanto a Nana lia no quarto e eu fazia tricô à máquina no meu cantinho. Eu não assisto jogo nenhum - sou um pé frio da preula. Só assisti 2 jogos na vida e nos dois o Brasil perdeu (mas não espalhem por aí, senão algum torcedor fanático pode querer se vingar de mim...). Não assisto mais, por questões de segurança nacional.

Mas ouvi, de longe, o triste episódio da torcida mais ilógica e obtusa que existe, que envergonhou o Brasil perante todo o mundo. Combinado de alguma forma que me escapa, a torcida se uniu em uníssono e mandou a presidenta "tomar no *". São contra a Copa mas estavam lá, assistindo e fazendo papelão...

Eu não sou fã da Dilma - acho que ela toma muitas atitudes das quais discordo. Mas ela não mereceu isso. Foi uma atitude grosseira e nada cristã, que me fez sentir vergonha de ser brasileira.

Não estão satisfeitos com ela? Então escolham outra pessoa nas próximas eleições - mas nada de agir como criancinhas sem educação... Feio demais.

Tá mais que na hora de crescer, não tá? Tá mais que na hora de parar de reclamar da Copa - ela já tá acontecendo, passeata não vai adiantar, poupem suas energias prá outra coisa mais útil em suas vidas.

Na sexta feira seguinte passei quase o dia todo andando prá lá e prá cá com minha mãezinha no médico - ela não tem convênio, só cartão do SUS. De manhã no AMA, de lá conseguiram uma vaga prá ela num médico às 3 da tarde em outro lugar - e lá fui eu com ela. Tá na lista de espera prá fazer mamografia, prá passar no endócrino, prá fazer cirurgia - o tormento de praticamente todo brasileiro.

Mas questionada pelo meu filho se ela tinha assistido o jogo, minha velhinha respondeu:

-"Claro que sim, era o Brasil jogando! E cada jogador que entrava em campo eu rezava prá ele jogar bem, pedia prá Deus inspirar as jogadas, fazer deslanchar direitinho aquelas pernas, que o Brasil tem que ser feliz...".

Linda a minha mãezinha. E sábia.

Não se conserta nada desejando o mal, só se faz a infelicidade crescer mais e mais, igual erva daninha...

Quanto mais gente feliz tiver por aí, melhor prá todos - pois a felicidade, assim como a tristeza, contagia. E vocês - querem se contagiar de quê?

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Kit Cupcake


Vícios - quem não tem algum? Assisti um programa onde uma mulher era viciada em cheirar Pinho Sol, uma outra não conseguia ficar sem picadas de abelhas - e prá isso tinha uma colméia no quintal, de onde capturava pelo menos 15 insetinhos por dia, só prá levar suas picadas... Um rapaz cheio de dinheiro era viciado em comer comida do lixo e prá isso toda manhã passeava pela rua central da sua cidade, na saída dos bares e baladas, só prá "mineirar" o que tinha de bom nas latas...

Meu vício? Não, eu não sou viciada em cupcakes - muito embora todas as comidas tenham um lugar especial no meu coraçãozinho... 

Sou viciada em fazer bem feito, gastando pouco, o que se vende por aí custando uma fortuna... Mão-de-vaquice crônica, incurável e altamente contagiosa (quem convive comigo acaba fatalmente pegando - cuidado!).

Desta vez a culpada da minha última crise foi minha filha mais velha, a Lolinha:

"- Mamãe, eu queria dar prá Fernanda um Kit Cupcake que eu vi vendendo na internet, da Tramontina, porque ela adora cozinhar essas coisinhas..."

Quando ela me mostrou o tal kit - este aqui:

eu disse prá ela:

"- Mas Lolô, parece tão mixo! Com muito menos dinheiro eu faço um mil vezes melhor e mais completo!" - isso porque achei absurdo cobrar em torno de 200 reais por tão pouca coisa...

Na mesma hora - que prá mim não tem corpo mole nem empurrar com a barriga - fui me trocar, mandei ela se trocar também e fomos dar umas bandas no centro da Penha, com o dinheirinho que ela tinha, prá comprar o material que me faltava prá essa empreitada: tricoline decorada com cupcakes - em duas cores - pincel e espátula de silicone, bico de confeitar, assadeira de cupcakes teflonada e, por fim, uma caixa de mdf prá guardar o presente.

O avental: eu tenho muitas sobras de piquê branco, guardados prá fazer aventais de cozinha. Então pensei: vou fazer um avental de cupcakes forrado com piquê, prá ficar grossinho, proteger bem a roupa na hora da aventura culinária da Fernanda. E fiz - olha como ficou lindo:

Avental tem que ter bolso, prá guardar a chave quando vai abrir o portão, os prendedores de roupa, o trocado prá pagar a mulher do Yakult e uma balinha prá quando bate uma crise de dente-seco.



Daí, com o que sobrou do meio metro que comprei - mais o retalhinho de 30 x 70 cm que comprei enroladinho, vermelho de cupcakes também... - eu fiz:


Uma luva (forrada triplamente com piquê e manta acrílica, prá ficar grossa e não queimar a mão...)...

Uma bolsa prá carregar o pincel, a espátula e o bico de confeitar.

A assadeira que a Tramontina manda é decorada, a minha não... Mas a minha também é teflonada e dá prá fazer o dobro de docinhos - o que é bem melhor, não é? Aí junta tudo que vai no "Kit-Cup/Rosa/Cakes:





Fiz até um saquinho pequeno prá guardar os bicos de enfeitar os docinhos, alguém reparou? Pois é: tem que fazer, então faz bem feito, nada de fazer meia boca. Tem que ficar bonito, tem que durar e tem que ser útil...

Agora: a Tramontina manda numa embalagem especial - que é de papel, bonitinha mas descartável. 

Embalagem made-in-eu:




Caixa de MDF lindamente decorada! Lixei, pintei com tinta PVA que eu já tinha, branca na tampa, preta em todo o resto, avesso e direito. Pintei, lixei, pintei de novo. Colei um papel de decoupage (que não é uma de minhas artes, mas até que me saí bem...) na tampa, colei quatro pesinhos de borracha prá caixa ficar mais altinha e poder ser apoiada nos móveis sem escorregar nem marcar. Passei duas demãos de verniz acrílico fosco em tudo, prá proteger a peça - só a caixa já é um presente por si mesma...

Conclusão: meu kit deixou o da Tramontina no chinelo. E se interessa prá alguém saber, gastei tããão pouquinho... Mas não posso falar quanto, pois ela às vezes me visita no blog e não se fala valor de presente...

Agora é esperar pelos cupcakes - com muito chantilly, de preferência (não que eu esteja cobrando, mas fecho os olhos e já sinto até o cheirinho...).

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pro Capitão




Assim ele enfrenta as tempestade quentinho, luta contra Moby Dick, mata um polvo gigante monstro por dia, atravessa bem protegido o Triângulo das Bermudas e volta prá casa trazendo o pão de cada dia (e também uma pizza, ocasionalmente...).

Ele tem tantos coletes: eu vivo me cobrando prá tirar foto de todos, postar as receitas - mas quem diz que sobra tempo? Hoje mesmo acabei de voltar do médico, onde fui acompanhar minha velhinha... Eu tinha que ser duas, essa é que é a verdade...

Bom, enquanto minha filha não se forma em Medicina e descobre como clonar a própria mãe, vou me virando como dá - e aqui está o resultado: mais uma arte, produzida no meio tempo entre uma pia cheia de louças, varais repletos de roupas, panelas fumegando no fogão e minutos preciosos de conversa com cada integrante da família (porque faz parte do amor a gente se desdobrar o mais que pode, mesmo sendo apenas uma...).

Detalhe do ponto:


A receitinha de mãe:


A cartela:



Agora uma dica prá lá de boa: prá comprar acessórios prá máquina de tricô pela internet (e até mesmo prá comprar  máquina de tricô usada...), prá mandar consertar a máquina (se você mora em São Paulo Capital) é só mandar email prá SANDRA: sandra@serv.mak.com.br - ela é funcionária da Serv - Mak há mais de vinte anos, eu sempre compro tudo dela - mas pessoalmente. Dez dias atrás, quando fui lá comprar umas coisas, comentei com ela como seria bom se o site da Serv-Mak vendesse acessórios de máquina pela internet e ela disse que era só mandar email prá ela, que ela respondia com o orçamento.

Só prá vocês terem uma ideia: enquanto na Maq Fios a cartela tá custando R$10,90, lá custa 7 reais. Infelizmente eles não perfuram cartela, só vendem cartelas virgens... Na Maq Fios você encontra cartelas perfuradas neste link AQUI. É sempre bom ter mais de uma opção na hora de comprar, não é mesmo?

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O lado clichê do amor


Eu nunca fui bonita. Bom, isso não é bem verdade: fui um bebê bonito, mas não são assim todos os bebês? Tem até umas fotos minhas bem pequena, com uns quatro anos de idade, nas quais estou uma verdadeira bonequinha...

Mas quando realmente interessava ser bonita, eu fui praticamente invisível - se eu tivesse que contar quanta gente se apaixonou por mim na vida, usando os dedos de uma mão, ainda sobravam dedos...

Quando eu era menina assisti um filme da Judy Garland no qual ela tentava arranjar emprego de cantora num cabaré. Ela era uma moça muito simples e, apesar da belíssima voz, não davam o emprego prá ela porque ela não era bonita o bastante - nenhum homem viraria prá trás prá olhar prá ela duas vezes. No desespero de provar que era mesmo bonita ela pediu ao empregador que a seguisse na rua, alguns passos atrás, pois ela ia provar que os homens viravam prá olhar prá ela SIM.

Pois bem: o homem a seguiu e ficou de queixo caído, pois todos os homens paravam de andar, viravam prá trás e a seguiam com os olhos, com ar de espanto. Logicamente ela conseguiu o emprego - mas o que o empregador não sabia era que ela havia trapaceado. Enquanto andava, ela ia fazendo caretas, estufando prá frente os lábios como um bico de pato - por isso todos os homens olhavam prá ela...

Achei nessa hora que inteligência era tão ou mais importante que beleza e imaginei que teria que ser muito inteligente, sempre...

Apesar disso, nesse tipo de situação, minha inteligência nunca me foi de grande valia - todas as minhas amigas tinham namorado, menos eu... 

Então, por razões que só Deus sabe, apareceu o "Marildo" - que não se chama assim, é só um nome carinhoso pelo qual eu o chamo às vezes, quando estou inspirada. "Sua Majestade", "Sua Excelência", "Capitão" e por aí vai...

Imagina a cabeça de uma garota bem comunzinha casada com um homem muito requisitado, que dentre todas as garotas disponíveis, belezas de primeira grandeza, foi ela a felizarda escolhida... Nunca foi fácil - especialmente quando eu era mais jovem, insegura, ciumenta demais da conta...

Eu já tinha minhas duas meninas, consegui ficar uns meses sem engravidar  e tentava acabar de fazer a faculdade. Trabalhava das sete às treze horas, chegava em casa tinha toneladas de fraldas prá lavar, comida prá fazer, livros prá ler. Vivia praticamente no automático, como uma zumbi: nunca tinha tempo prá arrumar o cabelo, não usava brinco, não costurava nada prá mim - me vestia como uma mocoronga... Eu tinha uma colega de trabalho que viajou de férias prá Europa e voltou dizendo que eu faria o maior sucesso na França, pois era magricela, nariguda e sem bunda. Esqueceu de dizer também cabeçuda - talvez porque não quisesse me magoar...

Essa história aconteceu durante uma daquelas greves da Previdência Social - nas quais, prá quem não sabe, os funcionários trabalham prá caramba (eu, pelo menos)... Eu comparecia no mesmo horário, trabalhava minhas seis horas e saía no horário de sempre - não tinha essa de fazer corpo mole. Os processos não eram informatizados, era tudo montanhas e mais montanhas de papel prá analisar, prá arquivar, cartas prá enviar, memorandos... Depois que eu colocava tudo em ordem no meu setor, minha chefe me emprestava pros outros setores - Aposentadoria, Perícia Médica, Auxílio Doença, Pensão por Morte... Eu sempre fui muito competente, diga-se de passagem. Tudo o que parava na minha mão era feito de forma rápida e eficiente.

Lá estava eu, perto do horário de saída, arquivando umas fichas no Setor de Inscrição de Segurados. O arquivo ficava embaixo de uma enorme janela de vidro, cuja luminosidade era regulada por persianas. Olhando prá fora da janela vi o "Marildo", parado com o carro do outro lado da rua, me esperando - como sempre. Ele nem almoçava: vinha de Guarulhos até a Penha, todo santo dia, me buscar no meu horário de saída, me levava prá casa prá eu chegar logo e ficar com as meninas e voltava pro trabalho. Só jantava à noite...

Ele havia chegado um pouquinho mais cedo - eu ainda tinha um bocado de coisas prá fazer. Quando eu fui afastar a persiana prá abrir o vidro e chamar a atenção dele eis que chegam duas moças, do mesmo lado da rua em que ele estava e, atrapalhando um pouco o trânsito dos carros, foram até a janela do motorista, falar com ele...

Eu conhecia as duas - trabalhavam comigo. Uma delas tinha acabado de entrar na mesma faculdade em que eu cursava o último ano - eu sabia seu nome, mas não éramos amigas. A outra tinha já uma história comigo: sempre que podia me tratava mal, zombava do meu desodorante, das minhas roupas... Era uma moça lindíssima, parecida com a cantora Rihana (já falei dela nesta postagem AQUI). 

Demoraram ali alguns minutos, conversando com ele, esbanjando sorrisos - e eu nem consegui terminar o que estava fazendo, tamanha a raiva... Quando deu a hora eu passei a mão na minha bolsa, disse "Até amanhã" pro chefe do setor e fui embora. Quando estou atravessando a rua, em direção ao carro, lá vieram as duas, na minha direção - e a morena com um sorriso de escárnio no rosto, me medindo da cabeça aos pés como se eu estivesse enrolada em trapos sujos...

Entrei no carro com a maior das caras feias, perguntei prá ele qual era a conversa que ele tinha tido; ele desconversou, disse que elas tinham pedido uma informação e eu, possuída pelo mais puro ódio, andei de carro os mais longos vinte minutos da minha vida até chegar em casa, sem dizer uma só palavra...

À noite, quando ele veio jantar, servi a comida no prato, não quis comer, fui fazer outras coisas. Não fui na aula - disse que não estava me sentindo bem...

Mais tarde, quando ele voltou da faculdade, abri o portão pro carro entrar e fui me deitar, virada pro outro lado, mordendo a língua. Ele provavelmente achou que era TPM...

Amanheci o dia azeda, calada, com o mais venenoso dos humores. Desci do carro prá trabalhar sem sequer olhá-lo no rosto - imaginando mil coisas horríveis que iriam acontecer dali prá frente (como ele ia me deixar por ela, porque ela era linda e eu não, porque eu era ranzinza e ela tinha riso fácil, porque ela era charmosa e eu... era eu...).

Lá prás oito e meia da manhã fui obrigada a ir no Setor em que ela trabalhava - e prá meu alívio ela não estava, como sempre. Morava em Itaquera e fazia o turno das nove até às quinze - mas normalmente chegava às dez, folgada toda vida.

Numa mesa estavam algumas moças, numa conversa animada, falando alto e rindo, dizendo coisas tipo "Foi uma lição e tanto prá ela!", "Ela merecia isso e muito mais!!!" - e uma delas me chamou pelo nome: "Vem cá, Rosa! Era de você que a gente tava falando agorinha mesmo!".

E eu fui, imaginando qual grampeador eu ia atirar na cabeça de quem se viessem me dizer alguma besteira - "É hoje que eu sou despedida, tô de saco cheio" - tudo por causa de uma noite mal dormida e de umas caraminholas quicando dentro da cabeça...

Então eu reparei que quem me havia chamado era a outra moça, a que acompanhava a morena e que estava cursando Direito como eu. E ela começou a dizer assim:

-"Você faz ideia do quanto você é sortuda?"

Eu, desarmada e confusa, nem falei nada...

-"Lembra ontem quando você foi indo pro carro encontrar com teu marido e viu eu e a Camile terminando de conversar com ele? Pois você nem imagina o que aconteceu... Eu e ela estávamos voltando da padaria e ela viu o carro do teu marido parado ali na porta e disse que queria ter uma palavrinha com ele..."

Me contou, na frente das outras - que estavam ouvindo a mesma história pela segunda vez... - que disse prá ela não fazer isso, mas que não adiantou nada.

Se aproximando da janela do motorista ela disse assim:

-"Oi, tudo bem? Tá esperando alguém?"

Meu marido, segundo ela, respondeu que sim, que estava esperando a esposa que trabalhava ali dentro. Ela disse então:

-"Ah, eu sei, é a tal de Rosa, não é? Escuta, meu querido...Como é ser casado com uma mulherzinha assim como ela, tão sem sal, sem açúcar, sem tempero nenhum?... Um homem como você, com certeza, podia ter coisa muito melhor só estalando os dedos...".

Senti tanta raiva... É difícil a gente aceitar que existe gente capaz de fazer esse tipo de coisa - especialmente porque a gente não seria capaz, então acha que ninguém é... Descobrir isso até machuca.

-"Sabe o que o teu marido disse?" - ela falou. "Achei tão lindo, você é uma danada de uma sortuda... Ele ficou calado um minuto, olhou prá ela e disse assim:

- 'Olha, minha irmã, eu não me meto nesses assuntos de prostituição...' - e ela ficou de boca aberta. Mas ele não parou por aí, disse mais:

- 'Me perdoe, eu não quis ofender... 

Sabe, prá mim, a vida é como uma grande loja, onde se vende de tudo - e tudo tem um preço. Na porta da loja estão as ofertas - geralmente produtos de baixa qualidade, defeituosos, a preços baixos. Prá vendê-los o quanto antes o dono da loja coloca cartazes chamativos, coloridos, que atraem quem não conhece ou quem não tem dinheiro prá comprar melhor... Mas lá dentro, arrumadinho na prateleira mais alta, o dono da loja deixa guardado o que ele tem de melhor qualidade, escondido dos ladrões e das pessoas comuns e só oferece prá vender prá quem ele sabe que pode pagar o quanto vale... Na minha vida eu já comprei muita mercadoria avariada, de qualidade duvidosa, muita oferta. Levei muito tempo e esforço prá conseguir, do dono da loja, o direito de possuir o que ele tinha de mais valioso...".

-"Você precisava ver a cara dela, sendo chamada de mercadoria vendida em baciada..." - e todo mundo rindo (pois ela não era muito querida por ninguém, talvez por toda aquela arrogância e convencimento).

Até hoje meu coração bate feliz quando eu lembro disso...

É incrível como, apesar da descrença da maioria das pessoas, o amor está sempre acontecendo a nossa volta, das maneiras mais surpreendentes e inesperadas... Talvez por isso - por ele ser tão abundante na terra - é que muito daquilo que o compõe se torne clichê (pois o clichê nada mais é do que a repetição de alguma coisa...).

Diz-se muito que "O amor é cego" - mas talvez ele enxergue coisas que ninguém mais consegue ver... Talvez a verdade do "Quem ama o feio, bonito lhe parece" se explique porque cada um enxerga o mundo ao seu redor com seus próprios olhos, através de imagens filtradas por tudo aquilo que mais deseja o seu coração... 

Afinal, talvez o ditado "O amor está nos olhos de quem vê" seja a explicação lógica e plausível para o fato de que até mesmo flores que nascem em rachaduras encontram quem goste delas e lhes aprecie a beleza...


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Acessórios (II)




Este é de arrebentar a boca do balão (essa gíria ainda tá valendo? Porque tem horas que eu me sinto tão velha... Eu falo uma coisa e meus filhos dizem que isso é "expressão que velha usa", que eu tô entregando a idade através das palavras... Ai, esses jovens podem ser tão cruéis, às vezes...).

A peça de hoje é uma estola e é um cachecol. A lã é única no mercado: Impact, da Cisne - e realmente é impactante.


Em um novelo gigante, pesando 200 g, você encontra pompons diferentes, maiores que os comuns, com um fio torcido que faz com que haja uma grande distância entre cada um deles. E o material do qual cada pompom é feito também é diferente: imita pelo animal, ultra macio e com brilho discreto que confere à peça o glamour dos casacos de peles das divas de cinema antigo...


Vou dizer: se eu tivesse montada na bufunfa, comprava cinquenta novelos desse fio e fazia um cobertor prá mim com ele - já imaginou que luxo? Mas ia ter que dormir de sutiã e calcinha prá aproveitar bem dessa gostosura - não vou dizer que dormiria pelada, com duas gotas de Chanel número 5, porque primeiro não me chamo Marilyn, segundo sou uma senhora de respeito.


O Marildo achou lindo demais, mas prá ele foi um tremendo desperdício: disse que eu tinha que ter comprado novelos suficientes prá fazer um casaco, pois é lindo demais prá ser apenas um cachecol... Por um lado ele até tá certo: um belo casaco de peles nunca sai de moda - mesmo no Brasil tem uns dias de inverno nos quais ele é mais do que bem vindo. Mas é assim: o que uma suburbana como eu ia fazer com um casaco dessa magnitude? Passear no Shopping Penha? Comer no chinês? Bater perna na 25 de março?...

Deixa estar - a estola tá de bom tamanho prá eu ir na próxima festa do Oscar - do qual sou sempre retirada sub-repticiamente da disputa de melhor figurino por razões políticas...

Mas voltemos à estola: 12 pontos, agulha doze, teci até ter um metro e sessenta - e ainda me sobrou meio novelo, dos dois que eu comprei a 6 reais cada. (Agora é hora de você arregalar o olho e dizer: "Mas Dona Rosa, essa estola super luxuosa de puro glamour custou só 12 merrécas?" - e eu te responderei, sem falsa modéstia, que como soberana da Mãodevacolândia é minha obrigação e prerrogativa dar o exemplo da economia pro restante da nação...).

Com apenas um novelo você faz o cachecol mais fino, próprio prá ser usado somente dessa forma - tipo uns 8 pontos, na agulha doze, e tece até acabar o novelo. Tem cada cor... clica neste amarelinho AQUI e se esbalda dessa beleza toda...

Dentro do rótulo do novelo vem um esquema de como trabalhar com o fio, de como montar os pontos na agulha - que é mais fácil do que com os fios comuns - e quantos pontos fazer entre cada pompom - supimpa (mais uma gíria de velha...).

Faz assim: um novelo bege, um cinza, um roxo, um vinho... 


Desperte a pin up que existe dentro de você, passa um perfume gostoso, um brilho nos lábios, um brinquinho de pérola e deixa o universo de queixo caído... 

Ah - e nenhum animal foi ferido durante esta postagem e muito menos durante a produção da estola...


terça-feira, 10 de junho de 2014

Acessórios (I)


Nenhuma mulher esperta despreza o poder de um bom acessório, não é mesmo? Seja um simples brinquinho, uma bolsa, um lenço, uma echarpe... Se a blusa for básica, mudando o acessório, muda tudo!

E tá na hora de investir nos acessórios pro inverno, que vai ser "brabo!" - as formigas me contaram. Toda vez que elas depenam minhas plantas no verão - e este ano elas depenaram várias vezes... - significa que estão fazendo provisões de alimentos, pois o inverno vai ser rigoroso e elas não vão "sair de casa". Tem um baita formigueiro debaixo da árvore na minha calçada e neste verão, todo santo dia, quando eu saía de casa de madrugada prá levar minha Naninha até o metrô lá estavam elas, enfileiradas, carregando pedaços e mais pedaços das minhas preciosas plantinhas. O Marildo até quis por veneno, mas eu não deixei: faz parte da natureza, as plantas se recuperam lindamente, se enchem novamente de folhas ainda mais viçosas que as que as formigas levaram embora.

Assim sendo, eis minha primeira dica: com apenas 6 reais você compra um novelo de 150 g de uma lã chenille super fofinha, diferente, prá fazer esse cachecol. É lá no Bazar Horizonte (clica no amarelo que você vai parar lá...) e essa beleza tá de oferta - acho que é porque vão parar de fabricar. É lã de coleção, eles lançam novas, as velhas vão pro saldão. Mas abandone o preconceito: se a coisa é bonita e básica, não sai de moda nunca, então vale super a pena investir nela. 

Eu só comprei um novelo - vermelho e preto. Mas tava em falta, ligaram prá minha casa e eu troquei por branco. Adorei, parece um cachecol feito de coco ralado.

Facílimo de fazer - só ponto tricô dos dois lados - fica pronto em menos de duas horinhas e ninguém pode negar que fica lindo.

Mas tem dois "pulinhos do gato":como montar a bola de lã prá começar a tricotar (pois vem em forma de meada e, se você não transformar em uma bola, enrosca todo...) e como fazer prá maximizar as "minhoquinhas" da lã. 

Dentro do novelo vem uma explicação de como fazer a bola - faça isso. É fácil e evita que a lã enrosque e se perca no meio dos nós. NÃO PODE PUXAR  essa lã: apesar de sua aparência grossa, ela é delicada - é um fio fininho recoberto de milhões de pelinhos, como pompons. Feita a bola, faça o cachecol.


No novelo também vem a receita: 8 pontos, tricô dos dois lados até acabar o fio. Eu usei agulha doze e fiz com 9 pontos - ficou menor, mas mais cheio. O segredo prá ficar bem peludinho é: a cada carreira tricotada, puxe delicadamente prá frente as minhoquinhas da carreira anterior, que estão presas na trama. Assim, a cada carreira, o lado que você tece fica peludo. 

Acho que o meu cachecol ficou tão lindo quanto o do próprio fabricante, pois ficou mais peludinho, vocês não acham?


Só ficou mais curtinho, então se puderem comprar dois novelos, esbanjem que vale a pena...

Aproveitem mais essa preciosa dica: façam um cadastro no Bazar Horizonte, façam a compra pela internet ou pelo telefone e sejam felizes, fazendo coisas lindas gastando pouco...
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