Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Rainha

Auto-coroada, é bem verdade... Mas, e daí?

 

Se Napoleão pôde coroar a si mesmo, porque não eu?


(Sabiam que a comida favorita dele era fritada de ovo com batatas e cebolas? - hummm! Também gosto...)


Sinto muito, Napoleão, mas eu não aprecio homens sedentos de poder...

Além do mais, nasci prá governar um cantinho só do mundo, os poucos metros quadrados que tem a minha casa, do lado de um rei feito sob medida prá mim... Eis o tipo de rainha que eu sou: Rainha das Pechinchas e dos Saldões. Não conheço ninguém que saiba, como eu, fazer uma boa compra. 

E não é só no que diz respeito a tecidos, lãs e linhas... Vê só essa sandália de perua:



Não é bonitinha? (Não reparem nos pés, que tão meio velhos, meio usados, mas ainda dão pro gasto...). Pois paguei R$14,90 nesse par de sandálias lindinhas, super confortáveis, com um ligeiro saltinho, num saldão de final de estação na Besni do Shopping Metrô Tatuapé. Antes custava setenta reais, daí o inverno veio vindo e...

Comprei mais duas outras sandálias, cada uma custava anteriormente cerca de duzentos reais e paguei menos de sessenta em cada! Lindas, de excelente qualidade (porque, mesmo sendo saldo, tem que ser coisa boa - senão não levo...).

Não achou grande coisa? Como se diz, "Gosto não se discute"... Se todo mundo achasse bonita como eu acho, não tinha encalhado na loja e virado saldo. Mas, mesmo sem gostar, não pode deixar de concordar comigo que foi um achado, não é?

Jesus dizia que o corpo valia mais do que a roupa - e, nesse caso em particular, é mesmo muito verdade... A mulher que compra uma sandália de três mil reais e eu, com minha sandalinha de 15 contos, um dia não estaremos mais aqui e o que vai importar é prá onde fomos e não o que usamos nos pés enquanto íamos prá lá: no fim, tudo vai pro lixo, não importa o preço...

Tem gente que pode até criticar, torcer o nariz prá esse jeito de ser econômica, simples... Talvez sejam apenas acostumados a gastar, gastar, gastar... Ou porque nasceram com muito dinheiro no banco ou porque sonham ter muito - então procuram se vestir e calçar com o que tem de mais caro e melhor...

Melhor? Sei não...

Minha irmã foi promovida no trabalho - ela é professora de faculdade, faz pesquisas, cria medicamentos, já viajou prá um montão de lugares no mundo prá lançar os remédios que ela criou... A melhor amiga dela ficou mordida de inveja por causa disso, ficou um cargo abaixo - e daí começou a picotar minha irmã (mostrando que não era amiga porcaria nenhuma...), dizendo coisas do tipo: "Ela não merecia ser chefe de nada, é uma pobretona! Se veste com roupas da Torra Torra, enquanto eu só uso Daslu...".

Mostra o que sabe. Na Daslu, uma blusa de tricô que eu faço com 20 reais custa dois, três mil reais! E prá eles deve ter custado menos que vinte, pois foi fabricada na China...

Cada louco com sua mania... 



E também, que vantagem alguém tem de comer sardinha e arrotar caviar? Nenhuma, né?

Prefiro continuar no trono, governando sabiamente o meu pequeno mundinho - Rosa, a Rainha dos Saldos e Pechinchas. Com muito orgulho.
                 
                   ***
Ai, ai... Sandálias de perua, cheias de brilhinhos... Adoro.

Quando o verão chegar, vão pros pés!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Enquanto isso, no Dia dos Pais...


Um montão de gente lotando os shoppings, comprando camisas polos, gravatas e sei lá mais o que as pessoas compram pros seus pais - e eu aqui em casa, com a máquina de costura e a de overlock atrapalhando a mesa da cozinha, terminando um presente supimpa gastando uma merréca!

Um retalho de 1,5 m de um tecido de algodão bem fininho e delicado, super macio, que é cor de jeans com listrinhas brancas (embora a foto não mostre...)com fio tinto (sem avesso nem direito no pano...), que paguei apenas 4 reais no Varejão Chaves - que rendeu 3 shorts pro "Marildo" usar em casa, descontraído, prá assistir TV na sala ou prá dormir, usando uma regatinha hering:


Mais sete cuecas 100% algodão, feitas com muito amor por minhas mãozinhas velhas, usando retalho da Ronã Malhas - cada cueca saiu por menos de vinte centavos cada uma (preço do tecido, não estou contando o preço da linha nem do elástico, mas custaram baratinho também, pois compro na 25 de março...):

 (As cuecas tem passo a passo nesta postagem AQUI...)


Aliás, por falar na Ronã Malhas: a Fatinha, do Blog Costurar e Renovar fez uma postagem sobre essa loja da qual sou freguesa há muitos e muitos anos (bem AQUI). Graças a ela agora sei que mudou o endereço e logo vou lá conhecer e fazer minhas modestas comprinhas. 

A primeira vez que fui lá foi por recomendação de uma amiga do trabalho, chamada Rose. Era inverno e ela vinha pro trabalho usando uns vestidos bem básicos, de moletom grosso, parecendo regatas, cada dia um de cor diferente. Usava por baixo uma meia grossa de lã, botas e uma blusa cacharrel. Ficava muito linda e ela me disse que comprava o tecido e mandava fazer lá na Ronã, que tinha muitas costureiras e, dependendo do dia, você comprava o pano, encomendava a costura e daí uma hora e pouquinho ia lá pegar a peça pronta.

Naquele tempo eu não tinha tutu prá mandar fazer prá mim - então ficava só na vontade... Comprava moletom prá fazer prás crianças, fazia algo prá mim - sempre gostei do preço, da variedade de malhas e do atendimento...

E a Fatinha me disse que, quando foi tirar as fotos da loja prá por na postagem o gerente perguntou se ela era a "Rosa" - acredita? Me senti famosa!!! Ele disse que gosta do meu blog, o que me deixou super feliz...

Sempre faço tanta coisa boa com os paninhos que trago de lá, sejam retalhinhos ou comprados por quilo ou metro... Como esta blusinha (que tem passo a passo nesta postagem AQUI):


Ou estas roupinhas prá cachorro desta postagem AQUI:


E calcinhas? Quem acompanha o blog já aprendeu a fazer calcinhas comigo, nesta postagem AQUI - super fácil. Todas feitas com retalhinhos comprados na Ronã...



Ah, ainda tem este vestido azul lindo: minha Nana foi num casamento usando ele - e custou pouco mais de cinco reais (os botões foram mais caros que o vestido em si...). Não tem passo a passo dele, pois fiz copiando um vestido que eu tinha - aliás, fiz esse vestido prá mim, mas a Naninha pegou prá ela...



Pois é... Teve até uma vez que eu fiz milagre: com 23 reais eu fiz coisa prá caramba: vestido, camisetas, calcinhas e cuecas de monte... Tá duvidando? Então dá uma olhada nesta postagem AQUI...

Mas, quando eu voltar lá, não vou dizer a ele quem eu sou - ia ficar muito encabulada... Prefiro a tranquilidade do anonimato mesmo... Vai que ele pensa que eu tô querendo tirar vantagem, pedir desconto - eu ia ficar morta de vergonha...

Bom, graças a um lugar como esse é que eu posso fazer muita coisa linda, gastando pouquinho, me sentindo feliz e bem-aventurada por dar ao dinheiro o seu devido valor...

E o Marildo e seu presente do Dia dos Pais? Ele ganhou outros, dos filhos - mas os olhos dele brilharam com um orgulho danado, pois ele bem sabe que eu faço coisa de monte gastando muito pouco...

Agora faz assim: liga prá lá (11/2087-3353) e pergunta se tem o que você precisa. Daí coloca o endereço (Av. Doutor Timóteo Penteado, 1973 - Guarulhos) no GPS e tóca prá lá no domingo, comer pastel e comprar paninhos prá fazer um montão de coisas legais!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Testado e aprovado


Eu sempre falo de como não precisa se privar de uma boa costura por não ter máquina overloque - especialmente se você tem uma dessas máquinas novas e geniais que, apesar de não ter trocentos pontos, tem uns básicos que são mão na roda. 

Quem acompanha o blog sabe que eu uso os pontos elásticos da minha Janome 2008 prá fazer calcinhas, cuecas e costurar blusinhas e vestidos de malha.

Mas aí tá cheio de gente que tem máquinas mais antigas - como  minha própria mãezinha... - que só tem de pontos o reto e o zig zag... Essas pessoas ficariam meio que "chupando o dedo" nessa hora, não é mesmo?

Nããããão!

Quando eu era pequena minha mãe tinha uma freguesa de costura que era uma mulher monumental - gordíssima, mas linda, se chamava Odete. Só usava vestidos de malha, que minha mãe fazia na maquininha velha de guerra, de pedal, que só tinha ponto reto e zig zag. Costurava o vestido inteirinho no zig, na largura 2,5 ou 3 - dependendo da malha - e o vestido aguentava bem as esticadas na hora de vestir. O ponto zig zag tem uma certa elasticidade, e eu fiz a prova:

Dois pedacinhos de malha:

Costurados juntos no ponto zig zag da máquina, na regulagem 2,5:

Cortei um pedaço de mais ou menos 6 cm - medidos na régua:

Usando apenas uma das mãos, estiquei até 8 cm - se tivesse alguém prá fotografar, esticava até mais (mas é difícil esticar com uma das mãos velhas enquanto a outra fotografa...).

Do lado de fora, a costura fica ótima:

Corta com carinho, costura com o zig zag, compra uma agulha de ponta dupla (o único cuidado é reparar se o pé calcador da tua máquina tem espaço prá aguentar duas agulhas descendo ao mesmo tempo...) prá fazer as barras e manda a insegurança prá lá - costura mesmo!

É como eu já falei: pega uma camisola velha e usa ela de cobaia, testa o ponto, corta uma calcinha, uma regata - mesmo se depois for jogar no lixo, mas pega prática. Depois você encara corajosa qualquer paninho...

E se errar, põe na conta do aprendizado - se você tivesse pagando um curso de corte e costura não tava desembolsando dinheiro? Então gasta com uns retalhinhos e ensine a si mesma, que nenhuma professora quer tanto ver o teu sucesso quanto você mesma...

Quer mais dicas de como costurar malha? No blog da Elisana tem: COSTURA QUASE RETA - uma brasileira se virando mais que bem na terrinha do Tio Sam...

Agora você não tem mais desculpa prá não costurar malha, se a maravilhosa e abençoada máquina que você tem só faz dois tipos de pontos - qualquer mulher de boa vontade e talento se vira com o que tem e faz bonito, sempre!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Não pode faltar - de jeito nenhum.

Ahhh! Que lindeza... Tão bem vestida, penteada, batonzada - e, prá completar, esse ar de alegria ao se ver tão bela, espelhada nas panelas... Sonho de consumo masculino, não é mesmo? Porém...

Se tem algo que eu acho o maior desperdício de tempo é perder tempo precioso na cozinha. Tá, tem horas em que a gente não escapa, como quando faz macarrão ou nhoque fresco - mas aí não tem jeito mesmo, é mão na massa (fazer o quê, né?). Macarrão até dá prá comprar industrializado, pois tem marcas que são maravilhosas - como Barilla e Divella, por exemplo. Mas nhoque? Faça-me o favor! Os que a gente compra na área de refrigerados dos supermercados são umas bolotas de farinha dura e intragável - não me admira tanta gente não gostar de nhoque. Prá valer mesmo a pena o nhoque tem que levar batata ou mandioca (até abóbora fica bom), prá ficar diliça e desmanchar na boca - e, nessas horas, nunca falta na minha cozinha purê de batatas desidratado - dessa marca é a melhor:

Você hidrata com um pouco menos de água ou leite morno do que manda na embalagem. Junta um ou dois ovos (dependendo do tamanho), uma colher de manteiga, salga e tempera (pode por queijo parmesão ralado, ou gorgonzola, ou provolone...) e, com a mistura já bem fria, vai pondo farinha até dar prá fazer aquelas minhoconas - daí corta, enfarinha e cozinha em água fervendo - simples, né? Nada de perder tempo cozinhando e esmagando batatas - até porque, dependendo do tipo de batata, acaba levando farinha demais... E na hora do molho, se você gosta de gorgonzola - derrete manteiga ou margarina na frigideira, junta um bom pedaço de gorgonzola, umas colheres de água e deixa desmanchar bem - daí é só misturar com o nhoque cozido - bom demais.

Mas a postagem de hoje é sobre ítens muito mais simples, que facilitam a beça a nossa vida na hora de preparar a comida - tipo estojo de primeiros socorros culinários. 

Primeiro: congelados.

Desde que inventaram os enlatados nossa vida ficou muito mais fácil - mas os congelados vieram prá enterrar as latas de vez, principalmente porque são mais frescos e saudáveis. Ervilha em lata - ô coisa nojenta! Não suporto, acho que a única finalidade de uma lata dessas é usar como arma - leva uma na bolsa e, se alguém vier te assaltar, atira em cima e sai correndo. 

Quer coisa melhor e mais simples: ervilha congelada. Você compra uns pacotinhos, deixa no freezer, descongela no microondas (ou deixa descongelar naturalmente) e faz um risoto delicioso, juntando ela no arroz previamente cozido, com manteiga e queijo ralado fresco. Ou usa ela na maionese, juntando cubos de batata e cenoura cozidos, maçã verde picada, uva passa - experimenta que você vai sentir a diferença. A ervilha em lata é molenga, sem gosto nem textura.

Milho verde congelado: a salvação da pátria. Descongela e faz com ele um gostoso strogonoff: frita uns dentinhos de alho, junta tomate picadinho, refoga, junta o milho, tempera ao teu gosto e, por fim, acrescenta creme de leite leve - só um pouquinho, prá criar aquele creminho que casa tão bem em cima do arroz branco... Ah, e enquanto estiver fazendo o strogonoff, que tal grelhar uns pedacinhos de peixe congelado?

Se eu posso dar uma sugestão de peixe gostoso e fácil de fazer é o peixe chamado PANGA. Não é um peixe nacional - acho que vem da Coréia - mas é mil vezes melhor que pescada ou qualquer outro peixe que a gente possa fazer grelhado. Primeiro pelo sabor, que é muito bom (o preferido do Marildo).  Segundo pela firmeza e pela textura, que são excelentes; nada de peixe se desmantelando na frigideira ou no grill. 

Eu ponho um pouco de óleo na frigideira anti aderente, coloco os pedaços congelados mesmo:

 Daí ponho um tiquinho de sal (ou Fondor) por cima, uma pimentinha, espremo um limão, tampo e deixo no fogo lento, enquanto faço as outras coisas. Olho de vez em quanto, prá ver a quantas anda, viro com uma espátula até pegar uma cor dourada assim:



Tá vendo só? Mesmo quando a gente tá meio atrapalhada e esqueceu de descongelar o peixe tem remédio: é só ter o peixe certo no freezer...

Espinafre congelado - muito bom prá colocar num risoto, com queijo ralado, umas colheres de requeijão - Hummm! Ou fazer uma fritada, com ovo batido... Ou rechear um canelone com ricota esmagada e o espinafre descongelado, refogado e passado no processador ou no liquidificador. Daí cobre com molho de tomate e muito queijo ralado - que ninguém é de ferro e a gente merece ser feliz...

E por falar em molho: nessa hora eu não me nego ir prá cozinha. Já experimentei todo tipo de molho pronto industrializado e todos são uma porcaria. "Pórca miséria", o que que custa fazer um molho gostoso? Uns dois ou três dentinhos de alho picado, frita no azeite ou no óleo. Quando estiver fritinho acrescenta um bom extrato de tomate - ou duas latas de tomate pelado batidas no liquidificador, se você quer dar um ar caseiro. Se foi o extrato, acrescenta duas latas de água. Salga, coloca uma pimentinha e tempera como você quiser: azeitonas picadas, pimentão, orégano, cheiro verde, manjericão - não precisa por todos esses temperos (aliás é melhor experimentar um em cada ocasião, assim você faz molhos diferentes e descobre qual é o teu favorito...). Cheiro verde - salsa e cebolinha? Chega da feira, lava, pica, coloca num pote e leva pro freezer - vai sempre estar lá te esperando, prontinho, sem dar nenhum trabalho. Mas - sinceramente -  molho pronto é um sacrilégio com o macarrão - se eu fosse um espaguete, eu escorregava prá fora do prato antes de ser contaminado por ele.

Prá terminar essa postagem - que já está longa demais - meus dois amores do coração: alho frito e cebola desidratada.

O alho frito é um velho conhecido dos pizzaiolos: é ele que a maioria das pizzarias de bairro joga em cima da pizza de alho - dããã. É miudinho, crocante, se não deixasse a gente com bafo eu comia quinem salgadinho - ô diliça. Além disso é bem prático: terminou de cozinhar o feijão? Joga uma colherinha (chá) dele, salga, põe uma casquinha de provolone e dá uma regada de azeite - experimenta só prá ver que gostoso que fica! Tá atrasada prá fazer o arroz? Usa o alho frito em vez de perder tempo descascando, picando e fritando alho fresco. No molho, no macarrão alho-e-óleo... Qualquer coisa vale prá economizar nosso precioso tempo...

Cebola desidratada: é um recurso maravilhoso e que, de quebra, tem um algo mais: sabor. Você aquece o óleo no fogo branco, joga uma colher de sopa de cebola desidratada e assiste em segundos ela ficar um tantinho de nada mais moreninha: o cheirinho que sai é incomparável, coisa que a cebola fresca não tem. 




E se você jogar uma xícara de azeitonas pretas tipo azapa (tira o caroço...) no liquidificador com suco de limão, bater e acrescentar nessa cebola frita vai ter um molho diferente e genial, pronto em minutinhos, que vai deixar todo mundo espantado com o sabor.

Cozinhar tem que ser assim: rápido, prático - mas muito gostoso...

Reparou na cara da mulher no início do post? Pois é... Aposto que tem gente por aí pensando que eu, com todas as minhas prendas, sou mais ou menos como ela, não é mesmo? Que horror! Dá licença, né? Passar horas ariando panelas, prá no fim comer comida cheia de alumínio? O maior prazer da minha vida é ser a dona de casa perfeitinha e sorridente? 

Há, há - foi-se o tempo... Hoje em dia, depois de ter dobrado o Cabo das Tormentas, mais velha e mais sábia, sou muito mais assim:


Essa sim, eu entendo... Dá ou não dá vontade de quebrar tudo com uma marreta?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Um jeito maluco de tecer!


Vocês não vão acreditar: o tecido diferente do casaco dessa mulher, na verdade, não é tecido: é nada mais nada menos que um monte de linha embaralhada, uma bagunça só. E - de repente - mediante a visão dessa artesã, virou uma peça de tecelagem, sem ponto e nem preocupação - só a vontade de criar a partir do próprio Caos!

Essa técnica é chamada de "crazy-vul" ou tecido maluco e a moça fez assim:
Recorta o molde das costas em papel de seda

Faz também os dois moldes das frentes - repare que estão curtos, pois a artesã resolveu criar, em separado, uma pala.

Moldes das mangas

Separe os fios que vão ser o fundo da tecelagem: ela escolheu fios de lãs e linhas brancas, de diversas espessuras  e padrões.

Espalhe os fios sobre o molde, fazendo círculos e mais círculos. Repare que ela se conteve no contorno do molde. Um detalhe: por cima do molde ela colocou um pedaço de véu branco, o que garante que os fios de lã fiquem mais seguros no lugar, sem escorregar no papel de seda.

Agora fios coloridos prá fazer desenhos - ela escolheu um tema floral, então resolveu faer flores em tons de vermelho e amarelo e volhas em vários tons de verde

Olha que genial: ela corta fios e os dispõe sobre a massaroca branca, criando flores malucas e abstratas nos lugares que ela quer que tenha flores em todas as partes da blusa - costas, frentes e mangas.

Usou diversos tipos de fios, prá deixar a flor bem original

Fez botões de flor pequenos...

botões maiores, seus pedúnculos e cabinhos...

Com o tear circular fez pequenas flores azuis

E os arranjou como bem quis

Abusou da imaginação...

Terminado o arranjo, cobriu com outra folha de molde feita em seda...

E costurou tudo, com linha da mesma cor do fundo (branco), em espaços pequenos e mais ou menos regulares, como num quilt.

Trabalha agora as duas frentes

Seguindo o mesmo estilo e design

Flores...

E mais flores. Um lado não precisa, necessariamente, ficar igual ao outro...

Cobre com papel de seda e costura e parte prás mangas:


Depois de tudo feito, é isso o que ela tem. Agora é só tirar o papel de seda com cuidado - o melhor jeito é dar uma enrolada em cada uma das peças, uma torcidinha de leve (bem de leve mesmo, prá não arrebentar a linha de costura) e aí tirar pedacinho por pedacinho de papel até ficar tudo limpinho.

Feito isso é só costurar, como se você estivesse costurando uma roupa na máquina mesmo, ou então costurar à mão, como se fosse uma blusa de tricô ou crochê.  A artesã escolheu fazer uma pala de crochê com umas pipocas, uma golinha mao e terminou arrematando tudo com crochê mesmo. Não ficou demais?



 Ela é especialista nesse tipo de arte - olha só que vestido azul lindo ela fez usando a mesma técnica:

E este vestido preto, com detalhes em laranja? Ela mistura a palinha simples em crochê com o seu tecido único e original e cria peças lindas. 
Maravilhosa! Agradeço a Deus por existir internet - é uma enxurrada de criatividade que inunda minha mente a cada vez que eu me sento em frente ao monitor - e, sinceramente, as artesãs russas tem minha completa e incondicional admiração. 

As peças acima eu vi neste site AQUI.

Mas olha só um casaco Channel  feito na mesma técnica (só que, no lugar do véu - prá dar sustentação - a mulher usou tecido de algodão; ao invés de massaroca de lã buclê, ela dispôs os fios de maneira mais ou menos ordenada):


Imagens tiradas deste site russo AQUI. E, se vocês forem lá, podem conferir o genial passo a passo (um pouco diferente, mas igualmente fácil) da criação desse tecido que imita tão bem a lã...
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