Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

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segunda-feira, 24 de março de 2014

Trapilhooooooo!


Pois é: o que era material prá suprir necessidades básicas na minha infância - como fazer tapetes e cobertas sem gastar um tostão, usando sobras que iam pro lixo de uma malharia perto de casa - hoje se tornou um sonho dourado...

Primeiro eu vi no blog da Nina (O Meu Pensamento Viaja) - ela fez essa bolsa azul linda aqui:

E se a Nina faz, pode crer que tá na moda. Ou vai ficar na moda. Eita mulher chique, já viajou o mundo inteiro mais vezes que o ex-presidente Lula, conhece tudo (e tem um bom gosto de fazer inveja a uma pobre provinciana como eu...). Fala a verdade: que luxo de bolsa, não é mesmo?

Daí ela menciona o blog de onde ela pegou a receita da bolsa - que eu "paxonei", quero taaanto fazer...

É o blog EU TAMBÉM CROCHETO, da Helena. Deixa eu falar: duvido que exista no mundo inteiro e até em algum universo paralelo alguém que entenda mais de trapilhos do que ela - visita o blog prá ver só:

Ela faz bolsas lindas...


Toalhas:

Tapetes:




PANTUFAS!!!



Essas são somente amostrinhas do que tem lá: ela esbanja talento e criatividade e TUDO tem receita grátis!

Então, lá estava eu, obcecada, querendo fazer, achei o tal trapilho prá vender no Bazar Horizonte. Só que, antes de sair comprando, torrando o cartão do Marildo, pensei assim: "Eu tenho um montão de sobras de malha, dos vestidos, cuecas e calcinhas que andei fazendo... Vou fazer meu próprio trapilho prá experimentar!"

E lá fui eu cortar e emendar tirinhas de malha... Dá trabalho, não pensa que é fácil - tem que manter a mesma espessura sempre... E pior: não se escapa dos nós. Prá não ficarem muito salientes, aparecendo tanto e deixando "bigodinhos" prá todo lado, eu fiz assim: um furo na ponta de cada tira, daí enfio a tira nova e passo ela pelo mesmo buraco, bem assim:

Corta as tiras de malha na mesma largura
 
Dá um pique com a tesoura nas duas pontas de cada tira - não muito grande, porque estica e vira um buracão.
 
Passa a ponta de uma das tiras por dentro da outra

E por dentro da tira que você acabou de passar pelo buraco, passe a outra ponta dela mesma, fazendo um círculo.

Daí você puxa com carinho e o nó fica assim: economiza tecido e não fica nem caroço nem bigode de emenda.

Fica mais fácil vendo o desenho no Paint que eu fiz:



Então, feito isso, enrolei as bolotas de trapilhos e fiz uma pantufa (prá esquentar meus pezinhos velhos e cansados...) e um cestinho, bem básico, prá sentar no sofá fazendo um crochê ou uma costurinha.

E eles ficaram assim:


Não, não! Isso é um bolo que deu errado!


Vixe! Tá até parecido, mas não - isso é arroz queimado...


Na-na-ni-na-não! Isso se chama carne isturricada!


Credo! É feijão que queimou na panela - (mas até que lembra um pouquinho...)!

Cá estão - as experiências fracassadas números 2.456.789 e 2.456.790:




"Que lixo, Dona Rosa!

"Meritíssimo, eu protesto! Em minha defesa quero argumentar que tenho artrose nos dois polegares. Além do mais, deve-se levar em conta que meu trapilho não é lá essas coisas, é caseiro e cheio de emendas..."


E se posso acrescentar algo mais, desta vez em defesa das peças em questão, as pantufas ficaram deliciosas de vestir (massageiam a sola do pé que é uma beleza) e não escorregam - fiz a prova dos patins no piso: na frente dos meus filhos (incrédulos!) eu simulei que estava patinando e não escorreguei (mas quase que eles passaram mal, de tanto rir de mim - coisas ruins!). 

Mesmo assim, só me deixam usá-las na parte de baixo da casa - nada de subir escadas...


E o cestinho todo deformado - meu Quasímodo...- tá com uma costurinha dentro - um vestido que tô fazendo pro aniversário da minha Lola, que é sábado. 

Duas obras feiosas, mas úteis - encerro meu caso, Meritíssimo.

Agora vocês, caras colegas do júri - não se deixem impressionar pelo meu "crime" - vão lá comprar trapilhos bonitos e fazer muita arte. 

Me arrisco até a dizer, sem medo de errar de forma alguma, que é um jeito maravilhoso de encher o bolso de abençoado dinheirinho: depois de ver tudo o que a Helena faz, vendo como são coloridos os fios e como é rápido de fazer o trabalho, me admiro de como as pessoas ainda não estão ficando milionárias fazendo trabalhos assim - com certeza se vendem sozinhos, só pela beleza.

Tá esperando o quê, muié? Do céu só cai chuva e sujeira de passarinho!!!

(Ah, nenhuma daquelas comidas estragadas é minha - são fotos que achei na net. Nesse quesito, pelo menos, eu arrebento. Agarrei e mantenho o Marildo pelo estômago...)


quarta-feira, 19 de março de 2014

Mais presente!

"Magina" que a filhinha pede uma mão e eu não dou o braço inteiro? A Lola chega e pede: "Faz um amigurumi prá Fernanda, que o aniversário dela é daqui duas semanas?"

Claro que eu faço - mas estendo o presente até um colete de crochê peruano - facinho de fazer, com ar retrô, básico e lindo. Básico porque dá prá usar com quase todo tipo de blusa ou camisa por baixo - vale cacharrel, vale xadrez, vale camisetinha - e lindo porque sim. 

O amigurumi:





Macaquinha linda, feita no mesmo molde do leãozinho do neto - mas com a cabeça em formato de perinha. O rabinho também é diferente - parece uma salsicha. 

Os "Tchans" são os seguintes:

- o rostinho começa pelo focinho: 1 correntinha e daí vai crochetando em círculo em volta dela, aumentando nos cantos, dando um formato ovalado - com a lã amarela. Tudo ponto baixo. Daí, quando chega no lugar que tem que fazer os olhos, escolhe o lugar onde vai colocá-los e faz, com uma distância de 3 pontos entre eles, um lequinho de 5 pts. altos em cada lugar de olho. Com isso você arqueia as sobrancelhas, continua tecendo em ponto baixo mais algumas careiras e troca prá lã marrom clara. Começa a diminuir prá ir fechando a cabecinha e já vai enchendo com plumante: a cabeça vai sendo fechada aos poucos, já fofa e cheinha. 

- o rabinho: 7 correntinhas, fecha em círculo e tece sempre as mesmas 7 correntinhas, mas prá dar a enroladinha (prá não ficar um troço esquisito e esticado...) diminui sempre 2 pontos de um lado e aumenta 2 pontos no lado oposto, mantendo sempre sete. Isso faz ficar enrolado.

- as luvinhas e meinhas: faz em amarelinho que fica mais "macacável".

O colete:



Usei apenas 5 novelos de Mollet, uma agulha de tricô número 20, uma agulha de crochê número 4 e teci a parte das argolas colocando a agulha grossa debaixo do braço, prá dar firmeza.

Receitinha de mãe:

Eu sei, eu sei - tá calor que só a preula prá mexer com lã. Mas...


Esse é o lema da família dele. O da minha é: "Quem meus filhos beija, minha boca adoça"...

segunda-feira, 17 de março de 2014

Perucas, perucas, perucas!!!

Peruca 1

Daqui a alguns anos eu vou jogar a toalha: vou parar de pintar o cabelo - atividade que, a cada dia, me parece mais contra-producente: uma semana depois e a risca branca brilha luminosa no alto da cabeça, lembrando o Pepe Le Gambá, personagem do Pernalonga...


Se me deixassem, fazia isso agora - mas uma filha diz: "Se você fizer isso, mãe, vou me vingar pondo piercing no umbigo!"; a outra diz que vai por mais um na orelha e outro na língua! O patrão diz que não tá na hora ainda, que eu tenho que continuar pintando e que ele me avisa. Só o meu moleque me entende, diz: "Deixa a mamãe fazer o que ela quer! O cabelo é dela! Deixa branco se você quiser, velhinha linda...". 

Ai, ai... 

Daí, fuçando na AliExpress - que vende no mundo todo, inclusive no Brasil, um montão de coisas legais e a maioria com frete grátis - eu achei essas perucas lindas demais, a cinco dólares cada; quero todas:


Vou fazer assim: quando eu aposentar as chuteiras definitivamente, raspo a cabeça careca e, enquanto o cabelo branco cresce livre, eu tampo o ovo cozido com elas (cada dia com uma). Os netos vão achar o máximo, vão pensar que eu sou a avó mais incrível do planeta. Se bobear ainda compro uma coroa de rainha...

Peruca 2

Um dia meu pai tava vindo prá casa almoçar - trabalhava em uma metalúrgica que ficava a 3 quadras de casa. Escutou um garotinho gritando, chorando desesperado, dentro de uma casa - e uma mulher pedindo "Filho! Vai buscar ajuda!". Meu pai pulou o muro e, no fundo do quintal, um garotinho de uns quatro anos estava em prantos, do lado de um enorme buraco - um poço antigo havia cedido e a mãe dele estava lá dentro, toda machucada... Meu pai salvou a mulher e, agradecida, ela disse que ia lhe dar um dos cachorrinhos que ela criava, era só escolher qual queria. 

Ele veio prá casa e contou aquilo prá gente... Eu não dei sossego prá ele, chorei, implorei, até ele me levar lá prá escolher o bichinho. Eram poodles, recém nascidos, mamando na mãe. Um deles - pretinho, miúdo e muito cabeludo - ficava prá trás na hora da mamada (os outros, maiores, eram mais violentos e espertos...).

Eu quis aquele. A mulher ainda disse que era mirradinho, que não ia vingar - mas eu quis porque quis aquele mesmo. Coloquei ele no alto da minha cabeça e falei: "Ó, pai! Parece uma peruca!" E o nome ficou: Piruca (com "i" mesmo...). Viveu quase dezoito anos, adorava gomos de mexerica... Cachorro manso, doce e lindo. Saudade.

Um dia, quando eu já trabalhava no INSS, já era mãe de três e o Piruca já havia morrido há algum tempo, me apareceu o tal menino pela frente - adulto, levando a mãe numa cadeira de rodas, devido a um derrame. Cuidei do benefício dela, não deixei pegarem filas... No fim, o rapaz me agradeceu, perguntou quanto que era pela minha gentileza, que ele sabia que tinha que ter pegado fila e que eu havia facilitado prá ele... Respondi que a mãe dele já tinha me pagado adiantado, com um cachorrinho, quando ele tinha quatro anos - ele não entendeu nada - não lembrava... E eu nunca esqueci.

Peruca 3

Espia como foi que eu fiz a peruca do leãozinho do meu neto:




Que lindinho ele também ficava carequinha, não ficava? Já pensou fazer umas "manchinhas" crochetando círculos e costurando nele? Não ficava uma oncinha linda? Ou então listras e ele virava um tigrinho?

Ah, e se você fizer as franjas grandes, igual de cachecol, dá prá fazer peruca de boneca, com direito a rabo de cavalo, trancinha... Mesmo se a boneca for de pano.


terça-feira, 11 de março de 2014

Você pode fazer uma porção...

... de bichinhos assim - lindos e fofinhos. Vai apenas mudar o comprimento dos braços (maiores prá um macaco...), das orelhas (prá fazer um elefante, que também tem os membros mais curtos e grossos e uma tromba), o formato delas (triangulares prá fazer um gato ou compridas prá fazer um cachorro ou um coelho...). Pode fazer até uma boneca... 

O mais importante é fazer com carinho, porque quem receber vai amar - não vai existir outro igual no mundo e cada pontinho foi feito à mão, pensando em quem vai ganhar o agradinho...

LEÃO DA GRIFINÓRIA

Material: 3 novelos de lã amarela clara prá fazer o corpo; 1 novelo de lã marrom clara prá juba; sobras de vermelho cereja e amarelo ouro pro cachecol; lã preta prá bordar o focinho e a boca; lã azul marinho prá fazer o pulôver; agulha de crochê nº 4 e de tricô número 7; agulha de tapeçaria prá costurar; plumante prá encher; dois botões redondos pros olhos e um frasco preto vazio de shampoo prá recortar o óculos.

Cabeça: começar com 2 correntinhas - a primeira bem folgada - e nela fazer 10 pontos baixos. Na próxima carreira fazer 2 pontos baixos em cada ponto baixo anterior e, a partir daí, ir fazendo aumentos em carreiras alternadas, até chegar a 50 pontos baixos. Tecer sem aumentos por 8 carreiras e, a partir daí, fazer as diminuições inversamente de como foram feitos os aumentos, até ter apenas 20 pontos baixos. Rechear com plumante e reservar.

Focinho: Fazer 4 correntinhas e aumentar conforme o gráfico, somente nas curvas, até ter 22 pontos baixos. Tecer sem aumentos por 2 carreiras, daí diminuir nas curvas até ter somente 18 pontos baixos. Rechear com plumante e costurar na cabeça.

Corpo: Fazer igual à cabeça, mas parar de aumentar quando atingir 46 pontos baixos. Tecer sem aumentar por 16 carreiras, e daí ir diminuindo gradativamente até sobrarem apenas 22 pontos baixos. Rechear e costurar a cabeça.

Braços: começar igual à cabeça, mas parar de aumentar quando tiver 20 pontos baixos. Tecer reto sem aumentos por 13 cm, rechear com plumante e costurar do lado do corpo. Fazer outro igual.

Pernas: começar pelos pés, como se fosse fazer um focinho. Quando tiver 26 pontos baixos, tecer por 2 carreiras sem aumentar e então fazer a ponta do pé, diminuindo somente na curva da frente. O calcanhar não mexe. Quando tiver 22 pontos, tecer reto por 14 cm. Rechear com plumante, fazer outro igual e costurar no corpo. 


Rabo: Fazer 7 correntinhas e fechar em círculo. Fazer 1 diminuição a cada 4 carreiras (vai ficando um cone). quando tiverem apenas 2 correntinhas, parar. Rechear com plumante, costurar no corpo. Com a lã marrom cortar 8 fios de 10 cm, aplicar um de cada vez na ponta do rabinho. Com a mesma lã que foi feito o crochê do rabo costurar com agulha de tapeçaria, enrolando o fio por cima da ponta em que os fios foram pregados, fazendo um carocinho.

Peruca: com a lã marrom tecer um círculo de tricô do tamanho da parte de trás da cabeça do leão. Depois de atingir o tamanho, cortar fios de 10 cm da mesma lã e pregá-los com agulha de crochê em TODOS  os pontos baixos do círculo, da mesma forma como se pregam franjas em cachecol. A cabeleira tem que ficar bem cheia. Não fica bom se pregar os cabelos direto na cabeça do leão, o fundo amarelo aparece e ele fica parecendo a meio caminho da calvície...

Depois de costurado todo o leão, não apare a juba - fica mais bonito com ela meio desigual, descabelada. A mesma coisa a ponta do rabinho...

Cachecol: com a agulha 7 de tricô montar 14 pontos e tecer, avesso em tricô, direito em meia, trocando as cores de amarelo prá vermelho a cada duas carreiras sem cortar o fio - o cachecol enrola naturalmente e a troca de cor desaparece no meio. Tecer por 82 carreiras, arrematar e pregar as franjas, uma em cada ponto de base.

Pulover: Ele é feito as quatro partes em separado até chegar na cava, daí todas as peças são tricotadas juntas, numa peça só, fazendo as diminuições necessárias para o raglã nas intersecções das peças. 

Comece pelas costas: 20 pontos, barra 1x1, 2 carreiras. A partir daí fazer ponto tricô no avesso e meia no direito. Tecer por 14 carreiras e reservar. Na mesma agulha montar os pontos da primeira manga: 12 pontos, mesma barra, para de tricotar na carreira 10. Faz a parte da frente igual às costas e reserva na mesma agulha, daí faz a outra manga igual. Ficam assim as quatro partes na agulha:

Daí tricotar tudo junto, fazendo uma diminuição em cada beirada e duas em cada junção das partes. Quando tiver 26 pontos na agulha tricotar em barra 1x1 por duas carreiras e arrematar folgado, acompanhando o ponto. Costurar a peça com cuidado, no próprio corpo do leão (não dá prá desvestir depois, pois a cabeça é grande. Quando lavar o boneco, lava tudo junto...).

Costurar os olhos onde achar que fica mais simpático, bordar com lã vermelha o raio na testa, e fazer o óculos. 

Fiz assim: recortei um no papel, experimentei como ficava no rosto, fiz os ajustes e daí recortei de uma embalagem de shampoo. Na ponta de cada alça, no local que teria a curva prá enfiar atrás da orelha eu fiz um buraquinho, costurando com lã amarela no rosto do leão onde ficava mais bonito.

As lãs que eu usei: Mollet em quase tudo, menos prá bordar o focinho e prá fazer o pulover. Nessas partes eu usei lã Cristal, da Pingouin, um fio só no focinho e 3 fios juntos no pulover (na verdade eu usei 2 de cristal e um que não tem nome, que era crespinho e só sobrou um tiquinho de nada no cone...).

Então? Tão esperando o quê prá fazer um zoológico inteiro??? 
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