"Maria tá peneirando..."
E a perua passa na rua e a tua boca já enche de água, não é? Já comprou dessa van que passa na rua ou só comeu no quiosque do shopping? É bom demais, né? Tem tantos sabores, tantos recheios... É a cara do Brasil - e ninguém pode discordar de mim: com um cafezinho: Hummmmm!
E a ideia de fazer uma postagem sobre tapioca aconteceu assim: nem bem voltei do sítio lá fui eu no Supermercado Sonda, comprar umas besteirinhas que tavam faltando. Daí, no corredor de refrigerados (onde fui atrás de manteiga - as margarinas que me perdoem, mas natural é sempre melhor em sabor e saúde) e lá estava minha enteada e, de costas, a mãe dela. Eu brinquei: "Trouxe a sua irmã prá fazer compras?" - porque ela tava linda, botinha de salto alto, calça jeans destroyed, camiseta preta bem justinha e cabelo de escova. Ai, pensar que eu tive tanto ciúmes dela, por ser mais bonita, mais nova, mais endinheirada... Por ter sido o primeiro amor do meu "Marildo"... A gente sabe nada quando é jovem, só vivendo é que a gente aprende...
Ela escutou a brincadeira, sorriu e veio me abraçar e beijar, toda feliz - sabe que o elogio não é da boca prá fora, gosto dela mesmo...
Quase três anos atrás ela sofreu muito. O marido dela teve câncer na próstata, que passou pro fígado, depois pros ossos... Foi um sofrimento que ninguém no mundo merece, uma coisa absurda - e ela não arredou o pé do lado dele. Eu assisti de longe, imaginando um pouco o sofrimento. Ele faleceu e minha enteada estava grávida, dois meses depois nasceu o bebê. Lá estávamos nós três no Hospital, prá assistir o parto: ela (a avó materna), a sogra da minha enteada e eu (a avó penetra). Foi lindo, chorei feito criança... E ela tava tão abatida, tão acabadinha... A pele toda manchada e ressecada, os cabelos parecendo de boneca velha, com umas quatro cores, sem vida nem brilho. Vestida de qualquer jeito...
Parecia sabe o quê? Aquelas esposas de faraó, que eram enterradas vivas junto com o marido quando ele morria...
Eu nem sabia o que falar - vai que eu tento ajudar e pioro as coisas? Podia se ofender e, além do mais, cada um tem que superar suas dores no seu tempo...
Daí, no almoço de Natal, lá estava ela toda arrumada, maquiada, bem vestida! Remoçada. Conversando comigo minha enteada me contou que o sofrimento do padrasto era tanto, mas tanto, que nem morfina resolvia. Só o que aliviava um pouco era ela abraçar as pernas dele, daí ele conseguia dormir um pouco... Ela ficou do lado dele, em casa e depois no Hospital do Câncer, dia e noite. Nem banho tomava, não se alimentava direito...
Daí ela mesma me contou que uma "amiga" zombou dela, de como estava acabada e foi assim que ela reagiu - "amiga da onça", mas que acabou lhe fazendo um favor...
Tá namorando um homem dez anos mais jovem, todo marombado, fica mostrando fotos dele tiradas no celular prás minhas filhas, agindo feito adolescente de novo - bom prá ela. A gente tem que ser feliz, não é mesmo? Ainda mais uma mulher de valor como ela, que fez direitinho a sua parte na hora do aperto...
Bom, e lá estava ela no supermercado e veio me pedir prá ensinar a fazer tapioca - que a filha dela disse que as minhas são as melhores...
Ali mesmo ensinei rapidinho - que é muito fácil. E olha só que curioso: uma amiga também pediu prá eu ensinar a fazer tapioca, através do facebook...
Então: tem de vários tipos - eu faço de dois: a salgada, com recheio de mussarela (mas você pode rechear do que quiser...) e a doce (que eu faço de coco). Na postagem de hoje vou ensinar a salgada, amanhã ensino a doce - senão a postagem fica grande demais.
Você vai precisar de:
Polvilho azedo (daqueles de fazer pão de queijo); água; sal; manteiga derretida; fatias de mussarela. Uma frigideira com anti aderente e uma espátula.
O polvilho tem que ser hidratado com água e tem uma proporção: quatro partes de polvilho prá uma e meia de água - mas isso não é exato, pois depende do polvilho que você vai usar. O polvilho que eu uso é este aqui:
Coloque numa vasilha grande o polvilho (quatro xícaras) e salgue um pouco (uma colher de chá de sal). Se for fazer tapioca doce coloque umas três colheres (sopa) de açúcar e umas gotinhas de baunilha prá ficar supimpa. Mexa bem e jogue uma xícara de água. Se for fazer doce pode substituir parte da água por leite ou leite de coco. Mexa bem (com as mãos), desmanchando os caroços que ficam.
Vai jogando o restinho da água que falta aos poucos: não pode ficar muito molhado, senão vira uma maçaroca e também não pode ficar seco, senão não dá liga...
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Daí tem que peneirar - senão os caroços não desmancham e a pessoa que vai comer come bolotas de pó...
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Fica uma farinha granulada desse jeito, cada bolotinha bem pequenininha. Você pode guardar essa farinha num pote, na geladeira, por até uma semana e ir fazendo tapiocas todo dia.
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Daí apronta tudo o que você vai precisar: a farinha granulada, a manteiga derretida e a mussarela fatiada.
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Esquenta a frigideira antiaderente - sem untar com nada, a frigideira sequinha. Vai jogando a farinha com a colher, espalhando pelo fundo uma camada homogênea. Numa frigideira de 20 cm de diâmetro eu coloco de quatro a cinco colheres de sopa. Pode colocar mais, se quiser a tapioca mais gordinha, mas eu e todo mundo aqui em casa preferimos mais fininha. Fogo baixo.
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Todo o fundo tá coberto e o calor da chama tá fazendo as bolotinhas se fundirem umas nas outras, se abraçando e formando um tipo de crepe, como uma panqueca sequinha.
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Joga uma colher de manteiga derretida de um dos lados da tapioca - assim ela fica mais úmida e saborosa.
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Por cima da manteiga coloca o queijo.
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Agora repara numa coisa: as beiradinhas tão se levantando - sinal que a massa tá quase cozida (você não quer comer tapioca crua, né?)
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Então, já que as beirinhas já levantaram, pega uma espátula e dobra a tapioca. Pode enrolar quiném panqueca, faz do jeito que você mais gostar, a tapioca é tua.
Reparou nos farelinhos que ficam na frigideira? Depois que acaba de fazer cada tapioca, passa a espátula na frigideira e joga eles fora, senão eles acabam fazendo parte da próxima que você vai fazer e eles ficam duros como grãos de areia, horríveis de se morder...
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Vira a tapioca do outro lado, prá terminar de derreter o queijo bem e ficar bem cozidinha.
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Vai amontoando elas no prato - nesse dia o lanchinho foi tapioca, cinco prá cada, meus filhos e o Marildo "deitaram o cabelo" nelas... Pelo Marildo teria cinco quilos de queijo dentro de cada uma, mas as crianças gostam assim - e não se brinca com o colesterol na idade da gente...
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Por dentro ficam assim: molinhas, queijosinhas, gostinho suave que lembra pão de queijo.
Ficaram fininhas demais pro teu gosto? Faz gordonas! Recheia com queijo e presunto, com frango, sei lá, inventa um recheio!
Faz doce, com recheio de coco fresco, doce de leite, pêssego em calda fatiado e chocolate branco...
Achou difícil? É não.
Faz assim: experimenta fazer uma só: cinco colheres de sopa de polvilho azedo, uma colher e meia de água, uma pitada de sal. Peneira com aquela peneirinha de coar chá. Faz só uma prá pegar o jeito, perder o receio...
Garanto que você vai querer ter essa farinha num pote na geladeira prá fazer uma na hora do café, fresquinha e quentinha... Prá oferecer prás Migas quando vem te visitar... Pros filhotes quando voltam da escola... Pros netinhos.
Ah, não presta fazer e guardar prá depois: fica ruim, perde a maciez. Tem que fazer na hora e comer quentinha, tá bom?
E amanhã eu ensino outra, tão gostosa quanto, que é doce e gordinha, lembra uma cocada, feita com tapioca mesmo...
Mas tenham consciência de uma coisa: uma vez que você faz a primeira, tua família vai querer sempre - ainda mais quando a perua passar na tua porta tocando a musiquinha... Daí vocês estarão condenadas a fazer, prá sempre e sempre, pois ficam deliciosas...
Cozinhar bem é uma bênção - e uma maldição...
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