Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Bem fresquinha

Porque o fio é 100 % viscose - a amada de todas linha Susi:





Mas como essa linha é cara, fala a verdade... Um novelinho de apenas 200 metros custa em torno de 10 reais!!! Essa blusa, feita com fio Susi usado duplo gastou 2 mil metros - o equivalente a dez novelos (custo astronômico e obsceno de 100 reais!)!!! Aí alguém vai dizer: "Mas Dona Rosa, a senhora não era a Rainha da Pechincha???"

E sou mesmo, auto-coroada e totalmente merecedora do título, mesmo com essa blusa: a linha Susi veio de um saldo:



2 novelos de 1000 metros (que eu nem sabia que existia!) comprados numa loja em Itapetininga, nas minhas últimas férias no sítio, cada um pela bagatela de 15 reais apenas - só porque estavam com manchinhas de ferrugem (que eu tirei super fácil com Tira-ferrugem comprado no supermercado...). 

A loja estava liquidando um montão de coisas a preço de banana prá fazer a mudança prá outro local mais chique e eu comprei esses dois cones, além de um monte de botões avulsos... Minha ideia era tecer na máquina uma blusa fininha e bem fluida, que ia parecer tecida por fadas - mas quem disse que o fio colaborou? Se alguém souber como se usa Susi na máquina de tricô me dê uma dica, pois perdi um bocado de fio esmarafunhado...

Bom, receitinha de mãe:


Você começa a crochetar pelo alto do ombro, tece reto até a altura que termina a manga. Daí diminui e continua tecendo mais 17 carreiras. Com isso você teceu a parte das costas, que fica assim:


Daí você emenda o fio de novo onde começou e começa a tecer a frente e faz como nessa segunda parte da receita, prá ficar com a mesma abertura bonitinha nos ombros:


Fica bem assim:


E na minha Naninha os ombros ficaram assim:




Então o "Marildo" vê a Naninha vestida com a blusa prá tirar as fotos e fala que é a blusa mais linda que eu já fiz - só que ele diz isso sempre, a cada blusa que eu termino. Espero nunca perder a magia de encantar Sua Majestade...

Daí, prá arrematar, em volta de tudo fiz uma carreira de ponto baixo e outra de ponto caranguejo - que eu acho delicado e muito bonitinho... 

Fiz mais uma coisa: pintei novamente o cabelo da Naninha, desta vez de roxo. Espia como ficou lindo:


Mas acho que minha cor favorita de cabelo ainda é a verde...

Agora - voltando à blusa. Detalhe do ponto da parte de cima:


Detalhe do ponto da parte de baixo:


Parecidos, mas diferentes. Não fiz a blusa inteira com um ponto só por dois motivos: variar o ponto faz ficar mais bonito, eu acho... E também eu tinha medo da linha não dar, então na parte de baixo fiz um ponto mais aberto, que fez a linha render mais...

Se der prá vocês tecerem com Susi, se tiver um precinho bom aí onde vocês moram, teçam. Vale a pena, tem um brilho lindo, uma maciez incomparável. Derretida e geladinha como a gente gosta de usar no verão. Mas, se não der, façam de Anne mesmo, usem uma linha que vocês sintam o toque nas mãos e saibam que vai ficar gostosa de vestir - além de bonita.

Uma dica: a linha Sonho, da Pingouin, é uma linha tipo fita (como a falecida Neoné, só que com menos brilho...). Ela é 100% poliamida (super macia e derretida...), cada novelo tem pouco mais de 100 metros e tá custando só R$2,50 no Bazar Horizonte (clica no nome do bazar que você vai direto no link dessa linha...). Dez novelos dá 1000 metros (mas compra uns 12, só por via das dúvidas...), você vai gastar ainda menos do que eu prá fazer a tua blusa (mas vai precisar de agulha mais grossa e de menos pontos prá fazer e, prá tua sorte, vai ficar pronta ainda mais depressa... Ah, e tem branca, tem preta, tem vermelha, tem tudo que é cor...). E é super confortável de usar, coisa prá lá de importante: porque conforto tem que vir sempre antes, pois essa vida já judia demais da gente, não é mesmo?

Bons crochétis e bom feriado!


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Filomena



Quando Filomena era ainda uma menina, recém chegada de Portugal, perdeu a mãe para o tifo. O pai, de desgosto, se acabava em bebida: tendo chegado no Brasil (como muitos imigrantes) com a intenção de prosperar, se viu derrotado pela dor da perda e, mesmo tendo por companhia a menina, desistiu de lutar.

Do jeito que as coisas iam logo estariam mortos ou relegados à caridade alheia... Moravam num quarto, na primeira casa de cômodos que abrigou meu avô e minha avó logo que foram morar juntos - uma maneira bem comum dos portugueses recém chegados arrumarem um ganha-pão: construir uma casa grande rapidamente e alugar os quartos para os recém chegados do Velho Continente.

Filomena foi crescendo e se alimentando da piedade dos outros moradores da casa, pois seu pai - como eu já disse - só prestava prá se acabar em auto-piedade...

A menina estava quase beirando a adolescência, aos 10 anos, mas já se via que era bem bonita, com quem minha avó simpatizou à primeira vista (pois foi por essa época que as duas se conheceram...). Meus avós alugaram ali um quarto provisoriamente, enquanto meu avô levantou sua primeira casa num terreno próximo.

Alguns meses depois meus avós se mudaram dali prá própria casa e apesar de não estarem longe, pouco se viam: minha avó - que já tinha um filhinho quando foi morar com meu avô - ficou grávida algumas vezes, perdeu as crianças e vivia com seus próprios afazeres e problemas.

Meu avó trabalhava no que dava - ajudou a construir estradas de ferro, assentar os dormentes, levantar as estações - mas também vendia leite das vacas que ele criava...

Uma das freguesas assíduas era a dona da casa de cômodos onde Filomena ainda vivia - a quem meu avô quase nunca via, pois entregava o leite muito cedo...

Uma madrugada, no entanto, quando meu avô estava a entregar o leite, reparou numa confusão acontecendo na casa, uma gritaria, um quebra-quebra! Escutou a menina chorando, gritando com outro morador da casa:

-"Você tem que se casar comigo, eu tô esperando filho! Você desgraçou a minha vida, abusou de mim, pelo menos isso você me deve!!!"

E o homem, muitos anos mais velho do que ela, respondia rindo que não tinha nada que ver com isso, que ninguém podia obrigá-lo a se casar...

-"E quem vai me obrigar? O bêbado do seu pai?"...

E a pobre da Filomena só chorava, uma menina ainda...

Bom, meu avô tinha um outro freguês assíduo do leite das vacas dele: a Delegacia de Polícia, que também comprava os pães que minha avó assava prá dar alimento pros presos...

Naquela manhã meu avô chegou pro delegado e pediu um favor - e meu avô era um homem muito simpático, era amigo de todo mundo... Pediu pro delegado ir até aquela casa, obrigar o tal homem a casar com a Filomena - e o delegado foi. 

Nem bem o casamento se realizou, forçado mesmo, o homem cuspia palavras revoltadas na cara da menina:

-"Eu posso ter sido obrigado a me casar com você, mas ninguém neste mundo pode me obrigar a ser teu marido!"

E Filomena, feliz e satisfeita, respondia que não precisava: que ela era uma mulher casada e que o filho não ia ser bastardo. "Preferível ser mulher largada do marido que ser mãe solteira...".

Mas - naquele mesmo dia - depois de ir embora, o homem (que se chamava Juvenal) voltou trazendo uma cama de casal comprada de segunda mão na traseira de uma carroça e foi marido prá Filomena por toda sua vida - entre tapas e beijos, mas foi...

Tiveram dois filhos - somente dois. A primeira se chamou Olívia e foi a paixão declarada de todos os meus tios, irmãos de minha mãe. Era linda como uma estrela de cinema e era bem consciente disso. Conta minha mãe que ela fazia meus tios de gato e sapato, brincando com os sentimentos de todos - tem mulher que já nasce assim, espevitada...

Ao ficar maior de idade fugiu de casa: foi pro Rio de Janeiro virar artista. Virou dançarina daqueles cabarés de antigamente - vedete, era como se chamava...

Já o filho, que recebeu o mesmo nome do pai, era muito quieto - o tipo de pessoa que parece ter nascido com a pilha fraca, sem iniciativa prá nada, a chama da vela apagada... Nunca se casou, nunca construiu nada, nunca fez nada que fosse digno de nota - talvez só morrer atropelado pelo bonde, pobrezinho. Por isso saiu o nome dele no jornal...

Eu me recordo de sempre chamar Filomena de "tia" - e só descobri já adolescente que ela não tinha nosso sangue... Era difícil o mês que ela não vinha visitar a gente - e eu adorava, deixava de brincar com minhas amigas prá ficar perto, ouvindo as conversas da minha avó, da minha mãe e dela. Parecia uma viagem no tempo, tantas lembranças elas compartilhavam, tantas risadas, tantos pesares...

Foi por esse tempo que eu descobri que adorava gente velha, ouvir suas histórias...

Filomena tinha um cheiro esquisito - minha avó dizia que ela tinha medo de escorregar no banheiro então tomava banho de paninho molhado sentada numa cadeira e depois se enchia de talco, prá ficar mais cheirosa: o fato é que se enxergava talco nas dobras dos braços, do pescoço e até na raiz dos cabelos brancos coloridos de lilás com água de violeta genciana: batom vermelhão naquela boquinha murcha, pulseiras e anéis de bijuteria descascada pelo tempo e pela oxidação, as meias bege escorregando dos joelhos porque o elástico era velho. Uma figurinha doce e engraçada, de risadinha infantil a contar vantagem:

-"Sabia, Rosinha, que minha filha Olívia foi muito linda quando moça? Foi até amante do presidente Getúlio, até a Virgínia tirar ele dela...".

Essa era a Virginia Lane - prá quem não conhece... Teve mesmo um relacionamento com o Presidente Getúlio Vargas por 10 anos...

E eu concordava com a cabeça, embevecida pela imagem de uma Super-Olívia que eu nunca vi - pois tia Filomena não tinha nenhuma foto dela prá mostrar - de pernonas de fora, roupas minúsculas cheias de pedras preciosas e plumas de pavão a rebolar com as músicas, como nos filmes do Oscarito...

Depois que minha avó morreu ela ainda apareceu prá visitar algumas vezes, mas o tempo também se abateu sobre ela: as pessoas velhas vão perdendo as forças à cada amigo que se vai e minha avó levou um pouquinho da força dela embora, infelizmente.

Um dia ela simplesmente não voltou mais...

Mortos os filhos, nunca teve netos... Dela só nos lembramos eu e minha mãe - meus irmãos nunca deram atenção, quando falamos no nome dela eles nem sabem quem é...

Grande parte das histórias acontece assim, pouquíssimas testemunhas... Parece até sem sentido passar pela vida e, um dia qualquer, só porque o relógio pára, desaparecer por completo da face da Terra...

Mas cada linha escrita pela nossa passagem pela vida tem também as suas entrelinhas - essas escritas pelo destino (ou, mais precisamente, por Deus...). As vidas se tocam mutuamente...

Meu avô e minha avó, a menina Filomena e seu pai; o homem que abusou da menina e que foi forçado a se casar com ela... O delegado de polícia... Meus tios, a linda Olívia e o Presidente do Brasil: cada história se tocou em algum ponto e seguiu adiante, transformada mesmo que de leve... 

Todos eles já se foram e também fizeram, de uma forma ou de outra, parte da minha própria história... Porque afinal também as histórias anônimas acabam sendo contadas por alguém, em algum momento: elas também anseiam por serem lembradas, por não serem tão facilmente esquecidas...  

E assim aqui estou eu, a caminho de ser o meu tantinho igual a Filomena, carregando comigo o peso do tempo e uma mala cheia de histórias prá contar, sabendo que - de uma forma ou de outra - continuarei sendo lembrada...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Enquanto isso...

Enquanto me arrasto pelos quartos do meu castelo, nessa tortura diária que significa ser dona de casa - cujo trabalho nunca acaba e no qual a única coisa que é abundante é a sujeira que se multiplica como fazem os coelhinhos de pó (que pena que isso não acontece com o dinheirinho que encontro nos bolsos das calças do Marildo quando as passo à ferro...) e enquanto sou forçada pelos filhos das minhas entranhas a ir nas infindáveis consultas médicas, eu ainda acho tempo de:

(I) Fazer uma luminária usando um pote vazio de alguma coisa:




Lindinho, né? Dá uma quebrada naquela luz forte da lâmpada e não permite que ninguém caia da escada durante a noite...

E para quem estiver interessada em saber: o brilho das paredes é verde porque as janelas que ficam no alto da escada tem vidros verdes - acho repousante...

Fiz a luminária assim: Com uma faquinha velha esquentada na chama do fogão eu abri um buraco na tampa e encaixei o soquete da lâmpada. Prendi bem ele com o uso de durepox. Daí é só enroscar a tampa de novo no corpo do pote, todo furado com o auxílio da faca quente novamente. Vocês que são mais caprichosas podem fazer estrelinhas com uma mini-retífica e daí fica lindo no quarto do filhinho...


(II) Recauchutei uma camiseta do Bob Esponja:

Era do meu garoto, nos tempos da entrada na adolescência. A bem da verdade ele não usou muito, apesar do tamanho era crianção de tudo e adorava Bob Esponja, tinha dó de gastar a camiseta, então ela tava semi-nova. Daí ele abandonou a coitada de vez e disse que eu podia doar e eu resolvi aproveitar prá Naninha.

Como as cavas eram muito grandes eu cortei toda a parte de cima, reduzindo a abertura delas. 

Daí resolvi fazer a frente virar as costas - colocar essa carona enorme do Bob Esponja prá trás, que chama muita atenção. Reparem que eu tinha aparado tanto a frente quanto as costas acompanhando o decote da parte de trás, que na hora de cavar a frente fica fácil...

Retirei a costura das cavas - porque camisetinha de menina é mais cavadinha... - e, feito isso, comecei a cortar o decote da frente, no olho mesmo. Fiz metade de um lado...

Dobrei a parte do decote recém cortado e cortei o outro lado igual.

Feita a arrumação da frente, bem cavadinha, volto minha atenção para as costas... Aí o decote é feito mais prá cima, que é prás alças não ficarem caindo e as cavas dos braços também são um tiquinho menos abertas - prá esconder melhor as laças do sutiã...

Ficou assim. Também dei uma leve acinturadinha na blusa, prá ficar mais feminina, pois o corte era reto.

Depois da camiseta costurada preguei em toda a volta do decote e das cavas um viés de malha preto, com ponto elástico da minha Janome 2008. Virei prá dentro e prendi com pontinhos miúdos à mão e ficou um acabamento bem delicado e bem feitinho...

E ficou assim na frente - fiz um lacinho de malha e preguei com um botão de coraçãozinho da mesma cor da camiseta - não ficou lindo?

O detalhe do lacinho fez toda a diferença...

Assim ficou nas costas - é preciso ser jovem e ter coragem prá usar, pois chama mesmo atenção. Por sorte o cabelo dela já alcançou quase o quadril, então...

(III) Levar a mãezinha velha no médico - que se eu não levo, ninguém leva... Os outros irmãos acham que minha vida é mole e que a obrigação é só minha - daí eu engano eles, pois não é obrigação: é prazer. Minha mãe pode tá velhinha, pode ser rabugentinha, briguenta mesmo - mas continua sendo meu amorzinho.

Assim não sobra quase tempo nenhum pro blog, pro Face menos ainda - me desculpem as amigas que fazem aniversário, parabéns e felicidades à todas, mas eu já durmo menos de 5 horas por dia...

(IV) Ah, ainda acabei uma blusinha de tricoline (que já tinha mais de ano tava  a meio caminho andado, guardada numa caixa de papelão...) prá Naninha, olha só que linda:



Preguei a rendinha gripure na mão mesmo, mas acho que vou tirar - sem ela acho que vai ficar mais bonita, menos chamativa a blusa (o que vocês acham?)...

Então, até outra hora, quando der tempo!


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mochila infantil

Aqui é minha Nana posando com ela:



Charmosinha, né? É muito fácil de fazer, tem bolsos, tem aquelas alças que a gente puxa e franze bonitinho, deixando o conteúdo da mochila bem guardadinho. Fiz prá minha sobrinha-neta Manoela, pros dias que ela for comigo na Biblioteca emprestar livros...

Você vai precisar de:



Eu usei: as pernas de um macacão velho da Naninha (que agora virou macaquinho e tudo bem, pois servia no corpo dela, mas não no comprimento...); Um retalho de oxford laranjão, outro retalho amarelo estampadinho de tricoline, linha de costurar amarelo ouro e, ao invés de alças compradas prontas de cordão, fiz o cordão com linha Anne na máquina de tricô. Se você não tem, não tem problema: Faça as alças de tecido mesmo: corte 2,30 m x 8 cm do tecido que você quiser, dobre as duas bordas prá dentro duas vezes e depois dobre ao meio e passe uma costura reforçada - você vai ter alças muito boas.


Essa sacolinha foi a inspiração prá fazer a mochila: ela tem aquele jeito genial de passar as alças... Não me perguntem porque tenho uma sacolinha da Heineken em casa - ninguém bebe cerveja aqui no meu estabelecimento, ela apareceu do nada, envolvendo alguma coisa...

Comecei pelo bolso: pedaços de tecido prá dar uma alegrada na mochila. Você pode fazer a combinação de retalhos que quiser - ou pode fazer o bolso liso, do mesmo material do restante da bolsa. Depois de emendados os retalhos (ficando com a medida de 33 x 20 cm)...

Alfinetei com a manta na mesma medida e matelassei tudinho no olho.

Ficou assim. Daí eu coloquei a parte do forro cobrindo a manta do avesso e fechei em cima com um viés preto (porque as alças iam ser pretas, como já mostrei acima). 

Matelassei também no olhômetro as duas partes externas da bolsa (frente e costas) e posicionei o bolso na parte debaixo da frente. Com a sianinha preta eu fiz divisórias no bolso, bem assim:

Tá vendo? um bolso grande virou três - que serve prá colocar bilhete de ônibus, canetas, suquinho, o que a criança quiser.

Fiz bainha nos dois passantes das alças e preguei com costura reta bem reforçada em lugares iguais da frente e das costas.

Fechei a frente e fechei as costas e desvirei prá mostrar uma coisa importante: Reparem que na parte da frente eu fechei dos dois lados mas não fechei tudo: deixei uns 10 cm abertos de cada lado e não costurei embaixo. No forro eu fechei quase tudo, menos 10 cm no centro da parte debaixo.
 
Bem aqui, dá prá ver? Eu fiz um retrocesso na costura, pulei 10 cm, fiz outro retrocesso e continuei costurando do outro lado. É necessária essa abertura no final, prá desvirar a bolsa pronta.

Reparem que, por enquanto, minha intenção era fazer o fundo reto, igual na mochila da Heineken...

Aí vem o PULO DO GATO da mochilinha: aquela alça que segura nos ombros, acomoda a mochila nas costas e, ao mesmo tempo, franze e fecha ela... Peguei metade do cordão que eu fiz e enfiei, com o auxílio de um passador de elástico, começando pelo passante da frente indo do começo até o final dele. Passei por um pedaço que não tem passante algum e atravessei o cordão pelo passante da parte das costas.

Tá dando prá entender? Eu dei uma boa esticada, encontrei as duas pontas do meu cordão e então fiz a mesma coisa com o outro cordão (a outra alça...), só que do lado oposto, de maneira invertida...
Feito isso dos dois lados, olha só como fica:

Depois de casar as duas pontas de cada uma das alças eu as prendi, com o auxílio de alfinetes, no centro das costas da mochila - até chegar o momento de costurá-las em definitivo na sua posição correta. Ah, as pontas das alças estão dobradas prá dentro, prá não ficarem penduradas e não atrapalharem na hora de costurar o que falta.

A seguir eu vesti o forro por cima da parte externa da mochila - prá poder costurar a borda. Alinhavei direito com direito e costurei.

Lembra que o avesso tava quase todo costurado, só tendo uma abertura de 10 cm no fundo? Então: puxa tudo por esse buraco, com cuidado, com delicadeza...

Tá quase pronta a mochilinha...

Agora é dar destino prá parte debaixo das alças: costurei à mão as duas na posição que eu quero que fiquem, dos dois lados igual.

Assim, tá vendo? Podia alfinetar, mas eu não me atrevo: já pensou eu tô costurando, a agulha bate no alfinete, quebra, me dá um susto daqueles e minha pressão vai prás cucuias? Nãããão. Nada de pressa, devagarinho tá bom prá mim...

Com as duas partes de baixo das alças já alinhavadas na parte externa da bolsa eu desviro tudo de novo pro avesso, dou uma alfinetada (agora pode...) prá terminar de costurar a bolsa, prendendo as alças em definitivo à máquina - costurei duas vezes, retrocedendo, que é prá elas nunca descosturarem (vocês não odeiam quando compram uma coisa e ela vai desmanchando com o uso?). Agora reparem no fundo da bolsa: arredondei. Eu ia fazer copiando o fundo da sacolinha da Heineken, mas nela o tecido era fininho e na minha - além de ser brim... - tem a manta prá encorpar (ia ficar um monte de troços no fundo da bolsa, amontoando e enfeiando ela...). Arredondei e costurei - dei uns piques em toda a curva.

Fiz o mesmo arredondado no forro.

Costurei tudo, desvirei pelo buraco que deixei aberto no forro. Depois de desvirado eu fechei esse buraco à máquina, bem fechadinho. Não tá ficando jeitosinha?

Passei uma costura bem reforçada em toda a volta da abertura, bem próximo aos passantes, prá um reforço final e prá deixar o forro no lugar que lhe pertence - dentro da mochila.

Assim ficaram as costas (podia colocar mais bolso aí, mas eu não achei necessário - Manoela tem apenas 6 aninhos, 3 bolsos estão de bom tamanho prá ela...)

Assim ficou a frente, colorida e linda - na minha orgulhosa opinião...

Por dentro é só amarelão - mas eu adoro amarelo...

Daí você faz a mágica: puxa ao mesmo tempo as duas alças de um lado e as duas do outro e elas crescem prá serem colocadas nas costas da criança, enquanto guardam bem fechadinho o conteúdo da mochilinha...


E porque eu sou caprichosa (apesar de não ter mais destreza nas mãos, devido a artrose...) eu ainda bordei o nome dela e costurei um botãozinho de coração, prá ficar bonitinho e pessoal. Ninguém mais no mundo tem uma mochila igual, só ela. Exclusiva.

Agora: Você pode fazer ela prá caber mais coisas - é só fazer as duas partes mais largas e fazer um fundo oval ou redondo prá mochila, dando mais capacidade prá ela. Pode até fazer ela modelo adulto, prá uma adolescente, por exemplo... customizar do jeito que a pessoa mais gostar, com spikes, bordados, fuxicos... Para um menino, por exemplo, você pode imprimir um super herói favorito dele encontrado na internet em papel especial e aplicar com o ferro sobre o tecido (ensinei como fazer nesta postagem AQUI) - ele vai adorar...

Cabe bastante coisa - serve até prá criança ir dormir na casa da avó levando um pijaminha, escova de dentes, revistinha, brinquedo...

A Manoela vai encher de revistinhas... Que eu vou ter que ler tudo, com ela no colo, porque nem a mãe nem a avó tem paciência... 

Essa vida é um mistério... 

Uma menina super inteligente e alegre, filha de uma mãe que só pensa em si mesma, em viver na academia, em colocar silicone, fazer lipo, arrumar namorado, virar a noite na balada. Nada contra ela ser feliz, mas filho tem prioridade, não tem não?... 

Neta de uma mulher muito boa, muito limpinha, mas com uma religiosidade que beira o fanatismo, que acha que a menina não pode brincar com ninguém (porque as outras crianças são "mundanas" demais...), que tem que assistir programa religioso com ela (nada de desenhos animados...), que tem que ficar sentada quieta como uma boneca no sofá, sem desarrumar a casa nem um tiquinho, que tem que aprender a ficar de boca fechada e parar de ser "perguntadeira"... 

Foi com a menina na igreja que frequenta e o pastor disse que a menina, por ser tão irriquieta, está possuída pelo demônio - pode uma coisa dessas, nos dias de hoje? Desde quando ser inteligente e inquisitiva é possessão do capeta??? Se for assim, meus três filhos já nasceram possuídos... 

Daí, como quem não quer nada, com muito jeitinho, aproveitando que a menina voltou prá São Paulo com a mãe eu me ofereci prá apresentá-la ao prazer dos livros - passeio que tem sido adiado reiteradamente por motivos mais estapafúrdios, mas eu não desisto! Se Deus quiser ainda vou dar meu petelequinho prá tentar mudar o rumo dessa história...

Só que então me sobra o ciúme dos filhos - lindos amados e vergonhosos filhos, gigantescos e já criados filhos, que querem o colinho da velha só prá eles...

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