Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Fácil demais!!!




Esse tecido foi comprado no Varejão Chaves, prá fazer mais uma camisa levinha prás minhas filhas. Paguei 2 reais, era apenas um retalho...

Mais caro acabou sendo o forro: como "no meio do caminho" a Lola disse que achava ele lindo prá fazer uma saia de Pin Up, não dava prá fazer saia dele sem forrar - pois era transparente... Daí, na loja de tecidos ModaModa, do lado do Shopping Penha, comprei o tecido de forro mais baratinho que tinha - 5 reais... - e no armarinho comprei um pedaço de entretela das antigas, não colante e bem grossinha.

Cortei o tecido ao meio (de ourela a ourela), ficando com 2 panos. Usei um pano e meio prá fazer o rodado da saia, um pano apenas prá fazer o forro (menos rodado, senão achei que a saia ia ficar um paraquedas...) e, do outro meio pano de bolinhas, fiz o cós. 

Super simples de fazer, só unindo em círculo o tecido principal e o forro, franzindo ambos os tecidos separadamente na largura que estabeleci para o cós da cintura, alinhavei os dois juntos e preguei no cós.

Fiz bainha à máquina bem fininha no forro e à mão do lado de fora, bem caprichadinha como minha mãe me ensinou. O forro eu fiz 3 cm mais curto que a saia de fora e pronto! Uma saia linda de Pin Up!

Essa que tá usando a saia na foto é a Naninha, que pediu emprestada a saia da irmã prá ir dançar com o namorado - e falou que ficou o máximo, pois a saia rodava, levinha, acompanhando os movimentos dela... 

Se você quer fazer uma igual prá você ou prá bambina ou prá freguesa, saiba que é um ótimo projeto prá uma iniciante: algo que você não se mata tentando fazer, que dá um bom resultado, que não precisa ser fera no Corte e Costura prá arrasar e se sentir orgulhosa de seus talentos.

Ah, e eu achei um vídeo ótimo explicando como faz:



E - só prá arrematar - espiem o cabelo verde da minha Nana... Não ficou lindo? Adorei essa cor, já saiu mais da metade da tinta e ainda tá lindo demais. 

Acredita que um professor da faculdade veio implicar com ela? Disse que tinha que conversar com ela sobre "esse cabelo verde" e os de outras cores que ela vive pintando (azul, rosa...), que (como ela tem que ir toda semana estudar casos no Hospital Psiquiátrico...) os pacientes não podiam ver esse tipo de cabelo pois podiam surtar! Que - além disso - os pacientes do hospital regular onde ela vai no outro dia também acabariam duvidando da seriedade dela como profissional da medicina por causa dessas cores de cabelo... 

Ela ficou chateada, achando que no final da aula o professor ia intimá-la a cortar as pontas ou tingir... Mas aí, no decorrer da aula, ela (invocada) respondia todas as questões que ele propunha prá classe (ainda mais que nos dias normais, só por causa da invocação...), tudo certinho... Ele então disse: "Olha, acho que esse teu cabelo até que é uma boa... Talvez mais gente devesse pintar o cabelo assim também...".

He, he, he... Como se cor de cabelo fosse indicativo de inteligência... 

sábado, 25 de abril de 2015

Recém chegados!

Mais comprinhas maravilhosas feitas no AliExpress!!!

Mas quase todas foram compradas tipo de última hora, mediante ofertas recebidas por email - porque quando você compra, faz um cadastro, coloca teu email e daí eles ficam mandando ofertas de última hora, ofertas de feriado, de final de semana. 

Você clica e vai prá página especial das ofertas, dá uma checada e compra coisas pela metade do preço normal - às vezes até mais barato que isso. E como lá praticamente tudo é barato, fica absurdo de tãããão barato...




Vestido - de renda que estica, forrado, super macio... Só tinha dessa cor, só tinha um tamanho, por isso tava de oferta. Sorte que era o meu tamanho, então eu comprei prá mim - mas já destinei prá Naninha, pois ela ficou maravilhosa com ele - mas vou encurtar, ela tem pernas fenomenais prá ficarem escondidas... Paguei apenas 3 dólares, o que não chegou a dar nem 10 reais!!!

Óculos novos prá mim - que os meus estão pedindo arrêgo, a lente tá toda riscada, tem uns 8 anos de uso, já caiu do rosto... Paguei 3 dólares, também numa oferta de feriado... 



Ficou lindão na Lola, eu até ia dar prá ela - se ela quisesse... - mas ela disse que o enfeite dourado na lateral é coisa de "velhinha", então vai ser meu mesmo...


Pior que eu comprei porque achei lindo na atriz que faz a Hermione... 


Bolsa: custou menos de 5 dólares, não lembro quanto deu em reais. O material é surpreendentemente de boa qualidade, tem muitas divisórias, adorei - devia ter comprado duas, uma preta também...


E esses marcadores de carreiras de tricô, paguei apenas cinquenta centavos de dólar...

Adoro. Acabei de comprar toneladas de botões, não vejo a hora de chegar. Foi tipo 200 botões por 2 dólares, de diversos modelos e cores, mais outro saquinho de botões pequenos pretos, que sempre fazem um jeito, e também uns botões em formato de rosinhas, prá eu fazer uma blusa prá minha velha (que adora essas delicadezas...). 

É viciante comprar dos chineses, você começa a xeretar no site e não para mais... Bom demais, especialmente porque pode comprar com boleto, é muito mais seguro... 

Se gostaram dos produtos que eu comprei, aí vão os links: big-ofertas pro Brasil, meu vestido rendado, armação de óculos, bolsas (não achei mais a oferta da minha bolsa, mas tá cheio de bolsas lindas nesse link) e marcador de carreiras. Só prá vocês terem uma ideia, no Bazar Horizonte vocês acham uns clips prá marcar carreira a R$6,50 o pacote, mas vem com apenas 21 unidades e você paga uns 10 reais de taxa de entrega prá São Paulo - se for de outro Estado ainda é mais caro. Na China vem em torno de 100 marcadores por menos de 2 dólares, sem taxa de entrega...

Se eu fosse vocês, fazia o tal cadastro e sempre abria o email de ofertas: vocês vão se surpreender com as pechinchas mágicas!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Um retalhinho de nada!

Que estava no balcão de retalhos no Varejão Chaves, prá quem a maioria das pessoas torcia o nariz...

Ah, mas primeiro vejam o que fiz com ele:



Linda, né? Copiado o tamanho de uma outra regatinha das minhas filhas, costurada num instantinho na overloque nos ombros e dos lados, bainha feita na máquina Janome 2008 com ponto elástico e decote e acabamento dos braços feitos em viés pregado depois à mão, viradinho prá dentro, com pontinhos invisíveis. Fácil, fácil e super baratinha: 4 reais!

Malha fria custa em torno de 15 reais o metro aqui perto de casa - no Varejão de Guarulhos, quando tem, é 7 reais o metro (pouquíssimas estampas, infelizmente). Essa, de fundo escuro com florzinhas, é linda - mas cheguei tarde prá comprar por metro... Lá é assim: quando chega, some. O povo compra mesmo... Sobrou esse pedacinho irrisório que eu comprei no balcão dos refugos, pois tinha um grande defeito:


Um belo dum rasgo no meio. Uma outra mulher tava com ele na mão, quando eu cheguei, daí viu o rasgo e largou, decepcionada... Também era pequenininho, media 80 cm apenas... Se fosse fazer prá mim não dava, tinha que ter mais comprimento ou uma largura maior - ou não ter rasgo... Prá piorar ainda tinha uma mancha branca, que antes de comprar eu esfreguei um pedaço no outro e descobri sair fácil no seco mesmo - alguma goma, eu acho...

Comprei, lavei, fiz a blusinha. Palmas prá mim, que ficou linda...

Já ensinei a costurar malha AQUI. Também ensinei a tirar molde fácil, fácil - vai lá se duvida...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Vida e coragem


Ainda não eram oito e meia da noite, em pleno meio da semana. Sentada no sofá lá estava eu, fazendo acabamento de crochê em uma blusa - ainda tinha muitas horas pela frente, mesmo cansada e com sono...

Meus filhos estavam na parte de cima da casa, a Lola e o Ike jogando vídeo game, a Nana no telefone com uma amiga, eu sozinha na sala assistindo desenho. Como eu estava cansada... Tinha sido dia de passar roupas, minhas pernas doíam mais que o normal...

De repente ouço a buzina do carro, me levanto e, movendo de lugar a cortina da porta da copa, vejo meu marido parado de frente prá garagem. "Que alegria!" - eu pensei... Por algum motivo ele havia chegado bem mais cedo do que o esperado - naquele dia, como nos outros também, dava aula na faculdade até as onze da noite, eu só o estava esperando lá prás onze e meia, quinze prá meia noite. 

"Que bom! que bom, que bom!!!" fui repetindo baixinho prá mim mesma, pensando que ia dar prá dormir mais cedo, andando feliz da vida - até me esqueci da dor nas pernas enquanto me dirigia prá porta...

A porta - ainda bem que a gente se desfez dela... 

A porta daquele tempo era assim: de ferro fundido, com grades trabalhadas no meio pelo lado de fora e, pelo lado de dentro, um vitrô que se abria prá deixar entrar o ar... Era bonita, mas já tinha dado o que tinha que dar... Numa tentativa de assalto um ladrão já a tinha amassado toda, o serralheiro tinha feito umas remendadas meia-boca - até nem tava feia, mas eu tava cansada dela. Contudo o maior defeito da porta nem era sua aparência cansada: o trinco só ficava fechado se a gente passasse a chave. Se deixasse a porta encostada, ela abria sozinha - tinha que estar sempre trancada. 

Assim sendo, toda vez que alguém atravessava a porta - mesmo que prá pegar uma simples carta na caixinha do correio... tinha que fechar com chave (especialmente por causa da nossa cachorrinha, que era só escutar alguém abrindo a porta e já corria prá xeretar - e podia ser atropelada pelo carro entrando na garagem...).

Lá fui eu - fechei à chave atrás de mim a porta, fui até o portão da garagem, abri a fechadura, abri o cadeado de segurança, olhei pro "Marildo" com um sorrisão de felicidade e ele fazendo gestos enormes por trás do vidro - que era prá eu fechar o mais rápido possível o portão...

Daí que eu reparei um rapaz subindo nossa rua: alto, com um blusão de moletom bonito em cujos bolsos mantinha suas mãos escondidas, de boa aparência - até lembrava um pouco meu menino. Prá baixo dele, numa distância de uns cinquenta metros, dois outros homens, meio esquisitos, também com blusões de moletom, mas com o capuz escondendo os rostos - deles é que eu pensei que o "Marildo" tava falando...

Com toda a pressa que minha condição física permitia eu fui fechando as duas partes do portão da garagem e, enquanto eu fazia isso, atravessou correndo do outro lado da rua, tirando as mãos do bolso, o rapaz que vinha na frente - do qual a gente não desconfiava... Numa das mãos uma arma enorme, reluzente de nova, tremendo ameaçadora na direção da minha cabeça...

-"Abre esse portão, sua v@c@! Abre senão eu te arrebento a cabeça!!!" - a ponta da arma atravessando o vão da grade do portão, mirada no meio da minha cara!

Se ele não estivesse tão nervoso teria reparado que eu não tinha passado o trinco - era só empurrar o portão que ele abria... Olhei pro rosto dele - um menino bonito, com idade prá ser meu filho, e pensei:

-"Então é assim que eu vou morrer? Eu ainda queria fazer tanta coisa..."

O rapaz continuou gritando e, enquanto eu olhava assustada seus olhos, fui movendo o trinco... Os outros homens que vinham mais embaixo foram se aproximando de nós - todos parte do mesmo grupo. 

-"Abre essa porta, eu tô mandando! Quer morrer, sua velha?"

Eu só conseguia pensar nos meus filhos... Os três dentro de casa, tão tranquilos, tão bons... Se aqueles três entrassem, só Deus sabe o que podia acontecer - uma desgraça, uma tragédia... Meu marido, dentro do carro, nem se mexia... Me disse depois que teve medo de assustar o rapaz e ele disparar a arma...

Eu, boba, disse assim prá ele:

-"Moço, não faz isso... eu tenho idade prá ser sua mãe... Pelo amor de Deus..." - e ele disse palavrões horríveis se referindo à própria mãe...

Parada ali, perante três homens mal intencionados, enfrentando a morte, eu pensei:

-"Será que vou ver a bala entrando? Será que morrer dói muito? Meus filhos vão chorar, vão ficar  tão tristes..."

Mas a tristeza deles era o de menos - eles TINHAM que ficar vivos, eu não podia, eu não IA deixar ninguém entrar na minha casa...

Quando o rapaz gritou comigo pela terceira vez, tremendo a arma na mão a menos de meio metro de mim, já os outros dois ensaiavam escalar o portão  e eu disse pro rapaz:

-"Me desculpa, mas vocês não vão entrar na minha casa... Meus filhinhos estão lá dentro, eu não vou deixar vocês fazerem mal prá eles..."

Vocês conhecem alguém que pede desculpa prá ladrão? Eu - prá ser tonta tenho que melhorar muito... Mas, mesmo tonta, eu estava decidida a morrer ali, na porta de casa -  por mim viva eles não iam passar. 

Nessa hora acho que meu marido se deu conta de que ia me perder, que dali eu não ia sair - não é só o medo que paralisa a gente, a coragem (às vezes) também faz isso... Abrindo o vidro do carro eu escutei ele gritando: "Corre prá dentro, mulher!"

E em um lapso de segundo eu pensei que - já que eu ia morrer mesmo... - bem que eu podia arriscar a sorte e tentar fugir prá dentro de casa (uma chance em mil...) e - quem sabe? -conseguir continuar vivendo...

Dei as costas e comecei a correr - imaginando se eu ia levar um tiro na nuca, ou bem no meio das costas... Continuei correndo - parecia câmera lenta de filme, seria até cômico não fosse a situação...

Quando cheguei na metade do caminho consegui ver meus filhos através do vitrô escancarado da porta, a cortina aberta de tudo, seus rostos desesperados, todos falando ao mesmo tempo - trancados dentro de casa por mim! Naquele tempo tínhamos apenas duas cópias da chave da casa - uma meu marido levava com ele, a outra estava comigo e eu a havia usado prá trancar a porta por fora e proteger nossa cachorrinha... 

Justo nessa metade do caminho aconteceu a coisa mais estranha do mundo: me faltaram totalmente as forças nas pernas. Foi como se, de repente, eu não as tivesse mais - ficaram mortas de tudo. Parecia até que alguém as tinha desligado! Caí de joelhos no chão com toda a força e, desse ponto em diante, só minha força de vontade me fez eu me arrastar até a porta, com o molho de chaves tremendo na mão!

Ouvi um dos homens gritar: "O cara pegou a arma no porta luvas do carro!!!" - porque meu marido deve ter se mexido - e não me virei prá trás, prá ver o que aconteceu depois...

Só sei que consegui - não me perguntem como - enfiar a chave na fechadura, rodei e nem precisei abrir - porque a bendita da porta se escancarou, um pouco sozinha e muito pelas mãos dos meus amados filhos, que me levantaram e me arrastaram prá dentro (pois minhas pernas estavam frias e moles, parecendo pernas de uma boneca de pano gigante...).

Meu marido entrou, fechou a porta atrás dele, ligou prá polícia - que não pôde fazer nada, pois os canalhas já tinham se perdido no mundo...

Nunca na vida fui tão beijada, tão abraçada, tão amassada... Meus filhos diziam que eu era uma heroína, meu marido me dizia que eu devia ter fugido prá dentro logo de cara, que eu me expus a um perigo desnecessário - fácil falar...

A gente até fantasia - eu, pelo menos, faço isso - sobre que atitude teria numa hora dessas... Eu me imagino dando uma voadora ninja num desgraçado desses, defendendo minha família com unhas e dentes... Às vezes - pode acreditar, que é verdade! - eu escondo uma tesourinha de bordado no sutiã quando vou abrir a porta, uma agulha fina de crochê... Toda madrugada - quando eu levo a Naninha no metrô - levo comigo meu guarda-chuva gigante, que é prá "sentar na cabeça de uns e outros" se for necessário (e minha família inteira ri de mim por causa dessas coisas, dizem que eu tô velhinha, que eu tô devagar, que antes mesmo de eu esboçar uma reação um bandido me acaba - ô, crueldade da vida, ninguém faz fé em mim...).

Daí, quando eu fico mesmo passada, de saco cheio de tanto preconceito com a minha pessoa, eu falo assim:

-"É, eu tô velha... Mas não se esqueçam de quem foi que enfrentou a morte olhando prá arma e não deixou o mal entrar dentro desta casa...".

E todo mundo cala a boca muito bem calada - porque tem memória, graças a Deus.

Agora olha como a vida é engraçada: menos de um mês depois disso acontecer na nossa vida - eu ainda tremia as pernas cada vez que tinha que abrir o portão de noite (mas não deixava ninguém abrir no meu lugar - não, senhora)! - lá estou eu, pleno sábado de manhã, comprando castanhas do pará no mercadão municipal da Penha, quando entram dois rapazes pela porta lateral do mercado (bem do lado do estande em que eu estava fazendo compra) e eu reconheci o rapaz da arma. Gelou meu sangue, eu fiquei parada olhando prá ele - e ele me reconheceu também! Pegou no braço do outro rapaz, gritou: "Sujou!" e ambos saíram correndo dali pela rua Gabriela Mistral... Só aí, mediante o alvoroço que foi - pois empurraram gente prá fugir, já que o mercado tava cheio... - o Marildo se tocou, me perguntou o que tava acontecendo e saiu correndo atrás deles - mas sumiram, gatunos ágeis que eram...

Trocamos a bendita porta e meus filhos exigiram uma cópia da chave prá cada um deles, prá nunca mais ficarem trancados dentro de casa quando o mundo acontece lá fora...

Meus joelhos ficaram duas bolas roxas, feios de fazer dó. Fiquei um tempão sem usar vestido, pois chamava atenção as pernonas brancas com os hematomas aparecendo...

Não vi minha vida passar pela minha frente - pois não era ainda a minha hora. 

Aliás, duvido que isso realmente aconteça... Porque - se acontecesse... - a gente não ficava sabendo: como é que uma pessoa que morreu, que viu a vida inteira passar como num filme, volta depois prá contar isso pros vivos?

Acho que, quando chega a hora, ninguém na verdade sabe. A gente simplesmente vai embora, fecha os olhos prá uma realidade, acorda em outra, deixando prá trás um montão de coisas que não deu tempo de fazer, roupas prá lavar e passar, tricôs pela metade, palavras que não disse, abraços e beijos que não deu, amores que não declarou,  perdões que esqueceu de pedir...

Os tricôs que se danem, alguém que os desenrole e dê destino ao fio. Outra pessoa que se encarregue das roupas sujas, porque meus abraços e beijos, meus amores e os perdões estão sempre em dia - graças a Deus.

Se fosse a minha hora mesmo, a única coisa que ia me incomodar era deixar gente triste prá trás. Fazê-los sofrer, mesmo que indiretamente, mesmo sem ser culpa minha.

Mas aqui estou eu - firme e forte, cada vez mais rabugenta...

É bem como dizem: vaso ruim não quebra.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Pulover masculino básico

Pro meu filhinho usar no trabalho, agora que o frio tá chegando. É básico, é leve - mas esquenta - e combina com a roupa social.
 




Nas Lojas Pernambucanas você encontra um parecido, por 70 reais. Nesse eu comprei meio quilo de lã industrial 2/28 (na qual paguei R$20,70), enrolada dupla e gastei só 2/3 dela. Ou seja: menos de 20 reais por uma blusa... A foto não saiu boa: ficou uma malha bem fechadinha - fiz na regulagem 5 - e muito gostosa ao toque.

Quero fazer de outras cores - pelo menos uma azul marinho e uma cinza escuro - mas meu moleque diz que só uma tá bom (me ama e não gosta de me dar trabalho, é o melhor filhinho do mundo... Por isso que, quando eu olho prá ele, vejo estrelinhas e meu coração quer sair do peito e correr prá junto dele...).

Bom, essa receitinha - eu acredito... - vai ser uma mão-na-roda prá muita gente. Jeito fácil de ganhar dinheiro: no site da Lãs Formosa a lã 2/28 tá custando em torno de 37 reais o quilo, com um cone dá quase prá fazer 3 blusas!!! E o modelo é fácil, não leva ponto trabalhado, sai rapidinho da máquina...

E com a lã que sobra você ainda faz meias - não perde nada, é lucro na certa!

Agora - o tamanho: meu moleque tem 1,83 cm de altura e usa camisas tamanho 2 da Dorinhos. Reparem que a blusa não fica apertada, que é prá caber a camisa social dentro sem amassar.

Receitinha de mãe (clica nela prá ver em tamanho maior):


quarta-feira, 15 de abril de 2015

Grãos e Legumes...

Não é difícil viver sem carne - e se alimentar de coisas muito gostosas. Hoje eu trago prá vocês duas sugestões fáceis e muito nutritivas.

Primeiro: Picles.

Lave, seque e corte em fatias finas os legumes que você quiser: cenouras, pepinos, nabos, rabanetes... disponha-os em uma grande travessa e tempere com um pouco de sal, um dentinho de alho socado, pedaços de cebola, folha de louro, tomilho, pimenta dedo-de-moça. Mexa bem prá misturar os temperos, acondicione tudo em vidros e cubra com vinagre. Deixe curtir na geladeira por uma semana - no mínimo. O vinagre cozinha os legumes, que ficam deliciosos, mais temperadinhos que os picles comprados prontos. MAS tem que ser legume fatiado, não podem ser pedaços grandes. Se quiser fazer em pedaços grandes asse-os antes e tempere ainda quentes - que assim eles absorvem os temperos...

Olha os meus: gloriosos!!!









Daí você faz Hamburguers 100 % vegetarianos, usando grão de bico ou lentilhas: 

Deixe de molho (grão de bico, lentilha, grão de soja...) em água da noite pro dia, escorra e passe por um processador ou liquidificador (usando a tecla PULSAR), juntamente com uma cebola cortada em pedaços, sal, pimenta, alho, suco de limão ou vinagre - até ficar bem moidinho. Então dê liga com farinha de rosca ou pão de forma esmigalhado. 

Dê formato de hamburguer (grande, prá por no pão, ou como os meus, do tamanho de biscoito recheado) e grelhe, frite ou asse - do jeito que você achar melhor. 

A massa fica assim: não leva ovo, nem leite...


Você leva prá fritar...


Os de grão de bico ficam os mais gostosos - os favoritos aqui de casa:



Crocantinhos por fora, macios por dentro. Lembra um pouco a textura do acarajé, só que mais temperadinho...

E os de lentilha também fazem sucesso...


Hoje esse é que foi o almoço...

Comecei a passar roupas não eram nem cinco e meia da madrugada, daí só tive tempo de por um arroz no fogo, processar as lentilhas e ir fritando. Isso mais o picles e umas batatinhas pretas que sobraram de ontem:


Um copo de Coca-cola (que eu não sou de ferro...) e eu tô feliz da vida, mesmo podre de cansada...

Todo mundo sabe que vegetais fazem bem prá saúde - e a grande maioria de nós também gosta de comê-los.

Menos a empregada da Tia Joanita. Um sábado destes eu fui na casa dela, levei umas bolinhas de mussarela que tinha acabado de fazer (com queijo fresco que eu trouxe do sítio) e como a Eliane (a empregada) estava lá, ofereci prá ela provar, já que ela não conhecia.

Ela provou, fez cara de nariz torcido (pela qual eu a teria mandado prá guilhotina na minha encarnação passada, na qual governei a França...) e disse que tava bom, mas que gostava mesmo é de carne. Daí, pronto! Tia Joanita aproveitou a deixa e foi reclamando, na cara dela, sobre o quanto ela era fresca e que não comia nada a não ser carne: no lugar de marmita, sempre que vinha trabalhar trazia bifes crus, que fritava prá si mesma na hora do almoço - comendo sempre 4 de uma vez.

Eu perguntei se era verdade e ela disse que sim, que há anos não põe uma folha de verdura na boca, não come uma cenoura, abobrinha, vagem... Também não gosta de feijão ou qualquer grão que seja, exceto arroz - de vez em quando.

Eu disse que ela ingeria proteína em excesso, que isso era uma sobrecarga enorme pros rins dela - os rins trabalham dobrado quando a gente ingere muita proteína - e que prejudicava também o intestino, pois - pela falta de fibras - o trânsito do alimento dentro dela era muito lento, aumentando a reabsorção das toxinas produzidas pela carne conforme ela vai sendo metabolizada dentro dela...

Ainda falei assim: "Você já viu como é que fica a carne, fora da geladeira, numa temperatura quente, num dia de 30 graus? Apodrece rapidinho, cheira mal... Agora imagina essa carne num calor maior, de quase 37 graus, sendo atacada por ácidos, fermentando enquanto atravessa o teu corpo? Aquele cheiro ruim fica preso dentro de você, mas tá lá...".

Mas ela torcia mais ainda o nariz, olhando prá mim de cima a baixo como se eu fosse uma E.T. repetindo que sabia de tudo isso, mas que só gostava de carne.

Isso porque eu nem falei da parte - digamos - espiritual de se comer carne... Porque  -provavelmente - todo animal ao ser morto sofre, sente medo, tenta escapar e eu acredito que isso não seja algo muito bom... 

A ciência já provou que emoções afetam nossa saúde - a gente pode até morrer de um susto, não pode? E se os corpos dos animaizinhos, no desespero de sentirem a morte se aproximando, produzirem substâncias que fiquem impregnadas em seus corpos - a pessoa que os come ingere tudo isso, sem perceber...

Meus filhos nunca provaram carne - de nenhum tipo. Quando eram bebês eu fazia fresquinha, toda madrugada, a comidinha deles, usando legumes, verduras e grãos dos mais variados tipos. Nunca tiveram anemia, sempre foram saudáveis, inteligentes, calmos - na natureza os animais herbívoros são os mais calmos mesmo...

Quando entraram prá escola eu conversei sério com eles, dizendo que, se sentissem vontade de comer alguma coisa da cantina, podiam comer, pois tinham direito de escolha - mas nunca quiseram nem provar. Até hoje se sentem mais seguros comendo a comida da velha, pois sabem que não tem caldo de carne, bacon, etc...

Não critico quem come carne - sei até que muita gente diz que os animais foram criados prá nos servirem de alimento. E - na verdade - durante a maior parte da história humana no planeta, isso é a mais pura verdade. 

Mas assim como já não se precisa mais exterminar as baleias prá se obter fixador de perfume - um pecado matar um animal tão lindo pro ser humano cheirar melhor... - também não é mais necessário que a gente tire a vida deles prá seguir vivendo...



São também criaturas de Deus, que apreciam sentir um dia de sol, caminhar no chão, voar no céu, beber água fresca, se alimentar, se relacionar com os outros seres, experimentando o dom da vida.

Gozado... Eu comecei a parar de comer carne aos 11 anos de idade, simplesmente prá irritar meu pai. Ele ficava bravo, me batia - mas, cedo ou tarde, surra não adianta mais nada. A gente faz o que quer fazer.

Casei com o "Marildo", ele parou de comer quase todo tipo de carne - só não conseguiu parar de comer frutos do mar. Volta e meia eu como peixe - mas sempre sinto um certo desconforto, como se estivesse traindo uma ideia bonita, sabotando a mim mesma de alguma forma.

Um dia eu vou evoluir e ser como meus filhos, se Deus quiser - e é por eles que eu sempre arranjo um jeito de fazer algo gostoso, cheio de vida...

Nas palavras de um homem muito inteligente:


E nas de um dos homens mais bondosos que já habitou o planeta:


É um dia depois do outro...


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lixeirinha prá carro



Ou - no caso do Marildo... - porta-moedas (prá ele entregar prá quem pede nos faróis...).

Vamos direto pros finalmentes:

Dois pedaços de tecido medindo 52 cm por 21 cm. Podem ser diferentes, podem ser duas peças formadas por retalhos que você mesma emendou. Um pedaço de manta acrílica medindo a mesma coisa, prá ficar dentro dos dois retalhos de tecido. Reparem que eu dei uma arredondada em uma das pontas - é a parte que vai servir de alça prá lixeirinha.

Dei uma matelassada na peça, prá unir todas as partes que estavam em sanduiche (tecido-manta-tecido).  Uni as três peças, alfinetei em vários lugares e, com a velha fita crepe, fiz a guia das costuras. Quando fui chegando perto dos alfinetes eu movia eles de lugar.

Matelassei de um lado, matelassei do outro. Ou "quiltei", como se diz hoje em dia...

Tudo matelassado, tirei as rebarbas que ficam dos lados, prá ficar tudo limpinho. Diminui quase 1 cm no comprimento e na largura - faz parte. Se a manta fosse adesivada isso não acontecia....

Agora o acabamento da "boca" da lixeirinha. Na parte que eu não arredondei eu passei um viés (comprado pronto)  com uma costura no avesso da peça.

Virei pro lado certo...

e passei uma costura, assentando o acabamento.

Fica assim - bonitinho.

Agora vem a parte de abrir o buraco que serve de alça prá lixeirinha - que a gente enfia no câmbio do carro. Cortei no olhômetro, dobrando a parte arredondada ao meio. 

Ficou assim a abertura.

Pelo centro dela, na parte de baixo, eu começo a aplicar novamente o viés, começando uns 5 cm depois do começo do viés. Vou costurando devagarinho, seguindo a linha arredondada do canto. Melhor é alinhavar - mas eu fiz meio na pressa, a outra lixeirinha se perdeu na revisão do carro...

Quando tava chegando perto de onde começou eu parei, medi mais-ou-menos onde as duas partes iam se encaixar e cortei.

Costurei, dando uma emendada básica... Nessa hora, prá caprichar MESMO, corte e emende na diagonal que fica mais bonito, não aparece a emenda...

Virei pro lado certo e rebati a costura.

Tá quase acabando: resta fechar a lixeirinha. Dobrei a parte que serve de "boca" da lixeira prá cima.

Aí que eu me dei conta: fiz uma burrice!!! Meu tecido tinha, em um dos lados, um "talho" feito com tesoura quando fiz uma roupa com o mesmo, tempos atrás... Com ele fiz uma camisa e um vestido - estão em postagens bem antigas do blog... Eu tinha dado uma cerzida meia-boca e pretendia que essa deslizada ficasse no avesso - mas acabei pregando o viés do jeito errado - meléca! A pressa é mesmo inimiga da perfeição...

Improvisando: preguei 3 botõezinhos bonitinhos prá esconder o cerzido - e acabou dando um charme...

Não ficou uma gracinha? Parece até proposital...

Dei uma fechadinha de leve com zig-zag na largura 3 nas duas laterais...

E apliquei viés no avesso, começando na base da lixeira. Deixei 1 cm de sobra, prá depois dobrar prá dentro.

Costurei em toda a volta, acompanhando o contorno.

Virei pro lado do direito, dobrei a sobra de 1 cm...

Acomodei o viés... Rebati a costura...

E está pronta a lixeirinha!!! O Marildo adorou, já encheu de moedas dentro...



Você pode usar essa técnica prá fazer maior e usar como sacolinha de compras - ainda mais agora que os super-mercados pretendem voltar a cobrar pelas sacolinhas plásticas...

Fácil de fazer, econômica, um jeito de aproveitar retalhos e ganhar um dinheirinho - quem tem carro vai adorar ter uma (leva no trabalho e vende prás colegas, oferece prás vizinhas, prás parentas!!!), prá manter o caos sob controle.

Ó, vamos dar uma calculada: 1,50m x 0,50 de manta custa em torno de 10 reais (adesivada, no Bazar Horizonte), mais 2 m de tecido - dependendo do lugar (como no Varejão Chaves...) você consegue comprar na banca de retalhos por até 5 reais... Em cada lixeirinha você usa 40 cm x 52 cm (se o tecido tiver 90 cm de largura, dá prá fazer 4 lixeirinhas com cada metro - com 2 você faz 8 delas...). Mais o viés que é baratinho: se você cobrar 10 reais cada lixeirinha, vai tá lucrando que é uma beleza...

Tá esperando o quê prá mandar brasa nas lixeirinhas neste final de semana? Segunda feira você pode começar a semana com o pé direito, ganhando dindin...

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