Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Em nome do Pai



Era um sábado de manhã - o único dia da semana no qual eu não acordo tão cedo. O celular ao lado da cama fez aquele barulhinho irritante às oito horas, mas eu já estava acordada faz tempo - um dos preços de ir envelhecendo: a cama já não tem o mesmo atrativo de quando eu era mais jovem, quando era um sacrifício levantar dela pela manhã...

Mesmo sendo sábado, as obrigações gritavam o meu nome - afinal, todos merecem acordar com o cheirinho gostoso de um chá e uma coisinha prá beliscar... 

Roupas prá colocar na máquina, batatas prá descascar - e, como mulher, fui administrando o tempo de forma quase milagrosa: não uma coisa por vez, mas várias delas ao mesmo tempo, sem perder o rumo nem a mão em nada.

Perto da hora do almoço a campainha tocou e, pela janelinha da porta, vi quem era: dois homens, um deles provavelmente da idade do meu pai e outro bem próximo da idade do meu filho. Testemunhas de Jeová, vindos de uma igreja que fica no meu bairro...

Sempre aos sábados eles batem, religiosamente (e como não seria!), em todas as portas - especialmente na minha, acredito eu... - a fim de salvar almas.

Acho isso tão lindo - vocês não? Tem pessoas que se incomodam, outras detestam, a grande maioria finge que não está em casa, mas não eu... O falecido marido de uma amiga minha os expulsava aos berros, gritando "Bando de desocupados, vão arrumar o que fazer nas suas vidas!!!"... Já o irmão dessa mesma amiga recebe em casa, toda terça feira, um senhor dessa religião - em sua sala, com café e biscoitos, mesmo sendo católico fervoroso e praticante... Cada um é cada um, não é mesmo?

Eu não consigo ser grosseira - especialmente com quem está me procurando prá falar de Nosso Pai. Mesmo se eu estiver no meio de uma ocupação inadiável eu atendo, explico da minha urgência, agradeço e, quando eles dizem que querem me deixar um folheto prá eu ler eu pego e asseguro a eles que, assim que arranjar um tempinho, lerei sim, com certeza.

Dessa vez (como de outras tantas...), mais tranquila, fui até o portão dar um minutinho de atenção aos dois senhores - mais prá desencargo de consciência (confesso), pois não suporto deixar as pessoas no vazio... Eu sempre explico que já tenho minha religião, que ela me conforta e me sustenta nos momentos difíceis - mas, ao invés de agradecerem minha atenção e irem embora, atrás de outras almas prá salvarem, eles sempre discorrem sobre um ou outro ponto daquilo em que acreditam. 

O senhor idoso, que se apresentou como Alcides, interrompeu educadamente o que eu dizia e falou assim:

-"Mas a senhora sabe que só aqueles que conhecerem o nome de Deus e o chamarem por esse nome é que entrarão no céu, não é mesmo? A senhora sabe qual é esse nome?"...

"Claro que eu sei" - eu pensei cá com meus botões... Li a Bíblia inteira ainda menina, ainda tenho o hábito de ler os Evangelhos até hoje... Mas respondi:

-"Ah, eu sei de que nome o senhor fala...

Realmente, é muito bonito conhecer o nome de Deus - se bem que nome NOME de verdade, fica meio difícil, com tantas traduções, prá tantas línguas. Por exemplo, o senhor sabe que o apóstolo Tiago é chamado de James na Inglaterra, não é mesmo? 

Além do mais, eu sempre soube o nome do meu pai, mas sempre o chamei de "senhor" e de "pai"... E ele tinha um nome lindo, de um dos três mosqueteiros...

Minha enteada costumava chamar a mãe dela pelo primeiro nome - eu sempre achei esquisito, meio desrespeitoso, sei lá... Depois de viver um tempo comigo, vendo o meu convívio com meus filhos, a forma carinhosa como eles me tratam, ela passou - depois de adolescente - a chamar a mãe dela de "mãe"... Posso garantir pro senhor que, se meus filhos me chamassem pelo meu nome, eu - particularmente - ficaria triste! Tem um mundo inteiro de pessoas prá me chamarem de Rosa, mas é um privilégio ser chamada de "mãe" por eles e ser chamada de "filha" pela minha mãe...

Aliás, Jesus - que era Jesus - sempre O chamava de "Pai". Até a oração que Ele nos deixou de herança se chama "Pai Nosso", não é mesmo?"

O rapaz mais jovem sorriu, achando engraçada a forma como eu me expressei, como se já os conhecesse pela vida toda em apenas alguns minutos. O senhor idoso, mais impermeável para aceitar novas ideias, continuou argumentando, citando tal ou qual trecho da Bíblia, tentando provar, a todo instante, o quanto eu estava errada... Tudo muito educado e gentil, mas simplesmente refletindo tudo o que eu dizia como um espelho, que só devolve o que chega até ele, sem parar prá pensar...

Ao final da conversa o senhor - como tantos outros e outras antes dele - me deu um folheto prá eu ler, me convidou prá ir na sua igreja (ou seja lá como chamem o local onde se reúnem...), me agradeceu pela atenção, pelo meu tempo e me pediu permissão prá voltar uma outra hora, durante a semana, prá entrarem e conversarem ("desta vez acompanhados por uma mulher, para que não houvesse nenhuma desconfiança das intenções deles" - ele disse). 

Eu entrei e continuei com os meus afazeres, ouvindo comentários dos meus filhos sobre o fato de eu perder tempo demais conversando com quem não vai me ouvir - mas eu respondi que, pelo sorriso do mais jovem, eu acredito que fui ouvida - sim. 

Mais tarde, talvez devido ao acontecimento da manhã, minha Lola me mostrou algo que encontrou no Facebook: um rapaz (que se proclamava evangélico...) dizia que, se tivesse poder, mataria todos os católicos, judeus, muçulmanos e espíritas do mundo, pessoalmente, e faria da Terra um paraíso para todos os evangélicos.

Triste, não é mesmo? Mas não tem a ver com o fato dele ser evangélico: qualquer que fosse a religião que esse rapaz seguisse, ele pensaria da mesma maneira. A cinquenta e poucos anos atrás ele estaria segregando pessoas em guetos, queimando quem pensa diferente dele em fornos, fazendo limpeza racial - hoje, sonha com um mundo "religiosamente limpo". Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo são só palavras bonitas, mas vazias de significado verdadeiro prá ele, visto que os próximos desse moço são apenas os que frequentam a mesma igreja que ele...

Vejo esse tipo de intransigência dentro da minha própria família, sangue do meu sangue. Tenho um irmão que já foi tudo - católico, espírita, umbandista e de várias seitas evangélicas (sendo atualmente de uma delas, não sei qual...). Ele e suas filhas são fonte de sofrimento prá minha mãe, pois vivem criticando a fé que a acompanhou por toda a vida - e que a sustentou por todo esse tempo...

Daí eu ouço eles falarem sobre uma pastora evangélica que alega ter sido levada por Jesus sete vezes a visitar o céu e quinze vezes o inferno. Que nesse último ela viu o Papa João Paulo II e Chico Xavier, trabalhando como empregados de alto escalão prá Satanás... Minha Lola comenta, depois de saber de uma coisa dessas: "Se essa senhora dissesse esse tipo de coisa numa fila de ônibus, numa consulta médica ou numa conversa no trabalho as pessoas se afastariam dela, a taxariam de louca - mas, porque o que ela diz é dito dentro de um templo, ganha credibilidade, não é questionado de forma alguma...". 

Imagino que católicos e espíritas devem se sentir muito tristes com isso... Mas aí é que está: parece que a mídia traz à tona somente o desastre, o mal exemplo, o crime...

Talvez por isso, em matéria de religião alheia, acabamos tomando mais conhecimento da exceção, ao invés da regra: prestamos atenção no padre pedófilo - e esquecemos de olhar para aquele que batalha prá conseguir uma cadeira de rodas prá alguém na sua comunidade ou que distribui cestas básicas com o dinheiro destinado à Igreja; criticamos o pastor evangélico que enriquece às custas do dinheiro dos fiéis e esquecemos de ver os milhares que estão por aí, lutando o "bom combate", resgatando pessoas dos vícios, ajudando a devolver a harmonia em tantos lares...

Generalizamos.

Tempos difíceis estes que estamos vivendo. Parece que a humanidade não aprendeu nada com as tragédias passadas, com as pobrezinhas queimadas como se fossem bruxas, com as guerras chamadas "santas"... Ainda hoje, em nome do Pai, se cometem atrocidades - mas Jesus disse mesmo que seria assim, não disse? Que estariam numa mesma casa o filho contra o pai, a filha contra a mãe...

Apesar disso, fico muito triste... Nós, seres humanos, conseguimos mesmo complicar a vida uns dos outros - especialistas em acharmos ciscos em todos os olhos que não são os nossos...

A vida pode ser comparada com uma grande jornada, uma longa viagem de trem, da qual a gente não escapa e que não dá prá adiar. Tem um vagão - o primeiro de todos, bem perto do maquinista - onde todo mundo viaja espremido, se apertando, se incomodando mutuamente, onde as janelas estão trancadas e não entra nem sequer uma brisa. Nesse vagão todo mundo está suando muito, o cheiro é ruim e o calor é insuportável... Todos os que estão nesse vagão tem muita pressa, se agridem entre si o tempo todo, pelo privilégio de serem os primeiros a descer quando o trem chegar finalmente ao seu destino, não importa o sacrifício... 

E tem um vagão onde se viaja de primeira classe, todos sentados calmamente em confortáveis bancos, onde o barulho das máquinas que movem o trem não incomoda e se pode conversar e trocar ideias o tempo todo - e é bom que se faça mesmo isso, pois assim a viagem transcorre mais prazerosa... As janelas deixam entrar uma luminosidade incrível, que inunda todo o vagão - pois os vidros são limpinhos e abertos até a metade e deixam entrar, numa brisa suave, o perfume das flores que estão plantadas na beira do caminho.

A vida é essa viagem, essa jornada que começa quando fomos criados a partir do desejo de Deus e que segue em busca Dele - não em busca de ficarmos ricos, comprarmos casa, carro, termos dinheiro no banco - não! Nada disso importa, só o destino... 

Em qual vagão você preferia viajar? - e não me diga que a resposta é óbvia, porque a grande maioria da nossa espécie se acomoda espremida no primeiro vagão, achando que - por estar ali - chegarão primeiro, antes de todo mundo (quando, na verdade, o trem inteiro tem a mesma destinação e vai pro mesmíssimo lugar - e, chegando lá, só nos vai ser perguntado se a gente secou lágrimas, alimentou, visitou e prestou assistência aos nossos irmãos - jamais qual religião a gente tinha quando fez ou deixou de fazer tais coisas...).

Na minha concepção de vida a gentileza e a cortesia deveriam ser ensinadas desde o berço. 

O respeito às crenças e opções de vida de cada ser humano deveria ser atributo obrigatório prá alguém ser considerado "humano".

Está até presente na  nossa Lei Máxima, a Constituição Brasileira, no Artigo 5º, inciso VI: "-é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias", lei humana que não está nem próxima da perfeição da Lei Divina, mas que procura assegurar o que é justo, ao seu modo - enquanto que, individualmente ou em grupos, continuamos agindo como bárbaros...

Eu, de minha parte, continuarei atendendo a quem bate na minha porta, em nome de Nosso Pai - e talvez, algum dia, eles realmente salvem a minha alma (não por me converterem à crença deles, mas por me fazerem pensar tanto em Deus prá lhes oferecer minhas respostas...).

E a todos que por esta janelinha entram eu desejo uma agradável e feliz viagem, no melhor vagão possível.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sempre cabe mais um

Porque são lindos, macios, podem ter todas as cores do arco-íris (e mais um montão delas) e porque cumprem o que prometem: esquentam e protegem o pescoço e dão uma levantada no visual mais básico.


Pode fazer um "oito" com ele e deixar meio caidinho no pescoço.


Pode dobrar em três partes e deixar assim, rente - que protege dos vampiros sem você ficar cheirando a alho e esquenta ainda mais - práqueles dias muuuuito frios mesmo...


Isso mesmo, Lolinha !
E...


Pode transformar aquele oito em algo romântico, de outros tempos - mas não vá sair por aí cantando a trilha sonora do "Violinista no Telhado", porque apesar das músicas serem lindas e o filme ser fantástico, as pessoas vão pensar que você ficou maluca e vão te internar no manicômio...

O ponto é lindo, todo rendado:


A receita veio da Carla, do maravilhoso blog Criando Artes Carla. Admiro demais tudo o que ela faz - tem mãos de fada, como diz minha mãezinha. Faz uma peça mais linda que a outra - e se você não tem essas prendas ou não tem muito tempo sobrando é só entrar em contato com ela e encomendar (ainda dá tempo, o inverno ainda não chegou de todo...).

Usei apenas um novelo da lã Galant, da Incomfio (que você acha prá comprar somente em pacote fechado, com cinco novelos, a 35 reais o pacote, neste site AQUI). Muito boa essa lã, parece um veludinho, mas você pode fazer com a lã que você tiver ou quiser, pois vai ficar lindo do mesmo jeito.

O meu eu fiz assim: 

Material:

1 novelo de lã (100 gramas);
1 par de agulhas de tricô nº 12
agulha de tapeçaria prá costurar

Coloquei 25 pontos e tricotei: 1 ponto tricô (sempre começa com 1 tricô), *uma laçada, dois pontos juntos em tricô* - repete essa laçada seguida dos dois pontos juntos em tricô até o final da carreira e termina com 2 pontos em tricô (sempre termina com 2 pontos tricô feitos separados, cada um de uma vez. Quando vira faz a mesma coisa. Tricota por 1,30 m, arremata e costura, fazendo um círculo. Pode deixar sem costurar e colocar franjas, se quiser.

Fácil, né?

Já pensou fazer uma coisa linda dessas gastando apenas 3 reais? Pois no saldão do Bazar Horizonte (bem AQUI) você encontra novelos a esse preço... Também tem uns lindos por 4 reais, 5 reais, outros maravilhosos a 7 reais... Bota uma cor nesse seu guarda-roupa, "amô", deixa o mundo mais lindo com a tua presença!

Agora corre pegar as agulhas, que fica pronto rapidinho - pois o ponto se repete quase no automático (e logo você sai por aí toda linda e quentinha...).

Obrigada, Carlinha, por essa belezura - minhas meninas adoraram!

Ah, e com a sobra desse novelo olha o que eu fiz prá "Coisa Feia":




Ai, eu amo essa criatura... Tem como não amar, esse zoião esbugalhado, cada um olhando prá um canto, prá enganar os inimigos?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Emborrachando

Qual crocheteira não sonha com essas agulhas importadas, poderosas, ergonômicas, coloridas e escandalosamente caras?







Pois é: marcas famosas, como Clover e Addi, cada uma delas custando entre quarenta e cinquenta reais (a unidade). Salgadinho o preço, né?

Um dia desses, passeando por blogs em busca de uma inspiração, lá caio eu num blog de uma crocheteira que estava exultante de alegria, pois tinha acabado de chegar o seu estojo completo dessas agulhas. 

Daí, só porque eu sou xereta, fui atrás do tal estojo no Bazar Horizonte (prá comprar também, invejosa que só a preula...) - o site onde eu mais compro, pois tem bons preços, parcela no cartão e ainda tem um excelente atendimento ao cliente - e quase tive um piripaque! O kit da tal moça, com dez agulhas, custava quinhentos reais!!! 

Gente do céu, nessas horas eu fico totalmente em dúvida quanto a mim mesma: será que eu sou sovina mesmo ou o mundo tá "virado na coréia"? Que preço é esse??? Mas nem se eu ganhasse na loteria eu comprava um negócio desses, acho abusivo, desrespeitoso, um assalto a mão armada... E olha que eu tenho artrose nos polegares, fazer crochê é um exercício de amor e dedicação da minha parte - eu bem que preciso de agulhas como essas...




Há um tempo atrás eu comprei duas agulhas de crochê com cabo de bambu - uma da Barroco e outra da Duna. São muito boas, custaram menos de dez reais cada uma e achei que valeram super a pena. Comprei dos dois números que eu mais uso, então não tinha planos de comprar mais nenhuma - por enquanto e até que meu pé de dinheiro floresça no quintal. 

Daí, assistindo ao programa Arte Brasil semana passada, tinha uma moça (Márcia Nunes) ensinando a fazer um chaveiro muito fofo de corujinha, com biscuit. 

O programa foi este AQUI (é só clicar no amarelinho que você assiste). 

Adorei a aula, especialmente porque ela foi extremamente generosa: sabendo como os moldes de silicone (prá uniformizar as pecinhas do biscuit, como asinhas e pesinhos) são caros, a moça ensinou a fazer molde de silicone caseiro, usando silicone e maisena. 

Resumindo prá quem não consegue assistir vídeo no computador: ela fazia uma única asinha ou pesinho, esperava secar, daí fazia uma bolinha com o silicone de bisnaga e maisena (em partes iguais), amassava bem até formar uma bolinha. Colocava a asinha no meio da bolinha e deixava lá, afundada no meio - e quando a bolinha de massa secava, era só tirar a asinha e ficava com o molde caseiro, macio e maleável, prontinho prá novos usos!

Vasculhando o Youtube pelo nome dela, achei um vídeo de um ano atrás no qual ela já ensinava a fazer esse molde caseiro:



Quem sabe esse você consegue assistir?

A massinha me pareceu tão mágica - na mesma hora pensei em revestir agulhas de crochê com ela. Fiz assim:



Maisena - que todo mundo tem em casa - e custa baratinho;



Silicone em bisnaga - daqueles que a gente usa prá vedar vãos e frestas nas pias da cozinha e do banheiro, quando as mesmas são instaladas. Custa barato (menos de dez reais uma bisnaga dessas) e funciona mesmo quando está vencida (estando ainda molinha dentro da bisnaga, como a minha, vencida desde dezembro de 2013...), pois não é comida (prá fazer mal prá gente quando esgotou a validade...).

Uma colher de chá de cada, em cima do pires:



Amassa, amassa, até não grudar mais na mão e ficar parecida com massinha de modelar.




Nessa hora dava até prá colocar corante nela, assim cada agulha ficava de uma cor... Corante em pó, alimentício, que custa baratinho - já pensou? Eu só pensei depois, então as minhas ficaram todas branquinhas mesmo...).

Ah, e não esquenta com a sujeira: depois de seca, retira do pires igual uma película, fácil demais...




Faz uma minhoca com a massa (se precisar de um pouquinho a mais de maisena na hora de enrolar, não tem problema) do tamanho que vai encapar na agulha (uns dez centímetros). 

Encaixa a agulha dentro dessa minhoca:




Fecha e modela, com delicadeza. Se precisar, corte com uma faquinha - mas faça tudo rápido, pois a massa seca rapidinho, por causa da maisena. Em cinco minutos não dá mais prá modelar nada, em dez minutos tá pronta prá uso.

Aí lá fui eu caçar minhas agulhas pela casa - não achei nem metade, mas também eu não tinha muito silicone...



Assim sendo, gastando uma ninharia, fiz prá mim mesma o MEU kit de agulhas, ma-ra-vi-lho-so:



Vi num outro blog uma mulher que fez a mesma coisa com suas agulhas, só que usando massa de biscuit. Ficaram ótimas, mas com silicone é mil vezes melhor: fica parecendo que elas estão com capinha de borracha de apagar lápis, dessa aqui:



Muito confortáveis de usar, deliciosas ao toque. 




DICA EXTREMAMENTE IMPORTANTE: faça prá uma agulha de cada vez. Não pense em economizar tempo, fazendo toda a bisnaga de uma vez, pois você vai acabar com apenas uma agulha emborrachada e o restante de massa vai pro lixo.

Tem um cheirinho meio esquisito no começo, meio vinagrado, que é o cheiro do silicone - mas esse cheiro some com o tempo, é só deixar as agulhas na janela da sua casa quando não estiver usando. 

Acredito que não dê prá pintar: como é uma massa que permanece macia depois da secagem, se for pintada, vai rachar a pintura, ficar craquelada e soltando caquinhos de tinta seca na mão da gente. 

Taí a dica preciosa: façam seu próprio kit, gastando pouquinho!

Dinheiro custa muito a ganhar, então podem me chamar de mão de vaca - que eu sou mesmo. Mas sou uma mão de vaca muito esperta e que cuida de seus preciosos dedinhos artísticos e artríticos com muito amor e carinho - sem levar jamais o Marildo à falência.

E à querida Márcia Nunes meu muito obrigada - graças a você, minhas agulhas estão "requipimpadas", como dizia minha sogra...

terça-feira, 24 de junho de 2014

Inspiração retrô





Alguém já passou os olhos por uma revista de tricô antiga, da Burda? Pois eu tenho uma, velhiiiiinha, comprada em sebo por uns trocados, cheia de blusas multicoloridas em tricô, parecidas com esta... 

Um monte de alemãs muito lindas, de rostos sorridentes, usando blusas grossas de lã - a maioria multicolorida como essa. 

Só que lá as cores vinham de padronagens feitas em jacar, técnica que a maioria das tricoteiras iniciantes (e algumas experientes..) não domina. 

Isso porque se amedrontam com a imagem, com a aparente complicação do desenho e imaginam que é um bicho de sete cabeças - o que não é verdade, pois jacar é tremendamente fácil. E se tem um tricô que cresce rápido é esse: não sei se é o fato da atenção da gente estar presa na troca das cores dos fios, mas a verdade é que deslancha na agulha - e o único trabalho é deixar sempre o fio por trás do trabalho, nada mais...


Mas esta blusa não é jacar - é muito mais simples. São apenas listras feitas com diferentes cores - todas sobras de fios que eu tinha em casa. Verdade seja dita: é ótimo fazer acessórios, mas quando o frio "pega" mesmo, nada melhor que um casaco quentinho...

Esta fiz prá mim, prá aguentar o frio do sítio quando chegarem as férias, quando eu tiver que sair prá longe da lareira e guardar um pouco do calorzinho dela junto de mim... O fio-base é uma sobra, deste casaco (cuja receita está AQUI):



Lindo, né? Minhas meninas adoram... 

Agora, no casaco de hoje, o charme está nos relevos dos pontos: a parte branca é feita bem plana, em ponto meia no direito (assim como a parte mescla). Já a parte azul marinho é feita de forma oposta, tricô no direito e meia no avesso, gerando uma listra saltadinha prá fora. E por fim a parte vermelha, uma listra mais grossa na qual distribuí pipocas.

O "Marildo" queria a blusa prá ele, pois adorou - mas, por causa do relevo, ela é feminina (pelo menos na minha concepção...). Tadinho, fica olhando prá ela de "olho comprido"... Vou ter que fazer uma masculina prá ele, uma hora dessas... Mas vou fazer nos moldes em que essa foi feita: assistindo televisão, do lado dele, um tiquinho por dia, sem pressa - talvez pro ano que vem, que ele já tá cheio de blusas...

Receitinha de mãe:


Como eu fiz os pontos:



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Assim que se torce!

Primeiro a Fernanda - com um cachecol amarelo que fiz prá ela, nem me lembro quando:




Não ficou lindo? E ela não é linda? Toda magrela - já fui assim um dia, jovem e magra... Hoje tenho tantos anos e tantos quilos na bagagem - ai, ai... É a vida, a fila anda, tudo passa, não é mesmo?

Bom, o cachecol foi feito com lã Cristal, usando o mesmo ponto desta blusa AQUI : 70 pontos, regulagem 8, até dar um metro e quarenta (não me lembro quantas carreiras foram...). Linda essa cor, foi feito bem antes da Copa, só porque a Fernanda gosta de amarelo - mas agora tá calhando direitinho, não tá?

Agora a roupinha da minha pequena:



Espirrinho de cachorra, torcendo pelo Brasil - menos nas horas de fogos, daí ela corre prá onde eu tô, pede prá subir no meu colo, dá umas patadinhas na minha barriga prá entrar dentro da camiseta, prá se esconder com a mamãe... Medrosa e linda - e a única uniformizada aqui de casa... Se alguém tiver um cachorrinho assim, minúsculo, e quiser a receita, me avisem no comentário que eu acrescento na postagem, tá bom?


-"E eu nem sei o gosto dos camarões - mas eles não deram nem pro cheiro, mamãezinha..."

Sei lá... Acho que, pela fortuna que os jogadores brasileiros ganham, era prá fazerem pelo menos cem gols cada um por partida - mas essa é a minha opinião e eu não entendo nada de futebol...

Então, Copas à parte, como ela é friorenta, a blusinha veio bem a calhar - mas mesmo assim, olha só o que ela faz:



Se deita no sofá, num travesseiro velho que eu tenho prá apoiar as costas quando faço tricô - que é mais firme que almofadas... - e pede prá ser coberta com a blusa verde velha de estimação (uma blusa que tem história, é a favorita de todo mundo aqui em casa, tem mais de vinte anos - mas ela tomou posse..). Fica quentinha e solta um cheirinho de Doritos que todo mundo em casa aprecia demais...

-"Dá até soninho, mamãe, essa quenturinha toda..."


Eu sei, amô... você fica lindinha de amarelo e vai continuar torcendo, não vai? E mostrando a linguinha pros outros times, que assim, quem sabe, o Brasil ganha...


E atendendo a um pedido, aqui está a receitinha. Usei uma sobra de lã, a blusinha pesa umas 50 g... É muito fácil de fazer, se a pessoa não tiver frontura pode fazer barra doble que também fica linda.

Ah, caso a pessoa tiver um cachorrinho maior, é só medir a circunferência da barriguinha, pouco antes de começar as perninhas de trás, e adequar a receita: Faça um molde de papel, apoie sobre um tricô já feito e calcule quantos pontos e carreiras vai precisar. A única parte mais chatinha de fazer é o decote, mas até pode fazer reto. Não tem cavas, só uma diminuiçãozinha prá dar o afunilado do corpinho.



sexta-feira, 20 de junho de 2014

Rosa, a Malvada


Quem dera - malvada e linda... 

Tava mais prá magricelinha invisível, com carinha de fome eterna... Mas dentro da cabeça tinha milhões de coisas acontecendo - ah, se tinha...

Eu era repetente da primeira série do segundo grau - o antigo primeiro colegial. Não que eu fosse burra, muito pelo contrário, não posso jamais me queixar da inteligência que Deus me deu...

Mas eu passei uma fase meio revoltada com a vida... Minha avó morreu, eu fui buscar respostas na Bíblia - li ela de cabo a rabo aos treze anos... Acontece isso quando a gente passa um bocado de coisas e é muito jovem - às vezes perde a fé, perde o rumo...

Eu cabulava aulas. Me arrumava, pegava a bolsa, os livros, ia prá escola e ficava fazendo nada. Não estudava, ia no cinema, passeava com alguma amiga... A escola deixava a gente ficar fazendo nada no pátio, assistindo as aulas de educação física das turmas de outro período - e eu ficava ali, desperdiçando tempo. 

O engraçado é que as pessoas com quem eu ficava me respeitavam muito: garotas e rapazes que fumavam, bebiam - mas eu nunca sequer toquei num cigarro ou numa bebida alcóolica. Eles não me ofereciam, eu não tinha curiosidade... Nunca fumei, nunca bebi, nunca usei nenhum tipo de droga. Só tive um namorado na vida, com o qual estou casada até hoje - e o único beijo que dei, sem ser dele, me foi roubado num passado muito remoto, durante umas férias na praia (mas isso já é outra história, estou divagando...).

Bom, eu cabulava aula com minha amiga Wilma, não assistia quase nenhuma, não estudava prás provas - e acabei sendo reprovada.

Quando eu finalmente tomei vergonha na cara, cursei direitinho o primeiro ano de novo - e dessa vez era a melhor aluna da classe. Só nota máxima em tudo (exceto Geografia, que era decoreba e eu detestava, achava um desperdício de tempo estudar algo que tinha que ser decorado prá saber... Nessa matéria eu entrava num "arranjo" com o professor: fazia trabalhos extra-curriculares, preparava cartazes que a escola precisava, arrumava o palco do teatro prá tudo o que fosse necessário o ano todo e ele me dava a nota mínima prá passar, porque eu sempre bombava nessa matéria...).

E eu era nota máxima especialmente em Química - minha matéria favorita. Até que um dia...

O professor de Química morreu - ataque do coração. Que pena, fiquei triste, ele era muito bom. Ficamos uma semana sem ter aulas dessa matéria e então veio a substituta.

Devia ser proibido ter professoras como ela: jovem, muito bonita, sorriso lindo. Mas até aí tudo bem - tava cheio de alunas assim, lindas (eu seria invisível de um jeito ou de outro...). O maior problema era que a "disgranhenta" não usava sutiã! Pro mundo de hoje em dia isso é até normal, muitas mulheres (burras, diga-se de passagem... a gravidade é implacável, senhoras...) não usam. Mas era lá pelos idos de "muito antigamente", mais de trinta anos atrás - era um escândalo de proporções épicas! 

Prá falar a verdade verdadeira, eu também não usava. Mas, enquanto ela carregava no peito dois melões de bom tamanho, eu escondia debaixo da camiseta dois ovinhos fritos - de codorna. Meléca de vida.

Ela ainda era mais despudorada: sem sutiã, jaleco sem mangas, todo bordadinho, usado aberto de cima abaixo, CAMISETA COM DECOTE... Daí ela ia na lousa, escrever qualquer coisa, balançava tudo - e os garotos da sala só faltava terem a cabeça transformada no lobo do desenho do Picapau, babando...

Prá piorar ainda mais ela era um doce com eles, conversava toda meiga... Agora, quando era uma menina que perguntava alguma coisa, ela respondia toda seca - uma falsa, um demônio de duas caras (isso é o que ela era - e a minha inveja não tem nada a ver com o meu julgamento...)...

Pobre de mim - tão invisível...

Mas até uma pessoa invisível pode fazer um baita estrago, quando bate aquela vontade destruidora na gente...

A mulher era uma tremenda preguiçosa: já se viu fazer só prova teste? Quer dizer, química até tem uns decorebas (eu, por exemplo, sabia a Tabela Periódica de cor e salteado, de trás prá frente, todos os nomes, números atômicos, de que família cada elemento fazia parte...), mas ela era paga prá ensinar e prá  testar se os alunos sabiam mesmo: em prova teste é só colocar um x, fácil demais colar...

Então eu fiz assim: contei prá meia dúzia de pessoas que eu ia dar as respostas na mesma hora em que estivesse fazendo a prova, de forma que todo mundo que quisesse poderia colar de mim e tirar nota dez.

Avisei que ia dar as respostas, uma a uma, durante a prova, na cara da professora, enquanto conversava com ela, sem ela se dar conta, da seguinte forma: 

Eu ia perguntar prá ela alguma coisa da questão "1", tipo "Na questão um a senhora quer só um tipo de ácido ou servem dois?" - uma pergunta bem besta. Se eu mexesse na orelha direita enquanto fizesse isso, significava que a resposta certa era "a"; se fosse a orelha esquerda, era "b". Se eu coçasse o alto da cabeça, a resposta era "c". Se eu desse uma tossida enquanto falasse, era "d" e se eu me remexesse na cadeira, era "e" a resposta certa...

A coisa foi se espalhando pela sala... No dia da prova, lá fiquei eu, tagarelando o tempo todo, me coçando, tossindo e me remexendo - e a professora dizendo que eu não parava quieta, que eu tava atrapalhando a concentração dos outros...

A grande maioria da sala tirou nota dez - só dois garotos não quiseram colar, eram orgulhosos demais prá colar de uma menina... Bobões, era o que eram, não quiseram participar da brincadeira...

Mas não acabou muito bem prá mim... A danada da professora me chamou, disse que sabia que eu tinha armado tudo - só não sabia como. Tava fula da vida...

Mandou chamar minha mãe, pois queria ter uma conversa séria com ela. Quando a pobre da minha mãe chegou, dando uma parada nas costuras só prá estar ali, a professora falou um monte de mim. Que eu era uma malcriada, que eu havia passado cola prá todo mundo da sala, que eu não tinha o menor respeito por ela...

Depois de todo o blá-blá-blá da professora minha mãe falou assim:

-"A senhora me chamou até aqui por causa disso? Porque minha filha passou cola pros outros? Ela não colou de ninguém, não é mesmo? Se a senhora fizer uma nova prova, só com ela, ela vai tirar nota dez, não vai? Agora, essa história de passar cola pros outros: a senhora tem como provar? Pois se não tem, me dê licença, que eu tenho que entregar um montão de costuras, senão meus filhos não comem...".

A professora ficou de boca aberta, sem ação... O monstrinho que mora no meu porão me mandou mostrar a língua prá ela, na hora de sair da sala - mas Deus é testemunha de que eu não fiz isso, embora tenha olhado longamente nos seus olhos, enquanto fechava a porta.

No caminho de casa minha mãe me perguntou se eu havia feito mesmo aquilo de que a professora havia me acusado - e eu respondi que sim... Minha mãe deu risada, falou que a professora era uma arrogante e que bem deve ter merecido - mas me mandou não fazer mais isso, que era errado.

Dizem por aí que esse é o motivo pelo qual, hoje em dia, quando os professores dão provas teste, fazem mais de um tipo por sala, trocando o lugar das questões em cada uma delas, gerando vários gabaritos... Também por isso ninguém mais pode abrir a boca durante as provas...

Esse é o meu "efeito borboleta", meu legado prás gerações futuras: por causa de uma patética invejinha que eu senti, compliquei a vida de todo mundo que entra prá escola, enquanto existirem provas com questões de múltipla escolha...

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