Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Restos de lã





Renderam um cachecol diferente e lindo - e você não precisa ter máquina de tricô prá fazer. Pode fazer pelo método do "i-cord" - cordão idiota, que ensina a fazer no Youtube:


Esse vídeo é da Esperança Rosa, dona do site "Tejiendo Peru". Tudo lá é lindo, tudo tem passo a passo, vídeos, ensina várias técnicas de artesanato maravilhosas, Se vocês visitarem não vão conseguir da frente da tela do computador tão fácil...

Pode usar um tear "rabo de rato", tecer as tiras em várias cores, usando também sobras e depois costurá-las em pontos estratégicos, formando uma rede assim:


Eu logicamente usei máquina (cada fita tem 10 agulhas, regulagem 8, 600 carreiras), pois a lã era fininha. Ficou demais e a pessoa que ganhou este, no Natal passado, ficou meio assim...


Pois é - não tem dinheiro que pague uma reação dessas por parte de quem você gosta... Ainda mais quando quase nem deu trabalho - se faz mais ou menos assim:



Tá vendo só como é fácil? Nunca mais você vai olhar prá uma sobra de lã e ficar sem ideias...

Tá esperando o que prá fazer?! O inverno daqui a pouco tá na porta...


sexta-feira, 28 de março de 2014

"Houston, nós temos um problema..."


Dona Rosa tem: o colesterol tá nas alturas, o triglicérides tá quase na estratosfera - e aquele negócio que dá no exame de sangue que significa que tá com o fígado adoentado, tá pior... - pobrezinha da velha...

Vê só como são as coisas: quando era pequena queria comer e não tinha - agora tem de sobra e tem que fechar a boca. Isso é justo? Não, mas nem sempre a vida é...

E se a gente for ficar chorando as pitangas, não resolve nada. Tem que agir. Já que tem que comer - porque tem fome - tem que fazer comidas gostosas e saudáveis. 

Primeira comidinha prá comer sem culpa: Hambúrguer de Forno Vegetariano - isso mesmo, nenhum animal foi ferido durante essa experiência, eu garanto.

Ingredientes (Massa):

1 envelope de fermento biológico seco;
3/4 de quilo de farinha de trigo (pode usar integral e pode fazer uma mistura, usando farinha integral, de linhaça, de cevada, etc - fica super nutritivo, mas eu tava sem...);
1/2 litro de água morna;
1 colher (sobremesa) de sal de alho (esmague um dente de alho com uma colher (chá) de sal até o alho sumir por completo);
1 envelope de Sazón (opcional) - vermelho ou laranja;
1 colher (sopa) de azeite de oliva.


Misture a farinha e o fermento, junte o azeite, o sal e o Sazón. Acrescente a água morna, vá mexendo com uma colher até onde der - daí passe a misturar com as mãos, até que a massa desgrude da bacia, acrescentando um pouco mais de farinha, se necessário. Reserve.

Ingredientes (Recheio):

Queijo Cotage caseiro (ensinei a fazer AQUI);
1/2 pacote de proteína texturizada de soja;
2 colheres de sopa de cebola desidratada (se usar cebola comum pique o menor possível - ou rale, de preferência);
10 azeitonas verdes picadas;
vinagre;
1 colher (sopa) de azeite de oliva);
água;
sal de alho;
molho de pimenta.

Frite a cebola no azeite. Se for desidratada frita muito rápido, então cuide prá não queimar. Prefiro cebola desidratada porque, além de mais prática, deixa um sabor muito mais gostoso... Acrescente a proteína SEM HIDRATAR PREVIAMENTE e frite. Vá acrescentando de forma alternada um tanto de vinagre, um tanto de água e mexendo em fogo baixo, até que a proteína fique molhadinha. Tempere com sal de alho e molho de pimenta. Fica assim:


Pegue a massa, divida em bolas do tamanho de ovos de galinha. Enfarinhe uma superfície e abra uma bola de cada vez com o rolo.

Quando a massa que eu estou abrindo é de pequenas quantidades eu não uso rolo - uso uma garrafinha de vidro. 

Esta aqui, por acaso, é de molho de pimenta. É leve, higiênica (vidro sempre é...) e muito prática, de bom tamanho pro serviço. Aliás, prefiro sempre usar garrafas prá abrir massa - a de pinga 51 é ótima, tem um formato e um gargalo muito bons. Muito melhor que rolo de madeira ou de qualquer outro material, pois vidro não mofa e é sempre mais fácil de manter limpinho depois do uso...



Depois de abrir a massinha numa espessura bem fininha (2 ou 3 mm) eu coloco o recheio no centro: uma colher (sobremesa) de cottage, 3 de proteína de soja temperadinha. 

Fecho como uma trouxinha, aperto bem pro recheio não vazar, passo um tiquinho de farinha na base e disponho na assadeira, nem precisa untar. Arrumo um hamburguer do lado do outro até a assadeira ficar cheia. Ah, enquanto eu tô fazendo essa parte, já acendi o forno prá pré-aquecer...


Fiz também recheio de queijo cottage, tomate picadinho temperado com orégano e um restinho de proteína (1 colher em cada). 


No total, com a massa que eu fiz, renderam 12 hamburguers (do tamanho que vende no McDonalds) de proteína com cottage e quatro de cottage com tomate e proteína - legal, né? Rende bem esse "quase um quilo" de farinha...


Pincelei com uma gema misturada com shoyo.

Daí, acabando de montar tudo, nem precisa deixar crescer. Se vocês repararam, não deixei a massa crescer nenhum minuto - é que ela é fininha, não precisa!



Leva prá assar em forno médio por mais ou menos meia hora - dependendo do forno. Prá saber se tá pronto pega uma espátula e tenta soltar o fundo - se sair fácil, tá pronto!

Olha como, depois de assado, quase explode o recheio prá fora:



Cortei ao meio prá vocês verem:




Fica com mais massinha no centro (por causa da trouxinha...), mas no restante fica fininho, leve, pouco carbo-hidrato. Rápido e fácil de fazer - e fica delicioso também! Meus filhos adoram quando faço - antes eu fazia com mais calorias, sabe como é... - a casa fica com aquele cheirinho gostoso de lar... Sem falar que cebola fritando cheira bem demais, não é mesmo?

Então tá - aproveitem prá experimentar a receita, fica boa com qualquer recheio: legumes refogadinhos, palmito, queijo com tomate... Pode polvilhar parmesão em cima, gergelim... E prá fazer doce é só substituir o sal da massa por um tantinho só de açúcar - do gosto da freguesa.

Boas comidinhas!!!

quarta-feira, 26 de março de 2014

A Fórmula da Felicidade


As meninas da minha geração foram criadas para serem esposas de alguém, mães de muitos filhos - e ninguém me diga o contrário se ouviu contos de fadas com o final "Felizes para Sempre", se brincou de casinha e de bonecas, se assistiu novelinhas da Globo na década de 70. A gente era praticamente condicionada a pensar que o nosso fim maior era encontrar o nosso "Príncipe Encantado"... 


Mas era engraçado: a doutrinação que minha mãe e o resto do mundo faziam comigo entravam o tempo todo em choque com a realidade que eu observava - e eu tenho grandes e observadores olhos, ah se tenho...

Minha mãe, por exemplo: a melhor mãe do mundo, toda ela amor e sacrifício. 


Ela é uma criatura doce e romântica - graças a Deus a vida dura que levou não conseguiu roubar isso dela. Até hoje, quando converso com ela, percebo uma esperança quase infantil no que diz respeito a romances - quando sabe de algum namoro dos netos, por exemplo. Muito lindo. Por mais que eu tenha criado meus filhos a serem totalmente independentes desse tipo de condicionamento, a se dedicarem a ter primeiro uma profissão, estudar bastante e crescerem como indivíduos, minha mãezinha ainda torce prá que cada um encontre a sua "metade da laranja"... Começou a namorar com meu pai aos 14 anos, casou-se com 21, teve uma vida de muito sofrimento e abnegação, muito trabalho, apanhava quase todo dia, era tratada com desrespeito - mas as grandes almas são assim - conseguem transformar até o mal em bem, como a terra boa que transforma esterco e matéria morta em adubo de flores...


Já minha avó teve uma vida muito diferente. Forçada a se casar com um homem mais velho que seu próprio pai descobriu, quando estava grávida do seu primeiro filho, que ele já era casado em Portugal - nessa hora ele a abandonou. Depois de muita dor e sofrimento (ela era analfabeta, não sabia que esse casamento não tinha validade jurídica e que poderia ser anulado...) acabou encontrando meu avô - e com ele viveu feliz por toda a vida, mesmo sem nunca terem se casado.

Assim, dentro de minha própria família, eu já tinha um exemplo de que a felicidade não é sempre encontrada da forma como nos dizem, nos moldes que nos são estabelecidos forçadamente...



Mas o condicionamento nunca parava. Por exemplo: minha mãe tinha umas primas - todas professoras. Eram mulheres bonitas, portuguesas muito sérias e prendadas. Moravam as quatro irmãs juntas numa casa maravilhosamente arrumada, com toalhinhas de crochê em todo canto, colchas lindíssimas, cortinas, enfeitavam cada canto com jarros de flores... Falavam baixo, se vestiam modestamente mas sempre com bom gosto e sempre nos visitavam. Quando elas saíam, eu sempre me ressentia da pena que minha mãe e minha avó sentiam delas, "pobres solteironas"... Haviam sofrido muito com um pai mal e abusivo, depois uma delas teve uma desilusão amorosa e assim, meio por decisão, meio por destino, nenhuma delas se casou. Eu me ressentia porque, na verdade, eu achava que elas estavam melhor assim do que se estivessem sofrendo ao lado de um beberrão, apanhando, tendo um filho atrás do outro e tendo que batalhar pelo leite e o pão prá dar prá eles... A casa delas parecia casa de boneca, elas tinham seus próprios salários, passeavam, viajavam - prá mim elas estavam bem demais. 

Mas minha mãe e minha avó diziam: "Você não percebe, Rosa, a tristeza no olhar delas? A gente foi criada prá se casar e ter filhos, tá na Bíblia...".

Bíblia. Tem tanta coisa na Bíblia que eu não entendo... Tem hora que cortam as cabeças das pessoas, mesmo nos Dez Mandamentos dizendo prá não matar - vá entender. Prá mim, o que a Bíblia tem de bom mesmo dá prá ser bem resumido assim: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo" - não precisa estender, não precisa complicar...

Eu ainda era uma menina, cheia de mais pensamentos do que uma cabecinha podia suportar quando a li inteirinha, procurando respostas - e foi na vida que achei algumas delas...

No fundo do quintal da minha casa tinha um terreno enorme, que pertencia ao meu avô, que às vezes estava baldio, às vezes alugado como depósito - mas a maior parte do tempo só servia prá gente deixar viver algumas galinhas. Ele era circundado por muitas casas, que ficavam no meio da quadra que eu morava - e uma das minhas diversões era espiar pela quina de encontro de duas delas, onde tinha um vão de um centímetro aproximadamente. Dali eu via uma casa que ficava muito abaixo do nível do terreno e das casas ao lado (terreno que havia sido aterrado prá que fossem construídas), então eu olhava de cima e enxergava um outro mundo, no qual havia uma moça pela qual eu nutria intensa curiosidade...

Ela era diferente das outras mulheres que eu conhecia: muito loura, muito alta, meio gordinha, usava os cabelos cortados muito curtinhos e era sempre alegre, risonha, muito simpática. Era solteira, também professora, dava aulas na escola que eu estudava. Nunca a vi com cara chateada ou triste. Morava naquela casa com o pai e a mãe velhinhos e, espiando a vida dela por aquela fresta eu a via cuidando do jardim, ganhando limonada da mãezinha, conversando com amor com ela, aproveitando a tarde na varanda. Eu não via briga e não ouvia gritaria - como acontecia na maioria das casas ao meu redor, inclusive na minha...

Assim, cresci com a noção de que nem sempre o que nos empurram pela goela abaixo é o alimento certo prá gente... E eu gosto muito de escolher o que me apetece, vocês não?


Em todas as férias e feriados que eu passo no sítio sempre tem muita gente na casa dos caseiros. Os filhos, irmãos e irmãs, cunhados, visitas - o pessoal é muito amistoso mesmo. Uma das presenças constantes é Dona Elza, que é a antiga dona do meu sítio. Um ano depois que o compramos, o marido dela morreu de ataque cardíaco e ela ficou sozinha - e olha que já faz um tempão mesmo. Dona Elza continua vindo e aproveitando o verde, graças à hospedagem na casa dos caseiros, que continuaram a amizade - e prá nós tá tudo bem, não nos atrapalha em nada.

Nas férias passadas ela estava lá e a Débora (neta dos caseiros) comentou comigo que ela estava muito triste pois há anos andava tendo um relacionamento atrás do outro e nenhum deles ficava sério a ponto do velho querer casar com ela (Dona Elza já passou dos sessenta anos...). A Débora me disse que Dona Elza comentou com a avó dela que odiava estar sozinha, que o que ela mais queria no mundo era se casar de novo...

Daí, depois de pensar por um tempo, a menina perguntou assim prá mim:

"Dona Rosa, se a senhora ficasse sozinha ia querer casar de novo? Desculpa a pergunta mas é que eu vejo que a senhora e o seu marido se dão tão bem, nunca brigam, parecem personagens de Conto de Fadas - e eu não imagino a Branca de Neve se casando de novo se ficasse sozinha..."

Conto de Fadas? A vida de ninguém é Conto de Fadas - senti vontade de dizer prá ela. São contas prá pagar, roupa suja prá lavar, criança chorando de cólica à noite, ciúmes... 

É uma luta diária, uma conquista suada atrás da outra, com desilusões e risadas no meio de tudo - mas isso ela vai ter que aprender com o tempo e a vida, pensei que não cabia a mim lhe ensinar uma lição tão importante...

Olhei práqueles olhinhos ainda cheios da inocência da infância que já está acabando e disse:

"Bom, eu não sou mais jovem, não sou uma mulher bonita, nem interessante e muito menos rica. Se um homem me quisesse a esta altura da minha vida seria prá que eu cozinhasse prá ele e lhe lavasse e passasse as roupas - e eu não quero ser empregada de ninguém. Então, se meu marido me largasse ou se Deus o levasse, eu ficava muito bem sozinha, obrigada..."

Ela deu risada, disse que eu era bonita sim - enxergada por um coração que me conhece e aprecia eu devo ser mesmo... - e achou, por fim, que eu estava certa. 

- "Ser empregada de alguém não é legal mesmo..."

Acabei dando uma lição prá ela quando eu não queria - mas eu sou assim mesmo, sem querer acabo falando demais. 

Disse que, prá gente ser feliz, tem que ter planos na vida. Projetos, sonhos, seja lá como se chame. Seja batalhar prá conseguir dinheiro e trocar a janela da cozinha, depois o trocar o portão, comprar uma planta nova pro jardim. Fazer touca de lã pros filhos ou pros netos. Completar uns estudos, partir pros próximos. Batalhar um emprego novo, sonhar uma viagem. Aprender a fazer um artesanato novo, se apaixonar por ele...

A gente não pode parar, não pode achar que, quando chega "lá", já obteve tudo. Tem que ter sempre um alvo, se manter em movimento - porque tudo que é parado mofa, cria limo, fica coberto de pó e teia de aranha. Apodrece.

Os americanos tem um ditado que, traduzido, é mais ou menos assim: "Se você quer fazer Deus dar risada, faça planos". Minha nossa! Quanta besteira! Típico de alguém que não sabe se levantar depois da queda - e quer levar outros pro chão junto com ele... Como se Deus fosse um ser pequenininho, que se diverte com pegadinhas e tombos, como algumas pessoas que morrem de rir com as vídeo-cassetadas - estão medindo Deus por eles mesmos...

Prefiro muito mais o ditado da minha sogra: "Eu planejo e Deus realiza", muito mais de acordo com a realidade - mesmo que o que Deus realize, às vezes, não seja bem como a gente planejou. Mas a gente continua planejando - sempre!

Acho que foi o apóstolo Paulo quem disse algo mais ou menos assim: "Em tudo dai graças, porque essa é a vontade de Deus para convosco"... Muito sábio isso, se levarmos em conta que Deus é pai, amoroso, pleno de misericórdia. A criança também duvida que seja pro seu bem quando leva uma picada dolorida de injeção, não é mesmo? E o pai ou a mãe não estão sendo maus, muito pelo contrário... 

É importante também a gente se esforçar prá se levantar quando cai - seja sozinha ou com ajuda, mas tem que levantar, sacudir o pó, passar remédio nos machucados e arrumar um sonho novo prá repor o que a vida roubou da gente. Nunca pode "entregar o ouro pro bandido", nunca pode desistir.

Tem que se esforçar prá perdoar os outros e deixar prá lá - mágoa e ressentimento são trambolhos muito pesados prá se carregar na marcha da vida.

Acima de tudo, eu acho que felicidade tem a ver com acreditar em Deus. 

Graças a Ele, mesmo se você estiver sozinha numa caverna situada numa ilha deserta, ainda assim, você nunca estará só - mas a forma como você sente Deus na tua vida é muito importante também... 

Tem que aprender a enxergá-Lo não como um Deus distante, poderoso, que coloca obstáculos e nos castiga pelo caminho prá nos fazer fortes (através de acontecimentos que nos fogem, na maioria das vezes, à compreensão...) mas como um Pai que, nos querendo fortes mediante todos os percalços da vida, ainda assim é amoroso e presente dentro do nosso coração; que nos consola e aconselha sempre, mesmo que com palavras que não consigamos ouvir (como não conseguimos ouvir certos sons que alguns animais ouvem...).

Por fim, acabei dizendo a ela que esperava que Dona Elza conseguisse ser feliz - mas por ela mesma. Não acredito em alma gêmea, em metade da laranja - acho que Deus não faz nenhum filho incompleto, faltando pedaço. Todos nós temos lá dentro o necessário para buscar e atingir a felicidade na medida do possível para esta vida - e termos alguém do nosso lado é muito bom, mas não estritamente necessário. O mundo tá cheio de gente que pode nos ajudar a ser mais felizes, seja sendo nossos irmãos, amigos, companheiros de jornada ou simplesmente cruzando nosso caminho, um determinado dia e fazendo a diferença... 

Resumindo: amar a Deus, não fazer mal a ninguém, ajudar o mais possível e seguir vivendo, sonhando e batalhando pela felicidade de cada dia.

Sozinha ou acompanhada, mas sem nunca desistir de um amanhã que vai ser melhor do que o hoje foi - com a graça de Deus...


segunda-feira, 24 de março de 2014

Trapilhooooooo!


Pois é: o que era material prá suprir necessidades básicas na minha infância - como fazer tapetes e cobertas sem gastar um tostão, usando sobras que iam pro lixo de uma malharia perto de casa - hoje se tornou um sonho dourado...

Primeiro eu vi no blog da Nina (O Meu Pensamento Viaja) - ela fez essa bolsa azul linda aqui:

E se a Nina faz, pode crer que tá na moda. Ou vai ficar na moda. Eita mulher chique, já viajou o mundo inteiro mais vezes que o ex-presidente Lula, conhece tudo (e tem um bom gosto de fazer inveja a uma pobre provinciana como eu...). Fala a verdade: que luxo de bolsa, não é mesmo?

Daí ela menciona o blog de onde ela pegou a receita da bolsa - que eu "paxonei", quero taaanto fazer...

É o blog EU TAMBÉM CROCHETO, da Helena. Deixa eu falar: duvido que exista no mundo inteiro e até em algum universo paralelo alguém que entenda mais de trapilhos do que ela - visita o blog prá ver só:

Ela faz bolsas lindas...


Toalhas:

Tapetes:




PANTUFAS!!!



Essas são somente amostrinhas do que tem lá: ela esbanja talento e criatividade e TUDO tem receita grátis!

Então, lá estava eu, obcecada, querendo fazer, achei o tal trapilho prá vender no Bazar Horizonte. Só que, antes de sair comprando, torrando o cartão do Marildo, pensei assim: "Eu tenho um montão de sobras de malha, dos vestidos, cuecas e calcinhas que andei fazendo... Vou fazer meu próprio trapilho prá experimentar!"

E lá fui eu cortar e emendar tirinhas de malha... Dá trabalho, não pensa que é fácil - tem que manter a mesma espessura sempre... E pior: não se escapa dos nós. Prá não ficarem muito salientes, aparecendo tanto e deixando "bigodinhos" prá todo lado, eu fiz assim: um furo na ponta de cada tira, daí enfio a tira nova e passo ela pelo mesmo buraco, bem assim:

Corta as tiras de malha na mesma largura
 
Dá um pique com a tesoura nas duas pontas de cada tira - não muito grande, porque estica e vira um buracão.
 
Passa a ponta de uma das tiras por dentro da outra

E por dentro da tira que você acabou de passar pelo buraco, passe a outra ponta dela mesma, fazendo um círculo.

Daí você puxa com carinho e o nó fica assim: economiza tecido e não fica nem caroço nem bigode de emenda.

Fica mais fácil vendo o desenho no Paint que eu fiz:



Então, feito isso, enrolei as bolotas de trapilhos e fiz uma pantufa (prá esquentar meus pezinhos velhos e cansados...) e um cestinho, bem básico, prá sentar no sofá fazendo um crochê ou uma costurinha.

E eles ficaram assim:


Não, não! Isso é um bolo que deu errado!


Vixe! Tá até parecido, mas não - isso é arroz queimado...


Na-na-ni-na-não! Isso se chama carne isturricada!


Credo! É feijão que queimou na panela - (mas até que lembra um pouquinho...)!

Cá estão - as experiências fracassadas números 2.456.789 e 2.456.790:




"Que lixo, Dona Rosa!

"Meritíssimo, eu protesto! Em minha defesa quero argumentar que tenho artrose nos dois polegares. Além do mais, deve-se levar em conta que meu trapilho não é lá essas coisas, é caseiro e cheio de emendas..."


E se posso acrescentar algo mais, desta vez em defesa das peças em questão, as pantufas ficaram deliciosas de vestir (massageiam a sola do pé que é uma beleza) e não escorregam - fiz a prova dos patins no piso: na frente dos meus filhos (incrédulos!) eu simulei que estava patinando e não escorreguei (mas quase que eles passaram mal, de tanto rir de mim - coisas ruins!). 

Mesmo assim, só me deixam usá-las na parte de baixo da casa - nada de subir escadas...


E o cestinho todo deformado - meu Quasímodo...- tá com uma costurinha dentro - um vestido que tô fazendo pro aniversário da minha Lola, que é sábado. 

Duas obras feiosas, mas úteis - encerro meu caso, Meritíssimo.

Agora vocês, caras colegas do júri - não se deixem impressionar pelo meu "crime" - vão lá comprar trapilhos bonitos e fazer muita arte. 

Me arrisco até a dizer, sem medo de errar de forma alguma, que é um jeito maravilhoso de encher o bolso de abençoado dinheirinho: depois de ver tudo o que a Helena faz, vendo como são coloridos os fios e como é rápido de fazer o trabalho, me admiro de como as pessoas ainda não estão ficando milionárias fazendo trabalhos assim - com certeza se vendem sozinhos, só pela beleza.

Tá esperando o quê, muié? Do céu só cai chuva e sujeira de passarinho!!!

(Ah, nenhuma daquelas comidas estragadas é minha - são fotos que achei na net. Nesse quesito, pelo menos, eu arrebento. Agarrei e mantenho o Marildo pelo estômago...)


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