Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Quem foi que disse...

... que verde musgo é uma cor feia e que nenhuma mulher deveria usá-la?

Resposta: Glória Khalil. 



Sinto muito, discordo totalmente. Ela pode saber de moda, ser chique, uma sumidade em matéria de comportamento e etiqueta, mas não entende de verde. O musgo, por exemplo, é um dos meus favoritos. É sóbrio e, dependendo do tecido (ou do fio) fica parecendo ouro velho que criou vida e se espalhou pela peça. Lindo demais.

Como essa blusa das minhas bambinas: usei somente um cone de linha Brisa, que estava abandonada ao saldo da loja (bom prá mim que a maioria das mulheres não tem olho prá verde...). Menos de dez reais - e não valeu a pena?

Infelizmente a única foto que ficou fidedigna à cor da blusa é a foto do meio, do detalhe do ponto. Nas outras duas o verde ficou diferente, mas vão na loja ver a linha prá concordar comigo...

Adoro todas as tonalidades de verde - quando vou nas lojas preciso me segurar prá não comprar só dessa cor, pois é minha favorita. Acho que é terapêutica: quando vou pro sítio (quase 3 horas de viagem), quando começa a aparecer a zona rural meus olhos já começam a ficar sonolentos, meu coração bate mais calmo - e, quando estou lá, cercada de verde por todos os lados como se eu fosse uma ilha, durmo bem a noite toda, feito uma pedra. 

Acho que Deus bem sabia o tipo de seres que estava pondo prá habitar este planeta e fez ele tão cheio de verde de propósito: sabendo do nosso vermelho e quente sangue pulsando nas veias, propenso a tantas emoções conflitantes, colocou ao alcance de nossos olhos uma ótima terapia...

Bom, chega de tanto falar e vamos ao que interessa: a receita. Não precisa ter frontura prá máquina, pois os acabamentos bem simples foram feitos com a agulha de crochê. Não precisa usar cartela pois o rendado de florzinhas foi feito com o transportador, a cada 4 carreiras. Mais simples só se fizer lisa.

Façam, mesmo se pagarem um pouco mais caro a linha (tá custando menos de 15 reais o cone por aí), pois vale a pena. A cor verde musgo aliada ao brilho da linha Brisa renderam uma blusa que parece mesmo feita de ouro - se ouro fosse verde... 

Ah, já ia me esquecendo: a receita é manequim 40/42. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mula Sem Cabeça


Quando eu era pequena, ouvia histórias - contadas à noite, quando a gente não queria dormir, prá ficar caladinho ouvindo e ir dormir com medo de abrir a boca...

Daí a gente cresce e, um belo dia, assiste a Vitória Quintal na televisão ensinando a fazer Mula-sem-Cabeça - Vixe! Coisa doida! 

Se me perguntarem, eu não sei porque tem esse nome mas, cedo ou tarde a gente acaba fazendo uma. 

Ou mais - depende se você gosta do visual e da mecânica da coisa. Esta fiz prá minha enteada e ela apreciou imensamente (nunca tinha visto) e, prá falar a verdade, foi minha primeira - talvez única. 

A receita tirei daqui  e o modo de costurar, embora seja muito fácil, vocês podem conferir AQUI. Usei dois novelos de linha Cléa 1000 e 1 novelo de linha Princesa da mesma cor (a receita manda usar 3 novelos de Cléa, mas eu preferi pegar um fio de dentro e um de fora dos novelos...). Vejam mais detalhes da minha:








É facílimo de fazer, mas eu não gosto de uma coisa: a maneira como a peça é feita e depois o jeito como se amolda no corpo dá um formato arredondado às costas - mesmo se você é magrinha, é melhor ter cabelo bem comprido prá esconder essa "concha" que fica; se você estiver gordinha, fuja da "mula sem cabeça" - deixa mais gorda, não importa o que digam.

Apesar disso, é uma peça versátil, que dá prá usar tanto no inverno quanto na meia estação - mas verão nem pensar, calor do jeito que faz aqui pros meus lados...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Seguindo a correnteza

Quem conhece o bairro que eu moro sabe que é cheio de ladeiras. Dizem que o nome, Penha, foi dado por D. Pedro II quando por aqui passou a caminho do Riacho do Ipiranga, a fim de proclamar a Independência do Brasil, vindo do litoral. 

Todos esses quadros dele montado num cavalo, com o braço erguido segurando uma espada, não podiam ser mais fantasiosos: na verdade não eram cavalos - e sim burros, que eram mais fortes e resistentes... - e ele estava fraquinho (devido a uma diarreia decorrente de ter comido frutos do mar estragados...) e, portanto, não levantaria nem mesmo o braço vazio (mas cadê a poesia da cena, se a realidade fosse - assim - retratada na pintura?). Daí, ao passar por aqui, ele disse que o local lhe lembrava uma localidade qualquer na França e como era lotado de penhascos e barrancos, deu o nome de "Penha de França", que é o nome da nossa avenida principal, no centro do bairro... 

A rua em que nasci e me criei é, até hoje, assim: alta de um lado, baixa do outro. De um lado as casas ficam mais altas que a rua e, do lado da casa minha mãe, as casas ficam abaixo do nível do calçamento e a gente tem que descer uma escada prá chegar na porta de entrada. Muitas vezes eu aproveitava esse desnível prá espiar o que estava acontecendo sem ser vista: escondida, no meio da goiabeira do jardim, eu olhava o que acontecia através da grade do muro - xeretando...

Havia naquele tempo muitas pessoas que ganhavam a vida - como ainda há hoje... - vendendo coisas de modo itinerante: vendedor de amendoim, pipoca, quebra-queixo, sorvete, biju, algodão doce... 

De todos, o que parecia mais pobre era um velhinho meio surdo, vestido com um paletó marrom surrado, uma calça igualmente velha e curta, usando um sapato de couro marrom sem brilho e furado e, na cabeça, um chapelão de palha rasgado - uma figura de outros tempos, já naquele tempo. Na mão, levava uma cesta de palha, como as de piquenique e, dentro dela, paçoquinhas Amor, balas Banda, doces de abóbora e de batata doce em formato de coração, bananinha , gibi e pipoquinha doce - um tantinho de cada... Tudo vendido por centavos - e, na maioria das vezes, eu não comprava apesar de ter vontade, porque não tinha centavos...

O velhinho - como eu disse - era praticamente surdo, o que significa dizer que ouvia errado o que a gente dizia. Percebendo isso, uns garotos que moravam na minha vizinhança gritavam pro velho a pergunta: "Vende fiado?" - e... bem... vocês podem imaginar o que o velho entendia, não é mesmo?

Toda vez que alguém gritava isso pro velho ele ficava fora de si, pois escutava ofensas e gritava pro vento "Quem falou isso? Vocês não tem educação? Eu vou descobrir onde vocês moram, vou falar com a mãe de vocês...". Tadinho...

Me dói pensar que, um dia, eu fui como um desses meninos... Não sei onde eu estava com a cabeça - ser criança não é desculpa. Eu vi os garotos rindo tanto, escondidos dentro do quintal de um deles, que senti vontade de rir daquele jeito também: escondida ali, no meio da goiabeira, eu gritei "Vende fiado?" e, de imediato, como se recebesse de volta um tapa na cara, me senti a pior das criaturas. Não senti vontade de rir: o transtorno do velhinho me doeu como se ele fosse meu próprio avô, que havia morrido alguns meses antes...

Corri e fui contar prá minha avó - prá perguntar por que eu tava me sentindo tão triste... Lá estava ela, o avental ensopado de água na barriga, esfregando roupas no tanque - o cheiro gostoso do sabão criando uma aura perfumada em torno dela. Depois de me escutar ela parou de mexer nas roupas, enxugou o rosto suado no ombro do vestido e, me olhando com aqueles olhos grandes e cheios de amor, me disse:

-"É assim mesmo, Rosa... Quando a gente não pensa nas coisas antes de fazer, acaba tendo que pensar muito nelas depois, remoendo, remoendo... Remorso é assim. Prá isso que Deus deu cabeça prá gente pensar: pensando bem antes de fazer - na maioria das vezes - a gente evita ter que sofrer com o remorso depois...".

Eu entendi claramente a lição - como sempre entendia tudo o que ela me falava, pois a chave do meu coração era dela... Ainda hoje eu carrego em mim esse remorso, esse fardo absurdo que eu me condenei a levar porque não pensei. Rosa, a "Maria vai com as outras". 

Prometi prá minha avó - e, mais importante, prá mim mesma - nunca mais fazer coisas sem pensar; prometi nunca mais me deixar levar pelos acontecimentos, pelo chamado do grupo e fazer o que os outros fazem, sem ter um bom e justificado motivo prá isso.

"O grupo" - que seria da espécie humana sem ele? Imagina uma pessoa sozinha prá sobreviver na natureza, sem outros seres humanos prá lhe fazer companhia? A gente divide tarefas, compartilha alimentos, moradia, se protege mutuamente, faz planos, divide sonhos... Os bons seres humanos carregam os feridos em meio à guerra!

Eremitas, no meu entendimento, são pessoas literalmente absurdas, selvagens, contra a natureza da nossa espécie - muito embora eu, às vezes, bem lhes entenda o motivo prá fugir ao convívio dos outros, vocês não?. 

Seguir o movimento do grupo pode significar a diferença entre a vida e a morte, em muitas situações: imagina o homem pré-histórico coletando frutos e, num canto, o alerta de um deles avisando da chegada de um predador. Normalmente o grupo mais próximo corre prá longe do bicho - e seguir esse grupo seria a melhor escolha. 

Contudo, o chamado do grupo nem sempre é correto. O grupo também se une prá fazer besteira, prá depredar, invadir, cometer violências. 

Torcedores fanáticos matam pessoas que torcem pro time contrário, anônimas e protegidas pela força do grupo. 

Arruaceiros de cabeça escondida em panos depredam ônibus, órgãos públicos, invadem e roubam mercados - bandidos disfarçados de revolucionários sociais.

As máfias são grupos...

Mas não é só da violência física que se valem os grupos: as discriminações correm soltas nas redes sociais - causando danos tão grandes quanto as destruições físicas. 

Discrimina-se quem é gordo, negro, pobre, gay... Ataca-se quem é umbandista, católico, espírita, evangélico... Cada grupo se acha dono da razão e repleto de direitos de discriminar, humilhar e excluir quem não faça parte do seu círculo...

Tempos difíceis...

A globalização que devia nos unir e os veículos de comunicação que deviam suprir nossas diferenças culturais e de idioma, nas mãos erradas, se tornam ferramentas de separação e de incentivo ao ódio. Cada vez mais parece que deixamos de ser uma única espécie e retornamos às tacanhas noções de raça e de casta: nos apegamos a mixarias que nos dão a falsa noção de sermos melhores do que os outros, mais bonitos, mais merecedores de uma posição de destaque perante o resto da humanidade.

Prá quem vamos correr e perguntar o porquê das tristezas, o que é certo e o que é errado? No ombro de quem vamos chorar nossos erros e ao lado de quem vamos nos sentar, remoendo os remorsos, se continuarmos assim, nos separando de tudo e de todos?

Nem sempre seguir a correnteza leva a um lugar bom, a um porto seguro...

Tudo o que é alimentado cresce e se torna forte, seja uma laranjeira ou uma erva daninha, uma criança ou um sentimento.

Se continuarmos alimentando as diferenças, não nos sentiremos filhos do mesmo Pai nunca.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Forno

Quando minha avó era menina e morava em Trás-os-Montes, em Portugal, elas levavam o pão prá assar num forno grande que tinha no meio da vila - assim ela contava. E toda mulher sabia qual era o seu pão, pois cada uma fazia seu próprio desenho, seu formato... Elas plantavam praticamente tudo, até o linho das roupas que vestiam - e iam bater os molhes do trigo na beira do riacho, prá amaciar a fibra e depois tecer... Eita vida dura - e a gente reclamando de ir na geladeira pegar o legume já tirado do pé, levar na pia esse legume praticamente limpo, sem terra nem bichinho e preparar o almoço!

Bom, prá essas horas de preguiça sem sentido nem razão é que inventaram o forno - aquele que vem na parte de baixo do nosso fogão à gás... 

Você pode começar com batatas: descasca, corta em rodelas grandes, cozinha por pouco tempo em água bem temperadinha - vale dente de alho, pedaço de cebola, pimenta... - daí escorre, coloca na assadeira, rega com azeite ou manteiga derretida, põe queijo parmesão ralado e leva pro forno prá gratinar (pode jogar um copo de requeijão light também, prá dar mais gostosura...). Pronto! Acompanha o que você quiser e é bom até dizer chega.

Batata frita - adoro! Mas se a gente comer toda hora que tem vontade acaba com cirrose - igual aos alcoólatras,  porque o nosso corpo reage muito e essa sobrecarga de fritura destrói o fígado da gente, com o tempo... Daí você compra aquela deliciosa batata palito congelada e, ao invés de fritar, assa - Não! ELA É PRÉ FRITA EM GORDURA HIDROGENADA! Mesmo se você assar, tá comendo fritura! 

Faz assim: Descasca as batatas (se as cascas forem lindas e limpinhas, nem precisa descascar, pois fica deliciosa com essa pelinha...), lava, dá uma secada no pano de prato. Daí corta em palitos, como se fosse fritar e coloca todas numa bacia bem grande ou travessa, que caiba tudo. Tempera com sal, pimenta - se quiser - e óleo de milho ou girassol ou até azeite de oliva. Mexe tudo com as mãos até espalhar bem por todas as batatinhas. Põe numa assadeira (de preferência anti-aderente ou então forra com papel manteiga) e leva pro forno quente até que, ao espetar com o garfo, ele entre fácil - normalmente uns 40 minutos em forno médio. Elas ficam deliciosas, crocantes e coradas por fora, macias por dentro, parecendo batatas fritas - mas com bem menos óleo e nenhuma grama de gordura hidrogenada, que não é nada saudável.

Aliás, uma outra receita que fica maravilhosa de batata e tem até vídeo prá vocês aprenderem é esta do Canal GNT. Assistam que é bem rapidinho.

Legumes: tem gente que diz que os filhos não gostam de comer legumes - os meus adoram, desde pequenos. Se satisfazem com um pratão de salada e um ovo cozido...

Quer fazer legumes deliciosos e saudáveis? Asse eles. Primeiro que, ao cozinhar os legumes, muita da nutrição deles vai embora na água. Segundo que legumes cozidos não tem a menor graça... Assando eles ficam deliciosos, firmes, crocantes, maravilhosos!

Brócolis e couve-flor: separe os buquezinhos - preferencialmente dos mesmos tamanhos - lave, escorra, tempere a gosto e leve pro forno na assadeira - 10 minutos de um lado, mexe com uma espátula, 10 minutos do outro. Depois de assados, pode temperar como salada ou pode, após os primeiros dez minutos, cobrir com queijo ralado e deixar gratinar - fica tão bom! Quero ver alguém dizer que odeia brócolis...

E que tal fazer uma misturona de tudo o que você tem na geladeira? Flores de brócolis, couve flor, abobrinha, cenoura - pode por fatias de pimentão, batatinha, vagens, pedaços grandes de repolho, pedaços de batatas doces... Corta todos os legumes - os mais duros em pedaços menores, os que normalmente cozinham mais rápido, corta maiores. Lava, tempera com sal, pimenta, cebola picada, alho - pode por cheiro verde, manjericão, orégano (o que você gostar mais - ou experimenta algo novo, como alecrim, sálvia, estragão...). 

Coloca na assadeira:

Rega com azeite, um pouco de vinagre...

Assa por meia hora em forno médio (afinal, é uma tonelada de coisas...), tira do forno... 
Dá uma mexida e leva prá assar novamente. Tá vendo como vai ficando?


Daí, pega um bom queijo parmesão e tira lascas e lascas dele (é, eu sou exagerada mesmo...):

Joga por cima... 

E devolve pro forno, pro queijo derreter:

Nham, nham...

O teu trabalho foi lavar e picar tudo - o forno é que preparou, e ficou maravilhoso.

Berinjela - adoro. À parmejiana então!!! Mas se a gente faz com a berinjela crua, alternando camadas com molho e queijo e levando prá assar não fica tão bom como quando a gente frita as fatias dela à milanesa, não é mesmo? Então assa!

Corta em fatias de mais ou menos 1 cm de espessura e deita elas na assadeira untada com óleo ou azeite. Leva prá assar 15 minutos de cada lado, em forno médio. Assim:

Depois é só montar a sua "lazanha" de berinjela. Ou então, faz ela vinagrete:

Corta cebola (roxa é mais gostosa...) em pedaços mais ou menos grandes (que assim quem não gostar de comer cebola pode tirar mais fácil) e deixa de molho em vinagre de vinho tinto por pelo menos uma hora (o vinagre dá uma cozidinha na cebola). Passou esse tempo põe sal, pimenta, um dente de alho esmagado e bastante azeite extra virgem. Na hora que tira as berinjelas do forno, enquanto ainda estão fumegando, pica elas na assadeira e joga esse vinagrete por cima - elas absorvem de imediato todo esse sabor e ficam deliciosas! Prontas prá jogar em cima de uma massa de pizza e cobrir com queijo, ou prá servir de molho pro macarrão ou ainda prá fazer sanduíches... 


E prá aproveitar bem o forno, enquanto assa as berinjelas, que tal assar uns tomates também? Se forem cereja é só cortar no meio - se forem grandes, corta no meio e tira as sementes. Assa, vira, assa mais um pouquinho e daí tempera vinagrete também e fica com essa delícia aqui (prá usar na pizza, no macarrão, no risoto, no sanduba...):

Por fim - olha só o que tem sido o jantar aqui em casa:

Alface bem fresca cortada em tiras, tomatinhos cereja em metades, pepino japonês em cubos, repolho roxo passado no processador, cenoura ralada - salada crocante e deliciosa, temperada com sal de alho feitinho na hora, azeite, vinagre... e um ovo cozido prá acompanhar. Cada um ganha um desses, mais um copo de suco de melão com hortelã, ou limonada, ou suco de manga, bem geladinho - e ficam felizes, conversando e rindo com a boca cheia... - de satisfação (que comer em família tem que ser assim, muita risada, muita conversa, tempo bom e de qualidade...). 

Meus filhos ficam um tempão mastigando, dizendo que é uma das coisas que eles mais adoram comer - e vão dormir bem alimentados, porque a comida foi fresca, saudável e colorida - bom demais. 

É assim: já que a gente não consegue escapar da cozinha, pelo menos vamos fazer com que esse tempo valha realmente à pena, fazendo coisas gostosas e práticas...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"Paxonei!"

Meus filhos que me apresentaram - como não se apaixonar?

É uma chihuahua de cinco aninhos, que só tem um olho e uma linguinha que vive pendurada - repito: como não apaixonar? Seu nome é Yogurt, a cachorrinha Pirata...


Tem coisa mais fofa? 

Não é linda, piscando o único olhinho que tem?

É tão pequenininha, que uma flor...

Vira um chapéu...

Uma pulseira vira uma coroa!

Não é de explodir o coração da gente?

Eles me mostraram e eu fiquei"Ahhh!", "Ohhh!", "Que lindaaaaa!"

Daí minha Pequena escutou e subiu as escadas correndo (escutei suas unhinhas raspando no piso, apressadinhas...) - pensando que eu tava falando dela. Eu olhei e falei "Mas não era de você que a mamãe tava falando não, Trubufu - tem outra cachorra mais linda no Universo, você perdeu sua posição no ranking..." . E ela, apesar das palavras, sentiu o amor na minha voz, ficava abanando o toquinho de rabo, olhando prá mim com as orelhinhas prá trás, sendo a coisinha mais encantadora e eu me rendi: "Não, amor! Não é verdade! Você é a mais linda do meu coração, a minha princesinha..."

É isso que mais me encanta nos cachorrinhos (embora eu também ame gatos, que são tão senhores de si, tão independentes, mas...): eles sempre esbanjam amor, te olham como se você fosse o mundo todo prá eles - e, apesar de ter gente que acha isso carência afetiva, eu posso assegurar que tenho afeição de sobra, mas amor nunca basta, nunca é suficiente. Não existe sobrecarga de amor, vocês não acham? Quanto mais, melhor.

E isso também me lembra um dos atributos mais maravilhosos da nossa espécie: a capacidade de amar e proteger os mais fraquinhos, os doentinhos, defeituosos... Entregue à própria sorte, na natureza, essa cachorrinha provavelmente nem estaria viva - mas um ser humano cuida dela com todo amor... Mesmo nós, que nada temos em comum com ela, ao vermos suas imagens na tela do computador ficamos extasiados com sua aparência engraçadinha. 

Querem outro exemplo? Vão no blog da Lígia, o  LILASES E AZUIS. Lá vocês vão ter exemplos maravilhosos desse amor incondicional de uma mulher incrível por seus animaizinhos e da riqueza acrescentada à vida dela através da reciprocidade deles...

Vocês já imaginaram como seria chato este mundo sem os animais? E eu nem estou falando em alimentação, pois eu não como carne (só peixe, de vez em quando): como seria mais difícil e sem graça a gente acordar todo dia e não escutar um passarinho cantando ou assistir o sol se por, num final de tarde, sem escutar ao longe um cachorro latindo...

Deus, em sua infinita bondade, pensou em tudo: fez o céu ser azul (já pensou se fosse vermelho, como o de Marte?), fez as plantas em repousantes e frescos tons de verde (já pensou: podiam ser todas cinzas?) e povoou o planeta com infinitas formas de vida, vibrantes em sua busca pela sobrevivência, coloridas, barulhentas, maravilhosas!

Agradeça a Deus por mais este dia de sol (ou de chuva...), pelo Divino mistério do teu coração estar batendo dentro do peito, como um relógio que marca o compasso da tua existência - rápido em momentos de alegria, pesado nas tristezas - como um tambor que te convoca prá batalha de seguir vivendo - e amando.

E prá minha pequena eu fiz esta tirinha - na verdade eu fiz prá participar de um concurso da internet, mas acabei de saber que os concursos de blogs estão todos proibidos, então... Serve, ao menos, prá vocês acharem bonitinho...





terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ser feliz como puder


Bom, eu sou partidária fervorosa da felicidade - em todos os seus aspectos.

Primeiro porque eu concordo com a frase acima: gente que pratica o mal, que se mete na vida alheia só pode ser infeliz ao extremo - gente feliz tá ocupado em ser feliz, não incomoda ninguém.

E - assim sendo - acho que é dever de todos nós sermos felizes (e fazermos felizes o máximo de gente que a gente puder - não do jeito que a Rita Lee queria fazer gente feliz naquela música... Cruz Credo!). 

Por exemplo: dia desses, acompanhando a Lola e o Ike na dentista, sei-lá-por-que-cárgas-d'água eu comentei com ela que mimo meus filhos ao extremo. Disse: "Acredite se quiser, doutora: meus filhos nunca comeram melancia com caroço. Eu pego a melancia, tiro a casca, corto em fatias, tiro todos os caroços, corto em cubos, divido nas tigelinhas e distribuo pro Marildo e pros filhinhos..."

Ela ficou horrorizada! Disse que eu não estava criando meus filhos pro mundo, que eles iriam ficar prá sempre dependentes de mim...

Bom, eu não acho. Os três sabem fazer todo tipo de comida - e cozinham maravilhosamente bem, muitas vezes até melhor do que eu. Aprenderam desde pequenos, inspirados pela mãe e pela vontade de saber fazer. Não se negam a fazer nada - mas é prazer meu fazer prá eles.

Há uns anos atrás eu tive que acompanhar o Marildo no Pronto Socorro - ele estava com cólicas renais horríveis. Chegamos em casa quase dez da noite: eles tinham feito um jantar super caprichado, suco de frutas geladinho e torta de maçã (que buscaram receita na internet...). Tinham até feito suspiro de clara de ovo caramelado no forno, em cima da torta - tudo delicioso, tudo feito com amor.

Por essas e outras eu os mimo mesmo. Eu penso assim: o mundo nem sempre vai tratar meus filhos com amor, mas eu vou.

E parte de tratar bem é fazer uma comidinha sempre gostosa, que é prá eles quererem sempre levar marmita da comida da velha e vir prá casa loucos pelo que vai ter pro jantar...

Daí vem o... ROCAMBOLE DE CHOCOLATE BRANCO!!!

Massa: 3 gemas de ovo, 3 claras batidas em neve bem firme, 12 colheres (sopa) de açúcar, 1 colher (sopa) de manteiga ou margarina, 8 colheres (sopa) de farinha de trigo, 16 colheres (sopa) de água, 2 colheres (chá) de fermento Royal.

Coloque numa tigela as gemas de ovo, a manteiga e o açúcar. Mexa com a colher até ficar homogêneo. A água deixa no copo e vai fazendo assim: põe uma colher de farinha e duas de água - mexe, mexe até incorporar bem. Vai acrescentando sempre 1 colher de farinha e duas de água até acabar. No fim põe as colherinhas de fermento, mexe bem e acrescenta 3 claras batidas em neve bem firme, mexendo delicadamente prá não espantar as bolhinhas de ar das claras. 

Pega uma assadeira retangular grande (pelo menos 30 x 40 cm) e forra ela com papel manteiga. Unta bem o papel manteiga com manteiga ou margarina - não precisa polvilhar com farinha. Vai despejando a massa do rocambole às colheradas e espalhando na forma, até cobrir todo o fundo.

Forno pré aquecido 15 minutos, na temperatura mais baixa: põe o bolo prá assar e fica de olho - assa rapidinho. No meu forno tava pronto em menos de 15 minutos (porque é fininho). 

Enquanto tava assando, faz o recheio:

Recheio: 300 g. de chocolate branco picado, 1 caixinha pequena de creme de leite leve, 50 ml de suco concentrado de maracujá.

Derreta o chocolate branco no microondas ou no banho maria, vá juntando aos pouquinhos o creme de leite e mexendo, prá misturar bem e dar uma esfriada. Acrescente o suco de maracujá, mexa e reserve.

Terminou de assar o bolo faz assim:

Põe na mesa um pano de prato esticado, do tamanho da assadeira. Cobre esse pano com filme PVC, polvilha um pouquinho de açúcar. Segurando pelo papel manteiga retire o bolo da assadeira e vire-o por cima do pano de prato coberto com pvc. Daí vá descascando o papel do bolo - sai fácil. 

Com uma colher vá passando o recheio de chocolate branco por todo o bolo, espalhando bem. Enrole com o auxílio do pvc - mesmo se rachar, tá em casa, fica gostoso do mesmo jeito. 

Cobertura: 1 caixinha de creme de leite leve, 1 colher (sopa) de açúcar, gotas de essência de baunilha.

Depois que ajeitou o rocambole na travessa em que vai servir, coloque o creminho de cobertura por cima e seja feliz!

Sugestões de recheio:

- pica pedaços de goiabada, leva ao fogo com um pouco de água em panela anti aderente. Mexe até derreter. Pode usar sozinha ou com requeijão - daí fica rocambole romeu e julieta...

- 1 lata de leite condensado cozida na panela de pressão por 20 minutos (depois que começou a chiar a panela). Cuidado! Tem que deixar esfriar antes de abrir!Abre a lata já fria e espalha com colher no rocambole.

- Chocolate meio amargo derretido no microondas, 1 latinha de creme de leite leve e passas embebidas no rum.

- 1 lata de leite condensado e dois pacotinhos de coco ralado - mistura, deixa o coco roubar umidade do leite condensado e se hidratar um pouco e emprega.

- massa de brigadeiro;

- o mesmo recheio de chocolate branco mas sem o maracujá - ao invés dele, coloque morangos picados em pedaços.

- o mesmo leite condensado cozido na panela de pressão misturado com ameixas pretas em calda, picadas.

É isso: pedaços de felicidade recheados e cobertos com amor - foge daquele bolo comum de cada dia, fica leve e com cara de festa - todo mundo ama.

Faz, faz, FAAAAAAAZ!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Twin set levinho


Feito com uma linha de algodão bem fina - Camila 1000 - que tem mil metros e cores até dizer chega, esse conjuntinho ficou extremamente delicado - é uma rendinha!  De dois novelos sobrou meio - nada mal em questão de economia: o conjuntinho sai por menos de 15 reais. 

A beleza está no ponto: graças a agulhas que ficam sem tecer - e que são transportadas de lugar a cada 20 carreiras - formam-se esses casulos meio vazados, que conferem à peça transparência e leveza.

É extremamente fácil de fazer e também muito rápida - até quem gosta de trabalhar só com cartelas e teme perder tempo tecendo com o auxílio do transportador não vai chiar com o ponto. De resto é só ficar atento prá não mudar os pontos sempre na mesma direção, prá não enviezar a peça e aumentar pontos para colocar nas agulhas vazias, na hora de arrematar - pois assim não fica franzida.

Aqui estão mais imagens:












E um desenhinho no Paint prá facilitar o entendimento da mecânica do ponto:

A receita da blusa de fora eu repeti: fiz desta minha outra blusa AQUI.

E a receita da regatinha prá usar por baixo é desta minha outra AQUI

Mãos à obra, pessoal, que daqui a pouco é verão e todo mundo vai querer uma belezinha dessas, delicada e vaporosa.

(Ah, Dona Isaura Carvalho... Se eu soubesse fazer os seus acabamentos lindos, não tinha demorado tanto nos crochês das bordas...)


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