Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Orações e Tempestades

Nasci numa casa pequena - um quarto, sala, cozinha e um banheiro do lado de fora - gêmea idêntica da casa da minha avó, grudada na minha. Debaixo das duas casas tinha porão e, como as duas casas ficavam numa espécie de barranco, os porões tinham alturas variadas: debaixo do quarto e da sala só cabia um ser humano de joelhos, mas embaixo das cozinhas os porões tinham a altura de quartos. E assim, bem rebocados, com janelas e portas, eram alugados como se fossem um imóvel extra.

Sempre tinha alguém alugando os quartinhos - muitas vezes eram famílias grandes, de passagem até conseguir coisa melhor. Quando meu avô morreu, em 1967, minha avó veio morar com a gente e acabou alugando também a casa dela.

Eu era muito amiga das meninas dessa casa - Renata e Romilda, nunca esqueço seus nomes. Os dois meninos também tinham nomes com R (os deles eu não lembro muito bem...).

Certa vez veio morar nos porões uma família de caboclos do interior - pela aparência se sabia que descendiam de índios brasileiros com portugueses, aqueles cabelos muito pretos e lisos, a pele bem bronzeada. Tinham 5 filhos, dos quais só me recordo do nome da mais velha: Jerusa. Achava o nome dela a coisa mais linda - me fazia lembrar, ao mesmo tempo, de Jesus e de Jerusalém, por causa da sonoridade... Ela devia ter uns 7, 8 anos - um pouco mais nova do que eu, que devia estar com nove anos de idade.

O casal saía prá trabalhar e deixava as cinco crianças lá dentro, trancadas pelo lado de fora. Deixavam comida feita e a mais velha era quem alimentava os menores. Eram crianças quietinhas, ficavam o dia todo trancadas e não se ouvia bagunça nem choro, muito comportadas e tímidas.

Bom, aconteceu que, um dia, teve um daqueles temporais típicos de inversão térmica - uma manhã de sol forte e, de tarde, o tempo mudou drasticamente e veio aquela chuvona, cheia de raios e trovões. E - em meio ao barulho enorme que fazia a chuva - escutamos os gritos apavorados daquelas crianças.

Deixa eu explicar a mística da chuva na minha infância: a gente cobria os espelhos com lençóis - porque eles atraíam os raios - bem como não deixávamos nada elétrico ligado e nem mexíamos em nada metálico (pelo mesmo motivo de não atrairmos os raios...). Minha mãe parava de pedalar a máquina de costura e a gente ficava parado, geralmente acompanhando minha avó e minha mãe em orações, pedindo a Deus prá acabar logo o temporal e não machucar ninguém. Aliás, cabe a mim dizer aqui que ninguém reza com tanto fervor quanto os pobres: muitas vezes a fé na bondade Divina em meio aos problemas da vida é tudo o que se tem, não é mesmo?

Tinha uma oração que aprendi com elas - Oração à Santa Bárbara - que era como uma poesia, pedindo a intercessão dessa santa para parar de relampejar:

"Santa Bárbara se levantou,
seus sapatinhos calçou
"Onde vais, Bárbara?"
"Vou armar as trevoadas"
Trevoadas estão armadas.
Derrama-as prá bem longe,
Onde não haja pão, nem vinho,
nem o choro do menino..."

Assim minha avó falava: "trevoadas"... Saudade do jeito que ela falava... 

Bom, a oração segue - é um pouco maior e, instintivamente, até hoje eu a rezo, quando tem raios cortando o céu escuro no temporal...

Voltando ao que eu dizia: ouvimos os gritos desesperados das crianças trancadas e minha avó (que tinha uma cópia da chave, por ser a dona dos quartinhos) me mandou ir até lá, ver o que estava acontecendo.

Entrei e a cena era de cortar o coração:

Eles não tinham cama - apenas colchões pelo chão; nos cantos das paredes estavam sacolas e caixas onde estavam todos os seus pertences. Não havia geladeira e o fogão era pequeno, de duas bocas, sem forno. Minha pobreza quase desapareceu perante a deles...

Mas o que mais me impressionou não foi o que eles tinham - nem o que lhes faltava: abraçadas num canto, apavoradas, estavam as cinco crianças, com os olhos muito arregalados, lavadas de lágrimas. Medo do estrondo dos trovões, medo dos clarões...

Nem estranharam eu entrar na casa, até gostaram. Comecei a dizer que tava tudo bem, que era só chuva, que ia passar... Cobri com um pano as panelas e o fogão e disse prá elas que ia rezar prá que os trovões parassem, prá que a chuva fosse embora - e rezei a Oração de Santa Bárbara... 

A chuva já devia estar no fim - são mesmo assim as tempestades de verão - e os trovões foram soando cada vez mais espaçados uns dos outros, cada vez mais longe o barulho, indo embora...

As crianças ficaram tão calmas, tão agradecidas! A mais velha - Jerusa - me pediu prá escrever a oração num pedaço de papel, prá ela poder rezar e ensinar os irmãozinhos (assim eles não iam nunca mais ter medo da chuva...). E eu escrevi, toda feliz!

Uns dois dias depois aconteceu uma confusão danada! Eu não sabia, mas eles eram de uma religião totalmente intolerante com práticas e orações diferentes das deles e levaram muito a mal eu ter ensinado a oração... Discutiram violentamente com minha mãe e minha avó, dizendo que nossa família estava tentando desviar a deles do caminho certo, pondo a perder seus filhos! Naquela mesma semana se mudaram: um conhecido deles da igreja que frequentavam arrumou um pequeno caminhão prá fazer o carreto. As crianças nem levantaram os olhos do chão prá olhar prá mim, que do meu quintal espiei a mudança ser carregada...

Esse foi meu primeiro contato com a intolerância religiosa. Não cabia na minha cabeça o porquê da briga: eu tinha ido ajudar os filhos deles, que estavam trancados e com medo - e tinha gerado aquela confusão toda somente por partilhar uma oração! Me lembro de ter perguntado prá minha avó, um tempo depois (de tanto ficar batalhando com meus pensamentos) se ela tinha ideia de qual seria a religião de Deus - pergunta que minha avó achou boba: "Deus não precisa de religião, filha! Deus é Deus! Nós é que precisamos de religião, prá poder falar com Ele...".

Essa ideia me atormentou durante muitos e muitos anos. Com 13 anos li a Bíblia inteirinha nas férias de meio de ano - e não me adiantou de nada, exceto de decidir que a melhor parte dela, a que eu havia mesmo gostado de ler, eram os quatro evangelhos...

E nesses anos todos de leitura e releitura contínua desses quatro magníficos livros, eu acho que finalmente concordo com a resposta que minha avó me deu, tanto tempo atrás: Deus não tem religião, porque não precisa dela. Uma pista importante dessa resposta está na própria etimologia da palavra Religião: religar o homem a Deus - Deus, obviamente, não precisa se religar a Ele mesmo.

Deus não é judeu, nem católico, muçulmano ou evangélico. Não é espírita, xintoísta, budista e nem pratica umbanda ou candomblé. Religiões são meios prá se atingir um fim: entrar em contato com o Pai, nos religar a Ele como um dia fomos, ao sair de seu Sopro Divino quando fomos criados. Religião é como um meio de transporte: se você tem que ir de onde você está até o outro lado do mundo você pode ir de carro, de avião, de helicóptero, navio, moto, bicicleta, à pé, nadando ou até se arrastando - o que importa é ir, com determinação (e sem machucar nem atropelar ninguém no seu caminho). Uns demoram mais, se distraem no caminho; outros chegam mais rápido - mas o que realmente importa, no final das contas, é chegar.

É um crime inimaginável contra a humanidade todas as pequenas e grandes atrocidades que se cometem usando a religião como desculpa; as amizades que se turvam, as famílias que se separam, as guerras auto-denominadas santas onde se sacrificam tudo, menos o orgulho, em nome de um Deus que é misericórdia e não sacrifício... 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

50 centavos

Não dá prá nada, certo? Bom, no máximo, em alguns lugares, você compra umas balinhas, um chiclete - em lojas de 1,99 pode ser que você compre um chocolatinho. 

Ah, mas se você der uma passada na minha Penha adorada, tanto na rua Padre João quanto na Av. Penha de França, vai encontrar lojas do tipo "Explosão dos Salgados" onde dá prá comer uma mini empadinha ou um mini-risole com essa grana toda...

Eu - com 50 centavos - fiz esta blusa: 




Não acredita? A 5 reais o quilo do retalho de malha (bem em cima da minha mesa, nesta postagem AQUI), mexe daqui, remexe de lá, peguei um pedação de cotton lycra preto (descartado face algum erro da costureira da malharia - tem até um overlock branco no canto do pano) mais um pedacinho do mesmo tecido estampado e TCHARÁM! 100 gramas de trapinhos igual a uma blusinha linda e super feminina.

Tirei o molde assim:

Achei essa blusinha linda na internet (no catálogo virtual da loja Posthaus, se não me engano) e tava louca prá fazer algo assim prás meninas... O retalhinho de cotton lycra tinha que ser bem aproveitado - era tão bonitinho...

Não tem molde? Se vira com jornal, Rosa! Pega uma camiseta, uma caneta, alisa ela bem alisadinha em cima do jornal e copia o contorno...

Agora é importante: Como a blusa tá virada prá cima, as costas a gente não vê o contorno da cava, certo? Então vai, de pouquinho, puxando a manga prá ver onde fica a costura das costas e então copia o contorno, com 1/2 cm prá costura...

Dá prá ver o contorno que ficou o molde das costas da blusa? Aqui eu já apoiei sobre outro jornal, prá poder copiar o mesmo contorno e fazer a parte da frente

Agora: no molde da frente a diferença está em dois lugares: primeiro na cava - a cava da frente é mais pronunciada, prá dar mais liberdade de movimento pros braços. Repara como é na blusa e dá uma cavada parecida (não precisa ficar igual nem perfeito - não é orelha de santo, como dizia minha sogra...)

Outra diferença é o decote. No caso dessa blusa, o decote é uma diferença gritante: na cor preta o decote é lá embaixo, prá poder encaixar o peitilho de cor diferente. Fiz no olhômetro mesmo...

Daí, quando a gente recorta o decote, a parte do meio vira molde pro tal peitilho...

Agora é recortar no pano: tá vendo que o tecido até tinha uma costura prá atrapalhar o progresso da ciência? Fazer o quê, corta bem rente e aproveita o que dá...

E chega a hora de recortar a frente e seu decote diferente. Recortei, experimentei na Naninha (na  Lola não, porque ela é muito bem servida em matéria de peito, não ia dar certo usar ela como modelo nesse tipo de blusa...) e decidi cavar um pouco mais...

Viu o que eu falei? Cortei de um lado, dobrei prá cortar simétrico do outro...

Agora então o molde do peitilho ficou perdido - pequeno demais... 
 
Tudo bem: apóia a parte da frente num jornal e faz um molde novo

Tá vendo a diferença entre o molde antigo e o novo?

Dobra o tecido ao meio (a dobra tá na parte reta...) e corta

Passei um elástico fininho no meio, dividindo o peito em dois (não gosto de lastex...)

Dobra de novo o peitilho no meio e aprecia o drapeado...

Agora tem que franzir um pouco em todo o contorno do peitilho

Máquina no ponto reto (A) e no comprimento maior do ponto (4)

Costura duas linhas paralelas nesse ponto de franzir (clica na foto prá ver mais de perto...)

Franze com cuidado, puxando o fio e distribuindo o franzido de forma harmoniosa - somente nos lados, embaixo não precisa...

Encaixa no peitilho na frente da blusa, alinhava...

Costura com o ponto elástico - este aqui:

Este é o ponto elástico da minha Janome 2008 - uma tremenda invenção, mesmo sem overloque você se vira bem demais com ele...
Repararam que neste PAP eu não mostrei como faz manga? É só você visitar esta postagem minha AQUI que lá tá explicado como.

Depois é só alinhavar prá dentro um centímetro do decote, da manga, da barra e costurar. Eu fiz com o mesmo ponto elástico que usei prá costurar toda a blusa, mas a Elisana, do maravilhoso blog Costura Quase Reta tem umas dicas incríveis - fruto de sua própria experiência - que são de grande ajuda na hora de costurar malha. Checa neste post AQUI. Ela compra uma camiseta grande num brechó e transforma num vestido lindo prá ela, ou em uma camiseta e uma calça prá filha, ou duas camisetas pro moleque - é pura magia, acreditem!

Aliás, vocês que gostam de ler minhas histórias, NÃO podem perder as dela: Crônicas do Nó Cego - ela é incrível,  articulada, divertida e muito sábia... Se ela já não fosse casada, eu casava meu filho com ela (him hi, hi...).

Bom, espero que vocês tenham conseguido entender o método "Chutativo" de se fazer costura - testado e aprovado por uma expert em chutes na costura (Ieu!) e uma porção de outras. E aproveitem aquele lençolzinho de malha meio velho e cansaaaado e façam com ele também suas próprias experiências científicas - é assim que a gente perde o medo e se aprimora, mesmo sem nunca ter estudado corte e costura...

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Prá quem quiser a receita...

E que queiram mesmo! Ó, é de iniciante mesmo, uma moleza, é só dar uma espiada no gráfico. Três pontos altos, três correntinhas, três pontos altos - todos no mesmo lugar, daí pula umas correntinhas e repete. Mais fácil que isso só se fizer a blusa inteirinha de ponto alto - mas aí também é querer demais, né?

Essa linha não tem mais prá comprar - peninha... Mas você pode usar linha Brisa dupla, Anne dupla - é só adequar à espessura da agulha. Ah, quer melhor ainda? Linhas Duna e Camila +: são o dobro da espessura da Anne, tem cores de montão e são 100% algodão mercerizado. Não sei quantos novelos vai gastar, mas a Class pesava 100 g, essas pesam 170g (são um tiquinho mais grossas que a Class, mas é coisa pouca...). 

A receita da blusa eu fiz pro meu manequim (46) mas a minha Naninha é quem tá vestindo na foto, e ela é 40/42.

Façam bom uso da receita: usem Família ou Mollet e, depois de terminada, emendem lã na manga e deem sequência, fazendo de manga comprida, pro inverno: é só por uma cacharrel por baixo que fica linda e quentinha. E fica pronta rápido, pela facilidade do ponto e pela grossura do fio.

Receitinha de mãe:



Vamos lá! Mãos à obra!!!

terça-feira, 25 de junho de 2013

Pesos e Medidas

Mais um motivo prá perder o sono - como se eu já não dormisse tão pouquinho...

Semana passada fui comprar lã no armarinho perto de casa - não vou dizer o nome pois não quero que a dona me processe por calúnia, afinal é a palavra dela contra a minha, não gravei nada...

Mais de trinta anos freguesa dessa loja - acreditam? O primeiro cobertor de tricô que eu fiz pro meu irmão, de crochê, ele era menino, comprei os novelos de saldo lá (verde piscina e verde bandeira, todo de quadrados...).

É lá que eu compro linha, agulha, botão,  lã de novelo e - desde que ganhei a máquina, em 1995 - lã fina por peso. Sempre adorei, tem cor que não acaba mais... Na maioria dos lugares a gente tem que comprar o cone todo, 500 g no mínimo - lá não: eles enrolam 100 g. Uma maravilha. 

A primeira vez que comprei questionei se eles descontavam o peso do cone de papelão e a moça me disse que descontava 20 g - é o correto, não é? Quando você compra Cristal vem 250 g de lã, não conta o peso do cone. Você pega uma receita: nela manda comprar 450 g de lã, você vai lá e compra 450 g de lã. Ponto. PONTO?

Como eu ia dizendo, semana passada fui lá comprar 100 g de verde musgo, 100 g de vinho, prá fazer um cachecol. Antigamente a loja era super movimentada: tinha 6 funcionárias atendendo (e não davam conta!), mais dois garotos que pegavam lãs no estoque, no andar de cima sempre gente aprendendo tricô (então elas tinham professora também...). De um tempo prá cá as funcionárias que eu conhecia foram indo embora, uma a uma. Agora só tem duas - as mais cheias de má vontade, as mais mal humoradas e de mal com a vida que se possa imaginar. Parece que um Dementador sugou a alegria de viver das coitadas... E a dona da loja, que é a mesma de sempre, educada - mas com aquele jeito de olhar prá você como se você tivesse pisado em cocô antes de entrar na loja - jeito dela, fazer o quê...

A funcionária enrolou minhas lãs com a maior cara feia, a dona disse que, se eu não passasse a trazer cones de papelão de casa, ela não ia mais vender lã, porque não tinha cones disponíveis. Eu falei prá ela que ia ajuntar todos os que eu tinha com restinhos de lã em casa e ia trazer prá ela.

Fui embora, cheguei em casa e fui cuidar da vida - isso era terça feira. Na sexta feira peguei o meu enrolador de lã e fui re-enrolar as lãs, porque do jeito que elas vem, enroladas dois fios juntos, sempre enrosca no passador de fio, não sei por quê.

Quando acabei de enrolar notei que cada um dos novelos tinha um tamanho. Pensei "Tomara que a menina tenha errado prá mais, não prá menos, senão não vai dar prá fazer o que eu quero. Como é que eu vou achar de qual cone ela tirou prá enrolar o meu tantinho?".

Peguei a balancinha da cozinha e fui checar o peso. Lembra que eu comprei 100 g de cada? O novelo vinho pesava 40 g e o verde 48 g!!!

Liguei prá loja. Comecei a conversar com a moça (que era a nora da dona, por sinal), toda cheia de dedos, perguntando se "será que a balança delas não tava desregulada...", no que ela começou a se justificar, dizendo que o INMETRO tinha estado lá naquela semana mesmo e  que a divergência no peso tinha a ver com o fato de que elas não descontavam o peso do cone. Eu falei: "Como é que é? Mas a funcionária sempre me disse que descontavam!!!" Aí ela se embaralhou, chamou a dona e sabe o que ela me disse:

-"A senhora está totalmente enganada. A gente nunca descontou o peso do cone e todas as nossas freguesas sabem disso. Eu não posso levar prejuízo, minha senhora! Tem a energia elétrica que eu gasto prá enrolar, tem o cone, tem o tempo da funcionária que fica enrolando. Eu não posso levar prejuízo!".

"E a minha receita, como é que fica? Quanto pesa o cone? A primeira moça me disse 20 gramas, a de agora disse quarenta - porque eu comprei 100 g e não levei nem 50!!! Além do mais, devia ter um cartaz perto da lã, avisando prá comprar a mais, já que não desconta o cone!"... 

E ela ainda teve a coragem de me dizer que não tinha nada que ver com isso. 

Fiquei possuída! Eu posso arcar com o prejuízo (quantos prejuízos eu já arquei, não é mesmo, nesses mais de 30 anos, comprando de uma mulher dessa estirpe...) mas E QUEM NÃO PODE? Logo veio na minha mente a senhora aposentada, de dinheirinho contado, vindo comprar lã prá fazer um presente pros netinhos... Aquela tricoteira de profissão vindo comprar lã prá fazer um enxoval de recém nascido prá vender e fazer a feira...

E ela ainda cobra a lã mais caro que em tudo que é lugar - só ia nela porque era perto -  comodidade, sabe como é... Eu e tantas outras...

Entrei no site do Procon e fiz uma denúncia - nem sei no que vai dar. 

Mas sei no que está dando a usura dessa mulher: agora eu entendo porque a loja tá "ruim das pernas", com poucos funcionários - e esses poucos eternamente mal humorados. Quando ela joga em cima da clientela todo o prejuízo (real ou fictício - porque "me engana que eu gosto" que ela tá vendendo a preço de custo - tá tendo lucro, sim senhora!) a loja tá decaindo aos poucos. A falta de generosidade e de respeito, a ganância absurda da dona é que está medindo seu próprio fracasso.

Fiquei muito triste de denunciar. Na minha cabeça, penso assim: "O mal pune o mal". Do mesmo jeito que os criminosos sexuais pagam caro por seus crimes, sofrendo esses crimes na própria carne, na cadeia, infligidos a eles por seus semelhantes, acredito que cá fora, no mundo, toda pessoa que anda errado, cedo ou tarde, encontra o pago. O mal pune o mal. E é muito duro se sentir no lugar desse mal, tendo que arcar com o fardo de uma denúncia - é muito duro. 

Por isso perdi o sono, da sexta pro sábado.

Mas prefiro assim a perder o sono toda santa noite, imaginando o tanto de gente que vai sendo diariamente lesada por essa mulher - minha vontade era ficar parada na porta da loja, alertando as freguesas - tamanha a minha revolta. Deus queira que ela se emende - odiaria ver aquelas meninas mal humoradas perdendo o emprego...

E olha que, no interior do cone, ainda diz que o produto deve ser pesado na presença do consumidor - adiante de quê, hein?

Posso não ser lá muita coisa, mas pelo menos uma freguesa assídua ela perdeu...

Ah, e só prá constar: o cone pesa 30 g.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Pouco dinheiro e muita coisa

Prá quem frequenta o blog não deve ser novidade que eu faço coisas incríveis com um tiquinho de grana. Mas, desta vez, até vocês vão ficar espantadas, com certeza.

Sabe o que é isso?

São retalhos por quilo. Sobre minha mesa encontram-se exatos 20 reais que gastei numa loja que vende todo tipo de malha - moletom, moletinho, jersey, cotton lycra, etc, etc. Eles vendem a preço bom (não tanto quanto lá na José Paulino, mas...), por quilo e ainda tem costureiras de plantão prá costurar a peça. Fazem uniformes de lojas, de escolas, o tempo todo as máquinas tão barulhentas na loja, a todo vapor. Mas em dias de pouco movimento você compra, sai prá comer um lanche, pagar umas contas e, na volta, pega a peça pronta!

Quando eu trabalhava tinha essa colega, Rose, que sempre vinha com uns regatões de moletom bem pesado, básicos mesmo, que ela usava com cinto grosso, meia calça, bota e uma cacharrel por baixo, no inverno. Ficava linda e quentinha e tinha de várias cores. Ela me dizia que comprava nessa loja e as costureiras faziam prá ela (e ficava tudo por 10 reais - naquele tempo... Mas já era real a moeda...). 

Bom, já comprei muito pano lá. Uma vez achei um moletom com lycra xadrez muito lindo, super barato. Comprei um pedaço prá fazer uma jaqueta pro moleque e, com as sobras da lateral, como era largo, fiz uma também prá Lolinha...

A loja se chama Ronã Malhas, tem site e a que eu vou fica em Guarulhos.

Ah, mas os panos da mesa são apenas lixo - prá eles... 

Preciosidades - prá mim. 

Debaixo de uma escada que tem na loja eles colocam sacos enormes de retalhos para os quais eles não tem utilidade - sobras de confecções feitas por eles, restos de peças, pedaços com defeitos. Fui lá uma vez e vi uma senhora japonesa debruçada nos sacos, peneirando. Puxei conversa e ela me contou uma porção de coisas: que fazia xuxinhas de cabelo e tapetes com os retalhinhos, os quais vendia no bazar perto de casa e na feirinha da liberdade; que antes de se ocupar fazendo isso sofria de depressão e até tomava remédio, mas que - desde que começara - se sentia animada a vir ali garimpar os retalhos. Acabei ajudando ela a peneirar, deixando-a ficar com os mais bonitos e levei alguns prá mim (e acabei voltando...).

Esse bolo de panos tem de tudo: o vermelho rendeu um vestido prá mim (regatão), o azul mais claro uma calça de agasalho pro meu moleque, fiz duas blusas prás meninas, três roupinhas de cachorro, meia dúzia de cuecas e ainda não gastei tudo!

Tinha duas mangas de moletom flanelado junto com os retalhos (uma azul marinho e outra preta); eu bem podia fazer um blusão verde ou vermelho e aplicar nele as mangas - mas minhas cachorrinhas mereciam uma roupinha nova. Aqui estão elas:

Bulma, a vira-lata preta mais inteligente do universo (e também a mais desengonçada: corre parecendo uma girafa, com as pernas compridas - é tão rápida que, se bobear, você pensa que ela tá lá longe e, quando vai ver, ela te derruba...).

Leidinha Bilisquinha - assim chamada porque sempre quer um "bilisquinho" do que quer que você esteja comendo. Tá velhinha, vai operar os olhos, é doce e delicada como uma princesa de sangue real:

E esta é meu "cão chupando manga", minha preciosa, minha doce Pequena, mordo ela todo dia (literalmente...) - ela não morde ninguém, também é uma doçura. 

A roupa eu fiz assim:
Adequei o molde ao tamanho da Pequena... Reparou que o tal retalho era prá ser o bolso de algum blusão? Acho que a costureira cortou errado e jogaram fora por causa disso:... Sorte minha...

Aí está a roupinha cortada, um retalho de malha branca prá fazer o pescoço e uma tirinha prá ser viés de acabamento

Costura no ombro...

Costura na barriguinha...

Tá quase pronta...


Depois da aplicação da gola e do viés...


Viu que na roupa da Pequena eu inventei umas manguinhas? É só uma tira, pregada ao redor do buraco da manga e depois costurada do lado. E toca viés em tudo!

Tirei deste site AQUI.

Dica: faz o molde em jornal, recorta, posiciona sobre o seu bichinho. Daí você vê onde tem que aumentar, diminuir e faz um molde novo, mais sobre medida pro seu cãozinho...

Agora, pensa comigo: qualquer uma dessas roupinhas, se eu fosse comprar numa Pet Shop, eu pagaria pelo menos 20 reais. Qualquer uma delas já pagou todos os retalhos... A roupinha da Pinsher não custou nem 50 centavos, as outras duas saíram menos de R$1,50 - pesei cada uma delas na balancinha da cozinha. 

É como eu sempre digo: é bom ter dinheiro, mas a gente não precisa de tanto assim prá ser feliz, prá se virar, fazer o que tem que fazer. Basta ser inteligente e ter boa vontade, não é mesmo?

E continua visitando o blog, que eu ainda tenho muita coisa prá mostrar...

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Tem um brilho lindo!

A Nana posando prá foto? Também... Mas agora eu tô falando da linha Class, que a Aslan tirou do mercado (EU DEVIA TER COMPRADO MAIS - Podem ter certeza de que arrependimento não mata, pois estou Vivinha da Silva...).

Quatro novelinhos foi o quanto eu gastei na blusa, feita com o mesmo ponto desta postagem AQUI.

Mais fotos:





Se alguém quiser a receita, deixe comentário (porque eu não fiz o gráfico ainda, ando meio corrida...).

Fiz prá mim, mas ainda não tive coragem de usar (acho que fica meio pornô, tem que ser com top por baixo, no meu caso, pois os seios são meio grandes...). Mas a Naninha estreou no meu lugar, e ficou maravilhosa (como, aliás, ficaria de qualquer jeito, até enrolada em pano de chão...).

Mais uma inspiração prá vocês - uma blusa linda, mista de algodão com viscose, macia e com um brilho suave, que você não acha prá comprar em loja nenhuma pelo preço que saiu: 12 reais! Cada novelinho tava R$2,90.

Eu me amo quando faço isso - beleza com pouco dinheiro...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tomatinhos secos

Tomatinhos assados, inspirados nos que a Rose, do blog Life-Vida fez... Olha como os dela ficaram lindos:

Os meus não eram tão cerejas assim... Tavam mais prá ovinhos de galinha caipira, daqueles pequenininhos... E também nem deu tempo de pensar em fazer vidrinho lindo decorado - um enxame de gafanhotos sempre passa pela minha cozinha quando tem coisa gostosa, é impressionante!!!

Mas é muito fácil de fazer:

Lava os tomates (pode fazer com qualquer tomate, desde que maduro e firme). Se forem tomates cereja, só lavados já está bom; se for um pouco maior, tem que tirar as sementes e a geleinha que fica no meio: tem muita água, vai demorar a vida toda prá assar. Corta eles ao meio e, com uma colherinha de chá ou café, esvazia eles. Você pode peneirar essa geleinha e usar a água do tomate prá fazer arroz. As sementes joga no jardim - vai que pega, você vai ter pé de tomate no quintal...

Pega as metades vazias dos tomates, arruma elas com a casca prá baixo numa assadeira untada com azeite (mesmo se for anti-aderente). Salga um pouquinho (eu faço sal com alho socado, assim fica temperadinho sem pedaços de alho...). Joga um pouco de azeite por cima.

Leva prá assar em forno médio pré aquecido por uns 15 minutos (dependendo do tamanho e da "carninha" que tem os tomates será preciso mais tempo...). 

Tira do forno e, com o auxílio de dois garfos, vira os tomates com a casca prá cima. Tá vendo como eles começam a desidratar com o calor? Devolve pro forno, deixa mais 15 minutos e pronto.

Ah! Uma delícia! Dá prá comer assim mesmo, abre um pãozinho francês, coloca meia dúzia dentro e manda brasa.

Ou então tempera: Enquanto eles estão quentes tempera como salada: azeite, um tantinho de vinagre, cebola em rodelas, orégano - cheiro verde, manjericão também fica excelente. Tempera do teu gosto. 

Sabe o que fica delícia? Cozinha um espaguete "al dente" e derrama sobre esses tomatinhos. Daí é só esbanjar parmesão ralado que todo mundo vai lamber o prato - um molho delicioso de última hora prá você ter reservado na geladeira...
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