Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Prá estômagos fortes...



Hoje é aniversário do "Marildo", "Sua Majestade", "el Patrón", meu colega de quarto... É bem como disse o poeta mesmo: "Grande é este amor meu de criatura/ Que vê envelhecer e não envelhece...". Mesmo porque o tempo passa glorioso prá ele: enquanto eu vou ficando um caco, tendo que catar pedacinhos meus ao longo do caminho, lá está ele, grisalho e maravilhoso - meu deus grego!

Mas não foi na sorte que eu ganhei essa mega-sena - homem lindo, inteligente, disputado. E eu era apenas eu: magrelinha (menos de 40 quilos, corpo de moleque, sem peito, sem bumbum...), vestida bem modestamente. 

A vida naquele tempo tava uma meléca - prá não dizer coisa pior... Não entrava numa faculdade pública, não conseguia emprego prá poder seguir com a vida, pagar uma faculdade particular... Naquele tempo não tinha Prouni, Fies... Um beco sem saída.

Daí eu pensei em fazer serviço voluntário - o melhor jeito de não pensar nos seus problemas é ajudar os semelhantes; você se sente útil, se sente capaz, se sente instrumento divino no auxílio a quem tem menos ainda que você. E também pensei: "Quem sabe assim Deus se lembra de mim"... 

Então fui.

Quem foi a primeira pessoa que eu encontrei quando fui me voluntariar? "Sua Majestade" - o próprio. Não fui com a cara dele logo de imediato: segurou uma de minhas mãos entre as dele, aconchegada bem no meio, olhou nos meus olhos, conversou comigo sorrindo - Eu, hein?! Parecia um fugitivo do seminário de padres, me chamando de irmã prá cá, irmã prá lá... Achei super esquisito...

Tinha um montão de atividades e, pelo menos naquele tempo, era cheio de jovens participando (é, eu já fui jovem...). Tinha visitas a asilos de idosos, de deficientes, orfanatos, lares de crianças em situação de risco, com pais encarcerados. Ele me escolheu como parceira nas visitas - e tinha pelo menos meia dúzia de garotas querendo meu lugar. Todas lindas, umas loiras, outras morenas, uma japonesinha - e ele escolheu eu - o patinho feio da ninhada...

Daí, um belo dia, os rapazes e as garotas do grupo aproveitaram que ele não tinha vindo e encheram minha cabeça contra ele - como "toda garota bonita nova que entra no grupo cai nas armadilhas dele...", (e eu pensei - "disseram que eu sou bonita! hi, hi, hi!") "que já tinha 3 grávidas" e blá, blá, blá.

Na verdade, ele tinha uma namorada grávida, com a qual desejava se casar - mas a família dela era contra, por achar que ele estava abaixo do nível sócio-econômico deles. Foi daí que saiu minha enteada... Por mais que ele fizesse, não deixaram eles se casarem... Na verdade, ele me escolheu como parceira (me disse um tempo depois...), porque eu não fazia o tipo dele, ele realmente não me achava bonita e (o mais importante!) eu não dava em cima dele! As outras garotas (as bonitonas) o assediavam descaradamente e, como ele queria permanecer fiel à namorada, me escolheu porque eu não representava perigo!

Tá, mas ainda não explica como ele acabou nas minhas garras... 

Eu sempre fui muito realista - se acho que uma coisa não é pro meu bico, nem vou atrás. Ele era muita areia pro meu caminhãozinho - eu não tinha nem chance, com tanta concorrência.

Até que um dia, voltando de uma das visitas em Ferraz de Vasconcelos, descemos do ônibus no centro da Penha, bem perto do Largo do Rosário. Íamos caminhar um pedaço juntos prá daí cada um seguir prá sua casa - isso era umas 8 horas da noite. 

Caminhando pelo largo reparei um cheiro ruim - imaginei que algum mendigo devia ter feito suas necessidades ali por perto, atrás de algum arbusto...

Sentado num dos bancos do largo estava um velhinho, de terno cinza claro, com um chapéu, todo arrumadinho. "Sua Majestade", então, se aproximou do velhinho, começou a perguntar se estava tudo bem - ao que o velhinho, aéreo, nada respondia, um fio de baba escorrendo no canto de sua boca entreaberta. Olhando prá sua calça clarinha reparei uma grande mancha e pensei "O velhinho fez xixi na calça...". Era mais que isso.

O velhinho tinha tido um AVC - Acidente Vascular Cerebral, um derrame. Tinha até feito cocô na roupa...

"Sua Majestade" me pediu que chamasse um táxi e agarrou o velhinho no colo. O motorista, quando sentiu o cheiro, queria ir embora, mas o "Marildo" lhe assegurou que o carro não ficaria sujo - que ele iria levar o velhinho no colo, durante todo o trajeto.

Fomos até o hospital da Penha - um cheiro!!! Lá "Sua Majestade" contou o ocorrido à atendente, disse onde o havia encontrado e fomos embora - ele à pé, pois todo o dinheiro que tinha pagou o táxi.

A calça jeans dele estava toda suja de fezes - e eu digo: nunca houve homem mais lindo na Terra.

Um pouco antes dele pegar o velhinho no colo ele tirou seu moletom e me entregou, prá não sujar - era um blusão cor de margarina, com um escorpião desenhado na frente. Acabou deixando o moletom comigo - esqueceu...

Naquela noite nem dormi, abraçada com o moletom dobradinho, sentindo o cheiro do desodorante ele. Minha cabeça era uma tempestade: parecia que eu tinha encontrado o maior tesouro sem dono do mundo e não tinha como pegar prá mim!!! Era essa bondade que eu queria na minha vida, essa força, esse coração! O fato dele ser bonito era só um pequeno bônus - por dentro é que ele era ainda mais do que lindo...

Daí me lembrei do que minha avó dizia: "É sempre mais rápido chegar ao coração de um homem pegando o atalho que passa pelo estômago". E ela não me ensinou a cozinhar? 

E assim fiz. Todo fim de semana, quando saíamos pros voluntariados, eu levava dois lanches bem caprichados - dois pedaços de torta, dois sanduíches... Fazia com o que tinha: espinafre do quintal, berinjela...

Boa companhia, boa comida, boa conversa, bom ouvido... Foi assim.

Chegou uma hora ele disse que não conseguia imaginar a vida dele sem eu do lado, que parecia que me conhecia a vida toda, que eu tinha estado do lado dele desde que ele nasceu...

E até hoje me dá um trabalhão enorme mantê-lo do meu lado - meu submarino vive sempre em alerta amarelo, pronto prá batalha nos mares - não dá prá relaxar. O que custou muito a conquistar tem que ralar prá manter - é isso que eu penso.

Ele vem prá casa, xereta as panelas, come cantarolando... Vem do trabalho, senta no sofá e diz "Lê prá mim?" - e a Sherazade aqui continua suas "trocentas" mil e uma noites de histórias, mantendo o rei satisfeito e feliz.

Mas não acaba aí a história - tanta pedrinha mudou de lugar, enquanto a água rolava debaixo da ponte...


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Bolo de queijo


Sem trabalheira - sem frescura - simples, mas gostoso prá caramba. 

4 ovos no liquidificador - bate bem. Junta 3 colheres (sopa) de manteiga e 20 colheres (sopa de açúcar) - bate tudo. Eu tenho máquina de fazer leite de soja, então sempre sobra uma xícara de okara - a massa da soja crua moída. Bato junto a okara, que é isso aqui:

Se não tem okara pode bater uma xícara de soja cozida junto - fica nutritivo. Então eu corto queijo parmesão em cubos e bato também:

Numa tigela coloca 20 colheres (sopa) de farinha de trigo misturada com uma colher (sopa) de fermento em pó. Pega a mistura do liquidificador, vai despejando aos pouquinhos na mistura de farinha e fermento, mexe bem, despeja na fôrma untada com manteiga e enfarinhada e leva prá assar no forno médio, pré-aquecido, por uns 20, 25 minutos.

Fica cheiroso, queijoso, uma delícia. Pode comer ao natural, como veio ao mundo, ou pode fazer como eu: bolo quentinho, manteiguinha salgada derretendo - Hummmm!


Nessa hora, tô no sítio - talvez me deliciando com um pedação dele, quem sabe... Na frente da lareira, um tricô descansando do lado, no sofá, uma xícara de chá de jasmim com laranja fumegando...

Bom feriado - até segunda-feira!!!


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ser melhor...

Hoje estou indo pro sítio - acho que não consigo ser unicórnio, por mais que tente... a franja tá curta... vou ter que me contentar em ser só a Rosa... - e só estarei de volta na segunda feira. 

Apesar disso, programei umas postagens no blog, prá não deixar ele entregue às baratas: tem receita de bolo de queijo, umas tirinhas e até uma linda história de amor - só não vou dizer em que dia, porque assim vocês tem que ficar aparecendo e a janela não fica sozinha... Assim, quem por acaso me agraciar com um comentário, por favor aguarde eu voltar prá responder, tá bom?

terça-feira, 28 de maio de 2013

Passo a passo do sonho:

Lindo, né? Não canso de olhar prá ele...


E ó: se você não tem máquina, mas quer ter o xale, presta atenção no pap porque, seguindo ele, dá prá fazer e, no fim dele, tem fotos extras prá fazer à mão. Mas, não esquenta: vem aí pap do xale feito à mão feito pelas minhas mãozinhas também...

Usei, como já disse, lã Cristal da Pingouin (um cone na cor violeta, sobrou 1/4 dele). Fiz na regulagem 10. Sentaí, segura uma caneca de chá e presta atenção - que parece difícil até você atinar como se faz, depois fica fácil.

































































































E então? Tá ou não tá...

Ou então:

Tão bem alimentadinhos? Ah, mas os que não tem máquina tão aguados de vontade? Então espia essas fotos - foram de suma importância prá desvendar o mistério do ponto:

Monte cinco pontos na agulha e tricote peia de um lado, tricô do avesso por 6 carreiras. No final da 6ª carreira dê uma laçada em volta da agulha (1º degrau da escada), monte mais cinco pontos (segunda coluna) e tricote as duas colunas em sequência, por nove carreiras, sendo que, entre a primeira e a segunda coluna sempre dê uma laçada na agulha prá fazer a escadinha.

Faça esse trabalho de criar novas colunas por quantas vezes quiser - na foto a mulher pretende fazer um cachecol com 7 colunas. No meu xale fiz 19 colunas, mas a lã era bem fininha. Com uma lã de espessura média, como mollet, família, acredito que umas 11 colunas deve ficar bom...

Aqui, nesta foto, ela já está começando a terceira volta. Na primeira (a que formou as colunas), no fim, você faz 18 carreiras somente na última coluna (forma aquela primeira "barriguinha" que a gente vê na foto acima, bem no canto esquerdo). Daí tece mais 9 carreiras entre a última e a penúltima coluna, formando escadinha. Na 9ª carreira já tece junto a antepenúltima coluna (é a 9ª escadinha entre a última e a penúltima e é também a primeira escadinha entre a penúltima e a antepenúltima coluna). Vai tecendo assim, sempre em blocos de duas colunas de cada vez, unidas por escadinha e deixando todas as outras colunas paradas. Quando chega no final da carreira faz a curva.



Fotos tiradas deste site AQUI, uma artista plástica de primeira: faz cada peça crochetando arame, cria joias, uma lindeza - deem uma passada lá que vale a pena...

E, prá ficar mais explicadinho ainda:



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