Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vida simples

Toda vez que eu vou passar um tempo no sítio, tem rituais dos quais não abro mão. 

Acordar cedo prá ver o sol nascer em meio a todo o verde... 

Deixar meus olhos se alimentarem bastante do verde, meus ouvidos captarem cada som da natureza. 

Deixar a serenidade retornar à minha alma.

Passar prá cumprimentar os vizinhos, ter um dedinho de prosa com eles, tomar um café... 

Gente simples, de sotaque carregado do interior de São Paulo, que adora falar as coisas no diminutivo: "Dona Rosinha, quanta saudade! Tá tudo bonzinho?"

Dona Gessy é uma das mais queridas. Tá sempre me mandando coisas: ovos de galinha caipira (muito embora eu tenha as minhas...), lambarizinho frito, pescado nas terras dela mesmo, crocantes e fresquinhos. "Bati essa manteiguinha agorinha mesmo, dona Rosinha, e pensei na senhora..."; "Acabei de fazer esse queijinho" ; "Fiz esse bolinho e lhe trouxe metade, dona Rosinha, não vá reparar..."

E o café da dona Gessy? Ela tem uns pézinhos no quintal: colhe os grãos, deixa secar ao sol, torra e mói. Daí serve prá gente o café mais gostoso do mundo - gourmet é pouco!

Então, conversa vai, conversa vem, falei prá ela como eu gostaria de experimentar fazer eu mesma meu próprio café... Independência máxima! Ela me explicou como se fazia - parecia tão simples! Fiquei assim:

E lá fui eu... Escolher os grãos:

Tostá-los na panela: 
Tinham que ter ficados mais pretos, mas eu tive medo de estragar:

Joga uma colher de açúcar no fim:

Daí, moer no meu moedorzinho, que meu bambino comprou prá mim da China - ele foi quem moeu tudo  e levou SÓ quatro horas fazendo isso (tô desconfiada que ele me ama...):

Então, com esse pó moído mais graúdo do que deveria, com uma cor mais prá caramelo que prá café...


(Calma, Rosa...) Coei minha primeira xícara, improvisando com a redinha de chá e um guardanapo de papel - pois não tenho coador, só bebo instantâneo:

Café clarinho... CHAFÉ!!! Vou patentear a receita e ficar milionária!!! Suave, quase sem gosto amargo... Adorei!!! 

A casa ficou maravilhosamente perfumada por 2 dias!

Rendeu dois potes cheios, um prá minha mãezinha velha, outro prá mim.

E eu, bebendo uma xicrinha com o último pedacinho chorado e muito bem aproveitado do bolo da dona Gessy:

Prá ela, fiz um vestido que me pediu (enfeitei com sobrinhas do oxford que usei no vestido da neta do caseiro e uns gripirs que eu tinha na bolsa de primeiros socorros de costura), usando de molde um vestido que ela trouxe - bem de iniciante, na verdade:


Com o pedacinho que sobrou ainda lhe fiz uma regata:

O paraíso deve ser meio assim: estar num lugar lindo, calmo e verde, cercado de gente boa, fazendo o que se gosta, em paz com a consciência... Vou prá lá de vez em quando...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Concurso do Cachecol

Pois é... Faltando um mês prá eu sortear um cachecol meu entre meus incrivelmente talentosos seguidores e eis que surgiu um probleminha:

Não dá prá sortear somente pelo quadro de seguidores: tem que deixar comentário, prá eu saber que quer ganhar o cachecol! 

Sabe porquê? 

Primeiro: tem seguidores ali no quadro que não moram no Brasil (e, neste primeiro concurso, eles não estão participando...). 

Segundo: vai que a pessoa virou seguidora e nunca mais voltou? Ou não gosta de cachecol?

Terceiro: como é que eu vou fazer o cachecol do jeitinho que o ganhador (ou ganhadora) quer se ele (ou ela) não deixar o comentário escolhendo a cor da lã e das pedrinhas???

Então, fica assim: TEM que ser seguidor e TEM que deixar um comentário dizendo que quer ganhar e qual é seu pedido, ok? Com isso, tá participando com um número.

E se quiser aumentar as chances, tiver página no Facebook ou tiver um blog, faz uma propagandinha básica do concurso, manda prá mim o link e ganha mais números!

Dessa forma fica mais claro. Quem só ficou sabendo do concurso agora, passa lá na postagem e deixa seu comentário prá participar. E quem já deixou, checa seu nome na lista abaixo, que eu vou atualizando aos poucos. 

Boa sorte!

NÚMERO      NOME
01           Maria Zélia Lopes Saraiva
02           Maria Zélia Lopes Saraiva
03           Inez Barbosa
04           Inez Barbosa
05           Lígia (Lilazes e azuis)
06           Sandra Coelho
07           Xislandia Martin
08           Kelly Cristina Costa Prates
09           Kelly Cristina Costa Prates
10           Lúcia Bara
11           Lúcia Bara
12           Sueli (?)
13           Wilma Pizza
14           Wilma Pizza
15           Mell Thomas
16           Mell Thomas
17           Lígia (lilazes e azuis)
18           Lígia (lilazes e azuis)
19           Luzenilde Pereira
20           Beatriz Marcondes Bé
21           Inês Bertocco Teixeira
22           Inês Bertocco Teixeira
23           Sandra Coelho
24           Neide Sikula
25           Neide Sikula
26           Regina Celi
27           Márcia Roberta
28           Márcia Roberta
29           Xislândia Martin
30           Sandra Francisco
31           Simone Araújo
32           Cristiane Marino
33           Alda Paz
34           Maria do Carmo
35           Sueli Polonio
36           Tania Maria Rodrigues Silva
37           Nina
38           Simone B. C. Souza
39           Elizeth Reis Santana
40           Hericka
41           Maria das Graças Souza Periard
42           Fatinha
43           Linda Silva
44           Mamusca Edi Salatti 
45           Helena Compagno
46           Fátima Ventura
47           Érica coelho
48           Patrícia Tita Silva
49           Daniela Bender
50           Bernadete Hybiak

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Luvinhas de crochê!

Inspiradas naquelas usadas pela personagem Maria Joaquina, da novela Carrossel! 

Lindas, femininas, delicadas - e totalmente inúteis, exceto no inverno, onde devem esquentar um pouquinho. Mas o que importa é que são lindas, femininas e delicadas. E fáceis de fazer!

Bom, vamos por partes:

Obrigada a quem sentiu saudades, quem se preocupou achando que meu navio tinha desaparecido no triângulo das Bermudas, minha carroça tinha sido atacada por apaches e eu tinha sido abduzida por marcianos: tá tudo bem, fora umas picadas dolorosas e cocentas de algum inseto desconhecido.

Quase um mês de verde, cantos de pássaros e de grilos - estaria nova em folha se já não fosse tão... bom, não vou dizer velha, mas... quase. 

Fiz 10 vestidos, 5 blusas e umas calcinhas para mim (fase egoísta que posteriormente será explicada...), 9 blusas para as bambinas, um vestido e uma regata prá uma vizinha, umas luvas, uma touca e um vestido prá neta do caseiro. Ufa! quem vê pensa que não descansei nada, mas é que eu sou adepta da filosofia do Ócio Produtivo - "Até Quando Descansa Carrega Pedra", esse é meu lema.

No primeiro dia em que a caseira apareceu prá fazer sua faxina diária, trouxe a neta - Débora, 10 anos. A garota, toda tímida, ajudou a avó (que ainda é bem jovem, tem só 44 anos de idade) no serviço e, no fim, toda tímida, perguntou se eu podia ensinar a fazer "aquelas coisas que a senhora faz com as agulhas", que é "prá eu fazer a luvinha da Maria Joaquina". 

As agulhas eu tinha. Pedi prá Dona Margarida arrumar os fios e ela trouxe um novelo de mollet, uma Cléa rosa e dois novelos de lã prá bebê verde mesclado com branco. Dei a ela o dinheiro prá comprar na cidade a tal luvinha que as amigas da menina usam, que vende em loja de 1,99 e que ela havia me dito que a mãe não comprava porque era muito cara (7 reais...) prá eu saber como era, porque eu não assisto a novela. E parti pro ensinamento.

No primeiro dia, aula de crochê. Apesar da dificuldade em aprender, senti que ela queria muito. Faz, desfaz, faz novamente. Uma correntinha de cada tamanho, esquece de fazer um ponto, faz dois no lugar errado - aquelas coisas que todo mundo faz quando começa..

No dia seguinte aparece só a avó. 20 minutos depois a menina entra pela porta da sala, sem fazer barulho, sem a sacolinha do crochê nas mãos, olhando pro chão, cumprimentando em voz baixa e passando rápido por mim. 

-"Desistiu do crochê, Débora?" - eu pergunto.

Ela, tímida como um coelhinho, fala bem baixinho que errou muitos pontos, começou várias vezes - mas toda vez errava muito - e ficou com medo de levar bronca...

-"De mim?!!! Débora, você acha que eu nasci sabendo? Que quando minha avó me ensinou eu já saí fazendo blusa, cachecol? Que eu não errei nunca? Olha, bobinha, só tem 3 coisas que eu nasci sabendo, igual todo mundo: dormir, chorar e me sujar. Até hoje faço muito bem essas coisas, mas todo o resto eu tive que aprender com alguém. E um montão de gente teve paciência demais comigo. Pode ir buscar o crochê que paciência é comigo mesmo!!!"

E assim passei tardes bem gostosas, mais escutando que falando. Todas as coisas que a alegravam e a chateavam, o menino de quem ela gosta desde os 2 anos de idade (como são precoces as crianças de hoje!) e que a trata muito mal, a chama de gorda... 

Falei prá ela o que eu penso: que a gente tem que se amar, investir em si mesma aprendendo muito, se valorizando e que, com a auto estima lá em cima, sempre vai ter quem aprecie a gente. E prá mandar cheirar meia o menino que chama ela de gorda. Ponto.

Fiz prá ela 3 teares também - e ensinei a usar... Tear feito com clipes de papel, durex e embalagem plástica de lenços umedecidos:


Com ele, fizemos esta touca (também ensinei ela a fazer o fuxiquinho...):

33 pinos, tecidos até quase acabar o novelo de lã mollet.

Tear feito com cone vazio de lã e 4 prendedores de roupa:

Com ele, fizemos esta florzinha aqui:

Outro tear, feito com palitos de sorvete:

Com ele, fizemos esta outra luvinha (22 carreiras reto, arremata, faz uma argolinha de crochê num dos cantos prá colocar o dedo, faz um biquinho e pronto!):

E quando estávamos nos entendo às mil maravilhas, ela aprendendo, eu aprendendo, a mãe dela veio pro almoço num domingo e a levou esperneando embora. 

Isso quando havia dito que ela ia ficar até o fim do mês - vá entender... 

Infelizmente a mãe dela não vai com a minha cara (eu desperto muito isso nas pessoas - elas preferem achar que eu sou nojenta, ao invés de me dar uma chance de abrir a boca...). 

E eu que já tinha planejado fazer uma surpresa prá menina, costurando juntas um vestido com um tecido que eu tinha feito uma blusa prá minha Naninha (que ela tinha adorado) - e que tinha uma sobra boa. Tinha até comprado na cidade um retalho que combinava...

Bom, fiz o vestido assim mesmo e dei prá avó dela. Sei que ela vai adorar, vai se sentir linda.


Muito fácil de fazer: pega uma regata de tecido plano qualquer e usa como molde.Faz ela mais curta, põe umas pences miúdas na frente e atrás prá dar uma leve acinturada e, nas pences da frente, coloca um cinto prá dar o laço atrás. Agrega um retângulo reto como saia, mais largo (e, prá ajustar à regata, você franze ou faz pregas, como eu fiz...). O comprimento é à gosto. Arremata com viés bem delicado, do próprio tecido e pronto!

Novamente a luvinha e sua receita:


Notaram as florzinhas? Eram duas partes de um brinquinho quebrado, que não tive coragem de jogar fora. 

Fiz ponto baixíssimo em toda a volta até cobrir o metal, deixei o strass à mostra e crochetei pétalas gordinhas em ponto pipoca em crochê. Daí preguei nas luvinhas. Lindo né?

Imagino que, daqui 40 anos, quando alguém elogiar como ela faz bem crochê, ela vai se lembrar e dizer: "Aprendi com a Dona Rosa, a dona do sítio onde meus avós trabalhavam... Nossa, faz tanto tempo!!!". 

Acabo de me tornar um pouquinho imortal...



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