Generosidade...

v Ensine a outros o que você sabe: não importa se é a receita de um cachecol, do maravilhoso prato de família, aquela dica infalível para sair do aperto... Quando a gente é mesquinho, vive pequeno! Seja generoso, mesmo se o segredo compartilhado é parte do seu sustento, afinal, sempre vai ter quem prefere comprar pronto e - com certeza - sempre vai ter quem precisa da sua dica para por o pão de cada dia na mesa. Viva grande!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Blusa Goiaba - receita

Tá aqui prá quem pediu - pensavam que eu não ia atender, que eu passo meus dias apenas imaginando planos de dominar o mundo, não é? Pois nem tanto... Se eu conseguir dominar meu apetite exagerado por tudo que é comida gostosa já me dou por satisfeita. Tem o esqueminha de mãe, tem até a cartela prá quem não sabe qual é, ou nunca teve, ou perdeu...



Por falar em comida, gostaria de aproveitar que vocês estão aqui prá pegar a receita da blusa e dar uma dica prá quem gosta de bolinho de bacalhau (como eu!!!). Há um tempo atrás assisti repetidamente um homem indo ensinar a fazer o bolinho de bacalhau mais famoso de São Paulo, vendido no Mercado Municipal. Ele foi em tudo que é programa: Ana Maria Braga, Ana Hickman, Cátia Fonseca... O bolinho era enorme, o homem dizia que só usava bacalhau de primeira, que ficava de molho por 24 horas trocando sei lá quantas vezes a água, mais 12 horas de molho em azeite de oliva extra virgem. Eu pirei na batatinha. Quase tive febre, de tanta vontade de comer o tal bolinho. Aporrinhei tanto Sua Majestade que ele teve que me levar prá comer, senão eu ia ficar doente. Bom, foi uma decepção. Primeiro: atendimento porcaria, desrespeitoso, tipo "nem te olho na cara e respondo suas perguntas só se der na telha". Segundo: pecaminosamente caro (na época custou 12 reais CADA bolinho). Terceiro: era menor que o da televisão. Quarto: se aquele é o bacalhau de primeira, avalie o de quinta categoria (deve ser somente as espinhas moídas...). Acho que o tal homem se enganou: deve ter deixado serragem de molho no azeite, porque só o que eu senti na boca foram fiapos. Os dentes ficaram todos sujos, parecia que eu tinha enfrentado uma batalha mortal e vencido de um macaco às mordidas... Sabe quando a gente chupa manga-espada e tem que correr pro banheiro gastar todo o fio dental? Igualzinho. Bom, eu já deveria saber: nem sempre o que tem muita propaganda e custa caro é bom. Acabei (por acaso) descobrindo um bolinho de bacalhau ótimo, que custa em torno de 3 reais, tem uma massinha gostosa, todo recheado de bacalhau refogadinho, grande e gordinho como eu gosto: próximo ao Shopping Boulevard Tatuapé, na rua Tuiuti, 1495. É uma lanchonete bem pequena, na esquina, em frente à Alergoclínica. Todo mundo é simpático, sempre de sorriso no rosto e o bolinho é uma gostosura. O risoli de queijo também é nota 10, tem tanto queixo puxa-puxa dentro que acho que devia ser comido enrolando no garfo, igual espaguete. Infelizmente a empadinha de palmito é horrorosa e os outros salgados não tem como eu opinar:  eu não gosto, então eu nem provei. Mas volta e meia dou uma passada por lá - se você mora em São Paulo/Capital vale a pena: você dá uma passeada nos dois Shoppings enormes (um de cada lado e o Metrô Tatuapé no meio) e ainda come bem gastando pouco e sendo atendida como você merece: como gente.

Mas se o teu negócio é fazer você mesma, faz assim:

Compra uma bandejinha de bacalhau em lascas - +/- 300 g - (já vem sem pele nem espinhas, então descomplica a vida...). Sem essa de deixar de molho - aquela água fica espumosa e fedida, depois o apetite de comer o bolinho vai embora. Cozinha o bacalhau em um pouquinho de água na pressão por 2 minutinhos. Escorre. Põe mais um pouquinho de água, cozinha mais 2 minutinhos. Escorre. Na terceira vez que for cozinhar o bacalhau cozinha junto 1 quilo de batatas descascadas e cortadas em pedaços por mais 3 minutos depois que apitar a panela. Esfria a panela debaixo da torneira, abre e escorre na mesma hora, assim as batatas não absorvem água demais. Amassa tudo com o garfo, junta cebola ralada ou passada no processador, cheiro verde, pimenta etc. Não precisa nem de ovo nem de farinha. Contudo, se a batata que você usou for muito aguada, acrescente um pãozinho picado ou fatia de pão de forma até ficar consistente para modelar os bolinhos. Prá facilitar, deixa um prato com água do lado e molha as mãos prá facilitar modelar a massa.  NÃO PÕE FARINHA DE ROSCA, dessas de saquinho comprada em mercado - é horrorosa, parece poeira picada, estraga todo o gosto... Então frita eles no óleo quente e bom apetite, colega! Recheia eles de muzzarela, "minina", que vai enlouquecer todo mundo! Não precisa passar no ovo, nem no leite, nem empanar - a vida já é bastante complicada, prá que complicar na comida! Ah, mas deixa todo mundo pensando que deu trabalho... Assim fica mais gostoso!
Olha como fica:


Simplezinho, né? Mas não ofende ele antes de provar...

Bons trabalhos e Bom apetite!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Batinha vintage




Você também pode chamar de retrô - modelo "minha mãe usava quando era mocinha"... Sei lá. 

Já pararam prá pensar que teve uma época em que as mulheres se vestiam realmente bem, femininas, glamurosas, delicadas? 

Quando eu era pequena minha mãe tinha um catálogo de compras americano, comprado por ela quando fez o curso de corte e costura na Singer (ela se formou com 12 aninhos, era o bibelô da turma...), que ela usava como figurino prás freguesas que vinham com tecidos encomendar que ela lhes fizesse vestidos. Tinha cada roupa!!! Sapatos como não se encontra igual em loja nenhuma, chapéus lindíssimos, luvas rendadas... Queria ter uma máquina do tempo prá viajar e trazer malas e mais malas cheias dessas coisas lindas... Cresci sonhando ser como aquelas moças do catálogo, bem vestida, arrumadinha, com a felicidade estampada no rosto, como se a vida estivesse fadada a ter um final feliz como nos filmes do James Stewart...

Bom, pensei que o tal catálogo já tinha virado pó ou ido parar no lixo, mas ontem minha irmã me ligou, depois que mostrei essa blusinha azul de bolinhas prá minha mãezinha e ela me disse que ela tinha guardado o que sobrou dele - e me emprestou prá escanear. Então aguardem que eu vou disponibilizar no blog a coisa mais linda do mundo em matéria de vestuário -  quem sabe todas vocês me ajudam a trazer de volta a beleza e o bom gosto prá esse nosso mundo cheio de Big Brother  até o pescoço.

Agora, vamos falar da blusa: 1 metro de tricoline, comprado na Niazi Chohfi, 25 de março, centrão de São Paulo, a R$8,90; 1 novelo de esterlina branca fininha, paguei R$6,00 e gastei todinho ele; botõezinhos brancos que não vou contabilizar o custo pois comprei de quantidade, também na 25 de março, só que na Maluly. Total: Uma blusa linda, feminina, única de sua espécie, por meros 15 contos. a Naninha foi prá faculdade parecendo uma heroína de filme da década de 50, tipo "A mulher faz o homem"...

O molde da batinha vocês já sabem: no Cortando e Costurando (se não for seu manequim, compre deles por email que é baratinho...); o gráfico do crochê é esse daí debaixo, é só fazer a correntinha inicial um pouquinho maior que a sua cintura (que depois encolhe um pouco) e ir tecendo até dar o comprimento que você quer. Fiz assim curto prá aparecer o tecido debaixo, mas ainda não me resolvi se vou encompridar o babado de crochê... 


Na hora de costurar a parte de cima da bata com a debaixo você intercala a renda de crochê. Reparem que eu fiz uma correntinha longa e apertadinha e preguei em toda a volta, contornando a parte das casas, dos botões e o decote (que eu modifiquei do original e fiz meio "princesa") e também preguei o mesmo friso de correntinha no contorno das mangas. Achei que ficou lindinho...

Bons trabalhos!

terça-feira, 27 de março de 2012

Jaleco diferente





Infelizmente, não tem molde - fiz copiando um que minha doutora deu de presente prá Naninha quando ela entrou na faculdade. Como minha bambina tem que usar um por dia (e todo dia tem que lavar, por causa do perigo de contaminação por bactérias...), já fiz três. Este é um deles. O detalhe é o que vale: como às vezes pode ser manga 3/4 e em  outras é obrigatório ser manga comprida, fiz esses "arregaçadores de manga". Muito práticos e fáceis de fazer - dá prá usar em camisa também, se quiser... Sabe, fui comprar jalecos e o mais barato que achei custava 45 reais, horrível, em oxford de péssima qualidade. Pedi prá minha mãezinha checar o preço lá perto do hospital São Paulo e custava 95 reais. Os da Naninha fiz em Microfibra, branquinhos que até dói os olhos, macios e derretidos - tecido de ótima qualidade, comprado ao lado do Shopping Penha, na ModaModa, por 11 reais o metro - ou seja, com menos de 20 reais fica pronto um jaleco melhor que os comprados prontos. Ai, nessas horas tenho muito orgulho de mim... 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Perdida no tempo





Essa é a segunda blusa que eu fiz na máquina - na verdade, na máquina da minha mãe... Foi graças a ela (e a um colete em jacar que eu fiz prá Sua Majestade...) que acabei ganhando minha máquina de tricô - e sua frontura... Se bem que eu acho que foi mais porque eu não saía da casa da minha mãe, encantada pela máquina dela, e o "marildo", ciumento como sempre, resolveu enfrentar as prestações (meio salgadinhas na época....) só prá ter eu ali, tricotando no outro quarto... 


A receita se perdeu, nem sei por onde a blusa anda (talvez num dos maleiros, daqui ou do sítio, fechada em um saquinho com bolinha de naftalina...), só sobrou a foto (mania de fotografar tudo)... Se alguma hora eu criar coragem de procurar, posto a receita. Mas foi feita somente na máquina (pois minha mãezinha nunca comprou frontura); gastei pouco mais de 1 cone de Pingouin Cristal, cor rosa-goiaba e me lembro que usei a mesma regulagem que minha mãe usava - 6 (hoje acho muito apertada, se bem que fica bonita). Fiz as barrinhas na regulagem 4, começando com fio de outra cor (2 carreiras), daí passei para a cor goiaba, umas 14 carreiras. Fiz uma carreira na regulagem 7 e mais 14 carreiras na regulagem 4 (a carreira na regulagem maior faz com que, na hora de dobrar essa barrinha, ela fique bem assentadinha e não arredondada como uma dobra qualquer...). Dobrei, coloquei a carreira inicial junto com a carreira a ser tecida, daí passei prá reg. 6 e teci usando uma das cartelas que veio com a máquina. Na hora de fazer as barrinhas do decote e dos braços, fiz nas mesmas regulagens. Não ficou muito cavada porque, originalmente, a blusa teria mangas, mas eu ainda não sabia fazer direito, não acertava as diminuições, então ficou assim mesmo. Até que ficou bem linda, não é mesmo? Mais uma prova de que a tricoteira não precisa de frontura prá ser feliz...


Bons trabalhos!

terça-feira, 20 de março de 2012

Só prá rir

Este é só porque eu achei bonitinho:
Não pergunte... Não pergunte... Não pergunte... NUNCA pergunte isso a uma mulher, se ama sua vida:
Este é prá quando a gente olha um cartaz de propaganda de cerveja (e esquece o tanto de fotoshop que foi usado prá fazer ele...):


Mais umas geniais do 9gag.com

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mais uma ideia unindo técnicas:



Tricô (novamente, tricô à máquina) e crochê. Como eu já disse antes, não precisa de frontura, você consegue fazer coisas absolutamente lindas sem ela. Só que, desta vez, ao invés de apenas fazer o acabamento, vamos fazer meio a meio - metade máquina, metade crochê...

Pegue sua receitinha de regata, 2 novelinhos de linha Anne, põe a máquina prá funcionar e deixa reservada a agulha de crochê prá fazer a parte de baixo e o acabamento. Pode crer:  é um trabalho que compensa... Pensa bem: ninguém tem uma igual!!!

Comece na máquina umas 20 carreiras antes de fazer a cava; daí faz a cava, o decote, termina os ombros, faz as costas igual. Costura os ombros e os lados.  
Esse rendado eu fiz totalmente com o transportador de 4: escolhi pontos de base para os quais eu iria transportar 4 pontos de um lado, quatro pontos do outro. Dessa forma, sempre ficavam tiras verticais: uma parecendo uma espiga de trigo (para ela é que os pontos eram transportados e, no centro dela, ficam 3 pontos que dão a impressão de alto relevo...) e uma outra tira larga e lisa. Você pode usar uma das cartelas que vieram com a máquina e usar o carro verão: eu não posso... Os pontos vão cair, minha pressão vai subir, minha cabeça vai latejar e eu vou me tornar uma pessoa difícil de se conviver... Aprendi com a experiência a evitar esse tipo de situação. Dá mais trabalho, eu sei, mas é a vida: ninguém disse que viver era fácil. 

Bom, depois que você fez a mini regata, costura e faz um barrado de crochê que você goste. Pode fazer uma manguinha também que fica lindo. Minhas meninas usam essa blusinha com blusa de meia branca por dentro (tipo segunda pele) e fica linda. 

Bons trabalhinhos prá vocês! 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Camisa ou Jaqueta de manga curta?


Você que sabe... O tecido é encorpado - não é tricoline, parece mais um brim fininho. O tecido não é tingido para ser xadrez, parece que duendes o teceram em um microscópico tear de pregos - ultra macio, não dá prá saber o direito e o avesso. Boa prás meninas irem prá faculdade. Paguei 11 reais em um pedaço de 1,10 m na Niazi Chohfi e valeu cada centavo. Tem bolso canguru e capuz prá dar um charme.

Quer molde prá camisa? AQUI tem. Prá fazer o bolso canguru usa seu bom senso e desenha sobre o molde, daí faz o molde do bolso e corta no pano. O capuz? Copia do capuz de um moletom qualquer que você tenha... 

Bom final de semana.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Receita do enxoval de bebê

Prá quem não conseguiu acessar o meu álbum, aqui vai a receitinha do enxoval de recém nascido:




Ah, e caso você nunca tenha feito uma meia de tricô na máquina, é só assistir a estes vídeos que eu achei no Youtube (são da Tathy, viva!!!!!)  para entender o "aramaico" da calça com pezinho:

Parte 1: 

Parte 2:


Parte 3:

Parte 4:


Ai, ai... Vocês não adoram essa época em que estamos vivendo, os recursos que temos à nossa disposição? É só saber procurar que você acha receitas, vídeos que ensinam... Bom demais...

Ah, notícia boa: lembra que eu falei que não fabricava mais máquina de tricô no Brasil, que agora a gente estava abandonada prás baratas? Pois é... Através de um comentário, o Augusto me disse que na Rua 24 de maio, 77, centrão de São Paulo, tem máquinas de tricô novinhas da Lanofix prá vender e ainda dá assistência prá quem tem Elgin e Silver. Beleza, né? Não precisamos mais chorar as pitangas!

Bons tricôs!!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Blusa com 9 pontos




É isso mesmo: dá prá imaginar fazer uma blusa inteira usando apenas 9 agulhas na máquina de tricô? Não precisa mais imaginar, é só olhar as fotos, ver os esqueminhas que eu fiz no Paint e colocar as mãos (e a máquina) prá trabalhar. Se você estava aí matutando até fazer beicinho, achando que tricô à máquina era um bicho do outro mundo - acabei de resolver essa sua questão existencial. É moleza, iniciante tira de letra (é só saber laçar 9 agulhas, passar pelo desafio inicial da primeira carreira - que é trancada porque a linha é de algodão - seguir fazendo as tiras, transportando pacientemente os pontinhos para fazer os rendados, arrematando folgadinho a última carreira) e TCHARAM!!! Taí sua blusa toda emendadinha no crochê, diferente, única e muito bonita. 

Dá prá fazer de uma cor só (usando Anne brilho ouro na cor bege e Anne 500 em um tom de bege um pouco mais escuro nas correntinhas do meio - dando um ar de "ouro velho"...), dá prá aproveitar sobras de linhas e fazer tiras de diversas cores que combinem. Inventa, acrescenta seu toque pessoal, se supera!





Bons tricôs!

(Em tempo: é manequim 44/46).

Observação: Lady Lisbon, você estava certa... a Elgin não fabrica mais máquina de tricô! Agora, quem tem uma, que cuide bem de seu mico leão dourado. Quem tiver oportunidade de comprar uma usada, em bom estado - corre antes que alguém te passe a perna... Buááá.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Enxoval de recém nascido

Acabei de me tornar "avó de contrabando" - minha enteada deu a luz, me chamou prá assistir o parto... Coisa mais linda, nunca vou esquecer. Como acabou nascendo antes do previsto, precisei fazer um enxovalzinho com pressa, então aí vai: 

- A receitinha peguei no meu próprio álbum: BLUSA (receita nº 33) e CALÇA COM PEZINHO (receita nº 34), só que fiz em ponto meia somente, com um detalhezinho na blusa prá combinar com o cobertorzinho (no qual eu deixei sempre 5 agulhas no trabalho, uma fora do trabalho e usei todas as agulhas da máquina. Regulagem 8 no cobertor, 500 carreiras. Arrematei com agulha de crochê prá ficar folgadinho, fiz uma carreira de ponto baixíssimo em volta, mais uma carreira de crochê filê, mais uma carreira de pontos baixíssimos e picôs.

Depois foi só passar a fitinha e dar os lacinhos em cada canto. 

Tanto a blusa como a calça com pezinho fiz na regulagem 7. 

Fiz uma golinha de 100 pontos, diminuindo 1 ponto a cada carreira de cada lado por 20 carreiras, depois de pregar a gola enchi ela de pompons. 

Fiz uma touquinha no mesmo ponto do cobertor. Tudo isso gastando 1 cone e meio de Pingouin Cristal (custo total: 15 reais - nada mal, hein?).

Bons tricôs! 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Vestido de Malha




Fácil, fácil de fazer, todo em ponto elástico na minha Janome 2008. 

Custo? R$4,00 - o metro da malha fria, comprada por peso, na Niazi Chohfi, na 25 de Março, centro de São Paulo. (Hihihi - fazer sua mãezinha feliz com um vestido não tem preço, mas quando custa tão pouquinho ainda dá prá fazer ela feliz muitas vezes mais...).

Como fiz? Tá AQUI.

O cintinho? a receita tá AQUI.

Ah, na hora de cortar a frente, ao invés de cortar arredondando o decote prá baixo, arredondei prá cima, franzi e preguei um pedacinho postiço de pano prá segurar o franzido. Daí preguei dois botões prá dar um charme.

Bom final de semana!

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Mulher e o Castiçal



"Só a mulher pode abençoar o lar. 
As mulheres piedosas salvam o mundo”
(do Talmude)

Ao fundo de uma rua sombria, um vulto de mulher se esgueirava e perdia-se de vista. 

Perdido também estava Daniel em seus pensamentos, embaralhados e inquietos como seu próprio coração. Sentia-se envolvido por uma atmosfera de tristeza que ele não conseguia explicar, uma insatisfação eterna e totalmente sem saída. Será – pensava ele – que seu pai, tão prudente e sensato, conseguiria lhe dar o amparo moral que tanto necessitava?

Ao ser tocado no ombro, pela  mão larga e trêmula de seu pai, Daniel  se viu refletido – como sempre – em um par de  olhos de extrema bondade:

- Filho... Confia em mim. Você sabe que eu não te faltaria com a verdade e que sou leal ao teu coração como convém a um homem de bem ser leal ao seu próprio filho. Todas estas queixas e recriminações que acabas de fazer e toda essa revolta que percebo em seu tom de voz são, a meu ver, uma grande e dolorosa injustiça.  Você está revoltado contra o Destino, achas que tua vida está aniquilada e sem saída e, no entanto, o Destino tem sido, para com você, repleto de bênçãos de toda espécie. Desde a época do teu acertado casamento...

- Acertado casamento? – repetiu Daniel, sublinhando, irônico, as palavras do pai. – Esse casamento, que todos enfeitam com as lantejoulas dos elogios fáceis, não passou, afinal, de um erro deplorável de minha vida.

O velho e experiente Renato esboçou um sorriso de tolerância e bondade.

- Toquei precisamente no ponto vital, visto que julgas que de teu casamento partem todas as contrariedades e desgraças da tua vida... Não te sentes feliz com tua esposa:  mais de cem vezes ouvi de tua boca palavras de queixas e censuras destinadas àquela que escolhestes como mãe de teus filhos.

- “Falta-me quem me compreenda” – você diz... “Tenho  junto de mim alguém de uma intolerável vulgaridade”. Levado pela eterna insatisfação dos teus desejos,  envolves tua boa Lenida num véu de defeitos e fraquezas, tornando-a a menos desejável de todas as esposas. Como explicar essa tua atitude em relação a uma mulher que, em tempo não muito distante, já obteve as preferências de teu amor? Mas acho que sei o que está acontecendo,  meu querido filho. Você insiste em fazer paralelos entre ela e as outras mulheres, paralelos em que as duas partes são vistas desigualmente e nos quais você sempre a vê com olhos desfavoráveis. 

As fantasias da tua imaginação enfeitam as esposas ou as amantes dos teus amigos: imaginas nelas qualidades raras, encantos admiráveis, enquanto que de tua paciente companheira só sabes realçar os defeitos, e esqueces – por completo – de suas boas qualidades. Quero te lembrar que não dei palpite algum quando decidistes te casar. 

Fiquei aflito, é verdade, com medo que fizesses uma escolha infeliz guiado por teu temperamento arrebatado. Tive medo que trouxesses para teu lar uma mulher que não fosse digna do teu afeto. Um erro desses seria fonte de muito arrependimento e desgostos. Com o tempo, pude observar, no dia a dia, o jeito de ser de tua esposa, procurando encontrar a razão de tuas queixas, se eram ou não justas... Mais de uma vez eu quis te abrir os olhos, filho (como agora estou fazendo) e revelar a você uma verdade que desconheces. Se não fiz isso há mais tempo foi unicamente por acreditar que seria mais nobre se teu próprio coração conhecesse a verdade, guiado pelo teu bom senso de marido e pai. Tua esposa é carinhosa e simples; esforçada e econômica; trabalhadora e zelosa. Muito longe está de ser brilhante como uma artista ou de possuir um talento excepcional; mas é sensata e agradável no conversar, discreta nas atitudes e modesta nas maneiras. Jamais se queixa da pobreza em que vive, nem inveja os belos colares e vestidos que algumas amigas ostentam. Nada exige; nada reclama. Se alguma vez pareceu faltar-te foi porque você não a procurou como devia. Lá estava você, julgando-a  a léguas de distância quando, em seus pensamentos, ela estava bem ali, sempre, do teu lado... Mãe extremosa, jamais descuidou um momento dos filhos, para os quais tem uma dedicação incomparável. 

Será linda? Nada quero afirmar a respeito, mas, pelo que tenho ouvido de bocas insuspeitas, tua mulher seria capaz de fazer boa presença entre as mais belas moças de nossa cidade. Só você, filho, é cego... Inteiramente cego para apreciar as belas qualidades que enfeitam tua esposa.

- Mas, meu pai...

- Não me interrompas, Daniel – continuou o pai 

– Te falo ao coração com a franqueza de um amigo verdadeiro e com a lealdade de um pai dedicadíssimo. Para mim seria fácil provar a você que talvez você não seja digno da esposa que tem...  Infelizmente, conhecendo-te como conheço, creio que seria difícil convencer-te disso. Contudo, acho que o sentido perfeito de minhas palavras pode ser compreendido totalmente se você tiver paciência de ouvir de mim uma pequena lenda, ou melhor, uma simples história, quase infantil. A história de um castiçal. Queres ouvir?

- Conta-a, meu pai.

-Era uma vez (por que não começar assim?), era uma vez, repito, um pobre jardineiro, humilde e muito pobre mesmo, que se chamava Tagil.

Ao regressar, um dia, de uma excursão à floresta, avistou Tagil um viajante desconhecido que se achava em perigo ao ser assaltado por dois ladrões, numa estrada deserta. Tagil, que tinha alma nobre e era muito valente, sem medir as consequências de sua coragem, atirou-se, em socorro do viajante e conseguiu, graças a sua força e coragem, pôr em fuga os dois bandidos.

O desconhecido (que, aliás, era um rico mercador), ao chegar à cidade, disse ao corajoso Tagil:

- Meu amigo, se não fosse a sua ajuda agora eu estaria morto. Devo a você minha vida. Como lembrança de minha eterna gratidão, quero dar a você um presente.

O mercador entregou então ao jardineiro uma pequena caixa amarela de couro trabalhado.

Tagil, nem bem chegou em casa, abriu ansioso, cheio de curiosidade, a misteriosa caixa para saber o que de tão precioso ela continha.

Com enorme espanto encontrou apenas um castiçal, de forma estranha e de metal escuro e pesado.

- Ora, um castiçal! – exclamou ele, profundamente decepcionado com aquela triste descoberta. Ora vejam só! Arrisco a vida, luto contra perigosos bandidos de estrada e, no fim de tudo, ganho esta droga! Que vou fazer com isto? Em que poderá um simples castiçal melhorar ou remediar minha vida? Seria preferível que o mercador tivesse dado a mim um punhado de moedas de prata!

Convencido de ter sido enganado em suas esperanças, vencido pela desilusão que lhe trouxera tão desvalorizado presente, Tagil atirou a peça em um canto e ali o deixou, esquecido, abandonado como coisa inútil e desprezível.

- Ora! Um castiçal!!!

E Tagil , cada vez que punha os olhos no castiçal, se lembrava com tristeza do logro que sofrera ao receber a caixa amarela do rico mercador.

-Ora, um castiçal!

O certo é que o mísero castiçal rolava, como se fosse uma inutilidade, de um lado para outro em casa de Tagil. 

Tendo, certa vez, caído pela janela abaixo, esteve muitos dias ao relento, perdido em um terreno imundo. 

Outra vez, durante muito tempo, serviu de calço a um móvel partido e, por fim, até de martelo acabou sendo usado, manejado pelas mãos fortes e calosas de seu dono.

Um dia, afinal, Tagil, oprimido pelas dificuldades da vida, deixou a casa em que morava e foi residir numa cidade próxima, onde esperava arrumar trabalho. Levou consigo quase todos os objetos que possuía; deixou apenas, sobre uma mesa tosca e suja, como coisa imprestável, o pesado castiçal que lhe fora presenteado pelo rico mercador a quem salvara a vida.

Ora, aconteceu que a casa deixada por Tagil foi ocupada, dias depois, por um músico de profissão.

Leonardo (assim se chamava ele) era um homem pobre e trabalhador; ao encontrar o castiçal abandonado, teve a impressão de que se tratava de uma peça curiosa e digna de atenção. Cuidando, desde logo, de livrá-lo do pó que o cobria e das manchas que o enfeavam, notou que apresentava na superfície da base certas linhas e figuras de modo muito singular.

Deslumbrado com a inesperada descoberta, Leonardo começou a examinar com toda a meticulosidade o desprezado utensílio e acabou descobrindo que se tratava de uma verdadeira maravilha. A figura da base era, sem dúvida, execução paciente de um artista genial. Via-se gravado no metal, com traços admiráveis, quase imperceptíveis, a figura soberba de gigantesca embarcação deslizando impávida em um mar imenso, brandamente beijada pela espuma de ondas inquietas; inclinando-se um pouco o castiçal, mudava-se completamente a cena. Agora distinguia-se uma bailarina com seus véus, dançando no meio de um lindo jardim. Desviando um pouco o olhar para a direita, notava-se que a bailarina desaparecia, surgindo um magnífico castelo, com suas torres apontadas para o céu. Procurando-se com cuidado, uma disposição conveniente, graças a um fluxo de luz, via-se ainda um corcel negro a galopar sobre uma montanha de nuvens. Tudo isso o genial gravador fizera esculpindo com incrível paciência a superfície de metal pólido do castiçal.

Sem perda de tempo, Leonardo levou o maravilhoso objeto a diversas pessoas, e todas tiveram a oportunidade de admirar a extraordinária perfeição do originalíssimo trabalho. E Leonardo, ao desfazer-se do precioso castiçal, ganhou uma fortuna incalculável.

Como é singular o destino das coisas!

O que nas mãos de Tagil era uma peça inútil e sem valor tornara-se uma verdadeira preciosidade aos olhos inteligentes de Leonardo. Este, mais hábil, soube, com finura, ver as maravilhas que o outro jamais conseguira vislumbrar.

Quantos homens não há, por este mundo, que cercados por tesouros que não apreciam, homens cujos olhos, desorientados por sentimentos maus, não chegam sequer a perceber o brilho ofuscante das pedras preciosas que os rodeiam?

Tens, meu filho, em tua casa, um precioso castiçal que o Destino depositou em tuas mãos. 

Cuida dele com carinho e cuidado. Não queiras ser o ridículo Tagil da lenda, que não soube avaliar as grandezas do tesouro que possuía.

Terminada a narrativa, Daniel finalmente se ergueu.

As últimas palavras de seu pai ainda vibravam no ar, ecoando em seus ouvidos.

- “Não queiras ser o ridículo Tagil da lenda...”

A tarde caía lentamente. As primeiras sombras já se acomodavam nos recantos que a luz ia, pouco a pouco, abandonando. Naquele momento Daniel se lembrou que sua esposa, sempre bondosa, estaria, com certeza, resignada à sua espera.

Estranho remorso, do qual não podia desvencilhar-se, oprimia fortemente seu coração.

Sentiu uma vontade imensa de correr pra casa, abraçar sua mulher, abraçá-la muito, beijá-la como já não o fazia há muito tempo.

- Vai, meu filho. Vai.

(Mais um conto lindo de Malba Tahan – adaptação minha)

A todas nós, admiráveis castiçais: Feliz Dia da Mulher... 

terça-feira, 6 de março de 2012

Vestido Conversível versão 2.0






Eu disse que ia fazer um: aqui está! Já tinha comprado o jérsey na 25 de março (paguei 5 metros R$11,00 - fiz um regatão, esse vestido e sobrou prá caramba!). Eu tinha comprado 5 metros porque pretendia fazer o vestido conversível da outra postagem, aquele que tem roda e parece o vestido da Marilyn Monroe no filme "O Pecado Mora ao Lado", onde o vento do metrô levanta a saia dela... Mas aí achei que era muito pano prá pouco vestido, então fiquei garimpando na net prá achar outros modelos - afinal, eu sou mão de vaca econômica até dizer chega... O site Cortando e Costurando tem outro modelo, diferente destes dois - vale a pena passar lá prá ver, porque tem receitinha bem explicada. Além do mais, o modelo deles é bem mais versátil que o meu: olha só quantos jeitos de amarrar :



Agora, vamos ao que interessa:

- Achei esse molde em um site russo, alguém estava pedindo prá outro alguém um molde desse tipo de vestido e então a mulher mostrava esses recortes velhos de uma revista em espanhol. Já procurei mas não sei onde foi - quando meu moleque chegar eu peço prá ele achar prá mim (que ele é um gênio, acha tudo, sabe tudo, conserta tudo...);

- Esse modelo leva 3 metros de malha (mas, como ele é de pouca largura, com essa metragem dá prá fazer 2 vestidos...);

- O molde eu copiei assim: emendei umas folhas de encarte de shopping e farmácia (o papel é bom e assim eu reciclo) até dar 3 metros de comprimento e 70 cm de largura; peguei uma caixa de papelão de lazanha e recortei um quadrado de 10 cm x 10 cm. Daí foi só ir posicionando o quadrado e riscando com caneta, "quadriculando" toda a folha de molde. Numerei tudo prá ficar mais fácil eu me localizar e risquei o molde - MOLEZA... Olha como ele ficou:



Olha como você faz (fiz meu esqueminha no Paint, prá ficar mastigadinho):




- Dobre o tecido ao meio, juntando as duas ourelas (pegando os 3 metros - você pode dobrar 1/4 prá um lado, 1/4 pro outro e cortar 2 vestidos...), alfinete o molde e corte;

- Costure as duas partes, unindo o que vai ser a frente (parte de onde saem as alças largas) e as costas (onde tem um corte arredondado). Se você tem overlock (a propósito, não sei se eu já disse que te odeio...) use o ponto elástico da sua máquina. Aqui tem uma dica: essa parte arredondada, quando você for virar prá fazer a bainha, corre o risco de desfiar. Então passa um pontinho elástico aí no arredondado das costas antes de fazer a bainha prá dentro. Outra dica: se você é magrelinha, aí é um bom lugar prá colocar um pedacinho de elástico.

- Depois que costurou frente e costas, faça bainha toda a volta, 1 cm em todo o contorno, com overlock (Grrrrr) ou ponto elástico; na barra, vire 2 cm. 

- O vestido ficou um palmo abaixo do joelho na Naninha. Se você quiser faça mais curto ou mais longo, adequando o molde.

- É bem versátil quanto a manequins: serve desde o 40 até o 50 (minha irmã).

Só fiz três amarrações, porque tava na hora do almoço e a Naninha não estava com paciência de tirar foto: tinha muito que estudar, em pleno domingo...

Aqui vai o molde original:





DICAS PRÁ LÁ DE BOAS:

- Faça estampado usando somente 1,5 m de tecido: corte a saia e a parte da frente do decote, depois faça uma emenda pro resto da alças (sendo estampado, as emendas não aparecem...);

- Na hora de unir a frente, costure um pouco mais prá cima do que as costas, assim você não corre o risco do vestido abrir e mostrar suas particularidades;

- Custo: com R$8,00 de jérsey dá prá dois vestidos (sobrou prá outro...) então que tal fazer uma porção deles e vender por aí? Viscolycra, viscoelastano, malha fria - maravilha. Qual mulher não vai querer um, dá prá guardar na gaveta, dá prá variar a amarração, fica lindo (sem contar que é barato e fácil de fazer). Olha só: contando tudo (tempo de fazer o molde, cortar e costurar o vestido) fiz em 2 horas!); 

- Na hora de costurar, cuidado com a tensão do ponto prá não franzir - tenho que dar uma desmanchadinha nas costuras da frente e de trás porque o meu ficou meio franzido.

- Use SOMENTE malha - não serve tecido plano; é que malha estica, se amolda aos contornos do corpo e é isso que esse vestido faz de melhor...

E então? Gostaram?
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